segunda-feira, janeiro 22, 2007

Quem é você?



Hoje estava lendo um texto da Martha Medeiros e fiquei inspirada (não é pra menos, ela escreve muito bem). Pois nesse texto ela dizia que a gente é o que a gente gosta. E sabe que é isso mesmo? Eu seria algo assim:


Sou um dia de primavera. Ou um dia de inverno com sol e, de preferência, neve. Mas decididamente, não sou um dia de verão (odeio o calor escaldante). Sou instável, hoje chovo, amanhã faço sol.

Sou Clarice, sou Caio. Sou Fernando Pessoa. Sou os poetas metafísicos. Sou e.e.cummings. Woody Allen e Ingmar Bergman. Sou Paulo Leminski. Sou Nick Hornby e Chic Lit também. Na música, sou Brit Pop, sempre.

Sou chocolate suíço. Sou mousse de maracujá. Sou pão de queijo com café recém-passado. Baguette, croissant, pain au chocolat...Sou amante da boa mesa. E dos bons vinhos, não necessariamente franceses.

Sou cheesecake de limão. Sou pizza de catupiri com chopp gelado. No churrasco, sou a linguicinha e a farofa. Acompanhadas de guaraná (ou cerveja). Sou moqueca de peixe. Sou bobó de camarão. Bolo de fubá, feijão tropeiro e tutu à mineira.

Sou livros. Dicionários. Filmes, muitos filmes. Guias de viagem e revistas. Manuais de tarô e astrologia. Gatos. Sou Internet. Sou girassól e sou Van Gogh. Sou Matisse. Sou Pierre Bonnard.

Sou o azul do céu, o laranja e o amarelo. Mas também sou preto e tons de cinza quando chove dentro de mim. Sou humana, sou todas as cores. Sou montanha, sou cachoeira. Sou caminhadas na praia (nostalgia). Sou cheiro de mato.

Sou Amsterdã. Sou Paris e Londres. Sou as Terras Altas da Escócia. O Lake District na Inglaterra (foto). No Brasil, sou Ouro Preto e Visconde de Mauá. Sou São Paulo capital, sou metrópole. Sou o pôr-do-sol em Ipanema. Sou o Jardim Botânico.

Sou louca, sou paradoxal. Sou eu mesma! E agora passo a vez para vocês. Façam suas listinhas e divirtam-se.

domingo, janeiro 21, 2007

Gatos, a emoção de lidar

Ainda no assunto gatos, um dos livros mais bonitos que tive a sorte de colocar as mãos é Gatos, a emoção de lidar de Nise da Silveira. Esta excelente psiquiatra (junguiana) é conhecida, entre outras coisas, pelo seu belo projeto Museu de Imagens do Inconsciente, desenvolvido com seus pacientes psiquiátricos. O livro foi publicado em 1998 pela Léo Christiano Editorial em edição limitada e infelizmente está esgotado...Deixo então aqui registrado um trecho do livro:


Observei que os resultados terapêuticos das relações afetivas entre o animal e o doente eram excelentes. Mas era difícil que essa idéia tivesse campo para desenvolver-se. No Brasil a aproximação entre doente e animal, infelizmente, ainda não era cultivada. A preocupação dos terapeutas, ao contrário, afastava o animal do doente, sob alegações inconscientes. Compensadoramente, amigos distantes foram solidários: o Pr. Boris Levinson, psicanalista americano, comentou por carta esses fatos ocorridos no Brasil, como a expulsão, envenenamento ou morte contra os animais. Eis um trecho da carta: Sem dúvida, para muitos desses doentes, os animais eram a sua única linha de vida para a saúde mental.

O que se tem observado é que animais como cães, gatos, peixes e pássaros são requisitados como novos terapeutas em hospitais franceses, canadenses, americanos e suíços, depois de ter sido constatado que eles são indispensáveis à melhora ou à cura dos portadores de várias doenças.

A paixão pelos gatos


Hoje decidi falar de outra paixão minha, os gatos. Paixão inesperada (como toda paixão na vida da gente), que aconteceu quando vim morar na Holanda. No Brasil, pelo menos na minha época, os cãos eram os bichos de estimação favoritos. Em minha casa mesmo tivemos dois cãezinhos (uma pequinês e um yorkshire terrier).

Quanto aos gatos, tudo começou em setembro de 1994, quando aluguei um quarto na casa de um senhor inglês. E adivinhem só: ele tinha um gato que foi a minha primeira paixão em Amsterdam. O gatinho era uma graça e muito travesso - o danado vivia arrumando um jeito de se enfiar no meu quarto (era só eu deixar a porta aberta alguns minutos) e no final, até na minha cama dormia! Morei nesta casa por um ano e até hoje me lembro de como fiquei triste ao me mudar e me despedir do Chico, que faleceu alguns anos depois. Ao me despedir dele, eu também me despedia de uma fase da minha vida.

Meio ano depois, quando eu e Jeff conseguimos um apartamento para morar, decidimos adotar um gatinho em um dos asilos da cidade. E assim adotamos a gata Eva, a gatinha preto e branco mais dócil que já conheci (infelizmente falecida). Ela fez parte da minha segunda fase na Holanda e acompanhou minha trajetória por 10 anos. Neste período me casei, perdi minha mãe, engravidei, tive meu filho e me separei. Ela faleceu com cerca de 16 anos, por coincidência ou não, três meses antes do Jeff sair de casa. Sua morte nos deixou muito tristes e me lembro de ter visto, na época, uma metáfora na morte da Eva. Porque sua morte coincidiu com o fim do nosso casamento...e marcou mais uma fase da minha vida que se encerrava.

Um ano depois, eu ainda estava reorganizando minha vida pós-divórcio e cada vez sentia mais falta de um gato dentro de casa. Por essa época, minha vizinha veio bater à minha porta em lágrimas com uma gatinha de um ano, me perguntando se eu gostaria de adotá-la porque não podia mais ficar com ela. E foi assim que a Lisa veio parar aqui em casa! O mais engraçado é que ela também é uma gata preto e branco e muito parecida com a Eva. A vida tem dessas coisas...

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Hilário


Para quem está em busca de inspiração ou apenas de citações hilárias, irônicas e no mínimo inteligentes:
http://www.despair.com/viewall.html.

O site dispõe de um serviço especial em que o cliente pode criar seu próprio calendário com fotos e citações exclusivas ou ainda, litografias e fotos para colocar na mesa do computador. Eu quéeeeeeeero!

Blythe, Blythe, Blythe!

Minhas bonequinhas Blythe andam fazendo sucesso no orkut. E não é pra menos, elas são encantadoras! E eu me apaixono a cada dia mais por elas (nem Freud explica).

Verdade seja dita: sempre gostei de brincar de boneca, eu tinha uma casinha de bonecas de 3 andares, com luz em todos os cômodos e piscina na cobertura - minha mãe encomendou na época para um senhor que morava no nosso bairro. E como o dinheiro era curto (minha mãe vivia improvisando, como a tal casa de boneca), eu nunca tive uma Barbie, brincava mesmo era com a Suzi da Estrela (quem se lembra?). Em compensação, minha mãe fazia roupinhas lindas pras minhas bonecas, de deixar muita menina no colégio com inveja (elas até faziam encomendas!). E hoje em dia, volta e meia compro uma Barbie pra dar de presente pras filhas das minhas amigas, rsrsrsrs...

Needless to say, meu sonho de consumo atual é uma das Blythes à venda no eBay...algumas chegam a custar (míseros) 500 dólares no disputado leilão on-line! Eu disse que não nasci pra ser pobre!

Quem quiser entrar na onda, puxe a cadeira e fique à vontade:
http://www.flickr.com/groups/48889084360@N01/pool/

domingo, janeiro 14, 2007

Das nossas escolhas

Lendo um blog na net, tive a felicidade de reencontrar um de meus poemas favoritos dos tempos em que cursava a Faculdade de Letras. Um poema que fala de escolhas e, acima de tudo, de renúncias. Porque cada escolha que fazemos na vida traz inevitavelmente consigo uma renúncia.

Como bem ilustra o poema a seguir, a vida muitas vezes nos apresenta dois caminhos distintos. São momentos cruciais que definirão nossas vidas por anos a vir, só nos cabe decidir - e torcer que tenhamos feito a melhor escolha naquele momento em que o futuro nada mais é do que uma incógnita.

Alguns escolhem o caminho mais fácil e seguem pelas estradas da vida de coração leve. Outros escolhem o caminho mais difícil, caminhos nunca antes explorados. Outros ainda, ficam paralisados pela escolha e optam por não fazer nada. E têm ainda aqueles para os quais arriscar o novo é a única escolha possível. Eu acredito que o maior arrependimento que existe é pelas coisas que deixamos de fazer, e não pelas coisas que fizemos. A melancolia das emoções não vividas, das palavras não ditas, dos lugares não conhecidos, do que poderia ter sido...enfim, das escolhas não feitas.


"Two roads diverged in a yellow wood
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth
Then took the other as just as fair
And having perhaps the better claim
Because it was grassy and wanted wear
Though as for that, the passing there
Had worn them really about the same
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black
Oh, I kept the first for another day!
Yet, knowing how way leads onto way
I doubted if I should ever come back
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence
Two roads diverged in a wood
And I took the one less traveled by
And that has made all the difference".
by Robert Frost

Intensidade x profundidade

O ser humano é cheio de mistérios. Outro dia estava divagando sobre duas características que as pessoas costumam confundir regularmente: intensidade e profundidade. Percebi que muitas pessoas acreditam viver a vida com profundidade por viverem intensamente, mantendo-se sempre ocupadas e com as agendas cheias. Mas se pararmos para pensar, viver intensamente e viver profundamente são coisas bem diferentes.

Pessoas intensas vivem com suas emoções à flor da pele, são instintivas, intuitivas e, acima de tudo, impulsivas. Elas vivem para o momento - e não deixam de estar certas, porque a vida é aqui e agora. É comum se sentirem atropeladas pelos acontecimentos. Mas essa intensidade de sentimentos nem sempre vem acompanhada de profundidade.

Quando há profundidade, a pessoa pára para analisar os acontecimentos à sua volta e digeri-los a seu tempo (como eu costumo repetir com frequência: vivendo e aprendendo). Essas pessoas não têm medo de encarar seus próprios monstros antes de prosseguirem em seu caminho. Elas não têm medo de assumir seus erros e, com o tempo e o necessário amadurecimento, elas aprendem com eles.

O interessante é que a cultura ocidental sempre valorizou pessoas intensas, sempre valorizou a ação acima do pensamento, pessoas que fazem e acontecem. Basta observar que pessoas extrovertidas costumam ter mais sucesso pessoal e profissional do que pessoas introvertidas. Eu até desconfio que pessoas introvertidas não se adaptam ao mundo em que vivemos hoje - um mundo em que, basicamente, as pessoas são o que elas têm (nem mais, nem menos).

A tradição oriental, por sua vez, valoriza os momentos de introspecção e meditação, a busca de significado nos pequenos detalhes do dia-a-dia. Os orientais buscam a profundidade por trás dos acontecimentos cotidianos, como se percebe nitidamente em sua religião e literatura. Ao invés de se deixarem levar por suas emoções, eles tentam entendê-las, aceitá-las e finalmente, dominá-las - só então podem apreciar o real significado por trás de suas emoções.

Com o passar dos anos, percebo que estou cada vez mais introspectiva (contemplativa), apesar do temperamento extrovertido. Na verdade, tenho dentro de mim um pouco das duas coisas: tento viver a vida intensamente mas, ao mesmo tempo, vivo em busca do significado oculto nas pessoas e acontecimentos ao meu redor. Pode ser um defeito, eu prefiro ver como uma qualidade.
Tecnologia do Blogger.

Quem é você?



Hoje estava lendo um texto da Martha Medeiros e fiquei inspirada (não é pra menos, ela escreve muito bem). Pois nesse texto ela dizia que a gente é o que a gente gosta. E sabe que é isso mesmo? Eu seria algo assim:


Sou um dia de primavera. Ou um dia de inverno com sol e, de preferência, neve. Mas decididamente, não sou um dia de verão (odeio o calor escaldante). Sou instável, hoje chovo, amanhã faço sol.

Sou Clarice, sou Caio. Sou Fernando Pessoa. Sou os poetas metafísicos. Sou e.e.cummings. Woody Allen e Ingmar Bergman. Sou Paulo Leminski. Sou Nick Hornby e Chic Lit também. Na música, sou Brit Pop, sempre.

Sou chocolate suíço. Sou mousse de maracujá. Sou pão de queijo com café recém-passado. Baguette, croissant, pain au chocolat...Sou amante da boa mesa. E dos bons vinhos, não necessariamente franceses.

Sou cheesecake de limão. Sou pizza de catupiri com chopp gelado. No churrasco, sou a linguicinha e a farofa. Acompanhadas de guaraná (ou cerveja). Sou moqueca de peixe. Sou bobó de camarão. Bolo de fubá, feijão tropeiro e tutu à mineira.

Sou livros. Dicionários. Filmes, muitos filmes. Guias de viagem e revistas. Manuais de tarô e astrologia. Gatos. Sou Internet. Sou girassól e sou Van Gogh. Sou Matisse. Sou Pierre Bonnard.

Sou o azul do céu, o laranja e o amarelo. Mas também sou preto e tons de cinza quando chove dentro de mim. Sou humana, sou todas as cores. Sou montanha, sou cachoeira. Sou caminhadas na praia (nostalgia). Sou cheiro de mato.

Sou Amsterdã. Sou Paris e Londres. Sou as Terras Altas da Escócia. O Lake District na Inglaterra (foto). No Brasil, sou Ouro Preto e Visconde de Mauá. Sou São Paulo capital, sou metrópole. Sou o pôr-do-sol em Ipanema. Sou o Jardim Botânico.

Sou louca, sou paradoxal. Sou eu mesma! E agora passo a vez para vocês. Façam suas listinhas e divirtam-se.

Gatos, a emoção de lidar

Ainda no assunto gatos, um dos livros mais bonitos que tive a sorte de colocar as mãos é Gatos, a emoção de lidar de Nise da Silveira. Esta excelente psiquiatra (junguiana) é conhecida, entre outras coisas, pelo seu belo projeto Museu de Imagens do Inconsciente, desenvolvido com seus pacientes psiquiátricos. O livro foi publicado em 1998 pela Léo Christiano Editorial em edição limitada e infelizmente está esgotado...Deixo então aqui registrado um trecho do livro:


Observei que os resultados terapêuticos das relações afetivas entre o animal e o doente eram excelentes. Mas era difícil que essa idéia tivesse campo para desenvolver-se. No Brasil a aproximação entre doente e animal, infelizmente, ainda não era cultivada. A preocupação dos terapeutas, ao contrário, afastava o animal do doente, sob alegações inconscientes. Compensadoramente, amigos distantes foram solidários: o Pr. Boris Levinson, psicanalista americano, comentou por carta esses fatos ocorridos no Brasil, como a expulsão, envenenamento ou morte contra os animais. Eis um trecho da carta: Sem dúvida, para muitos desses doentes, os animais eram a sua única linha de vida para a saúde mental.

O que se tem observado é que animais como cães, gatos, peixes e pássaros são requisitados como novos terapeutas em hospitais franceses, canadenses, americanos e suíços, depois de ter sido constatado que eles são indispensáveis à melhora ou à cura dos portadores de várias doenças.

A paixão pelos gatos


Hoje decidi falar de outra paixão minha, os gatos. Paixão inesperada (como toda paixão na vida da gente), que aconteceu quando vim morar na Holanda. No Brasil, pelo menos na minha época, os cãos eram os bichos de estimação favoritos. Em minha casa mesmo tivemos dois cãezinhos (uma pequinês e um yorkshire terrier).

Quanto aos gatos, tudo começou em setembro de 1994, quando aluguei um quarto na casa de um senhor inglês. E adivinhem só: ele tinha um gato que foi a minha primeira paixão em Amsterdam. O gatinho era uma graça e muito travesso - o danado vivia arrumando um jeito de se enfiar no meu quarto (era só eu deixar a porta aberta alguns minutos) e no final, até na minha cama dormia! Morei nesta casa por um ano e até hoje me lembro de como fiquei triste ao me mudar e me despedir do Chico, que faleceu alguns anos depois. Ao me despedir dele, eu também me despedia de uma fase da minha vida.

Meio ano depois, quando eu e Jeff conseguimos um apartamento para morar, decidimos adotar um gatinho em um dos asilos da cidade. E assim adotamos a gata Eva, a gatinha preto e branco mais dócil que já conheci (infelizmente falecida). Ela fez parte da minha segunda fase na Holanda e acompanhou minha trajetória por 10 anos. Neste período me casei, perdi minha mãe, engravidei, tive meu filho e me separei. Ela faleceu com cerca de 16 anos, por coincidência ou não, três meses antes do Jeff sair de casa. Sua morte nos deixou muito tristes e me lembro de ter visto, na época, uma metáfora na morte da Eva. Porque sua morte coincidiu com o fim do nosso casamento...e marcou mais uma fase da minha vida que se encerrava.

Um ano depois, eu ainda estava reorganizando minha vida pós-divórcio e cada vez sentia mais falta de um gato dentro de casa. Por essa época, minha vizinha veio bater à minha porta em lágrimas com uma gatinha de um ano, me perguntando se eu gostaria de adotá-la porque não podia mais ficar com ela. E foi assim que a Lisa veio parar aqui em casa! O mais engraçado é que ela também é uma gata preto e branco e muito parecida com a Eva. A vida tem dessas coisas...

Hilário


Para quem está em busca de inspiração ou apenas de citações hilárias, irônicas e no mínimo inteligentes:
http://www.despair.com/viewall.html.

O site dispõe de um serviço especial em que o cliente pode criar seu próprio calendário com fotos e citações exclusivas ou ainda, litografias e fotos para colocar na mesa do computador. Eu quéeeeeeeero!

Blythe, Blythe, Blythe!

Minhas bonequinhas Blythe andam fazendo sucesso no orkut. E não é pra menos, elas são encantadoras! E eu me apaixono a cada dia mais por elas (nem Freud explica).

Verdade seja dita: sempre gostei de brincar de boneca, eu tinha uma casinha de bonecas de 3 andares, com luz em todos os cômodos e piscina na cobertura - minha mãe encomendou na época para um senhor que morava no nosso bairro. E como o dinheiro era curto (minha mãe vivia improvisando, como a tal casa de boneca), eu nunca tive uma Barbie, brincava mesmo era com a Suzi da Estrela (quem se lembra?). Em compensação, minha mãe fazia roupinhas lindas pras minhas bonecas, de deixar muita menina no colégio com inveja (elas até faziam encomendas!). E hoje em dia, volta e meia compro uma Barbie pra dar de presente pras filhas das minhas amigas, rsrsrsrs...

Needless to say, meu sonho de consumo atual é uma das Blythes à venda no eBay...algumas chegam a custar (míseros) 500 dólares no disputado leilão on-line! Eu disse que não nasci pra ser pobre!

Quem quiser entrar na onda, puxe a cadeira e fique à vontade:
http://www.flickr.com/groups/48889084360@N01/pool/

Das nossas escolhas

Lendo um blog na net, tive a felicidade de reencontrar um de meus poemas favoritos dos tempos em que cursava a Faculdade de Letras. Um poema que fala de escolhas e, acima de tudo, de renúncias. Porque cada escolha que fazemos na vida traz inevitavelmente consigo uma renúncia.

Como bem ilustra o poema a seguir, a vida muitas vezes nos apresenta dois caminhos distintos. São momentos cruciais que definirão nossas vidas por anos a vir, só nos cabe decidir - e torcer que tenhamos feito a melhor escolha naquele momento em que o futuro nada mais é do que uma incógnita.

Alguns escolhem o caminho mais fácil e seguem pelas estradas da vida de coração leve. Outros escolhem o caminho mais difícil, caminhos nunca antes explorados. Outros ainda, ficam paralisados pela escolha e optam por não fazer nada. E têm ainda aqueles para os quais arriscar o novo é a única escolha possível. Eu acredito que o maior arrependimento que existe é pelas coisas que deixamos de fazer, e não pelas coisas que fizemos. A melancolia das emoções não vividas, das palavras não ditas, dos lugares não conhecidos, do que poderia ter sido...enfim, das escolhas não feitas.


"Two roads diverged in a yellow wood
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth
Then took the other as just as fair
And having perhaps the better claim
Because it was grassy and wanted wear
Though as for that, the passing there
Had worn them really about the same
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black
Oh, I kept the first for another day!
Yet, knowing how way leads onto way
I doubted if I should ever come back
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence
Two roads diverged in a wood
And I took the one less traveled by
And that has made all the difference".
by Robert Frost

Intensidade x profundidade

O ser humano é cheio de mistérios. Outro dia estava divagando sobre duas características que as pessoas costumam confundir regularmente: intensidade e profundidade. Percebi que muitas pessoas acreditam viver a vida com profundidade por viverem intensamente, mantendo-se sempre ocupadas e com as agendas cheias. Mas se pararmos para pensar, viver intensamente e viver profundamente são coisas bem diferentes.

Pessoas intensas vivem com suas emoções à flor da pele, são instintivas, intuitivas e, acima de tudo, impulsivas. Elas vivem para o momento - e não deixam de estar certas, porque a vida é aqui e agora. É comum se sentirem atropeladas pelos acontecimentos. Mas essa intensidade de sentimentos nem sempre vem acompanhada de profundidade.

Quando há profundidade, a pessoa pára para analisar os acontecimentos à sua volta e digeri-los a seu tempo (como eu costumo repetir com frequência: vivendo e aprendendo). Essas pessoas não têm medo de encarar seus próprios monstros antes de prosseguirem em seu caminho. Elas não têm medo de assumir seus erros e, com o tempo e o necessário amadurecimento, elas aprendem com eles.

O interessante é que a cultura ocidental sempre valorizou pessoas intensas, sempre valorizou a ação acima do pensamento, pessoas que fazem e acontecem. Basta observar que pessoas extrovertidas costumam ter mais sucesso pessoal e profissional do que pessoas introvertidas. Eu até desconfio que pessoas introvertidas não se adaptam ao mundo em que vivemos hoje - um mundo em que, basicamente, as pessoas são o que elas têm (nem mais, nem menos).

A tradição oriental, por sua vez, valoriza os momentos de introspecção e meditação, a busca de significado nos pequenos detalhes do dia-a-dia. Os orientais buscam a profundidade por trás dos acontecimentos cotidianos, como se percebe nitidamente em sua religião e literatura. Ao invés de se deixarem levar por suas emoções, eles tentam entendê-las, aceitá-las e finalmente, dominá-las - só então podem apreciar o real significado por trás de suas emoções.

Com o passar dos anos, percebo que estou cada vez mais introspectiva (contemplativa), apesar do temperamento extrovertido. Na verdade, tenho dentro de mim um pouco das duas coisas: tento viver a vida intensamente mas, ao mesmo tempo, vivo em busca do significado oculto nas pessoas e acontecimentos ao meu redor. Pode ser um defeito, eu prefiro ver como uma qualidade.