terça-feira, abril 12, 2011

Das tragédias humanas




Tanta coisa estranha acontecendo pelo mundo afora e tanta coisa dentro da minha cabeça que tem dia que nem sei mais o que escrever por aqui. Meu momento pessoal é de transição, o que é sempre um período delicado (a vida muda o tempo todo né? e se a gente não muda, ela nos obriga a mudar). E eu estou tentando mudar algumas coisas e ao mesmo tempo aceitar outras, como naquela famosa citação:

Deus nos dê serenidade para aceitar as coisas que não podem ser mudadas, coragem para mudar as coisas que podem ser mudadas e sabedoria para distinguir umas das outras.

E aí acontecem tragédias como na escola em Realengo. Como se não bastasse, sábado passado outra tragédia semelhante aqui na Holanda.  E aí vem a mídia cheia de estórias sensacionalistas pra contar,  hipóteses mil, análises feitas por diversos especialistas (porque nessas horas todo mundo sempre tem algo a dizer). Quanto a mim, me vem à mente uma palavra (ou melhor duas): saúde mental.

Mas não se preocupem, não vim aqui pra justificar ninguém matar ou sair atirando porque está deprimido ou perdeu o emprego recentemente (como o rapaz de 24 anos aqui na Holanda). Nada justifica um ato desses. Mas acho que as pessoas deviam parar pra olhar à sua volta. E entender de uma vez por todas que saúde mental é (ou deveria ser) um direito de todo ser humano. E prioridade dos especialistas da saúde.

Porque as pessoas são diferentes e reagem de forma diferente a situações semelhantes. Existem ainda situações diferentes e problemáticas que muitos tem a sorte de nunca conhecer em seu ambiente próximo. Sem falar nos vários tipos de distúrbios mentais já catalogados pra quem está disposto a aprender.

O problema das doenças mentais é que ninguém quer saber de nada (digo isso por experiência própria, leiam aqui). Cada um no seu canto cuidando da sua vida, todo mundo fazendo tudo pra ser normal (e alguns fingindo muito mal). Até o dia em que uma tragédia dessas acontece e vidas são tomadas. E o número de vítimas é publicado em letras garrafais nas manchetes de todos os jornais. Só que esquecem de uma vítima: sim, aquela que causou toda esta tragédia. Uma simples constatação.

Porque vamos combinar assim, uma pessoa de mente sã nunca cometeria uma atrocidade dessas. Essas coisas acontecem porque alguém deixou de perceber algo importante, alguém desprezou possíveis sinais de que algo estava (muito) errado. Família, colegas de trabalho, professores.  Eu acredito que se uma pessoa recebe o tratamento adequado - e no momento adequado, o que raramente é o caso - pode-se evitar muita dor. Estou falando não apenas de doenças mentais como depressão (a qual conheço muito bem), mas esquizofrênia e outros distúrbios de personalidade. Enfim, é preciso cortar o mal pela raiz.

No mais, pàra o mundo que eu quero descer...depois eu é que sou louca.

6 comentários:

Line disse...

“O problema das doenças mentais é que ninguém quer saber de nada...”

É verdade, mas muitas vezes nem mesmo a própria pessoa quer ajuda, ou busca ajuda, ou aceita a prórpia condição. Existe sim muito preconceito, e não somente entre pessoas leigas como nós, mas também entre os própios médicos. Já ouvi minha mãe contando vários casos assim (ela era enfermeira), e recentemente aconteceu com uma amiga que foi buscar ajuda contra uma provável depressão – ela ouviu da médica aqui que tomar remédio era coisa pra pessoa louca e esquizofrênica, e que ela não precisava disso.

Muitas vezes nós não percebemos as “anormalidades” porque algumas pessoas conseguem fingir muito bem. Quem nunca ouviu uma história de suicídio de alguém próximo ou conhecido e pensou assim: “Ah, mas a fulana se matou?! Nossa, nunca poderia imaginar que ela faria uma coisa dessas, parecia tão feliz! “

Não sei, é apenas uma opinião pessoal, um achismo, mas não acho que pessoas matem, torturem, sequestrem por causa de depressão, nem de bullying, ou qualuqer uma dessas novas tendências da sociedade moderna. Acho que essas pessoas fazem isso porque, em algum lugar na cabeça delas, faltou um click, um parafuso, ou algo assim.

Não falo nem de sentimento, de respeito ao próximo, de senso de civilidade, nada disso. Acho que na mente de uma pessoa que comete uma atrocidade dessas, algo muito sério e complexo deve estar acontecendo.

Só tenho pena dessas pessoas que morreram aqui na Holanda, das crianças que morreram em Realengo, e de tantas outras que todos os dias são vítimas de pessoas inconsequentes, sejam elas doentes mentais ou não.

Maria Valéria disse...

amei Bethinha... vc sintetizou tudo o que penso... tudo poderia ter sido evitado... depois volto pra comentar com mais calma... e acho que esse assunto ainda vai render mais posts no meu blog, pq me incomoda... beijos

Palavras Vagabundas disse...

Beth,
você tocou no problema crucial. Eu já escrevi em vários blogs que antes de tudo o rapaz era doente, muito doente e não encontrou pessoas (professores, familia e até pastores) que tenham identificado ele ser "estranho" há muito tempo. Defendo que deveríamos ter professores treinados para perceber quando uma criança não está interagindo com os colegas de manera normal e alertar os pais e o Serviço de Saúde! Se tivessemos esse mínimo de cuidado certamente evitariamos muitas tragédias pessoais e não só como as de Realengo ou a daí.
bjs
Jussara

Cida disse...

Concordo com o que você escreveu, e às vezes também me dá vontade de dizer: "pare o mundo que eu quero descer, pois me parece que as coisas estão perdendo o contrôle".

Realmente muito triste!...:(

Beijos, e fique com Deus

Cid@

Pri Sganzerla disse...

Concordo 100%!

Vc sabe como eu penso.

Que sociedade doente, insana e esquizofrênica essa a nossa... Valores deturpados, moral dúbia... Ai, ai, para o mundo que eu também quero descer!

Bjos!

kalina morena disse...

adoro a clareza dos seus textos. talvez nao se de conta do quanto coordena bem as ideias e nao desperdica palavras. cada um traz significado, pode ser obvio meu comentario, mas falo de significado particular aqui. perigoso eh eu ficar lendo e esquecendo aqui das coisa urgentes que me esperam. agora mesmo dei uma pausa na arrumacao do meu quarto e to lendo uns textos seus, Beth.
beijo e uma semana feliz. . .
Kalina

Tecnologia do Blogger.

Das tragédias humanas




Tanta coisa estranha acontecendo pelo mundo afora e tanta coisa dentro da minha cabeça que tem dia que nem sei mais o que escrever por aqui. Meu momento pessoal é de transição, o que é sempre um período delicado (a vida muda o tempo todo né? e se a gente não muda, ela nos obriga a mudar). E eu estou tentando mudar algumas coisas e ao mesmo tempo aceitar outras, como naquela famosa citação:

Deus nos dê serenidade para aceitar as coisas que não podem ser mudadas, coragem para mudar as coisas que podem ser mudadas e sabedoria para distinguir umas das outras.

E aí acontecem tragédias como na escola em Realengo. Como se não bastasse, sábado passado outra tragédia semelhante aqui na Holanda.  E aí vem a mídia cheia de estórias sensacionalistas pra contar,  hipóteses mil, análises feitas por diversos especialistas (porque nessas horas todo mundo sempre tem algo a dizer). Quanto a mim, me vem à mente uma palavra (ou melhor duas): saúde mental.

Mas não se preocupem, não vim aqui pra justificar ninguém matar ou sair atirando porque está deprimido ou perdeu o emprego recentemente (como o rapaz de 24 anos aqui na Holanda). Nada justifica um ato desses. Mas acho que as pessoas deviam parar pra olhar à sua volta. E entender de uma vez por todas que saúde mental é (ou deveria ser) um direito de todo ser humano. E prioridade dos especialistas da saúde.

Porque as pessoas são diferentes e reagem de forma diferente a situações semelhantes. Existem ainda situações diferentes e problemáticas que muitos tem a sorte de nunca conhecer em seu ambiente próximo. Sem falar nos vários tipos de distúrbios mentais já catalogados pra quem está disposto a aprender.

O problema das doenças mentais é que ninguém quer saber de nada (digo isso por experiência própria, leiam aqui). Cada um no seu canto cuidando da sua vida, todo mundo fazendo tudo pra ser normal (e alguns fingindo muito mal). Até o dia em que uma tragédia dessas acontece e vidas são tomadas. E o número de vítimas é publicado em letras garrafais nas manchetes de todos os jornais. Só que esquecem de uma vítima: sim, aquela que causou toda esta tragédia. Uma simples constatação.

Porque vamos combinar assim, uma pessoa de mente sã nunca cometeria uma atrocidade dessas. Essas coisas acontecem porque alguém deixou de perceber algo importante, alguém desprezou possíveis sinais de que algo estava (muito) errado. Família, colegas de trabalho, professores.  Eu acredito que se uma pessoa recebe o tratamento adequado - e no momento adequado, o que raramente é o caso - pode-se evitar muita dor. Estou falando não apenas de doenças mentais como depressão (a qual conheço muito bem), mas esquizofrênia e outros distúrbios de personalidade. Enfim, é preciso cortar o mal pela raiz.

No mais, pàra o mundo que eu quero descer...depois eu é que sou louca.

6 comentários:

Line disse...

“O problema das doenças mentais é que ninguém quer saber de nada...”

É verdade, mas muitas vezes nem mesmo a própria pessoa quer ajuda, ou busca ajuda, ou aceita a prórpia condição. Existe sim muito preconceito, e não somente entre pessoas leigas como nós, mas também entre os própios médicos. Já ouvi minha mãe contando vários casos assim (ela era enfermeira), e recentemente aconteceu com uma amiga que foi buscar ajuda contra uma provável depressão – ela ouviu da médica aqui que tomar remédio era coisa pra pessoa louca e esquizofrênica, e que ela não precisava disso.

Muitas vezes nós não percebemos as “anormalidades” porque algumas pessoas conseguem fingir muito bem. Quem nunca ouviu uma história de suicídio de alguém próximo ou conhecido e pensou assim: “Ah, mas a fulana se matou?! Nossa, nunca poderia imaginar que ela faria uma coisa dessas, parecia tão feliz! “

Não sei, é apenas uma opinião pessoal, um achismo, mas não acho que pessoas matem, torturem, sequestrem por causa de depressão, nem de bullying, ou qualuqer uma dessas novas tendências da sociedade moderna. Acho que essas pessoas fazem isso porque, em algum lugar na cabeça delas, faltou um click, um parafuso, ou algo assim.

Não falo nem de sentimento, de respeito ao próximo, de senso de civilidade, nada disso. Acho que na mente de uma pessoa que comete uma atrocidade dessas, algo muito sério e complexo deve estar acontecendo.

Só tenho pena dessas pessoas que morreram aqui na Holanda, das crianças que morreram em Realengo, e de tantas outras que todos os dias são vítimas de pessoas inconsequentes, sejam elas doentes mentais ou não.

Maria Valéria disse...

amei Bethinha... vc sintetizou tudo o que penso... tudo poderia ter sido evitado... depois volto pra comentar com mais calma... e acho que esse assunto ainda vai render mais posts no meu blog, pq me incomoda... beijos

Palavras Vagabundas disse...

Beth,
você tocou no problema crucial. Eu já escrevi em vários blogs que antes de tudo o rapaz era doente, muito doente e não encontrou pessoas (professores, familia e até pastores) que tenham identificado ele ser "estranho" há muito tempo. Defendo que deveríamos ter professores treinados para perceber quando uma criança não está interagindo com os colegas de manera normal e alertar os pais e o Serviço de Saúde! Se tivessemos esse mínimo de cuidado certamente evitariamos muitas tragédias pessoais e não só como as de Realengo ou a daí.
bjs
Jussara

Cida disse...

Concordo com o que você escreveu, e às vezes também me dá vontade de dizer: "pare o mundo que eu quero descer, pois me parece que as coisas estão perdendo o contrôle".

Realmente muito triste!...:(

Beijos, e fique com Deus

Cid@

Pri Sganzerla disse...

Concordo 100%!

Vc sabe como eu penso.

Que sociedade doente, insana e esquizofrênica essa a nossa... Valores deturpados, moral dúbia... Ai, ai, para o mundo que eu também quero descer!

Bjos!

kalina morena disse...

adoro a clareza dos seus textos. talvez nao se de conta do quanto coordena bem as ideias e nao desperdica palavras. cada um traz significado, pode ser obvio meu comentario, mas falo de significado particular aqui. perigoso eh eu ficar lendo e esquecendo aqui das coisa urgentes que me esperam. agora mesmo dei uma pausa na arrumacao do meu quarto e to lendo uns textos seus, Beth.
beijo e uma semana feliz. . .
Kalina