Só pra esclarecer de uma vez por todas (nem que seja para mim mesma): eu raramente corto relações, mas quando corto, é porque já devia ter cortado há muito tempo. Chega a ser uma questão de sobrevivência. Eu vivo as emoções até a última gota. Foi assim no meu casamento, é assim na amizade (porque amizade também é amor).O pior é o gosto amargo na boca, a tristeza que a gente sabe que um dia o tempo apaga, a decepção...Descobri que meu problema é que não sei respeitar as leis de comportamento vigentes. A ordem é se fingir de morto, fingir que está tudo bem e seguir em frente como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse mudado dentro de nós. A ordem é fazer cara de paisagem, fingir que não estamos decepcionados e sair pela porta dos fundos, de fininho. E acima de tudo, a ordem é se afastar naturalmente das pessoas, em vez de cortar bruscamente uma relação, como quem arranca uma flor pela raiz (e isso as pessoas não perdoam).
Quanto a mim, eu não sei me fingir de morta. Eu não sei fazer cara de paisagem. No final das contas, prefiro ser eu mesma.




