sábado, dezembro 30, 2006

Saddam, Bush e a Besta do Apocalipse

Sinceramente, com tanta coisa louca acontecendo neste mundo, nem sei mais sobre o que escrever. Hoje a principal manchete de todos os jornais do mundo é o enforcamento de Saddam Hussein, considerado inimigo número 1 dos EUA e mais especificamente, de George Bush.

Sim, o ditador iraquiano cometeu atrocidades e finalmente foi feita justiça pelos crimes cometidos. Segundo palavras de Bush, o enforcamento do ditador foi um marco para a democracia no Iraque. É aí que eu me pergunto: o que o Bush e suas tropas americanas (e aliadas) tinham que fazer no Iraque, pra início de conversa?

Diga-se de passagem, a Comunidade Européia considerou o enforcamento um ato de barbárie - o que era de se esperar porque a CE sempre foi contra a pena de morte (como a maioria dos países civilizados). A velha estória: não se combate violência com mais violência, nem barbárie com mais barbárie. E nesse ponto, eu concordo.

Pra finalizar, (e desculpem o paradoxo pois acabei de dizer que não acredito na violência como solução mas se tem uma pessoa que me tira do sério é este tal Bush) a pergunta que não quer calar: quando será o enforcamento de Bush? Porque convenhamos, ele vem cometendo atrocidades como, apenas para citar um exemplo recente, a guerra do Iraque (onde o número de soldados mortos quase atinge os 3000 e já ultrapassou o número de mortos no atentado de 9-11 em NY, a desculpa que ele usou para atacar o Iraque). E não há um ser neste planeta que consiga fazer com que ele páre de brincar de xerife do mundo!

Tem dias que a gente fica mesmo sem palavras...e nem vou comentar sobre a explosão de violência no Rio nas últimas 48 horas porque já é demais!!! Feliz Ano Novo para vocês assim mesmo...(e não, eu não uso lentes cor-de-rosa).

quinta-feira, dezembro 28, 2006

O fenômeno Orkut

Tem quem odeie, tem quem não viva sem ele. O Orkut faz parte da vida de um número cada vez maior de pessoas e se tornou um fenômeno impossível de ser ignorado. Eu mesma confesso que já tive algumas chateações no orkut (quem não teve que atire a primeira pedra) mas o lado positivo sempre foi mais forte e fez com que eu continuasse lá, enquanto via amigos cometerem orkuticídio pela segunda ou até mesmo, terceira vez...

Cheguei à conclusão de que o Orkut nada mais é do que um reflexo do mundo lá fora. Uma espécie de microcosmos do macrocosmos representado pela sociedade moderna. Basicamente, no mundo orkutiano você encontra os mesmos tipos de pessoas (boas e ruins, bem-intencionadas e outras nem tanto assim) que encontraria em qualquer outro lugar. E não apenas encontra vários tipos de pessoas como pode estabelecer diferentes graus de amizade com cada uma delas - a escolha é unicamente sua!

Algumas dessas amizades terão a chance de se tornarem reais - hoje é cada vez mais comum uma amizade virtual se transformar em uma amizade real (ao vivo e a cores). No mundo em que vivemos hoje, o Orkut pode ser uma ponte, ou melhor ainda, um ponto de partida. Ali são estabelecidos contatos sociais e cada um decide o que faz (ou deixa de fazer) com esses contatos.

Um capítulo à parte são aquelas amizades especiais entre pessoas que nunca se encontraram no mundo físico e no entanto, conseguem estabelecer uma forte conexão, apesar da distância geográfica. Pessoas com quem temos forte empatia (mais do que afinidades) e que, muitas vezes, nos compreendem melhor do que aquelas mais próximas de nós. Eu acredito que exista não apenas distância física, mas distância emocional. Essa última sim é intransponível, mesmo que você veja a pessoa regularmente (um exemplo é a solidão a dois, inimiga de muitos casamentos).

E no final das contas, cada um tem o orkut que merece!

quarta-feira, dezembro 27, 2006

ô filme triste...

Não é brincadeira não, vai gostar de filme triste assim na Cochinchina...Hoje revi My Life Without Me e me dei conta de que o filme é mais triste do que eu lembrava.

Imaginem uma menina de 23 anos, com duas filhinhas de 4 e 6 anos e que mora num trailer no quintal da mãe. Ela mora com as crianças e o marido e embora pobres, eles levam uma vidinha normal.... Até o dia em que ela desmaia, vai para o hospital e depois de alguns exames, descobrem que ela está com câncer nos dois ovários (e ela pensando que estava grávida). Como se não bastasse, o câncer está em estágio avançado e o médico diz que não há mais tratamento. Em suma, ela tem no máximo 3 meses de vida! Com a notícia atravessada na garganta, ela vai para uma lanchonete, pede um café e uma caneta, e começa a escrever uma lista: Things to do before I die (eu avisei que o filme era triste).

O resto do filme vocês podem imaginar...Triste sim, mas com ótimas cenas e diálogos e com uma jovem atriz (Sarah Polley) em uma atuação comovente sem ser sentimentalóide. Diga-se de passagem, o filme é produzido pela distribuidora de filmes do Pedro Almodovar (El Deseo). E quanto a mim, preciso começar a assistir filmes mais leves daqui pra frente. De qualquer forma, este eu recomendo.

domingo, dezembro 24, 2006

Em tempo de natal




Como não podia deixar de ser, meu natal alternativo vai ter muitos filmes, e não necessariamente aqueles clássicos de natal que passam todo ano na TV (e que confesso, também adoro rever, como It´s a Wonderful Life, Miracle on 34th Street e The Wizard of Oz). Ontem já fui na locadora e peguei 5 DVDs para assistir durante a semana.

Os filmes são: Bee Season (2005, foto à esquerda), que assisti ontem, gostei muito e comentarei em breve. Dois filmes da ótima diretora espanhola Isabel Coixet, um que eu já havia assistido, gostei muito e irei rever: My Life Without Me (2003, foto à direita) e o mais recente, The Secret Life of Words (2005). E ainda, Three Times (2005) de Hou Hsiao Hsien, um dos diretores de Taiwan mais falados da atualidade. Pra fechar a programação com chave de ouro, escolhi What the Bleep Down the Rabbit Hole - a continuação do maravilhoso What The Bleep Do We Know que já comentei aqui no blog anteriormente.

Mas agora vou preparar o quiche de bacon e alho-poró que vou levar pra Ceia de Natal entre amigos hoje à noite....fácil de fazer e delicioso!

sábado, dezembro 23, 2006

Coração apertado



Depois de uma semana muito corrida, ontem à noite finalmente deixei meu filho no aeroporto para embarcar pra Inglaterra. Com movimento recorde às vésperas do natal, chegamos com a antecedência necessária e pai e filho fizeram check-in sem problemas. Ainda tivemos tempo de fazer um lanche rápido no Burger King (o Liam está colecionando os brinquedinhos do filme Happy Feet!) e logo depois, acompanhei-os até a área de controle de passaportes (somente passageiros).

Foi ali que meu coração de mãe apertou, meu filho começou a chorar e eu, para encurtar a sessão-tortura, dei logo um abraço bem apertado, um beijo e fui embora - para não me debulhar em lágrimas na frente do menino e principalmente, porque mãe que é mãe evita surtar na frente dos filhos! Além do mais odeio despedidas, poderia escrever um livro sobre elas...Cheguei em casa, fui dormir e pouco depois da meia-noite, o telefone tocou. Atendi e ouvi a voz cansada do Liam dizendo que chegou na casa da avó - e que o avião era muito grande e ele tinha ficado com um pouco de medo...hehehe.

Agora ele vai curtir muito o natal inglês, com direito a ser paparicado pela família (avó, tias, tio e muitos primos) e ganhar muitos presentes. E eu fico aqui muito feliz por ele. Até porque, mãe de filho único tem de aprender a soltar a cria desde cedo...Eu, como filha única, bem sei como é isso. Minha mãe sempre me deixava ir - ficava com o coração apertado e lágrimas nos olhos mas deixava. E hoje eu procuro seguir o exemplo dela e fazer o mesmo com o meu filho. Não é fácil, mas é preciso.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Surtada!

Acabei de ler o blog da querida Tróia e cá estou
eu rindo sozinha (e esta menina escreve que é uma beleza). É que ela disse que anda surtada e que gostaria, ao menos, de aprender a surtar direitinho! Eu, como vivo surtada, achei graça.

Cá entre nós, surtar direitinho é uma arte que eu ainda não consegui dominar após anos de terapia, aulas de tai-chi (desisti em menos de 3 meses), e sessões esporádicas de reiki e acupuntura. To cut a long story short, eu simplesmente surto. E mais, confesso que morro de admiração por aquelas pessoas que conseguem manter a calma e a mente clara, apesar de tudo e de todos. Tem pessoas que o mundo pode cair à sua volta que elas nem se incomodam! Já outras almas mais sensíveis e de natureza impressionável (como a que vos escreve) se abalam com qualquer tempestade - seja uma tempestade de verdade ou a famosa tempestade em copo d´água. Ao menos estou aprendendo a rir das minhas desgraças, o que convenhamos, já é um bom começo!

Merry Christmas


Surfando pelo Flickr.com, achei esta foto irresistível da Pinky St. e decidi publicá-la aqui no meu blog. Aproveito a oportunidade para desejar a meus queridos amigos um Feliz Natal e um 2007 cheio de coisas boas - muita paz, alegria, saúde e sonhos realizados!

Natal...

Natal é sinônimo de presentes, festas e orgias gastronômicas mas acima de tudo, natal é família. E para mim - como para muitos outros por este mundo afora - o natal tem um lado triste. É que nessa data inevitavelmente somos lembrados de que não temos família próxima. No meu caso, não por estarem longe mas simplesmente porque não tenho mais mãe, nem avós, nem irmãos (sou filha única). Pra completar, meu filho vai passar o natal com o pai e a família na Inglaterra (o que eu acho ótimo para ele, não me entendam mal!). Com tudo isso, é quase inevitável a sensação de que estamos sozinhos no mundo nesta data em que tantas famílias se reúnem à mesa para mais uma ceia de natal.

Felizmente, tenho amigos aqui em Amsterdam na mesma situação e todo ano organizamos nossa Ceia de Natal Alternativa. Um leva o filho, outra o namorado ou marido, somam-se mais alguns amigos perdidos pela cidade e pronto: todos comemos, bebemos e celebramos a data em boa companhia. Como eu costumo dizer, meus amigos são minha família - ou ao menos, a família que escolhi.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Amor e amizade

Se fosse citar uma coisa que aprendi este ano, foi que na amizade (como no amor) também existe incompatibilidade de gênios. Aprendi que algumas pessoas podem gostar dos mesmos filmes, ler os mesmos livros e mesmo assim serem incompatíveis. Que as afinidades nem sempre são garantia de uma amizade verdadeira (e que não existem garantias na vida). Que o conceito de amizade é muito amplo e varia de pessoa pra pessoa - e algumas vezes de época para época na mesma pessoa. Porque as pessoas mudam.

E o mais importante, que nunca se deve esperar dos outros o que eles não podem nos dar (seja amigo, marido ou namorado). E aprendi que a vida continua, apesar de tudo. Vivendo e aprendendo.

Reflexões sobre o Natal

Presentes, presentes e mais presentes...Na sociedade de consumo moderna, Natal é, antes de mais nada, sinônimo de presentes.

Mas para quem tem filhos como eu, é importante que as crianças tenham alguma noção do significado do Natal e que percebam a troca de presentes como uma troca de afetos, um ato de doação. Quando comprar presentes passa a ser o único sentido das comemorações de natal, algo está errado. Até porque, comprar muitas vezes nada mais é do que um mero substituto para outros desejos não realizados. E se uma criança é estimulada desde cedo a consumir indiscriminadamente, as chances são grandes de que ela irá incorporar este padrão de consumo pelo resto de sua vida. Comprar passa a ser então uma fuga, um ato quase involuntário.

Como pais, devemos tentar controlar os impulsos consumistas de nossos filhos, bombardeados diariamente pelos comerciais de tv com as últimas novidades nas prateleiras das lojas de brinquedos. E acima de tudo, devemos dar o exemplo em nossos próprios hábitos de consumo. Não, não se pode isolar a criança numa redoma de vidro, ela faz parte do mundo e natal é tempo de ganhar e dar presentes. Mas como tudo na vida, a chave é o equilíbrio.

Pra finalizar, não devemos esquecer que, felizmente, a vida é muito mais do que possuir bens materiais. E algumas das coisas mais importantes que podemos dar a nossos filhos, o dinheiro não compra:

Mais tempo com você
Convivência em família
Tempo livre para lazer
Amigos de verdade
Contato com a natureza
Cultivar a espiritualidade
Aceitação e amor próprio
Respeito a si mesmo e ao próximo
Bons hábitos de saúde
Carinho e proteção

segunda-feira, dezembro 11, 2006



Chove horrores e eu com vontade de comer umas chocolate chip cookies ou tomar um chocolate quente... por sorte (ou azar) não tenho nada disso em casa. Pensando bem, é azar mesmo.

A Paixão pelo Cinema

Li no blog de uma amiga, não resisti e decidi fazer a minha lista de filmes - até porque, hoje está fazendo um dia de chuva horroroso por aqui. Quem me conhece sabe que cinema é a grande paixão da minha vida. Segue a lista com alguns de meus favoritos de todos os tempos (não necessariamente nesta ordem).

Magnolia (1999)
American Beauty (1999)
Secrets and Lies (1996)
A Fond Kiss (2004)
Happiness (1998)
Ghost World (2001)
Virgin Suicides (1999)
Lost in Translation (2003)
Elephant (2003)
Donnie Darko (2001)
Requiem for a Dream (2000)
The Ice Storm (1997)
The Royal Tenenbaums (2001)
The Hours (2002)
A Home at the End of the World (2004)
Annie Hall (1977)
Purple Rose of Cairo (1985)
Hannah and her Sisters (1986)
Le Fabuleux Destin d´Amélie Poulain (2001)
Chacun Cherche son Chat (1996)
My Life without Me (2003)
Before Sunrise (1995)
Before Sunset (2004)
La Double Vie de Veronique (1991)
The Unbearable Lightness of Being (1988)
Henry and June (1990)
Bleu-Blanc-Rouge
Asas do Desejo (1987)
Sonata de Outono (1978)
Cenas de um Casamento (1973)
O Pianista (2002)
Play it Again, Sam (1972)
Kaos (1984)
Before the Rain (1994)
Paisagem na Neblina
Hable con Ella (2002)
Girl with a Pearl Earring (2003)
Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004)
Dogville (2003)
The Edukators (2004)
5 x 2 (2004)
La Femme d'à côté (1981)
A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971)

E entre os clássicos:
Wizard of Oz (1939)
It´s a Wonderful Life (1946)
La Strada (1954)
Le Ballon Rouge (1956)
Morangos Silvestres (1957)
Noites de Cabíria (1957)
Les Quatre Cents Coups (1959)
The Apartment (1960)
Jules et Jim (1962)
O Anjo Exterminador (1962)
Giulietta degli spiriti (1965)
Belle de Jour (1967)
O Discreto Charme da Burguesia (1972)

domingo, dezembro 10, 2006

Procrastinando

É sempre assim: tirei o domingo pra ficar quietinha em casa traduzindo (afinal, tenho de pagar minhas contas) e cá estou eu procrastinando de novo.

Ontem não resisti uma promoção e comprei DVDs de 2 filmes que adoro: A Home at the End of the World (baseado no livro de Michael Cunningham, o autor de The Hours) e Girl with a Pearl Earring (com a adorável Scarlett em mais um papel inesquecível). Não apenas revi o filme do Cunningham - e pasmem, chorei de novo nas mesmas cenas - como ainda fui pra cama acompanhada do mais novo livro dele, Specimen Days.

Hoje traduzi um pouco, dei uma orkutada (não acredito que escrevi isso), li os posts antigos do blog de uma amiga e fiz risotto al funghi de pacotinho (shame on me porque sei fazer risotto de verdade e até tinha o tal funghi em casa mas a preguiça venceu)! Ouvi muito Snow Patrol e um pouco de Madonna (Ray of Light).

Last but not least, joguei um tarô magnífico (me desculpem os incrédulos) como não jogava há tempos, daqueles de lavar a alma. E estou pronta para começar uma nova semana.

Agora só falta terminar a tradução! hehehe...

Minha primeira Pinky St.

Quem costuma ler o meu blog, já deve ter percebido que ando apaixonada pela bonequinha japonesa Pinky St. E já que coloquei uma foto dela no post abaixo, aqui vai a foto da Pinky que ganhei de aniversário da Anna.

Snow Patrol

Não, ainda não está nevando por aqui (eu bem que gostaria, sempre preferi a neve aos dias chuvosos). Snow Patrol é o nome de uma das minhas bandas de rock favoritas da atualidade. Uma banda de Glasgow que já lançou algumas pérolas no mercado como o álbum de estréia Songs for Polar Bears (2000), When It's All Over We Still Have to Clear Up (2001) e Final Straw (2004). Sem falar no recém-lançado Eyes Open (2006), que ainda não tive a oportunidade de conferir mas farei em breve!

sábado, dezembro 09, 2006

Dedicado a uma amiga

Algumas pessoas nasceram para serem líderes, para se engajarem em lutas perdidas (ou nem tanto assim) enquanto a maioria do rebanho prefere fechar os olhos para os problemas do mundo e ter uma vida fácil.

Nos dias de hoje, é cada vez mais raro encontrar um ser pensante no meio do rebanho - alguém que não tenha medo de expôr suas opiniões e, conseqüentemente, de se expôr. Alguém cuja principal meta não seja agradar a gregos e troianos, assegurando seu lugar encima do muro. Alguém que não tenha medo de levantar a voz quando vê uma injustiça ou quando é confrontada com a ignorância alheia. Porque convenhamos, o ser humano é acomodado por natureza (cada um por si, Deus por todos).

Por essas e outras, tenho uma admiração cada vez maior por uma amiga que conheci melhor este ano (não sei como nossos caminhos não se cruzaram antes nessas terras baixas). Pela paixão que ela expressa ao falar das questões sociais, da injustiça no mundo e principalmente, dos injustiçados (os fracos e oprimidos). Pela capacidade crítica, por não aceitar as coisas como lhe são oferecidas de bandeja (o que o rebanho costuma fazer desde os tempos bíblicos) e por decidir por ela mesma o que acha. Em suma, pela sua capacidade de reflexão.

A verdade é que me identifico muito com as idéias dela. E ela ainda tem me lembrado de coisas que eu havia esquecido, uma delas chama-se dever social (ou dever civil). Pessoas bem-informadas, seja qual for a sociedade em que elas vivem, têm como dever contribuir para dissipar as trevas da ignorância - não por serem superiores ou melhores mas porque, no final das contas, estamos todos no mesmo barco (sem exceção) !

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Happy Birthday To Me!

Ontem foi meu aniversário. Diga-se de passagem, não comemoro meu aniversário oficialmente há anos, mas não deixa de ser uma data simbólica. Ainda mais agora, pois de uns tempos pra cá, decidi que eu também tenho direito à felicidade e o que é mais importante - que ela só depende de mim.

Apesar das dificuldades dos últimos anos (e não foram poucas), hoje estou me reconciliando com os erros do passado, aprendendo a me perdoar e reconstruindo meu caminho. E já consigo ver a luz no fim do túnel.

Sou uma sobrevivente e isso fez de mim uma pessoa mais forte. Descobri uma força que eu não sabia ter e aprendi que na vida tudo tem solução, menos a morte, que é definitiva. Aprendi a viver um dia de cada vez. E a agradecer pelo que tenho de mais importante na vida: meu filho e meus amigos. Não sei o que seria da minha vida sem eles.


Das Ilusões (Mário Quintana)
Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto. após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!

sábado, dezembro 02, 2006

3 autores que desisti de ler

Li no blog de uma amiga e como também adoro ler, resolvi colocar minha lista negra aqui também...se bem que já vou avisando, é uma questão meramente pessoal, não tenho a menor pretensão de ser crítica literária (nem poderia).

1. Jonathan Franzen - juro que tentei duas vezes, mas parei na metade do The Corrections (2001), livro muito badalado na mídia e vencedor do prestigioso prêmio literário National Book Award (EUA). Mas agora que o inverno chegou, e como sou teimosa, vou tentar outra vez (ou talvez não, pois admito ter um montão de livros interessantes pra ler aqui em casa no momento).

2. Zadie Smith - autora-prodígio, endeusada pela mídia inglesa graças ao sucesso estrondoso de seu primeiro livro, White Teeth (2000). A obra arrebatou inúmeros prêmios literários, entre eles o Orange Prize for Fiction e o Whitbread First Novel Award. Na verdade, admito que este é um caso duvidoso - o tema do livro me interessa e muito (assisti até a série produzida pela BBC), eu é que comecei o livro na hora errada e não consegui entrar na narrativa (shame on me!).

3. Jorge Amado - me desculpem os baianos, mas eu queria colocar um autor brasileiro na minha lista...Sim, admito ter uma certa cisma com romances regionalistas, embora eles tenham seu papel na Literatura Brasileira (mas eu poderia citar muitos autores melhores, a começar por Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu e Guimarães Rosa). Acho o estilo dele pitoresco demais (a ponto de ser caricatural), o que inclusive colaborou pra criar uma forte imagem do Brasil no exterior que nem sempre corresponde à realidade como um todo mas parte dela - sem dúvida um dos (muitos) Brasis, mas não todo o Brasil.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Esclarecimento final

Só pra esclarecer de uma vez por todas (nem que seja para mim mesma): eu raramente corto relações, mas quando corto, é porque já devia ter cortado há muito tempo. Chega a ser uma questão de sobrevivência. Eu vivo as emoções até a última gota. Foi assim no meu casamento, é assim na amizade (porque amizade também é amor).

O pior é o gosto amargo na boca, a tristeza que a gente sabe que um dia o tempo apaga, a decepção...Descobri que meu problema é que não sei respeitar as leis de comportamento vigentes. A ordem é se fingir de morto, fingir que está tudo bem e seguir em frente como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse mudado dentro de nós. A ordem é fazer cara de paisagem, fingir que não estamos decepcionados e sair pela porta dos fundos, de fininho. E acima de tudo, a ordem é se afastar naturalmente das pessoas, em vez de cortar bruscamente uma relação, como quem arranca uma flor pela raiz (e isso as pessoas não perdoam).

Quanto a mim, eu não sei me fingir de morta. Eu não sei fazer cara de paisagem. No final das contas, prefiro ser eu mesma.

Barra pesada

Impressionante como na minha vida acaba uma batalha, começa outra. Desta vez é a escola do Liam que tem me tirado o sono...alguns de vocês já vem acompanhando essa estória há tempos.

Eu estou simplesmente decepcionada com a escola, porque pra início de conversa, não era o que eu esperava de uma escola que nem sequer normal é (ela se assemelha com o método Montessori, embora diferente - não sei se existe aí no Brasil mas o nome aqui é Jenaplan). E eu escolhi a escola justamente porque acreditei, errôneamente, que eles tivessem uma abordagem diferente das crianças, um pouco fora dos padrões vigentes nos sistemas de ensino tradicionais.

Qual não é a minha surpresa quando, após n reuniões na escola, a pedagoga decide mandá-lo para uma escola de ensino especial (para alunos com sérios problemas de desenvolvimento, autismo, ADHD, etc). O motivo, pasmem: o menino está há 3 meses na classe de alfabetização e ainda não consegue ler e escrever (o que eles esperam?), além de ter dificuldades de concentração, e problemas no motor fino para segurar o lápis (ele sempre teve problemas no desenvolvimento motor).

O mais triste é que me vi obrigada a repetir pela enésima vez que o Liam passou por um período muito delicado no desenvolvimento, antes do divórcio...e que isso deveria ser levado em conta, certamente no quesito concentração (sem falar que ele agora tem duas casas, dois quartos e por aí vai). E convenhamos, eu simplesmente não acredito que falta de concentração e dificuldade de segurar um lápis sejam motivos suficientes para mandar uma criança para uma escola de ensino especial!

Aqui na Holanda, a escola de ensino especial é um estigma, depois que a criança entra neste circuito de ensino, ela raramente consegue voltar ao ensino normal - com todas as consequências que isso implica para o futuro do Liam. Felizmente, eles precisam de autorização dos pais para mudar a criança de escola - autorização que eu e o Jeff não pretendemos dar até que tenham sido tentadas outras possibilidades. Só quem é mãe pra entender o que tenho passado por estes dias...

sábado, novembro 25, 2006

David Gray (dos meus Top 5)

Acabei de me dar conta que estou escrevendo neste blog há 3 meses e ainda não falei de música...então resolvi começar pelo meu artista favorito dos últimos anos: David Gray - aliás, estou ouvindo o álbum aqui do lado agora mesmo, o favorito da minha coleção e eleito unânimamente como clássico pelos críticos (White Ladder, 2000).

Com uma carreira de mais de 10 anos e vários álbuns lançados, o cantor inglês alcançou sucesso estrondoso na Irlanda e na Inglaterra graças a White Ladder, que ficou semanas nas listas de mais vendidos e cuja turnê de shows esgotou totalmente (o show gravado em Dublin é sublime, meu music DVD favorito). Mas o sucesso internacional só veio mesmo em 2002, com o lançamento de A New Day at Midnight. Em 2005, ele lançou Life in Slow Motion, sendo que sua carreira é acompanhada por um fanclub dos mais fiéis em todo o mundo (eu inclusive).

Sua música costuma ser classificada, entre outras coisas, de folk ou alternative (adult) rock, mas eu prefiro simplesmente rock ballad. Em alguns momentos, ele faz lembrar o Damien Rice, que estourou nas paradas com a trilha sonora de Closer ano passado (embora eu já o conhecesse e adorasse beeeeeeeem antes disso). Mas o Damien Rice é um capítulo à parte, então fica para outra vez!

terça-feira, novembro 21, 2006

Feriado nacional

Hoje no meu calendário é feriado nacional...assim sendo, eu não poderia deixar esta data passar em branco. É que hoje faz exatamente 1 ano que meu ex-marido saiu de casa (a papelada do divórcio mesmo saiu no final de março). Só quem já passou por isso pode imaginar o que esta data representa para mim.

Em retrospectiva, posso dizer que minha saúde mental e emocional melhorou muito. E não tenho dúvidas de que foi não apenas a única, mas também a melhor decisão: hoje até somos amigos! (ironia do destino.)

PS. Quem quiser uma fatia do bolo, é só pegar! hehehe...deixei vocês com água na boca de novo.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Pinky, minha outra paixão japonesa!


Comentei anteriormente aqui no blog que peguei o hábito de ficar olhando fotos da Blythe no www.flickr.com. Pois eu gosto ainda mais das lindas e pequeninas Pinky (uma espécie de Polly Pocket japonesa, só que muito mais legal do que a versão da Mattel). Pra quem não pegou minha fase japonesa no orkut (mudei meu álbum de novo, a versão atual é Desperate Housewifes, check it out!), esta foto dá uma idéia do que estou falando (esses dias cinzentos de outono me dão uma vontade de ser criança de novo...).

domingo, novembro 19, 2006

Viajando de avião
Liam vai passar o natal com o pai e a família na Inglaterra. É sua quarta viagem à Inglaterra, mas a segunda vez que ele anda de avião...O menino está apreensivo, a última vez que entrou em um avião ele tinha 8 meses e nem se lembra! Ele também já fez o trajeto de carro (Stena Line) e de trem (EuroStar). A viagem de Stena Line, há 3 anos atrás, foi maravilhosa: jantamos e tomamos café da manhã no restaurante do navio, dormimos em uma cabine com beliche e banheiro, tudo muito confortável! Mas desconfio que ele gostou mesmo foi da viagem de EuroStar com o pai no natal retrasado - Liam é louco por trens!

sábado, novembro 18, 2006

Obra em Aberto

Interessante como qualquer obra literária ou cinematográfica é acima de tudo, uma obra em aberto - ou seja, uma obra aberta a todas as possíveis interpretações (desde as mais óbvias até as mais inviáveis, o céu é o limite). Assim como cada pessoa tem sua experiência e visão do mundo, a sua interpretação de um filme (ou livro) será sempre baseada em sua experiência ou visão de mundo. E no final das contas, não existe apenas O filme, mas vários filmes. Não existe apenas O livro, mas vários livros.

Eu acho interessante ler comentários de outras pessoas sobre um mesmo filme...embora muitas vezes eu tenha a nítida sensação de que assistimos filmes diferentes. O mais engraçado (ou constrangedor) é quando você vai a uma sessão de cinema com um amigo e ao discutirem o filme na saída, você desconfia (com razão) que assistiram dois filmes diferentes! Felizmente, isso raramente acontece comigo - até porque, tenho o hábito de assistir filmes estranhos com gente esquisita, rsrsrs.

A questão da interpretação é um assunto discutido à exaustão em aulas de análise literária e conhecida daqueles que, como eu, cursaram uma Faculdade de Letras. Até que ponto é possível fazer uma interpretação objetiva de uma experiência subjetiva (e assistir um filme ou ler um livro é uma experiência subjetiva). E sim, existem ferramentas para analisar essas obras, a começar pelos cursos de Cinema e Teoria Literária. Mas em princípio, uma obra sempre será uma obra em aberto.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Recebi de uma amiga

Há muito tempo, num reino distante, havia um rei que não acreditava na bondade de Deus. Havia, porém, um súdito que em todas as situações lhe dizia:"Meu rei, não desanime porque tudo que Deus faz é perfeito, Ele não erra!"

Um dia, eles saíram para caçar e uma fera atacou o rei. O súdito conseguiu matar o animal, mas não pôde evitar que sua majestade perdesse um dedo da mão. Furioso e sem mostrar gratidão por ter sido salvo, o nobre disse: "Deus é bom? Se Ele fosse bom eu não teria sido atacado e perdido o meu dedo." O servo apenas respondeu: "Meu Rei, apesar de todas essas coisas, só posso dizer-lhe que Deus é bom, é que mesmo perder um dedo é para o seu bem. Tudo o que Deus faz é perfeito, Ele nunca erra!"

Indignado com a resposta, o rei mandou prender o súdito. Tempos depois, saiu para uma outra caçada e foi capturado por selvagens que faziam sacrifícios humanos. Já no altar, prontos para sacrificar o nobre, os selvagens perceberam que a vítima não tinha um dos dedos e o soltaram: ele não era perfeito para ser oferecido aos deuses. Ao voltar para o palácio, mandou soltar o súdito e o recebeu afetuosamente.

"Meu caro, Deus foi realmente bom comigo! Escapei de ser sacrificado pelos selvagens justamente por não ter um dedo. Mas tenho uma dúvida. Se Deus é tão bom, por que permitiu que você, que tanto o defende, fosse preso?" "Meu rei, se eu tivesse ido com o senhor nessa caçada, teria sido sacrificado em seu lugar, pois não me falta dedo algum.Por isso, lembre-se:tudo o que Deus faz é perfeito, Ele nunca erra!"

Muitas vezes nos queixamos da vida e das coisas aparentemente ruins que nos acontecem, esquecendo-nos que nada é por acaso e que tudo tem um propósito.Todas as manhãs, ofereça seu dia à Presença Divina que habita seu coração.Peça-Lhe para inspirar seus pensamentos, guiar seus atos, apaziguar seus sentimentos. E nada tema, pois Deus nunca erra!

quinta-feira, novembro 16, 2006

Engraçado...

Engraçado como a vida da gente muda. A vida que eu tinha antes de ter meu filho por exemplo, praticamente deixou de existir. Mais do que a mudança de continente (que fiz há 13 anos), a maternidade foi um divisor de águas. Antes de ser mãe, minha vida não era muito diferente daquela de uma amiga blogueira: viagens curtas, restaurantes, shows de rock e acima de tudo, muito cinema. Foi a fase de namorar, morar junto, muitas orgias gastronômicas e otras cositas más que não me atrevo a mencionar em um blog público, hehehe. Essa fase durou uns 5 anos...os 5 anos seguintes foram bem outra coisa, com um bebê pra cuidar sozinha e sem tempo pra cuidar de mim mesma (nem do meu casamento, nem da minha carreira). Se ser mãe por si só já é difícil, ser mãe no exterior - longe da família e em uma cultura totalmente diferente - é muito mais complicado do que as pessoas costumam imaginar.

Só sei que prometi a mim mesma nunca colocar a culpa no meu filho. E nem poderia, pois a culpa não foi dele e sim de um conjunto de fatores (a começar por um casamento fadado ao fracasso). Mas não vou mentir: quase sete anos depois, continuo tentando me adaptar à nova vida. Continuo tentando retomar o fio da meada. E a boa notícia é que, desde o divórcio, sinto que estou mais próxima de me reconciliar comigo mesma, sinto que estou conseguindo recriar a minha vida. Sem falar que a guarda alternada tem provado ser a solução ideal.

Não me entendam mal: não é o fim da linha, muito menos o fim do mundo. E eu desconfio que o segredo seja aceitar o que não podemos mudar e tentar mudar o que pode ser mudado. Com o passar dos anos, aprendi a definir minhas prioridades. Pouco a pouco, comecei a perceber onde foi que as coisas começaram a dar errado. E um belo dia, compreendi que não é uma questão de colocar a culpa em alguém (ou em si mesmo) pelos erros que cometemos, até porque todos cometemos erros.

Confesso que em algum momento da estrada, cometi um erro de cálculo pelo qual ainda tenho dificuldades de me perdoar - mas sei que perdoar a si mesmo é o primeiro passo para uma nova vida. E a vida muda o tempo todo, ainda bem!

segunda-feira, novembro 13, 2006

À Moda Antiga



Não sei se estou ficando nostálgica ou velha (só sei que não pretendo ser avó por muitos e muitos anos), mas achei umas ilustrações belíssimas no Flickr - como esta aqui para ilustrar meu post sobre muffins, cookies e pancakes! Sou fascinada por ilustrações de livros infantis e dos anos 50 e 60, também chamadas de Vintage.

Sobre guloseimas


Mais uma mania que eu podia ter colocado na minha lista: muffins, cookies e pancakes!

Há tempos atrás comprei um Livro de Muffins e desde então venho testando receitas - desde os tradicionais muffins de chocolate, até muffins de maçã com canela, banana com nozes, banana com manteiga de amendoim (peanut butter), etc. Minha outra paixão secreta são os biscoitos caseiros, como as irresistíveis chocolate chip cookies e todas suas variações - ainda bem que agora tenho uma criança em casa pra me ajudar a comer!

As pancakes são um capítulo a parte, aqui na Holanda tem uma coisa maravilhosa chamada poffertjes (mini-panquecas macias, servidas com calda, açúcar de confeiteiro e manteiga, foto à esquerda). Como se não bastasse, ainda tem a tentação dos Belgische Waffels (foto à direita), que nesta época do ano são feitos na hora e vendidos em barraquinhas espalhadas pela cidade (com ou sem calda de chocolate!!!).

domingo, novembro 12, 2006

Um dia de cada vez

Hoje só quero dizer uma coisa: há luz no fim do túnel. As traduções estão começando a aparecer de novo e arrumei uma aluna pra dar aulas semanais de holandês, enquanto as vacas andam magras...

O negócio é não desistir e seguir em frente com a cara e a coragem. As coisas sempre melhoram - e sim, eu já devia saber disso pois já fui salva na hora H inúmeras vezes.

terça-feira, novembro 07, 2006

Não sei se sou eu mas tem épocas na vida que tudo parece ficar em suspenso, em que concluímos (com muito custo) uma fase da vida e nos preparamos para iniciar outra: transições. Época em que sentimos que algo está prestes a acontecer e a gente segura a respiração e agüenta firme. Hoje tudo que eu queria era resolver minha situação profissional - depois do divórcio é a minha maior meta para os próximos anos. Termina uma batalha, começa outra. O que não me mata, me fortalece.

Estou sem saco, sem inspiração, sem traduções e sem dinheiro - preciso dizer mais alguma coisa? Me vem à mente um dos meus poemas favoritos de Paulo Leminski:

podem ficar com a realidade
esse baixo astral em que tudo entra pelo cano
eu quero viver de verdade

eu fico com o cinema americano


sábado, novembro 04, 2006

O cúmulo da procrastinação



Descobri o cúmulo da procrastinação e no meu caso ele se chama www.flickr.com.

Pelo amor de Deus, as fotos do site são fantásticas e muito superiores às que vi até hoje no Fotolog. São fotos de amadores e profissionais agrupadas em categorias (clusters) para todos os gostos...lugares, pessoas, carros, flores, brinquedos, bichos de estimação, comida e tudo o mais que sua imaginação possa sonhar, você encontra no flickr.

Eu mesma achei páginas e páginas dedicadas às bonecas mais cobiçadas do planeta (as Blythe da foto acima: collector´s item made in Japan), revi lugares por onde andei (como Paris e Londres), vi lugares que ainda quero conhecer (como Cingapura e Sydney), encontrei peças de artesanato exclusivas e me inspirei com belas fotos de decoração. Em suma, tem de tudo pra todo mundo.

O cúmulo da procrastinação...

sexta-feira, novembro 03, 2006

Sessão de cinema: Little Miss Sunshine

Maravilhoso, comovente, hilário. Little Miss Sunshine é uma pérola, uma comédia inteligente (e acima de tudo, sarcástica) sobre uma família totalmente dysfunctional em Albuquerque, New Mexico. A mãe, sempre tentando manter a paz do lar a todo custo. O pai, um exemplo vivo da mentalidade americana e do mito do self-made man, cuja maior meta é vender seu programa de motivação em 9 etapas (Como ser um vencedor!). O filho adolescente, em plena crise existencial e fissurado por Nietzsche. Frank, irmão da mãe e professor universitário especializado em Proust, que acaba de ser buscado no hospital após uma tentativa de suicídio. O avô, que fala o que pensa sem a menor cerimônia e é responsável por algumas das cenas mais hilárias do filme (e que foi expulso do asilo de velhos por usar heroína). E a personagem principal, Olive (a Little Miss Sunshine do título), uma menina de 7 anos cujo maior sonho é ganhar um concurso de Miss!

O filme é, antes de mais nada, uma sátira ao american way of life e retrata uma das maiores obsessões dos EUA (e do mundo moderno), a questão do sucesso, que poderia ser resumida na seguinte pergunta: do you want to be a winner or a loser?

Com muito humor, o filme questiona valores preconcebidos e nos mostra ainda que os losers também podem ser felizes à sua maneira. Em suma, seja você mesmo e seja feliz! Imperdível.

Missão cumprida

Minha querida amiga Tróia volta e meia me faz uma intimação e desta vez decidi atender ao pedido dela. Ela me pediu pra escrever sobre cinco manias que eu tenho, então vamos tentar...

1. Mania de cinema: sou cinéfila de carteirinha há mais de 20 anos, já freqüentei muita cinemateca, mostras e festivais de cinema. Cinema pra mim é mais do que mania, é a grande paixão da minha vida. Sinceramente, não sei o que seria de mim sem os filmes que assisti e ainda assistirei. Sem dúvida, devo muito da pessoa que sou hoje aos filmes que assisti (entre outras coisas, é claro).

2. Mania de ler: depois dos filmes, os livros - sou rata de livraria assumida! Meus grandes companheiros desde criança, leio desde que aprendi a ler. E sim, o pior analfabeto não é o que não sabe ler mas aquele que sabe ler e não lê...Nada como a companhia de um bom livro nas noites escuras e frias de inverno (é, o inverno está chegando aqui no norte europeu).

3. Mania de procrastinar: não sei se é mania, mas certamente é um defeito. A procrastinação tem sido minha companheira há anos, horrible but true. Comprei até um livro sobre o assunto que, obviamente, virou meu livro de cabeceira: The Procrastinator´s Handbook (Mastering the Art of Doing it Now) de Rita Emmett. Tróia, temos uma mania em comum, rsrsrs.

4. Mania de gastar dinheiro: pensando bem, isso não é mania - é defeito e dos grandes! Ainda mais porque não tenho renda fixa, trabalho como freelance. Quando entra grana, eu gasto, gasto e gasto mais ainda. E quando não tenho projetos, muitas vezes acabo tendo de pedir dinheiro emprestado pra pagar as contas. Péssimo, péssimo mesmo. Shame on You!

5. Mania de comer: tenho vergonha de dizer mas infelizmente sou daquelas pessoas que come quando está feliz, quando está infeliz, quando está ansiosa, para celebrar algo, para me confortar quando estou triste e por ai vai...mais do que uma mania inofensiva, desconfio que a comida seja uma obsessão na minha vida. E sim, estou muito acima do meu peso e não, não digo quanto peso nem por todo ouro neste mundo. Eu adoro os prazeres da mesa e também gosto de cozinhar (sei fazer muffins deliciosos, ainda bem que meu filho me ajuda a comê-los!)

terça-feira, outubro 31, 2006

Mais Scarlett Johansson

Não bastasse ter assistido Match Point (2005), Lost in Translation(2003), Girl with a Pearl Earring (2003) e Ghost World (2001), assisti esta semana mais dois filmes com a minha atriz favorita: A Good Woman (2004) e A Love Song for Bobby Long (2004).

A Good Woman é baseado no livro Lady Windermere's Fan de Oscar Wilde, o polêmico escritor irlandês. A Love Song for Bobby Long é uma história de misfits, escritores malditos, poetas, desilusões, erros do passado e algumas surpresas inesperadas, tendo como pano de fundo a boêmia cidade de New Orleans. Como todo enredo menos digerível, o filme divide os expectadores, alguns adoram, outros odeiam - eu achei o filme excelente, sem falar na ótima atuação da Scarlett e uma trilha sonora interessante (Grayson Capps).

Pra completar minha Scarlett week, ontem revi na tv um dos primeiros filmes da atriz, quando ela ainda era pouco conhecida - The Horse Whisperer. E agora aguardo ansiosamente o lançamento em novembro de Scoop, o novo filme do Woody Allen (com quem ela filmou Match Point).

Mensagem anônima

Queria deixar registrado que adorei a mensagem que um anônimo me enviou, confiram abaixo o texto. Um presente especial, como o sol que resolveu aparecer hoje ou ainda, um buquê de girassóis - uma mensagem de carinho, mas acima de tudo de esperança e perseverança em momentos difíceis. E chegou em boa hora, hoje que acordei sem vontade de sair da cama... minha vida tem sido uma batalha há anos e quando consigo reunir forças para me levantar e continuar meu caminho, acontece mais um imprevisto.

O último foi um acidente com a minha gatinha semana passada que me custou 400 euros quando já estou super dura (a gata está se recuperando bem mas a minha conta está zerada). E quando tudo que eu queria agora era um pouco de colo, as pessoas só dizem pra você ser forte e seguir em frente (e com razão, porque a vida não espera). Sim, estou cansada mas sei que sobreviverei mais esta (sou uma sobrevivente). Segue o texto que ganhei de presente.

Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria:
acesso ao sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora...
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída. (Mahatma Gandhi)

Obrigada, anônima(o).

domingo, outubro 29, 2006

O mundo de cada um, cada um no seu mundo

Ainda digerindo o fim de uma amizade, hoje me dei conta que em qualquer tipo de relação humana (seja casamento ou amizade), nem sempre gostar de uma pessoa é suficiente para que possamos conviver com ela. Uma revelação dolorosa, porque na verdade gostaríamos de conviver com todos em igualdade, o que muitas vezes simplesmente não é possível. No final das contas, é cada um no seu mundo.

O problema surge quando duas pessoas habitam dois mundos diferentes e quase antagônicos (aqui os otimistas usariam o termo complementares). E assim como no casamento se ilude quem acha que pode mudar o outro, na amizade é o mesmo, em maior ou menor grau. Não adianta querer carregar alguém pro seu mundo quando eles nunca farão parte dele – seja por mera questão de temperamento, bagagem de vida ou predisposição genética (uma longa discussão que prefiro deixar para outro dia).

O que complica ainda mais é o fato de a natureza humana buscar definições e categorias – definimos categorias para tentar entender o que na verdade não entendemos. O perigo é quando passamos a dividir as pessoas em categorias fixas: otimistas x pessimistas, alegres x ranzinzas, etc. Aí deixamos de ver que uma pessoa otimista também tem seus dias ruins e uma pessoa pessimista também tem seus dias de sorte. O ser humano é muito mais complexo do que as categorias que existem para classificá-lo.

Esta categorização (ou polarização) apenas exacerba as diferenças e restringe as possibilidades. Quando uma pessoa começa a ver a outra como apenas isso ou aquilo, sobra pouco espaço para troca. Para existir troca, as pessoas devem ser capazes de aceitar o todo e não apenas as partes. Me explicando melhor: a amizade deve dar espaço para que a pessoa seja não apenas uma coisa, mas também outra. Quando somos forçados a nos encaixar em apenas um modelo de comportamento, a amizade está fadada ao fracasso.

Para concluir, é fato que existem pessoas que já nascem predispostas à felicidade e outras nem tanto. Cientistas sociais, psicólogos e psiquiatras sabem há tempos que existe uma certa predisposição genética para a felicidade - como ela é definida pela sociedade moderna pois a felicidade é, acima de tudo, um valor pessoal.

Assim sendo, uma pessoa que sofre de doenças mentais (também sabiamente chamadas de distúrbios afetivos), sofre duplamente: pela doença propriamente dita e pela ignorância do mundo ao seu redor que espera um comportamento que ela nunca poderá ter, embora alguns comportamentos possam ser aprendidos (PNL).

Não, o rótulo não faz a pessoa mas a doença faz parte do todo. E o que alguns chamam de determinismo, outros chamam de ciência. Fica a pergunta: o copo está quase cheio ou quase vazio?

sexta-feira, outubro 27, 2006

Férias escolares, parte II


Hoje passamos a tarde no Artis, o zoológico de Amsterdam, meu filho é associado e além de não pagar entrada, ainda me levou de convidada! Na falta de melhor programa, o zoológico é sempre diversão garantida para a garotada. E o de Amsterdam foi renovado nos últimos anos e está cada vez melhor. Além das usuais atrações, há um planetário, aquarium e vários cafés espalhados pelo local, além de playgrounds para todas as idades, desde os mais pequenos até as crianças maiores.

Hoje fomos presenteados com um belo dia de outono e além de rever girafas, elefantes, gorilas e chimpanzés, aproveitei pra matar saudades de meus bichos favoritos - os divertidos leões marinhos, o urso polar, os pinguins e os adoráveis racoons (quaxinim no meu dicionário Inglês-Português). Meu filho, por sua vez, não podia deixar de fazer sua visita às cobras, lagartos e jacarés...coisas de menino, nem adianta discutir!

Para concluir, visitamos ainda o recém-inaugurado Vlinder Tuin (Jardim das Borboletas, foto acima). Convenhamos, tem coisa melhor do que ser criança?!!

Férias escolares...de novo!



Aqui na Holanda as crianças parece que vivem de férias. Férias de primavera (1 semana), férias de verão (6 semanas em agosto e setembro), férias de outono (1 semana), férias de natal (10 dias), e por aí vai...Como resultado, mal me recupero de umas férias e logo vem outra surgindo no horizonte.

Estas férias de outono fizemos dois programas especiais. O primeiro foi o evento anual LEGO WORLD, o paraíso na terra para os pequenos fãs dos famosos blocos de construção - e acreditem, não estou exagerando! Meu filho é fanático por LEGO e há tempos constrói melhor do que eu. Trens, ônibus, carros de bombeiro, aviões, helicópteros e tudo o mais que os meninos tanto adoram (sem falar nos Bionicles).

Aqui na Europa, apesar de caro, LEGO é um dos brinquedos favoritos - tanto das crianças como dos pais (e avós). E com toda razão, pois além de super resistentes, os blocos são educativos e estimulam o desenvolvimento. E talvez o mais importante: LEGO é sinônimo de horas de diversão nas tardes chuvosas de outono e nos frios dias de inverno do norte europeu. Combinados a um chocolate quente, pipoca feita em casa e um bom filme infantil em DVD, devo admitir que sobrevivemos!

sexta-feira, outubro 20, 2006

A Coisa

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

(Mário Quintana em Caderno H)

O Outono

Ando de saco cheio, sem vontade de fazer nada a não ser procrastinar (a arte da procrastinação ainda renderá outro tópico por aqui). Impressionante como a mudança das estações me afeta, principalmente a chegada do outono no hemisfério norte, que me remete imediatamente ao longo e tenebroso inverno que o sucede, dias curtos e noites longas.

Noites em claro em que acordo no meio da noite e não consigo dormir por horas, com tanta coisa na cabeça, coisas boas e coisas ruins...hemisfério sul, hemisfério norte, meus fantasmas me acompanham onde quer que eu vá (não tem como fugir da gente mesmo). Uma coisa ao menos é certa: melhor se arrepender das coisas que você fez do que daquelas que deixou de fazer. Em toda a minha vida, talvez tenha me arrependido de umas duas ou três coisas que fiz...e mesmo essas coisas têm sua devida importância porque me tornaram a pessoa que sou hoje! O que não me mata, me fortalece.

Por outro lado, as coisas que, por uma razão ou outra, deixei de fazer ou não pude fazer em um determinado momento, estas me tiram o sono. É quando eu penso: um dia de cada vez, não se pode ter tudo na vida. Sim, tem horas que a gente só consegue usar clichês -- e me desculpem os incomodados mas o ser humano por si só já é um clichê.

A vida é feita de sonhos - alguns realizados, outros não, e outros tantos que aprendemos a abrir mão ao longo do caminho para podermos seguir em frente. O que me resta é a profunda convicção de que a gente sempre faz o melhor que pode em um determinado momento.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Recordações de viagem

Saudades das muitas viagens que fiz, hoje decidi postar imagens em vez de palavras. Começando pelo começo: Dublin. Minha porta de entrada para a Europa, onde cheguei em dezembro de 1993. Na foto: o rio Liffey.


Trinity College, uma das instituições de ensino mais famosas da Europa. Na foto abaixo, o Irish Film Center em Temple Bar, meu lugar favorito para assistir filmes, entre eles, a Mostra de Cinema Francês.




Temple Bar, bairro com uma variedade de pubs e cafés que atraem o público jovem, e o nome deste pub na esquina. Aqui é onde a noite acontece na capital irlandesa.


O tradicional Bewley´s Café da Grafton Street onde passei algumas tardes chuvosas de domingo tomando chá com danish pastries e batendo papo com amigos.




sexta-feira, outubro 13, 2006

Sobre blogs e blogueiros

Para cada tipo de blogueiro existe um tipo de blog, cada um com seu devido valor. Uns escrevem por necessidade, outros por prazer. Outros ainda simplesmente por escrever, sem maiores pretensões do que a de ter um blog. Blogs “extrovertidos”, que descrevem acontecimentos externos e blogs “contemplativos”, que descrevem processos internos. E há ainda aqueles que fazem a gente rir.

Quem acompanha minha trajetória aqui já percebeu que eu escrevo por pura necessidade. Mas tenho uma amiga que escreve pelo simples prazer das palavras (e como é gostoso ler o que ela escreve). Ela brinca com as palavras e seus significados, coisa de escritor que já nasce feito!

Quanto a mim, me satisfaço em brincar com meus pensamentos e em tentar organizá-los em palavras. Talvez uma tentativa inconsciente (mas nem tanto assim) de colocar ordem no caos. No final das contas, escrevo para tentar entender a mim mesma. E com alguma sorte, para entender o sentido da vida.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Preocupação de mãe

Enquanto o Liam se preocupa com seu presente de natal eu, como toda mãe que se preze, tenho outras preocupações na cabeça. É que semana passada tive (mais) uma reunião na escola com a professora e a pedagoga. Devido a problemas no desenvolvimento, Liam vem sendo testado há mais de ano por uma equipe multidisciplinar - ainda sem diagnóstico definitivo. Falava-se em Síndrome de Asperger, agora em PDD-NOS, e eu ultimamente tenho desconfiado de algo mais óbvio: dislexia. PDD-NOS é um distúrbio pervasivo de desenvolvimento que se encontra no espectro do autismo - embora seja uma forma bem mais leve que passa muitas vezes despercebida, e na maioria dos casos a criança nem precisa ir para uma escola especial, como nos casos clássicos de autismo.

Eu, que não sou pedagoga nem psiquiatra infantil mas apenas mãe, sugeri desde o início que possa ser uma reação emocional às dificuldades que tivemos em casa nos últimos anos. Uma reação até normal, ainda mais depois de ler em um livro que as crises antes do divórcio podem afetar uma criança tanto ou mais quanto o que vem depois dele. E aqui em casa, o período que antecedeu o divórcio foi muito pior (hoje não apenas temos guarda alternada como nos falamos regularmente e sem maiores conflitos).

No final das contas, se trata do fenômeno que discuti ontem com uma amiga. No tempo da minha mãe, não existiam tantas crianças autistas, com síndrome de Asperger, ADHD, etc. Hoje em dia, se você não prestar atenção, mais cedo ou mais tarde seu filho será rotulado (receio que muitas vezes indevidamente). The worst case scenario já é rotina nos EUA: crianças que crescem tomando Ritalin (tratamento para ADHD) ou mesmo Prozac (antidepressivo).

Nessas horas me pergunto em que mundo estamos vivendo e temo que a sociedade moderna esteja cada dia mais doente...que futuro esperar para nossos filhos? A vida sem dúvida era muito mais simples quando eu ainda acreditava em Papai Noel (e no coelhinho da Páscoa).

Preocupação de criança


Quem pensa que vida de criança é fácil, está enganado! Mal chegou outubro e Liam não apenas já escolheu seu presente de natal (um set de trem elétrico) como me perguntou hoje cedo como ter certeza de que o Papai Noel saberia o presente certo. Eu disse que podíamos mandar uma carta explicando o que ele deseja ganhar mas ele insiste: e como a carta vai chegar no Polo Norte? E eu respondo, sem pensar muito: de avião, como todas as outras cartas!

E ele, ainda insatisfeito: mãe, mas não esquece de dizer que é o trem Thalys da Intertoys, está bom? Eu sei que o Papai Noel sempre traz presentes bonitos, mas é que eu quero muito este trem.

E já que estamos falando de natal, eu só queria o DVD de Grey´s Anatomy (série 1) que acaba de sair nas lojas daqui!

PS. Para os desavisados, Thalys é o trem que faz o percurso Amsterdam-Paris, que fizemos em abril no aniversário do Liam. Desnecessário dizer que a viagem de trem por si só já foi um presente inesquecível! Como é gostoso ser criança.

terça-feira, outubro 10, 2006

Injeção de ânimo

Hoje à tarde fiz uma das coisas que mais curto fazer nesses dias de outono: ir a um café bater papo com uma amiga. Para quem estava desanimada e nem queria sair de casa, descobri que encontrar com a Anna é uma injeção de ânimo: e funciona na hora! Após dias de muita turbulência e instabilidade meteorológica (no sentido literal e figurado), voltei pra casa devidamente reanimada e já me sentindo mais leve. Nada como uma companhia agradável para espantar as nuvens que pairam ameaçadoras no horizonte. Nada como uma amiga genuinamente interessada para nos ajudar a ver as coisas como elas realmente são - nem mais, nem menos. São pessoas assim que nos facilitam a travessia em tempos turbulentos.

A verdade é que estou passando por um daqueles processos inevitáveis na vida de todos nós em que precisamos redefinir nosso círculo de amizades. Como outra amiga, também muito sábia, bem soube resumir: estou fazendo uma faxina emocional na minha vida, iniciada com o divórcio, há menos de um ano.

E ao redefinir minhas relações e repensar conceitos hoje - como o conceito de amizade, tão recorrente nos meus últimos posts - começo a ter a nítida sensação de estar voltando pra casa. E o que talvez seja o mais importante, tenho sido coerente comigo mesma, uma sensação de alívio inigualável.

No final das contas, tudo acaba bem.

segunda-feira, outubro 09, 2006

tempo instável, nuvens esparsas e probabilidade de chuvas e tempestades. e ainda sem previsões meteorológicas para a próxima semana (volto quando as nuvens clarearem).

quinta-feira, outubro 05, 2006

Auto-retrato

instável, emotiva, tagarela, mas também profunda e contemplativa, dada a divagações sobre a vida, a morte, e tudo o que vem (ou não) depois dela. extrovertida com períodos agudos de introversão. alguém que sabe apreciar tanto a boa companhia quanto os momentos de solidão. mística, acredita que nada na vida acontece por acaso (e por via das dúvidas, sabe ler as cartas do tarô). apreciadora das coisas boas da vida e principalmente da sétima arte (e dos bons vinhos).

sincera ao ponto de ser rude (tentando mudar), mas acima de tudo uma pessoa (hiper)sensível e apaixonada por seus amigos. e pra não dizer que só falei de flores: carente, hipocondríaca, ansiosa, depressiva, enfim...humana.

E por falar em Scarlet Johansson

Can you keep a secret? I'm trying to organize a prison break. We have to first get out of this bar, then the hotel, then the city, and then the country. Are you in or you out?


Não resisti e decidi falar sobre um dos meus filmes favoritos dos últimos tempos: Lost in Translation.

Dois personagens perdidos em Tóquio, dois personagens vivendo crises pessoais que se cruzam no lounge-bar de um hotel 5 estrelas e tornam-se inseparáveis, cúmplices do destino. Ela, uma jovem recém-formada e casada há pouco tempo que veio acompanhar o marido fotógrafo em uma viagem a trabalho. Ele, um ator cinquentão em plena crise de meia-idade, em fim de carreira e casado há mais de 20 anos.

Compreensível a escolha de Tóquio como cenário do filme. Uma cidade estranha (aos olhos ocidentais) que reforça ainda mais o sentimento de estranhamento de ambos os personagens, que perderam o rumo de suas próprias vidas. É essa cumplicidade que faz com que eles criem um vínculo interessante e pouco usual nas telas de cinema.

Um filme em que as imagens valem mais do que as palavras, em que o que é dito nas entrelinhas é tão ou mais importante do que o que é dito nas inúmeras conversas entre os protagonistas. Fica aquela sensação inevitável de estranhamento - do mundo ao seu redor e, acima de tudo, de si mesmo - tão familiar a alguns de nós, humildes mortais.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Sessão de cinema: Match Point

People are afraid to face how great a part of life is dependent on luck. There are moments in the match when the ball hits the top of the net and for a split second it can either go forward or fall back. With a little luck it goes forward and you win or maybe it doesn´t, and you lose.”

Acabei de assistir Match Point, o último filme de Woody Allen. Como eu não esperava nada do filme (apesar de ele ser um de meus diretores favoritos), devo admitir que o filme surpreendeu. Sem falar na atuação sedutora de uma das minhas atrizes favoritas da atualidade: Scarlett Johansson (Lost in Translation e Girl with a Pearl Earring, entre outros).

O enredo é interessante, para não dizer macabro (não vou dizer mais nada porque senão estrago o prazer de quem ainda não assistiu). Chris, um rapaz irlandês de origem humilde, muda-se para Londres e, em busca de ascensão social, decide dar aulas de tênis em um clube exclusivo, onde tem a sorte de conhecer a filha de um magnata. Eles começam a namorar e ele cai nas graças da família dela, o que lhe assegura um ótimo emprego e uma vida bastante confortável. Tudo isso até que por obra do destino, ele se apaixona perdidamente por Nola, a então noiva de seu futuro cunhado. Aspirante à atriz, Nola é acima de tudo uma femme fatale no melhor estilo de Hollywood. Eles acabam se envolvendo e mesmo depois que Tom termina o relacionamento com Nola, ela e Chris continuam se encontrando às escondidas. Até que mais um golpe do destino o obriga a tomar uma decisão importante.

No estilo de Crimes and Misdemeanors, pode-se dizer que o filme lida basicamente com dois temas: sorte e destino. A chave do filme está nas palavras narradas logo na abertura do filme e ilustradas com maestria na cena do anel, mais para o final.

domingo, outubro 01, 2006

A loucura nossa de cada dia

Com os avanços na psiquiatria e a possibilidade de diagnósticos cada vez mais precisos, o mundo moderno vem sendo habitado por um número cada vez maior de bipolares, depressivos e borderliners. Mas eu desconfio que esses distúrbios sempre existiram, eles apenas ainda não haviam sido catalogados e diagnosticados. O que parece persistir até os dias de hoje é a ignorância - ignorância daqueles que não viveram um distúrbio mental na pele ou na família.

Pessoas que acreditam que tudo é uma questão de força de vontade, de pensar positivo e fazer caminhadas diárias no parque, fazer uma alimentação saudável (muitas frutas e verduras frescas) e dormir 8 horas por dia. Quem um dia sofreu de depressão sabe que isso não apenas não funciona, como ainda deixa a pessoa se sentindo ainda mais culpada...e deprimida! Nesses momentos, os amigos podem se transformar em inimigos porque não apenas não compreendem como esperam da pessoa algo que para ela é impossível. A verdade é que pensar positivo e fazer caminhadas diárias não são coisas que uma pessoa realmente deprimida é capaz de fazer. Na maioria dos casos, o que funciona mesmo é uma combinação de medicamentos (antidepressivos) e terapia.

Eu mesma fui diagnosticada há 2 anos com depressão dupla (distimia e depressão clínica), e a partir daquele momento, algumas coisas subitamente começaram a fazer sentido. A jornada é longa: primeiro o diagnóstico, depois o tratamento adequado e finalmente, a cura (sim, a cura é possível mesmo que em alguns casos existam reincidências).

Mas estou escrevendo isso porque recentemente uma amiga foi diagnosticada como bipolar e eu entendo perfeitamente o que ela está passando...como eu mesma disse a ela outro dia ao telefone: o pior não é a doença em si, mas a ignorância das pessoas. Você acaba sofrendo duplamente: pela doença e pela falta de compreensão das pessoas ao seu redor. Por outro lado, o diagnóstico não é desculpa pra ser infeliz nem pra levar uma existência miserável (mas que explica muita coisa, isso explica). Afinal de contas, conhecer seus limites e aprender a lidar com eles no dia-a-dia também é uma forma de autoconhecimento. E muitas vezes são justamente esta vulnerabilidade e fraqueza que nos tornam mais fortes e humanos.

Ganha-se de um lado, perde-se de outro

A vida no final das contas é isso: perdas e ganhos. Talvez a sabedoria esteja em agradecer a Deus pelos ganhos em vez de nos sentirmos tristes pelas perdas (algumas inevitáveis ao longo do caminho, quem nunca perdeu um amigo que atire a primeira pedra!). Porque até quando perdemos, ganhamos algo, é tudo uma questão de ponto-de-vista.

Amizades há por toda parte, de todos os tipos e tamanhos, amizades pra todos os gostos. Algumas sinceras, outras nem tanto. Amizades pra ir ao cinema, pra ir ao café, para cair na noite, pra ficar pendurado horas no telefone, pra dividir alegrias e tristezas. Amizades pra rir junto, outras pra chorar junto, e umas poucas pra rir e chorar juntos (estas são mercadoria rara e devem ser cultivadas com o devido carinho e respeito).

Acima de tudo, nós é que escolhemos o tipo de amizade que queremos em nossas vidas, uma escolha estritamente pessoal. O que pra você é uma amizade verdadeira pra mim deixa muito a desejar e vice-versa. Olhando à minha volta, vejo pessoas muito especiais e, por um momento, sei que não estou sozinha e isso basta para clarear os horizontes.

Uma palavra, um telefonema, até mesmo um scrap de alguém querido já torna a vida mais leve, e é para isso que servem os amigos!

quinta-feira, setembro 28, 2006

Pausa para reflexão




É preciso tempo para digerir o fim de uma amizade. Sim, as expectativas eram minhas, mas por outro lado, acho humano e normal esperarmos algo do amigo, é normal querermos compartilhar nossos melhores e piores momentos com estas pessoas especiais que escolhemos para fazer parte de nossa vida. Mente quem diz que não tem expectativas: a gente sempre espera alguma coisa - de alguns mais, de outros menos, mas sempre esperamos algo.

Não, não estou falando em cobrança, nem em possessividade - apenas em amizade verdadeira, daquelas em que o amigo se preocupa genuinamente com o bem-estar do outro e sabe não apenas compartilhar alegrias, mas principalmente suavizar a dor. Ele não precisa ter as palavras certas nem oferecer aconselhamento profissional (para isso existem os psicólogos e psiquiatras), ele não precisa ter a solução para todos nossos problemas, basta sua presença amiga para ajudar a atravessar as tempestades da vida. No final das contas, não é tão complicado assim. Uma coisa é certa: amizade não se esmola - ou é ou não é, as simple as that.

Para encerrar, este belíssimo poema irlandês.

A Friendship Blessing
May you be blessed with good friends.
May you learn to be a good friend to yourself.
May you be able to journey to that place in your soul where there is great love, warmth, feeling and forgiveness.
May this change you.
May this transfigure that which is negative, distant or cold in you.
May you be brought in to the real passion, kinship and affinity of belonging.
May you treasure your friends.
May you be good to them and may you be there for them, may they bring you all the blessings, challenges, truth and light that you need for your journey.
May you never be isolated, but may you always be in the gentle nest of belonging with your anam cara.

PS. anam cara is celtic for soul friend. Este poema encontra-se em um dos meus livros favoritos: Anam Cara - Spiritual Wisdom from the Celtic World, de John O´Donohue. Leitura altamente recomendada para os tempos modernos, em que as pessoas precisam resgatar o que realmente é importante na vida.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Sujeito Indireto

Quem dera eu achasse um jeito
de fazer tudo perfeito,
feito a coisa fosse o projeto
e tudo já nascesse satisfeito.
Quem dera eu visse o outro lado,
o lado de lá, lado meio,
onde o triângulo é quadrado
e o torto parece direito.
Quem dera um ângulo reto.
Já começo a ficar cheio
de não saber quando eu falto,
de ser, mim, indireto sujeito.

Paulo Leminski

terça-feira, setembro 19, 2006

What the Bleep do We Know?!!



Absolutamente fantástico! Não tenho outras palavras para descrever o documentário que assisti domingo passado -- o tipo de filme que faz você repensar suas idéias preconcebidas sobre o mundo e sobre a realidade à sua volta (ou seria melhor dizer, como ela é vivenciada por você).

O documentário coloca, em uma linguagem acessível aos leigos, os principais conceitos sendo discutidos na Ciência Moderna -- e, mais especificamente, no campo da Física Quântica. Com a ajuda de animação gráfica de última geração, o filme guia o expectador através de uma jornada sem volta...uma jornada pelo campo das possibilidades infinitas, onde descobriremos que a realidade não é o que vemos e nem tampouco o que a ciência nos vinha fazendo crer até pouco tempo atrás.

Com base nas últimas descobertas no campo da Física Quântica, físicos, filósofos e místicos afirmam em seus depoimentos que a matéria não é sólida como costumamos pensar -- mas etérea, mutável e o que é mais surpreendente, pode ser alterada por nossos pensamentos.

Uma das principais mensagens é que nós temos o controle sobre nosso corpo e nossas emoções, e podemos escolher conscientemente a realidade em que queremos viver (o que já era sabido por vários líderes espirituais do mundo todo, entre eles Deepak Chopra em seu belíssimo livro A Cura Quântica, publicado no Brasil em 1991).

Portanto, todo cuidado é pouco: este filme pode mudar sua vida!

PS. O filme foi distribuído no Brasil com o título Quem Somos Nós?

domingo, setembro 17, 2006

Diz o ditado que os amigos são a família que a gente escolhe...mas e quando eles não escolhem a gente? Acho que o problema é quando a gente espera dos outros algo que eles não podem (ou não querem) nos dar. Ou simplesmente, quando não fazemos parte da família que eles escolheram para si mesmos (e sim, a verdade às vezes dói mas é inevitável).

Hoje estou melancólica, deve ser a chegada do outono...mas passa. Como as estações do ano, tudo muda o tempo todo. Não adianta se prender a emoções antigas quando elas simplesmente deixaram de existir, deixaram de ter sua razão de ser. A vida é plena de possibilidades -- precisamos aprender a deixar o rio fluir.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Filho de peixe, peixinho é...




Os filhos são um pedacinho da gente neste mundo. Meu filho é a cara do pai mas com o meu temperamento (não, não posso reclamar que ele não tem nada de mim). Um menino extrovertido, sociável, tagarela e nada tímido...o pai dele, por outro lado, é um exemplo típico de introversão, muito tímido e de poucas palavras.

Pois o Liam é uma mistura dos dois e isso faz dele uma criaturinha única e admirável! Um menino que adora acampar e explorar a natureza, sabe os nomes das árvores, insetos e cobras (o pai dele adora a natureza) mas que também sabe curtir um bom filme ou um livro com belas ilustrações (a paixão por filmes e livros ele herdou da mãe, e espero que continue por muitos e muitos anos, livros são ótimos companheiros -- e os filmes, simplesmente não posso imaginar minha vida sem eles).

Pensando bem, como o pai dele e eu temos interesses diferentes, isso é um acréscimo pois inevitavelmente ele acaba sendo apresentado ao melhor de dois mundos -- o mundo da natureza (em todas as suas formas) e o mundo das cidades (e tudo que existe dentro delas). O mundo dos animais e das plantas e o mundo do cinema e da literatura infantil, entre outras coisas. Duas visões de mundo que podem e devem se complementar.

E no final das contas, o mundo está cheio de coisas fascinantes a serem descobertas! Quem sabe os adultos não deveriam seguir o exemplo das crianças e (re)aprender a ver o mundo como se olhassem pela primeira vez...há maravilhas por toda parte, basta ter olhos e saber ver.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Os números

Ainda sobre a guarda alternada: e não é que ela é menos usual do que eu pensava? Num artigo que achei na net hoje, li que na Holanda a guarda alternada é adotada apenas por 3% dos casais que se divorciam (me pergunto qual seria este índice no Brasil).

Ela não está ainda na legislação, sendo apenas um contrato formal entre as duas partes (pai e mãe). Ou seja, é reconhecida em algumas instâncias, mas não na legislação propriamente dita. Agora me deu arrepios...sou mais pioneira do que eu pensava (e sim, eu já devia ter me acostumado com isso) !!!

A guarda alternada

Depois de 6 semanas de férias de verão, esta semana meu filho voltou às aulas e inauguramos oficialmente a guarda alternada como haviámos planejado final do ano passado...até então eu tinha a guarda do Liam durante a semana e o pai dele todo fim-de-semana, um esquema relativamente comum (embora mais comum seja dois fins-de semana alternados por mês para o pai).

Pois bem, coração de mãe é bicho estranho, e confesso que está sendo mais difícil do que andei alardeando por aí...Não, não tenho a menor dúvida de que a guarda alternada foi a melhor escolha que fizemos mas na prática, há muito com que se acostumar sim. Basicamente, meu filho vive metade do tempo com o pai e metade do tempo comigo, ele tem duas casas (e dois quartos!). Ou seja: agora sou mãe uma semana sim, outra não.

Convenhamos, não é o esquema mais usual, mesmo em tempos modernos com recordes de divórcio em todo o mundo. Pra piorar, volta e meia ouço uma reação de mãe: eu não conseguiria fazer isso que você está fazendo, ficar tantos dias sem ver meu filho! Pois eu consigo (sinto saudades, mas consigo), simplesmente porque penso no meu filho antes de pensar em mim mesma, amor de mãe é assim. Sei que ele precisa de um pai tanto quanto precisa de uma mãe -- eu não tenho o direito de destruir esta relação que eles estão construindo!

Engraçado como sempre fui uma ovelha negra...até mesmo na hora do divórcio, optei intuitivamente pela solução menos convencional. Embora a guarda alternada venha se tornando cada vez mais popular aqui na Europa (França, Inglaterra, Holanda, etc), ela ainda é algo relativamente novo, mesmo em termos jurídicos. No final das contas, o divórcio não foi escolha dos filhos e sim dos pais, e não temos o direito de tirar deles mais do que já tiramos! Felizmente, muitos psicólogos já comprovaram que pior do que ser filho do divórcio é ser filho em um casamento infeliz, em que ninguém consegue funcionar direito...

Moral da estória: cada um vive como pode.

terça-feira, setembro 05, 2006

Pura admiração

Hoje estava lendo a entrevista de uma amiga que conheci na minha comunidade favorita do orkut e confirmei o que já sabia há tempos: a enorme admiração que tenho pela pessoa que ela é, pura e simplesmente.

Nos dias de hoje é muito difícil encontrarmos pessoas genuínas, que não têm medo de expôr e defender suas idéias, pessoas cuja vida é regrada pela ética pessoal e profissional (no sentido original da palavra), pessoas articuladas e diretas que sabem se impor sem serem agressivas, que sabem discutir sem julgar os outros. Que falam sem mandar recado mas que também sabem ficar caladas quando o momento pede. Eu sempre admirei pessoas que sabem quando falar e quando calar, e ela é um dos maiores exemplos que conheço atualmente.

Ela não sabe disso mas é uma das poucas pessoas que escreve e me faz pensar sempre, me faz refletir sobre minhas verdades, me ensina a ver o mundo sob outro ângulo, questionar minhas opiniões...Talvez por ela ser uma pessoa muito racional (no bom sentido) e considerada até fria por alguns, sempre aprendo muito com ela -- eu que sou emotiva e espontânea, e por isso muitas vezes ingênua no trato com as pessoas.

Tânia, sei que você odeia rasgação de seda mas tudo que disse aqui encima é do fundo do coração!

Cuidado: Frágil



Alguns amigos gostam de usar o termo crítica construtiva e muitas vezes esquecem que na amizade, assim como na vida, tudo tem sua hora e lugar. Como aquele amigo que julga te conhecer melhor do que ninguém e se acha no direito de emitir julgamentos e dizer o que bem entende, na hora que bem entende – e que acaba ferindo o outro sem perceber (afinal de contas, era apenas uma crítica construtiva).

Eu acredito que uma linha tênue separa uma crítica construtiva de outra nem tanto assim...ao fazer uma crítica ao amigo é preciso muita sensibilidade para dosar as palavras e falar sem magoar o outro -- é preciso, antes de mais nada, intuir o momento certo (nunca chute um cachorro morto, como li outro dia num post do orkut). E isso é uma arte que poucos dominam (confesso que eu mesma me atrapalho até hoje, apesar das boas intenções). É que em alguns momentos da vida da gente, tudo que precisamos de nossos amigos é de um colo e de umas poucas palavras de encorajamento para seguirmos em frente. Nesses momentos nem sempre estamos preparados para ouvir críticas...por mais construtivas que elas sejam.

Sempre considerei a amizade um dos sentimentos mais especiais que une duas pessoas mas como todo o relacionamento humano, é uma arte saber quando falar e quando calar. É uma arte maior ainda intuir que o que o amigo precisa naquele momento -- mais do que de uma crítica construtiva -- é de uma manifestação de carinho e de aceitação.

Com o passar dos anos, aprendemos que algumas pessoas são mais frágeis do que outras (não confundir com mais fracas, no meu ponto de vista fraqueza e fragilidade são duas coisas bem distintas). Infelizmente, elas não vem com um rótulo dizendo Cuidado: Frágil.

Voltei!




Está oficialmente comprovado: a Internet (orkut, MSN) é um vício...depois de 12 dias sem internet e e-mail e já apresentando sintomas avançados de abstinência, é muito bom dar as caras por aqui de novo...é ótimo voltar ao meu cantinho virtual e saber que ao menos aqui posso escrever o que me der na telha (é que os amigos já se acostumaram).

E digo mais, se a internet é um vício, escrever para mim é uma questão de sobrevivência (pensando bem, não sei como não comecei um blog antes). Welcome to my world.

Não compre um livro pela capa (leia-se: as aparências enganam)

De uns tempos para cá, percebo cada vez mais que existem em mim não uma, mas duas pessoas distintas (uma personalidade um tanto quanto esquizofrênica mas é a verdade nua e crua). Uma pessoa é aquela que o mundo vê e a outra é aquela que apenas quem é capaz de ver além das aparências conhece. Essa última percebem apenas aqueles que têm a (rara) sensibilidade de olhar uma segunda vez e intuir o que não foi dito, aqueles que têm o dom de ler nas entrelinhas. Aqueles que ouvem não apenas o que foi dito mas principalmente o que não foi dito -- em suma, meus amigos.

Funciona mais ou menos assim: muitas vezes a imagem que passamos não corresponde em nada (ou quase nada) com quem realmente somos...na verdade, essa imagem (também chamada de persona em alguns círculos) nada mais é do que um mecanismo de defesa que usamos para sobreviver na selva das relações sociais. O problema começa quando esse mecanismo deixa de trabalhar em nosso favor e começa a atrapalhar mais do que ajudar...quando a pessoa que os outros vêem deixa muito a desejar em relação à pessoa por trás das aparências. Nessas horas, o confronto é inevitável (e acima de tudo doloroso) e a nós só nos resta parar tudo, respirar fundo e recriar a nós mesmos.

Estou escrevendo isso porque outro dia fiquei muito triste. Após um primeiro contato com uma pessoa, cheguei em casa com a desagradável sensação de ter deixado uma imagem bastante equivocada da minha pessoa -- e pior, percebi que a culpa era unicamente minha, por ter passado a imagem errada. A verdade é que por trás de uma personalidade falante e agitada, existe uma pessoa extremamente sensível e profunda. Por trás de uma pessoa barulhenta e extrovertida, existe uma pessoa introvertida que ama o silêncio e que busca a solidão, uma pessoa que pensa e sente demais...E acima de tudo, alguém com o coração maior do que o mundo -- alguém que quando gosta, gosta pra valer e que leva seus afetos muito à sério. Alguém que se magoa facilmente mas que também sabe perdoar.

Sorte é que meus amigos sabem exatamente quem eu sou, eles sempre souberam ver além das aparências e hoje posso dizer que isso me basta –no final das contas, não se pode mesmo agradar a gregos e troianos.

terça-feira, agosto 22, 2006

Criança diz cada uma...(3)

No natal passado, Liam tinha um pedido especial para o Papai Noel...todo dia ele comentava, até que eu, de saco cheio de ouvir a mesma ladainha, disse:

- Liam, vamos combinar o seguinte: eu ligo pro Papai Noel e digo pra ele o que você quer ganhar, OK?

E ele responde, sem piscar os olhos:
_ Mas mãe, como você sabe o telefone dele?!!

Criança diz cada uma...(2)



Esta tirada foi há um tempo atrás. Liam comentou que me achava uma mãe muito querida porque eu sempre comprava brinquedos pra ele...então ele me olhou sério e disse:

- Mãe, quando eu crescer vou trabalhar e ganhar muito dinheiro. Aí vou comprar muitos brinquedos pra você, tá?

Criança diz cada uma...(1)

Hoje à tarde estava eu em casa assistindo com o Liam uma coletânea de videoclipes do U2 (The Best Of). Ele adora as músicas (e tem até sangue irlandês por parte de pai), então lá pelas tantas, o guri me diz o seguinte:

- Mãe, essas músicas são tão bonitas, né? Quando você morrer posso ficar com o DVD pra mim? (credo, Liam...eu espero ainda viver por muitos e muitos anos, rsrsrsrs)

sábado, agosto 19, 2006

Maternidade, mito do amor materno e outras divagações...


O nascimento do meu filho é um processo que estou vivendo até hoje e que encerrou uma fase muito importante da minha vida. Perdi muito da liberdade de antes, mas felizmente também ganhei muita coisa em troca -- coisas que hoje nem teria palavras para descrever, se me pedissem.

Costuma-se pensar que os pais ensinam os filhos mas descobri que muitas vezes eles é que nos ensinam, e muito! Antes de mais nada, uma criança nos ensina a viver no presente, a curtir um dia de cada vez -- ao invés de ficarmos remoendo o passado ou nos preocupando com o amanhã. A criança só conhece um tempo: o presente do indicativo.

No final das contas, a maternidade é uma experiência única...uma experiência às vezes pesada, mas muito válida. No meu caso, a maternidade foi iniciada com um processo doloroso pois tive uma depressão pós-parto que me fez questionar até aqueles valores (presumivelmente) indiscutíveis como o mito do amor materno...Basicamente, meu mundo (como o conhecia antes) mudou para sempre, e confesso que levei anos para aceitar esse fato.

É uma grande ilusão achar que a vida da gente não muda após termos filhos (só quem não tem filhos diz isso, ou quem tem filhos para serem criados pela babá ou com alguma sorte, pelos avós e outros parentes). Outra ilusão maior ainda achar que, mais cedo ou mais tarde, os filhos se adaptarão ao nosso esquema de vida -- na minha experiência e de muitas mães à minha volta, nosso esquema de vida é que é modificado com a chegada dos filhos.

Também aprendi que ninguém nasce mãe, a gente se torna mãe -- a cada dia, a cada mês, a cada ano...E mais, não acredito que todas as mulheres tenham nascido para serem mães e muito menos que a maior realização de uma mulher seja necessariamente seus filhos. Acredito sim é que a gente cria os filhos para o mundo...e que é um lêdo engano achar que eles irão preencher um vazio que nós mesmos não sabemos descrever.

Filho é pra gente criar, ensinar valores, educar para o mundo...filho não é pra suprir as necessidades da gente, nem pra ficar desfilando pelo parque com um buggy novinho em folha. Para isso, recomendo que adotem um cachorro! (sai muito mais em conta)

Saudades de mim mesma

Hoje estou nostálgica, com saudades de mim mesma. Saudade daquela jovem eternamente curiosa e com sede de novidades - novos idiomas, novas culturas, novos autores, novos conceitos. Aquela jovem que sonhava em viajar, viajar e...viajar! Que sonhava com terras distantes (sonho realizado, não posso me queixar) mas cujo maior sonho, acima de tudo, era a liberdade...bem verdade que ela ainda não havia descoberto que a liberdade traz consigo escolhas (e renúncias) inevitáveis. Como bem dizia um velho comercial de tv: a liberdade tem seu preço.

Aquela jovem deixou de existir -- ou talvez esteja quietinha num canto escuro, lá bem dentro de mim mesma. Por outro lado, ela teve a sorte de ter realizado seu maior sonho (morar no exterior), e de quebra ainda realizou outro que nem sequer sonhava, mas que logo descobriu ser o sonho acalentado por muitas mulheres: ter um filho.

O nascimento do meu filho foi um capítulo à parte. Um separador de águas, o momento mais definitivo da minha vida...um filho é para sempre! Parece óbvio, mas muitas pessoas só vão compreender isso realmente depois de anos, muitos anos...Perdas e ganhos pois no final das contas, ser mãe é padecer no paraíso mas também é uma das experiências mais enriquecedoras na vida de uma mulher!
Tecnologia do Blogger.

Saddam, Bush e a Besta do Apocalipse

Sinceramente, com tanta coisa louca acontecendo neste mundo, nem sei mais sobre o que escrever. Hoje a principal manchete de todos os jornais do mundo é o enforcamento de Saddam Hussein, considerado inimigo número 1 dos EUA e mais especificamente, de George Bush.

Sim, o ditador iraquiano cometeu atrocidades e finalmente foi feita justiça pelos crimes cometidos. Segundo palavras de Bush, o enforcamento do ditador foi um marco para a democracia no Iraque. É aí que eu me pergunto: o que o Bush e suas tropas americanas (e aliadas) tinham que fazer no Iraque, pra início de conversa?

Diga-se de passagem, a Comunidade Européia considerou o enforcamento um ato de barbárie - o que era de se esperar porque a CE sempre foi contra a pena de morte (como a maioria dos países civilizados). A velha estória: não se combate violência com mais violência, nem barbárie com mais barbárie. E nesse ponto, eu concordo.

Pra finalizar, (e desculpem o paradoxo pois acabei de dizer que não acredito na violência como solução mas se tem uma pessoa que me tira do sério é este tal Bush) a pergunta que não quer calar: quando será o enforcamento de Bush? Porque convenhamos, ele vem cometendo atrocidades como, apenas para citar um exemplo recente, a guerra do Iraque (onde o número de soldados mortos quase atinge os 3000 e já ultrapassou o número de mortos no atentado de 9-11 em NY, a desculpa que ele usou para atacar o Iraque). E não há um ser neste planeta que consiga fazer com que ele páre de brincar de xerife do mundo!

Tem dias que a gente fica mesmo sem palavras...e nem vou comentar sobre a explosão de violência no Rio nas últimas 48 horas porque já é demais!!! Feliz Ano Novo para vocês assim mesmo...(e não, eu não uso lentes cor-de-rosa).

O fenômeno Orkut

Tem quem odeie, tem quem não viva sem ele. O Orkut faz parte da vida de um número cada vez maior de pessoas e se tornou um fenômeno impossível de ser ignorado. Eu mesma confesso que já tive algumas chateações no orkut (quem não teve que atire a primeira pedra) mas o lado positivo sempre foi mais forte e fez com que eu continuasse lá, enquanto via amigos cometerem orkuticídio pela segunda ou até mesmo, terceira vez...

Cheguei à conclusão de que o Orkut nada mais é do que um reflexo do mundo lá fora. Uma espécie de microcosmos do macrocosmos representado pela sociedade moderna. Basicamente, no mundo orkutiano você encontra os mesmos tipos de pessoas (boas e ruins, bem-intencionadas e outras nem tanto assim) que encontraria em qualquer outro lugar. E não apenas encontra vários tipos de pessoas como pode estabelecer diferentes graus de amizade com cada uma delas - a escolha é unicamente sua!

Algumas dessas amizades terão a chance de se tornarem reais - hoje é cada vez mais comum uma amizade virtual se transformar em uma amizade real (ao vivo e a cores). No mundo em que vivemos hoje, o Orkut pode ser uma ponte, ou melhor ainda, um ponto de partida. Ali são estabelecidos contatos sociais e cada um decide o que faz (ou deixa de fazer) com esses contatos.

Um capítulo à parte são aquelas amizades especiais entre pessoas que nunca se encontraram no mundo físico e no entanto, conseguem estabelecer uma forte conexão, apesar da distância geográfica. Pessoas com quem temos forte empatia (mais do que afinidades) e que, muitas vezes, nos compreendem melhor do que aquelas mais próximas de nós. Eu acredito que exista não apenas distância física, mas distância emocional. Essa última sim é intransponível, mesmo que você veja a pessoa regularmente (um exemplo é a solidão a dois, inimiga de muitos casamentos).

E no final das contas, cada um tem o orkut que merece!

ô filme triste...

Não é brincadeira não, vai gostar de filme triste assim na Cochinchina...Hoje revi My Life Without Me e me dei conta de que o filme é mais triste do que eu lembrava.

Imaginem uma menina de 23 anos, com duas filhinhas de 4 e 6 anos e que mora num trailer no quintal da mãe. Ela mora com as crianças e o marido e embora pobres, eles levam uma vidinha normal.... Até o dia em que ela desmaia, vai para o hospital e depois de alguns exames, descobrem que ela está com câncer nos dois ovários (e ela pensando que estava grávida). Como se não bastasse, o câncer está em estágio avançado e o médico diz que não há mais tratamento. Em suma, ela tem no máximo 3 meses de vida! Com a notícia atravessada na garganta, ela vai para uma lanchonete, pede um café e uma caneta, e começa a escrever uma lista: Things to do before I die (eu avisei que o filme era triste).

O resto do filme vocês podem imaginar...Triste sim, mas com ótimas cenas e diálogos e com uma jovem atriz (Sarah Polley) em uma atuação comovente sem ser sentimentalóide. Diga-se de passagem, o filme é produzido pela distribuidora de filmes do Pedro Almodovar (El Deseo). E quanto a mim, preciso começar a assistir filmes mais leves daqui pra frente. De qualquer forma, este eu recomendo.

Em tempo de natal




Como não podia deixar de ser, meu natal alternativo vai ter muitos filmes, e não necessariamente aqueles clássicos de natal que passam todo ano na TV (e que confesso, também adoro rever, como It´s a Wonderful Life, Miracle on 34th Street e The Wizard of Oz). Ontem já fui na locadora e peguei 5 DVDs para assistir durante a semana.

Os filmes são: Bee Season (2005, foto à esquerda), que assisti ontem, gostei muito e comentarei em breve. Dois filmes da ótima diretora espanhola Isabel Coixet, um que eu já havia assistido, gostei muito e irei rever: My Life Without Me (2003, foto à direita) e o mais recente, The Secret Life of Words (2005). E ainda, Three Times (2005) de Hou Hsiao Hsien, um dos diretores de Taiwan mais falados da atualidade. Pra fechar a programação com chave de ouro, escolhi What the Bleep Down the Rabbit Hole - a continuação do maravilhoso What The Bleep Do We Know que já comentei aqui no blog anteriormente.

Mas agora vou preparar o quiche de bacon e alho-poró que vou levar pra Ceia de Natal entre amigos hoje à noite....fácil de fazer e delicioso!

Coração apertado



Depois de uma semana muito corrida, ontem à noite finalmente deixei meu filho no aeroporto para embarcar pra Inglaterra. Com movimento recorde às vésperas do natal, chegamos com a antecedência necessária e pai e filho fizeram check-in sem problemas. Ainda tivemos tempo de fazer um lanche rápido no Burger King (o Liam está colecionando os brinquedinhos do filme Happy Feet!) e logo depois, acompanhei-os até a área de controle de passaportes (somente passageiros).

Foi ali que meu coração de mãe apertou, meu filho começou a chorar e eu, para encurtar a sessão-tortura, dei logo um abraço bem apertado, um beijo e fui embora - para não me debulhar em lágrimas na frente do menino e principalmente, porque mãe que é mãe evita surtar na frente dos filhos! Além do mais odeio despedidas, poderia escrever um livro sobre elas...Cheguei em casa, fui dormir e pouco depois da meia-noite, o telefone tocou. Atendi e ouvi a voz cansada do Liam dizendo que chegou na casa da avó - e que o avião era muito grande e ele tinha ficado com um pouco de medo...hehehe.

Agora ele vai curtir muito o natal inglês, com direito a ser paparicado pela família (avó, tias, tio e muitos primos) e ganhar muitos presentes. E eu fico aqui muito feliz por ele. Até porque, mãe de filho único tem de aprender a soltar a cria desde cedo...Eu, como filha única, bem sei como é isso. Minha mãe sempre me deixava ir - ficava com o coração apertado e lágrimas nos olhos mas deixava. E hoje eu procuro seguir o exemplo dela e fazer o mesmo com o meu filho. Não é fácil, mas é preciso.

Surtada!

Acabei de ler o blog da querida Tróia e cá estou
eu rindo sozinha (e esta menina escreve que é uma beleza). É que ela disse que anda surtada e que gostaria, ao menos, de aprender a surtar direitinho! Eu, como vivo surtada, achei graça.

Cá entre nós, surtar direitinho é uma arte que eu ainda não consegui dominar após anos de terapia, aulas de tai-chi (desisti em menos de 3 meses), e sessões esporádicas de reiki e acupuntura. To cut a long story short, eu simplesmente surto. E mais, confesso que morro de admiração por aquelas pessoas que conseguem manter a calma e a mente clara, apesar de tudo e de todos. Tem pessoas que o mundo pode cair à sua volta que elas nem se incomodam! Já outras almas mais sensíveis e de natureza impressionável (como a que vos escreve) se abalam com qualquer tempestade - seja uma tempestade de verdade ou a famosa tempestade em copo d´água. Ao menos estou aprendendo a rir das minhas desgraças, o que convenhamos, já é um bom começo!

Merry Christmas


Surfando pelo Flickr.com, achei esta foto irresistível da Pinky St. e decidi publicá-la aqui no meu blog. Aproveito a oportunidade para desejar a meus queridos amigos um Feliz Natal e um 2007 cheio de coisas boas - muita paz, alegria, saúde e sonhos realizados!

Natal...

Natal é sinônimo de presentes, festas e orgias gastronômicas mas acima de tudo, natal é família. E para mim - como para muitos outros por este mundo afora - o natal tem um lado triste. É que nessa data inevitavelmente somos lembrados de que não temos família próxima. No meu caso, não por estarem longe mas simplesmente porque não tenho mais mãe, nem avós, nem irmãos (sou filha única). Pra completar, meu filho vai passar o natal com o pai e a família na Inglaterra (o que eu acho ótimo para ele, não me entendam mal!). Com tudo isso, é quase inevitável a sensação de que estamos sozinhos no mundo nesta data em que tantas famílias se reúnem à mesa para mais uma ceia de natal.

Felizmente, tenho amigos aqui em Amsterdam na mesma situação e todo ano organizamos nossa Ceia de Natal Alternativa. Um leva o filho, outra o namorado ou marido, somam-se mais alguns amigos perdidos pela cidade e pronto: todos comemos, bebemos e celebramos a data em boa companhia. Como eu costumo dizer, meus amigos são minha família - ou ao menos, a família que escolhi.

Amor e amizade

Se fosse citar uma coisa que aprendi este ano, foi que na amizade (como no amor) também existe incompatibilidade de gênios. Aprendi que algumas pessoas podem gostar dos mesmos filmes, ler os mesmos livros e mesmo assim serem incompatíveis. Que as afinidades nem sempre são garantia de uma amizade verdadeira (e que não existem garantias na vida). Que o conceito de amizade é muito amplo e varia de pessoa pra pessoa - e algumas vezes de época para época na mesma pessoa. Porque as pessoas mudam.

E o mais importante, que nunca se deve esperar dos outros o que eles não podem nos dar (seja amigo, marido ou namorado). E aprendi que a vida continua, apesar de tudo. Vivendo e aprendendo.

Reflexões sobre o Natal

Presentes, presentes e mais presentes...Na sociedade de consumo moderna, Natal é, antes de mais nada, sinônimo de presentes.

Mas para quem tem filhos como eu, é importante que as crianças tenham alguma noção do significado do Natal e que percebam a troca de presentes como uma troca de afetos, um ato de doação. Quando comprar presentes passa a ser o único sentido das comemorações de natal, algo está errado. Até porque, comprar muitas vezes nada mais é do que um mero substituto para outros desejos não realizados. E se uma criança é estimulada desde cedo a consumir indiscriminadamente, as chances são grandes de que ela irá incorporar este padrão de consumo pelo resto de sua vida. Comprar passa a ser então uma fuga, um ato quase involuntário.

Como pais, devemos tentar controlar os impulsos consumistas de nossos filhos, bombardeados diariamente pelos comerciais de tv com as últimas novidades nas prateleiras das lojas de brinquedos. E acima de tudo, devemos dar o exemplo em nossos próprios hábitos de consumo. Não, não se pode isolar a criança numa redoma de vidro, ela faz parte do mundo e natal é tempo de ganhar e dar presentes. Mas como tudo na vida, a chave é o equilíbrio.

Pra finalizar, não devemos esquecer que, felizmente, a vida é muito mais do que possuir bens materiais. E algumas das coisas mais importantes que podemos dar a nossos filhos, o dinheiro não compra:

Mais tempo com você
Convivência em família
Tempo livre para lazer
Amigos de verdade
Contato com a natureza
Cultivar a espiritualidade
Aceitação e amor próprio
Respeito a si mesmo e ao próximo
Bons hábitos de saúde
Carinho e proteção



Chove horrores e eu com vontade de comer umas chocolate chip cookies ou tomar um chocolate quente... por sorte (ou azar) não tenho nada disso em casa. Pensando bem, é azar mesmo.

A Paixão pelo Cinema

Li no blog de uma amiga, não resisti e decidi fazer a minha lista de filmes - até porque, hoje está fazendo um dia de chuva horroroso por aqui. Quem me conhece sabe que cinema é a grande paixão da minha vida. Segue a lista com alguns de meus favoritos de todos os tempos (não necessariamente nesta ordem).

Magnolia (1999)
American Beauty (1999)
Secrets and Lies (1996)
A Fond Kiss (2004)
Happiness (1998)
Ghost World (2001)
Virgin Suicides (1999)
Lost in Translation (2003)
Elephant (2003)
Donnie Darko (2001)
Requiem for a Dream (2000)
The Ice Storm (1997)
The Royal Tenenbaums (2001)
The Hours (2002)
A Home at the End of the World (2004)
Annie Hall (1977)
Purple Rose of Cairo (1985)
Hannah and her Sisters (1986)
Le Fabuleux Destin d´Amélie Poulain (2001)
Chacun Cherche son Chat (1996)
My Life without Me (2003)
Before Sunrise (1995)
Before Sunset (2004)
La Double Vie de Veronique (1991)
The Unbearable Lightness of Being (1988)
Henry and June (1990)
Bleu-Blanc-Rouge
Asas do Desejo (1987)
Sonata de Outono (1978)
Cenas de um Casamento (1973)
O Pianista (2002)
Play it Again, Sam (1972)
Kaos (1984)
Before the Rain (1994)
Paisagem na Neblina
Hable con Ella (2002)
Girl with a Pearl Earring (2003)
Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004)
Dogville (2003)
The Edukators (2004)
5 x 2 (2004)
La Femme d'à côté (1981)
A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971)

E entre os clássicos:
Wizard of Oz (1939)
It´s a Wonderful Life (1946)
La Strada (1954)
Le Ballon Rouge (1956)
Morangos Silvestres (1957)
Noites de Cabíria (1957)
Les Quatre Cents Coups (1959)
The Apartment (1960)
Jules et Jim (1962)
O Anjo Exterminador (1962)
Giulietta degli spiriti (1965)
Belle de Jour (1967)
O Discreto Charme da Burguesia (1972)

Procrastinando

É sempre assim: tirei o domingo pra ficar quietinha em casa traduzindo (afinal, tenho de pagar minhas contas) e cá estou eu procrastinando de novo.

Ontem não resisti uma promoção e comprei DVDs de 2 filmes que adoro: A Home at the End of the World (baseado no livro de Michael Cunningham, o autor de The Hours) e Girl with a Pearl Earring (com a adorável Scarlett em mais um papel inesquecível). Não apenas revi o filme do Cunningham - e pasmem, chorei de novo nas mesmas cenas - como ainda fui pra cama acompanhada do mais novo livro dele, Specimen Days.

Hoje traduzi um pouco, dei uma orkutada (não acredito que escrevi isso), li os posts antigos do blog de uma amiga e fiz risotto al funghi de pacotinho (shame on me porque sei fazer risotto de verdade e até tinha o tal funghi em casa mas a preguiça venceu)! Ouvi muito Snow Patrol e um pouco de Madonna (Ray of Light).

Last but not least, joguei um tarô magnífico (me desculpem os incrédulos) como não jogava há tempos, daqueles de lavar a alma. E estou pronta para começar uma nova semana.

Agora só falta terminar a tradução! hehehe...

Minha primeira Pinky St.

Quem costuma ler o meu blog, já deve ter percebido que ando apaixonada pela bonequinha japonesa Pinky St. E já que coloquei uma foto dela no post abaixo, aqui vai a foto da Pinky que ganhei de aniversário da Anna.

Snow Patrol

Não, ainda não está nevando por aqui (eu bem que gostaria, sempre preferi a neve aos dias chuvosos). Snow Patrol é o nome de uma das minhas bandas de rock favoritas da atualidade. Uma banda de Glasgow que já lançou algumas pérolas no mercado como o álbum de estréia Songs for Polar Bears (2000), When It's All Over We Still Have to Clear Up (2001) e Final Straw (2004). Sem falar no recém-lançado Eyes Open (2006), que ainda não tive a oportunidade de conferir mas farei em breve!

Dedicado a uma amiga

Algumas pessoas nasceram para serem líderes, para se engajarem em lutas perdidas (ou nem tanto assim) enquanto a maioria do rebanho prefere fechar os olhos para os problemas do mundo e ter uma vida fácil.

Nos dias de hoje, é cada vez mais raro encontrar um ser pensante no meio do rebanho - alguém que não tenha medo de expôr suas opiniões e, conseqüentemente, de se expôr. Alguém cuja principal meta não seja agradar a gregos e troianos, assegurando seu lugar encima do muro. Alguém que não tenha medo de levantar a voz quando vê uma injustiça ou quando é confrontada com a ignorância alheia. Porque convenhamos, o ser humano é acomodado por natureza (cada um por si, Deus por todos).

Por essas e outras, tenho uma admiração cada vez maior por uma amiga que conheci melhor este ano (não sei como nossos caminhos não se cruzaram antes nessas terras baixas). Pela paixão que ela expressa ao falar das questões sociais, da injustiça no mundo e principalmente, dos injustiçados (os fracos e oprimidos). Pela capacidade crítica, por não aceitar as coisas como lhe são oferecidas de bandeja (o que o rebanho costuma fazer desde os tempos bíblicos) e por decidir por ela mesma o que acha. Em suma, pela sua capacidade de reflexão.

A verdade é que me identifico muito com as idéias dela. E ela ainda tem me lembrado de coisas que eu havia esquecido, uma delas chama-se dever social (ou dever civil). Pessoas bem-informadas, seja qual for a sociedade em que elas vivem, têm como dever contribuir para dissipar as trevas da ignorância - não por serem superiores ou melhores mas porque, no final das contas, estamos todos no mesmo barco (sem exceção) !

Happy Birthday To Me!

Ontem foi meu aniversário. Diga-se de passagem, não comemoro meu aniversário oficialmente há anos, mas não deixa de ser uma data simbólica. Ainda mais agora, pois de uns tempos pra cá, decidi que eu também tenho direito à felicidade e o que é mais importante - que ela só depende de mim.

Apesar das dificuldades dos últimos anos (e não foram poucas), hoje estou me reconciliando com os erros do passado, aprendendo a me perdoar e reconstruindo meu caminho. E já consigo ver a luz no fim do túnel.

Sou uma sobrevivente e isso fez de mim uma pessoa mais forte. Descobri uma força que eu não sabia ter e aprendi que na vida tudo tem solução, menos a morte, que é definitiva. Aprendi a viver um dia de cada vez. E a agradecer pelo que tenho de mais importante na vida: meu filho e meus amigos. Não sei o que seria da minha vida sem eles.


Das Ilusões (Mário Quintana)
Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto. após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!

3 autores que desisti de ler

Li no blog de uma amiga e como também adoro ler, resolvi colocar minha lista negra aqui também...se bem que já vou avisando, é uma questão meramente pessoal, não tenho a menor pretensão de ser crítica literária (nem poderia).

1. Jonathan Franzen - juro que tentei duas vezes, mas parei na metade do The Corrections (2001), livro muito badalado na mídia e vencedor do prestigioso prêmio literário National Book Award (EUA). Mas agora que o inverno chegou, e como sou teimosa, vou tentar outra vez (ou talvez não, pois admito ter um montão de livros interessantes pra ler aqui em casa no momento).

2. Zadie Smith - autora-prodígio, endeusada pela mídia inglesa graças ao sucesso estrondoso de seu primeiro livro, White Teeth (2000). A obra arrebatou inúmeros prêmios literários, entre eles o Orange Prize for Fiction e o Whitbread First Novel Award. Na verdade, admito que este é um caso duvidoso - o tema do livro me interessa e muito (assisti até a série produzida pela BBC), eu é que comecei o livro na hora errada e não consegui entrar na narrativa (shame on me!).

3. Jorge Amado - me desculpem os baianos, mas eu queria colocar um autor brasileiro na minha lista...Sim, admito ter uma certa cisma com romances regionalistas, embora eles tenham seu papel na Literatura Brasileira (mas eu poderia citar muitos autores melhores, a começar por Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu e Guimarães Rosa). Acho o estilo dele pitoresco demais (a ponto de ser caricatural), o que inclusive colaborou pra criar uma forte imagem do Brasil no exterior que nem sempre corresponde à realidade como um todo mas parte dela - sem dúvida um dos (muitos) Brasis, mas não todo o Brasil.

Esclarecimento final

Só pra esclarecer de uma vez por todas (nem que seja para mim mesma): eu raramente corto relações, mas quando corto, é porque já devia ter cortado há muito tempo. Chega a ser uma questão de sobrevivência. Eu vivo as emoções até a última gota. Foi assim no meu casamento, é assim na amizade (porque amizade também é amor).

O pior é o gosto amargo na boca, a tristeza que a gente sabe que um dia o tempo apaga, a decepção...Descobri que meu problema é que não sei respeitar as leis de comportamento vigentes. A ordem é se fingir de morto, fingir que está tudo bem e seguir em frente como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse mudado dentro de nós. A ordem é fazer cara de paisagem, fingir que não estamos decepcionados e sair pela porta dos fundos, de fininho. E acima de tudo, a ordem é se afastar naturalmente das pessoas, em vez de cortar bruscamente uma relação, como quem arranca uma flor pela raiz (e isso as pessoas não perdoam).

Quanto a mim, eu não sei me fingir de morta. Eu não sei fazer cara de paisagem. No final das contas, prefiro ser eu mesma.

Barra pesada

Impressionante como na minha vida acaba uma batalha, começa outra. Desta vez é a escola do Liam que tem me tirado o sono...alguns de vocês já vem acompanhando essa estória há tempos.

Eu estou simplesmente decepcionada com a escola, porque pra início de conversa, não era o que eu esperava de uma escola que nem sequer normal é (ela se assemelha com o método Montessori, embora diferente - não sei se existe aí no Brasil mas o nome aqui é Jenaplan). E eu escolhi a escola justamente porque acreditei, errôneamente, que eles tivessem uma abordagem diferente das crianças, um pouco fora dos padrões vigentes nos sistemas de ensino tradicionais.

Qual não é a minha surpresa quando, após n reuniões na escola, a pedagoga decide mandá-lo para uma escola de ensino especial (para alunos com sérios problemas de desenvolvimento, autismo, ADHD, etc). O motivo, pasmem: o menino está há 3 meses na classe de alfabetização e ainda não consegue ler e escrever (o que eles esperam?), além de ter dificuldades de concentração, e problemas no motor fino para segurar o lápis (ele sempre teve problemas no desenvolvimento motor).

O mais triste é que me vi obrigada a repetir pela enésima vez que o Liam passou por um período muito delicado no desenvolvimento, antes do divórcio...e que isso deveria ser levado em conta, certamente no quesito concentração (sem falar que ele agora tem duas casas, dois quartos e por aí vai). E convenhamos, eu simplesmente não acredito que falta de concentração e dificuldade de segurar um lápis sejam motivos suficientes para mandar uma criança para uma escola de ensino especial!

Aqui na Holanda, a escola de ensino especial é um estigma, depois que a criança entra neste circuito de ensino, ela raramente consegue voltar ao ensino normal - com todas as consequências que isso implica para o futuro do Liam. Felizmente, eles precisam de autorização dos pais para mudar a criança de escola - autorização que eu e o Jeff não pretendemos dar até que tenham sido tentadas outras possibilidades. Só quem é mãe pra entender o que tenho passado por estes dias...

David Gray (dos meus Top 5)

Acabei de me dar conta que estou escrevendo neste blog há 3 meses e ainda não falei de música...então resolvi começar pelo meu artista favorito dos últimos anos: David Gray - aliás, estou ouvindo o álbum aqui do lado agora mesmo, o favorito da minha coleção e eleito unânimamente como clássico pelos críticos (White Ladder, 2000).

Com uma carreira de mais de 10 anos e vários álbuns lançados, o cantor inglês alcançou sucesso estrondoso na Irlanda e na Inglaterra graças a White Ladder, que ficou semanas nas listas de mais vendidos e cuja turnê de shows esgotou totalmente (o show gravado em Dublin é sublime, meu music DVD favorito). Mas o sucesso internacional só veio mesmo em 2002, com o lançamento de A New Day at Midnight. Em 2005, ele lançou Life in Slow Motion, sendo que sua carreira é acompanhada por um fanclub dos mais fiéis em todo o mundo (eu inclusive).

Sua música costuma ser classificada, entre outras coisas, de folk ou alternative (adult) rock, mas eu prefiro simplesmente rock ballad. Em alguns momentos, ele faz lembrar o Damien Rice, que estourou nas paradas com a trilha sonora de Closer ano passado (embora eu já o conhecesse e adorasse beeeeeeeem antes disso). Mas o Damien Rice é um capítulo à parte, então fica para outra vez!

Feriado nacional

Hoje no meu calendário é feriado nacional...assim sendo, eu não poderia deixar esta data passar em branco. É que hoje faz exatamente 1 ano que meu ex-marido saiu de casa (a papelada do divórcio mesmo saiu no final de março). Só quem já passou por isso pode imaginar o que esta data representa para mim.

Em retrospectiva, posso dizer que minha saúde mental e emocional melhorou muito. E não tenho dúvidas de que foi não apenas a única, mas também a melhor decisão: hoje até somos amigos! (ironia do destino.)

PS. Quem quiser uma fatia do bolo, é só pegar! hehehe...deixei vocês com água na boca de novo.

Pinky, minha outra paixão japonesa!


Comentei anteriormente aqui no blog que peguei o hábito de ficar olhando fotos da Blythe no www.flickr.com. Pois eu gosto ainda mais das lindas e pequeninas Pinky (uma espécie de Polly Pocket japonesa, só que muito mais legal do que a versão da Mattel). Pra quem não pegou minha fase japonesa no orkut (mudei meu álbum de novo, a versão atual é Desperate Housewifes, check it out!), esta foto dá uma idéia do que estou falando (esses dias cinzentos de outono me dão uma vontade de ser criança de novo...).

Viajando de avião
Liam vai passar o natal com o pai e a família na Inglaterra. É sua quarta viagem à Inglaterra, mas a segunda vez que ele anda de avião...O menino está apreensivo, a última vez que entrou em um avião ele tinha 8 meses e nem se lembra! Ele também já fez o trajeto de carro (Stena Line) e de trem (EuroStar). A viagem de Stena Line, há 3 anos atrás, foi maravilhosa: jantamos e tomamos café da manhã no restaurante do navio, dormimos em uma cabine com beliche e banheiro, tudo muito confortável! Mas desconfio que ele gostou mesmo foi da viagem de EuroStar com o pai no natal retrasado - Liam é louco por trens!

Obra em Aberto

Interessante como qualquer obra literária ou cinematográfica é acima de tudo, uma obra em aberto - ou seja, uma obra aberta a todas as possíveis interpretações (desde as mais óbvias até as mais inviáveis, o céu é o limite). Assim como cada pessoa tem sua experiência e visão do mundo, a sua interpretação de um filme (ou livro) será sempre baseada em sua experiência ou visão de mundo. E no final das contas, não existe apenas O filme, mas vários filmes. Não existe apenas O livro, mas vários livros.

Eu acho interessante ler comentários de outras pessoas sobre um mesmo filme...embora muitas vezes eu tenha a nítida sensação de que assistimos filmes diferentes. O mais engraçado (ou constrangedor) é quando você vai a uma sessão de cinema com um amigo e ao discutirem o filme na saída, você desconfia (com razão) que assistiram dois filmes diferentes! Felizmente, isso raramente acontece comigo - até porque, tenho o hábito de assistir filmes estranhos com gente esquisita, rsrsrs.

A questão da interpretação é um assunto discutido à exaustão em aulas de análise literária e conhecida daqueles que, como eu, cursaram uma Faculdade de Letras. Até que ponto é possível fazer uma interpretação objetiva de uma experiência subjetiva (e assistir um filme ou ler um livro é uma experiência subjetiva). E sim, existem ferramentas para analisar essas obras, a começar pelos cursos de Cinema e Teoria Literária. Mas em princípio, uma obra sempre será uma obra em aberto.

Recebi de uma amiga

Há muito tempo, num reino distante, havia um rei que não acreditava na bondade de Deus. Havia, porém, um súdito que em todas as situações lhe dizia:"Meu rei, não desanime porque tudo que Deus faz é perfeito, Ele não erra!"

Um dia, eles saíram para caçar e uma fera atacou o rei. O súdito conseguiu matar o animal, mas não pôde evitar que sua majestade perdesse um dedo da mão. Furioso e sem mostrar gratidão por ter sido salvo, o nobre disse: "Deus é bom? Se Ele fosse bom eu não teria sido atacado e perdido o meu dedo." O servo apenas respondeu: "Meu Rei, apesar de todas essas coisas, só posso dizer-lhe que Deus é bom, é que mesmo perder um dedo é para o seu bem. Tudo o que Deus faz é perfeito, Ele nunca erra!"

Indignado com a resposta, o rei mandou prender o súdito. Tempos depois, saiu para uma outra caçada e foi capturado por selvagens que faziam sacrifícios humanos. Já no altar, prontos para sacrificar o nobre, os selvagens perceberam que a vítima não tinha um dos dedos e o soltaram: ele não era perfeito para ser oferecido aos deuses. Ao voltar para o palácio, mandou soltar o súdito e o recebeu afetuosamente.

"Meu caro, Deus foi realmente bom comigo! Escapei de ser sacrificado pelos selvagens justamente por não ter um dedo. Mas tenho uma dúvida. Se Deus é tão bom, por que permitiu que você, que tanto o defende, fosse preso?" "Meu rei, se eu tivesse ido com o senhor nessa caçada, teria sido sacrificado em seu lugar, pois não me falta dedo algum.Por isso, lembre-se:tudo o que Deus faz é perfeito, Ele nunca erra!"

Muitas vezes nos queixamos da vida e das coisas aparentemente ruins que nos acontecem, esquecendo-nos que nada é por acaso e que tudo tem um propósito.Todas as manhãs, ofereça seu dia à Presença Divina que habita seu coração.Peça-Lhe para inspirar seus pensamentos, guiar seus atos, apaziguar seus sentimentos. E nada tema, pois Deus nunca erra!

Engraçado...

Engraçado como a vida da gente muda. A vida que eu tinha antes de ter meu filho por exemplo, praticamente deixou de existir. Mais do que a mudança de continente (que fiz há 13 anos), a maternidade foi um divisor de águas. Antes de ser mãe, minha vida não era muito diferente daquela de uma amiga blogueira: viagens curtas, restaurantes, shows de rock e acima de tudo, muito cinema. Foi a fase de namorar, morar junto, muitas orgias gastronômicas e otras cositas más que não me atrevo a mencionar em um blog público, hehehe. Essa fase durou uns 5 anos...os 5 anos seguintes foram bem outra coisa, com um bebê pra cuidar sozinha e sem tempo pra cuidar de mim mesma (nem do meu casamento, nem da minha carreira). Se ser mãe por si só já é difícil, ser mãe no exterior - longe da família e em uma cultura totalmente diferente - é muito mais complicado do que as pessoas costumam imaginar.

Só sei que prometi a mim mesma nunca colocar a culpa no meu filho. E nem poderia, pois a culpa não foi dele e sim de um conjunto de fatores (a começar por um casamento fadado ao fracasso). Mas não vou mentir: quase sete anos depois, continuo tentando me adaptar à nova vida. Continuo tentando retomar o fio da meada. E a boa notícia é que, desde o divórcio, sinto que estou mais próxima de me reconciliar comigo mesma, sinto que estou conseguindo recriar a minha vida. Sem falar que a guarda alternada tem provado ser a solução ideal.

Não me entendam mal: não é o fim da linha, muito menos o fim do mundo. E eu desconfio que o segredo seja aceitar o que não podemos mudar e tentar mudar o que pode ser mudado. Com o passar dos anos, aprendi a definir minhas prioridades. Pouco a pouco, comecei a perceber onde foi que as coisas começaram a dar errado. E um belo dia, compreendi que não é uma questão de colocar a culpa em alguém (ou em si mesmo) pelos erros que cometemos, até porque todos cometemos erros.

Confesso que em algum momento da estrada, cometi um erro de cálculo pelo qual ainda tenho dificuldades de me perdoar - mas sei que perdoar a si mesmo é o primeiro passo para uma nova vida. E a vida muda o tempo todo, ainda bem!

À Moda Antiga



Não sei se estou ficando nostálgica ou velha (só sei que não pretendo ser avó por muitos e muitos anos), mas achei umas ilustrações belíssimas no Flickr - como esta aqui para ilustrar meu post sobre muffins, cookies e pancakes! Sou fascinada por ilustrações de livros infantis e dos anos 50 e 60, também chamadas de Vintage.

Sobre guloseimas


Mais uma mania que eu podia ter colocado na minha lista: muffins, cookies e pancakes!

Há tempos atrás comprei um Livro de Muffins e desde então venho testando receitas - desde os tradicionais muffins de chocolate, até muffins de maçã com canela, banana com nozes, banana com manteiga de amendoim (peanut butter), etc. Minha outra paixão secreta são os biscoitos caseiros, como as irresistíveis chocolate chip cookies e todas suas variações - ainda bem que agora tenho uma criança em casa pra me ajudar a comer!

As pancakes são um capítulo a parte, aqui na Holanda tem uma coisa maravilhosa chamada poffertjes (mini-panquecas macias, servidas com calda, açúcar de confeiteiro e manteiga, foto à esquerda). Como se não bastasse, ainda tem a tentação dos Belgische Waffels (foto à direita), que nesta época do ano são feitos na hora e vendidos em barraquinhas espalhadas pela cidade (com ou sem calda de chocolate!!!).

Um dia de cada vez

Hoje só quero dizer uma coisa: há luz no fim do túnel. As traduções estão começando a aparecer de novo e arrumei uma aluna pra dar aulas semanais de holandês, enquanto as vacas andam magras...

O negócio é não desistir e seguir em frente com a cara e a coragem. As coisas sempre melhoram - e sim, eu já devia saber disso pois já fui salva na hora H inúmeras vezes.

Não sei se sou eu mas tem épocas na vida que tudo parece ficar em suspenso, em que concluímos (com muito custo) uma fase da vida e nos preparamos para iniciar outra: transições. Época em que sentimos que algo está prestes a acontecer e a gente segura a respiração e agüenta firme. Hoje tudo que eu queria era resolver minha situação profissional - depois do divórcio é a minha maior meta para os próximos anos. Termina uma batalha, começa outra. O que não me mata, me fortalece.

Estou sem saco, sem inspiração, sem traduções e sem dinheiro - preciso dizer mais alguma coisa? Me vem à mente um dos meus poemas favoritos de Paulo Leminski:

podem ficar com a realidade
esse baixo astral em que tudo entra pelo cano
eu quero viver de verdade

eu fico com o cinema americano


O cúmulo da procrastinação



Descobri o cúmulo da procrastinação e no meu caso ele se chama www.flickr.com.

Pelo amor de Deus, as fotos do site são fantásticas e muito superiores às que vi até hoje no Fotolog. São fotos de amadores e profissionais agrupadas em categorias (clusters) para todos os gostos...lugares, pessoas, carros, flores, brinquedos, bichos de estimação, comida e tudo o mais que sua imaginação possa sonhar, você encontra no flickr.

Eu mesma achei páginas e páginas dedicadas às bonecas mais cobiçadas do planeta (as Blythe da foto acima: collector´s item made in Japan), revi lugares por onde andei (como Paris e Londres), vi lugares que ainda quero conhecer (como Cingapura e Sydney), encontrei peças de artesanato exclusivas e me inspirei com belas fotos de decoração. Em suma, tem de tudo pra todo mundo.

O cúmulo da procrastinação...

Sessão de cinema: Little Miss Sunshine

Maravilhoso, comovente, hilário. Little Miss Sunshine é uma pérola, uma comédia inteligente (e acima de tudo, sarcástica) sobre uma família totalmente dysfunctional em Albuquerque, New Mexico. A mãe, sempre tentando manter a paz do lar a todo custo. O pai, um exemplo vivo da mentalidade americana e do mito do self-made man, cuja maior meta é vender seu programa de motivação em 9 etapas (Como ser um vencedor!). O filho adolescente, em plena crise existencial e fissurado por Nietzsche. Frank, irmão da mãe e professor universitário especializado em Proust, que acaba de ser buscado no hospital após uma tentativa de suicídio. O avô, que fala o que pensa sem a menor cerimônia e é responsável por algumas das cenas mais hilárias do filme (e que foi expulso do asilo de velhos por usar heroína). E a personagem principal, Olive (a Little Miss Sunshine do título), uma menina de 7 anos cujo maior sonho é ganhar um concurso de Miss!

O filme é, antes de mais nada, uma sátira ao american way of life e retrata uma das maiores obsessões dos EUA (e do mundo moderno), a questão do sucesso, que poderia ser resumida na seguinte pergunta: do you want to be a winner or a loser?

Com muito humor, o filme questiona valores preconcebidos e nos mostra ainda que os losers também podem ser felizes à sua maneira. Em suma, seja você mesmo e seja feliz! Imperdível.

Missão cumprida

Minha querida amiga Tróia volta e meia me faz uma intimação e desta vez decidi atender ao pedido dela. Ela me pediu pra escrever sobre cinco manias que eu tenho, então vamos tentar...

1. Mania de cinema: sou cinéfila de carteirinha há mais de 20 anos, já freqüentei muita cinemateca, mostras e festivais de cinema. Cinema pra mim é mais do que mania, é a grande paixão da minha vida. Sinceramente, não sei o que seria de mim sem os filmes que assisti e ainda assistirei. Sem dúvida, devo muito da pessoa que sou hoje aos filmes que assisti (entre outras coisas, é claro).

2. Mania de ler: depois dos filmes, os livros - sou rata de livraria assumida! Meus grandes companheiros desde criança, leio desde que aprendi a ler. E sim, o pior analfabeto não é o que não sabe ler mas aquele que sabe ler e não lê...Nada como a companhia de um bom livro nas noites escuras e frias de inverno (é, o inverno está chegando aqui no norte europeu).

3. Mania de procrastinar: não sei se é mania, mas certamente é um defeito. A procrastinação tem sido minha companheira há anos, horrible but true. Comprei até um livro sobre o assunto que, obviamente, virou meu livro de cabeceira: The Procrastinator´s Handbook (Mastering the Art of Doing it Now) de Rita Emmett. Tróia, temos uma mania em comum, rsrsrs.

4. Mania de gastar dinheiro: pensando bem, isso não é mania - é defeito e dos grandes! Ainda mais porque não tenho renda fixa, trabalho como freelance. Quando entra grana, eu gasto, gasto e gasto mais ainda. E quando não tenho projetos, muitas vezes acabo tendo de pedir dinheiro emprestado pra pagar as contas. Péssimo, péssimo mesmo. Shame on You!

5. Mania de comer: tenho vergonha de dizer mas infelizmente sou daquelas pessoas que come quando está feliz, quando está infeliz, quando está ansiosa, para celebrar algo, para me confortar quando estou triste e por ai vai...mais do que uma mania inofensiva, desconfio que a comida seja uma obsessão na minha vida. E sim, estou muito acima do meu peso e não, não digo quanto peso nem por todo ouro neste mundo. Eu adoro os prazeres da mesa e também gosto de cozinhar (sei fazer muffins deliciosos, ainda bem que meu filho me ajuda a comê-los!)

Mais Scarlett Johansson

Não bastasse ter assistido Match Point (2005), Lost in Translation(2003), Girl with a Pearl Earring (2003) e Ghost World (2001), assisti esta semana mais dois filmes com a minha atriz favorita: A Good Woman (2004) e A Love Song for Bobby Long (2004).

A Good Woman é baseado no livro Lady Windermere's Fan de Oscar Wilde, o polêmico escritor irlandês. A Love Song for Bobby Long é uma história de misfits, escritores malditos, poetas, desilusões, erros do passado e algumas surpresas inesperadas, tendo como pano de fundo a boêmia cidade de New Orleans. Como todo enredo menos digerível, o filme divide os expectadores, alguns adoram, outros odeiam - eu achei o filme excelente, sem falar na ótima atuação da Scarlett e uma trilha sonora interessante (Grayson Capps).

Pra completar minha Scarlett week, ontem revi na tv um dos primeiros filmes da atriz, quando ela ainda era pouco conhecida - The Horse Whisperer. E agora aguardo ansiosamente o lançamento em novembro de Scoop, o novo filme do Woody Allen (com quem ela filmou Match Point).

Mensagem anônima

Queria deixar registrado que adorei a mensagem que um anônimo me enviou, confiram abaixo o texto. Um presente especial, como o sol que resolveu aparecer hoje ou ainda, um buquê de girassóis - uma mensagem de carinho, mas acima de tudo de esperança e perseverança em momentos difíceis. E chegou em boa hora, hoje que acordei sem vontade de sair da cama... minha vida tem sido uma batalha há anos e quando consigo reunir forças para me levantar e continuar meu caminho, acontece mais um imprevisto.

O último foi um acidente com a minha gatinha semana passada que me custou 400 euros quando já estou super dura (a gata está se recuperando bem mas a minha conta está zerada). E quando tudo que eu queria agora era um pouco de colo, as pessoas só dizem pra você ser forte e seguir em frente (e com razão, porque a vida não espera). Sim, estou cansada mas sei que sobreviverei mais esta (sou uma sobrevivente). Segue o texto que ganhei de presente.

Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria:
acesso ao sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora...
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída. (Mahatma Gandhi)

Obrigada, anônima(o).

O mundo de cada um, cada um no seu mundo

Ainda digerindo o fim de uma amizade, hoje me dei conta que em qualquer tipo de relação humana (seja casamento ou amizade), nem sempre gostar de uma pessoa é suficiente para que possamos conviver com ela. Uma revelação dolorosa, porque na verdade gostaríamos de conviver com todos em igualdade, o que muitas vezes simplesmente não é possível. No final das contas, é cada um no seu mundo.

O problema surge quando duas pessoas habitam dois mundos diferentes e quase antagônicos (aqui os otimistas usariam o termo complementares). E assim como no casamento se ilude quem acha que pode mudar o outro, na amizade é o mesmo, em maior ou menor grau. Não adianta querer carregar alguém pro seu mundo quando eles nunca farão parte dele – seja por mera questão de temperamento, bagagem de vida ou predisposição genética (uma longa discussão que prefiro deixar para outro dia).

O que complica ainda mais é o fato de a natureza humana buscar definições e categorias – definimos categorias para tentar entender o que na verdade não entendemos. O perigo é quando passamos a dividir as pessoas em categorias fixas: otimistas x pessimistas, alegres x ranzinzas, etc. Aí deixamos de ver que uma pessoa otimista também tem seus dias ruins e uma pessoa pessimista também tem seus dias de sorte. O ser humano é muito mais complexo do que as categorias que existem para classificá-lo.

Esta categorização (ou polarização) apenas exacerba as diferenças e restringe as possibilidades. Quando uma pessoa começa a ver a outra como apenas isso ou aquilo, sobra pouco espaço para troca. Para existir troca, as pessoas devem ser capazes de aceitar o todo e não apenas as partes. Me explicando melhor: a amizade deve dar espaço para que a pessoa seja não apenas uma coisa, mas também outra. Quando somos forçados a nos encaixar em apenas um modelo de comportamento, a amizade está fadada ao fracasso.

Para concluir, é fato que existem pessoas que já nascem predispostas à felicidade e outras nem tanto. Cientistas sociais, psicólogos e psiquiatras sabem há tempos que existe uma certa predisposição genética para a felicidade - como ela é definida pela sociedade moderna pois a felicidade é, acima de tudo, um valor pessoal.

Assim sendo, uma pessoa que sofre de doenças mentais (também sabiamente chamadas de distúrbios afetivos), sofre duplamente: pela doença propriamente dita e pela ignorância do mundo ao seu redor que espera um comportamento que ela nunca poderá ter, embora alguns comportamentos possam ser aprendidos (PNL).

Não, o rótulo não faz a pessoa mas a doença faz parte do todo. E o que alguns chamam de determinismo, outros chamam de ciência. Fica a pergunta: o copo está quase cheio ou quase vazio?

Férias escolares, parte II


Hoje passamos a tarde no Artis, o zoológico de Amsterdam, meu filho é associado e além de não pagar entrada, ainda me levou de convidada! Na falta de melhor programa, o zoológico é sempre diversão garantida para a garotada. E o de Amsterdam foi renovado nos últimos anos e está cada vez melhor. Além das usuais atrações, há um planetário, aquarium e vários cafés espalhados pelo local, além de playgrounds para todas as idades, desde os mais pequenos até as crianças maiores.

Hoje fomos presenteados com um belo dia de outono e além de rever girafas, elefantes, gorilas e chimpanzés, aproveitei pra matar saudades de meus bichos favoritos - os divertidos leões marinhos, o urso polar, os pinguins e os adoráveis racoons (quaxinim no meu dicionário Inglês-Português). Meu filho, por sua vez, não podia deixar de fazer sua visita às cobras, lagartos e jacarés...coisas de menino, nem adianta discutir!

Para concluir, visitamos ainda o recém-inaugurado Vlinder Tuin (Jardim das Borboletas, foto acima). Convenhamos, tem coisa melhor do que ser criança?!!

Férias escolares...de novo!



Aqui na Holanda as crianças parece que vivem de férias. Férias de primavera (1 semana), férias de verão (6 semanas em agosto e setembro), férias de outono (1 semana), férias de natal (10 dias), e por aí vai...Como resultado, mal me recupero de umas férias e logo vem outra surgindo no horizonte.

Estas férias de outono fizemos dois programas especiais. O primeiro foi o evento anual LEGO WORLD, o paraíso na terra para os pequenos fãs dos famosos blocos de construção - e acreditem, não estou exagerando! Meu filho é fanático por LEGO e há tempos constrói melhor do que eu. Trens, ônibus, carros de bombeiro, aviões, helicópteros e tudo o mais que os meninos tanto adoram (sem falar nos Bionicles).

Aqui na Europa, apesar de caro, LEGO é um dos brinquedos favoritos - tanto das crianças como dos pais (e avós). E com toda razão, pois além de super resistentes, os blocos são educativos e estimulam o desenvolvimento. E talvez o mais importante: LEGO é sinônimo de horas de diversão nas tardes chuvosas de outono e nos frios dias de inverno do norte europeu. Combinados a um chocolate quente, pipoca feita em casa e um bom filme infantil em DVD, devo admitir que sobrevivemos!

A Coisa

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

(Mário Quintana em Caderno H)

O Outono

Ando de saco cheio, sem vontade de fazer nada a não ser procrastinar (a arte da procrastinação ainda renderá outro tópico por aqui). Impressionante como a mudança das estações me afeta, principalmente a chegada do outono no hemisfério norte, que me remete imediatamente ao longo e tenebroso inverno que o sucede, dias curtos e noites longas.

Noites em claro em que acordo no meio da noite e não consigo dormir por horas, com tanta coisa na cabeça, coisas boas e coisas ruins...hemisfério sul, hemisfério norte, meus fantasmas me acompanham onde quer que eu vá (não tem como fugir da gente mesmo). Uma coisa ao menos é certa: melhor se arrepender das coisas que você fez do que daquelas que deixou de fazer. Em toda a minha vida, talvez tenha me arrependido de umas duas ou três coisas que fiz...e mesmo essas coisas têm sua devida importância porque me tornaram a pessoa que sou hoje! O que não me mata, me fortalece.

Por outro lado, as coisas que, por uma razão ou outra, deixei de fazer ou não pude fazer em um determinado momento, estas me tiram o sono. É quando eu penso: um dia de cada vez, não se pode ter tudo na vida. Sim, tem horas que a gente só consegue usar clichês -- e me desculpem os incomodados mas o ser humano por si só já é um clichê.

A vida é feita de sonhos - alguns realizados, outros não, e outros tantos que aprendemos a abrir mão ao longo do caminho para podermos seguir em frente. O que me resta é a profunda convicção de que a gente sempre faz o melhor que pode em um determinado momento.

Recordações de viagem

Saudades das muitas viagens que fiz, hoje decidi postar imagens em vez de palavras. Começando pelo começo: Dublin. Minha porta de entrada para a Europa, onde cheguei em dezembro de 1993. Na foto: o rio Liffey.


Trinity College, uma das instituições de ensino mais famosas da Europa. Na foto abaixo, o Irish Film Center em Temple Bar, meu lugar favorito para assistir filmes, entre eles, a Mostra de Cinema Francês.




Temple Bar, bairro com uma variedade de pubs e cafés que atraem o público jovem, e o nome deste pub na esquina. Aqui é onde a noite acontece na capital irlandesa.


O tradicional Bewley´s Café da Grafton Street onde passei algumas tardes chuvosas de domingo tomando chá com danish pastries e batendo papo com amigos.




Sobre blogs e blogueiros

Para cada tipo de blogueiro existe um tipo de blog, cada um com seu devido valor. Uns escrevem por necessidade, outros por prazer. Outros ainda simplesmente por escrever, sem maiores pretensões do que a de ter um blog. Blogs “extrovertidos”, que descrevem acontecimentos externos e blogs “contemplativos”, que descrevem processos internos. E há ainda aqueles que fazem a gente rir.

Quem acompanha minha trajetória aqui já percebeu que eu escrevo por pura necessidade. Mas tenho uma amiga que escreve pelo simples prazer das palavras (e como é gostoso ler o que ela escreve). Ela brinca com as palavras e seus significados, coisa de escritor que já nasce feito!

Quanto a mim, me satisfaço em brincar com meus pensamentos e em tentar organizá-los em palavras. Talvez uma tentativa inconsciente (mas nem tanto assim) de colocar ordem no caos. No final das contas, escrevo para tentar entender a mim mesma. E com alguma sorte, para entender o sentido da vida.

Preocupação de mãe

Enquanto o Liam se preocupa com seu presente de natal eu, como toda mãe que se preze, tenho outras preocupações na cabeça. É que semana passada tive (mais) uma reunião na escola com a professora e a pedagoga. Devido a problemas no desenvolvimento, Liam vem sendo testado há mais de ano por uma equipe multidisciplinar - ainda sem diagnóstico definitivo. Falava-se em Síndrome de Asperger, agora em PDD-NOS, e eu ultimamente tenho desconfiado de algo mais óbvio: dislexia. PDD-NOS é um distúrbio pervasivo de desenvolvimento que se encontra no espectro do autismo - embora seja uma forma bem mais leve que passa muitas vezes despercebida, e na maioria dos casos a criança nem precisa ir para uma escola especial, como nos casos clássicos de autismo.

Eu, que não sou pedagoga nem psiquiatra infantil mas apenas mãe, sugeri desde o início que possa ser uma reação emocional às dificuldades que tivemos em casa nos últimos anos. Uma reação até normal, ainda mais depois de ler em um livro que as crises antes do divórcio podem afetar uma criança tanto ou mais quanto o que vem depois dele. E aqui em casa, o período que antecedeu o divórcio foi muito pior (hoje não apenas temos guarda alternada como nos falamos regularmente e sem maiores conflitos).

No final das contas, se trata do fenômeno que discuti ontem com uma amiga. No tempo da minha mãe, não existiam tantas crianças autistas, com síndrome de Asperger, ADHD, etc. Hoje em dia, se você não prestar atenção, mais cedo ou mais tarde seu filho será rotulado (receio que muitas vezes indevidamente). The worst case scenario já é rotina nos EUA: crianças que crescem tomando Ritalin (tratamento para ADHD) ou mesmo Prozac (antidepressivo).

Nessas horas me pergunto em que mundo estamos vivendo e temo que a sociedade moderna esteja cada dia mais doente...que futuro esperar para nossos filhos? A vida sem dúvida era muito mais simples quando eu ainda acreditava em Papai Noel (e no coelhinho da Páscoa).

Preocupação de criança


Quem pensa que vida de criança é fácil, está enganado! Mal chegou outubro e Liam não apenas já escolheu seu presente de natal (um set de trem elétrico) como me perguntou hoje cedo como ter certeza de que o Papai Noel saberia o presente certo. Eu disse que podíamos mandar uma carta explicando o que ele deseja ganhar mas ele insiste: e como a carta vai chegar no Polo Norte? E eu respondo, sem pensar muito: de avião, como todas as outras cartas!

E ele, ainda insatisfeito: mãe, mas não esquece de dizer que é o trem Thalys da Intertoys, está bom? Eu sei que o Papai Noel sempre traz presentes bonitos, mas é que eu quero muito este trem.

E já que estamos falando de natal, eu só queria o DVD de Grey´s Anatomy (série 1) que acaba de sair nas lojas daqui!

PS. Para os desavisados, Thalys é o trem que faz o percurso Amsterdam-Paris, que fizemos em abril no aniversário do Liam. Desnecessário dizer que a viagem de trem por si só já foi um presente inesquecível! Como é gostoso ser criança.

Injeção de ânimo

Hoje à tarde fiz uma das coisas que mais curto fazer nesses dias de outono: ir a um café bater papo com uma amiga. Para quem estava desanimada e nem queria sair de casa, descobri que encontrar com a Anna é uma injeção de ânimo: e funciona na hora! Após dias de muita turbulência e instabilidade meteorológica (no sentido literal e figurado), voltei pra casa devidamente reanimada e já me sentindo mais leve. Nada como uma companhia agradável para espantar as nuvens que pairam ameaçadoras no horizonte. Nada como uma amiga genuinamente interessada para nos ajudar a ver as coisas como elas realmente são - nem mais, nem menos. São pessoas assim que nos facilitam a travessia em tempos turbulentos.

A verdade é que estou passando por um daqueles processos inevitáveis na vida de todos nós em que precisamos redefinir nosso círculo de amizades. Como outra amiga, também muito sábia, bem soube resumir: estou fazendo uma faxina emocional na minha vida, iniciada com o divórcio, há menos de um ano.

E ao redefinir minhas relações e repensar conceitos hoje - como o conceito de amizade, tão recorrente nos meus últimos posts - começo a ter a nítida sensação de estar voltando pra casa. E o que talvez seja o mais importante, tenho sido coerente comigo mesma, uma sensação de alívio inigualável.

No final das contas, tudo acaba bem.

tempo instável, nuvens esparsas e probabilidade de chuvas e tempestades. e ainda sem previsões meteorológicas para a próxima semana (volto quando as nuvens clarearem).

Auto-retrato

instável, emotiva, tagarela, mas também profunda e contemplativa, dada a divagações sobre a vida, a morte, e tudo o que vem (ou não) depois dela. extrovertida com períodos agudos de introversão. alguém que sabe apreciar tanto a boa companhia quanto os momentos de solidão. mística, acredita que nada na vida acontece por acaso (e por via das dúvidas, sabe ler as cartas do tarô). apreciadora das coisas boas da vida e principalmente da sétima arte (e dos bons vinhos).

sincera ao ponto de ser rude (tentando mudar), mas acima de tudo uma pessoa (hiper)sensível e apaixonada por seus amigos. e pra não dizer que só falei de flores: carente, hipocondríaca, ansiosa, depressiva, enfim...humana.

E por falar em Scarlet Johansson

Can you keep a secret? I'm trying to organize a prison break. We have to first get out of this bar, then the hotel, then the city, and then the country. Are you in or you out?


Não resisti e decidi falar sobre um dos meus filmes favoritos dos últimos tempos: Lost in Translation.

Dois personagens perdidos em Tóquio, dois personagens vivendo crises pessoais que se cruzam no lounge-bar de um hotel 5 estrelas e tornam-se inseparáveis, cúmplices do destino. Ela, uma jovem recém-formada e casada há pouco tempo que veio acompanhar o marido fotógrafo em uma viagem a trabalho. Ele, um ator cinquentão em plena crise de meia-idade, em fim de carreira e casado há mais de 20 anos.

Compreensível a escolha de Tóquio como cenário do filme. Uma cidade estranha (aos olhos ocidentais) que reforça ainda mais o sentimento de estranhamento de ambos os personagens, que perderam o rumo de suas próprias vidas. É essa cumplicidade que faz com que eles criem um vínculo interessante e pouco usual nas telas de cinema.

Um filme em que as imagens valem mais do que as palavras, em que o que é dito nas entrelinhas é tão ou mais importante do que o que é dito nas inúmeras conversas entre os protagonistas. Fica aquela sensação inevitável de estranhamento - do mundo ao seu redor e, acima de tudo, de si mesmo - tão familiar a alguns de nós, humildes mortais.

Sessão de cinema: Match Point

People are afraid to face how great a part of life is dependent on luck. There are moments in the match when the ball hits the top of the net and for a split second it can either go forward or fall back. With a little luck it goes forward and you win or maybe it doesn´t, and you lose.”

Acabei de assistir Match Point, o último filme de Woody Allen. Como eu não esperava nada do filme (apesar de ele ser um de meus diretores favoritos), devo admitir que o filme surpreendeu. Sem falar na atuação sedutora de uma das minhas atrizes favoritas da atualidade: Scarlett Johansson (Lost in Translation e Girl with a Pearl Earring, entre outros).

O enredo é interessante, para não dizer macabro (não vou dizer mais nada porque senão estrago o prazer de quem ainda não assistiu). Chris, um rapaz irlandês de origem humilde, muda-se para Londres e, em busca de ascensão social, decide dar aulas de tênis em um clube exclusivo, onde tem a sorte de conhecer a filha de um magnata. Eles começam a namorar e ele cai nas graças da família dela, o que lhe assegura um ótimo emprego e uma vida bastante confortável. Tudo isso até que por obra do destino, ele se apaixona perdidamente por Nola, a então noiva de seu futuro cunhado. Aspirante à atriz, Nola é acima de tudo uma femme fatale no melhor estilo de Hollywood. Eles acabam se envolvendo e mesmo depois que Tom termina o relacionamento com Nola, ela e Chris continuam se encontrando às escondidas. Até que mais um golpe do destino o obriga a tomar uma decisão importante.

No estilo de Crimes and Misdemeanors, pode-se dizer que o filme lida basicamente com dois temas: sorte e destino. A chave do filme está nas palavras narradas logo na abertura do filme e ilustradas com maestria na cena do anel, mais para o final.

A loucura nossa de cada dia

Com os avanços na psiquiatria e a possibilidade de diagnósticos cada vez mais precisos, o mundo moderno vem sendo habitado por um número cada vez maior de bipolares, depressivos e borderliners. Mas eu desconfio que esses distúrbios sempre existiram, eles apenas ainda não haviam sido catalogados e diagnosticados. O que parece persistir até os dias de hoje é a ignorância - ignorância daqueles que não viveram um distúrbio mental na pele ou na família.

Pessoas que acreditam que tudo é uma questão de força de vontade, de pensar positivo e fazer caminhadas diárias no parque, fazer uma alimentação saudável (muitas frutas e verduras frescas) e dormir 8 horas por dia. Quem um dia sofreu de depressão sabe que isso não apenas não funciona, como ainda deixa a pessoa se sentindo ainda mais culpada...e deprimida! Nesses momentos, os amigos podem se transformar em inimigos porque não apenas não compreendem como esperam da pessoa algo que para ela é impossível. A verdade é que pensar positivo e fazer caminhadas diárias não são coisas que uma pessoa realmente deprimida é capaz de fazer. Na maioria dos casos, o que funciona mesmo é uma combinação de medicamentos (antidepressivos) e terapia.

Eu mesma fui diagnosticada há 2 anos com depressão dupla (distimia e depressão clínica), e a partir daquele momento, algumas coisas subitamente começaram a fazer sentido. A jornada é longa: primeiro o diagnóstico, depois o tratamento adequado e finalmente, a cura (sim, a cura é possível mesmo que em alguns casos existam reincidências).

Mas estou escrevendo isso porque recentemente uma amiga foi diagnosticada como bipolar e eu entendo perfeitamente o que ela está passando...como eu mesma disse a ela outro dia ao telefone: o pior não é a doença em si, mas a ignorância das pessoas. Você acaba sofrendo duplamente: pela doença e pela falta de compreensão das pessoas ao seu redor. Por outro lado, o diagnóstico não é desculpa pra ser infeliz nem pra levar uma existência miserável (mas que explica muita coisa, isso explica). Afinal de contas, conhecer seus limites e aprender a lidar com eles no dia-a-dia também é uma forma de autoconhecimento. E muitas vezes são justamente esta vulnerabilidade e fraqueza que nos tornam mais fortes e humanos.

Ganha-se de um lado, perde-se de outro

A vida no final das contas é isso: perdas e ganhos. Talvez a sabedoria esteja em agradecer a Deus pelos ganhos em vez de nos sentirmos tristes pelas perdas (algumas inevitáveis ao longo do caminho, quem nunca perdeu um amigo que atire a primeira pedra!). Porque até quando perdemos, ganhamos algo, é tudo uma questão de ponto-de-vista.

Amizades há por toda parte, de todos os tipos e tamanhos, amizades pra todos os gostos. Algumas sinceras, outras nem tanto. Amizades pra ir ao cinema, pra ir ao café, para cair na noite, pra ficar pendurado horas no telefone, pra dividir alegrias e tristezas. Amizades pra rir junto, outras pra chorar junto, e umas poucas pra rir e chorar juntos (estas são mercadoria rara e devem ser cultivadas com o devido carinho e respeito).

Acima de tudo, nós é que escolhemos o tipo de amizade que queremos em nossas vidas, uma escolha estritamente pessoal. O que pra você é uma amizade verdadeira pra mim deixa muito a desejar e vice-versa. Olhando à minha volta, vejo pessoas muito especiais e, por um momento, sei que não estou sozinha e isso basta para clarear os horizontes.

Uma palavra, um telefonema, até mesmo um scrap de alguém querido já torna a vida mais leve, e é para isso que servem os amigos!

Pausa para reflexão




É preciso tempo para digerir o fim de uma amizade. Sim, as expectativas eram minhas, mas por outro lado, acho humano e normal esperarmos algo do amigo, é normal querermos compartilhar nossos melhores e piores momentos com estas pessoas especiais que escolhemos para fazer parte de nossa vida. Mente quem diz que não tem expectativas: a gente sempre espera alguma coisa - de alguns mais, de outros menos, mas sempre esperamos algo.

Não, não estou falando em cobrança, nem em possessividade - apenas em amizade verdadeira, daquelas em que o amigo se preocupa genuinamente com o bem-estar do outro e sabe não apenas compartilhar alegrias, mas principalmente suavizar a dor. Ele não precisa ter as palavras certas nem oferecer aconselhamento profissional (para isso existem os psicólogos e psiquiatras), ele não precisa ter a solução para todos nossos problemas, basta sua presença amiga para ajudar a atravessar as tempestades da vida. No final das contas, não é tão complicado assim. Uma coisa é certa: amizade não se esmola - ou é ou não é, as simple as that.

Para encerrar, este belíssimo poema irlandês.

A Friendship Blessing
May you be blessed with good friends.
May you learn to be a good friend to yourself.
May you be able to journey to that place in your soul where there is great love, warmth, feeling and forgiveness.
May this change you.
May this transfigure that which is negative, distant or cold in you.
May you be brought in to the real passion, kinship and affinity of belonging.
May you treasure your friends.
May you be good to them and may you be there for them, may they bring you all the blessings, challenges, truth and light that you need for your journey.
May you never be isolated, but may you always be in the gentle nest of belonging with your anam cara.

PS. anam cara is celtic for soul friend. Este poema encontra-se em um dos meus livros favoritos: Anam Cara - Spiritual Wisdom from the Celtic World, de John O´Donohue. Leitura altamente recomendada para os tempos modernos, em que as pessoas precisam resgatar o que realmente é importante na vida.

Sujeito Indireto

Quem dera eu achasse um jeito
de fazer tudo perfeito,
feito a coisa fosse o projeto
e tudo já nascesse satisfeito.
Quem dera eu visse o outro lado,
o lado de lá, lado meio,
onde o triângulo é quadrado
e o torto parece direito.
Quem dera um ângulo reto.
Já começo a ficar cheio
de não saber quando eu falto,
de ser, mim, indireto sujeito.

Paulo Leminski

What the Bleep do We Know?!!



Absolutamente fantástico! Não tenho outras palavras para descrever o documentário que assisti domingo passado -- o tipo de filme que faz você repensar suas idéias preconcebidas sobre o mundo e sobre a realidade à sua volta (ou seria melhor dizer, como ela é vivenciada por você).

O documentário coloca, em uma linguagem acessível aos leigos, os principais conceitos sendo discutidos na Ciência Moderna -- e, mais especificamente, no campo da Física Quântica. Com a ajuda de animação gráfica de última geração, o filme guia o expectador através de uma jornada sem volta...uma jornada pelo campo das possibilidades infinitas, onde descobriremos que a realidade não é o que vemos e nem tampouco o que a ciência nos vinha fazendo crer até pouco tempo atrás.

Com base nas últimas descobertas no campo da Física Quântica, físicos, filósofos e místicos afirmam em seus depoimentos que a matéria não é sólida como costumamos pensar -- mas etérea, mutável e o que é mais surpreendente, pode ser alterada por nossos pensamentos.

Uma das principais mensagens é que nós temos o controle sobre nosso corpo e nossas emoções, e podemos escolher conscientemente a realidade em que queremos viver (o que já era sabido por vários líderes espirituais do mundo todo, entre eles Deepak Chopra em seu belíssimo livro A Cura Quântica, publicado no Brasil em 1991).

Portanto, todo cuidado é pouco: este filme pode mudar sua vida!

PS. O filme foi distribuído no Brasil com o título Quem Somos Nós?

Diz o ditado que os amigos são a família que a gente escolhe...mas e quando eles não escolhem a gente? Acho que o problema é quando a gente espera dos outros algo que eles não podem (ou não querem) nos dar. Ou simplesmente, quando não fazemos parte da família que eles escolheram para si mesmos (e sim, a verdade às vezes dói mas é inevitável).

Hoje estou melancólica, deve ser a chegada do outono...mas passa. Como as estações do ano, tudo muda o tempo todo. Não adianta se prender a emoções antigas quando elas simplesmente deixaram de existir, deixaram de ter sua razão de ser. A vida é plena de possibilidades -- precisamos aprender a deixar o rio fluir.

Filho de peixe, peixinho é...




Os filhos são um pedacinho da gente neste mundo. Meu filho é a cara do pai mas com o meu temperamento (não, não posso reclamar que ele não tem nada de mim). Um menino extrovertido, sociável, tagarela e nada tímido...o pai dele, por outro lado, é um exemplo típico de introversão, muito tímido e de poucas palavras.

Pois o Liam é uma mistura dos dois e isso faz dele uma criaturinha única e admirável! Um menino que adora acampar e explorar a natureza, sabe os nomes das árvores, insetos e cobras (o pai dele adora a natureza) mas que também sabe curtir um bom filme ou um livro com belas ilustrações (a paixão por filmes e livros ele herdou da mãe, e espero que continue por muitos e muitos anos, livros são ótimos companheiros -- e os filmes, simplesmente não posso imaginar minha vida sem eles).

Pensando bem, como o pai dele e eu temos interesses diferentes, isso é um acréscimo pois inevitavelmente ele acaba sendo apresentado ao melhor de dois mundos -- o mundo da natureza (em todas as suas formas) e o mundo das cidades (e tudo que existe dentro delas). O mundo dos animais e das plantas e o mundo do cinema e da literatura infantil, entre outras coisas. Duas visões de mundo que podem e devem se complementar.

E no final das contas, o mundo está cheio de coisas fascinantes a serem descobertas! Quem sabe os adultos não deveriam seguir o exemplo das crianças e (re)aprender a ver o mundo como se olhassem pela primeira vez...há maravilhas por toda parte, basta ter olhos e saber ver.

Os números

Ainda sobre a guarda alternada: e não é que ela é menos usual do que eu pensava? Num artigo que achei na net hoje, li que na Holanda a guarda alternada é adotada apenas por 3% dos casais que se divorciam (me pergunto qual seria este índice no Brasil).

Ela não está ainda na legislação, sendo apenas um contrato formal entre as duas partes (pai e mãe). Ou seja, é reconhecida em algumas instâncias, mas não na legislação propriamente dita. Agora me deu arrepios...sou mais pioneira do que eu pensava (e sim, eu já devia ter me acostumado com isso) !!!

A guarda alternada

Depois de 6 semanas de férias de verão, esta semana meu filho voltou às aulas e inauguramos oficialmente a guarda alternada como haviámos planejado final do ano passado...até então eu tinha a guarda do Liam durante a semana e o pai dele todo fim-de-semana, um esquema relativamente comum (embora mais comum seja dois fins-de semana alternados por mês para o pai).

Pois bem, coração de mãe é bicho estranho, e confesso que está sendo mais difícil do que andei alardeando por aí...Não, não tenho a menor dúvida de que a guarda alternada foi a melhor escolha que fizemos mas na prática, há muito com que se acostumar sim. Basicamente, meu filho vive metade do tempo com o pai e metade do tempo comigo, ele tem duas casas (e dois quartos!). Ou seja: agora sou mãe uma semana sim, outra não.

Convenhamos, não é o esquema mais usual, mesmo em tempos modernos com recordes de divórcio em todo o mundo. Pra piorar, volta e meia ouço uma reação de mãe: eu não conseguiria fazer isso que você está fazendo, ficar tantos dias sem ver meu filho! Pois eu consigo (sinto saudades, mas consigo), simplesmente porque penso no meu filho antes de pensar em mim mesma, amor de mãe é assim. Sei que ele precisa de um pai tanto quanto precisa de uma mãe -- eu não tenho o direito de destruir esta relação que eles estão construindo!

Engraçado como sempre fui uma ovelha negra...até mesmo na hora do divórcio, optei intuitivamente pela solução menos convencional. Embora a guarda alternada venha se tornando cada vez mais popular aqui na Europa (França, Inglaterra, Holanda, etc), ela ainda é algo relativamente novo, mesmo em termos jurídicos. No final das contas, o divórcio não foi escolha dos filhos e sim dos pais, e não temos o direito de tirar deles mais do que já tiramos! Felizmente, muitos psicólogos já comprovaram que pior do que ser filho do divórcio é ser filho em um casamento infeliz, em que ninguém consegue funcionar direito...

Moral da estória: cada um vive como pode.

Pura admiração

Hoje estava lendo a entrevista de uma amiga que conheci na minha comunidade favorita do orkut e confirmei o que já sabia há tempos: a enorme admiração que tenho pela pessoa que ela é, pura e simplesmente.

Nos dias de hoje é muito difícil encontrarmos pessoas genuínas, que não têm medo de expôr e defender suas idéias, pessoas cuja vida é regrada pela ética pessoal e profissional (no sentido original da palavra), pessoas articuladas e diretas que sabem se impor sem serem agressivas, que sabem discutir sem julgar os outros. Que falam sem mandar recado mas que também sabem ficar caladas quando o momento pede. Eu sempre admirei pessoas que sabem quando falar e quando calar, e ela é um dos maiores exemplos que conheço atualmente.

Ela não sabe disso mas é uma das poucas pessoas que escreve e me faz pensar sempre, me faz refletir sobre minhas verdades, me ensina a ver o mundo sob outro ângulo, questionar minhas opiniões...Talvez por ela ser uma pessoa muito racional (no bom sentido) e considerada até fria por alguns, sempre aprendo muito com ela -- eu que sou emotiva e espontânea, e por isso muitas vezes ingênua no trato com as pessoas.

Tânia, sei que você odeia rasgação de seda mas tudo que disse aqui encima é do fundo do coração!

Cuidado: Frágil



Alguns amigos gostam de usar o termo crítica construtiva e muitas vezes esquecem que na amizade, assim como na vida, tudo tem sua hora e lugar. Como aquele amigo que julga te conhecer melhor do que ninguém e se acha no direito de emitir julgamentos e dizer o que bem entende, na hora que bem entende – e que acaba ferindo o outro sem perceber (afinal de contas, era apenas uma crítica construtiva).

Eu acredito que uma linha tênue separa uma crítica construtiva de outra nem tanto assim...ao fazer uma crítica ao amigo é preciso muita sensibilidade para dosar as palavras e falar sem magoar o outro -- é preciso, antes de mais nada, intuir o momento certo (nunca chute um cachorro morto, como li outro dia num post do orkut). E isso é uma arte que poucos dominam (confesso que eu mesma me atrapalho até hoje, apesar das boas intenções). É que em alguns momentos da vida da gente, tudo que precisamos de nossos amigos é de um colo e de umas poucas palavras de encorajamento para seguirmos em frente. Nesses momentos nem sempre estamos preparados para ouvir críticas...por mais construtivas que elas sejam.

Sempre considerei a amizade um dos sentimentos mais especiais que une duas pessoas mas como todo o relacionamento humano, é uma arte saber quando falar e quando calar. É uma arte maior ainda intuir que o que o amigo precisa naquele momento -- mais do que de uma crítica construtiva -- é de uma manifestação de carinho e de aceitação.

Com o passar dos anos, aprendemos que algumas pessoas são mais frágeis do que outras (não confundir com mais fracas, no meu ponto de vista fraqueza e fragilidade são duas coisas bem distintas). Infelizmente, elas não vem com um rótulo dizendo Cuidado: Frágil.

Voltei!




Está oficialmente comprovado: a Internet (orkut, MSN) é um vício...depois de 12 dias sem internet e e-mail e já apresentando sintomas avançados de abstinência, é muito bom dar as caras por aqui de novo...é ótimo voltar ao meu cantinho virtual e saber que ao menos aqui posso escrever o que me der na telha (é que os amigos já se acostumaram).

E digo mais, se a internet é um vício, escrever para mim é uma questão de sobrevivência (pensando bem, não sei como não comecei um blog antes). Welcome to my world.

Não compre um livro pela capa (leia-se: as aparências enganam)

De uns tempos para cá, percebo cada vez mais que existem em mim não uma, mas duas pessoas distintas (uma personalidade um tanto quanto esquizofrênica mas é a verdade nua e crua). Uma pessoa é aquela que o mundo vê e a outra é aquela que apenas quem é capaz de ver além das aparências conhece. Essa última percebem apenas aqueles que têm a (rara) sensibilidade de olhar uma segunda vez e intuir o que não foi dito, aqueles que têm o dom de ler nas entrelinhas. Aqueles que ouvem não apenas o que foi dito mas principalmente o que não foi dito -- em suma, meus amigos.

Funciona mais ou menos assim: muitas vezes a imagem que passamos não corresponde em nada (ou quase nada) com quem realmente somos...na verdade, essa imagem (também chamada de persona em alguns círculos) nada mais é do que um mecanismo de defesa que usamos para sobreviver na selva das relações sociais. O problema começa quando esse mecanismo deixa de trabalhar em nosso favor e começa a atrapalhar mais do que ajudar...quando a pessoa que os outros vêem deixa muito a desejar em relação à pessoa por trás das aparências. Nessas horas, o confronto é inevitável (e acima de tudo doloroso) e a nós só nos resta parar tudo, respirar fundo e recriar a nós mesmos.

Estou escrevendo isso porque outro dia fiquei muito triste. Após um primeiro contato com uma pessoa, cheguei em casa com a desagradável sensação de ter deixado uma imagem bastante equivocada da minha pessoa -- e pior, percebi que a culpa era unicamente minha, por ter passado a imagem errada. A verdade é que por trás de uma personalidade falante e agitada, existe uma pessoa extremamente sensível e profunda. Por trás de uma pessoa barulhenta e extrovertida, existe uma pessoa introvertida que ama o silêncio e que busca a solidão, uma pessoa que pensa e sente demais...E acima de tudo, alguém com o coração maior do que o mundo -- alguém que quando gosta, gosta pra valer e que leva seus afetos muito à sério. Alguém que se magoa facilmente mas que também sabe perdoar.

Sorte é que meus amigos sabem exatamente quem eu sou, eles sempre souberam ver além das aparências e hoje posso dizer que isso me basta –no final das contas, não se pode mesmo agradar a gregos e troianos.

Criança diz cada uma...(3)

No natal passado, Liam tinha um pedido especial para o Papai Noel...todo dia ele comentava, até que eu, de saco cheio de ouvir a mesma ladainha, disse:

- Liam, vamos combinar o seguinte: eu ligo pro Papai Noel e digo pra ele o que você quer ganhar, OK?

E ele responde, sem piscar os olhos:
_ Mas mãe, como você sabe o telefone dele?!!

Criança diz cada uma...(2)



Esta tirada foi há um tempo atrás. Liam comentou que me achava uma mãe muito querida porque eu sempre comprava brinquedos pra ele...então ele me olhou sério e disse:

- Mãe, quando eu crescer vou trabalhar e ganhar muito dinheiro. Aí vou comprar muitos brinquedos pra você, tá?

Criança diz cada uma...(1)

Hoje à tarde estava eu em casa assistindo com o Liam uma coletânea de videoclipes do U2 (The Best Of). Ele adora as músicas (e tem até sangue irlandês por parte de pai), então lá pelas tantas, o guri me diz o seguinte:

- Mãe, essas músicas são tão bonitas, né? Quando você morrer posso ficar com o DVD pra mim? (credo, Liam...eu espero ainda viver por muitos e muitos anos, rsrsrsrs)

Maternidade, mito do amor materno e outras divagações...


O nascimento do meu filho é um processo que estou vivendo até hoje e que encerrou uma fase muito importante da minha vida. Perdi muito da liberdade de antes, mas felizmente também ganhei muita coisa em troca -- coisas que hoje nem teria palavras para descrever, se me pedissem.

Costuma-se pensar que os pais ensinam os filhos mas descobri que muitas vezes eles é que nos ensinam, e muito! Antes de mais nada, uma criança nos ensina a viver no presente, a curtir um dia de cada vez -- ao invés de ficarmos remoendo o passado ou nos preocupando com o amanhã. A criança só conhece um tempo: o presente do indicativo.

No final das contas, a maternidade é uma experiência única...uma experiência às vezes pesada, mas muito válida. No meu caso, a maternidade foi iniciada com um processo doloroso pois tive uma depressão pós-parto que me fez questionar até aqueles valores (presumivelmente) indiscutíveis como o mito do amor materno...Basicamente, meu mundo (como o conhecia antes) mudou para sempre, e confesso que levei anos para aceitar esse fato.

É uma grande ilusão achar que a vida da gente não muda após termos filhos (só quem não tem filhos diz isso, ou quem tem filhos para serem criados pela babá ou com alguma sorte, pelos avós e outros parentes). Outra ilusão maior ainda achar que, mais cedo ou mais tarde, os filhos se adaptarão ao nosso esquema de vida -- na minha experiência e de muitas mães à minha volta, nosso esquema de vida é que é modificado com a chegada dos filhos.

Também aprendi que ninguém nasce mãe, a gente se torna mãe -- a cada dia, a cada mês, a cada ano...E mais, não acredito que todas as mulheres tenham nascido para serem mães e muito menos que a maior realização de uma mulher seja necessariamente seus filhos. Acredito sim é que a gente cria os filhos para o mundo...e que é um lêdo engano achar que eles irão preencher um vazio que nós mesmos não sabemos descrever.

Filho é pra gente criar, ensinar valores, educar para o mundo...filho não é pra suprir as necessidades da gente, nem pra ficar desfilando pelo parque com um buggy novinho em folha. Para isso, recomendo que adotem um cachorro! (sai muito mais em conta)

Saudades de mim mesma

Hoje estou nostálgica, com saudades de mim mesma. Saudade daquela jovem eternamente curiosa e com sede de novidades - novos idiomas, novas culturas, novos autores, novos conceitos. Aquela jovem que sonhava em viajar, viajar e...viajar! Que sonhava com terras distantes (sonho realizado, não posso me queixar) mas cujo maior sonho, acima de tudo, era a liberdade...bem verdade que ela ainda não havia descoberto que a liberdade traz consigo escolhas (e renúncias) inevitáveis. Como bem dizia um velho comercial de tv: a liberdade tem seu preço.

Aquela jovem deixou de existir -- ou talvez esteja quietinha num canto escuro, lá bem dentro de mim mesma. Por outro lado, ela teve a sorte de ter realizado seu maior sonho (morar no exterior), e de quebra ainda realizou outro que nem sequer sonhava, mas que logo descobriu ser o sonho acalentado por muitas mulheres: ter um filho.

O nascimento do meu filho foi um capítulo à parte. Um separador de águas, o momento mais definitivo da minha vida...um filho é para sempre! Parece óbvio, mas muitas pessoas só vão compreender isso realmente depois de anos, muitos anos...Perdas e ganhos pois no final das contas, ser mãe é padecer no paraíso mas também é uma das experiências mais enriquecedoras na vida de uma mulher!