domingo, dezembro 30, 2012

Retrospectiva Literária 2012




Tem muito meme e desafio literário pela blogosfera mas fiz este ano passado aqui no blog e gostei tanto da idéia que resolvi repetir este ano! Enfim, acho que este post vai virar tradição aqui no Noites em Claro.

O livro infanto-juvenil que mais gostei: Não li nenhum livro infanto-juvenil este ano...

A aventura que me tirou o fôlego: Stranded, Emily Barr

O romance que me fez suspirar: The Pleasure Seekers, Tishani Doshi

A saga que me conquistou: Shanghai Girls, Lisa See - mas também gostei muito de How to be An American Housewife (adoro estórias de imigrantes)

O clássico que me marcou: The Bookseller of Kabul, Asne Seierstad

O livro que me fez refletir:  The Art of Racing in the Rain, Garth Stein

O livro que me fez rir: Ooops, difícil. Não li necessariamente nenhum livro que qualificaria como "engraçado". Comovente e divertido sim, mas engraçado não.

O livro que me fez chorar: Empatados: Still Alice (Lisa Genova) e Me Before You (Jojo Moyes)

O melhor livro de fantasia: The Shadow of the Wind, de Carlos Ruiz Zafón (não costumo ler fantasia mas este é ótima leitura)

O livro que me decepcionou: Miss Peregrine's Home for Peculiar Children, Ransom Riggs (outro livro de fantasia que foi muito comentado mas não consegui curtir)

O livro que me surpreendeu:  Empatados: The Space Between Us (Thrity Umrigar) e Land of Decoration (Grace McCleen)

O(a) personagem do ano: Sem dúvida Will Traynor, o paraplégico de Me Before You. Uma estória impressionante, daqueles que fica na memória do leitor por muito tempo

O casal perfeito: Madeleine e Leonard em The Marriage Plot, um romance cheio de altos e baixos como todo romance que se preze

O(a) autor(a) revelação: Grace McCleen com seu maravilhoso début literário Land of Decoration (vale a pena conferir)

O melhor livro nacional: que vergonha, não li nada de literatura brasileira em 2012 mas pretendo corrigir esta falha ano que vem



Li em 2012: 34 livros - 7 a mais do que em 2011 e 2 a menos do que a minha meta de ler três livros por mês!

Meta literária para 2013: 36 livros ou uma média de 3 livros por mês. E livros em português porque tenho ótimos livros que ganhei de presente de amigos e ainda não li (shame on me).

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Meus votos de boas festas!







Queridos amigos e leitores, desculpem o sumiço...o natal já passou e só agora deu pra vir aqui dar meus votos de boas festas e um super ano novo para todos vocês! Semana corrida, fim de estágio, visita do Brasil, passeios pela cidade e comprinhas de natal. Sem falar numa deliciosa ceia de natal na casa do ex-marido... com o ex-namorado que agora é namorado de novo (já faz algumas semanas mas preferi manter segredo desta vez, hehehe).

Enfim, a vida segue dando muitas voltas, com boas surpresas pra quem sabe esperar. No final das contas, o que conta mesmo nesta vida são as pessoas que temos à nossa volta. Dinheiro e coisas são apenas "acessórios". E por isso a ceia de natal (que meu ex-marido preparou sozinho para dez pessoas, tarefa digna de  "celebrity chef") foi tudo o que eu poderia desejar neste mês agitado de dezembro. Na companhia de amigos (incluam aí o ex-marido cozinheiro), do meu filho querido e daquele que nunca me abandonou nesses últimos cinco anos, mesmo quando eu decidi que já tinha acabado. Porque amor que é amor de verdade não desiste. Amor de verdade sempre prevalece.

Mas o natal já passou e espero que vocês tenham curtido esta data na companhia dos seus...e pra quem passou longe da família - como muitos de nós que moramos fora do Brasil - que tenha sido uma reunião da amigos especiais. Porque alguns amigos são como família.

Agora só me resta desejar a todos um ano novo maravilhoso, com muito amor, saúde e alegrias. Que em 2013 a gente aproveite cada oportunidade de dar e receber amor. Que a gente possa rir e chorar sem medo porque risos e lágrimas sempre fizeram e farão parte de uma vida plena.  Que a gente esqueça as dores do passado e as pessoas que nos fizeram mal e valorize as pessoas que nos querem bem. Que a gente aprenda com os erros e procure sempre melhorar. E que tenhamos paciência com os defeitos dos outros e principalmente, com as nossas próprias fraquezas e limitações. Acima de tudo, que a gente nunca desista. Porque evoluir é um processo estritamente pessoal e doloroso mas um dia a gente chega lá. E vamos em frente, um dia de cada vez!







sexta-feira, dezembro 21, 2012

E o mundo não acabou...




...e todos sobreviveram a temida profecia dos Maias. Bem verdade que aqui na Holanda ainda estamos em pleno dia 21 (até agora não vi bolas de fogo no céu mas sabe-se lá?),mas em outras partes do mundo como Austrália e Nova Zelândia o dia já está acabando e por enquanto não há notícias de apocalipse vindo daquela região do planeta...se bem que se o mundo por lá tivesse mesmo acabado não existiriam computadores (nem jornalistas) para notificar a mídia internacional, né? rsrsrsrs.

Pois é, como todo mundo está careca de saber, o calendário Maia termina exatamente no dia de hoje: 21.12.2012. E muito tem sido especulado sobre o assunto: cientistas e leigos, todos tem a sua opinião.  Ouve-se falar em ApocalipseArmagedon, sem falar na assustadora "conspiração dos  illuminati" que já vem circulando há tempos por aí (e eu já ouvi uma coisa ou outra mas ainda não formei a minha opinião sobre o assunto).

Eu mesma confesso que nunca acreditei nessa estória de fim de mundo - pelo menos não no sentido bíblico e digamos assim, literal. Prefiro acreditar numa versão mais light em que se fala de uma mudança de paradigma. Enfim, cada um acredita no que quiser.

No mais, para decepção de muitos e alívio de tantos outros, o mundo não acabou! E nós vamos continuar vivendo e sobrevivendo. Vamos continuar rindo e chorando, tendo dias bons e ruins, quando então iremos esperar por dias melhores. Vamos continuar amando (e com alguma sorte, sendo amados). Alguns ainda irão acreditar na bondade dos homens.

Enfim, o mundo não acabou e logo teremos um ano novinho em folha pra começarmos tudo de novo. Com esperança de dias melhores, grandes amores, do emprego ideal que até hoje não surgiu, novas amizades, novas descobertas e novos aprendizados. Esperança de que 2013 seja um ano de boas surpresas, muita saúde (porque saúde sim é fundamental) e algum dinheiro no bolso.

Quem viver, verá.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Cloud Atlas



Ontem assisti um dos filmes mais comentados atualmente aqui na Holanda, na Europa e provavelmente no mundo todo: Cloud Atlas. 1 livro, 3 diretores e 6 estórias que entrelaçam passado, presente e futuro. O filme é uma adaptação do livro do escritor cult David Mitchell, e tem a direção da dupla de The Matrix e do diretor alemão Tom Tywker (Run, Lola, Run). A combinação destes talentos produziu nada menos do que um espetáculo visual. E uma estória (ou melhor dizendo, uma teia de estórias) que intriga o expectador do início ao fim.

Cloud Atlas é uma teia complexa de estórias e personagens que vamos admitir, exige um certo grau de inteligência do expectador, mas que surpreende a cada cena. A começar porque não apenas o filme transita o tempo todo entre passado, presente e futuro como os mesmos atores aparecem repetidamente em períodos diferentes (alguns irreconhecíveis em suas maquiagens). Este recurso cinematográfico pode confundir alguns distraídos mas é usado intencionalmente pelos diretores para enfatizar uma das principais mensagens do filme: cada escolha feita repercute no futuro (próximo e distante) e por sua vez, reflete uma situação do passado. Dizendo assim parece óbvio, mas estamos falando aqui das grandes escolhas, aquelas que são capazes de mudar o rumo da vida de uma ou mais pessoas. A famosa escolha entre dois caminhos, quando nos encontramos em uma encruzilhada e precisamos escolher um dos caminhos.

Além deste tema recorrente das escolhas, há ainda outros temas como o fato de toda a raça humana (em todos os continentes) estar entreligada através dos tempos. No universo em que vivemos, somos ao mesmo tempo passado, presente e futuro. Alguns são líderes e se rebelam contra o establishment, outros são seguidores e vivem de acordo com as regras estabelecidas ao longo de séculos. Uns tem em suas mãos a decisão de uma vida. E na luta pela sobrevivência diária, os mais fortes "comem" os mais fracos. Não só a história da humanidade nos mostra isso repetidamente, como o mesmo pode ser observado - em maior ou menor grau - em várias cenas do filme.

Resumindo, Cloud Atlas é um roteiro inteligente e bastante original que trata de temas universais. Assim sendo, o filme transmite mensagens profundas e é uma experiência válida para quem gosta de fugir do lugar comum e questionar a existência.

O escritor inglês David Mitchell teve seu debut literário com o elogiado Ghostwritten (que tenho na minha prateleira há mais de ano e agora estou pensando seriamente em ler). Depois ele escreveu Number9Dream, sendo que Cloud Atlas é o seu terceiro livro. Um escritor que já concorreu (e ganhou) em vários concursos literários, aclamado pela crítica e que certamente irá agradar os leitores de Murakami...Fiquem avisados!

terça-feira, dezembro 11, 2012

52 x 5 Momentos pra compartilhar - SEMANA 49


Provando que o ser humano é mesmo do contra, a minha lista de viagens de sonho só tem um lugar na Europa...É claro que ainda tem muito lugar bonito pra conhecer aqui neste Velho Continente mas desconfio que fiquei "européia", rssrsrs. Quanto mais longe, melhor. Conheci um pouco da Tunísia há quase 3 anos, fiquei louca pra voltar de novo. E aí bateu uma vontade enorme de conhecer o Marrocos e o Egito. Agora vocês acreditam que uma viagem dessas, saindo daqui da Holanda, é muito mais barata do que ir ao Brasil?!! Você consegue pacotes de 8 dias passagem aérea + hotel por cerca de 500-700euros (fazendo reservas adiantadas). Uma tentação...

Semana 49 - Lugares no mundo que eu gostaria de conhecer
1) Fernando de Noronha (!)
2) Machu Picchu
3) Santorini (Grécia)
4) Marrocos
5) Pirâmides do Egito



Meu sonho de viagem não fica na Europa!

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Claro e escuro




No Brasil eu nunca tinha ouvido falar nem tampouco acredito que existam dessas lâmpadas para vender no mercado brasileiro (por motivos óbvios, né gente). E também com a quantidade de dias de sol que temos, nem é preciso! Nesse aspecto, o Brasil é um país abençoado e os brasileiros que moram há anos no norte da Europa (como esta que vos escreve) sabem disso há muito tempo.

Verdade seja dita, já se foram 18 invernos e eu ainda não me acostumei (nem acho que um dia me acostumarei) com estes dias curtos e escuros! Entra ano e sai ano, é sempre a mesma coisa...final de outubro a minha reserva de energia acaba (conhecem a propaganda das pilhas Duracell?) e em novembro as folhas caem das árvores e meu astral começa a baixar. Pra quem já sofre de depressão como eu, o inverno é um perigo. São 8 horas de dia, 16 horas de noite. E por dia leia-se não necessariamente sol, porque temos muitos dias nublados no período de outubro a abril...pensando bem, o ano inteiro. Então quem ainda sonha em vir morar na Holanda, leia novamente este post hehehe.

Felizmente, para (quase) todo problema há solução! Nestes dias escuros de inverno em que o sol fica semanas sem aparecer ou aparece só pra sumir logo depois, uma solução é a light therapy (lichttherapie em holandês). Acreditem se quiser, esta lâmpada milagrosa reproduz os raios de luz solar em dias escuros. E eu estou com ela ligada agora mesmo enquanto escrevo este post. Antes de sair para o trabalho (lá fora o dia só clareia lá pelas 8.30 da manhã, meu filho vai pra escola na noite escura).

É que acabei de ganhar a lâmpada da foto acima de aniversário do F. (meu grande amigo e companheiro). E só posso dizer que provavelmente foi o melhor presente de aniversário que ganhei nos últimos anos - sem exageros! Minha energia estava zerada nas últimas semanas, sem pique para nada, me arrastando entre casa e trabalho. E olha que eu só trabalho até umas 15 horas, quatro dias na semana (folga na quarta). Pois chegava em casa e ia direto pra cama tirar um cochilo pra tentar repor a energia (inexistente) antes de fazer a janta! Ruim demais, meus caros amigos. Claro que nadar ou fazer caminhadas (pra quem odeia academia como eu) também é uma forma saudável de repor a energia mas o problema é que quando a energia está zerada a gente nem consegue chegar na piscina, rsrsrs (só mesmo rindo, né?).

Ontem comecei um tratamento intensivo de uma semana e vamos ver como funciona. Já tinha ouvido muito falar da light therapy aqui na Holanda, que é popular até mesmo entre os holandeses, quem dirá nós brasileiros crescidos nos trópicos. A terapia é usada no tratamento da depressão e principalmente, da conhecida depressão sazonal (SAD - Seasonal Affective Disorder) e consiste em exposição diária de 30 minutos a uma hora. O tempo de exposição depende da distância da lâmpada, 20cm ou 40cm respectivamente.

Moral da estória: quem não tem cão caça com gato. Fica aí a dica para todos os brasileiros que como eu vivem no norte da Europa e que sofrem todo inverno com estes dias escuros...Muitos ainda tem a sorte de poderem fugir para o Brasil no período de natal e ano novo, infelizmente não é o meu caso...enfim, vivendo e aprendendo.

terça-feira, dezembro 04, 2012

O que eu quero em 2013

 
O ano de 2012 está chegando ao fim e inevitavelmente as pessoas começam a fazer uma retrospectiva dos bons e maus momentos, das vitórias e perdas. Para muitos 2012 foi um ano difícil, com a crise do euro muitos perderam seus empregos e outros continuam desempregados. A situação não está tão crítica como nos países do sul da Europa (Espanha, Portugal e a falida Grécia) mas para os holandeses já está bem ruim. Verdade seja dita, eles se acostumaram a um padrão de vida confortável e dos mais elevados da Europa (junto com a Alemanha e os países da Escandinávia) e agora as regalias estão sendo tiradas aos poucos, uma a uma. Com a crise, o famoso sistema social (welfare state) tem sido revisto e muita coisa tem mudado. Acabaram-se as mordomias. Todo mundo está sentindo isso no bolso. A começar pelos cortes de custos nos setores de saúde e educação.
 
Mas fim de ano é fim de ano e alguns já começam a fazer planos para o ano novo. São as famosas listas de resolução. Alguns pegam papel e caneta e fazem listas imensas, outros fazem listas mentais. Eu decidi escrever um post pra colocar a casa em ordem, digamos assim.

É que eu nunca acreditei muito nessas listas mas admito que elas tem seu valor. Elas nos obrigam a parar para refletir sobre o que queremos em nossas vidas e sobre o que não queremos mais. Nos obrigam a refletir sobre nossos aprendizados e nossas relações. Entra ano, sai ano e pessoas entram e saem de nossas vidas. Os amigos de verdade sempre ficam e isso todo mundo sabe. Amigo que é amigo se entende, se desentende, conversa e resolve as diferenças. Alguns namoros começam, outros terminam e tem ainda aqueles que terminam e começam de novo (assunto para outro post). Tem gente que casa, tem gente que separa. Alguns nascem, outros morrem.

Quanto a mim, eu só sei que em 2013 eu quero...

* aprender de uma vez por todas a dar atenção aqueles que gostam de mim e largar de lado pessoas que na verdade nada acrescentam na minha vida
*  (tentar) mudar alguns hábitos que não me fazem bem, um dia de cada vez
* voltar a acreditar que as coisas podem e vão melhorar porque a vida é feita de ciclos
* cultivar momentos de gratidão pelas coisas - e principalmente pessoas - que tenho na minha vida
* continuar orientando meu filho para que ele tenha um futuro feliz
* cuidar melhor da minha saúde física (perder peso é a prioridade)
* cuidar da minha saúde mental (porque sem ela o resto vai literalmente pelo ralo)
* aprender a relaxar mais e manter a calma em situações que não posso mudar
* me dedicar mais ao blog, que uso como exercício de escrita e também de reflexão
* reservar semanalmente algumas horas pra cultivar meu hobby favorito: scrapbooking
* last but not least: buscar novas amizades, mas sem esquecer das antigas!

segunda-feira, dezembro 03, 2012

52 x 5 Momentos pra compartilhar



Dezembro já chegou então vamos lá atualizar este meme que está sempre atrasado mesmo! E não é que mais um ano está acabando?

Semana 45 - Lembra a minha adolescência...
1) Sessões de cinema no Paissandu (Flamengo)
2) Reuniões de adolescentes da Igreja Presbiteriana (!)
3) Retiros de carnaval
4) Noites em claro conversando com amigas
5) Muita insegurança...

Quanto aos itens 2 e 3, preciso dizer que depois que fiz 18 anos nunca mais pisei numa igreja (só pra visitar mesmo: Westminster em Londres, Notredame de Paris e por ai vai)! Casei apenas no cartório civil aqui na Holanda e nunca batizei meu filho. De resto, igreja é um assunto que nunca comentei nem irei comentar aqui. Cresci em igreja, frequentei escolas dominicais e li ainda criança o Velho e o Novo Testamento...aos 18 anos, decidi que não queria mais...sou espiritualista mas não dou nenhuma educação religiosa pro meu filho. Sentiram o "trauma"?

Semana 46 - Parece que todo mundo sabe ....., menos eu
1) Dirigir
2) Falar devagar
3) Manter a calma em situações de crise
4) Fazer cara de paisagem
5) Fingir que está bem quando está mal

Semana 47 - Quando estou apaixonada, eu...
1) Sinto um frio na barriga antes de cada encontro
2) Perco a fome (!)
3) Ando nas nuvens
4) Fico ainda mais emotiva
5) A vida fica mais bela...

Semana 48 - Nunca tive coragem de...
1) Aprender a dirigir
2) Pular de para-quedas
3) Patinar no gelo (meu filho patina)
4) Ir a uma praia de nudismo
5) Falar algumas verdades na cara de algumas pessoas




Lá vem dezembro de novo!

terça-feira, novembro 27, 2012

Terapia cognitiva



A primeira medida que tomei depois que decidi tirar minhas férias virtuais do Facebook  foi começar uma terapia cognitiva. Pra quem não sabe, é um dos métodos mais eficazes no tratamento da depressão. Porque já foi comprovado que melhor que apenas remédio é a combinação remédio e terapia. E quem leu um dos meus posts recentes deve saber que a coisa aqui anda pra lá de esquisita...eu como sou macaca velha, reconheço os sintomas.

Não, depressão não é assunto bacana mas é importante falar sobre isso vez ou outra porque é uma doença invisível e muita gente sofre sozinha...e eu não tenho vergonha nenhuma (nem nunca tive) de falar sobre o assunto porque não vou alimentar tabus. Depressão é uma doença e não um estado de espírito ou falta de força de vontade ou sei lá o que mais que as pessoas dizem. Infelizmente, só quem tem pra entender isso (e a gente além de sofrer com a doença, ainda sofre com a ignorância como eu mesma escrevi aqui neste post).

Mas voltando à terapia cognitiva, fiz uma vez e gostei muito só que foram apenas duas sessões e agora decidi pegar pesado (aproveitando que o inverno está mesmo chegando). Terei sessões semanais nos próximos 2 ou 3 meses...com direito a dever de casa e tudo mais!

A primeira sessão foi ótima e a terapeuta me deu logo uma dica de um livro pra ler em casa. Mas como o autor é holandês (e eu vou ler em holandês, claro) acho que não vem ao caso citar o título aqui. De qualquer forma, a terapia é muito conhecida há anos e certamente existe uma boa bibliografia em português. Aaron Beck é o fundador desta escola e tem muitos títulos traduzidos no Brasil, assim como sua filha Judith Beck.

A base da terapia é que antes dos sentimentos, vem os pensamentos. Somos o que pensamos e se quisermos mudar a maneira como nos sentimos (por exemplo, tristes ou deprimidos) precisamos cortar o mal pela raiz e "reprogramar" nossos pensamentos. Eu sei que alguns que leem isso vão achar a coisa mais óbvia do mundo mas quem sofre de depressão sabe que é uma tarefa diária. Você precisa literalmente se "reprogramar" para transformar cada pensamento negativo em algo positivo. Para ver oportunidades e portas onde você não vê mais nenhuma saída. E isso exige muita disciplina e treino.

Tem gente que teve sorte de ter nascido com uma predisposição para ser otimista e positivo, outros passam a vida inteira tentando aprender. E com alguma sorte, um dia aprendem! Sem falar dos fatores externos (ambiente, trabalho etc) que influenciam diariamente nosso estado de espírito e dos quais nem sempre temos controle (eu que o diga). Ou seja, já que existem tantos fatores externos fora do nosso controle - e que muitas vezes não podemos mesmo mudar - a solução é tentar mudar a maneira como vemos estes fatores. De certa forma, eu diria até reprogramar nossa visão de mundo. Como diz aquele velho e sábio ditado: "Que Deus me dê serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para distinguir entre elas."

Last but not least, um artigo para quem tenha ficado interessado no assunto:
Aaron Beck e a terapia cognitiva


quinta-feira, novembro 22, 2012

Atividades de Inverno

Meu cantinho criativo

Material de scrapbooking
A boa notícia pra quem costuma ler este blog é que decidi voltar às origens e postar mais, depois de algumas semanas conturbadas. Verdade seja dita, eu sempre tive muitos interesses e tenho ao menos dois hobbies que me satisfazem enormemente: blogar e scrapbooking (pra quem ainda não conhece, aqui está o meu outro blog). Além disso, tenho ainda cultivado um novo vício, o Pinterest. O Pinterest é a minha maior fonte de inspiração nos últimos tempos e quem não conhece, não sabe o que está perdendo! Ali tem tudo pra todo mundo. Dicas de decoração, moda, fotografia, lugares, acima de tudo muito design. Eu mesma já tenho trinta boards, o que chega a ser um exagero mas o fato é que tenho interesses diversos (e se for pensar bem, isso é que faz uma pessoa interessante, não é mesmo?).



E agora que saí do Facebook confesso que tenho me sentido melhor, além de ter me dado conta de quanto tempo eu perdia ali...tempo que poderia ser usado para outras atividades como, por exemplo, scrapbooking! E claro, tempo para postar mais aqui no blog e conversar com vocês, caros amigos e leitores. Porque eu sempre amei o mundo dos blogs e fiz grandes amizades na blogosfera. E talvez por isso tenha tido dificuldades em me adaptar às "regras" do Facebook, digamos assim. Sem falar que a blogosfera obviamente tem muito mais a ver comigo e pelo menos no meu blog eu posso falar o que eu quero, né? E esta é a primeira e sem dúvida, a maior diferença entre um blog pessoal e o Facebook.

Mas voltando ao assunto do post, aqui na Holanda nós realmente temos as quatro estações do ano, diferente de quando eu morava no Rio de Janeiro em que era verão o ano inteiro. As estações são bem distintas, assim como as atividades relacionadas a cada estação. Outono pra mim é sempre um período difícil, os dias começam a ficar mais curtos, chove muito, as folhas caem das árvores e somos lembrados diariamente que o inverno está chegando...Em compensação, eu aproveito pra ler bastante, porque no verão eu leio pouquíssimo (verão passado não li nada). Todo ano é a mesma coisa: é só entrar o outono que eu começo a devorar livros. No inverno então nem se fala porque não há nada (ou quase nada) melhor do que deitar à noite numa cama quentinha com um bom livro como companhia!

Outono e inverno também é a época em que as pessoas começam a passar cada vez mais tempo dentro de casa e por isso as lojas começam a vender todo tipo de decoração para o lar: almofadas e colchas macias para o sofá da sala, velas e castiçais de todos os tipos e cores para iluminar as noites escuras (muito populares aqui no norte da Europa). Pra quem curte aromaterapia, também é fácil encontrar velas com aromas em muitas lojas: aromas de inverno como maçã e canela, especiarias, etc. E por falar em aroma, há ainda uma enorme variedade de guloseimas de inverno disponíveis nas lojas e supermercados (a dieta agradece). Speculaas é uma das guloseimas mais vendidas por aqui (e que eu infelizmente adoro), vejam neste site: delícias da Holanda. É que em dezembro comemora-se não apenas o natal na Holanda mas também Sinterklaas, uma tradição holandesa muito interessante, sobre a qual já comentei aqui no blog.



Sinterklaas

Moral da estória: com tantos livros e guloseimas a gente até que consegue sobreviver os longos meses de inverno! O segredo é criar um lar aconchegante, tirar proveito de velas para decorar a casa, montar uma bela árvore de natal e pronto. Um chocolate quente, um bom filme e a gente sobrevive as noites escuras...


terça-feira, novembro 20, 2012

Chicklit with a Twist

Mudando radicamente de assunto, porque nem eu aguento mais esta ladainha de Facebook (pelo amor de Deus, né?). Hoje queria falar de uma escritora que nunca havia lido antes mas que agora viciei. É a Emily Barr, uma escritora inglesa conhecida por escrever bestsellers que combinam o popular estilo chicklit com um toque de suspense e mistério...a fórmula perfeita para prender a atenção do leitor!

Pois eu acabei de devorar dois livros dela e confesso que são muito bem escritos. O primeiro deles se chama Out of My Depth e conta a estória de 4 amigas de ginásio que se reencontram vinte anos depois na casa de uma delas no sul da França. Os capítulos revezam entre o período do ginásio em que elas tinham 16, 17 anos e o encontro vinte anos depois. Como se não bastasse a tensão inerente a um encontro desses, com expectativas e inseguranças da parte de cada uma delas, há ainda um segredo a ser revelado. Um segredo que irá mudar para sempre a relação entre as quatro amigas. E que o leitor só descobrirá perto do fim...

O segundo livro, que devorei em 2 dias (quase 400 páginas) se chama Stranded. E é literalmente isso que acontece na estória: uma inglesa divorciada e com uma filha de 10 anos decide fazer uma espécie de sabbatical e tirar umas semanas de férias para refletir. Ela está prestes a completar quarenta anos (a famosa "crise dos 40", pela qual já passei). Ela compra passagens pra Malásia e acaba numa ilha paradisíaca com mais 6 turistas (um casal americano, um casal australiano, uma outra inglesa e um rapaz escocês com o qual acaba namorando). O problema é que o que seria um passeio de um dia acaba virando 29 dias de sobrevivência na selva! Bem ao estilo de LOST, a popular série de tv que muitos de vocês certamente conhecem (e eu não assisti até hoje por pura implicância, rsrsrs).

Enfim, uma autora altamente recomendada (e viciante) pra quem curte livros com alta dose de adrenalina...puro escapismo! A má notícia é que procurei nos sites da Saraiva e da Livraria Cultura e os livros dela parecem não terem sido traduzidos ainda no Brasil...A boa notícia é que eles vendem os livros importados então fica a dica pra quem lê em inglês! Se alguém encontrar os livros traduzidos, por favor comente aqui.

segunda-feira, novembro 19, 2012

Das prioridades


A coisa anda pra lá de esquisita nas últimas semanas e eu nem tenho conseguido me animar pra postar aqui no blog (alguns leitores talvez tenham percebido isso). São situações que independem de mim e que tem aumentado o desgaste emocional e mental. E por isso decidi que está mais do que na hora de (re)definir minhas prioridades. Uma das primeiras medidas tomadas foi desativar (temporariamente) minha conta do Facebook. Isso porque cheguei à conclusão de que além de tomar tempo precioso (não tenho a vida ganha), também andei me incomodando com algumas figuras ressurgidas do passado, digamos assim. Amizades que fiz na época do meu divórcio, um dos períodos mais conturbados que passei aqui na Holanda. Muitas se afastaram na época e depois eu mesma decidi me afastar. Só que voltei ao Facebook ano passado e acabei adicionando automaticamente essas pessoas como se nada tivesse acontecido. Grande erro!

Enfim, acho que todo mundo deve ter estórias parecidas mas a verdade é que não vale a pena tentar "reestabelecer" amizades passadas quando elas obviamente já fecharam a página. E felizmente eu tenho bons amigos e não preciso "esmolar" amizade de ninguém! Mas o que a gente faz com a mágoa?

Verdade seja dita, ser abandonada por pessoas que você considerava amigas durante uma das maiores crises da sua vida, no meio de uma depressão horrível, é algo que eu não desejo a ninguém. E foi exatamente isso que eu vivi. Você fica doente, as pessoas se afastam. E se tem uma doença que afasta as pessoas é a depressão (pra que mentir, né gente?). Quem já teve, sabe muito bem disso. Hoje em dia - e principalmente nas redes sociais, eu digo e repito - ninguém quer saber de problemas. As pessoas só querem se relacionar com quem está com a vida ganha, tudo nos trinques. Ninguém quer ouvir falar de crise, divórcio, desemprego...crise, que crise? São assuntos nada populares, mas que fazem parte da vida de muitas pessoas (ainda mais com esta crise do euro que nunca acaba). Só que manda a regra que não é de bom tom sair por aí reclamando da vida. As pessoas só querem saber de alto astral, só querem saber da companhia de quem está de bem com a vida.

Enfim, decidi dar um tempo na rede pra organizar a cabeça e cuidar de outras prioridades. E quando a maré tiver melhorado pro meu lado e eu me sentir mais forte, eu volto. Deixei grandes amizades ali,  mas elas sabem como me encontrar e nunca precisaram de Facebook pra isso!  Seja aqui mesmo através do blog, por telefone ou por e-mail.

E agora vamos virar a página (prometo não incomodá-los mais com este assunto inóspito). Porque pra frente é que se anda, né?

quinta-feira, novembro 08, 2012

O Fim do Império Branco

 
 


Nesses dias esquisitos, ao menos posso dizer que fiquei feliz com a vitória do Obama. Diga-se de passagem, uma vitória dupla: ser reeleito em plena crise americana, com altos índices de desemprego e uma economia estagnada. Isso significa que alguma coisa ele está fazendo certo. E ao menos assim, ele poderá dar continuidade aos seus planos. E continuidade é essencial nestes tempos difíceis.

No mais, o Império Branco dos republicanos vem sendo cada vez mais ameaçado pelas minorias. É que o eleitor típico de Romney é o americano branco de classe média, residente nas zonas rurais (o velho cowboy). Já o eleitorado de Obama abrange várias classes sociais e comunidades de imigrantes. E neste ponto ele acertou em cheio. Enfim, é o fim do Império Branco.

Interessante observar as eleições americanas daqui da Europa, onde os "problemas" de imigração são bastante semelhantes aos dos EUA mas as soluções tem sido diferentes até os dias de hoje. Aqui na Holanda, por exemplo, nunca se elegeu um presidente negro (ponto para os EUA). Também existem pouquíssimos negros (ou latinos, asiáticos) em universidades e em cargos de chefia em grandes empresas. Até mesmo em hospitais, a maioria dos médicos é branca. E isso não sou eu que digo, está nos jornais pra quem quiser ler. A discriminação já começa no ensino primário (já comentei sobre isso por aqui) e vai até o mercado de trabalho. No meu bairro existe uma escola branca (onde os pais holandeses matriculam suas crianças e a fila de espera é de dois anos). Todas as outras escolas são negras (80% filhos de imigrantes ou mais). E pra você que nunca ouviu falar em escola branca e escola negra, estes são termos correntes na mídia holandesa. Sentiram o drama? Detalhe que este é um problema também na França, Alemanha e Inglaterra...não apenas um problema holandês.

E é justamente isso que eu admiro no Obama. Ele entende esta mudança social - até porque, faz parte dela - que começou há uns 50 anos e agora se vê pelas ruas das cidades americanas e européias. Aqui mesmo em Amsterdam, quase metade da população jovem é filha de imigrantes (nascida aqui e muitos com passaporte holandês). E qualquer candidato que queira arrecadar votos nas capitais holandesas, precisa levar isso em consideração na hora de preparar sua campanha.

Eu nem vou falar de EUA porque não moro lá. Mas aqui na Holanda a coisa está pegando fogo. Os holandeses não querem conviver com culturas diferentes da sua (e não me refiro apenas a muçulmanos) mas infelizmente para eles, isso é inevitável. A verdade é que eles continuam achando sua cultura superior e não querem saber de assimilar novos valores culturais (alguns até tentam, poucos conseguem). Quanto a mim, prefiro acreditar que há algo de bom em toda cultura. E crio meu filho para respeitar as diferentes culturas porque no final das contas, ninguém é melhor do que ninguém. Eu aproveito o que acho bom da cultura holandesa, tiro algo da cultura inglesa, misturo um pouco da brasileira e assim vamos vivendo, tentando tirar o melhor de dois (ou mais) mundos!

Os imigrantes estão deixando de ser minoria para ser maioria. E isso não é ruim. A sociedade moderna é cada vez mais multicultural e não adianta bater pé (como os republicanos que queriam deportar os ilegais) e exigir uma sociedade branca porque esta era passou! Eu vejo ao meu redor holandeses reclamando, saudosos dos tempos em que não se via lojas turcas e mesquitas por toda parte. Mas esta é a nova paisagem social e eles terão de se acostumar com isso mais cedo ou mais tarde. Eu já me acostumei há tempos e nem acredito que me adaptasse em um bairro branco onde a maioria dos moradores fosse holandeses...meu filho menos ainda.

Enfim, este é o grande desafio do futuro. O fim de um império.


segunda-feira, novembro 05, 2012

Zona de turbulência

 



Pra quem percebeu a ausência aqui no blog, acabei de passar por uma "zona de turbulência" e olha que meu "inferno astral" só começa oficialmente hoje...Período bastante delicado, tentando manter a cabeça erguida apesar de tudo e de todos. Sim, o astral baixou de vez e tenho tentado levantar de todo jeito. Alguns dias eu até venço esta batalha contra o inimigo invisível...outros dias, chego do trabalho e vou dormir! Sem mais.

Insatisfação no trabalho porque infelizmente não tenho colegas e passo os dias sozinha num escritório. E eu que já não sou uma pessoa que gosta de trabalhar em escritório, imaginem então...Meu contrato de estágio vence no início de janeiro e estou revendo possibilidades. Muito chato acordar segunda de manhã cedo, ver a chuva lá fora e ter de pegar ônibus e metrô pra passar o dia sozinha. Pior mesmo é quando não tem nada pra fazer...já imaginaram?

Fato é que ando precisando de mais uma virada na minha vida...só que esta virada está demorando muito pra chegar. Este é o meu terceiro estágio e nada de emprego! Esta crise do Euro certamente dificultou a minha vida, não vou mentir e nem fingir que está tudo bem (como alguns insistem em fazer). Quem arrumou emprego antes da crise tomar o mercado, teve sorte. O que eu chamo de timing. Claro que as coisas sempre podem estar piores mas não está fácil. Meu único "consolo" é que não estou sozinha. Não estou mesmo (sim, eu leio jornais).

Pra piorar, o Facebook nessas horas não presta pra nada. Pelo contrário, até atrapalha. Aquilo ali é só festa mesmo e quem reclama acaba literalmente perdendo "amigos". Ninguém quer saber de seus problemas, todo mundo com emprego legal, viagens, tudo nos trinques! Não é a toa que alguns pesquisadores nos EUA já encontraram uma ligação entre Facebook e depressão em adolescentes (sei bem como é isso).

Enfim, tenho tentado ficar quieta no meu canto mas a coisa anda pra lá de esquisita...torçam por mim, tá?!!



52 x 5 Momentos pra compartilhar



Mais posts atrasados, claro...

Semana 42 - Quer acertar no meu presente? Muito fácil, me dê...
1) Livros
2) Livros
3) Livros
4) Livros
5) Ou mais...livros!

Semana 43 -Músicas que não me canso de ouvir
Difícil responder porque minha vida nos últimos anos tem sido repleta de livros, filmes e séries de tv mas música não tem sido algo que faz parte da minha vida...

1) Algumas músicas da Adele, como Turning Tables
2) Krezip (banda holandesa)
3) Blof (banda holandesa)
4) Massive Attack (sempre gostei)
5) Snow Patrol

Semana 44 - Meus vilões preferidos são...
1) Al Pacino em The Godfather
2) Robert de Niro (Lucifer) em Angel Heart
3) Visconde de Valmont em Ligações Perigosas
4) Anthony Hopkins em Silence of the Lambs
5) Last but not least, Magneto em X-Men




Vendendo a alma para o Diabo...



sábado, outubro 20, 2012

Nunca vou entender...

Os famosos telhados de Paris

Eu sempre fico impressionada quando vejo estes brasileiros morando anos aqui na Holanda e que viajam todo ano religiosamente para o Brasil. Até entendo quem tenha família (digo mãe, pai, irmãos o que não é o meu caso). Mas continua achando estranho. Essas pessoas moram na Europa e não conhecem praticamente nada deste rico e variado continente.

Claro que o Brasil é lindo, e eu adoraria poder me dar ao luxo de ir ao Brasil todo ano. Mas a grana não dá mesmo e ai nem adianta reclamar. Por outro lado, mesmo que eu tivesse muita grana, eu ainda ia querer conhecer lugares aqui na Europa.


Praga (Liam de camiseta laranja)

Felizmente tive a oportunidade de viajar e conhecer muitos lugares quando ainda trabalhava com traduções e ganhava bem (tempos áureos aqueles). Visitei Londres, Paris, Praga, Barcelona, Munique. Morei em Dublin, Edinburgh. Conheci muitas cidades da Inglaterra, entre elas York, Cambridge, Oxford, etc. Também tive a felicidade de conhecer o belo Lake District (inglaterra) e as belíssimas Terras Altas (Escócia). Conheci Lisboa, Cascais e a bela região do Minho. Conheci o sul da França, incluindo Cannes, Nice e Monte Carlo. E as pitorescas Antibes e Menton, também na região.


Menton, Cote D'Azur

Mas nos últimos anos a grana encurtou...e mesmo assim fui à Tunísia dois anos atrás! E ano passado realizei a tão sonhada viagem de levar meu filho para conhecer finalmente o Brasil, ele já com 11 anos! Claro que o menino amou e mal pode esperar o ano que vem. Mas neste exato momento ele está curtindo o Tirol e os belos alpes. Sim, ele embarcou ontem com o pai num trem noturno para Innsbruck! E eu fiquei aqui morrendo de vontade de ir junto...


Innsbruck

Ou seja, simplesmente não dá pra entender como alguns brasileiros que moram aqui só pensam em tirar férias no Brasil...Eu ainda quero conhecer tantos lugares, no topo da minha lista estão: Istanbul, Budapeste, Viena, Cracóvia, Veneza, Firenze, Sevilla e Andaluzia...Nunca fui à Itália nem à Grécia..enfim, tem de ter muita grana pra conhecer tudo que a Europa tem a oferecer e poucos que conheço tem ou tiveram este privilégio. As pessoas visitam Londres, Paris, Roma e Madri e já acham que conhecem a Europa!


Istanbul, um sonho a ser realizado

Enfim, voltando ao assunto do post: nunca irei entender estes brasileiros que moram aqui e juntam dinheiro o ano todo pra ir ao Brasil! Uma das minhas melhores amigas ontem me disse assim: você deveria ir ao Brasil TODO ano! Dá um jeito de juntar grana, etc. E eu pensei: quem é ela pra dizer o que eu devo ou não devo fazer?!! O filho dela tem 4 anos e, se não me engano, já foi 4 ou 5 vezes ao Brasil (juro que perdi a conta). Detalhe, estão indo pra lá de novo semana que vem! Por outro lado, tudo indica que o garoto vai crescer sem conhecer nenhuma cidade da Europa (e ele nasceu aqui.  Já o meu filho, viajou por muitos lugares, já conhece Londres, Paris, Praga e agora Innsbruck. Já esteve comigo na Tunísia, apaixonou-se pelo Brasil ano pasado e um dia ainda o levarei para o Egito! No mais, Liam sonha em conhecer a Austrália e a África do Sul, entre outros...Filho de peixe, peixinho é!

Só sei que nessas horas me sinto a cidadã do mundo e crio meu filho para apreciar as maravilhas de todo o mundo - e não apenas do nosso abençoado Brasil. Mas eu nem discuto mais com as pessoas porque cada um vive a vida como bem entender, né?

Mas que eu nunca vou entender, isso é verdade.


Lake District
Edinburgh Castle

quinta-feira, outubro 18, 2012

2 Days in New York




Este post é do mês passado mas sabe como é: antes tarde do que nunca. Quem conhece a atriz francesa Julie Delpy dos filmes Before Sunrise e Before Sunset provavelmente sabe que além de atriz, ela também é diretora (e das boas). Quem não sabia, fica sabendo agora.

Já comentei sobre isso anteriormente no blog (leia aqui) e claro que assisti o primeiro filme dela, 2 Days in Paris. Até porque, ainda por cima tinha como pano de fundo uma das minhas cidades preferidas. Isso mesmo, Paris! Neste filme, vemos a francesa Julie com um namorado americano, Jack. Também somos apresentados às respectivas famílias, que se conhecem quando os pais de Jack visitam Paris.

Fastforward. Alguns anos depois, temos 2 Days in New York, a sequência de 2 Days in Paris. Com a mesma Julie mas agora um novo namorado, também americano. Logo no início do segundo filme, ficamos sabendo que Julie teve um filho com Jack, eles se separaram e ela continuou morando nos EUA (conheço bem esta estória, hehehe). Algum tempo depois, ela começou um relacionamento com um colega de trabalho. No novo filme, os dois moram juntos, com os respectivos filhos do primeiro casamento (familias modernas, né?).

Eu gostei do primeiro filme, mas achei o roteiro do segundo filme muito melhor! A começar porque os diálogos são mais divertidos, as situações mais hilárias (e constrangedoras) e por ai vai. E não podia ser diferente pois em 2 Days in New York, a "exótica" família francesa de Julie decide ir visitá-la, o que por si só já garante muita confusão. O pai dela é uma figura e a irmã uma ninfomaníaca neurótica. Por ai você podem imaginar as situações que rolam no filme...

Enfim, fica a dica para os fãs de Julie Delpy! E para quem gosta de uma boa estória de amor, com direito a muitas gargalhadas, além daquelas inusitadas situações com as quais alguns de nós certamente irão se identificar.






PS. Pra quem leu o post anterior, já estou melhorzinha...deve ter sido mesmo o tempo chuvoso, a mudança de estação que afeta até os holandeses. E sim, eu irei sobreviver este inverno - sozinha ou acompanhada - porque sempre terei meus livros, filmes, séries, scraps...a lista é longa!

terça-feira, outubro 16, 2012

Que fim levou o amor?



A coisa anda meio esquisita por aqui. Terminei um namoro de 5 anos em abril, fiz uns lances esquisitos dos quais não necessariamente me orgulho no verão passado e agora o outono chegou, os dias ficaram mais curtos e de repente me bateu uma solidão que eu não sentia há anos!

Vida de imigrante já é difícil. E morar na Holanda sem ter família, namorado, marido, o que for é mais difícil ainda. E eu estou sentindo isso na pele nas últimas semanas. É que dos meus 18 anos de Holanda, 10 anos estive casada com o pai do meu filho, 5 anos namorei o F. Enfim, passei a maioria dos invernos acompanhada.

E eu sei que só mesmo os brasileiros que moram por aqui vão entender isso mas é muito difícil encarar um longo e tenebroso inverno sem um companheiro dormindo ao seu lado (o famoso "cobertor de orelha", hehehe). Sério: no Brasil a gente vai pra rua, fala com as pessoas, o povo é falante e extrovertido (até demais). Os dias são longos, o sol brilha e a vida acontece nas ruas. Pois aqui não, aqui passa-se praticamente meio ano dentro de casa! Aqui você chega sozinha num café e sai sozinha. As pessoas praticamente só falam com seus amigos e parentes. Não se fala com estranhos, ninguém puxa conversa com ninguém em fila de cinema, correio, banco...Eu até hoje tenho dificuldades em me acostumar com este hábito holandês (e quando voltei do Brasil ano passado entrei em choque). Felizmente os idosos são uma exceção e adoram jogar conversa fora. Os estrangeiros também...e aqui no meu bairro o que mais tem é estrangeiro, sempre cruzo com um conhecido na rua!

Mas no outono-inverno a regra é ir pra dentro de casa, as pessoas buscam o aconchego do lar e a companhia da família. E a minha família aqui na Holanda...é o Liam. E tá bem, o pai dele também porque fazemos parte da vida um do outro, temos um objetivo em comum que é criar o nosso filho juntos (e tem funcionado).  E F. também acabou virando família, ele praticamente considera o Liam como filho e nos encontramos duas vezes por mês. Ele mesmo já deixou bem claro que não tem a menor intenção de sumir de nossas vidas. Mas fica faltando alguma coisa...





E eu nem posso reclamar porque quem terminou o namoro fui eu, né? E ando me perguntando por esses dias o que vem a ser o amor...e cheguei à conclusão que não sei definir este sentimento (e nem sei se soube um dia). Porque paixão todo mundo sabe o que é, a gente sente na pele, aquele frio na barriga, etc. Mas amor é outra estória, desconfio que seja, antes de mais nada, uma ESCOLHA. As pessoas escolhem ficar juntas. Apesar de tudo. Decidem que mesmo que o outro não seja perfeito (e ninguém é), sua presença é indispensável em nossas vidas.

Então estou vivendo um momento muito estranho na minha vida...sinto saudades dos primeiros anos do namoro, daquela paixão (quase) adolescente. Da certeza de que ter encontrado finalmente o amor da minha vida. Da convicção de que fomos feitos um para o outro. Diga-se de passagem, eu não tive nada disso com meu ex-marido, não mesmo. Sinto saudade de como a gente era antes da relação esfriar. E nessas horas acho que o problema talvez seja eu: eu não sei ficar em relacionamento morno só por ficar. Tudo bem que a paixão inevitavelmente acaba (e acaba mesmo, é uma questão puramente biológica). Mas relacionamento em que o casal mais parece irmã e irmão do que homem e mulher é muito chato. E não adianta querer botar a culpa no outro porque acho que a culpa é mesmo dos dois.

O amor é como uma planta que precisa ser regada diariamente. O maior erro é quando um dos dois (ou ambos) se acomodam. Um dos sintomas disso - e que a maioria dos casais passa em determinados períodos - é quando o sexo diminui ou pior, deixa de existir! E vocês podem até discordar de mim, mas quando o sexo acaba é sinal de que algo está (muito) errado. Outro problema é quando o sexo para um dos parceiros corresponderia a 50% da relação e para o outro 20 ou 30% já está bom! Isso é incompatibilidade básica e na prática traz muitos problemas (atire a primeira pedra quem nunca passou por isso). Sem falar que todo relacionamento tem seus altos e baixos, períodos em que as pessoas se afastam, em que elas precisam lidar com questões pessoais, com outras urgências.




Resumindo...a cabeça aqui anda a mil. Pensando bem, eu mesma fiquei impressionada como estava conseguindo levar o fim do namoro com tanta "leveza"...até porque, geralmente é assim quando a gente é que escolhe terminar, né? Mas adivinhem? Agora deu pane no sistema...To be continued.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Holandeses

Vocês conhecem aquela música Cariocas da Adriana Calcanhotto? Pois eu resolvi fazer a minha versão adaptada: Holandeses! Com o direito adquirido após 18 anos vivendo no país das tulipas e dos moinhos, entre muitas outras coisas.

  • Holandeses não gostam de dias chuvosos mas andam de bicicleta assim mesmo! Sol, chuva, vento, ventania e lá vão eles de bicicleta pra escola e pro trabalho…coitadas das crianças! Ao menos eles usam uma espécie de poncho de plástico (a famosa e indispensável regenjas) para terem a ilusão de estarem secos.
  • Holandeses adoram gatos, alguns até mais do que crianças. Muita gente tem gato em casa…já criança é outra estória. A média oficial de filhos é de 1.5 ou seja, de 1 a 2 filhos. Os imigrantes é que são responsáveis pelo aumento da população deste país pequenininho. Em média 4 filhos, muitas vezes 5, 6 ou mais... tô fora!
  • Holandeses adoram cerveja, vinho e café sem açúcar. Não gostam de doces muito doces mas não resistem a uma tradicional torta de maçã. Holandeses adoram batata frita com maionese e/ou ketchup! E claro, holandeses amam arenque (haring).
  • Holandeses valorizam sua liberdade de expressão e lutam por ela até o fim. Holandeses gostam de negociar tudo e questionar a opinião alheia. Holandeses são "curtos e grossos" (o que eles chamam de curiosidade e o estrangeiro acha simplesmente brutal).
  • Holandeses gostam de viajar, quanto mais longe melhor. E férias que se prezem tem de ter sol, senão não são férias. Os que não podem viajar para longe, vão acampar na França e viajam com o carro abarrotado de tralhas. Holandeses adoram a França…e a Espanha também!
  • Holandeses são esportivos, adoram fazer caminhadas e andar de bicicleta. Gostam de nadar e fazer alpinismo. E adoram futebol. Holandeses não são preguiçosos!
  • Holandeses adoram cozinhas exóticas, viajam para a África e a Ásia em busca de aventuras mas não falam com o vizinho estrangeiro...Holandeses discriminam os imigrantes que vivem em seu país…holandeses são um povo contraditório.
  • Holandeses são discretos, falam baixinho e odeiam gente que fala alto em cafés, restaurantes e transporte público. Por outro lado, tem o hábito de se apaixonar por povos “exóticos" e extrovertidos ou "espalhafatosos" (leia-se latinos e africanos). Os opostos se atraem…e se repelem!
  • As mulheres holandesas são adeptas da beleza natural. A maioria não se dispoe a fazer plásticas (mas muitas fazem dietas), usa pouca maquiagem e raramente faz as unhas (eu sou holandesa tá?). As holandeses não são vaidosas, elas deixam isso pras brasileiras! Felizmente, uma boa parte dos homens holandeses (e europeus em geral) também é adepto da beleza natural…bem diferente do homem brasileiro. Nessas horas eu adoro morar na Holanda.
  • As mulheres holandesas fazem parto normal, o índice de cesarianas na Holanda é um dos mais baixos do mundo, cerca de 10% (Brasil, México e EUA são campeões). Cesariana aqui é sinônimo de intervenção cirúrgica e estadia hospitalar e feita apenas com indicação médica. E adivinhem? Acho que eles estão cobertos de razão!
  • Médicos holandeses tem o (mau) hábito de receitar paracetamol pra tudo…para desespero da população de estrangeiros que vivem neste país. A medicina preventiva é pouco valorizada, prefere-se curar do que prevenir…um grande desperdício de verbas. Neste aspecto, os holandeses ainda tem muito a aprender com os chineses.
  • Last but not least...holandeses adoram reclamar de tudo e de todos. Holandeses são mimados desde pequenos e não sabem dar valor ao que tem (isso também vale para estrangeiros que moram há muitos anos neste país que, apesar de tudo, ainda tem um sistema social que o Brasil nem sonha em ter).


A tradicional torta de maçã

Arenque (haring)

Regenjas

Posts atrasados, só pra variar




Semana 38 – Desculpe mas eu acho brega…
1) Baile funk e forró
2) Calça branca (só no reveillon e olhe lá)
3) Mulher maquiada demais
4) Excesso de bijouterias ou jóias
5) Ostentação em geral, esnobismo em particular

Semana 39 – Minhas melhores qualidades...
1) Sinceridade (não sei fingir)
2) Honestidade
3) Autenticidade (nunca fui Maria-vai-com-as-outras)
4) Sensível (até demais, o que mais atrapalha do que ajuda)
5) Inteligente e culta (e modesta, rsrsrsrs)

Semana 40 – Meus cheiros preferidos...
1) Cheiro de mato
2) Cheiro de terra molhada
3) Cheiro de café fresquinho
4) Cheiro de bolo saindo do forno
5) Cheirinho de criança saindo do banho (!)

Semana 41 – As coisas mais difíceis num relacionamento amoroso...
1) Incompatibilidade de gênios (a causa nr. 1 dos divórcios, inclusive o meu)
2) Pouco ou nenhum interesse em comum (não dá nem pra sair juntos, né?)
3) Falta de respeito à opinião alheia
4) Instabilidade emocional de um dos parceiros (geralmente eu rsrsrsrs)
5) Last but not least, dificuldade de comunicação

sábado, outubro 06, 2012

Aborrescentes



E de repente aquele garotinho fez 12 anos (em abril passado), vai para a escola secundária e começa a se achar gente grande! Impressionante. Eu confesso que a culpa é em parte minha porque crio meu filho para ter autonomia e se virar sozinho. Ou como dizia minha (falecida) mãe: liberdade com responsabilidade. Ou seja, eu confio na medida em que ele se comporta...fez besteira, eu seguro de novo.

Mas olha, a mudança é drástica e quem tem filhos na pré-adolescência e adolescência sabe perfeitamente do que estou falando. Quem não tem, nem queria saber rsrsrsrs. Mas o meu filho até que é muito gente boa, apesar do mau humor das manhãs...já vi muito adolescente mau humorado e ele certamente não é um deles. Ainda não!!!

O legal é que desde os 9 anos ele ia de ônibus sozinho pra escola, com celular e tudo. E agora ele vai de ônibus e metrô. Notem bem que Amsterdam não é Rio de Janeiro ou São Paulo, o que faz toda a diferença. E na volta da escola, sempre vem uns coleguinhos juntos no metrô, então tudo é festa.

No primeiro dia de aula na escola nova, cheguei com ele toda nervosa (a mãe mais nervosa do que o filho) e o que ele fez? Entrou correndo na escola sem nem olhar pra trás! E eu nem devia ter ficado surpresa porque foi o mesmo em maio passado, ainda na escola antiga. Foram dois dias acampar, os pais todos se despedindo e abraçando os filhos, alguns até com lágrimas nos olhos (eu juro) e Liam? Quando vi já estava entrando com os amigos no ônibus, todo sorridente. Nem beijo nem nada. Abanei e fui pra casa! Esta semana o pai passou pelo mesmo "vexame", foi levar o filho pra escola na quarta, eles só voltariam na sexta de um acampamento e adivinha? O garoto foi logo se juntar aos amigos e nem se lembrou de se despedir do pai. Dos males o menor: ao menos ele tem novos amigos!

Sem falar que de uns tempos pra cá meu filho deu pra me achar "irritante". Do tipo "mãe, você é irritante", "você não sabe do que eu estou falando" e "deixa pra lá, você não ia entender mesmo". Ou em bom holandês: "Je bent irritant", "je weet het niet, je begrijpt niks", "laat maar, je begrijp toch niet". Vai dizer que isso não é coisa típica de aborrescente. Meu consolo é que não sou apenas eu que sou irritante...o pai também é! Então de repente aquele menininho que achava que tudo que dizíamos era SAGRADO decide achar que não sabemos nada! Da noite pro dia, minha gente...e eu que sabia tanta coisa, hoje não entendo mais nada hehehe. Enfim, faz parte, né?

E nem vou falar nos games...meu filho viciou em dois games: Smackdown (boxing) e FIFA (ao menos este é futebol). E agora mesmo enquanto escrevo este post, ele está aqui na sala incomunicável (pra mim) com um amigo jogando PlayStation e Xbox 380...Welcome to the Game Generation. Claro que eu controlo, a começar porque os consoles estão na sala, dever de casa também é feito na sala (com a minha supervisão porque sou chata mesmo, quando ele tiver o diploma dele vai me agradecer). Se depender de mim, nada de game no quarto. E diga-se de passagem, também não tem TV no quarto, me recuso (no meu quarto tem, claro rsrsrsr).

Enfim, agora tenho assunto novo para o meu blog: aborrescentes!

domingo, setembro 30, 2012

Crianças medicadas

Este é (mais) um assunto que ainda não comentei aqui no blog especificamente mas que decidi fazer agora depois de uma discussão interessante que tive ontem com uma amiga. Na verdade, o assunto sempre me despertou atenção e de certa forma, posso dizer que de uns tempos pra cá consegui formar a minha opinião - com base não apenas no que li (livros, artigos de revista e internet) como em minha experiência própria com medicamentos usados no tratamento psiquiátrico. Sim, eu tomo antidepressivos há anos e nunca escondi isso porque não vejo motivo para tal. Eu sofro de uma doença invisível, sei melhor do que ninguém como ela me afeta e afeta a minha vida pessoal e profissional e sou (muito) grata por ter acesso a medicamentos que minha mãe nunca teve! Enfim, para alguma coisa servem os avanços da ciência. Isso não quer dizer que eu concorde com o número cada vez maior de pessoas que tomam antidepressivos pelo mundo afora...eu acho até que uma grande parte poderia (tentar) lidar com o problema de outra forma (a começar por diversos tipos de terapia) antes de apelar para a indústria farmacêutica. Mas também li que em casos graves, o medicamento não apenas funciona como é recomendado...e eu vivi isso na pele então só posso concordar! Enfim, cada caso é um caso.

Mas neste post eu queria falar sobre as crianças medicadas...e acima de tudo, da questão do EXCESSO. A quantidade de crianças que  tem sido diagnosticadas nos últimos 5 anos como tendo ADHD (Attention Deficit Hiperactivity Disorder) é cada vez maior, e não apenas nos EUA (no Brasil já se percebe esta tendência, como comentou uma amiga minha que por acaso, é psiquiatra infantil). Fala-se em uma epidemia mundial...e sem dúvida, a indústria farmacêutica nunca faturou tanto como nestes tempos modernos em que quase toda criança acaba recebendo, mais cedo um mais tarde, um rótulo. E com o rótulo vem muitas vezes uma receita médica. E isso cria uma questão delicada.

Na minha época de escola (anos 70) não existia nada disso...mas desde então, admito que a psiquiatra como ciência evoluiu -assim como muita coisa à nossa volta, só quem é cego não vê. E a gente precisa aceitar isso. Na minha opinião de leiga, o problema são os diagnósticos ou melhor dizendo: a dificuldade em estabelecê-los. Eu juro que não gostaria de ser psiquiatra infantil porque a responsabilidade de um rótulo me parece enorme. Na verdade, acredito que em alguns casos o diagnóstico seja mesmo correto (e o uso de medicamentos inevitável) mas não é tão simples assim...

Pra complicar ainda mais, o manual DSM, a famosa "bíblia da psiquiatria", está sempre revendo definições e dizem as más línguas que na próxima edição alguns distúrbios irão simplesmente deixar de existir. Entre eles, a Síndrome de Asperger. Isso afetará uma enorme comunidade de pessoas (crianças e adultos) que, em maior ou menor grau, se "encontraram" neste rótulo. Um exemplo famoso de Asperger é a cientista Temple Grandin. Existe até um apelido carinhoso na mídia e na literatura especializada (não sou psiquiatra mas li muito sobre o assunto): "ASPIE". Então eu me pergunto como essas pessoas irão reformular suas vidas quando a base da sua identidade deixa de existir da noite pro dia, digamos assim...O que você faria?

A mensagem óbvia é que devemos, antes de mais nada, aprender a lidar com rótulos...quem sofre desses distúrbios sabe disso muito bem (e eu vou incluir aqui a depressão). Porque uma pessoa é muito mais do que um rótulo - e não pode nem deveria ser limitada por ele (seja o limite imposto por ela mesma ou por pessoas ao seu redor). Infelizmente muitos esquecem disso...e em caso de crianças, são os próprios pais que encontram a "salvação" nesses rótulos e nos medicamentos que os acompanham (Ritalin, por ex, é o medicamento mais usado no tratamento de ADHD).

Na maioria das vezes, é muito mais fácil lidar com uma criança (devidamente) medicada do que com uma criança hiperativa que não consegue parar no mesmo lugar um minuto, não consegue se concentrar e acaba tendo um redimento escolar pobre, briga com Deus e o mundo porque não sabe controlar sua raiva, etc etc etc. Sim, essas crianças sofrem muito em casa e na escola, e algumas delas realmente tem distúrbios que podem e devem ser tratados com todos os meios disponíveis. Mas NUNCA para facilitar a vida dos pais e sim das próprias crianças! Acho que aí está a chave do problema. Se o medicamento em questão oferece mais vantages do que desvantagens (leia-se efeitos colaterais) e melhora o funcionamento e acima de tudo a qualidade de vida da criança, eu acho OK. Mas medicar só pra "facilitar" a vida dos pais e educadores, aí acho errado.

Felizmente para mim, ainda não existe medicamento para autismo! Eu digo felizmente porque tenho certeza quase absoluta de que se existisse, eu teria de fazer a difícil escolha de decidir medicar ou não o meu filho...pensando bem, provavelmente não medicaria. Isso porque meu filho tem um grau muito leve de autismo (muito diferente das crianças com casos clássicos de autismo que vivem literalmente em outro mundo). Ele é uma criança inteligente, sociável e que não precisa ser medicado para melhorar seu rendimento escolar...bem verdade que a concentração continua sendo um problema e por isso ele ainda está numa escola especial. Sua classe tem 16 alunos em vez dos 30 alunos que as escolas de Amsterdam costumam ter. E eles tem ainda workshops com temas ligados ao desenvolvimento emocional, medos, insegurança, etc (faalangst em holandês é um desses treinamentos). Nesse aspecto, Liam teve a sorte de ter um diagnóstico porque isso lhe deu acesso a uma educacão especial e personalizada que ele não teria de outra forma. E sem dúvida, foi justamente esta educação que permitiu que ele chegasse até onde chegou. Enfim, uma faca de dois gumes!

Para finalizar um assunto polêmico, quero recomendar um ótimo documentário que assisti chamado America's Medicated Kids, do jornalista britânico Louis Theroux. Este documentário está disponível no YouTube a todos interessados - não apenas profissionais como, principalmente, pais de crianças rotuladas como tendo um desses distúrbios (ADHD, autismo, PDD-NOS, bipolar, etc).

sexta-feira, setembro 28, 2012

Documentário sobre Autismo (em inglês)

Achei no YouTube um documentário da BBC e decidi compartilhar com vocês. Primeiro porque é sobre um tema que muito me interessa por motivos óbvios...quem lê este blog sabe que meu filho tem um leve grau de autismo. Segundo porque o documentário - embora seja em inglês - é relativamente curto e bastante ilustrativo. E acima de tudo, porque o documentário mostra crianças com vários tipos de autismo.

Pra quem pensa que autismo é algo como Rain Man, vale a pena assistir este vídeo. Você irá ver que o autismo na verdade é um espectro, um distúrbio com vários níveis, desde o autismo clássico até a síndrome de Asperger, no outro extremo do espectro. Pra complicar ainda mais, existe ainda a classificação PDD-NOS (Pervasive Developmental Disorder - Non Otherwise Specified), que também está incluída oficialmente no espectro de autismo. Este é o diagnóstico oficial do meu filho, recebido após vários exames e testes quando ele tinha uns 6 anos e revisto no final do ano passado.

Enfim, informação NUNCA é demais! Bem-vindo ao mundo dos autistas.



sexta-feira, setembro 21, 2012

Reclamando de barriga cheia





Eu posso reclamar da vida mas em alguns aspectos até que tive sorte. Por exemplo, eu não tenho família aqui na Holanda mas tenho meu ex-marido que me ajuda na criação do nosso filho. Hoje vou buscar o Liam na casa do pai para ajudar a carregar os livros da escola (são quase 20 livros, coitado do menino) e o ex me convidou para jantar lá. O que, diga-se de passagem, não é a primeira vez. Pra muita gente, jantar na casa do ex-marido é algo inconcebível. Mas não para nós que temos a guarda compartilhada do nosso filho há 6 anos (e até moramos no mesmo bairro). Ou seja, o casamento pode não ter dado certo, mas a guarda compartilhada funciona que é uma beleza. Dos males, o menor.

Como se não bastasse jantar na casa do ex-marido, este fim-de-semana meu ex-namorado vem nos visitar. É que depois de cinco anos de convivência, F. não aceita sumir simplesmente das nossas vidas. Até porque, ele se considera de certa forma também pai do Liam (o que faz sentido considerando-se que ele conviveu com o menino dos 7 aos 12 anos). Nos até brincamos que Liam tem dois pais (uma mãe maluca e dois pais)! Isso que eu chamo de família moderna. O quadro só complicará se eu arranjar outro namorado porque aí convenhamos, é gente demais (veja o cartoon acima).

Brincadeiras à parte, quando vejo casais separados infernizando a vida um do outro, brigando durante anos na justiça pela guarda dos filhos, eu chego à conclusão que ou 1. eu tenho muita sorte ou 2. sou uma pessoa muita bacana ou 3. ambas as coisas. O que vocês acham?

O segredo talvez seja o fato de que o Liam sempre foi e sempre será prioridade na minha vida. E isso muitos pais ainda precisam aprender. Porque se um divórcio já deixa sequelas inevitáveis, pior ainda quando o casal divorciado vive brigando, fazendo chantagem e jogando o filho contra o outro! Quando vejo mães proibirem terminantemente que os pais tenham acesso aos filhos (o que quando há violência física ou psicológica envolvida é até compreensível) eu fico com muita raiva. E me pergunto quem lhes deu o direito de decidir se o filho terá ou não um pai? Porque sinceramente, ter mãe e pai é - ou deveria ser - um direito básico de toda criança. Acho que há algo de egoísmo (ou talvez prepotência) em uma mãe (ou pai) que quer porque quer criar o filho sozinho. Claro que existem casos e casos…E eu obviamente não me refiro aos casos em que o próprio pai (ou mãe) abandona a família. Porque nesses casos não há mesmo nada a fazer, né?

Enfim, ao menos neste aspecto estou "bem servida". Mas isso porque também faço a minha parte, viu gente?




PS. O título deste post ia ser Os homens da minha vida mas além de brega, achei muito Dona Flor e Seus Dois Maridos...pra não dizer coisa pior hehehe.




terça-feira, setembro 18, 2012

No More Drama Queen



O tempo passa, a gente surta e depois se acalma. A gente leva tombo, se machuca e depois levanta. A gente erra e tenta de novo. E um belo dia - meio assim do nada - a ficha cai. Aconteceu comigo recentemente, não sei dizer quando nem porque. Uma daquelas mudanças sutis, de dentro pra fora como apenas as mudanças verdadeiras sabem ser.

Eu cansei de dramas. Cansei de me preocupar com coisas que não podem ser mudadas, coisas que não dependem de mim ou da minha vontade. Cansei de me debater com a minha vidinha imperfeita. E desisti de lutar contra as injustiças do mundo (e não são poucas). Porque nem tudo na vida é como a gente quer e nem tudo sai como planejamos. E muito menos na hora em que desejamos né, gente?

Mas olha, a crise foi longa, um período muito doloroso em que preferi me esconder e ficar quieta no meu canto. Insatisfeita com muita coisa (e de certa forma, com razão) e sem saber por onde começar. Até que decidi olhar à minha volta e vi que muita gente também tem vivido os mesmos problemas, que esta maldita crise pegou uma boa parte da população. Basta ler os jornais pra saber sobre as taxas de desemprego, grandes empresas demitindo pessoal, cortes governamentais, etc etc etc.

Então não é só questão de vontade mas de timing. E de sorte, claro. Porque a gente pode ter vontade, pode espernear e gritar à vontade mas sem sorte nada acontece. E quem pensa que estou falando bobagem, provavelmente nem irá continuar lendo este post. Sorte deles!

Não, não sou a pessoa mais azarada do mundo mas tive o azar de estar procurando trabalho num momento histórico em que até os holandeses estão perdendo seus empregos! E gente, eu sou estrangeira, e ainda por cima mãe separada. Eu tenho filho pra criar e ele sempre será a minha prioridade (ser mãe é isso). Pra complicar ainda mais, já passei dos 45 anos...Então sofri muito com a minha situação mas agora resolvi relaxar. 

Por que? Porque eu tenho feito o que posso e o resto é esperar as coisas melhorarem. Felizmente já saí do olho do furacão. Pra terem uma idéia do que estou falando, estou no terceiro estágio. Não é emprego mas é trabalho - e pra mim dá tudo na mesmo (inclusive financeiramente). Uma espécie de contrato de trabalho temporário para fazer experiência antes de entrar no mercado. E muito melhor do que ficar em casa vendo a vida passar. Já começo a enxergar a luz no fim do túnel…uma luzinha ainda fraca, mas ela está lá! A crise vai acabar mais cedo ou mais tarde, enquanto isso vou acumulando experiência de trabalho.

Fora o trabalho, minha outra grande preocupação é que moro num bairro ruim, onde meu filho nunca pode brincar na rua porque os moleques não são companhia pra ele. Filhos de imigrantes cujos pais sequer sabem onde as crianças andam, para os quais educação não é prioridade. Crianças que inevitavelmente acabam tendo baixo rendimento escolar e seguem para o ensino secundário mais baixo do país. Muitos acabam desempregados e nas ruas e sim, alguns perdem o rumo e acabam entrando na vida do crime. Eu consegui com muito custo "contornar" este problema e educar o meu filho com o padrão dos holandeses (e até melhor). Sempre dei importância pra educação, levamos a cinema, teatro, museus. Compramos livros. Enfim, estimulamos o desenvolvimento emocional e intelectual do menino. E os frutos já começam a ser colhidos, ele acaba de começar o ensino secundário numa nova escola e com perspectivas de ensino superior e mesmo universitário. As portas estão abertas.

Já os pais imigrantes não fazem nada disso (falei sobre eles aqui), até porque não podem. 90% dos imigrantes que moram no meu bairro são semi-analfabetos e estão desempregados, a maioria das mulheres é dona de casa e nem pensa em ser outra coisa. Muitas tem 4 ou 5 filhos, os meninos vão tradicionalmente pra rua e as meninas ficam em casa ajudando a mãe na cozinha. Uma pena porque algumas dessas crianças são inteligentes e se recebessem o mínimo de bagagem em casa (na forma de estímulos), talvez tivessem até chance no sistema educacional holandês. Mas isso é raro. Basta entrar numa sala de aula HAVO-VWO e ver que a quantidade de filhos de imigrantes, dependendo da escola, é de menos de 10%! E nas universidades é pior ainda. A grande maioria dos alunos são holandeses mesmos, uma invasão de louros nas salas de aula. Mas isso é assunto pra outro post, né?

Bom, mas daqui a três anos vou me mudar finalmente para um bairro bom e daí poderemos seguir em frente. Enquanto isso, vou trabalhando como posso e meu filho vai estudando. Novamente, uma questão de timing e muita paciência. O mais estranho é que conheço aqui muitas brasileiras casadas com holandeses que não tem a menor idéia do que estou falando porque vivem em outra realidade. Elas tem um padrão de vida muito mais alto (duas rendas em vez de uma), moram em bairros bons (a maioria fora de Amsterdam porque pra morar em bairro bom aqui tem de ter nascido com o cu virado pra lua, sério).  Os filhos vão quase que automaticamente para boas escolas. Elas não tem a menor idéia das minhas batalhas diárias e se bobear, ainda me acham "negativa" (juro que aconteceu comigo). Para essas brasileiras, só digo uma coisa: se pudessem viver a minha vida nem que fosse por UMA SEMANA, mudariam de idéia. É aquela estória: pimenta nos olhos dos outros é suco.

Enfim, mais um post longo demais que a maioria das pessoas não irá ler até o fim. E viva o Twitter por ter conseguido diminuir a capacidade de concentração  já limitada das pessoas além dos 140 caracteres. Pra você que leu até aqui: parabéns!

Tecnologia do Blogger.

Retrospectiva Literária 2012




Tem muito meme e desafio literário pela blogosfera mas fiz este ano passado aqui no blog e gostei tanto da idéia que resolvi repetir este ano! Enfim, acho que este post vai virar tradição aqui no Noites em Claro.

O livro infanto-juvenil que mais gostei: Não li nenhum livro infanto-juvenil este ano...

A aventura que me tirou o fôlego: Stranded, Emily Barr

O romance que me fez suspirar: The Pleasure Seekers, Tishani Doshi

A saga que me conquistou: Shanghai Girls, Lisa See - mas também gostei muito de How to be An American Housewife (adoro estórias de imigrantes)

O clássico que me marcou: The Bookseller of Kabul, Asne Seierstad

O livro que me fez refletir:  The Art of Racing in the Rain, Garth Stein

O livro que me fez rir: Ooops, difícil. Não li necessariamente nenhum livro que qualificaria como "engraçado". Comovente e divertido sim, mas engraçado não.

O livro que me fez chorar: Empatados: Still Alice (Lisa Genova) e Me Before You (Jojo Moyes)

O melhor livro de fantasia: The Shadow of the Wind, de Carlos Ruiz Zafón (não costumo ler fantasia mas este é ótima leitura)

O livro que me decepcionou: Miss Peregrine's Home for Peculiar Children, Ransom Riggs (outro livro de fantasia que foi muito comentado mas não consegui curtir)

O livro que me surpreendeu:  Empatados: The Space Between Us (Thrity Umrigar) e Land of Decoration (Grace McCleen)

O(a) personagem do ano: Sem dúvida Will Traynor, o paraplégico de Me Before You. Uma estória impressionante, daqueles que fica na memória do leitor por muito tempo

O casal perfeito: Madeleine e Leonard em The Marriage Plot, um romance cheio de altos e baixos como todo romance que se preze

O(a) autor(a) revelação: Grace McCleen com seu maravilhoso début literário Land of Decoration (vale a pena conferir)

O melhor livro nacional: que vergonha, não li nada de literatura brasileira em 2012 mas pretendo corrigir esta falha ano que vem



Li em 2012: 34 livros - 7 a mais do que em 2011 e 2 a menos do que a minha meta de ler três livros por mês!

Meta literária para 2013: 36 livros ou uma média de 3 livros por mês. E livros em português porque tenho ótimos livros que ganhei de presente de amigos e ainda não li (shame on me).

Meus votos de boas festas!







Queridos amigos e leitores, desculpem o sumiço...o natal já passou e só agora deu pra vir aqui dar meus votos de boas festas e um super ano novo para todos vocês! Semana corrida, fim de estágio, visita do Brasil, passeios pela cidade e comprinhas de natal. Sem falar numa deliciosa ceia de natal na casa do ex-marido... com o ex-namorado que agora é namorado de novo (já faz algumas semanas mas preferi manter segredo desta vez, hehehe).

Enfim, a vida segue dando muitas voltas, com boas surpresas pra quem sabe esperar. No final das contas, o que conta mesmo nesta vida são as pessoas que temos à nossa volta. Dinheiro e coisas são apenas "acessórios". E por isso a ceia de natal (que meu ex-marido preparou sozinho para dez pessoas, tarefa digna de  "celebrity chef") foi tudo o que eu poderia desejar neste mês agitado de dezembro. Na companhia de amigos (incluam aí o ex-marido cozinheiro), do meu filho querido e daquele que nunca me abandonou nesses últimos cinco anos, mesmo quando eu decidi que já tinha acabado. Porque amor que é amor de verdade não desiste. Amor de verdade sempre prevalece.

Mas o natal já passou e espero que vocês tenham curtido esta data na companhia dos seus...e pra quem passou longe da família - como muitos de nós que moramos fora do Brasil - que tenha sido uma reunião da amigos especiais. Porque alguns amigos são como família.

Agora só me resta desejar a todos um ano novo maravilhoso, com muito amor, saúde e alegrias. Que em 2013 a gente aproveite cada oportunidade de dar e receber amor. Que a gente possa rir e chorar sem medo porque risos e lágrimas sempre fizeram e farão parte de uma vida plena.  Que a gente esqueça as dores do passado e as pessoas que nos fizeram mal e valorize as pessoas que nos querem bem. Que a gente aprenda com os erros e procure sempre melhorar. E que tenhamos paciência com os defeitos dos outros e principalmente, com as nossas próprias fraquezas e limitações. Acima de tudo, que a gente nunca desista. Porque evoluir é um processo estritamente pessoal e doloroso mas um dia a gente chega lá. E vamos em frente, um dia de cada vez!







E o mundo não acabou...




...e todos sobreviveram a temida profecia dos Maias. Bem verdade que aqui na Holanda ainda estamos em pleno dia 21 (até agora não vi bolas de fogo no céu mas sabe-se lá?),mas em outras partes do mundo como Austrália e Nova Zelândia o dia já está acabando e por enquanto não há notícias de apocalipse vindo daquela região do planeta...se bem que se o mundo por lá tivesse mesmo acabado não existiriam computadores (nem jornalistas) para notificar a mídia internacional, né? rsrsrsrs.

Pois é, como todo mundo está careca de saber, o calendário Maia termina exatamente no dia de hoje: 21.12.2012. E muito tem sido especulado sobre o assunto: cientistas e leigos, todos tem a sua opinião.  Ouve-se falar em ApocalipseArmagedon, sem falar na assustadora "conspiração dos  illuminati" que já vem circulando há tempos por aí (e eu já ouvi uma coisa ou outra mas ainda não formei a minha opinião sobre o assunto).

Eu mesma confesso que nunca acreditei nessa estória de fim de mundo - pelo menos não no sentido bíblico e digamos assim, literal. Prefiro acreditar numa versão mais light em que se fala de uma mudança de paradigma. Enfim, cada um acredita no que quiser.

No mais, para decepção de muitos e alívio de tantos outros, o mundo não acabou! E nós vamos continuar vivendo e sobrevivendo. Vamos continuar rindo e chorando, tendo dias bons e ruins, quando então iremos esperar por dias melhores. Vamos continuar amando (e com alguma sorte, sendo amados). Alguns ainda irão acreditar na bondade dos homens.

Enfim, o mundo não acabou e logo teremos um ano novinho em folha pra começarmos tudo de novo. Com esperança de dias melhores, grandes amores, do emprego ideal que até hoje não surgiu, novas amizades, novas descobertas e novos aprendizados. Esperança de que 2013 seja um ano de boas surpresas, muita saúde (porque saúde sim é fundamental) e algum dinheiro no bolso.

Quem viver, verá.

Cloud Atlas



Ontem assisti um dos filmes mais comentados atualmente aqui na Holanda, na Europa e provavelmente no mundo todo: Cloud Atlas. 1 livro, 3 diretores e 6 estórias que entrelaçam passado, presente e futuro. O filme é uma adaptação do livro do escritor cult David Mitchell, e tem a direção da dupla de The Matrix e do diretor alemão Tom Tywker (Run, Lola, Run). A combinação destes talentos produziu nada menos do que um espetáculo visual. E uma estória (ou melhor dizendo, uma teia de estórias) que intriga o expectador do início ao fim.

Cloud Atlas é uma teia complexa de estórias e personagens que vamos admitir, exige um certo grau de inteligência do expectador, mas que surpreende a cada cena. A começar porque não apenas o filme transita o tempo todo entre passado, presente e futuro como os mesmos atores aparecem repetidamente em períodos diferentes (alguns irreconhecíveis em suas maquiagens). Este recurso cinematográfico pode confundir alguns distraídos mas é usado intencionalmente pelos diretores para enfatizar uma das principais mensagens do filme: cada escolha feita repercute no futuro (próximo e distante) e por sua vez, reflete uma situação do passado. Dizendo assim parece óbvio, mas estamos falando aqui das grandes escolhas, aquelas que são capazes de mudar o rumo da vida de uma ou mais pessoas. A famosa escolha entre dois caminhos, quando nos encontramos em uma encruzilhada e precisamos escolher um dos caminhos.

Além deste tema recorrente das escolhas, há ainda outros temas como o fato de toda a raça humana (em todos os continentes) estar entreligada através dos tempos. No universo em que vivemos, somos ao mesmo tempo passado, presente e futuro. Alguns são líderes e se rebelam contra o establishment, outros são seguidores e vivem de acordo com as regras estabelecidas ao longo de séculos. Uns tem em suas mãos a decisão de uma vida. E na luta pela sobrevivência diária, os mais fortes "comem" os mais fracos. Não só a história da humanidade nos mostra isso repetidamente, como o mesmo pode ser observado - em maior ou menor grau - em várias cenas do filme.

Resumindo, Cloud Atlas é um roteiro inteligente e bastante original que trata de temas universais. Assim sendo, o filme transmite mensagens profundas e é uma experiência válida para quem gosta de fugir do lugar comum e questionar a existência.

O escritor inglês David Mitchell teve seu debut literário com o elogiado Ghostwritten (que tenho na minha prateleira há mais de ano e agora estou pensando seriamente em ler). Depois ele escreveu Number9Dream, sendo que Cloud Atlas é o seu terceiro livro. Um escritor que já concorreu (e ganhou) em vários concursos literários, aclamado pela crítica e que certamente irá agradar os leitores de Murakami...Fiquem avisados!

52 x 5 Momentos pra compartilhar - SEMANA 49


Provando que o ser humano é mesmo do contra, a minha lista de viagens de sonho só tem um lugar na Europa...É claro que ainda tem muito lugar bonito pra conhecer aqui neste Velho Continente mas desconfio que fiquei "européia", rssrsrs. Quanto mais longe, melhor. Conheci um pouco da Tunísia há quase 3 anos, fiquei louca pra voltar de novo. E aí bateu uma vontade enorme de conhecer o Marrocos e o Egito. Agora vocês acreditam que uma viagem dessas, saindo daqui da Holanda, é muito mais barata do que ir ao Brasil?!! Você consegue pacotes de 8 dias passagem aérea + hotel por cerca de 500-700euros (fazendo reservas adiantadas). Uma tentação...

Semana 49 - Lugares no mundo que eu gostaria de conhecer
1) Fernando de Noronha (!)
2) Machu Picchu
3) Santorini (Grécia)
4) Marrocos
5) Pirâmides do Egito



Meu sonho de viagem não fica na Europa!

Claro e escuro




No Brasil eu nunca tinha ouvido falar nem tampouco acredito que existam dessas lâmpadas para vender no mercado brasileiro (por motivos óbvios, né gente). E também com a quantidade de dias de sol que temos, nem é preciso! Nesse aspecto, o Brasil é um país abençoado e os brasileiros que moram há anos no norte da Europa (como esta que vos escreve) sabem disso há muito tempo.

Verdade seja dita, já se foram 18 invernos e eu ainda não me acostumei (nem acho que um dia me acostumarei) com estes dias curtos e escuros! Entra ano e sai ano, é sempre a mesma coisa...final de outubro a minha reserva de energia acaba (conhecem a propaganda das pilhas Duracell?) e em novembro as folhas caem das árvores e meu astral começa a baixar. Pra quem já sofre de depressão como eu, o inverno é um perigo. São 8 horas de dia, 16 horas de noite. E por dia leia-se não necessariamente sol, porque temos muitos dias nublados no período de outubro a abril...pensando bem, o ano inteiro. Então quem ainda sonha em vir morar na Holanda, leia novamente este post hehehe.

Felizmente, para (quase) todo problema há solução! Nestes dias escuros de inverno em que o sol fica semanas sem aparecer ou aparece só pra sumir logo depois, uma solução é a light therapy (lichttherapie em holandês). Acreditem se quiser, esta lâmpada milagrosa reproduz os raios de luz solar em dias escuros. E eu estou com ela ligada agora mesmo enquanto escrevo este post. Antes de sair para o trabalho (lá fora o dia só clareia lá pelas 8.30 da manhã, meu filho vai pra escola na noite escura).

É que acabei de ganhar a lâmpada da foto acima de aniversário do F. (meu grande amigo e companheiro). E só posso dizer que provavelmente foi o melhor presente de aniversário que ganhei nos últimos anos - sem exageros! Minha energia estava zerada nas últimas semanas, sem pique para nada, me arrastando entre casa e trabalho. E olha que eu só trabalho até umas 15 horas, quatro dias na semana (folga na quarta). Pois chegava em casa e ia direto pra cama tirar um cochilo pra tentar repor a energia (inexistente) antes de fazer a janta! Ruim demais, meus caros amigos. Claro que nadar ou fazer caminhadas (pra quem odeia academia como eu) também é uma forma saudável de repor a energia mas o problema é que quando a energia está zerada a gente nem consegue chegar na piscina, rsrsrs (só mesmo rindo, né?).

Ontem comecei um tratamento intensivo de uma semana e vamos ver como funciona. Já tinha ouvido muito falar da light therapy aqui na Holanda, que é popular até mesmo entre os holandeses, quem dirá nós brasileiros crescidos nos trópicos. A terapia é usada no tratamento da depressão e principalmente, da conhecida depressão sazonal (SAD - Seasonal Affective Disorder) e consiste em exposição diária de 30 minutos a uma hora. O tempo de exposição depende da distância da lâmpada, 20cm ou 40cm respectivamente.

Moral da estória: quem não tem cão caça com gato. Fica aí a dica para todos os brasileiros que como eu vivem no norte da Europa e que sofrem todo inverno com estes dias escuros...Muitos ainda tem a sorte de poderem fugir para o Brasil no período de natal e ano novo, infelizmente não é o meu caso...enfim, vivendo e aprendendo.

O que eu quero em 2013

 
O ano de 2012 está chegando ao fim e inevitavelmente as pessoas começam a fazer uma retrospectiva dos bons e maus momentos, das vitórias e perdas. Para muitos 2012 foi um ano difícil, com a crise do euro muitos perderam seus empregos e outros continuam desempregados. A situação não está tão crítica como nos países do sul da Europa (Espanha, Portugal e a falida Grécia) mas para os holandeses já está bem ruim. Verdade seja dita, eles se acostumaram a um padrão de vida confortável e dos mais elevados da Europa (junto com a Alemanha e os países da Escandinávia) e agora as regalias estão sendo tiradas aos poucos, uma a uma. Com a crise, o famoso sistema social (welfare state) tem sido revisto e muita coisa tem mudado. Acabaram-se as mordomias. Todo mundo está sentindo isso no bolso. A começar pelos cortes de custos nos setores de saúde e educação.
 
Mas fim de ano é fim de ano e alguns já começam a fazer planos para o ano novo. São as famosas listas de resolução. Alguns pegam papel e caneta e fazem listas imensas, outros fazem listas mentais. Eu decidi escrever um post pra colocar a casa em ordem, digamos assim.

É que eu nunca acreditei muito nessas listas mas admito que elas tem seu valor. Elas nos obrigam a parar para refletir sobre o que queremos em nossas vidas e sobre o que não queremos mais. Nos obrigam a refletir sobre nossos aprendizados e nossas relações. Entra ano, sai ano e pessoas entram e saem de nossas vidas. Os amigos de verdade sempre ficam e isso todo mundo sabe. Amigo que é amigo se entende, se desentende, conversa e resolve as diferenças. Alguns namoros começam, outros terminam e tem ainda aqueles que terminam e começam de novo (assunto para outro post). Tem gente que casa, tem gente que separa. Alguns nascem, outros morrem.

Quanto a mim, eu só sei que em 2013 eu quero...

* aprender de uma vez por todas a dar atenção aqueles que gostam de mim e largar de lado pessoas que na verdade nada acrescentam na minha vida
*  (tentar) mudar alguns hábitos que não me fazem bem, um dia de cada vez
* voltar a acreditar que as coisas podem e vão melhorar porque a vida é feita de ciclos
* cultivar momentos de gratidão pelas coisas - e principalmente pessoas - que tenho na minha vida
* continuar orientando meu filho para que ele tenha um futuro feliz
* cuidar melhor da minha saúde física (perder peso é a prioridade)
* cuidar da minha saúde mental (porque sem ela o resto vai literalmente pelo ralo)
* aprender a relaxar mais e manter a calma em situações que não posso mudar
* me dedicar mais ao blog, que uso como exercício de escrita e também de reflexão
* reservar semanalmente algumas horas pra cultivar meu hobby favorito: scrapbooking
* last but not least: buscar novas amizades, mas sem esquecer das antigas!

52 x 5 Momentos pra compartilhar



Dezembro já chegou então vamos lá atualizar este meme que está sempre atrasado mesmo! E não é que mais um ano está acabando?

Semana 45 - Lembra a minha adolescência...
1) Sessões de cinema no Paissandu (Flamengo)
2) Reuniões de adolescentes da Igreja Presbiteriana (!)
3) Retiros de carnaval
4) Noites em claro conversando com amigas
5) Muita insegurança...

Quanto aos itens 2 e 3, preciso dizer que depois que fiz 18 anos nunca mais pisei numa igreja (só pra visitar mesmo: Westminster em Londres, Notredame de Paris e por ai vai)! Casei apenas no cartório civil aqui na Holanda e nunca batizei meu filho. De resto, igreja é um assunto que nunca comentei nem irei comentar aqui. Cresci em igreja, frequentei escolas dominicais e li ainda criança o Velho e o Novo Testamento...aos 18 anos, decidi que não queria mais...sou espiritualista mas não dou nenhuma educação religiosa pro meu filho. Sentiram o "trauma"?

Semana 46 - Parece que todo mundo sabe ....., menos eu
1) Dirigir
2) Falar devagar
3) Manter a calma em situações de crise
4) Fazer cara de paisagem
5) Fingir que está bem quando está mal

Semana 47 - Quando estou apaixonada, eu...
1) Sinto um frio na barriga antes de cada encontro
2) Perco a fome (!)
3) Ando nas nuvens
4) Fico ainda mais emotiva
5) A vida fica mais bela...

Semana 48 - Nunca tive coragem de...
1) Aprender a dirigir
2) Pular de para-quedas
3) Patinar no gelo (meu filho patina)
4) Ir a uma praia de nudismo
5) Falar algumas verdades na cara de algumas pessoas




Lá vem dezembro de novo!

Terapia cognitiva



A primeira medida que tomei depois que decidi tirar minhas férias virtuais do Facebook  foi começar uma terapia cognitiva. Pra quem não sabe, é um dos métodos mais eficazes no tratamento da depressão. Porque já foi comprovado que melhor que apenas remédio é a combinação remédio e terapia. E quem leu um dos meus posts recentes deve saber que a coisa aqui anda pra lá de esquisita...eu como sou macaca velha, reconheço os sintomas.

Não, depressão não é assunto bacana mas é importante falar sobre isso vez ou outra porque é uma doença invisível e muita gente sofre sozinha...e eu não tenho vergonha nenhuma (nem nunca tive) de falar sobre o assunto porque não vou alimentar tabus. Depressão é uma doença e não um estado de espírito ou falta de força de vontade ou sei lá o que mais que as pessoas dizem. Infelizmente, só quem tem pra entender isso (e a gente além de sofrer com a doença, ainda sofre com a ignorância como eu mesma escrevi aqui neste post).

Mas voltando à terapia cognitiva, fiz uma vez e gostei muito só que foram apenas duas sessões e agora decidi pegar pesado (aproveitando que o inverno está mesmo chegando). Terei sessões semanais nos próximos 2 ou 3 meses...com direito a dever de casa e tudo mais!

A primeira sessão foi ótima e a terapeuta me deu logo uma dica de um livro pra ler em casa. Mas como o autor é holandês (e eu vou ler em holandês, claro) acho que não vem ao caso citar o título aqui. De qualquer forma, a terapia é muito conhecida há anos e certamente existe uma boa bibliografia em português. Aaron Beck é o fundador desta escola e tem muitos títulos traduzidos no Brasil, assim como sua filha Judith Beck.

A base da terapia é que antes dos sentimentos, vem os pensamentos. Somos o que pensamos e se quisermos mudar a maneira como nos sentimos (por exemplo, tristes ou deprimidos) precisamos cortar o mal pela raiz e "reprogramar" nossos pensamentos. Eu sei que alguns que leem isso vão achar a coisa mais óbvia do mundo mas quem sofre de depressão sabe que é uma tarefa diária. Você precisa literalmente se "reprogramar" para transformar cada pensamento negativo em algo positivo. Para ver oportunidades e portas onde você não vê mais nenhuma saída. E isso exige muita disciplina e treino.

Tem gente que teve sorte de ter nascido com uma predisposição para ser otimista e positivo, outros passam a vida inteira tentando aprender. E com alguma sorte, um dia aprendem! Sem falar dos fatores externos (ambiente, trabalho etc) que influenciam diariamente nosso estado de espírito e dos quais nem sempre temos controle (eu que o diga). Ou seja, já que existem tantos fatores externos fora do nosso controle - e que muitas vezes não podemos mesmo mudar - a solução é tentar mudar a maneira como vemos estes fatores. De certa forma, eu diria até reprogramar nossa visão de mundo. Como diz aquele velho e sábio ditado: "Que Deus me dê serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para distinguir entre elas."

Last but not least, um artigo para quem tenha ficado interessado no assunto:
Aaron Beck e a terapia cognitiva


Atividades de Inverno

Meu cantinho criativo

Material de scrapbooking
A boa notícia pra quem costuma ler este blog é que decidi voltar às origens e postar mais, depois de algumas semanas conturbadas. Verdade seja dita, eu sempre tive muitos interesses e tenho ao menos dois hobbies que me satisfazem enormemente: blogar e scrapbooking (pra quem ainda não conhece, aqui está o meu outro blog). Além disso, tenho ainda cultivado um novo vício, o Pinterest. O Pinterest é a minha maior fonte de inspiração nos últimos tempos e quem não conhece, não sabe o que está perdendo! Ali tem tudo pra todo mundo. Dicas de decoração, moda, fotografia, lugares, acima de tudo muito design. Eu mesma já tenho trinta boards, o que chega a ser um exagero mas o fato é que tenho interesses diversos (e se for pensar bem, isso é que faz uma pessoa interessante, não é mesmo?).



E agora que saí do Facebook confesso que tenho me sentido melhor, além de ter me dado conta de quanto tempo eu perdia ali...tempo que poderia ser usado para outras atividades como, por exemplo, scrapbooking! E claro, tempo para postar mais aqui no blog e conversar com vocês, caros amigos e leitores. Porque eu sempre amei o mundo dos blogs e fiz grandes amizades na blogosfera. E talvez por isso tenha tido dificuldades em me adaptar às "regras" do Facebook, digamos assim. Sem falar que a blogosfera obviamente tem muito mais a ver comigo e pelo menos no meu blog eu posso falar o que eu quero, né? E esta é a primeira e sem dúvida, a maior diferença entre um blog pessoal e o Facebook.

Mas voltando ao assunto do post, aqui na Holanda nós realmente temos as quatro estações do ano, diferente de quando eu morava no Rio de Janeiro em que era verão o ano inteiro. As estações são bem distintas, assim como as atividades relacionadas a cada estação. Outono pra mim é sempre um período difícil, os dias começam a ficar mais curtos, chove muito, as folhas caem das árvores e somos lembrados diariamente que o inverno está chegando...Em compensação, eu aproveito pra ler bastante, porque no verão eu leio pouquíssimo (verão passado não li nada). Todo ano é a mesma coisa: é só entrar o outono que eu começo a devorar livros. No inverno então nem se fala porque não há nada (ou quase nada) melhor do que deitar à noite numa cama quentinha com um bom livro como companhia!

Outono e inverno também é a época em que as pessoas começam a passar cada vez mais tempo dentro de casa e por isso as lojas começam a vender todo tipo de decoração para o lar: almofadas e colchas macias para o sofá da sala, velas e castiçais de todos os tipos e cores para iluminar as noites escuras (muito populares aqui no norte da Europa). Pra quem curte aromaterapia, também é fácil encontrar velas com aromas em muitas lojas: aromas de inverno como maçã e canela, especiarias, etc. E por falar em aroma, há ainda uma enorme variedade de guloseimas de inverno disponíveis nas lojas e supermercados (a dieta agradece). Speculaas é uma das guloseimas mais vendidas por aqui (e que eu infelizmente adoro), vejam neste site: delícias da Holanda. É que em dezembro comemora-se não apenas o natal na Holanda mas também Sinterklaas, uma tradição holandesa muito interessante, sobre a qual já comentei aqui no blog.



Sinterklaas

Moral da estória: com tantos livros e guloseimas a gente até que consegue sobreviver os longos meses de inverno! O segredo é criar um lar aconchegante, tirar proveito de velas para decorar a casa, montar uma bela árvore de natal e pronto. Um chocolate quente, um bom filme e a gente sobrevive as noites escuras...


Chicklit with a Twist

Mudando radicamente de assunto, porque nem eu aguento mais esta ladainha de Facebook (pelo amor de Deus, né?). Hoje queria falar de uma escritora que nunca havia lido antes mas que agora viciei. É a Emily Barr, uma escritora inglesa conhecida por escrever bestsellers que combinam o popular estilo chicklit com um toque de suspense e mistério...a fórmula perfeita para prender a atenção do leitor!

Pois eu acabei de devorar dois livros dela e confesso que são muito bem escritos. O primeiro deles se chama Out of My Depth e conta a estória de 4 amigas de ginásio que se reencontram vinte anos depois na casa de uma delas no sul da França. Os capítulos revezam entre o período do ginásio em que elas tinham 16, 17 anos e o encontro vinte anos depois. Como se não bastasse a tensão inerente a um encontro desses, com expectativas e inseguranças da parte de cada uma delas, há ainda um segredo a ser revelado. Um segredo que irá mudar para sempre a relação entre as quatro amigas. E que o leitor só descobrirá perto do fim...

O segundo livro, que devorei em 2 dias (quase 400 páginas) se chama Stranded. E é literalmente isso que acontece na estória: uma inglesa divorciada e com uma filha de 10 anos decide fazer uma espécie de sabbatical e tirar umas semanas de férias para refletir. Ela está prestes a completar quarenta anos (a famosa "crise dos 40", pela qual já passei). Ela compra passagens pra Malásia e acaba numa ilha paradisíaca com mais 6 turistas (um casal americano, um casal australiano, uma outra inglesa e um rapaz escocês com o qual acaba namorando). O problema é que o que seria um passeio de um dia acaba virando 29 dias de sobrevivência na selva! Bem ao estilo de LOST, a popular série de tv que muitos de vocês certamente conhecem (e eu não assisti até hoje por pura implicância, rsrsrs).

Enfim, uma autora altamente recomendada (e viciante) pra quem curte livros com alta dose de adrenalina...puro escapismo! A má notícia é que procurei nos sites da Saraiva e da Livraria Cultura e os livros dela parecem não terem sido traduzidos ainda no Brasil...A boa notícia é que eles vendem os livros importados então fica a dica pra quem lê em inglês! Se alguém encontrar os livros traduzidos, por favor comente aqui.

Das prioridades


A coisa anda pra lá de esquisita nas últimas semanas e eu nem tenho conseguido me animar pra postar aqui no blog (alguns leitores talvez tenham percebido isso). São situações que independem de mim e que tem aumentado o desgaste emocional e mental. E por isso decidi que está mais do que na hora de (re)definir minhas prioridades. Uma das primeiras medidas tomadas foi desativar (temporariamente) minha conta do Facebook. Isso porque cheguei à conclusão de que além de tomar tempo precioso (não tenho a vida ganha), também andei me incomodando com algumas figuras ressurgidas do passado, digamos assim. Amizades que fiz na época do meu divórcio, um dos períodos mais conturbados que passei aqui na Holanda. Muitas se afastaram na época e depois eu mesma decidi me afastar. Só que voltei ao Facebook ano passado e acabei adicionando automaticamente essas pessoas como se nada tivesse acontecido. Grande erro!

Enfim, acho que todo mundo deve ter estórias parecidas mas a verdade é que não vale a pena tentar "reestabelecer" amizades passadas quando elas obviamente já fecharam a página. E felizmente eu tenho bons amigos e não preciso "esmolar" amizade de ninguém! Mas o que a gente faz com a mágoa?

Verdade seja dita, ser abandonada por pessoas que você considerava amigas durante uma das maiores crises da sua vida, no meio de uma depressão horrível, é algo que eu não desejo a ninguém. E foi exatamente isso que eu vivi. Você fica doente, as pessoas se afastam. E se tem uma doença que afasta as pessoas é a depressão (pra que mentir, né gente?). Quem já teve, sabe muito bem disso. Hoje em dia - e principalmente nas redes sociais, eu digo e repito - ninguém quer saber de problemas. As pessoas só querem se relacionar com quem está com a vida ganha, tudo nos trinques. Ninguém quer ouvir falar de crise, divórcio, desemprego...crise, que crise? São assuntos nada populares, mas que fazem parte da vida de muitas pessoas (ainda mais com esta crise do euro que nunca acaba). Só que manda a regra que não é de bom tom sair por aí reclamando da vida. As pessoas só querem saber de alto astral, só querem saber da companhia de quem está de bem com a vida.

Enfim, decidi dar um tempo na rede pra organizar a cabeça e cuidar de outras prioridades. E quando a maré tiver melhorado pro meu lado e eu me sentir mais forte, eu volto. Deixei grandes amizades ali,  mas elas sabem como me encontrar e nunca precisaram de Facebook pra isso!  Seja aqui mesmo através do blog, por telefone ou por e-mail.

E agora vamos virar a página (prometo não incomodá-los mais com este assunto inóspito). Porque pra frente é que se anda, né?

O Fim do Império Branco

 
 


Nesses dias esquisitos, ao menos posso dizer que fiquei feliz com a vitória do Obama. Diga-se de passagem, uma vitória dupla: ser reeleito em plena crise americana, com altos índices de desemprego e uma economia estagnada. Isso significa que alguma coisa ele está fazendo certo. E ao menos assim, ele poderá dar continuidade aos seus planos. E continuidade é essencial nestes tempos difíceis.

No mais, o Império Branco dos republicanos vem sendo cada vez mais ameaçado pelas minorias. É que o eleitor típico de Romney é o americano branco de classe média, residente nas zonas rurais (o velho cowboy). Já o eleitorado de Obama abrange várias classes sociais e comunidades de imigrantes. E neste ponto ele acertou em cheio. Enfim, é o fim do Império Branco.

Interessante observar as eleições americanas daqui da Europa, onde os "problemas" de imigração são bastante semelhantes aos dos EUA mas as soluções tem sido diferentes até os dias de hoje. Aqui na Holanda, por exemplo, nunca se elegeu um presidente negro (ponto para os EUA). Também existem pouquíssimos negros (ou latinos, asiáticos) em universidades e em cargos de chefia em grandes empresas. Até mesmo em hospitais, a maioria dos médicos é branca. E isso não sou eu que digo, está nos jornais pra quem quiser ler. A discriminação já começa no ensino primário (já comentei sobre isso por aqui) e vai até o mercado de trabalho. No meu bairro existe uma escola branca (onde os pais holandeses matriculam suas crianças e a fila de espera é de dois anos). Todas as outras escolas são negras (80% filhos de imigrantes ou mais). E pra você que nunca ouviu falar em escola branca e escola negra, estes são termos correntes na mídia holandesa. Sentiram o drama? Detalhe que este é um problema também na França, Alemanha e Inglaterra...não apenas um problema holandês.

E é justamente isso que eu admiro no Obama. Ele entende esta mudança social - até porque, faz parte dela - que começou há uns 50 anos e agora se vê pelas ruas das cidades americanas e européias. Aqui mesmo em Amsterdam, quase metade da população jovem é filha de imigrantes (nascida aqui e muitos com passaporte holandês). E qualquer candidato que queira arrecadar votos nas capitais holandesas, precisa levar isso em consideração na hora de preparar sua campanha.

Eu nem vou falar de EUA porque não moro lá. Mas aqui na Holanda a coisa está pegando fogo. Os holandeses não querem conviver com culturas diferentes da sua (e não me refiro apenas a muçulmanos) mas infelizmente para eles, isso é inevitável. A verdade é que eles continuam achando sua cultura superior e não querem saber de assimilar novos valores culturais (alguns até tentam, poucos conseguem). Quanto a mim, prefiro acreditar que há algo de bom em toda cultura. E crio meu filho para respeitar as diferentes culturas porque no final das contas, ninguém é melhor do que ninguém. Eu aproveito o que acho bom da cultura holandesa, tiro algo da cultura inglesa, misturo um pouco da brasileira e assim vamos vivendo, tentando tirar o melhor de dois (ou mais) mundos!

Os imigrantes estão deixando de ser minoria para ser maioria. E isso não é ruim. A sociedade moderna é cada vez mais multicultural e não adianta bater pé (como os republicanos que queriam deportar os ilegais) e exigir uma sociedade branca porque esta era passou! Eu vejo ao meu redor holandeses reclamando, saudosos dos tempos em que não se via lojas turcas e mesquitas por toda parte. Mas esta é a nova paisagem social e eles terão de se acostumar com isso mais cedo ou mais tarde. Eu já me acostumei há tempos e nem acredito que me adaptasse em um bairro branco onde a maioria dos moradores fosse holandeses...meu filho menos ainda.

Enfim, este é o grande desafio do futuro. O fim de um império.


Zona de turbulência

 




Pra quem percebeu a ausência aqui no blog, acabei de passar por uma "zona de turbulência" e olha que meu "inferno astral" só começa oficialmente hoje...Período bastante delicado, tentando manter a cabeça erguida apesar de tudo e de todos. Sim, o astral baixou de vez e tenho tentado levantar de todo jeito. Alguns dias eu até venço esta batalha contra o inimigo invisível...outros dias, chego do trabalho e vou dormir! Sem mais.

Insatisfação no trabalho porque infelizmente não tenho colegas e passo os dias sozinha num escritório. E eu que já não sou uma pessoa que gosta de trabalhar em escritório, imaginem então...Meu contrato de estágio vence no início de janeiro e estou revendo possibilidades. Muito chato acordar segunda de manhã cedo, ver a chuva lá fora e ter de pegar ônibus e metrô pra passar o dia sozinha. Pior mesmo é quando não tem nada pra fazer...já imaginaram?

Fato é que ando precisando de mais uma virada na minha vida...só que esta virada está demorando muito pra chegar. Este é o meu terceiro estágio e nada de emprego! Esta crise do Euro certamente dificultou a minha vida, não vou mentir e nem fingir que está tudo bem (como alguns insistem em fazer). Quem arrumou emprego antes da crise tomar o mercado, teve sorte. O que eu chamo de timing. Claro que as coisas sempre podem estar piores mas não está fácil. Meu único "consolo" é que não estou sozinha. Não estou mesmo (sim, eu leio jornais).

Pra piorar, o Facebook nessas horas não presta pra nada. Pelo contrário, até atrapalha. Aquilo ali é só festa mesmo e quem reclama acaba literalmente perdendo "amigos". Ninguém quer saber de seus problemas, todo mundo com emprego legal, viagens, tudo nos trinques! Não é a toa que alguns pesquisadores nos EUA já encontraram uma ligação entre Facebook e depressão em adolescentes (sei bem como é isso).

Enfim, tenho tentado ficar quieta no meu canto mas a coisa anda pra lá de esquisita...torçam por mim, tá?!!



52 x 5 Momentos pra compartilhar



Mais posts atrasados, claro...

Semana 42 - Quer acertar no meu presente? Muito fácil, me dê...
1) Livros
2) Livros
3) Livros
4) Livros
5) Ou mais...livros!

Semana 43 -Músicas que não me canso de ouvir
Difícil responder porque minha vida nos últimos anos tem sido repleta de livros, filmes e séries de tv mas música não tem sido algo que faz parte da minha vida...

1) Algumas músicas da Adele, como Turning Tables
2) Krezip (banda holandesa)
3) Blof (banda holandesa)
4) Massive Attack (sempre gostei)
5) Snow Patrol

Semana 44 - Meus vilões preferidos são...
1) Al Pacino em The Godfather
2) Robert de Niro (Lucifer) em Angel Heart
3) Visconde de Valmont em Ligações Perigosas
4) Anthony Hopkins em Silence of the Lambs
5) Last but not least, Magneto em X-Men




Vendendo a alma para o Diabo...



Nunca vou entender...

Os famosos telhados de Paris

Eu sempre fico impressionada quando vejo estes brasileiros morando anos aqui na Holanda e que viajam todo ano religiosamente para o Brasil. Até entendo quem tenha família (digo mãe, pai, irmãos o que não é o meu caso). Mas continua achando estranho. Essas pessoas moram na Europa e não conhecem praticamente nada deste rico e variado continente.

Claro que o Brasil é lindo, e eu adoraria poder me dar ao luxo de ir ao Brasil todo ano. Mas a grana não dá mesmo e ai nem adianta reclamar. Por outro lado, mesmo que eu tivesse muita grana, eu ainda ia querer conhecer lugares aqui na Europa.


Praga (Liam de camiseta laranja)

Felizmente tive a oportunidade de viajar e conhecer muitos lugares quando ainda trabalhava com traduções e ganhava bem (tempos áureos aqueles). Visitei Londres, Paris, Praga, Barcelona, Munique. Morei em Dublin, Edinburgh. Conheci muitas cidades da Inglaterra, entre elas York, Cambridge, Oxford, etc. Também tive a felicidade de conhecer o belo Lake District (inglaterra) e as belíssimas Terras Altas (Escócia). Conheci Lisboa, Cascais e a bela região do Minho. Conheci o sul da França, incluindo Cannes, Nice e Monte Carlo. E as pitorescas Antibes e Menton, também na região.


Menton, Cote D'Azur

Mas nos últimos anos a grana encurtou...e mesmo assim fui à Tunísia dois anos atrás! E ano passado realizei a tão sonhada viagem de levar meu filho para conhecer finalmente o Brasil, ele já com 11 anos! Claro que o menino amou e mal pode esperar o ano que vem. Mas neste exato momento ele está curtindo o Tirol e os belos alpes. Sim, ele embarcou ontem com o pai num trem noturno para Innsbruck! E eu fiquei aqui morrendo de vontade de ir junto...


Innsbruck

Ou seja, simplesmente não dá pra entender como alguns brasileiros que moram aqui só pensam em tirar férias no Brasil...Eu ainda quero conhecer tantos lugares, no topo da minha lista estão: Istanbul, Budapeste, Viena, Cracóvia, Veneza, Firenze, Sevilla e Andaluzia...Nunca fui à Itália nem à Grécia..enfim, tem de ter muita grana pra conhecer tudo que a Europa tem a oferecer e poucos que conheço tem ou tiveram este privilégio. As pessoas visitam Londres, Paris, Roma e Madri e já acham que conhecem a Europa!


Istanbul, um sonho a ser realizado

Enfim, voltando ao assunto do post: nunca irei entender estes brasileiros que moram aqui e juntam dinheiro o ano todo pra ir ao Brasil! Uma das minhas melhores amigas ontem me disse assim: você deveria ir ao Brasil TODO ano! Dá um jeito de juntar grana, etc. E eu pensei: quem é ela pra dizer o que eu devo ou não devo fazer?!! O filho dela tem 4 anos e, se não me engano, já foi 4 ou 5 vezes ao Brasil (juro que perdi a conta). Detalhe, estão indo pra lá de novo semana que vem! Por outro lado, tudo indica que o garoto vai crescer sem conhecer nenhuma cidade da Europa (e ele nasceu aqui.  Já o meu filho, viajou por muitos lugares, já conhece Londres, Paris, Praga e agora Innsbruck. Já esteve comigo na Tunísia, apaixonou-se pelo Brasil ano pasado e um dia ainda o levarei para o Egito! No mais, Liam sonha em conhecer a Austrália e a África do Sul, entre outros...Filho de peixe, peixinho é!

Só sei que nessas horas me sinto a cidadã do mundo e crio meu filho para apreciar as maravilhas de todo o mundo - e não apenas do nosso abençoado Brasil. Mas eu nem discuto mais com as pessoas porque cada um vive a vida como bem entender, né?

Mas que eu nunca vou entender, isso é verdade.


Lake District
Edinburgh Castle

2 Days in New York




Este post é do mês passado mas sabe como é: antes tarde do que nunca. Quem conhece a atriz francesa Julie Delpy dos filmes Before Sunrise e Before Sunset provavelmente sabe que além de atriz, ela também é diretora (e das boas). Quem não sabia, fica sabendo agora.

Já comentei sobre isso anteriormente no blog (leia aqui) e claro que assisti o primeiro filme dela, 2 Days in Paris. Até porque, ainda por cima tinha como pano de fundo uma das minhas cidades preferidas. Isso mesmo, Paris! Neste filme, vemos a francesa Julie com um namorado americano, Jack. Também somos apresentados às respectivas famílias, que se conhecem quando os pais de Jack visitam Paris.

Fastforward. Alguns anos depois, temos 2 Days in New York, a sequência de 2 Days in Paris. Com a mesma Julie mas agora um novo namorado, também americano. Logo no início do segundo filme, ficamos sabendo que Julie teve um filho com Jack, eles se separaram e ela continuou morando nos EUA (conheço bem esta estória, hehehe). Algum tempo depois, ela começou um relacionamento com um colega de trabalho. No novo filme, os dois moram juntos, com os respectivos filhos do primeiro casamento (familias modernas, né?).

Eu gostei do primeiro filme, mas achei o roteiro do segundo filme muito melhor! A começar porque os diálogos são mais divertidos, as situações mais hilárias (e constrangedoras) e por ai vai. E não podia ser diferente pois em 2 Days in New York, a "exótica" família francesa de Julie decide ir visitá-la, o que por si só já garante muita confusão. O pai dela é uma figura e a irmã uma ninfomaníaca neurótica. Por ai você podem imaginar as situações que rolam no filme...

Enfim, fica a dica para os fãs de Julie Delpy! E para quem gosta de uma boa estória de amor, com direito a muitas gargalhadas, além daquelas inusitadas situações com as quais alguns de nós certamente irão se identificar.






PS. Pra quem leu o post anterior, já estou melhorzinha...deve ter sido mesmo o tempo chuvoso, a mudança de estação que afeta até os holandeses. E sim, eu irei sobreviver este inverno - sozinha ou acompanhada - porque sempre terei meus livros, filmes, séries, scraps...a lista é longa!

Que fim levou o amor?



A coisa anda meio esquisita por aqui. Terminei um namoro de 5 anos em abril, fiz uns lances esquisitos dos quais não necessariamente me orgulho no verão passado e agora o outono chegou, os dias ficaram mais curtos e de repente me bateu uma solidão que eu não sentia há anos!

Vida de imigrante já é difícil. E morar na Holanda sem ter família, namorado, marido, o que for é mais difícil ainda. E eu estou sentindo isso na pele nas últimas semanas. É que dos meus 18 anos de Holanda, 10 anos estive casada com o pai do meu filho, 5 anos namorei o F. Enfim, passei a maioria dos invernos acompanhada.

E eu sei que só mesmo os brasileiros que moram por aqui vão entender isso mas é muito difícil encarar um longo e tenebroso inverno sem um companheiro dormindo ao seu lado (o famoso "cobertor de orelha", hehehe). Sério: no Brasil a gente vai pra rua, fala com as pessoas, o povo é falante e extrovertido (até demais). Os dias são longos, o sol brilha e a vida acontece nas ruas. Pois aqui não, aqui passa-se praticamente meio ano dentro de casa! Aqui você chega sozinha num café e sai sozinha. As pessoas praticamente só falam com seus amigos e parentes. Não se fala com estranhos, ninguém puxa conversa com ninguém em fila de cinema, correio, banco...Eu até hoje tenho dificuldades em me acostumar com este hábito holandês (e quando voltei do Brasil ano passado entrei em choque). Felizmente os idosos são uma exceção e adoram jogar conversa fora. Os estrangeiros também...e aqui no meu bairro o que mais tem é estrangeiro, sempre cruzo com um conhecido na rua!

Mas no outono-inverno a regra é ir pra dentro de casa, as pessoas buscam o aconchego do lar e a companhia da família. E a minha família aqui na Holanda...é o Liam. E tá bem, o pai dele também porque fazemos parte da vida um do outro, temos um objetivo em comum que é criar o nosso filho juntos (e tem funcionado).  E F. também acabou virando família, ele praticamente considera o Liam como filho e nos encontramos duas vezes por mês. Ele mesmo já deixou bem claro que não tem a menor intenção de sumir de nossas vidas. Mas fica faltando alguma coisa...





E eu nem posso reclamar porque quem terminou o namoro fui eu, né? E ando me perguntando por esses dias o que vem a ser o amor...e cheguei à conclusão que não sei definir este sentimento (e nem sei se soube um dia). Porque paixão todo mundo sabe o que é, a gente sente na pele, aquele frio na barriga, etc. Mas amor é outra estória, desconfio que seja, antes de mais nada, uma ESCOLHA. As pessoas escolhem ficar juntas. Apesar de tudo. Decidem que mesmo que o outro não seja perfeito (e ninguém é), sua presença é indispensável em nossas vidas.

Então estou vivendo um momento muito estranho na minha vida...sinto saudades dos primeiros anos do namoro, daquela paixão (quase) adolescente. Da certeza de que ter encontrado finalmente o amor da minha vida. Da convicção de que fomos feitos um para o outro. Diga-se de passagem, eu não tive nada disso com meu ex-marido, não mesmo. Sinto saudade de como a gente era antes da relação esfriar. E nessas horas acho que o problema talvez seja eu: eu não sei ficar em relacionamento morno só por ficar. Tudo bem que a paixão inevitavelmente acaba (e acaba mesmo, é uma questão puramente biológica). Mas relacionamento em que o casal mais parece irmã e irmão do que homem e mulher é muito chato. E não adianta querer botar a culpa no outro porque acho que a culpa é mesmo dos dois.

O amor é como uma planta que precisa ser regada diariamente. O maior erro é quando um dos dois (ou ambos) se acomodam. Um dos sintomas disso - e que a maioria dos casais passa em determinados períodos - é quando o sexo diminui ou pior, deixa de existir! E vocês podem até discordar de mim, mas quando o sexo acaba é sinal de que algo está (muito) errado. Outro problema é quando o sexo para um dos parceiros corresponderia a 50% da relação e para o outro 20 ou 30% já está bom! Isso é incompatibilidade básica e na prática traz muitos problemas (atire a primeira pedra quem nunca passou por isso). Sem falar que todo relacionamento tem seus altos e baixos, períodos em que as pessoas se afastam, em que elas precisam lidar com questões pessoais, com outras urgências.




Resumindo...a cabeça aqui anda a mil. Pensando bem, eu mesma fiquei impressionada como estava conseguindo levar o fim do namoro com tanta "leveza"...até porque, geralmente é assim quando a gente é que escolhe terminar, né? Mas adivinhem? Agora deu pane no sistema...To be continued.

Holandeses

Vocês conhecem aquela música Cariocas da Adriana Calcanhotto? Pois eu resolvi fazer a minha versão adaptada: Holandeses! Com o direito adquirido após 18 anos vivendo no país das tulipas e dos moinhos, entre muitas outras coisas.

  • Holandeses não gostam de dias chuvosos mas andam de bicicleta assim mesmo! Sol, chuva, vento, ventania e lá vão eles de bicicleta pra escola e pro trabalho…coitadas das crianças! Ao menos eles usam uma espécie de poncho de plástico (a famosa e indispensável regenjas) para terem a ilusão de estarem secos.
  • Holandeses adoram gatos, alguns até mais do que crianças. Muita gente tem gato em casa…já criança é outra estória. A média oficial de filhos é de 1.5 ou seja, de 1 a 2 filhos. Os imigrantes é que são responsáveis pelo aumento da população deste país pequenininho. Em média 4 filhos, muitas vezes 5, 6 ou mais... tô fora!
  • Holandeses adoram cerveja, vinho e café sem açúcar. Não gostam de doces muito doces mas não resistem a uma tradicional torta de maçã. Holandeses adoram batata frita com maionese e/ou ketchup! E claro, holandeses amam arenque (haring).
  • Holandeses valorizam sua liberdade de expressão e lutam por ela até o fim. Holandeses gostam de negociar tudo e questionar a opinião alheia. Holandeses são "curtos e grossos" (o que eles chamam de curiosidade e o estrangeiro acha simplesmente brutal).
  • Holandeses gostam de viajar, quanto mais longe melhor. E férias que se prezem tem de ter sol, senão não são férias. Os que não podem viajar para longe, vão acampar na França e viajam com o carro abarrotado de tralhas. Holandeses adoram a França…e a Espanha também!
  • Holandeses são esportivos, adoram fazer caminhadas e andar de bicicleta. Gostam de nadar e fazer alpinismo. E adoram futebol. Holandeses não são preguiçosos!
  • Holandeses adoram cozinhas exóticas, viajam para a África e a Ásia em busca de aventuras mas não falam com o vizinho estrangeiro...Holandeses discriminam os imigrantes que vivem em seu país…holandeses são um povo contraditório.
  • Holandeses são discretos, falam baixinho e odeiam gente que fala alto em cafés, restaurantes e transporte público. Por outro lado, tem o hábito de se apaixonar por povos “exóticos" e extrovertidos ou "espalhafatosos" (leia-se latinos e africanos). Os opostos se atraem…e se repelem!
  • As mulheres holandesas são adeptas da beleza natural. A maioria não se dispoe a fazer plásticas (mas muitas fazem dietas), usa pouca maquiagem e raramente faz as unhas (eu sou holandesa tá?). As holandeses não são vaidosas, elas deixam isso pras brasileiras! Felizmente, uma boa parte dos homens holandeses (e europeus em geral) também é adepto da beleza natural…bem diferente do homem brasileiro. Nessas horas eu adoro morar na Holanda.
  • As mulheres holandesas fazem parto normal, o índice de cesarianas na Holanda é um dos mais baixos do mundo, cerca de 10% (Brasil, México e EUA são campeões). Cesariana aqui é sinônimo de intervenção cirúrgica e estadia hospitalar e feita apenas com indicação médica. E adivinhem? Acho que eles estão cobertos de razão!
  • Médicos holandeses tem o (mau) hábito de receitar paracetamol pra tudo…para desespero da população de estrangeiros que vivem neste país. A medicina preventiva é pouco valorizada, prefere-se curar do que prevenir…um grande desperdício de verbas. Neste aspecto, os holandeses ainda tem muito a aprender com os chineses.
  • Last but not least...holandeses adoram reclamar de tudo e de todos. Holandeses são mimados desde pequenos e não sabem dar valor ao que tem (isso também vale para estrangeiros que moram há muitos anos neste país que, apesar de tudo, ainda tem um sistema social que o Brasil nem sonha em ter).


A tradicional torta de maçã

Arenque (haring)

Regenjas

Posts atrasados, só pra variar




Semana 38 – Desculpe mas eu acho brega…
1) Baile funk e forró
2) Calça branca (só no reveillon e olhe lá)
3) Mulher maquiada demais
4) Excesso de bijouterias ou jóias
5) Ostentação em geral, esnobismo em particular

Semana 39 – Minhas melhores qualidades...
1) Sinceridade (não sei fingir)
2) Honestidade
3) Autenticidade (nunca fui Maria-vai-com-as-outras)
4) Sensível (até demais, o que mais atrapalha do que ajuda)
5) Inteligente e culta (e modesta, rsrsrsrs)

Semana 40 – Meus cheiros preferidos...
1) Cheiro de mato
2) Cheiro de terra molhada
3) Cheiro de café fresquinho
4) Cheiro de bolo saindo do forno
5) Cheirinho de criança saindo do banho (!)

Semana 41 – As coisas mais difíceis num relacionamento amoroso...
1) Incompatibilidade de gênios (a causa nr. 1 dos divórcios, inclusive o meu)
2) Pouco ou nenhum interesse em comum (não dá nem pra sair juntos, né?)
3) Falta de respeito à opinião alheia
4) Instabilidade emocional de um dos parceiros (geralmente eu rsrsrsrs)
5) Last but not least, dificuldade de comunicação

Aborrescentes



E de repente aquele garotinho fez 12 anos (em abril passado), vai para a escola secundária e começa a se achar gente grande! Impressionante. Eu confesso que a culpa é em parte minha porque crio meu filho para ter autonomia e se virar sozinho. Ou como dizia minha (falecida) mãe: liberdade com responsabilidade. Ou seja, eu confio na medida em que ele se comporta...fez besteira, eu seguro de novo.

Mas olha, a mudança é drástica e quem tem filhos na pré-adolescência e adolescência sabe perfeitamente do que estou falando. Quem não tem, nem queria saber rsrsrsrs. Mas o meu filho até que é muito gente boa, apesar do mau humor das manhãs...já vi muito adolescente mau humorado e ele certamente não é um deles. Ainda não!!!

O legal é que desde os 9 anos ele ia de ônibus sozinho pra escola, com celular e tudo. E agora ele vai de ônibus e metrô. Notem bem que Amsterdam não é Rio de Janeiro ou São Paulo, o que faz toda a diferença. E na volta da escola, sempre vem uns coleguinhos juntos no metrô, então tudo é festa.

No primeiro dia de aula na escola nova, cheguei com ele toda nervosa (a mãe mais nervosa do que o filho) e o que ele fez? Entrou correndo na escola sem nem olhar pra trás! E eu nem devia ter ficado surpresa porque foi o mesmo em maio passado, ainda na escola antiga. Foram dois dias acampar, os pais todos se despedindo e abraçando os filhos, alguns até com lágrimas nos olhos (eu juro) e Liam? Quando vi já estava entrando com os amigos no ônibus, todo sorridente. Nem beijo nem nada. Abanei e fui pra casa! Esta semana o pai passou pelo mesmo "vexame", foi levar o filho pra escola na quarta, eles só voltariam na sexta de um acampamento e adivinha? O garoto foi logo se juntar aos amigos e nem se lembrou de se despedir do pai. Dos males o menor: ao menos ele tem novos amigos!

Sem falar que de uns tempos pra cá meu filho deu pra me achar "irritante". Do tipo "mãe, você é irritante", "você não sabe do que eu estou falando" e "deixa pra lá, você não ia entender mesmo". Ou em bom holandês: "Je bent irritant", "je weet het niet, je begrijpt niks", "laat maar, je begrijp toch niet". Vai dizer que isso não é coisa típica de aborrescente. Meu consolo é que não sou apenas eu que sou irritante...o pai também é! Então de repente aquele menininho que achava que tudo que dizíamos era SAGRADO decide achar que não sabemos nada! Da noite pro dia, minha gente...e eu que sabia tanta coisa, hoje não entendo mais nada hehehe. Enfim, faz parte, né?

E nem vou falar nos games...meu filho viciou em dois games: Smackdown (boxing) e FIFA (ao menos este é futebol). E agora mesmo enquanto escrevo este post, ele está aqui na sala incomunicável (pra mim) com um amigo jogando PlayStation e Xbox 380...Welcome to the Game Generation. Claro que eu controlo, a começar porque os consoles estão na sala, dever de casa também é feito na sala (com a minha supervisão porque sou chata mesmo, quando ele tiver o diploma dele vai me agradecer). Se depender de mim, nada de game no quarto. E diga-se de passagem, também não tem TV no quarto, me recuso (no meu quarto tem, claro rsrsrsr).

Enfim, agora tenho assunto novo para o meu blog: aborrescentes!

Crianças medicadas

Este é (mais) um assunto que ainda não comentei aqui no blog especificamente mas que decidi fazer agora depois de uma discussão interessante que tive ontem com uma amiga. Na verdade, o assunto sempre me despertou atenção e de certa forma, posso dizer que de uns tempos pra cá consegui formar a minha opinião - com base não apenas no que li (livros, artigos de revista e internet) como em minha experiência própria com medicamentos usados no tratamento psiquiátrico. Sim, eu tomo antidepressivos há anos e nunca escondi isso porque não vejo motivo para tal. Eu sofro de uma doença invisível, sei melhor do que ninguém como ela me afeta e afeta a minha vida pessoal e profissional e sou (muito) grata por ter acesso a medicamentos que minha mãe nunca teve! Enfim, para alguma coisa servem os avanços da ciência. Isso não quer dizer que eu concorde com o número cada vez maior de pessoas que tomam antidepressivos pelo mundo afora...eu acho até que uma grande parte poderia (tentar) lidar com o problema de outra forma (a começar por diversos tipos de terapia) antes de apelar para a indústria farmacêutica. Mas também li que em casos graves, o medicamento não apenas funciona como é recomendado...e eu vivi isso na pele então só posso concordar! Enfim, cada caso é um caso.

Mas neste post eu queria falar sobre as crianças medicadas...e acima de tudo, da questão do EXCESSO. A quantidade de crianças que  tem sido diagnosticadas nos últimos 5 anos como tendo ADHD (Attention Deficit Hiperactivity Disorder) é cada vez maior, e não apenas nos EUA (no Brasil já se percebe esta tendência, como comentou uma amiga minha que por acaso, é psiquiatra infantil). Fala-se em uma epidemia mundial...e sem dúvida, a indústria farmacêutica nunca faturou tanto como nestes tempos modernos em que quase toda criança acaba recebendo, mais cedo um mais tarde, um rótulo. E com o rótulo vem muitas vezes uma receita médica. E isso cria uma questão delicada.

Na minha época de escola (anos 70) não existia nada disso...mas desde então, admito que a psiquiatra como ciência evoluiu -assim como muita coisa à nossa volta, só quem é cego não vê. E a gente precisa aceitar isso. Na minha opinião de leiga, o problema são os diagnósticos ou melhor dizendo: a dificuldade em estabelecê-los. Eu juro que não gostaria de ser psiquiatra infantil porque a responsabilidade de um rótulo me parece enorme. Na verdade, acredito que em alguns casos o diagnóstico seja mesmo correto (e o uso de medicamentos inevitável) mas não é tão simples assim...

Pra complicar ainda mais, o manual DSM, a famosa "bíblia da psiquiatria", está sempre revendo definições e dizem as más línguas que na próxima edição alguns distúrbios irão simplesmente deixar de existir. Entre eles, a Síndrome de Asperger. Isso afetará uma enorme comunidade de pessoas (crianças e adultos) que, em maior ou menor grau, se "encontraram" neste rótulo. Um exemplo famoso de Asperger é a cientista Temple Grandin. Existe até um apelido carinhoso na mídia e na literatura especializada (não sou psiquiatra mas li muito sobre o assunto): "ASPIE". Então eu me pergunto como essas pessoas irão reformular suas vidas quando a base da sua identidade deixa de existir da noite pro dia, digamos assim...O que você faria?

A mensagem óbvia é que devemos, antes de mais nada, aprender a lidar com rótulos...quem sofre desses distúrbios sabe disso muito bem (e eu vou incluir aqui a depressão). Porque uma pessoa é muito mais do que um rótulo - e não pode nem deveria ser limitada por ele (seja o limite imposto por ela mesma ou por pessoas ao seu redor). Infelizmente muitos esquecem disso...e em caso de crianças, são os próprios pais que encontram a "salvação" nesses rótulos e nos medicamentos que os acompanham (Ritalin, por ex, é o medicamento mais usado no tratamento de ADHD).

Na maioria das vezes, é muito mais fácil lidar com uma criança (devidamente) medicada do que com uma criança hiperativa que não consegue parar no mesmo lugar um minuto, não consegue se concentrar e acaba tendo um redimento escolar pobre, briga com Deus e o mundo porque não sabe controlar sua raiva, etc etc etc. Sim, essas crianças sofrem muito em casa e na escola, e algumas delas realmente tem distúrbios que podem e devem ser tratados com todos os meios disponíveis. Mas NUNCA para facilitar a vida dos pais e sim das próprias crianças! Acho que aí está a chave do problema. Se o medicamento em questão oferece mais vantages do que desvantagens (leia-se efeitos colaterais) e melhora o funcionamento e acima de tudo a qualidade de vida da criança, eu acho OK. Mas medicar só pra "facilitar" a vida dos pais e educadores, aí acho errado.

Felizmente para mim, ainda não existe medicamento para autismo! Eu digo felizmente porque tenho certeza quase absoluta de que se existisse, eu teria de fazer a difícil escolha de decidir medicar ou não o meu filho...pensando bem, provavelmente não medicaria. Isso porque meu filho tem um grau muito leve de autismo (muito diferente das crianças com casos clássicos de autismo que vivem literalmente em outro mundo). Ele é uma criança inteligente, sociável e que não precisa ser medicado para melhorar seu rendimento escolar...bem verdade que a concentração continua sendo um problema e por isso ele ainda está numa escola especial. Sua classe tem 16 alunos em vez dos 30 alunos que as escolas de Amsterdam costumam ter. E eles tem ainda workshops com temas ligados ao desenvolvimento emocional, medos, insegurança, etc (faalangst em holandês é um desses treinamentos). Nesse aspecto, Liam teve a sorte de ter um diagnóstico porque isso lhe deu acesso a uma educacão especial e personalizada que ele não teria de outra forma. E sem dúvida, foi justamente esta educação que permitiu que ele chegasse até onde chegou. Enfim, uma faca de dois gumes!

Para finalizar um assunto polêmico, quero recomendar um ótimo documentário que assisti chamado America's Medicated Kids, do jornalista britânico Louis Theroux. Este documentário está disponível no YouTube a todos interessados - não apenas profissionais como, principalmente, pais de crianças rotuladas como tendo um desses distúrbios (ADHD, autismo, PDD-NOS, bipolar, etc).

Documentário sobre Autismo (em inglês)

Achei no YouTube um documentário da BBC e decidi compartilhar com vocês. Primeiro porque é sobre um tema que muito me interessa por motivos óbvios...quem lê este blog sabe que meu filho tem um leve grau de autismo. Segundo porque o documentário - embora seja em inglês - é relativamente curto e bastante ilustrativo. E acima de tudo, porque o documentário mostra crianças com vários tipos de autismo.

Pra quem pensa que autismo é algo como Rain Man, vale a pena assistir este vídeo. Você irá ver que o autismo na verdade é um espectro, um distúrbio com vários níveis, desde o autismo clássico até a síndrome de Asperger, no outro extremo do espectro. Pra complicar ainda mais, existe ainda a classificação PDD-NOS (Pervasive Developmental Disorder - Non Otherwise Specified), que também está incluída oficialmente no espectro de autismo. Este é o diagnóstico oficial do meu filho, recebido após vários exames e testes quando ele tinha uns 6 anos e revisto no final do ano passado.

Enfim, informação NUNCA é demais! Bem-vindo ao mundo dos autistas.



Reclamando de barriga cheia





Eu posso reclamar da vida mas em alguns aspectos até que tive sorte. Por exemplo, eu não tenho família aqui na Holanda mas tenho meu ex-marido que me ajuda na criação do nosso filho. Hoje vou buscar o Liam na casa do pai para ajudar a carregar os livros da escola (são quase 20 livros, coitado do menino) e o ex me convidou para jantar lá. O que, diga-se de passagem, não é a primeira vez. Pra muita gente, jantar na casa do ex-marido é algo inconcebível. Mas não para nós que temos a guarda compartilhada do nosso filho há 6 anos (e até moramos no mesmo bairro). Ou seja, o casamento pode não ter dado certo, mas a guarda compartilhada funciona que é uma beleza. Dos males, o menor.

Como se não bastasse jantar na casa do ex-marido, este fim-de-semana meu ex-namorado vem nos visitar. É que depois de cinco anos de convivência, F. não aceita sumir simplesmente das nossas vidas. Até porque, ele se considera de certa forma também pai do Liam (o que faz sentido considerando-se que ele conviveu com o menino dos 7 aos 12 anos). Nos até brincamos que Liam tem dois pais (uma mãe maluca e dois pais)! Isso que eu chamo de família moderna. O quadro só complicará se eu arranjar outro namorado porque aí convenhamos, é gente demais (veja o cartoon acima).

Brincadeiras à parte, quando vejo casais separados infernizando a vida um do outro, brigando durante anos na justiça pela guarda dos filhos, eu chego à conclusão que ou 1. eu tenho muita sorte ou 2. sou uma pessoa muita bacana ou 3. ambas as coisas. O que vocês acham?

O segredo talvez seja o fato de que o Liam sempre foi e sempre será prioridade na minha vida. E isso muitos pais ainda precisam aprender. Porque se um divórcio já deixa sequelas inevitáveis, pior ainda quando o casal divorciado vive brigando, fazendo chantagem e jogando o filho contra o outro! Quando vejo mães proibirem terminantemente que os pais tenham acesso aos filhos (o que quando há violência física ou psicológica envolvida é até compreensível) eu fico com muita raiva. E me pergunto quem lhes deu o direito de decidir se o filho terá ou não um pai? Porque sinceramente, ter mãe e pai é - ou deveria ser - um direito básico de toda criança. Acho que há algo de egoísmo (ou talvez prepotência) em uma mãe (ou pai) que quer porque quer criar o filho sozinho. Claro que existem casos e casos…E eu obviamente não me refiro aos casos em que o próprio pai (ou mãe) abandona a família. Porque nesses casos não há mesmo nada a fazer, né?

Enfim, ao menos neste aspecto estou "bem servida". Mas isso porque também faço a minha parte, viu gente?




PS. O título deste post ia ser Os homens da minha vida mas além de brega, achei muito Dona Flor e Seus Dois Maridos...pra não dizer coisa pior hehehe.




No More Drama Queen



O tempo passa, a gente surta e depois se acalma. A gente leva tombo, se machuca e depois levanta. A gente erra e tenta de novo. E um belo dia - meio assim do nada - a ficha cai. Aconteceu comigo recentemente, não sei dizer quando nem porque. Uma daquelas mudanças sutis, de dentro pra fora como apenas as mudanças verdadeiras sabem ser.

Eu cansei de dramas. Cansei de me preocupar com coisas que não podem ser mudadas, coisas que não dependem de mim ou da minha vontade. Cansei de me debater com a minha vidinha imperfeita. E desisti de lutar contra as injustiças do mundo (e não são poucas). Porque nem tudo na vida é como a gente quer e nem tudo sai como planejamos. E muito menos na hora em que desejamos né, gente?

Mas olha, a crise foi longa, um período muito doloroso em que preferi me esconder e ficar quieta no meu canto. Insatisfeita com muita coisa (e de certa forma, com razão) e sem saber por onde começar. Até que decidi olhar à minha volta e vi que muita gente também tem vivido os mesmos problemas, que esta maldita crise pegou uma boa parte da população. Basta ler os jornais pra saber sobre as taxas de desemprego, grandes empresas demitindo pessoal, cortes governamentais, etc etc etc.

Então não é só questão de vontade mas de timing. E de sorte, claro. Porque a gente pode ter vontade, pode espernear e gritar à vontade mas sem sorte nada acontece. E quem pensa que estou falando bobagem, provavelmente nem irá continuar lendo este post. Sorte deles!

Não, não sou a pessoa mais azarada do mundo mas tive o azar de estar procurando trabalho num momento histórico em que até os holandeses estão perdendo seus empregos! E gente, eu sou estrangeira, e ainda por cima mãe separada. Eu tenho filho pra criar e ele sempre será a minha prioridade (ser mãe é isso). Pra complicar ainda mais, já passei dos 45 anos...Então sofri muito com a minha situação mas agora resolvi relaxar. 

Por que? Porque eu tenho feito o que posso e o resto é esperar as coisas melhorarem. Felizmente já saí do olho do furacão. Pra terem uma idéia do que estou falando, estou no terceiro estágio. Não é emprego mas é trabalho - e pra mim dá tudo na mesmo (inclusive financeiramente). Uma espécie de contrato de trabalho temporário para fazer experiência antes de entrar no mercado. E muito melhor do que ficar em casa vendo a vida passar. Já começo a enxergar a luz no fim do túnel…uma luzinha ainda fraca, mas ela está lá! A crise vai acabar mais cedo ou mais tarde, enquanto isso vou acumulando experiência de trabalho.

Fora o trabalho, minha outra grande preocupação é que moro num bairro ruim, onde meu filho nunca pode brincar na rua porque os moleques não são companhia pra ele. Filhos de imigrantes cujos pais sequer sabem onde as crianças andam, para os quais educação não é prioridade. Crianças que inevitavelmente acabam tendo baixo rendimento escolar e seguem para o ensino secundário mais baixo do país. Muitos acabam desempregados e nas ruas e sim, alguns perdem o rumo e acabam entrando na vida do crime. Eu consegui com muito custo "contornar" este problema e educar o meu filho com o padrão dos holandeses (e até melhor). Sempre dei importância pra educação, levamos a cinema, teatro, museus. Compramos livros. Enfim, estimulamos o desenvolvimento emocional e intelectual do menino. E os frutos já começam a ser colhidos, ele acaba de começar o ensino secundário numa nova escola e com perspectivas de ensino superior e mesmo universitário. As portas estão abertas.

Já os pais imigrantes não fazem nada disso (falei sobre eles aqui), até porque não podem. 90% dos imigrantes que moram no meu bairro são semi-analfabetos e estão desempregados, a maioria das mulheres é dona de casa e nem pensa em ser outra coisa. Muitas tem 4 ou 5 filhos, os meninos vão tradicionalmente pra rua e as meninas ficam em casa ajudando a mãe na cozinha. Uma pena porque algumas dessas crianças são inteligentes e se recebessem o mínimo de bagagem em casa (na forma de estímulos), talvez tivessem até chance no sistema educacional holandês. Mas isso é raro. Basta entrar numa sala de aula HAVO-VWO e ver que a quantidade de filhos de imigrantes, dependendo da escola, é de menos de 10%! E nas universidades é pior ainda. A grande maioria dos alunos são holandeses mesmos, uma invasão de louros nas salas de aula. Mas isso é assunto pra outro post, né?

Bom, mas daqui a três anos vou me mudar finalmente para um bairro bom e daí poderemos seguir em frente. Enquanto isso, vou trabalhando como posso e meu filho vai estudando. Novamente, uma questão de timing e muita paciência. O mais estranho é que conheço aqui muitas brasileiras casadas com holandeses que não tem a menor idéia do que estou falando porque vivem em outra realidade. Elas tem um padrão de vida muito mais alto (duas rendas em vez de uma), moram em bairros bons (a maioria fora de Amsterdam porque pra morar em bairro bom aqui tem de ter nascido com o cu virado pra lua, sério).  Os filhos vão quase que automaticamente para boas escolas. Elas não tem a menor idéia das minhas batalhas diárias e se bobear, ainda me acham "negativa" (juro que aconteceu comigo). Para essas brasileiras, só digo uma coisa: se pudessem viver a minha vida nem que fosse por UMA SEMANA, mudariam de idéia. É aquela estória: pimenta nos olhos dos outros é suco.

Enfim, mais um post longo demais que a maioria das pessoas não irá ler até o fim. E viva o Twitter por ter conseguido diminuir a capacidade de concentração  já limitada das pessoas além dos 140 caracteres. Pra você que leu até aqui: parabéns!