quinta-feira, maio 31, 2007

Sessão de cinema: O Labirinto do Fauno

Finalmente assisti hoje à tarde o comentado Labirinto do Fauno, do diretor mexicano Guillermo del Toro. O filme é realmente muito bom, embora assombroso seja o adjetivo mais apropriado (assombroso no sentido original da palavra). Eu que pensei estar diante de um filme de fantasia, logo nos primeiros minutos percebi minha ingenuidade. E pensando bem, não podia mesmo ser diferente pois o tema do filme é o regime fascista na Espanha.

Basicamente, o filme é narrado em dois níveis: o real e o surreal. Os horrores da guerra civil espanhola são intercalados na tela com o universo de sonhos da menina Ofélia. Cenas fortes retratando a crueldade do fascismo se contrapõem a um reino habitado por seres mitológicos, fadas, elfos, faunos e outras criaturas...um universo subterrâneo onde reina a harmonia, a esperança e onde os seres são eternos (e não meros mortais). Um labirinto secreto, um livro misterioso, um mundo escondido atrás de uma porta desenhada a giz. A fotografia de conto de fadas (em que o clima macabro lembra uma tela de Hieronymus Bosch) é um dos pontos fortes do filme. Mas assista no cinema: o impacto das imagens na tela grande é sempre maior. E tenha bons sonhos, se conseguir...

Ainda sobre o pecado da gula














No post anterior, esqueci de deixar a dica de alguns dos melhores livros de receitas de muffins e cookies que já vi por aí (e que tive a sorte ou o azar de achar nos sebos da cidade). Não sei se estes títulos foram traduzidos aí, mas vale (muito) a pena procurar.

250 Best Muffin Recipes
autora: Ester Brody

Chocolate Baking
autora: Linda Collister

Cookies, Biscuits and Biscotti
autora: Linda Collister

PS: Este foi o post mais calórico que já publiquei neste blog...

O pecado da gula

Pois hoje não resisti o (velho e conhecido) pecado da gula e decidi fazer uns muffins de chocolate...o pior de tudo é que meu filho nem está em casa pra me ajudar a comê-los, ai meu Deus do céu! Vou guardar uns pra ele, que chega da casa do pai amanhã..e é bom que chegue logo mesmo. Pra quem ficou curioso - ou simplesmente com água na boca, o que é mais provável - coloquei a receita aqui. Diga-se de passagem, um dos principais segredos de um bom muffin é não misturar demais, apenas o suficiente para misturar os ingredientes secos e molhados. Mais um post da série Desperate Housewifes.


Muffin de Chocolate
Ingredientes:
2 xic. farinha
1 xic. açúcar
fermento em pó
chocolate em pó (3 C)
2 ovos
50 ml óleo vegetal
250 ml leite
100g de chocolate picado (ao leite ou meio-amargo)

Preparo:
1. E
m uma tigela grande, misture os ingredientes secos (farinha, açúcar, fermento, chocolate em pó).
2. Em uma tigela média, misture os ingredientes molhados (ovos, leite e óleo vegetal).
3. Despeje os ingredientes molhados na tigela grande e mexa levemente com uma colher-de-pau (não misture demais) até que todos os ingredientes estejam misturados

4. Acrescente o chocolate picado à misture, despeje em formas de muffin (dá 12 muffins) e asse em forno pré-aquecido (190 graus) por cerca de 20-25 minutos.

Pra finalizar, deixo ainda a dica de um site delicioso: Joy of Baking.

segunda-feira, maio 28, 2007

Verde e amarelo

Depois de divagar sobre identidade, samba e futebol venho aqui confessar que meu fim-de-semana não podia ter sido mais verde e amarelo. Mas que foi muito divertido, isso foi - nem poderia ter sido de outra forma. Teve conversa fiada, teve papo furado e papo-cabeça. Teve casal 20 (os mineiros Eliane e Sandro), teve Anna e Arnild, duas amigas especiais e muito antenadas (nós três falamos de tudo e o assunto nunca acaba, uma sintonia impressionante). Teve o amigo brasileiro da Anna que mora em NY, teve a mineiríssima Adriane que mora por aqui mesmo. Teve cerveja belga e samba na casa da Eliane, cerveja espanhola no Tapas Bar português. Teve até acarajé, abará e vatapá, minha gente!

Enfim, teve um pouco de tudo. Sorrisos e gargalhadas soltas, afeto e amizade. Caras novas, velhas caras conhecidas, novos contatos. Depois de um fim-de-semana desses, a gente já começa a semana mais leve. Um fim-de-semana desses e a gente vai pra casa com um sorriso no coração. E lembra que apesar dos pesares, viver ainda é muito bom!

sábado, maio 26, 2007

De repente

De repente, não mais que de repente...meu filho cresceu. Assim mesmo, da noite pro dia. Ou vai ver eu é que não estava preparada para tanta mudança em tão pouco tempo. Criança é assim: da noite pro dia, quando você menos espera, ela aprende algo de novo. O menininho inseguro e assustado que aprendeu a andar aos 18 meses (eu já quase morta de preocupação), que mal conseguia correr sem trocar as pernas e cair (e teve o azar de cair dum balanço aos dois anos e ficar com a perna engessada três semanas), que aprendeu ano passado a andar de bicicleta sem rodinhas (numa bicicleta pequenininha porque tinha medo), mês passado ganhou uma bicicleta maior e está se achando gente grande. E agora vai com o pai pra escola de bicicleta e já começa a se aventurar de bicicleta no centro de Amsterdam...Não se iludam, não é tarefa das mais fáceis: eu mesma até hoje não me sinto 100% à vontade no meio de carros, ônibus, trams, taxis, pedestres...e outras bicicletas. Juro que não é pouca coisa pra quem no Brasil aprendeu que lugar pra andar de bicicleta é no parque (e no máximo, na ciclovia da orla).

O menino também aprendeu a ler, quando há pouco tempo só olhava as figuras. E está cada vez melhor com os números, quando há pouco tempo contar até 10 já era motivo de muito orgulho. E descobriu os games no computador de um dia pro outro (achou o jogo 2 Fast 2 Furious esta semana e nunca mais largou, em 2 dias bateu todos os recordes, rsrsrs). Eu nunca estimulei os games aqui em casa (contrariamente a muitas mães modernas) porque preferi estimular outro tipo de atividades (físicas, leitura, etc). De qualquer forma, já percebi que esta é uma batalha perdida: as crianças de hoje parece que já vieram programadas pra gostar de games! Eu, que no meu tempo só brincava de ATARI e o game mais emocionante na minha lista era Pac-man. É minha gente, os tempos mudaram!

E além da bicicleta, dos livros e dos números...o menino hoje já assiste sem problemas - e sem reclamar - filmes em inglês. E não os filmes dublados em holandês, que a maioria das crianças daqui assiste. E claro, sai orgulhoso do cinema. Em breve iremos juntos assistir Bridge to Terabithia (porque a mãe é uma criança grande e também adora filmes de fantasia). O filme, que é legendado e não dublado para os pequenos (como a maioria dos filmes da Disney) recebeu classificação para 9 anos por aqui. E ele está todo animado dizendo que vai assim mesmo (mal completou 7 anos mês passado). O momento de glória, vejam bem, é na bilheteria do cinema. Quando o funcionário educadamente avisa mãe e filho que o filme não é dublado e sim no original (inglês) com legendas. E Liam se dá conta que fala dois idiomas (sim senhor, está pensando o quê) e senta na poltrona de cinema se sentindo gente grande.

E quanto à mãe do menino...esta continua cada dia mais coruja!

sexta-feira, maio 25, 2007

Sobre (bons) vinhos

Volta e meia não resisto e faço uma visita ao blog Caderno de Vidro. Dessa vez gostei tanto de um texto sobre a arte de beber e reconhecer bons vinhos (e outros menos) que decidi colá-lo aqui! Assim compartilho um pouco com vocês essas palavras tão bem escritas (porque convenhamos: não é todo dia que se encontra gente que escreva tão bem).



UVAS AMARGAS
Há quem goste de vinho. E há quem goste de gostar de vinho. Sou do primeiro tipo, graças a Deus.

Não vai aqui nenhum preconceito contra quem olha o vinho na contraluz ou assobia para dentro enquanto toma um pequeno gole. Em lugar de preconceito, talvez seja coisa mais grave. Mas isso veremos adiante, caso o leitor tenha paciência (paciência, hoje em dia, é mais raro que um Romanée-Conti 66).

Quem gosta de vinho, como eu, geralmente não é iniciado. Fica feliz com um chileno de trinta reais, figurinha fácil em qualquer carta. Mas quem gosta de gostar de vinho já viu a luz. E não se contenta com qualquer lamparina. Quando digo isto, logo eles argumentam que o bom vinho não é necessariamente o mais caro. Concordo. Mas, para quem já sabe reconhecer uma Gisele Bundchen em forma de uva, é difícil se contentar com a gostosinha do bairro. Mesmo quando dizem que a gostosinha é — afinal — gostosinha, eles sentem no paladar muito mais o INHA do que o restante do sabor.

Eu, ao contrário, acho que Bordeaux fica no Chile. E, pelo amor de Deus, não me convençam do contrário. Não é preciso: sei que estou errado. Mas sei apenas na teoria. No dia em que eu conhecer a diferença na prática, ai de mim: tomarei meus vinhos baratos sabendo que não passam muito disso. E parte do prazer que sinto hoje será coisa do passado. Deus conserve meu paladar inocente.

Sei que um bom vinho merece os adjetivos floreados (reticente, audacioso, loquaz). Sei que existem uvas com sabor de abacaxi ou suor de cavalo. Sei que vinho tem unha, nariz e corpo. Só não quero muita intimidade com isto. Deixem que meus trinta reais valham mil dólares de Robert Parker.

Se a paciência do leitor o trouxe até aqui, ficou claro que não tenho preconceito. E, por isto mesmo, acho que é algo mais grave. Talvez seja uma grosseira apologia à ignorância, à preguiça, ao animal rude e pobre de espírito. Se for, é uma apologia a mim mesmo.

Eu, que me esforço para cima, devo pertencer de fato ao andar de baixo. O vinho será a única hora em que esta verdade é consciente. No mais das vezes, nem percebo os meus enganos, e confundo meus limites com minha opinião.

O que me resta é apenas a franqueza de confessar. E ouso mesmo dizer que — não fosse certo alarido que me causa a poesia — eu era caso dos mais perdidos.

Ou será tudo o contrário, que não vamos terminar assim tão tristes e derrotistas. Minha única esperança, neste final de coisas, é haver dado o braço a torcer — e saborear o quanto de nós mesmos é possível descobrir simplesmente ao se falar de vinhos. Mesmo que daqueles mais baratos.

by André Laurentino. Publicado no Guia em O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, maio 24, 2007

Um estranho no ninho

Meu amigo Antônio - que por incrível que pareça, se tornou ainda mais íntimo com essa estória de blogs - escreveu um texto fantástico sobre a questão do estrangeiro. Não o do Camus, veja bem, embora este também seja digno de nota - e como!

Ler o texto dele me fez refletir novamente sobre a minha (eterna) condição de estrangeira, que é muito mais do que uma mera questão geográfica e de fronteiras delimitadas em um mapa. O que eu quero dizer é que sempre fui estrangeira, à minha maneira (como o Antônio tão bem definiu no texto dele). Nasci em Porto Alegre mas fui pro Rio de Janeiro com 5 anos de idade. No Rio cresci, estudei, me formei na faculdade...mas nunca cheguei a me sentir carioca da gema (simplesmente não estava no meu sangue, que me desculpem os cariocas). Nos primeiros anos de escola, eu era a menina gaúcha...o tempo foi passando, eu deixei de ser a gaúcha pra me tornar simplesmente eu mesma. Prestes a completar 28 anos (olha aí o famoso ciclo de Saturno), arrumei as malas, cruzei os mares e fui trabalhar em Dublin. Lá eu era a tradutora brasileira, embora não andasse com os outros brasileiros e sim com um alemão gay (que o Antônio conheceu, coisas do destino) e um holandês (o fantasma do post anterior, hehehe).

Nos primeiros anos de Holanda, foi a mesma coisa...eu e Jeff tínhamos um círculo de amigos internacional (depois do divórcio, sumiram todos, muitos também se separaram e alguns se mudaram para outros países). Mas nos últimos 5 anos eu diria que meu círculo de amizades tem se tornado cada vez mais verde e amarelo. Mas não se iludam: a maioria desses brasileiros é diferente como eu e está longe de se encaixar no estereótipo de brasileiro no exterior...Pra início de conversa, a maioria não gosta de samba nem de futebol (a não ser na Copa do Mundo, quando a comunidade brasileira no exterior enlouquece de vez, fiquem avisados)...Alguns são cidadãos do mundo, como eu (pra esses eu não preciso ficar me explicando, o que é um grande alívio).

Mas isso tudo é só a ponta do iceberg, obviamente...porque eu sempre me senti estrangeira no mundo. Nunca aprendi a jogar os jogos que as pessoas tanto prezam, sempre me recusei a me enquadrar em classificações e rótulos predefinidos. E nas poucas vezes que tentei me enquadrar, as consequências foram desastrosas. Meus sonhos não eram os mesmos das pessoas à minha volta, muito menos meus planos para o futuro. Sempre fui gauche na vida. E no final das contas, prefiro a liberdade de ser eu mesma. Nem gaúcha nem carioca, nem brasileira nem holandesa - e ao mesmo tempo, um pouco de tudo isso!
Tecnologia do Blogger.

Sessão de cinema: O Labirinto do Fauno

Finalmente assisti hoje à tarde o comentado Labirinto do Fauno, do diretor mexicano Guillermo del Toro. O filme é realmente muito bom, embora assombroso seja o adjetivo mais apropriado (assombroso no sentido original da palavra). Eu que pensei estar diante de um filme de fantasia, logo nos primeiros minutos percebi minha ingenuidade. E pensando bem, não podia mesmo ser diferente pois o tema do filme é o regime fascista na Espanha.

Basicamente, o filme é narrado em dois níveis: o real e o surreal. Os horrores da guerra civil espanhola são intercalados na tela com o universo de sonhos da menina Ofélia. Cenas fortes retratando a crueldade do fascismo se contrapõem a um reino habitado por seres mitológicos, fadas, elfos, faunos e outras criaturas...um universo subterrâneo onde reina a harmonia, a esperança e onde os seres são eternos (e não meros mortais). Um labirinto secreto, um livro misterioso, um mundo escondido atrás de uma porta desenhada a giz. A fotografia de conto de fadas (em que o clima macabro lembra uma tela de Hieronymus Bosch) é um dos pontos fortes do filme. Mas assista no cinema: o impacto das imagens na tela grande é sempre maior. E tenha bons sonhos, se conseguir...

Ainda sobre o pecado da gula














No post anterior, esqueci de deixar a dica de alguns dos melhores livros de receitas de muffins e cookies que já vi por aí (e que tive a sorte ou o azar de achar nos sebos da cidade). Não sei se estes títulos foram traduzidos aí, mas vale (muito) a pena procurar.

250 Best Muffin Recipes
autora: Ester Brody

Chocolate Baking
autora: Linda Collister

Cookies, Biscuits and Biscotti
autora: Linda Collister

PS: Este foi o post mais calórico que já publiquei neste blog...

O pecado da gula

Pois hoje não resisti o (velho e conhecido) pecado da gula e decidi fazer uns muffins de chocolate...o pior de tudo é que meu filho nem está em casa pra me ajudar a comê-los, ai meu Deus do céu! Vou guardar uns pra ele, que chega da casa do pai amanhã..e é bom que chegue logo mesmo. Pra quem ficou curioso - ou simplesmente com água na boca, o que é mais provável - coloquei a receita aqui. Diga-se de passagem, um dos principais segredos de um bom muffin é não misturar demais, apenas o suficiente para misturar os ingredientes secos e molhados. Mais um post da série Desperate Housewifes.


Muffin de Chocolate
Ingredientes:
2 xic. farinha
1 xic. açúcar
fermento em pó
chocolate em pó (3 C)
2 ovos
50 ml óleo vegetal
250 ml leite
100g de chocolate picado (ao leite ou meio-amargo)

Preparo:
1. E
m uma tigela grande, misture os ingredientes secos (farinha, açúcar, fermento, chocolate em pó).
2. Em uma tigela média, misture os ingredientes molhados (ovos, leite e óleo vegetal).
3. Despeje os ingredientes molhados na tigela grande e mexa levemente com uma colher-de-pau (não misture demais) até que todos os ingredientes estejam misturados

4. Acrescente o chocolate picado à misture, despeje em formas de muffin (dá 12 muffins) e asse em forno pré-aquecido (190 graus) por cerca de 20-25 minutos.

Pra finalizar, deixo ainda a dica de um site delicioso: Joy of Baking.

Verde e amarelo

Depois de divagar sobre identidade, samba e futebol venho aqui confessar que meu fim-de-semana não podia ter sido mais verde e amarelo. Mas que foi muito divertido, isso foi - nem poderia ter sido de outra forma. Teve conversa fiada, teve papo furado e papo-cabeça. Teve casal 20 (os mineiros Eliane e Sandro), teve Anna e Arnild, duas amigas especiais e muito antenadas (nós três falamos de tudo e o assunto nunca acaba, uma sintonia impressionante). Teve o amigo brasileiro da Anna que mora em NY, teve a mineiríssima Adriane que mora por aqui mesmo. Teve cerveja belga e samba na casa da Eliane, cerveja espanhola no Tapas Bar português. Teve até acarajé, abará e vatapá, minha gente!

Enfim, teve um pouco de tudo. Sorrisos e gargalhadas soltas, afeto e amizade. Caras novas, velhas caras conhecidas, novos contatos. Depois de um fim-de-semana desses, a gente já começa a semana mais leve. Um fim-de-semana desses e a gente vai pra casa com um sorriso no coração. E lembra que apesar dos pesares, viver ainda é muito bom!

De repente

De repente, não mais que de repente...meu filho cresceu. Assim mesmo, da noite pro dia. Ou vai ver eu é que não estava preparada para tanta mudança em tão pouco tempo. Criança é assim: da noite pro dia, quando você menos espera, ela aprende algo de novo. O menininho inseguro e assustado que aprendeu a andar aos 18 meses (eu já quase morta de preocupação), que mal conseguia correr sem trocar as pernas e cair (e teve o azar de cair dum balanço aos dois anos e ficar com a perna engessada três semanas), que aprendeu ano passado a andar de bicicleta sem rodinhas (numa bicicleta pequenininha porque tinha medo), mês passado ganhou uma bicicleta maior e está se achando gente grande. E agora vai com o pai pra escola de bicicleta e já começa a se aventurar de bicicleta no centro de Amsterdam...Não se iludam, não é tarefa das mais fáceis: eu mesma até hoje não me sinto 100% à vontade no meio de carros, ônibus, trams, taxis, pedestres...e outras bicicletas. Juro que não é pouca coisa pra quem no Brasil aprendeu que lugar pra andar de bicicleta é no parque (e no máximo, na ciclovia da orla).

O menino também aprendeu a ler, quando há pouco tempo só olhava as figuras. E está cada vez melhor com os números, quando há pouco tempo contar até 10 já era motivo de muito orgulho. E descobriu os games no computador de um dia pro outro (achou o jogo 2 Fast 2 Furious esta semana e nunca mais largou, em 2 dias bateu todos os recordes, rsrsrs). Eu nunca estimulei os games aqui em casa (contrariamente a muitas mães modernas) porque preferi estimular outro tipo de atividades (físicas, leitura, etc). De qualquer forma, já percebi que esta é uma batalha perdida: as crianças de hoje parece que já vieram programadas pra gostar de games! Eu, que no meu tempo só brincava de ATARI e o game mais emocionante na minha lista era Pac-man. É minha gente, os tempos mudaram!

E além da bicicleta, dos livros e dos números...o menino hoje já assiste sem problemas - e sem reclamar - filmes em inglês. E não os filmes dublados em holandês, que a maioria das crianças daqui assiste. E claro, sai orgulhoso do cinema. Em breve iremos juntos assistir Bridge to Terabithia (porque a mãe é uma criança grande e também adora filmes de fantasia). O filme, que é legendado e não dublado para os pequenos (como a maioria dos filmes da Disney) recebeu classificação para 9 anos por aqui. E ele está todo animado dizendo que vai assim mesmo (mal completou 7 anos mês passado). O momento de glória, vejam bem, é na bilheteria do cinema. Quando o funcionário educadamente avisa mãe e filho que o filme não é dublado e sim no original (inglês) com legendas. E Liam se dá conta que fala dois idiomas (sim senhor, está pensando o quê) e senta na poltrona de cinema se sentindo gente grande.

E quanto à mãe do menino...esta continua cada dia mais coruja!

Sobre (bons) vinhos

Volta e meia não resisto e faço uma visita ao blog Caderno de Vidro. Dessa vez gostei tanto de um texto sobre a arte de beber e reconhecer bons vinhos (e outros menos) que decidi colá-lo aqui! Assim compartilho um pouco com vocês essas palavras tão bem escritas (porque convenhamos: não é todo dia que se encontra gente que escreva tão bem).



UVAS AMARGAS
Há quem goste de vinho. E há quem goste de gostar de vinho. Sou do primeiro tipo, graças a Deus.

Não vai aqui nenhum preconceito contra quem olha o vinho na contraluz ou assobia para dentro enquanto toma um pequeno gole. Em lugar de preconceito, talvez seja coisa mais grave. Mas isso veremos adiante, caso o leitor tenha paciência (paciência, hoje em dia, é mais raro que um Romanée-Conti 66).

Quem gosta de vinho, como eu, geralmente não é iniciado. Fica feliz com um chileno de trinta reais, figurinha fácil em qualquer carta. Mas quem gosta de gostar de vinho já viu a luz. E não se contenta com qualquer lamparina. Quando digo isto, logo eles argumentam que o bom vinho não é necessariamente o mais caro. Concordo. Mas, para quem já sabe reconhecer uma Gisele Bundchen em forma de uva, é difícil se contentar com a gostosinha do bairro. Mesmo quando dizem que a gostosinha é — afinal — gostosinha, eles sentem no paladar muito mais o INHA do que o restante do sabor.

Eu, ao contrário, acho que Bordeaux fica no Chile. E, pelo amor de Deus, não me convençam do contrário. Não é preciso: sei que estou errado. Mas sei apenas na teoria. No dia em que eu conhecer a diferença na prática, ai de mim: tomarei meus vinhos baratos sabendo que não passam muito disso. E parte do prazer que sinto hoje será coisa do passado. Deus conserve meu paladar inocente.

Sei que um bom vinho merece os adjetivos floreados (reticente, audacioso, loquaz). Sei que existem uvas com sabor de abacaxi ou suor de cavalo. Sei que vinho tem unha, nariz e corpo. Só não quero muita intimidade com isto. Deixem que meus trinta reais valham mil dólares de Robert Parker.

Se a paciência do leitor o trouxe até aqui, ficou claro que não tenho preconceito. E, por isto mesmo, acho que é algo mais grave. Talvez seja uma grosseira apologia à ignorância, à preguiça, ao animal rude e pobre de espírito. Se for, é uma apologia a mim mesmo.

Eu, que me esforço para cima, devo pertencer de fato ao andar de baixo. O vinho será a única hora em que esta verdade é consciente. No mais das vezes, nem percebo os meus enganos, e confundo meus limites com minha opinião.

O que me resta é apenas a franqueza de confessar. E ouso mesmo dizer que — não fosse certo alarido que me causa a poesia — eu era caso dos mais perdidos.

Ou será tudo o contrário, que não vamos terminar assim tão tristes e derrotistas. Minha única esperança, neste final de coisas, é haver dado o braço a torcer — e saborear o quanto de nós mesmos é possível descobrir simplesmente ao se falar de vinhos. Mesmo que daqueles mais baratos.

by André Laurentino. Publicado no Guia em O Estado de S. Paulo.

Um estranho no ninho

Meu amigo Antônio - que por incrível que pareça, se tornou ainda mais íntimo com essa estória de blogs - escreveu um texto fantástico sobre a questão do estrangeiro. Não o do Camus, veja bem, embora este também seja digno de nota - e como!

Ler o texto dele me fez refletir novamente sobre a minha (eterna) condição de estrangeira, que é muito mais do que uma mera questão geográfica e de fronteiras delimitadas em um mapa. O que eu quero dizer é que sempre fui estrangeira, à minha maneira (como o Antônio tão bem definiu no texto dele). Nasci em Porto Alegre mas fui pro Rio de Janeiro com 5 anos de idade. No Rio cresci, estudei, me formei na faculdade...mas nunca cheguei a me sentir carioca da gema (simplesmente não estava no meu sangue, que me desculpem os cariocas). Nos primeiros anos de escola, eu era a menina gaúcha...o tempo foi passando, eu deixei de ser a gaúcha pra me tornar simplesmente eu mesma. Prestes a completar 28 anos (olha aí o famoso ciclo de Saturno), arrumei as malas, cruzei os mares e fui trabalhar em Dublin. Lá eu era a tradutora brasileira, embora não andasse com os outros brasileiros e sim com um alemão gay (que o Antônio conheceu, coisas do destino) e um holandês (o fantasma do post anterior, hehehe).

Nos primeiros anos de Holanda, foi a mesma coisa...eu e Jeff tínhamos um círculo de amigos internacional (depois do divórcio, sumiram todos, muitos também se separaram e alguns se mudaram para outros países). Mas nos últimos 5 anos eu diria que meu círculo de amizades tem se tornado cada vez mais verde e amarelo. Mas não se iludam: a maioria desses brasileiros é diferente como eu e está longe de se encaixar no estereótipo de brasileiro no exterior...Pra início de conversa, a maioria não gosta de samba nem de futebol (a não ser na Copa do Mundo, quando a comunidade brasileira no exterior enlouquece de vez, fiquem avisados)...Alguns são cidadãos do mundo, como eu (pra esses eu não preciso ficar me explicando, o que é um grande alívio).

Mas isso tudo é só a ponta do iceberg, obviamente...porque eu sempre me senti estrangeira no mundo. Nunca aprendi a jogar os jogos que as pessoas tanto prezam, sempre me recusei a me enquadrar em classificações e rótulos predefinidos. E nas poucas vezes que tentei me enquadrar, as consequências foram desastrosas. Meus sonhos não eram os mesmos das pessoas à minha volta, muito menos meus planos para o futuro. Sempre fui gauche na vida. E no final das contas, prefiro a liberdade de ser eu mesma. Nem gaúcha nem carioca, nem brasileira nem holandesa - e ao mesmo tempo, um pouco de tudo isso!