Ontem finalmente conseguir assistir um filme que estava na fila de espera há tempos: Quartier Lointain, baseado na estória em quadrinhos (ou manga pra quem entende do assunto) do cartunista japonês Jirō Taniguchi. O nome em inglês é A Distant Neighourhood e a estória em quadrinhos foi escrita em 1998. Tanto os quadrinhos como o filme (2010) foram muito bem recebidos pelo público e pela crítica especializada.
Quartier Lointain conta a estória de Thomas, um cartunista que mora em Paris com sua família (esposa e duas filhas adolescentes) e que, por uma daquelas obras do destino, trem acaba parando, durante uma viagem de trem, na estação da cidadezinha onde cresceu. Da última vez em que esteve lá há 20 anos, ele foi para o enterro de sua mãe. Já que está mesmo na cidade, Thomas decide visitar o túmulo da mãe no cemitério e algo (muito) estranho acontece. Subitamente, ele tem uma espécie de "desmaio" e quando acorda de novo, está de volta à sua adolescência - ou mais especificamente, seus 14 anos. O ano em que seu pai abandonou a família para nunca mais voltar. E depois disso, sua mãe nunca mais conseguiu se reestabelecer e vivia esperando seu retorno (que nunca aconteceu). Alguns anos depois, a mãe morre de tristeza ou cansaço da vida (a "interpretação" fica por conta de quem lê o livro ou assiste o filme).
Uma das grandes tiradas da estória é que Thomas volta à sua adolescência mas com a consciência e conhecimentos de sua vida adulta. Assim, já sabendo o que acontecerá nos anos futuros, ele tenta a todo custo "corrigir" o passado e evitar suas consequências devastadoras. Ele se aproxima do pai e o segue por toda parte, além de tentar convencê-lo a não ir embora. No final das contas, seus esforços são em vão porque o pai decide partir assim mesmo! O que nos faz pensar se é mesmo possível mudar o passado, principalmente quando ele envolve outras pessoas e seus desejos e vontades.
Os quadrinhos são traduzidos na tela de cinema em um clima nostálgico, com decoração e sets típicos dos anos 70 (inclusive os famosos LPs da minha infância e adolescência). Thomas tem a chance de voltar à sua adolescência dos anos 70 numa cidadezinha do interior da França e nós participamos de sua vida diária, na escola, em casa dançando com a mãe e com a irmã caçula, o primeiro amor, os companheiros da adolescência, etc. Enfim, nostalgia pura! Eu recomendo.
terça-feira, setembro 17, 2013
terça-feira, setembro 10, 2013
Outono/inverno
E eu me sinto totalmente bipolar quando percebo o quanto o clima me afeta emocional e mentalmente. Eu moro na Holanda há quase 20 anos e até hoje tento me acostumar com o inverno. Pra deixar bem claro, não me refiro ao inverno como nas paisagens da Europa Central (Suíça, Alemanha e Itália) e sim o inverno no Norte da Europa (Inglaterra, Irlanda, Holanda e partes da Escandinávia). É o tal clima oceânico, que provoca temporadas de chuva, garoa e muita ventania! Enfim, nada de paisagens brancas cobertas de neve (aqui até neva, mas bem menos do que na Alemanha por ex.) mas ao invés disso, dias cinzentos e chuvosos. E se no verão eu passo mais tempo andando e pedalando pelas ruas, no inverno a tendência é ficar em casa...
Depois de um bom verão com muitos dias de praia (que eu tive a chance de curtir) e pouca chuva, esta semana a previsão é de chuva para a semana inteira (a natureza agradece, a grama aqui está seca há semanas). Quanto a mim, já começo a tomar as medidas necessárias para encarar mais uma mudança de estação. Porque quem mora no Brasil não sabe o que são as quatro estações do ano, nem mesmo na região sul (embora o inverno lá possa ser rigoroso e até tenha neve na Serra Gaúcha). Ainda mais eu que sempre morei no Rio e podia ir à praia praticamente o ano inteiro!
Mas tudo tem dois lados e no outono/inverno a gente pode se ocupar com um monte de coisas legais! Eu mesma percebo que praticamente não leio no verão mas logo que chega setembro eu começo a ler um livro atrás do outro! No inverno então, leio em média um livro por semana. E sim, também é a época do ano para novas temporadas das séries de tv favoritas e de assistir muitos filmes. É a época em que a gente se enrosca debaixo de uma coberta gostosa com uma xícara de chá ou café e um bom livro como companhia.
E é aí que mora o perigo porque eu estou fazendo a reeducação alimentar e agora já percebi que terei de fazer algumas alterações "sutis" na dieta: por exemplo, se chove a semana inteira e não dá pra andar de bicicleta, nadar 2x semana e comer um lanche a menos! Já perdi quase 5 kgs (!) mas o caminho é longo e cheio de tentações...então o negócio é antecipar as dificuldades. Também vou comprar em breve uma corda de pular - podem rir mas li nuns sites que é um ótimo exercício aeróbico, usado por maratonistas e até mesmo lutadores de box para manter a capacidade física!!! Assim posso pular corda em casa mesmo nos dias chuvosos em que não me animo a pegar a bicicleta.
Moral da estória: a gente vai se adaptando, um dia de cada vez!
quarta-feira, setembro 04, 2013
A dieta: minhas dicas
| Minha salada favorita: tomate, mozzarela e manjericão |
Então vamos lá, já que estou mesmo motivada (é agora ou nunca), vou dar algumas dicas básicas de quem está a fim de encarar uma dieta.
1. Esqueça dietas! A palavra de ordem é reeducação alimentar. Dieta não resolve o problema, você passa fome por algumas semanas (ou meses), chega ao peso desejado e resolve voltar a comer como antes - resultado, engorda tudo de novo (e mais um pouco). Eu felizmente nunca fui vítima de dietas da moda mas fui dois meses no Weight Watchers aqui na Holanda e pra mim não funcionou! Pra gente organizada que adora fazer contas e listinhas e contar pontos em TODAS as refeições, ótimo. Não é o meu caso, não tenho saco!
2. Reeducação alimentar é pra vida toda (a diferença básica entre reeducação alimentar e dietas "milagrosas"). E ela deve seguir de mãos dadas com algum tipo de atividade física porque só comer direito não basta (mas já é um bom começo).
| Knackebrood com cottage cheese, pepino e alfafa |
3. No quesito atividade física - eu que não sou nem pretendo virar atleta - só tenho um conselho pra dar: escolha uma atividade (esporte) que te dê prazer e comece aos poucos. Eu infelizmente não curto esportes (sempre odiei academia, sou rata de biblioteca). Mas amo nadar e me agarro à natação com unhas e garras porque é o meu esporte.
4. Pra quem está fora de forma como eu, não adianta se animar e sair fazendo esportes todos os dias da semana feito louco! Vá com calma porque na pior das hipóteses, você pode acabar com uma lesão séria - e eu sei do que estou falando porque tive uma hérnia de disco e ninguém merece (tive até de operar e foram seis meses de descanso obrigatório). É melhor começar 3x por semana. Eu, por exemplo, comecei a nadar 1x semana (acabei de voltar da piscina cheia de energia e cá estou eu conversando com vocês). Além disso, ando de bicicleta 2 x semana (numa velocidade suficiente pra contar como exercício de cardio). Comecei há 3 semanas e é pesado - mas cada semana fica mais fácil. Semana que vem (a quarta semana), pretendo passar a nadar 2x semana. Vamos ver!
5. Ainda no quesito esporte, comece fazendo caminhadas ou andando de bicicleta. Suba escadas em vez de pegar o elevador. Nadar também é um esporte completo, recomendado principalmente pra quem está muito acima do peso (como eu) porque é um esporte de pouco impacto. Melhora a condição física em geral, e a capacidade respiratória em particular (ótima dica para quem sofre de asma ou bronquite, por ex.)
6. Agora vamos à alimentação. Primeira dica: não passe fome. Nunca. Não é preciso passar fome (e é aí que muitas dietas falham). O que é preciso é aprender a escolher o que se come. E, em alguns casos, reaprender a comer (é o meu caso, veja este post). E de preferência, busque a ajuda de uma dietista (nutricionista) nos primeiros meses, até você "pegar o embalo".
| Knackebrood com cottage cheese e geléia de morango |
6. Importante: faça seis refeições por dia. Isso mesmo: seis refeições, eu disse que não é pra passar fome! Três refeições principais: café da manhã, almoço e jantar. E mais três lanches light (frutas ou salada de frutas, iogurte grego, activia, iogurte de beber, cottage cheese e outras snacks light.)
Nota: O knackebrood das duas fotos acima é um tipo de cracker original da Suécia mas muito popular aqui na Holanda. Não sei se é fácil de encontrar nos supermercados do Brasil mas aqui tem vários tipos. E é uma ótima opção de lanche, em vez de pão. E por falar em pão, mais uma dica: evite pão branco, compre pão integral. Eu já comia pão integral há tempos e mudei para o pão de spelt. Spelt é um grão que substitui o grão de trigo e anda fazendo o maior sucesso por aqui. Dizem as más línguas que é bem mais saudável do que o pão feito com trigo. Eu comprei e gostei!
quarta-feira, agosto 28, 2013
Começo das aulas: escolas na Holanda
Nesta segunda-feira Liam voltou às aulas, depois de 7 (longas) semanas de férias. Infelizmente este ano não rolou viagem ao Brasil, mas ano que vem rola (se Deus quiser).
Este segundo ano do HAVO promete ser bem mais puxado pois ele terá três matérias novas: física, alemão e economia. Fora o alemão, ele ainda tem aulas de holandês, inglês e espanhol desde o primeiro ano (e tira notas acima da média em idiomas, acho que puxou à mãe hehehe).
Mas deixa eu explicar como funciona o ensino secundário aqui na Holanda...Aqui as escolas são públicas mas o ensino é bastante elitista. Ou seja, as escolas são para todos mas são divididas em três tipos: VMBO (formação técnica profissionalizante), HAVO (formação teórica que prepara para a escola superior (Hoge School), VWO (formação teórica e única que oferece acesso direto à universidade). Pra vocês terem uma idéia, 60 % de todos os estudantes vai para o VMBO. Os 40 % restantes vão para o HAVO (20%) e VWO (20%). A maioria esmagadora dos filhos de imigrantes vai para o VMBO simplesmente porque o nível de holandês e matemática é baixo demais para os outros níveis. Moral da estória, no HAVO-VWO a maioria dos alunos são holandeses, com uns poucos filhos de imigrantes cujos pais tem alto nível de educação. Quanto mais alto o nível de ensino, mais alunos louros de olhos azuis...eu avisei que o sistema aqui era elitista, né? Pois é.
Complicado mas é assim que as escolas funcionam aqui. Enquanto no Brasil todos cursam o mesmo segundo grau (e quem tem grana garante uma boa escola particular), aqui a trajetória escolar é definida com 12 anos...é possível terminar o HAVO e fazer mais dois anos de VWO (o que é o plano aqui em casa) mas quem faz VMBO raramente consegue ir para o HAVO porque as aulas são de caráter prático e profissionalizante, eles não tem história, geografia e muito menos aulas de física, química e economia!
Apesar deste sistema elitista que literalmente "bloqueia" o acesso de alunos de meios menos privilegiados, ao menos quem consegue ir para o HAVO-VWO recebe uma boa formação. Nas escolas daqui, os alunos aprendem no mínimo quatro idiomas (holandês, inglês e alemão são obrigatórios, as escolas decidem ainda se darão francês ou espanhol). Imagina quanto uma escola dessas custaria no Brasil! Uma amiga me disse que no Rio eu teria de "desembolsar" uns 1000 reais de mensalidade para uma boa escola particular! E eles mal aprendem inglês nas escolas...
Moral da estória, a Holanda mudou muito nos últimos 19 anos desde que cheguei aqui, mas ainda está anos luz na frente do Brasil em termos de educação, por exemplo. O ensino pode ser elitista mas ao menos é público! Contraditório mas enfim...
PS: Esqueci de dizer que o VMBO dura 3 ou 4 anos, o HAVO dura 5 anos e o VWO dura 6 anos...Ou seja, o ensino secundário na Holanda dura de 4 a 6 anos, dependendo do tipo de escola.
quarta-feira, agosto 21, 2013
A dieta: aspecto emocional
A dieta vai bem, obrigada. E espero que eles estejam certos quando dizem que as primeiras duas semanas (eu diria o primeiro mês) são as mais difíceis. Porque estas primeiras duas semanas foram tranquilas e eu perdi os primeiros 3 kgs (quase 4 kgs). Agora convenhamos, não é uma questão de "fechar a boca" como alguns pensam e sim redescobrir (recriar) sua relação com a comida. Especialmente no meu caso, porque há anos adquiri o hábito de comer para me consolar: comida = conforto. Nos períodos difíceis da minha vida, como nos dois anos antes de (finalmente) me divorciar mas também recentemente, a comida era o meu maior conforto.
E eu não tenho vergonha de admitir que tenho um problema com comida (sou "viciada" mesmo)...e digo mais, acho que a maioria das pessoas que sofre de excesso de peso (certamente aquelas que estão mais de 10, 20 kgs acima do peso) geralmente tem problemas emocionais. E ao invés de lidar com eles (haja terapia, né?), elas tentam "tapar o sol com a peneira" atacando a geladeira! E sofrem com as consequências.
Para alguns, estar ciente deste aspecto emocional já é meio caminho andado...Aprender a lidar com emoções desconfortáveis sem recorrer a uma torta ou barra de chocolate como consolo. Identificar seus "catalizadores": você come quando está triste? ansioso? ou simplesmente entediado? (sem falar que depressão e distúrbios de comida andam de mãos dadas: algumas mulheres emagrecem, muitas engordam). Então é preciso adestrar seus "monstros" antes que eles façam um estrago ainda maior do que já fizeram. Simples e ao mesmo tempo, difícil pra caramba.
O segundo aspecto essencial pra perder peso é a motivação. Sem motivação de verdade, não adianta nem começar. É aquele momento da sua vida em que você diz: chega, eu não quero mais isso. Eu não quero mais ser esta pessoa. Eu mereço uma vida saudável, melhor qualidade de vida. É hora de cuidar de mim mesma! E não se iludam: esta motivação vem de dentro - e não porque seu namorado ou amiga ou mãe disse que você está gorda. E quando ela finalmente chega, você tem de se agarrar a ela com toda força.
Engraçado é que eu ia escrever um post com dicas rápidas pra quem quer começar uma dieta e acabei falando de outro aspecto - na verdade, muito mais importante. Porque quem conhece esta blogueira sabe que eu não fujo de tabus, eu falo quando muitos calam, eu digo o que muitos pensam mas não tem coragem de dizer...enfim, esta sou eu!
As dicas de dieta (que tem funcionado comigo) ficam para o próximo post!
quinta-feira, agosto 15, 2013
A dieta
Pois então...depois de quase 5 anos sem fazer dieta de espécie alguma (shame on you), chegou o grande momento. Porque existe um momento em que você decide realmente mudar. Um momento em que diz: chega, cansei de ser gorda. Pois este momento chegou. É agora ou nunca (comigo é assim).
Há cinco anos atrás, eu fui a uma dietista e fiz uma reeducação alimentar (porque acreditem: dieta não funciona e dietas milagrosas não existem). Em quatro meses, emagreci cerca de 12 kgs - sem passar fome e comendo refeições saudáveis - e baixei um tamanho de roupas (de 48 para 46). Bem verdade que era apenas o começo de um longo processo...Consegui manter o novo peso por cerca de um ano e tudo estava dando certo, eu nadando 3x por semana, até que tive uma hérnia de disco. Fui obrigada a ficar de repouso ANTES e DEPOIS da operação, foram meses até a (maldita) dor na coluna realmente "sumir".
Desde então, recuperei todo o peso perdido e ainda ganhei uns 5 kgs na viagem ao Brasil em 2011 (que ainda não perdi porque ganhar peso é fácil, perder é que são elas). Enfim, tem muito trabalho pela frente. A boa notícia é que se eu fiz uma vez e deu certo (e deu mesmo), agora vou fazer de novo e vai dar certo também. Estou praticamente revendo a dieta de 2008, usando um caderno para anotar tudo que como e bebo (ótima dica da dietista para se ter controle do consumo, e não necessariamente de calorias mas de alimentos mesmo).
Semana passada tive a primeira consulta com a nova dietista e agora acabei de voltar da segunda consulta. Os primeiros 2kgs já se foram até porque, pra quem está muito acima do peso como eu (preciso perder uns 30 kgs mas até com 20 kgs hoje em dia eu já fico feliz da vida), os primeiros 5 kgs a gente perde sem muito esforço. É a tal retenção de líquidos, né? Claro que só de pensar em 30kgs a gente surta então dividi em metas menores: primeiro 10kgs, depois mais 10kgs e assim vamos seguindo. Tudo com muita calma, porque não é indicado perder peso muito rápido, 1kg por semana (4 kgs por mês) é ideal. Assim sendo, marquei uma data no meu calendário: meu aniversário em dezembro! Até lá pretendo perder no mínimo 10 kgs, talvez até uns 12kgs se eu entrar numa rotina de atividade física.
Então agora é andar mais de bicicleta (e aqui na Holanda as ciclovias são ótimas então esta desculpa eu não tenho) e o mais importante no quesito atividade física: voltar a nadar! Porque nadar é praticamente o único esporte que eu realmente curto...e eu parei há mais de 2 anos!
Enfim, só pra deixar registrado. Torçam por mim porque a estrada é longa mas eu consigo...um dia de cada vez!
domingo, agosto 04, 2013
(In)feliz por comparação
Engraçado como as coisas funcionam dentro da cabeça da gente e como alguns hábitos são duros de se mudar! O hábito de comparar a nossa felicidade com a dos outros, por exemplo. Provavelmente um dos piores hábitos que existe. Sabem aquela estória de "a grama do vizinho sempre é mais verde"? Pois é.
Em determinadas fases da vida em que as coisas parecem não querer "desandar" e a gente continua esperando aquela virada de maré, é difícil a gente não se comparar com pessoas que parecem ter tudo "sob controle" (nem que seja apenas superficialmente, o que também acontece). Em alguns aspectos da minha vida - certamente no aspecto profissional - eu fico pensando porque tudo pra mim é tão difícil enquanto outras pessoas estão lá acordando cedo, tomando café e indo trabalhar todo dia sem precisar pensar duas vezes no significado de suas vidas. Eu fico pensando porque algumas pessoas tem mais sorte do que as outras - e claro que determinação e esforço próprio também contam (já estou ouvindo até as vozes de algumas pessoas). Mas a verdade é que a sorte também é um fator que muitos ignoram. Geralmente são os mais jovens e inexperientes, que acham que a vida pode ser 100% construída, o que é uma meia verdade e quem acumulou experiências pela vida afora sabe muito bem disso. Porque é possível sim construir nossos destinos até um certo grau - mas muita coisa independe do nosso controle (e como a vida seria mais fácil se pudessemos controlar tudo que acontece com a gente). São fatores externos pelos quais não temos o menor controle. E quem passou ou passa por isso, sabe exatamente do que estou falando. Sem falar que até os trinta e poucos anos, temos um amplo leque de oportunidades, e com o passar dos anos elas vão se tornando mais escassas. É aquela velha estória: ter filhos e fazer carreira a gente faz lá pelos trinta anos. Depois ainda é possível mas fica bem mais difícil. Já vi por exemplo mulheres que decidiram investir na carreira e acabaram tendo filhos depois dos 40 anos. Ou pior, mulheres que chegaram nesta idade e descobriram que não podiam mais engravidar. Enfim, problema todo mundo tem, né?
Mas vamos ao que interessa. Eu fiz uma descoberta nos últimos tempos. Existem duas maneiras bem distintas de encararmos nossas vidas: a gente pode comparar com quem está melhor e se sentir infeliz (e existe muita gente em situação melhor). Ou pode comparar com quem está pior e se sentir feliz (e existe muita gente em situação pior). Escrevendo assim parece tão óbvio (e para algumas pessoas é mesmo) mas este tem sido um exercício árduo nos últimos tempos. Porque ainda existem pedras no meu caminho. Sem falar que alguns problemas parecem insistir em não ir embora (a gente pode até tentar ignorá-los mas eles sempre voltam). Enfim, a luta continua. O que me faz lembrar de outro velho ditado: o que não me mata, me fortalece. Sim, eu adoro um clichê.
Recentemente tive um grande insight ao assistir um documentário sobre jovens prostitutas nas Filipinas, o tal turismo sexual (provavelmente o maior setor da economia local). No programa, duas estudantes universitárias holandesas foram enviadas para passar uma semana convivendo com jovens prostitutas (muitas delas menores de idade). E isso resultou em cenas comoventes, que me levaram às lágrimas. Porque sim, caros leitores, ainda há muita injustiça por este mundo afora e muita gente não tem mesmo sorte. Claro que se trata de uma "situação extrema" mas por outro lado, este problema é comum em vários países pobres, até mesmo no nosso Brasil com seu tão proclamado "booming econômico". O que me lembra outro documentário que vi na tv holandesa alguns anos atrás sobre prostitutas em Recife, muitas delas jovens de 14 anos (ou menos). Dá vontade de chorar mesmo - e de bater nesses homens que se acham no direito de tratar essas mulheres como uma espécie de boneca inflável, sem sentimentos e vontade própria.
Enfim, depois do documentário nas Filipinas, inevitavelmente comparei a minha vida com a dessas jovens mulheres sem perspectiva de futuro (algumas mães solteiras) e de repente todos os meus problemas se tornaram relativos! Sim, meus problemas ainda existem mas a verdade é que poderia ser muito pior.
Pra encurtar a estória, fiz uma promessa a mim mesma: toda vez que eu estiver triste com algumas circunstâncias da minha vida, eu vou me lembrar dessas meninas. Acho que era isso que eu queria dizer hoje.
Tecnologia do Blogger.
Quartier Lointain
Quartier Lointain conta a estória de Thomas, um cartunista que mora em Paris com sua família (esposa e duas filhas adolescentes) e que, por uma daquelas obras do destino, trem acaba parando, durante uma viagem de trem, na estação da cidadezinha onde cresceu. Da última vez em que esteve lá há 20 anos, ele foi para o enterro de sua mãe. Já que está mesmo na cidade, Thomas decide visitar o túmulo da mãe no cemitério e algo (muito) estranho acontece. Subitamente, ele tem uma espécie de "desmaio" e quando acorda de novo, está de volta à sua adolescência - ou mais especificamente, seus 14 anos. O ano em que seu pai abandonou a família para nunca mais voltar. E depois disso, sua mãe nunca mais conseguiu se reestabelecer e vivia esperando seu retorno (que nunca aconteceu). Alguns anos depois, a mãe morre de tristeza ou cansaço da vida (a "interpretação" fica por conta de quem lê o livro ou assiste o filme).
Uma das grandes tiradas da estória é que Thomas volta à sua adolescência mas com a consciência e conhecimentos de sua vida adulta. Assim, já sabendo o que acontecerá nos anos futuros, ele tenta a todo custo "corrigir" o passado e evitar suas consequências devastadoras. Ele se aproxima do pai e o segue por toda parte, além de tentar convencê-lo a não ir embora. No final das contas, seus esforços são em vão porque o pai decide partir assim mesmo! O que nos faz pensar se é mesmo possível mudar o passado, principalmente quando ele envolve outras pessoas e seus desejos e vontades.
Os quadrinhos são traduzidos na tela de cinema em um clima nostálgico, com decoração e sets típicos dos anos 70 (inclusive os famosos LPs da minha infância e adolescência). Thomas tem a chance de voltar à sua adolescência dos anos 70 numa cidadezinha do interior da França e nós participamos de sua vida diária, na escola, em casa dançando com a mãe e com a irmã caçula, o primeiro amor, os companheiros da adolescência, etc. Enfim, nostalgia pura! Eu recomendo.
4:20 PM | Marcadores: filmes | 1 Comments
Outono/inverno
E eu me sinto totalmente bipolar quando percebo o quanto o clima me afeta emocional e mentalmente. Eu moro na Holanda há quase 20 anos e até hoje tento me acostumar com o inverno. Pra deixar bem claro, não me refiro ao inverno como nas paisagens da Europa Central (Suíça, Alemanha e Itália) e sim o inverno no Norte da Europa (Inglaterra, Irlanda, Holanda e partes da Escandinávia). É o tal clima oceânico, que provoca temporadas de chuva, garoa e muita ventania! Enfim, nada de paisagens brancas cobertas de neve (aqui até neva, mas bem menos do que na Alemanha por ex.) mas ao invés disso, dias cinzentos e chuvosos. E se no verão eu passo mais tempo andando e pedalando pelas ruas, no inverno a tendência é ficar em casa...
Depois de um bom verão com muitos dias de praia (que eu tive a chance de curtir) e pouca chuva, esta semana a previsão é de chuva para a semana inteira (a natureza agradece, a grama aqui está seca há semanas). Quanto a mim, já começo a tomar as medidas necessárias para encarar mais uma mudança de estação. Porque quem mora no Brasil não sabe o que são as quatro estações do ano, nem mesmo na região sul (embora o inverno lá possa ser rigoroso e até tenha neve na Serra Gaúcha). Ainda mais eu que sempre morei no Rio e podia ir à praia praticamente o ano inteiro!
Mas tudo tem dois lados e no outono/inverno a gente pode se ocupar com um monte de coisas legais! Eu mesma percebo que praticamente não leio no verão mas logo que chega setembro eu começo a ler um livro atrás do outro! No inverno então, leio em média um livro por semana. E sim, também é a época do ano para novas temporadas das séries de tv favoritas e de assistir muitos filmes. É a época em que a gente se enrosca debaixo de uma coberta gostosa com uma xícara de chá ou café e um bom livro como companhia.
E é aí que mora o perigo porque eu estou fazendo a reeducação alimentar e agora já percebi que terei de fazer algumas alterações "sutis" na dieta: por exemplo, se chove a semana inteira e não dá pra andar de bicicleta, nadar 2x semana e comer um lanche a menos! Já perdi quase 5 kgs (!) mas o caminho é longo e cheio de tentações...então o negócio é antecipar as dificuldades. Também vou comprar em breve uma corda de pular - podem rir mas li nuns sites que é um ótimo exercício aeróbico, usado por maratonistas e até mesmo lutadores de box para manter a capacidade física!!! Assim posso pular corda em casa mesmo nos dias chuvosos em que não me animo a pegar a bicicleta.
Moral da estória: a gente vai se adaptando, um dia de cada vez!
2:59 PM | Marcadores: coisas de Holanda, divagações | 10 Comments
A dieta: minhas dicas
| Minha salada favorita: tomate, mozzarela e manjericão |
Então vamos lá, já que estou mesmo motivada (é agora ou nunca), vou dar algumas dicas básicas de quem está a fim de encarar uma dieta.
1. Esqueça dietas! A palavra de ordem é reeducação alimentar. Dieta não resolve o problema, você passa fome por algumas semanas (ou meses), chega ao peso desejado e resolve voltar a comer como antes - resultado, engorda tudo de novo (e mais um pouco). Eu felizmente nunca fui vítima de dietas da moda mas fui dois meses no Weight Watchers aqui na Holanda e pra mim não funcionou! Pra gente organizada que adora fazer contas e listinhas e contar pontos em TODAS as refeições, ótimo. Não é o meu caso, não tenho saco!
2. Reeducação alimentar é pra vida toda (a diferença básica entre reeducação alimentar e dietas "milagrosas"). E ela deve seguir de mãos dadas com algum tipo de atividade física porque só comer direito não basta (mas já é um bom começo).
| Knackebrood com cottage cheese, pepino e alfafa |
3. No quesito atividade física - eu que não sou nem pretendo virar atleta - só tenho um conselho pra dar: escolha uma atividade (esporte) que te dê prazer e comece aos poucos. Eu infelizmente não curto esportes (sempre odiei academia, sou rata de biblioteca). Mas amo nadar e me agarro à natação com unhas e garras porque é o meu esporte.
4. Pra quem está fora de forma como eu, não adianta se animar e sair fazendo esportes todos os dias da semana feito louco! Vá com calma porque na pior das hipóteses, você pode acabar com uma lesão séria - e eu sei do que estou falando porque tive uma hérnia de disco e ninguém merece (tive até de operar e foram seis meses de descanso obrigatório). É melhor começar 3x por semana. Eu, por exemplo, comecei a nadar 1x semana (acabei de voltar da piscina cheia de energia e cá estou eu conversando com vocês). Além disso, ando de bicicleta 2 x semana (numa velocidade suficiente pra contar como exercício de cardio). Comecei há 3 semanas e é pesado - mas cada semana fica mais fácil. Semana que vem (a quarta semana), pretendo passar a nadar 2x semana. Vamos ver!
5. Ainda no quesito esporte, comece fazendo caminhadas ou andando de bicicleta. Suba escadas em vez de pegar o elevador. Nadar também é um esporte completo, recomendado principalmente pra quem está muito acima do peso (como eu) porque é um esporte de pouco impacto. Melhora a condição física em geral, e a capacidade respiratória em particular (ótima dica para quem sofre de asma ou bronquite, por ex.)
6. Agora vamos à alimentação. Primeira dica: não passe fome. Nunca. Não é preciso passar fome (e é aí que muitas dietas falham). O que é preciso é aprender a escolher o que se come. E, em alguns casos, reaprender a comer (é o meu caso, veja este post). E de preferência, busque a ajuda de uma dietista (nutricionista) nos primeiros meses, até você "pegar o embalo".
| Knackebrood com cottage cheese e geléia de morango |
6. Importante: faça seis refeições por dia. Isso mesmo: seis refeições, eu disse que não é pra passar fome! Três refeições principais: café da manhã, almoço e jantar. E mais três lanches light (frutas ou salada de frutas, iogurte grego, activia, iogurte de beber, cottage cheese e outras snacks light.)
Nota: O knackebrood das duas fotos acima é um tipo de cracker original da Suécia mas muito popular aqui na Holanda. Não sei se é fácil de encontrar nos supermercados do Brasil mas aqui tem vários tipos. E é uma ótima opção de lanche, em vez de pão. E por falar em pão, mais uma dica: evite pão branco, compre pão integral. Eu já comia pão integral há tempos e mudei para o pão de spelt. Spelt é um grão que substitui o grão de trigo e anda fazendo o maior sucesso por aqui. Dizem as más línguas que é bem mais saudável do que o pão feito com trigo. Eu comprei e gostei!
8:56 PM | Marcadores: reeducação alimentar | 2 Comments
Começo das aulas: escolas na Holanda
Nesta segunda-feira Liam voltou às aulas, depois de 7 (longas) semanas de férias. Infelizmente este ano não rolou viagem ao Brasil, mas ano que vem rola (se Deus quiser).
Este segundo ano do HAVO promete ser bem mais puxado pois ele terá três matérias novas: física, alemão e economia. Fora o alemão, ele ainda tem aulas de holandês, inglês e espanhol desde o primeiro ano (e tira notas acima da média em idiomas, acho que puxou à mãe hehehe).
Mas deixa eu explicar como funciona o ensino secundário aqui na Holanda...Aqui as escolas são públicas mas o ensino é bastante elitista. Ou seja, as escolas são para todos mas são divididas em três tipos: VMBO (formação técnica profissionalizante), HAVO (formação teórica que prepara para a escola superior (Hoge School), VWO (formação teórica e única que oferece acesso direto à universidade). Pra vocês terem uma idéia, 60 % de todos os estudantes vai para o VMBO. Os 40 % restantes vão para o HAVO (20%) e VWO (20%). A maioria esmagadora dos filhos de imigrantes vai para o VMBO simplesmente porque o nível de holandês e matemática é baixo demais para os outros níveis. Moral da estória, no HAVO-VWO a maioria dos alunos são holandeses, com uns poucos filhos de imigrantes cujos pais tem alto nível de educação. Quanto mais alto o nível de ensino, mais alunos louros de olhos azuis...eu avisei que o sistema aqui era elitista, né? Pois é.
Complicado mas é assim que as escolas funcionam aqui. Enquanto no Brasil todos cursam o mesmo segundo grau (e quem tem grana garante uma boa escola particular), aqui a trajetória escolar é definida com 12 anos...é possível terminar o HAVO e fazer mais dois anos de VWO (o que é o plano aqui em casa) mas quem faz VMBO raramente consegue ir para o HAVO porque as aulas são de caráter prático e profissionalizante, eles não tem história, geografia e muito menos aulas de física, química e economia!
Apesar deste sistema elitista que literalmente "bloqueia" o acesso de alunos de meios menos privilegiados, ao menos quem consegue ir para o HAVO-VWO recebe uma boa formação. Nas escolas daqui, os alunos aprendem no mínimo quatro idiomas (holandês, inglês e alemão são obrigatórios, as escolas decidem ainda se darão francês ou espanhol). Imagina quanto uma escola dessas custaria no Brasil! Uma amiga me disse que no Rio eu teria de "desembolsar" uns 1000 reais de mensalidade para uma boa escola particular! E eles mal aprendem inglês nas escolas...
Moral da estória, a Holanda mudou muito nos últimos 19 anos desde que cheguei aqui, mas ainda está anos luz na frente do Brasil em termos de educação, por exemplo. O ensino pode ser elitista mas ao menos é público! Contraditório mas enfim...
PS: Esqueci de dizer que o VMBO dura 3 ou 4 anos, o HAVO dura 5 anos e o VWO dura 6 anos...Ou seja, o ensino secundário na Holanda dura de 4 a 6 anos, dependendo do tipo de escola.
9:25 AM | Marcadores: coisas de Holanda, filhos | 5 Comments
A dieta: aspecto emocional
A dieta vai bem, obrigada. E espero que eles estejam certos quando dizem que as primeiras duas semanas (eu diria o primeiro mês) são as mais difíceis. Porque estas primeiras duas semanas foram tranquilas e eu perdi os primeiros 3 kgs (quase 4 kgs). Agora convenhamos, não é uma questão de "fechar a boca" como alguns pensam e sim redescobrir (recriar) sua relação com a comida. Especialmente no meu caso, porque há anos adquiri o hábito de comer para me consolar: comida = conforto. Nos períodos difíceis da minha vida, como nos dois anos antes de (finalmente) me divorciar mas também recentemente, a comida era o meu maior conforto.
E eu não tenho vergonha de admitir que tenho um problema com comida (sou "viciada" mesmo)...e digo mais, acho que a maioria das pessoas que sofre de excesso de peso (certamente aquelas que estão mais de 10, 20 kgs acima do peso) geralmente tem problemas emocionais. E ao invés de lidar com eles (haja terapia, né?), elas tentam "tapar o sol com a peneira" atacando a geladeira! E sofrem com as consequências.
Para alguns, estar ciente deste aspecto emocional já é meio caminho andado...Aprender a lidar com emoções desconfortáveis sem recorrer a uma torta ou barra de chocolate como consolo. Identificar seus "catalizadores": você come quando está triste? ansioso? ou simplesmente entediado? (sem falar que depressão e distúrbios de comida andam de mãos dadas: algumas mulheres emagrecem, muitas engordam). Então é preciso adestrar seus "monstros" antes que eles façam um estrago ainda maior do que já fizeram. Simples e ao mesmo tempo, difícil pra caramba.
O segundo aspecto essencial pra perder peso é a motivação. Sem motivação de verdade, não adianta nem começar. É aquele momento da sua vida em que você diz: chega, eu não quero mais isso. Eu não quero mais ser esta pessoa. Eu mereço uma vida saudável, melhor qualidade de vida. É hora de cuidar de mim mesma! E não se iludam: esta motivação vem de dentro - e não porque seu namorado ou amiga ou mãe disse que você está gorda. E quando ela finalmente chega, você tem de se agarrar a ela com toda força.
Engraçado é que eu ia escrever um post com dicas rápidas pra quem quer começar uma dieta e acabei falando de outro aspecto - na verdade, muito mais importante. Porque quem conhece esta blogueira sabe que eu não fujo de tabus, eu falo quando muitos calam, eu digo o que muitos pensam mas não tem coragem de dizer...enfim, esta sou eu!
As dicas de dieta (que tem funcionado comigo) ficam para o próximo post!
4:46 PM | Marcadores: reeducação alimentar | 2 Comments
A dieta
Pois então...depois de quase 5 anos sem fazer dieta de espécie alguma (shame on you), chegou o grande momento. Porque existe um momento em que você decide realmente mudar. Um momento em que diz: chega, cansei de ser gorda. Pois este momento chegou. É agora ou nunca (comigo é assim).
Há cinco anos atrás, eu fui a uma dietista e fiz uma reeducação alimentar (porque acreditem: dieta não funciona e dietas milagrosas não existem). Em quatro meses, emagreci cerca de 12 kgs - sem passar fome e comendo refeições saudáveis - e baixei um tamanho de roupas (de 48 para 46). Bem verdade que era apenas o começo de um longo processo...Consegui manter o novo peso por cerca de um ano e tudo estava dando certo, eu nadando 3x por semana, até que tive uma hérnia de disco. Fui obrigada a ficar de repouso ANTES e DEPOIS da operação, foram meses até a (maldita) dor na coluna realmente "sumir".
Desde então, recuperei todo o peso perdido e ainda ganhei uns 5 kgs na viagem ao Brasil em 2011 (que ainda não perdi porque ganhar peso é fácil, perder é que são elas). Enfim, tem muito trabalho pela frente. A boa notícia é que se eu fiz uma vez e deu certo (e deu mesmo), agora vou fazer de novo e vai dar certo também. Estou praticamente revendo a dieta de 2008, usando um caderno para anotar tudo que como e bebo (ótima dica da dietista para se ter controle do consumo, e não necessariamente de calorias mas de alimentos mesmo).
Semana passada tive a primeira consulta com a nova dietista e agora acabei de voltar da segunda consulta. Os primeiros 2kgs já se foram até porque, pra quem está muito acima do peso como eu (preciso perder uns 30 kgs mas até com 20 kgs hoje em dia eu já fico feliz da vida), os primeiros 5 kgs a gente perde sem muito esforço. É a tal retenção de líquidos, né? Claro que só de pensar em 30kgs a gente surta então dividi em metas menores: primeiro 10kgs, depois mais 10kgs e assim vamos seguindo. Tudo com muita calma, porque não é indicado perder peso muito rápido, 1kg por semana (4 kgs por mês) é ideal. Assim sendo, marquei uma data no meu calendário: meu aniversário em dezembro! Até lá pretendo perder no mínimo 10 kgs, talvez até uns 12kgs se eu entrar numa rotina de atividade física.
Então agora é andar mais de bicicleta (e aqui na Holanda as ciclovias são ótimas então esta desculpa eu não tenho) e o mais importante no quesito atividade física: voltar a nadar! Porque nadar é praticamente o único esporte que eu realmente curto...e eu parei há mais de 2 anos!
Enfim, só pra deixar registrado. Torçam por mim porque a estrada é longa mas eu consigo...um dia de cada vez!
1:35 PM | Marcadores: reeducação alimentar | 5 Comments
(In)feliz por comparação
Engraçado como as coisas funcionam dentro da cabeça da gente e como alguns hábitos são duros de se mudar! O hábito de comparar a nossa felicidade com a dos outros, por exemplo. Provavelmente um dos piores hábitos que existe. Sabem aquela estória de "a grama do vizinho sempre é mais verde"? Pois é.
Em determinadas fases da vida em que as coisas parecem não querer "desandar" e a gente continua esperando aquela virada de maré, é difícil a gente não se comparar com pessoas que parecem ter tudo "sob controle" (nem que seja apenas superficialmente, o que também acontece). Em alguns aspectos da minha vida - certamente no aspecto profissional - eu fico pensando porque tudo pra mim é tão difícil enquanto outras pessoas estão lá acordando cedo, tomando café e indo trabalhar todo dia sem precisar pensar duas vezes no significado de suas vidas. Eu fico pensando porque algumas pessoas tem mais sorte do que as outras - e claro que determinação e esforço próprio também contam (já estou ouvindo até as vozes de algumas pessoas). Mas a verdade é que a sorte também é um fator que muitos ignoram. Geralmente são os mais jovens e inexperientes, que acham que a vida pode ser 100% construída, o que é uma meia verdade e quem acumulou experiências pela vida afora sabe muito bem disso. Porque é possível sim construir nossos destinos até um certo grau - mas muita coisa independe do nosso controle (e como a vida seria mais fácil se pudessemos controlar tudo que acontece com a gente). São fatores externos pelos quais não temos o menor controle. E quem passou ou passa por isso, sabe exatamente do que estou falando. Sem falar que até os trinta e poucos anos, temos um amplo leque de oportunidades, e com o passar dos anos elas vão se tornando mais escassas. É aquela velha estória: ter filhos e fazer carreira a gente faz lá pelos trinta anos. Depois ainda é possível mas fica bem mais difícil. Já vi por exemplo mulheres que decidiram investir na carreira e acabaram tendo filhos depois dos 40 anos. Ou pior, mulheres que chegaram nesta idade e descobriram que não podiam mais engravidar. Enfim, problema todo mundo tem, né?
Mas vamos ao que interessa. Eu fiz uma descoberta nos últimos tempos. Existem duas maneiras bem distintas de encararmos nossas vidas: a gente pode comparar com quem está melhor e se sentir infeliz (e existe muita gente em situação melhor). Ou pode comparar com quem está pior e se sentir feliz (e existe muita gente em situação pior). Escrevendo assim parece tão óbvio (e para algumas pessoas é mesmo) mas este tem sido um exercício árduo nos últimos tempos. Porque ainda existem pedras no meu caminho. Sem falar que alguns problemas parecem insistir em não ir embora (a gente pode até tentar ignorá-los mas eles sempre voltam). Enfim, a luta continua. O que me faz lembrar de outro velho ditado: o que não me mata, me fortalece. Sim, eu adoro um clichê.
Recentemente tive um grande insight ao assistir um documentário sobre jovens prostitutas nas Filipinas, o tal turismo sexual (provavelmente o maior setor da economia local). No programa, duas estudantes universitárias holandesas foram enviadas para passar uma semana convivendo com jovens prostitutas (muitas delas menores de idade). E isso resultou em cenas comoventes, que me levaram às lágrimas. Porque sim, caros leitores, ainda há muita injustiça por este mundo afora e muita gente não tem mesmo sorte. Claro que se trata de uma "situação extrema" mas por outro lado, este problema é comum em vários países pobres, até mesmo no nosso Brasil com seu tão proclamado "booming econômico". O que me lembra outro documentário que vi na tv holandesa alguns anos atrás sobre prostitutas em Recife, muitas delas jovens de 14 anos (ou menos). Dá vontade de chorar mesmo - e de bater nesses homens que se acham no direito de tratar essas mulheres como uma espécie de boneca inflável, sem sentimentos e vontade própria.
Enfim, depois do documentário nas Filipinas, inevitavelmente comparei a minha vida com a dessas jovens mulheres sem perspectiva de futuro (algumas mães solteiras) e de repente todos os meus problemas se tornaram relativos! Sim, meus problemas ainda existem mas a verdade é que poderia ser muito pior.
Pra encurtar a estória, fiz uma promessa a mim mesma: toda vez que eu estiver triste com algumas circunstâncias da minha vida, eu vou me lembrar dessas meninas. Acho que era isso que eu queria dizer hoje.
9:53 PM | Marcadores: desabafos, divagações | 4 Comments
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