segunda-feira, janeiro 29, 2007

Ainda sobre a tal felicidade


Dando continuidade às minhas divagações sobre felicidade, segue um texto da Martha Medeiros - porque estou com preguiça de escrever eu mesma e porque, basicamente, ela já escreveu por mim.


Felicidade Realista
De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

O dom de ser feliz

Hoje acordei ranzinza (depois de assistir Serendipity ontem à noite, hehehe...) e cá estou eu pensando novamente no dom de ser feliz. Talvez por ser um tema recorrente na minha vida nos últimos anos, talvez simplesmente por eu ser uma daquelas pessoas questionadoras. Ou por ser, digamos assim, uma pessoa complicada.

De qualquer forma, com o passar dos anos percebo cada vez mais que alguns já nasceram com este dom...enquanto outros passam a vida inteira tentando aperfeiçoá-lo - e com alguma sorte e muito treino, até conseguem. Mas até hoje não sei ao certo se é predisposição genética (defeito de fábrica) ou se são as circunstâncias da vida, para alguns mais favoráveis do que para outros. Mais provavelmente, uma combinação dos dois.

Fato é que nem todo mundo sabe ser feliz. Fato também é que é fácil ser feliz quando tudo na vida da gente está no lugar onde deveria estar: trabalho, amigos, família, etc...Sim, é fácil ser feliz quando a vida segue de acordo com nossos planos e expectativas. Mais difícil é quando vemos esses planos serem destruídos, quando somos obrigados a mudar o rumo e desistir de alguns sonhos. Quando somos confrontados com nossos erros e fraquezas. Em suma, nem sempre é fácil ser feliz em períodos de crise e crescimento. E definitivamente, não é fácil ser feliz quando se está no olho do furacão.

Eu vejo a felicidade como um conjunto de fatores. Algumas pessoas conseguem reunir em uma vida vários desses fatores e para elas, ser feliz não chega a ser um dom. Dom mesmo têm aqueles que aguentam firme apesar de tudo, que não desistem de buscar sua felicidade - mesmo que um dia de cada vez.

E eu juro que já escrevi sobre isso antes...

Serendipity

Ontem passou Serendipity na tv e eu, na falta do que fazer e precisando descansar a cabeça depois de um fim-de-semana cansativo com um garoto de 6 anos, decidi assistir.

Pois bem, não sei se é a idade (que alguns chamam de maturidade) ou um temperamento não chegado a romantismos mas achei o filme inacreditável - no sentido literal da palavra. Cá entre nós, qual a probabilidade de uma nota de 5 dólares retornar ao seu dono uma segunda vez em uma cidade como Nova Iorque? Qual a probabilidade de uma pessoa achar um determinado livro dentre tantos livros em tantos sebos espalhados pela cidade? E mais: qual a probabilidade dessas duas coisas acontecerem?

Pois no filme as duas coisas acontecem, bem ao estilo Holywood. Em outras palavras (e já me desculpando pelo espírito-de-porco), altamente improvável. Resumindo, não sei se fiquei mais chocada com o excesso de romantismo do filme ou com mais uma constatação da minha total ausência de romantismo (depois de 10 anos de casamento, admito que ficou uma certa amargura...e eu já nem era lá muito romântica).

O engraçado é que acredito sim no destino...mas não da forma como ele é retratado neste filme. Serendipity é acima de tudo, uma comédia romântica cheia de clichês do início ao fim (para alegria dos românticos de plantão). Porque convenhamos, clichês são reconfortantes e por serem clichês, previsíveis. E, needless to say, o ser humano gosta de tudo que é previsível.

Ou isso, ou eu é que devo estar ficando ranzinza. Mas fiquei mesmo é com vontade de assistir Paris, Je t´aime...em cartaz nas melhores salas de cinema de sua cidade.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Quem é você?



Hoje estava lendo um texto da Martha Medeiros e fiquei inspirada (não é pra menos, ela escreve muito bem). Pois nesse texto ela dizia que a gente é o que a gente gosta. E sabe que é isso mesmo? Eu seria algo assim:


Sou um dia de primavera. Ou um dia de inverno com sol e, de preferência, neve. Mas decididamente, não sou um dia de verão (odeio o calor escaldante). Sou instável, hoje chovo, amanhã faço sol.

Sou Clarice, sou Caio. Sou Fernando Pessoa. Sou os poetas metafísicos. Sou e.e.cummings. Woody Allen e Ingmar Bergman. Sou Paulo Leminski. Sou Nick Hornby e Chic Lit também. Na música, sou Brit Pop, sempre.

Sou chocolate suíço. Sou mousse de maracujá. Sou pão de queijo com café recém-passado. Baguette, croissant, pain au chocolat...Sou amante da boa mesa. E dos bons vinhos, não necessariamente franceses.

Sou cheesecake de limão. Sou pizza de catupiri com chopp gelado. No churrasco, sou a linguicinha e a farofa. Acompanhadas de guaraná (ou cerveja). Sou moqueca de peixe. Sou bobó de camarão. Bolo de fubá, feijão tropeiro e tutu à mineira.

Sou livros. Dicionários. Filmes, muitos filmes. Guias de viagem e revistas. Manuais de tarô e astrologia. Gatos. Sou Internet. Sou girassól e sou Van Gogh. Sou Matisse. Sou Pierre Bonnard.

Sou o azul do céu, o laranja e o amarelo. Mas também sou preto e tons de cinza quando chove dentro de mim. Sou humana, sou todas as cores. Sou montanha, sou cachoeira. Sou caminhadas na praia (nostalgia). Sou cheiro de mato.

Sou Amsterdã. Sou Paris e Londres. Sou as Terras Altas da Escócia. O Lake District na Inglaterra (foto). No Brasil, sou Ouro Preto e Visconde de Mauá. Sou São Paulo capital, sou metrópole. Sou o pôr-do-sol em Ipanema. Sou o Jardim Botânico.

Sou louca, sou paradoxal. Sou eu mesma! E agora passo a vez para vocês. Façam suas listinhas e divirtam-se.

domingo, janeiro 21, 2007

Gatos, a emoção de lidar

Ainda no assunto gatos, um dos livros mais bonitos que tive a sorte de colocar as mãos é Gatos, a emoção de lidar de Nise da Silveira. Esta excelente psiquiatra (junguiana) é conhecida, entre outras coisas, pelo seu belo projeto Museu de Imagens do Inconsciente, desenvolvido com seus pacientes psiquiátricos. O livro foi publicado em 1998 pela Léo Christiano Editorial em edição limitada e infelizmente está esgotado...Deixo então aqui registrado um trecho do livro:


Observei que os resultados terapêuticos das relações afetivas entre o animal e o doente eram excelentes. Mas era difícil que essa idéia tivesse campo para desenvolver-se. No Brasil a aproximação entre doente e animal, infelizmente, ainda não era cultivada. A preocupação dos terapeutas, ao contrário, afastava o animal do doente, sob alegações inconscientes. Compensadoramente, amigos distantes foram solidários: o Pr. Boris Levinson, psicanalista americano, comentou por carta esses fatos ocorridos no Brasil, como a expulsão, envenenamento ou morte contra os animais. Eis um trecho da carta: Sem dúvida, para muitos desses doentes, os animais eram a sua única linha de vida para a saúde mental.

O que se tem observado é que animais como cães, gatos, peixes e pássaros são requisitados como novos terapeutas em hospitais franceses, canadenses, americanos e suíços, depois de ter sido constatado que eles são indispensáveis à melhora ou à cura dos portadores de várias doenças.

A paixão pelos gatos


Hoje decidi falar de outra paixão minha, os gatos. Paixão inesperada (como toda paixão na vida da gente), que aconteceu quando vim morar na Holanda. No Brasil, pelo menos na minha época, os cãos eram os bichos de estimação favoritos. Em minha casa mesmo tivemos dois cãezinhos (uma pequinês e um yorkshire terrier).

Quanto aos gatos, tudo começou em setembro de 1994, quando aluguei um quarto na casa de um senhor inglês. E adivinhem só: ele tinha um gato que foi a minha primeira paixão em Amsterdam. O gatinho era uma graça e muito travesso - o danado vivia arrumando um jeito de se enfiar no meu quarto (era só eu deixar a porta aberta alguns minutos) e no final, até na minha cama dormia! Morei nesta casa por um ano e até hoje me lembro de como fiquei triste ao me mudar e me despedir do Chico, que faleceu alguns anos depois. Ao me despedir dele, eu também me despedia de uma fase da minha vida.

Meio ano depois, quando eu e Jeff conseguimos um apartamento para morar, decidimos adotar um gatinho em um dos asilos da cidade. E assim adotamos a gata Eva, a gatinha preto e branco mais dócil que já conheci (infelizmente falecida). Ela fez parte da minha segunda fase na Holanda e acompanhou minha trajetória por 10 anos. Neste período me casei, perdi minha mãe, engravidei, tive meu filho e me separei. Ela faleceu com cerca de 16 anos, por coincidência ou não, três meses antes do Jeff sair de casa. Sua morte nos deixou muito tristes e me lembro de ter visto, na época, uma metáfora na morte da Eva. Porque sua morte coincidiu com o fim do nosso casamento...e marcou mais uma fase da minha vida que se encerrava.

Um ano depois, eu ainda estava reorganizando minha vida pós-divórcio e cada vez sentia mais falta de um gato dentro de casa. Por essa época, minha vizinha veio bater à minha porta em lágrimas com uma gatinha de um ano, me perguntando se eu gostaria de adotá-la porque não podia mais ficar com ela. E foi assim que a Lisa veio parar aqui em casa! O mais engraçado é que ela também é uma gata preto e branco e muito parecida com a Eva. A vida tem dessas coisas...

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Hilário


Para quem está em busca de inspiração ou apenas de citações hilárias, irônicas e no mínimo inteligentes:
http://www.despair.com/viewall.html.

O site dispõe de um serviço especial em que o cliente pode criar seu próprio calendário com fotos e citações exclusivas ou ainda, litografias e fotos para colocar na mesa do computador. Eu quéeeeeeeero!
Tecnologia do Blogger.

Ainda sobre a tal felicidade


Dando continuidade às minhas divagações sobre felicidade, segue um texto da Martha Medeiros - porque estou com preguiça de escrever eu mesma e porque, basicamente, ela já escreveu por mim.


Felicidade Realista
De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

O dom de ser feliz

Hoje acordei ranzinza (depois de assistir Serendipity ontem à noite, hehehe...) e cá estou eu pensando novamente no dom de ser feliz. Talvez por ser um tema recorrente na minha vida nos últimos anos, talvez simplesmente por eu ser uma daquelas pessoas questionadoras. Ou por ser, digamos assim, uma pessoa complicada.

De qualquer forma, com o passar dos anos percebo cada vez mais que alguns já nasceram com este dom...enquanto outros passam a vida inteira tentando aperfeiçoá-lo - e com alguma sorte e muito treino, até conseguem. Mas até hoje não sei ao certo se é predisposição genética (defeito de fábrica) ou se são as circunstâncias da vida, para alguns mais favoráveis do que para outros. Mais provavelmente, uma combinação dos dois.

Fato é que nem todo mundo sabe ser feliz. Fato também é que é fácil ser feliz quando tudo na vida da gente está no lugar onde deveria estar: trabalho, amigos, família, etc...Sim, é fácil ser feliz quando a vida segue de acordo com nossos planos e expectativas. Mais difícil é quando vemos esses planos serem destruídos, quando somos obrigados a mudar o rumo e desistir de alguns sonhos. Quando somos confrontados com nossos erros e fraquezas. Em suma, nem sempre é fácil ser feliz em períodos de crise e crescimento. E definitivamente, não é fácil ser feliz quando se está no olho do furacão.

Eu vejo a felicidade como um conjunto de fatores. Algumas pessoas conseguem reunir em uma vida vários desses fatores e para elas, ser feliz não chega a ser um dom. Dom mesmo têm aqueles que aguentam firme apesar de tudo, que não desistem de buscar sua felicidade - mesmo que um dia de cada vez.

E eu juro que já escrevi sobre isso antes...

Serendipity

Ontem passou Serendipity na tv e eu, na falta do que fazer e precisando descansar a cabeça depois de um fim-de-semana cansativo com um garoto de 6 anos, decidi assistir.

Pois bem, não sei se é a idade (que alguns chamam de maturidade) ou um temperamento não chegado a romantismos mas achei o filme inacreditável - no sentido literal da palavra. Cá entre nós, qual a probabilidade de uma nota de 5 dólares retornar ao seu dono uma segunda vez em uma cidade como Nova Iorque? Qual a probabilidade de uma pessoa achar um determinado livro dentre tantos livros em tantos sebos espalhados pela cidade? E mais: qual a probabilidade dessas duas coisas acontecerem?

Pois no filme as duas coisas acontecem, bem ao estilo Holywood. Em outras palavras (e já me desculpando pelo espírito-de-porco), altamente improvável. Resumindo, não sei se fiquei mais chocada com o excesso de romantismo do filme ou com mais uma constatação da minha total ausência de romantismo (depois de 10 anos de casamento, admito que ficou uma certa amargura...e eu já nem era lá muito romântica).

O engraçado é que acredito sim no destino...mas não da forma como ele é retratado neste filme. Serendipity é acima de tudo, uma comédia romântica cheia de clichês do início ao fim (para alegria dos românticos de plantão). Porque convenhamos, clichês são reconfortantes e por serem clichês, previsíveis. E, needless to say, o ser humano gosta de tudo que é previsível.

Ou isso, ou eu é que devo estar ficando ranzinza. Mas fiquei mesmo é com vontade de assistir Paris, Je t´aime...em cartaz nas melhores salas de cinema de sua cidade.

Quem é você?



Hoje estava lendo um texto da Martha Medeiros e fiquei inspirada (não é pra menos, ela escreve muito bem). Pois nesse texto ela dizia que a gente é o que a gente gosta. E sabe que é isso mesmo? Eu seria algo assim:


Sou um dia de primavera. Ou um dia de inverno com sol e, de preferência, neve. Mas decididamente, não sou um dia de verão (odeio o calor escaldante). Sou instável, hoje chovo, amanhã faço sol.

Sou Clarice, sou Caio. Sou Fernando Pessoa. Sou os poetas metafísicos. Sou e.e.cummings. Woody Allen e Ingmar Bergman. Sou Paulo Leminski. Sou Nick Hornby e Chic Lit também. Na música, sou Brit Pop, sempre.

Sou chocolate suíço. Sou mousse de maracujá. Sou pão de queijo com café recém-passado. Baguette, croissant, pain au chocolat...Sou amante da boa mesa. E dos bons vinhos, não necessariamente franceses.

Sou cheesecake de limão. Sou pizza de catupiri com chopp gelado. No churrasco, sou a linguicinha e a farofa. Acompanhadas de guaraná (ou cerveja). Sou moqueca de peixe. Sou bobó de camarão. Bolo de fubá, feijão tropeiro e tutu à mineira.

Sou livros. Dicionários. Filmes, muitos filmes. Guias de viagem e revistas. Manuais de tarô e astrologia. Gatos. Sou Internet. Sou girassól e sou Van Gogh. Sou Matisse. Sou Pierre Bonnard.

Sou o azul do céu, o laranja e o amarelo. Mas também sou preto e tons de cinza quando chove dentro de mim. Sou humana, sou todas as cores. Sou montanha, sou cachoeira. Sou caminhadas na praia (nostalgia). Sou cheiro de mato.

Sou Amsterdã. Sou Paris e Londres. Sou as Terras Altas da Escócia. O Lake District na Inglaterra (foto). No Brasil, sou Ouro Preto e Visconde de Mauá. Sou São Paulo capital, sou metrópole. Sou o pôr-do-sol em Ipanema. Sou o Jardim Botânico.

Sou louca, sou paradoxal. Sou eu mesma! E agora passo a vez para vocês. Façam suas listinhas e divirtam-se.

Gatos, a emoção de lidar

Ainda no assunto gatos, um dos livros mais bonitos que tive a sorte de colocar as mãos é Gatos, a emoção de lidar de Nise da Silveira. Esta excelente psiquiatra (junguiana) é conhecida, entre outras coisas, pelo seu belo projeto Museu de Imagens do Inconsciente, desenvolvido com seus pacientes psiquiátricos. O livro foi publicado em 1998 pela Léo Christiano Editorial em edição limitada e infelizmente está esgotado...Deixo então aqui registrado um trecho do livro:


Observei que os resultados terapêuticos das relações afetivas entre o animal e o doente eram excelentes. Mas era difícil que essa idéia tivesse campo para desenvolver-se. No Brasil a aproximação entre doente e animal, infelizmente, ainda não era cultivada. A preocupação dos terapeutas, ao contrário, afastava o animal do doente, sob alegações inconscientes. Compensadoramente, amigos distantes foram solidários: o Pr. Boris Levinson, psicanalista americano, comentou por carta esses fatos ocorridos no Brasil, como a expulsão, envenenamento ou morte contra os animais. Eis um trecho da carta: Sem dúvida, para muitos desses doentes, os animais eram a sua única linha de vida para a saúde mental.

O que se tem observado é que animais como cães, gatos, peixes e pássaros são requisitados como novos terapeutas em hospitais franceses, canadenses, americanos e suíços, depois de ter sido constatado que eles são indispensáveis à melhora ou à cura dos portadores de várias doenças.

A paixão pelos gatos


Hoje decidi falar de outra paixão minha, os gatos. Paixão inesperada (como toda paixão na vida da gente), que aconteceu quando vim morar na Holanda. No Brasil, pelo menos na minha época, os cãos eram os bichos de estimação favoritos. Em minha casa mesmo tivemos dois cãezinhos (uma pequinês e um yorkshire terrier).

Quanto aos gatos, tudo começou em setembro de 1994, quando aluguei um quarto na casa de um senhor inglês. E adivinhem só: ele tinha um gato que foi a minha primeira paixão em Amsterdam. O gatinho era uma graça e muito travesso - o danado vivia arrumando um jeito de se enfiar no meu quarto (era só eu deixar a porta aberta alguns minutos) e no final, até na minha cama dormia! Morei nesta casa por um ano e até hoje me lembro de como fiquei triste ao me mudar e me despedir do Chico, que faleceu alguns anos depois. Ao me despedir dele, eu também me despedia de uma fase da minha vida.

Meio ano depois, quando eu e Jeff conseguimos um apartamento para morar, decidimos adotar um gatinho em um dos asilos da cidade. E assim adotamos a gata Eva, a gatinha preto e branco mais dócil que já conheci (infelizmente falecida). Ela fez parte da minha segunda fase na Holanda e acompanhou minha trajetória por 10 anos. Neste período me casei, perdi minha mãe, engravidei, tive meu filho e me separei. Ela faleceu com cerca de 16 anos, por coincidência ou não, três meses antes do Jeff sair de casa. Sua morte nos deixou muito tristes e me lembro de ter visto, na época, uma metáfora na morte da Eva. Porque sua morte coincidiu com o fim do nosso casamento...e marcou mais uma fase da minha vida que se encerrava.

Um ano depois, eu ainda estava reorganizando minha vida pós-divórcio e cada vez sentia mais falta de um gato dentro de casa. Por essa época, minha vizinha veio bater à minha porta em lágrimas com uma gatinha de um ano, me perguntando se eu gostaria de adotá-la porque não podia mais ficar com ela. E foi assim que a Lisa veio parar aqui em casa! O mais engraçado é que ela também é uma gata preto e branco e muito parecida com a Eva. A vida tem dessas coisas...

Hilário


Para quem está em busca de inspiração ou apenas de citações hilárias, irônicas e no mínimo inteligentes:
http://www.despair.com/viewall.html.

O site dispõe de um serviço especial em que o cliente pode criar seu próprio calendário com fotos e citações exclusivas ou ainda, litografias e fotos para colocar na mesa do computador. Eu quéeeeeeeero!