sábado, dezembro 28, 2013

Um pouco melhor...


E os dias passam, a tempestada passa, tudo passa. E eu estou me sentindo um pouco melhor. Desde o último post muita coisa aconteceu.

Já voltei a falar com uma amiga com quem não falava há um ano (brigamos ano passado mas é amiga de quase 30 anos e amizade velha a gente não pode se dar ao luxo de jogar fora nos dias corridos de hoje). Quinta-feira outro grande amigo da mesma época chegou do Rio pra ficar uns dias aqui em casa. Na mesma quinta, o ex-namorado veio passar duas noites aqui em casa...ele "meio que se convidou" e eu deixei porque é Natal e coisa e tal e namorado ou não, F. é uma das pessoas mais estáveis na minha vida cheia de altos e baixos (e eu preciso de algum grau de estabilidade nesta vida, né gente?)

Já tive duas ceias de natal: uma ceia brasileira com pernil macio delicioso, farofa de ovo e banana, salpicão e muito vinho feitos por uma amiga de quem também andei afastada mas que voltamos a nos entender nos últimos meses porque o mundo dá voltas (e o meu mundo mais ainda) . E uma ceia inglesa na casa do ex-marido (que cozinha melhor que eu). Na ceia inglesa teve peru de natal perfeito, batatas assadas, verduras e yorkshire puddings (uma das minhas comidas favoritas da Inglaterra, original da região norte). E mais vinho. Porque é natal, é fim de ano e eu até que bebi pouco este ano.

De resto, em tempos virtuais tenho preferido o contato olho no olho, à moda antiga. É disso que preciso hoje em dia, mais do que nunca. Minha cura certamente não inclui o mundo virtual, muito pelo contrário. Em fases delicadas, sempre fujo do Facebook como o diabo foge da cruz...Não é novidade que sempre tive uma relação complicada com aquela rede e eu já saquei há tempos que a minha vida não é apropriada para o público em geral. E eu cansei de pisar em ovos e tentar explicar o que não pode ser explicado (e a verdade é que não devo explicaçoes a ninguém).

Também tenho lido bons livros e tido preguiça de comentar aqui (mas irei postar em breve minha retrospectiva literária, aguardem). E tenho visto bons filmes mas também ando sem saco de comentar aqui. Ando com a cabeça cheia mas vazia de palavras. Me desculpem...

No mais, os problemas continuam os mesmos, eu tive uma crise de depressão em novembro que me obrigou a mudar de medicamento (voltei pro bom e velho Prozac) e buscar outro psiquiatra. Mas o pior já passou e em janeiro meu diagnóstico será revisto porque dizem as más línguas que algo está errado. Provavelmente eu passei anos tomando o medicamento errado. Devia estar tomando estabilizadores de humor (lítio ou coisa parecida) em vez de antidepressivos mas isso é assunto para outro post...ou não. (#prontofalei).

Moral da estória...minha primeira resolução para o ano novo é continuar sendo eu mesma. Porque quem gosta de mim não foge e quem não gosta não me faz falta. E no final das contas, o que é nosso ninguém tira mesmo. Simples assim (a gente é que complica).

Aproveito para desejar um fantástico 2014 para os amigos que ainda não desistiram de mim (até quando eu mesma desisti) e aos leitores deste humilde mas sincero blog.









sábado, dezembro 14, 2013

Eu ando triste...

Final de ano é sempre muito complicado pra mim...eu sempre tenho uma recaída. E este ano, pra piorar, meu filho também está mal. Tão mal que precisei conversar com a escola e ele terá acompanhamento psicológico nos próximos meses. Adolescência já é um período delicado e ter de lidar com uma mãe deprimida em casa não é nada fácil - sou a primeira a admitir porque vivi os dois lados. Verdade seja dita, não são os filhos que devem cuidar dos pais e sim o contrário. Pelo menos assim é que deveria ser. Mas nem tudo é um mar de rosas...

Só vou dizer uma coisa: eu posso não ter família na Holanda, posso ter poucos amigos aqui perto mas graças a Deus temos tido (muita) assistência de outras pessoas. Gente cuja vocação - mais do que mera profissão - é ajudar os que precisam de um ombro amigo, de ouvidos para ouvir sem críticas ou julgamentos apressados. A começar pela minha médica da família, que me acompanha há oito anos, conhece o meu histórico e sempre tem tempo pra me ouvir sem minimizar ou "relativar" a minha dor. Esta mesma médica achou bom encaminhar o Liam para um psicólogo. Até porque, adolescência ou não, ele faz parte do grupo de risco (minha mãe também sofreu de depressão a vida inteira).

Quanto a mim, este blog costumava ser a minha válvula de escape, uma espécie de diário pessoal, um relato das minhas lutas e vitórias - só estar viva já é pra mim uma grande vitória.  Mas depois de várias experiências desagradáveis com amizades, decidi me isolar ainda mais e me poupar. Só que o isolamento é uma faca de dois gumes...e infelizmente isso só parece ter agravado a minha situação (assim como o fato de ter parado de escrever aqui sobre essas questões).

Porque a verdade é simples: eu preciso escrever. Não interessa se alguém vai ler ou deixar de ler, se vai entender ou não. Eu sei que muitos não entendem, mas tem muita gente que entende, que vive a mesma batalha e é para eles que eu escrevo nessas horas. Eu preciso escrever pra colocar pra fora esta avalanche de pensamentos descoordenados dentro da minha cabeça. Preciso escrever para tentar colocar ordem no caos, para tentar conter os estragos. Mas perdi a vontade de compartilhar qualquer coisa hoje em dia. Com o passar dos anos desisti de contar com a ajuda de amigos (e nem posso, se for pensar bem, cada um tem seus próprios problemas e no final das contas, é cada um por si mesmo).

Felizmente tenho a ajuda de profissionais, que nunca me desapontaram ao longo de todos estes anos. O que é até irônico porque aqui na Holanda o que mais tem é brasileiro reclamando do sistema de saúde holandês! E foi uma das poucas coisas em que tive sorte por aqui, sempre me "enviaram" a pessoa certa na hora certa. Nessas horas acredito que eu tenha um "anjo da guarda" mexendo os pauzinhos lá encima pra mim. E a estória se repete agora na escola do Liam, onde encontramos pessoas dedicadas e maravilhosas, dispostas a ouvir e a ajudar. Faz toda a diferença, acreditem.

Last but not least, tem o F. que nunca me abandonou, até quando eu mesma decidi abandoná-lo. Uma presença essencial na minha vida e que me ajuda a manter a minha estabilidade (sanidade) emocional e mental. Uma pessoa tão diferente de mim, com a vida toda certinha (tudo planejado) e a cabeça e o coração nos lugares certos! Podemos até não estar namorando "oficialmente" (eu já terminei este namoro duas vezes nos últimos seis anos) mas ele sempre vem aqui me visitar, quase todo fim-de-semana. E se eu estiver mal, sei que posso ligar pra ele a qualquer hora do dia ou da noite. O que eu não posso dizer de outras pessoas. E isso também tem feito toda a diferença nesses dias escuros. Porque ninguém vence esta batalha sozinha.

Desculpem o assunto chato, desculpem a falta de boas notícias. Mas hoje eu só precisava escrever. Mais nada.

quarta-feira, novembro 27, 2013

Dezembro em Amsterdam


Feira de Natal
Eu não sou fã dos meses de inverno mas admito que há um certo charme...principalmente quando neva! Porque eu prefiro mil vezes um dia (muito) frio com neve e céu azul do que dias chuvosos e cinzentos. Na verdade, quanto mais baixa a temperatura (de 0 a 5 graus), mais eu gosto de ir passear na rua: principalmente se estiver nevando!

Enfim, chega novembro, os dias ficam mais curtos e a cidade começa a ser decorada para o natal. Surgem decorações de rua com muitas luzes de natal, na primeira semana de dezembro é colocada a tradicional árvore de natal na praça Dam (Dam Square) e nos últimos anos, a prefeitura de Amsterdam resolveu atrair mais turistas com uma Feira de Natal no modelo das tradicionais feiras de natal tão comuns na Alemanha. Aquelas feiras com barraquinhas que vendem todo tipo de guloseima que associamos aos meses de inverno. Chocolate quente, waffels, glüwein, bolinhos fritos aqui chamados de oliebollen e consumidos em quantidades enormes pelos holandeses nesta época do ano (e especialmente na virada do ano, como manda a tradição holandesa).

A famosa árvore de natal da Dam
A feira muda de local todo ano, ano passado foi no Rembrandplein e além de dezenas de barraquinhas com decoração de natal e guloseimas tradicionais (até churros eles vendiam, tentação sem fim), foi construído ainda um rinque de patinação no gelo.  Pois este ano, pela primeira vez, decidiram montar a tal feira naquela que considero a rua (avenida) mais feia de Amsterdam: a Damrak. Pra quem já esteve em Amsterdam, é aquela avenida que sai da Estação de Trem (Central Station) e segue reto até a praça Dam. Uma avenida cheia de restaurantes e lojas de souvenir para turistas (os locais passam longe), sempre lotada de gente. A única loja cuja visita eu considero obrigatória na área é a Bijenkorf, maior e mais prestigiosa loja de departamentos da Holanda (e que fica em frente à praça Dam). A começar pelas vitrines de natal, que fazem lembrar as vitrines de natal em Londres, Paris e Nova Iorque.

Os deliciosos waffels
Voltando à feira de natal, este ano eles decidiram oferecer de tudo, vi até barracas com guloseimas da Itália (torrones e outras delicatessen), Espanha e Inglaterra (os famosos English fudges). Sem falar na barraca de salsichão típico da Alemanha (bratwurst), barracas vendendo apenas chocolates, outras vendendo decorações de natal, etc. Enfim, tem de tudo pra todo mundo - e principalmente para os turistas! O que eu recomendo? Sem dúvida os deliciosos waffels (que na verdade, são belgas). E claro, a barraca de guloseimas tradicionais holandesas como oliebollen, appelflappen, berlinerbollen, etc. Oliebollen na verdade são os "bolinhos de chuva" que o pessoal costuma fritar na região sul (minha mãe fazia em casa e colocava açúcar e canela, exatamente como fazem aqui).

Mas a minha dica especial para os meses de inverno não é o mercado de natal e sim uma tarde curtindo um dos vários museus da cidade, seguida de um bom café com torta de maçã em um dos cafés típicos. Quem quiser dicas específicas sobre os cafés mais legais frequentados pelos locais (e não apenas aquelas armadilhas para turistas), entre em contato comigo. Pra terem uma idéia do que estou falando, dêem uma olhada no meu board no Pinterest chamado Amsterdam by the locals. Vejam aqui.

Pra finalizar, os mais aventureiros não podem deixar de visitar um dos mais belos rinques de patinação no gelo da Holanda, localizado no Museumplein. Sim, a famosa "praça dos museus" e sem dúvida, a mais prestigiosa da cidade. O rinque abre no dia 29 de novembro e funciona 7 dias na semana até final de janeiro/início de fevereiro!





segunda-feira, novembro 18, 2013

Melhor livro do ano


Este ano descobri uma nova escritora favorita: Ruth Ozeki. Ela é uma escritora americana e o último (terceiro) livro dela, A Tale for the Time Being, concorreu ao Man Booker Prize desde ano. Perdeu para Luminaries, de uma escritora da Nova Zelândia, mas ganhou desta singela leitora o prêmio de MELHOR LIVRO DO ANO. E eu já li 24 livros este ano, o que é pouco para mim mas é que fiquei os meses de primavera/verão sem ler nada...shame on me!

Eu simplesmente me apaixonei pela estória e pelo estilo da autora. Na verdade, são duas estórias paralelas, em tempo e lugares distintos. Os temas principais são o tempo, a morte e o biculturalismo - este último tema me atrai por motivos óbvios, afinal eu também aprendi a (sobre)viver entre duas culturas (no meu caso, a brasileira e a holandesa). Outros temas não menos importantes são depressão, suicídio e...zen-budismo! Enfim, um prato variado capaz de manter o leitor envolvido até a última página.

O que torna este livro interessante é o fato de a escritora relatar de forma tão minuciosa os contrastes entre duas culturas e dois estilos de vida tão distintos: a cultura americana e a cultura japonesa. E isso ela faz magistralmente, pois ela mesma cresceu e vive nos EUA, filha de mãe japonesa.

As duas protagonistas da estória (que não podiam ser mais diferentes) são uma jovem japonesa chamada Nao, que mora no Japão depois de ter vivido seus "anos de formação" nos EUA com seus pais (o pai era engenheiro e trabalhou no Silicon Valley até ser demitido e se ver obrigado a retornar a Tóquio, onde acaba desempregado e deprimido). Nao volta aos 13 anos para o Japão e não consegue se adaptar à cultura japonesa, e além de lidar com problemas de adaptação ela sofre ainda com bullying na escola. A outra personagem é Ruth, uma escritora americana já na terceira idade que mora com seu marido em uma ilha isolada que pertence ao território de British Columbia (Canadá), onde a Internet oferece o único acesso à civilização.

Estes dois universos e personagens se cruzam quando Ruth encontra numa praia uma lancheira da Hello Kitty (mais japonês impossível), contendo intacto um diário escrito em japonês. Logo ela descobre que esta caixinha é um resíduo trazido pelo mar de um dos maiores tsunamis da história do Japão: o tsunami de Tohoku em 2011 (leia mais aqui). O tsunami foi tão devastador que afetou ainda vários países na costa do Pacífico, do Alasca até o Chile.

Enfim, o livro é uma viagem surpreendente por duas culturas, duas vidas e com toques de zen-budismo e até mesmo uma aula de meditação oferecidos por Jiku, bisavó de Nao e monge budista, outra personagem-chave nesta trama original. Em suma, leiam!



PS. Pesquisei no site da Livraria Cultura mas oi livro parece ainda não ter sido traduzido para o mercado brasileiro...quem puder ler em inglês, leia!

domingo, novembro 10, 2013

Once Upon a Time





Esta semana estive na minha biblioteca favorita e decidi pegar uma série de tv nova para assistir em casa. Eles tem um acervo enorme e atualizado, e você paga apenas 1 euro por semana! Enfim, grande idéia para as longas noites de inverno que se aproximam.

Desta vez peguei a série Once Upon a Time, cujas primeiras duas temporadas já passaram aqui na tv holandesa mas eu perdi (só vi mesmo uns trailers). E admito que já assisti 18 dos 22 episódios da primeira temporada e me apaixonei! Viciante mesmo, fiquem avisados.

No fundo, no fundo, acho que todo mundo gosta de um Conto de Fadas...e tem gente que até acredita no tal Príncipe Encantado (o belo Prince Charming da série). Eu nunca acreditei em príncipes e por isso mesmo adorei a série...porque ela lida com os Contos de Fadas de forma original e dá um twist no famoso final feliz. Ou seja, as estórias aqui não necessariamente acabam bem e tem um final aternativo, pra dizer o mínimo. Ou não tem final. E os personagens tem um caráter muito mais complexo, com várias faces...e não me refiro apenas à Rainha Má (Evil Queen) da Branca de Neve!

E por falar em Branca de Neve, parece até mentira mas os protagonistas da série, Branca de Neve e seu Príncipe Galante não apenas estão namorando na vida real como anunciaram mês passado que pretendem se casar em breve! Notícia do ano pra quem não acredita em Contos de Fadas, hehehe.

O conto de fadas se torna realidade



A série foi escrita pela mesma equipe de LOST, outra série cult mas que por incrível que pareça, nunca me interessei em assistir (desculpem aí os fãs da série).

Pra quem ficou curioso ou já acompanha a série, aqui está um link para a página com resumo (em inglês) de todos os episódios das três primeiras temporadas:
http://abc.go.com/shows/once-upon-a-time/episode-guide?category=Season+1&displayall=1





quinta-feira, outubro 31, 2013

A morte sempre nos pega de surpresa



Os últimos dias foram muito pesados. Uma amiga de longa data (dos meus tempos de Brasil, mas que morava aqui na Holanda há 10 anos) faleceu subitamente na madrugada de sábado de um AVC (o segundo porque ela teve o primeiro, estava se recuperando e quase levando alta do hospital quando teve a recaída).

Ela iria completar 47 anos em novembro...e deixou um marido desolado e um menininho de 7 anos sem mãe (o garoto ainda nem entendeu direito o que está acontecendo à sua volta). Sem falar na tristeza dos familiares e amigos que ficaram. E ela deixou muitos amigos, fez  amizades sinceras aqui na Holanda (o que é muito difícil) e eu fico muito feliz por ela. Porque na minha experiência, amizade de verdade é coisa rara...amigos pra ir a festas todo mundo tem aos montes, né? Pois é.

No mais, é sempre assim: sofre mais quem fica. Quem morre, segue em paz...ou assim queremos acreditar. E eu só espero que ela esteja em paz neste momento.

Ontem foi o meu primeiro velório na Holanda (e eu moro aqui há quase 20 anos). E claro, foi muito triste - mas muito comovente também. Músicas especialmente selecionadas pelo marido e pela família dela. Um slideshow com fotos de várias fases de sua vida, etc. E aí bate aquela tristeza enorme ao ver uma mulher ainda tão jovem e cheia de vida e amor pra dar, morrer assim tão subitamente. Mesmo que a gente acredite que nada acontece por acaso, é difícil lidar com a morte. Ninguém está preparado para este momento, que acontece inevitavelmente na vida de cada um de nós. Quando menos esperamos.

E apesar de ela morar também na Holanda, morávamos em partes diferentes do país, uma no norte outra no sul. E cada uma criando o seu filho da melhor maneira possível sem família por perto pra dividir a carga (quem mora fora sabe como é difícil). Enfim, eu não a via com frequência mas era uma pessoa muito sincera e amiga. E tentávamos manter contato, acompanhar um pouco a vida da outra no Facebook por exemplo.

Enfim, ando sem palavras. E muito reflexiva, tentando ver sentido onde não existe...

domingo, outubro 20, 2013

Chocolates e dieta



Eu estou firme e forte na reeducação alimentar e cada dia tenho descoberto mais produtos interessantes. Um dos maiores segredos de quem faz reeducação alimentar é substituir gradualmente alimentos por alimentos saudáveis e principalmente - por alimentos gostosos! Ou seja, uma dieta saudável não necessariamente se reduz a frutas e saladas. Se você se aprofundar no assunto (como eu ando fazendo, porque sou a eterna estudante e gosto de aprender), você descobrirá que (quase) nada é proibido! A palavra-chave é moderação.

Assim sendo, ando lendo sobre um dos meus ingredientes favoritos: o chocolate! E descobri que é possível sim emagrecer comendo chocolate. E acredite se quiser, pesquisas científicas recentes afirmam que o chocolate amargo ou meio-amargo pode ser consumido em medidas pequenas (cerca de 40g, uma barrinha de chocolate). Mas atenção: trata-se de CHOCOLATE PURO, sem acréscimo de açúcar ou leite. Não estou falando de uma barra de 100g de chocolate ao leite, né? Muito menos chocolate branco, que tem mais leite e açúcar do que cacau...

Dito isso, decidi procurar em lojas de produtos naturais e a quantidade de chocolates disponíveis é inacreditável. Pelo menos aqui em Amsterdam. eu tenho achado chocolate amargo com pedacinhos de laranja, framboesa, amoras, coco e até a famosa goji berry (assunto para outro post, aguardem). Procuro em lojas de produtos naturais porque nos supermercados as opções ainda são limitadas (embora existam). E assim ainda garanto que estarei comprando chocolate orgânico.

Ontem comprei pela primeira vez duas barrinhas (35g) de chocolate OMBAR (veja aqui o site oficial), produzido na Inglaterra. E além de delicioso, a boa notícia é que este chocolate orgânico não contém açucar refinado (e sim açúcar de coco, uma alternativa natural). Uma barrinha de 35g contém 172 calorias. Ou seja, um pouco mais do que um potinho de iogurte Activia sabor figo que eu costumo comer! O preço pode ser caro - em relação a uma barra de chocolate comum - mas os benefícios para a sua saúde são bem maiores. Uma barra de chocolate OMBAR (35g) é a porção ideal pra não "detonar" a dieta e custa o mesmo que um cappucino em qualquer café daqui. Ou seja, se você for pensar assim, nem é tão caro, né?!!

Moral da estória, a reeducação alimentar é um aprendizado. No meu caso, o maior problema sempre foi o açúcar então a primeira medida que tomei foi substituir o açúcar refinado (o conhecido açúcar branco) pela stévia. O chato é que quando você decide tirar o açúcar da dieta, você precisa ler as embalagens de tudo que compra no supermercado. Sem falar que também tirei o aspartame da minha lista de compras! Ou seja, eliminei automaticamente um monte de produtos light tidos como saudáveis mas que contém aspartame!

Felizmente aqui na Holanda (não sei como é no Brasil), começam a aparecer nos supermercados os primeiros iogurtes adoçados com stevia. Um exemplo (fica a dica pra quem mora aqui) é o ARLA Zin!, um iogurte de beber com 0% de gordura. Disponível nos sabores manga, morango e frutas vermelhas, este nunca falta aqui em casa!



quinta-feira, outubro 17, 2013

G R A T I D Ã O



Muita coisa acontecendo (por dentro e por fora) e eu com esta maldita preguiça que tem me mantido afastada deste blog. Deve ser a idade, ou o fato de eu simplesmente ter desistido de carregar algumas bandeiras e esquentar algumas polêmicas (nem que seja só pra sacudir um pouco os eternos acomodados). Mas hoje resolvi vencer a preguiça e postar algo.

Meus dias tem sido cheios e tenho aprendido a cada novo dia (porque viver é isso). Um dos aprendizados que demorei muito para "internalizar" - se é que esta palavra existe na língua portuguesa - foi que a gente não deve ficar triste pelo que não tem mas agradecer pelo que tem. Não deve reclamar das amizades falsas mas agradecer pelas amizades verdadeiras que cruzam nossos caminhos. Porque de uma coisa eu sempre tive certeza: NADA nesta vida acontece por acaso. Todos temos lições a serem aprendidas, e cada pessoa que cruza nossa vida (as que ficam e as que se vão) tem um papel na nossa história. Nada acontece por acaso.

Eu andei me decepcionando ano passado com alguns amigos falsos e tive mais uma decepção recentemente mas também ganhei uma grande amizade que vale por todos estes que se foram! Porque amigo de verdade, gente que nos ouve e nos entende (mesmo sem entender) sem ir logo criticando e julgando, isso é coisa cada dia mais rara em tempos de redes virtuais...

Eu tenho uma longa jornada, venci muitas batalhas neste país, aprendi muita coisa sofrendo mas felizmente estou bem. Porque digam o que quiserem: eu sou uma sobrevivente! Eu sobrevivi tempestades, furacões e tsunamis. A vida não tem me poupado. Mas todos esses aprendizados (todos mesmo) contribuíram para me transformar na pessoa que sou hoje. E por isso eu agradeço. Por ser uma pessoa melhor que eu era ontem. E por ser uma pessoa mais forte, e certamente mais sábia, do que eu era ontem.

Então este é um post sobre gratidão. Por todos aqueles que me ajudaram no meu caminho e pelos que tem me ajudado hoje. Por todos aqueles que souberam ver a verdadeira Beth em vez de criticar com seus preconceitos e mentes limitadas.

E sabem de uma coisa? Quando a gente pára tudo para agradecer o que a vida nos tem dado de bom, fica mais fácil seguir em frente.




quarta-feira, outubro 02, 2013

A dieta: questão de hábitos



Tudo na vida é uma questão de hábitos...e com a reeducação alimentar não poderia ser diferente. Eu tenho percebido isso diariamente. E hábito a gente muda gradualmente, as primeiras semanas são as mais difíceis. Para alguns, é (quase) como ser internado em uma clínica de rehab: detox time! Eu mesmo noto isso depois de dois meses...Diga-se de passagem, já perdi 7 kgs...e olha que ainda nem comecei a nadar 2x por semana (shame on me). Mas ontem nadei muito e amanhã vou de novo então começo oficialmente esta semana. Agora vai!

Verdade seja dita, quem quer emagrecer pode esquecer as dietas milagrosas...a única maneira garantida de emagrecer e manter o peso perdido (engordar depois de uma dieta restrita é mais fácil do que se imagina) é mudar os hábitos alimentares! E vamos combinar, não dá para mudar tudo ao mesmo tempo, nem seria "humanamente" possível.

O primeiro passo é fazer uma avaliação básica dos seus hábitos, do que você costuma comer no dia-a-dia. Eu por exemplo cortei sem o menor problema pizzas, frituras (batata frita etc) e batata chips. Não como e não sinto falta! Por outro lado, meu maior problema são os doces: biscoitos, tortas e chocolate. Então imaginem o drama, né? Também desisti do (maldito) Aspartame, que segundo a dietista só dá mais vontade de comer açúcar de verdade (e segundo pesquisas recentes, o danado ainda engorda justamente por isso). Hoje em dia uso stevia no café preto de manhã e evito os iogurtes de beber com adoçantes artificiais (infelizmente ainda maioria no mercado mas a situação começa a melhorar). Porque não adianta usar estevia no café e tomar iogurte com aspartame, né?!!

Então é isso: comece a eliminar o mais fácil e vá substituindo aos poucos por alimentos saudáveis. Pra mim tem dado certo. Tenho comido muita fruta e até aprendi a fazer smoothies saudáveis. E tenho descoberto novos alimentos como a semente de chia, que faz um sucesso danado aqui entre os "healthy freaks" e naturebas (fica uma delícia no iogurte ou no smoothie). Vez ou outro tomo leite de arroz ou leite de soja, só pra variar mesmo. E tenho testado diferentes tipos de iogurte, até porque aqui na Holanda a variedade é enorme!

Iogurte natural com morangos e semente de chia
Claro que tem dia que me dá uma vontade LOUCA de comer um doce ou chocolate. Aí eu tenho duas opções: eu como um pedaço pequeno de chocolate amargo (dica da dietista) ou uma barra de cereal natural light ou... assumo a vontade e como os biscoitos ou sei-lá-que-tentação-doce mas reajusto a dieta no restante do dia. Ou seja, sabe aquela estória de desistir porque, afinal de contas, você já detonou mesmo a dieta? Não faça isso. E não espere o dia seguinte pra corrigir o deslize...corrija logo, na próxima refeição! Eu simplesmente "corto" o jantar e tomo um iogurte magro ou salada pra (tentar) compensar o "estrago". Nem sempre funciona mas é uma grande dica. Dos males o menor...

Outra dica que pode parecer óbvia pra algumas pessoas - mas não é tão fácil quando você é que faz sempre as compras de supermercado - é não levar junk food pra casa! Assim você não enche suas prateleiras de biscoitos e batata frita, nem entope sua geladeira de coca-cola e outras guloseimas. Eu melhorei bastante neste aspecto (às vezes trago uma "coisinha" só mas o resto é tudo saudável hehehe). Mas ainda me engano vez ou outra (menos do que fazia antes) quando decido levar uns biscoitos ou barras de cereal com chocolate "para o meu filho"...semana passada fiz isso e adivinha quem comeu tudo?!! Moral da estória: descobri que enquanto não tiver controle sobre determinados alimentos (leai-se chocolate), é melhor nem levar pra casa. O que os olhos não vêem...

Mas vou parar por aqui porque nem sei se os leitores do blog estão interessados em dietas saudáveis ou reeducação alimentar...É só mesmo pra deixar registrado - nem que seja para mim mesma! E claro, se alguém tiver dicas pra me dar, eu agradeço.

quarta-feira, setembro 18, 2013

Blue Jasmine, o novo Woody Allen



Assisti recentemente Blue Jasmine do meu querido e neurótico Woody Alleen e admito que gostei muito. Tudo bem que sou fã do diretor há mais de 20 anos mas alguns filmes certamente me marcam mais do que outros. Ainda mais este filme com a atuação maravilhosa de uma das minhas atrizes favoritas: Cate Blanchett (Heaven, Babel, Notes on a Scandal, The Curious Case of Benjamin Button, Elizabeth The Golden Age, entre os meus filmes favoritos). 

Blue Jasmine é em muitos aspectos, um exemplar típico de um dos diretores mais "prolixos" do cinema americano. E o roteiro inevitavelmente me fez lembrar de outro filme dele: Melinda and Melinda. Um título menos conhecido de Woody Alleen mas que certamente vale a pena conferir.

Em Blue Jasmine, acompanhamos a trajetória de glória e decadência de Jasmine, uma bela mulher que abandona os estudos (!) para se casar com um homem rico e maravilhoso - tipo "príncipe dos contos de fadas", bom demais pra ser verdade. Ele oferece a ela uma vida luxuosa e confortável, até o momento em que é preso por sonegar impostos e outros crimes relacionados.

A partir deste momento, a vida que Jasmine conhecia deixa de existir e ela, desorientada e sem dinheiro, resolve bater na porta da irmã, que mora do outro lado do país. Jasmine voa de primeira classe (por mera força do hábito) de Nova York para São Francisco e se hospeda "temporariamente" na casa da irmã Ginger. Na verdade ambas foram adotadas por um casal e, portanto, não são irmãs de sangue no sentido literal da palavra. E suas vidas não podiam ser mais diferentes. A irmã é uma pessoa simples e honesta que trabalha num supermercado e nunca conheceu nenhum luxo na vida, com ótima atuação de Sally Hawkins, a atriz inglesa de Happy-Go-Lucky (que eu comentei aqui). E Jasmine nunca trabalhou na vida, desfrutando de uma vida de socialite em NY.

Claro que a partir daí surgirão conflitos porque ao mesmo tempo que a vida de Jasmine vira de cabeça pra baixo, sua chegada na casa da irmã também irá afetar a vida de Ginger em vários aspectos. É como uma colisão de dois mundos: o mundo privilegiado de uma socialite de NY e o mundo do proletariado, que sobrevive da melhor maneira possível num dia-a-dia cheio de batalhas.

Mas o que eu gostei mesmo no filme foi ver a atuação de Cate Blanchett, num papel clássico de heroína que perde tudo (lembram de Sunset Boulevard?) e é forçada a começar de novo, sem saber nem como ou por onde. É dolorido ver suas tentativas frustradas de se adaptar à nova situação. E incrível imaginar que existem neste mundo mulheres como ela, que colocam literalmente suas vidas nas mãos desses "príncipes". São as famosas "caçadoras de tesouros", em maior ou menor grau. No caso de Jasmine, acredito que tenha sido mais inocência do que qualquer outra coisa. Vivendo e aprendendo!

Enfim, confiram. Diversão (e reflexão) garantida!



terça-feira, setembro 17, 2013

Quartier Lointain

Ontem finalmente conseguir assistir um filme que estava na fila de espera há tempos: Quartier Lointain, baseado na estória em quadrinhos (ou manga pra quem entende do assunto) do cartunista japonês Jirō Taniguchi. O nome em inglês é A Distant Neighourhood e a estória em quadrinhos foi escrita em 1998. Tanto os quadrinhos como o filme (2010) foram muito bem recebidos pelo público e pela crítica especializada.

Quartier Lointain conta a estória de Thomas, um cartunista que mora em Paris com sua família (esposa e duas filhas adolescentes) e que, por uma daquelas obras do destino, trem acaba parando, durante uma viagem de trem, na estação da cidadezinha onde cresceu. Da última vez em que esteve lá há 20 anos, ele foi para o enterro de sua mãe. Já que está mesmo na cidade, Thomas decide visitar o túmulo da mãe no cemitério e algo (muito) estranho acontece. Subitamente, ele tem uma espécie de "desmaio" e quando acorda de novo, está de volta à sua adolescência - ou mais especificamente, seus 14 anos. O ano em que seu pai abandonou a família para nunca mais voltar. E depois disso, sua mãe nunca mais conseguiu se reestabelecer e vivia esperando seu retorno (que nunca aconteceu). Alguns anos depois, a mãe morre de tristeza ou cansaço da vida (a "interpretação" fica por conta de quem lê o livro ou assiste o filme).

Uma das grandes tiradas da estória é que Thomas volta à sua adolescência mas com a consciência e conhecimentos de sua vida adulta. Assim, já sabendo o que acontecerá nos anos futuros, ele tenta a todo custo "corrigir" o passado e evitar suas consequências devastadoras. Ele se aproxima do pai e o segue por toda parte, além de tentar convencê-lo a não ir embora. No final das contas, seus esforços são em vão porque o pai decide partir assim mesmo! O que nos faz pensar se é mesmo possível mudar o passado, principalmente quando ele envolve outras pessoas e seus desejos e vontades.

Os quadrinhos são traduzidos na tela de cinema em um clima nostálgico, com decoração e sets típicos dos anos 70 (inclusive os famosos LPs da minha infância e adolescência). Thomas tem a chance de voltar à sua adolescência dos anos 70 numa cidadezinha do interior da França e nós participamos de sua vida diária, na escola, em casa dançando com a mãe e com a irmã caçula, o primeiro amor, os companheiros da adolescência, etc. Enfim, nostalgia pura! Eu recomendo.


terça-feira, setembro 10, 2013

Outono/inverno



Todo ano a mesma coisa: chega setembro, as folhas começam a cair das árvores, os dias começam a ficar mais curtos, temos menos horas de sol e mais dias chuvosos. É o fim dos meses de verão, outono chegando e o longo e tenebroso inverno cada vez mais perto...

E eu me sinto totalmente bipolar quando percebo o quanto o clima me afeta emocional e mentalmente. Eu moro na Holanda há quase 20 anos e até hoje tento me acostumar com o inverno. Pra deixar bem claro, não me refiro ao inverno como nas paisagens da Europa Central (Suíça, Alemanha e Itália) e sim o inverno no Norte da Europa (Inglaterra, Irlanda, Holanda e partes da Escandinávia). É o tal clima oceânico, que provoca temporadas de chuva, garoa e muita ventania! Enfim, nada de paisagens brancas cobertas de neve (aqui até neva, mas bem menos do que na Alemanha por ex.) mas ao invés disso, dias cinzentos e chuvosos. E se no verão eu passo mais tempo andando e pedalando pelas ruas, no inverno a tendência é ficar em casa...

Depois de um bom verão com muitos dias de praia (que eu tive a chance de curtir) e pouca chuva, esta semana a previsão é de chuva para a semana inteira (a natureza agradece, a grama aqui está seca há semanas). Quanto a mim, já começo a tomar as medidas necessárias para encarar mais uma mudança de estação. Porque quem mora no Brasil não sabe o que são as quatro estações do ano, nem mesmo na região sul (embora o inverno lá possa ser rigoroso e até tenha neve na Serra Gaúcha). Ainda mais eu que sempre morei no Rio e podia ir à praia praticamente o ano inteiro!

Mas tudo tem dois lados e no outono/inverno a gente pode se ocupar com um monte de coisas legais! Eu mesma percebo que praticamente não leio no verão mas logo que chega setembro eu começo a ler um livro atrás do outro! No inverno então, leio em média um livro por semana. E sim, também é a época do ano para novas temporadas das séries de tv favoritas e de assistir muitos filmes. É a época em que a gente se enrosca debaixo de uma coberta gostosa com uma xícara de chá ou café e um bom livro como companhia.

E é aí que mora o perigo porque eu estou fazendo a reeducação alimentar e agora já percebi que terei de fazer algumas alterações "sutis" na dieta: por exemplo, se chove a semana inteira e não dá pra andar de bicicleta, nadar 2x semana e comer um lanche a menos! Já perdi quase 5 kgs (!) mas o caminho é longo e cheio de tentações...então o negócio é antecipar as dificuldades. Também vou comprar em breve uma corda de pular - podem rir mas li nuns sites que é um ótimo exercício aeróbico, usado por maratonistas e até mesmo lutadores de box para manter a capacidade física!!! Assim posso pular corda em casa mesmo nos dias chuvosos em que não me animo a pegar a bicicleta.

Moral da estória: a gente vai se adaptando, um dia de cada vez!






quarta-feira, setembro 04, 2013

A dieta: minhas dicas


Minha salada favorita: tomate, mozzarela e manjericão

Então vamos lá, já que estou mesmo motivada (é agora ou nunca), vou dar algumas dicas básicas de quem está a fim de encarar uma dieta.

1. Esqueça dietas! A palavra de ordem é reeducação alimentar. Dieta não resolve o problema, você passa fome por algumas semanas (ou meses), chega ao peso desejado e resolve voltar a comer como antes - resultado, engorda tudo de novo (e mais um pouco). Eu felizmente nunca fui vítima de dietas da moda mas fui dois meses no Weight Watchers aqui na Holanda e pra mim não funcionou! Pra gente organizada que adora fazer contas e listinhas e contar pontos em TODAS as refeições, ótimo. Não é o meu caso, não tenho saco!

2. Reeducação alimentar é pra vida toda (a diferença básica entre reeducação alimentar e dietas "milagrosas"). E ela deve seguir de mãos dadas com algum tipo de atividade física porque só comer direito não basta (mas já é um bom começo).

Knackebrood com cottage cheese, pepino e alfafa

3. No quesito atividade física - eu que não sou nem pretendo virar atleta - só tenho um conselho pra dar: escolha uma atividade (esporte) que te dê prazer e comece aos poucos. Eu infelizmente não curto esportes (sempre odiei academia, sou rata de biblioteca). Mas amo nadar e me agarro à natação com unhas e garras porque é o meu esporte.

4. Pra quem está fora de forma como eu, não adianta se animar e sair fazendo esportes todos os dias da semana feito louco! Vá com calma porque na pior das hipóteses, você pode acabar com uma lesão séria - e eu sei do que estou falando porque tive uma hérnia de disco e ninguém merece (tive até de operar e foram seis meses de descanso obrigatório). É melhor começar 3x por semana. Eu, por exemplo, comecei a nadar 1x semana (acabei de voltar da piscina cheia de energia e cá estou eu conversando com vocês). Além disso, ando de bicicleta 2 x semana (numa velocidade suficiente pra contar como exercício de cardio). Comecei há 3 semanas e é pesado - mas cada semana fica mais fácil. Semana que vem (a quarta semana), pretendo passar a nadar 2x semana. Vamos ver!

5. Ainda no quesito esporte, comece fazendo caminhadas ou andando de bicicleta. Suba escadas em vez de pegar o elevador. Nadar também é um esporte completo, recomendado principalmente pra quem está muito acima do peso (como eu) porque é um esporte de pouco impacto. Melhora a condição física em geral, e a capacidade respiratória em particular (ótima dica para quem sofre de asma ou bronquite, por ex.)

6. Agora vamos à alimentação. Primeira dica: não passe fome. Nunca. Não é preciso passar fome (e é aí que muitas dietas falham). O que é preciso é aprender a escolher o que se come. E, em alguns casos, reaprender a comer (é o meu caso, veja este post). E de preferência, busque a ajuda de uma dietista (nutricionista) nos primeiros meses, até você "pegar o embalo".

Knackebrood com cottage cheese e geléia de morango

6. Importante: faça seis refeições por dia. Isso mesmo: seis refeições, eu disse que não é pra passar fome! Três refeições principais: café da manhã, almoço e jantar. E mais três lanches light (frutas ou salada de frutas, iogurte grego, activia, iogurte de beber, cottage cheese e outras snacks light.)



Nota: O knackebrood das duas fotos acima é um tipo de cracker original da Suécia mas muito popular aqui na Holanda. Não sei se é fácil de encontrar nos supermercados do Brasil mas aqui tem vários tipos. E é uma ótima opção de lanche, em vez de pão. E por falar em pão, mais uma dica: evite pão branco, compre pão integral. Eu já comia pão integral há tempos e mudei para o pão de spelt. Spelt é um grão que substitui o grão de trigo e anda fazendo o maior sucesso por aqui. Dizem as más línguas que é bem mais saudável do que o pão feito com trigo. Eu comprei e gostei!

quarta-feira, agosto 28, 2013

Começo das aulas: escolas na Holanda



Nesta segunda-feira Liam voltou às aulas, depois de 7 (longas) semanas de férias. Infelizmente este ano não rolou viagem ao Brasil, mas ano que vem rola (se Deus quiser).

Este segundo ano do HAVO promete ser bem mais puxado pois ele terá três matérias novas: física, alemão e economia. Fora o alemão, ele ainda tem aulas de holandês, inglês e espanhol desde o primeiro ano (e tira notas acima da média em idiomas, acho que puxou à mãe hehehe).

Mas deixa eu explicar como funciona o ensino secundário aqui na Holanda...Aqui as escolas são públicas mas o ensino é bastante elitista. Ou seja, as escolas são para todos mas são divididas em três tipos: VMBO (formação técnica profissionalizante), HAVO (formação teórica que prepara para a escola superior (Hoge School), VWO (formação teórica e única que oferece acesso direto à universidade). Pra vocês terem uma idéia, 60 % de todos os estudantes vai para o VMBO.  Os 40 % restantes vão para o HAVO (20%) e VWO (20%). A maioria esmagadora dos filhos de imigrantes vai para o VMBO simplesmente porque o nível de holandês e matemática é baixo demais para os outros níveis. Moral da estória, no HAVO-VWO a maioria dos alunos são holandeses, com uns poucos filhos de imigrantes cujos pais tem alto nível de educação. Quanto mais alto o nível de ensino, mais alunos louros de olhos azuis...eu avisei que o sistema aqui era elitista, né? Pois é.

Complicado mas é assim que as escolas funcionam aqui. Enquanto no Brasil todos cursam o mesmo segundo grau (e quem tem grana garante uma boa escola particular), aqui a trajetória escolar é definida com 12 anos...é possível terminar o HAVO e fazer mais dois anos de VWO (o que é o plano aqui em casa) mas quem faz VMBO raramente consegue ir para o HAVO porque as aulas são de caráter prático e profissionalizante, eles não tem história, geografia e muito menos aulas de física, química e economia!

Apesar deste sistema elitista que literalmente "bloqueia" o acesso de alunos de meios menos privilegiados, ao menos quem consegue ir para o HAVO-VWO recebe uma boa formação. Nas escolas daqui, os alunos aprendem no mínimo quatro idiomas (holandês, inglês e alemão são obrigatórios, as escolas decidem ainda se darão francês ou espanhol). Imagina quanto uma escola dessas custaria no Brasil! Uma amiga me disse que no Rio eu teria de "desembolsar" uns 1000 reais de mensalidade para uma boa escola particular! E eles mal aprendem inglês nas escolas...

Moral da estória, a Holanda mudou muito nos últimos 19 anos desde que cheguei aqui, mas ainda está anos luz na frente do Brasil em termos de educação, por exemplo. O ensino pode ser elitista mas ao menos é público! Contraditório mas enfim...


PS: Esqueci de dizer que o VMBO dura 3 ou 4 anos, o HAVO dura 5 anos e o VWO dura 6 anos...Ou seja, o ensino secundário na Holanda dura de 4 a 6 anos, dependendo do tipo de escola.


quarta-feira, agosto 21, 2013

A dieta: aspecto emocional



A dieta vai bem, obrigada. E espero que eles estejam certos quando dizem que as primeiras duas semanas (eu diria o primeiro mês) são as mais difíceis. Porque estas primeiras duas semanas foram tranquilas e eu perdi os primeiros 3 kgs (quase 4 kgs). Agora convenhamos, não é uma questão de "fechar a boca" como alguns pensam e sim redescobrir (recriar) sua relação com a comida. Especialmente no meu caso, porque há anos adquiri o hábito de comer para me consolar:  comida = conforto. Nos períodos difíceis da minha vida, como nos dois anos antes de (finalmente) me divorciar mas também recentemente, a comida era o meu maior conforto.

E eu não tenho vergonha de admitir que tenho um problema com comida (sou "viciada" mesmo)...e digo mais, acho que a maioria das pessoas que sofre de excesso de peso (certamente aquelas que estão mais de 10, 20 kgs acima do peso) geralmente tem problemas emocionais. E ao invés de lidar com eles (haja terapia, né?), elas tentam "tapar o sol com a peneira" atacando a geladeira! E sofrem com as consequências.

Para alguns, estar ciente deste aspecto emocional já é meio caminho andado...Aprender a lidar com emoções desconfortáveis sem recorrer a uma torta ou barra de chocolate como consolo. Identificar seus "catalizadores": você come quando está triste? ansioso? ou simplesmente entediado? (sem falar que depressão e distúrbios de comida andam de mãos dadas: algumas mulheres emagrecem, muitas engordam). Então é preciso adestrar seus "monstros" antes que eles façam um estrago ainda maior do que já fizeram. Simples e ao mesmo tempo, difícil pra caramba.

O segundo aspecto essencial pra perder peso é a motivação. Sem motivação de verdade, não adianta nem começar. É aquele momento da sua vida em que você diz: chega, eu não quero mais isso. Eu não quero mais ser esta pessoa. Eu mereço uma vida saudável, melhor qualidade de vida. É hora de cuidar de mim mesma! E não se iludam: esta motivação vem de dentro - e não porque seu namorado ou amiga ou mãe disse que você está gorda. E quando ela finalmente chega, você tem de se agarrar a ela com toda força.

Engraçado é que eu ia escrever um post com dicas rápidas pra quem quer começar uma dieta e acabei falando de outro aspecto - na verdade, muito mais importante. Porque quem conhece esta blogueira sabe que eu não fujo de tabus, eu falo quando muitos calam, eu digo o que muitos pensam mas não tem coragem de dizer...enfim, esta sou eu!

As dicas de dieta (que tem funcionado comigo) ficam para o próximo post!


quinta-feira, agosto 15, 2013

A dieta





Pois então...depois de quase 5 anos sem fazer dieta de espécie alguma (shame on you), chegou o grande momento. Porque existe um momento em que você decide realmente mudar. Um momento em que diz: chega, cansei de ser gorda. Pois este momento chegou. É agora ou nunca (comigo é assim).

Há cinco anos atrás, eu fui a uma dietista e fiz uma reeducação alimentar (porque acreditem: dieta não funciona e dietas milagrosas não existem). Em quatro meses, emagreci cerca de 12 kgs - sem passar fome e comendo refeições saudáveis - e baixei um tamanho de roupas (de 48 para 46). Bem verdade que era apenas o começo de um longo processo...Consegui manter o novo peso por cerca de um ano e tudo estava dando certo, eu nadando 3x por semana, até que tive uma hérnia de disco. Fui obrigada a ficar de repouso ANTES e DEPOIS da operação, foram meses até a (maldita) dor na coluna realmente "sumir".


Desde então, recuperei todo o peso perdido e ainda ganhei uns 5 kgs na viagem ao Brasil em 2011 (que ainda não perdi porque ganhar peso é fácil, perder é que são elas). Enfim, tem muito trabalho pela frente. A boa notícia é que se eu fiz uma vez e deu certo (e deu mesmo), agora vou fazer de novo e vai dar certo também. Estou praticamente revendo a dieta de 2008, usando um caderno para anotar tudo que como e bebo (ótima dica da dietista para se ter controle do consumo, e não necessariamente de calorias mas de alimentos mesmo).

Semana passada tive a primeira consulta com a nova dietista e agora acabei de voltar da segunda consulta. Os primeiros 2kgs já se foram até porque, pra quem está muito acima do peso como eu (preciso perder uns 30 kgs mas até com 20 kgs hoje em dia eu já fico feliz da vida), os primeiros 5 kgs a gente perde sem muito esforço. É a tal retenção de líquidos, né? Claro que só de pensar em 30kgs a gente surta então dividi em metas menores: primeiro 10kgs, depois mais 10kgs e assim vamos seguindo. Tudo com muita calma, porque não é indicado perder peso muito rápido, 1kg por semana (4 kgs por mês) é ideal. Assim sendo, marquei uma data no meu calendário: meu aniversário em dezembro! Até lá pretendo perder no mínimo 10 kgs, talvez até uns 12kgs se eu entrar numa rotina de atividade física.

Então agora é andar mais de bicicleta (e aqui na Holanda as ciclovias são ótimas então esta desculpa eu não tenho) e o mais importante no quesito atividade física: voltar a nadar! Porque nadar é praticamente o único esporte que eu realmente curto...e eu parei há mais de 2 anos!

Enfim, só pra deixar registrado. Torçam por mim porque a estrada é longa mas eu consigo...um dia de cada vez!


domingo, agosto 04, 2013

(In)feliz por comparação



Engraçado como as coisas funcionam dentro da cabeça da gente e como alguns hábitos são duros de se mudar! O hábito de comparar a nossa felicidade com a dos outros, por exemplo. Provavelmente um dos piores hábitos que existe. Sabem aquela estória de "a grama do vizinho sempre é mais verde"? Pois é.

Em determinadas fases da vida em que as coisas parecem não querer "desandar" e a gente continua esperando aquela virada de maré, é difícil a gente não se comparar com pessoas que parecem ter tudo "sob controle" (nem que seja apenas superficialmente, o que também acontece). Em alguns aspectos da minha vida - certamente no aspecto profissional - eu fico pensando porque tudo pra mim é tão difícil enquanto outras pessoas estão lá acordando cedo, tomando café e indo trabalhar todo dia sem precisar pensar duas vezes no significado de suas vidas. Eu fico pensando porque algumas pessoas tem mais sorte do que as outras - e claro que determinação e esforço próprio também contam (já estou ouvindo até as vozes de algumas pessoas). Mas a verdade é que a sorte também é um fator que muitos ignoram. Geralmente são os mais jovens e inexperientes, que acham que a vida pode ser 100% construída, o que é uma meia verdade e quem acumulou experiências pela vida afora sabe muito bem disso. Porque é possível sim construir nossos destinos até um certo grau - mas muita coisa independe do nosso controle (e como a vida seria mais fácil se pudessemos controlar tudo que acontece com a gente). São fatores externos pelos quais não temos o menor controle. E quem passou ou passa por isso, sabe exatamente do que estou falando. Sem falar que até os trinta e poucos anos, temos um amplo leque de oportunidades, e com o passar dos anos elas vão se tornando mais escassas. É aquela velha estória: ter filhos e fazer carreira a gente faz lá pelos trinta anos. Depois ainda é possível mas fica bem mais difícil. Já vi por exemplo mulheres que decidiram investir na carreira e acabaram tendo filhos depois dos 40 anos. Ou pior, mulheres que chegaram nesta idade e descobriram que não podiam mais engravidar. Enfim, problema todo mundo tem, né?

Mas vamos ao que interessa. Eu fiz uma descoberta nos últimos tempos. Existem duas maneiras bem distintas de encararmos nossas vidas: a gente pode comparar com quem está melhor e se sentir infeliz (e existe muita gente em situação melhor). Ou pode comparar com quem está pior e se sentir feliz (e existe muita gente em situação pior). Escrevendo assim parece tão óbvio (e para algumas pessoas é mesmo) mas este tem sido um exercício árduo nos últimos tempos. Porque ainda existem pedras no meu caminho. Sem falar que alguns problemas parecem insistir em não ir embora (a gente pode até tentar ignorá-los mas eles sempre voltam). Enfim, a luta continua. O que me faz lembrar de outro velho ditado: o que não me mata, me fortalece. Sim, eu adoro um clichê.

Recentemente tive um grande insight ao assistir um documentário sobre jovens prostitutas nas Filipinas, o tal turismo sexual (provavelmente o maior setor da economia local). No programa, duas estudantes universitárias holandesas foram enviadas para passar uma semana convivendo com jovens prostitutas (muitas delas menores de idade). E isso resultou em cenas comoventes, que me levaram às lágrimas. Porque sim, caros leitores, ainda há muita injustiça por este mundo afora e muita gente não tem mesmo sorte. Claro que se trata de uma "situação extrema" mas por outro lado, este problema é comum em vários países pobres, até mesmo no nosso Brasil com seu tão proclamado "booming econômico". O que me lembra outro documentário que vi na tv holandesa alguns anos atrás sobre prostitutas em Recife, muitas delas jovens de 14 anos (ou menos). Dá vontade de chorar mesmo - e de bater nesses homens que se acham no direito de tratar essas mulheres como uma espécie de boneca inflável, sem sentimentos e vontade própria.

Enfim, depois do documentário nas Filipinas, inevitavelmente comparei a minha vida com a dessas jovens mulheres sem perspectiva de futuro (algumas mães solteiras) e de repente todos os meus problemas se tornaram relativos! Sim, meus problemas ainda existem mas a verdade é que poderia ser muito pior.

Pra encurtar a estória, fiz uma promessa a mim mesma: toda vez que eu estiver triste com algumas circunstâncias da minha vida, eu vou me lembrar dessas meninas. Acho que era isso que eu queria dizer hoje.

quarta-feira, julho 31, 2013

25 anos de PIXAR!






Tinha escrito um rascunho mas não tive tempo de aparecer por aqui antes então lá vai. Semana passada finalmente fomos na Amsterdam EXPO conferir a exposição internacional da PIXAR, em homenagem aos 25 anos de existência de um dos melhores estúdios de animação do mundo - o concorrente mais próximo é a DreamWorks (dos maravilhosos Ice Age e Madagascar, aqui em casa somos fãs).

Uma das maiores vantagens de se ter filhos é que quando eles são pequenos temos a desculpa "perfeita" para assistirmos sem culpa muitos desenhos e filmes infantis. E foi assim que me apaixonei numa tarde de inverno por Toy Story (até hoje meu PIXAR favorito). Sem falar que Finding Nemo foi literalmente a primeira vez que Liam foi ao cinema! E que experiência inesquecível ver na telona imagens de peixinhos coloridos nadando num oceano de corais. Melhor estréia nas salas de cinema, (quase) impossível, né?




Os anos se passaram, meu filho hoje tem 13 anos e já não quer mais assistir filmes infantis - embora PIXAR atraia crianças e adultos de todas as idades. Mas ele prometeu assistir comigo em breve Monsters University (eu também amo Monters Inc.) e enquanto isso não acontece, fomos prestigiar a exibição na Amsterdam EXPO.

A exposição é para os fãs de animação em geral, e para os fãs da PIXAR em particular! Ela consiste em sketches originais feitos a lápis ou lápis de cera, artwork em vários estágios de produção, storyboards, imagens digitalizadas, além da exibição de curtas e de um documentário sobre o estúdio, etc. Enfim, ali você pode acompanhar todo o processo de criação de um dos estúdios mais inovadores dos últimos 30 anos!

Pra quem não sabe, a Pixar foi fundada em 1979 (!) pelo diretor de cinema George Lucas, e em 1986 obteve uma injeção de capital da Apple Inc., a famosa empresa fundada por Steve Jobs.  O estúdio cresceu tanto que acabou sendo adquirido em 2006 pela Disney Studio (que decidiu literalmente "comprar" a concorrência).

Entre os muitos sucesso de bilheteria e milhões em vendas de DVDs estão títulos como meu grande favorito Toy Story 1 (o primeiro filme da Pixar e também seu primeiro sucesso), as sequências Toy Story 2 e Toy Sotry 3, Monsters Inc., The Incredibles, Cars, Nemo, Up, Ratatouille (outro favorito), Brave (o único que não vi até hoje), e agora o esperado Monsters University. Enfim, muitos clássicos que fizeram e fazem parte da infância de muita gente.

E o seu favorito, qual é?


Liam na saída da exposição


quarta-feira, julho 24, 2013

Duas biografias imperdíveis

Tenho lido bastante, mas confesso que ando com uma preguiça danada de escrever aqui no blog (deve ser o calor...). Mas agora resolvi vencer a preguiça de uma vez por todas e escrever um post sobre dois livros que me impressionaram muito este ano. Eu não costumo ler biografias mas estas duas biografias me marcaram tanto que decidi compartilhar com vocês aqui no blog. São duas estórias distintas, de famílias de origens diferentes em países diferentes mas ambas excepcionais. Cada uma à sua maneira. Acima de tudo, dois belos exemplos de sobrevivência.


A primeira delas é The Glass Castle (traduzido no Brasil como O Castelo de Vidro), da jornalista e escritora americana Jeannette Walls. Um relato bigráfico impressionante que fica na memória do leitor por muito tempo (eu que o diga).

Jeannette é filha de um pai alcóolatra e uma mãe artista, ambos pobres e que vivem em uma miséria inacreditável (de passar fome), principalmente considerando-se que moram nos EUA. Jeannette tem um irmão mais velho e duas irmãs, que praticamente são obrigados a cuidar uns dos outros porque nem o pai nem a mãe tem a menor condição de criar seus filhos. Durante a infância, eles chegam a morar como nômades no deserto, depois mudam várias vezes de cidade e de escola, sendo literamente entregues aos seus próprios destinos. Na verdade, ao ler alguns trechos do livro, o simples fato de terem sobrevivido a criação que receberam é (quase) inacreditável! Um pai alcóolatra e uma mãe negligente (mais preocupada com sua "arte" do que com o que está acontecendo à sua volta), uma vida miserável em que não apenas as crianças iam pra escola sem café da manhã como eram literalmente obrigadas a "catar" algo para levar para o lanche escolar! O resto eu não conto pra não estragar a estória mas que é um relato impressionante, isso é - e muito bem escrito!

Então fiquem avisados: o livro é daqueles em que você ri e chora, alternadamente. Um relato humano e comovente de uma mulher que consegue criar para si uma vida, apesar de seu passado desastroso. Depois de completar seus estudos, Jeannette decide tomar o maior risco de sua vida e se mudar sozinha para Nova Iorque. Lá ela começa a trabalhar na editoria de um pequeno jornal até conseguir estabelecer uma carreira de jornalista (e depois escritora) num jornal prestigioso. Tudo sem ajuda de ninguém e com uma coragem e determinação de dar inveja a muita gente. Enfim, leitura obrigatória!


A segunda biografia, que me impressionou tanto quanto a primeira (mas por motivos muito diferentes) é The Three of Us (não encontrei tradução brasileira), da inglesa Julia Blackburn. Julia é criada por um pai poeta e alcóolatra (talvez a única semelhança entre as duas biografias mas, não obstante, um detalhe importante) e por uma mãe pintora, emocionalmente instável e acima de tudo, ninfomaníaca (sem brincadeira). Julia tem uma criação extremamente liberal, principalmente depois que a mãe se separa do pai e decide alugar quartos para rapazes (!). Aí começam os relatos de como Julia sobrevive no dia-a-dia com uma mãe egocêntrica, instável e sempre em busca de novas aventuras amorosas (em vários momentos tive a impressão de que a adolescente da estória era a mãe). Quando Julia entra na adolescência, sua mãe passa a vê-la como rival, o que cria situações desastrosas (e constrangedoras) para a filha. Anos depois, já mais velha, Julia decide entrar no jogo da mãe e "roubar" seu amante favorito (entre tantos outros), um homem quase 30 anos mais velho do que a própria Julia. Considerando-se a forma como Julia é tratada durante anos pela mãe, este "desfecho" é quase inevitável, digamos assim. Enfim, uma relação mãe-filha muito complexa e destrutiva, da qual Julia consegue se desvencilhar depois de muitos anos - e inúmeras sessões de terapia - mas não sem cicatrizes.

Um dos aspectos mais interessantes da biografia é o pano de fundo histórico, mais especificamente a boemia inglesa dos anos 60, com seu idealismo, o movimento hippie, a famosa (e controvertida) liberação sexual das mulheres ("Women's lib") etc. Nos relatos de Julia, você tem a oportunidade de acompanhar de perto como é crescer nesta década conturbada, no seio de uma família artística e boêmia. Enfim, uma criação nada convencional.

Duas leituras altamente recomendadas para quem gosta de uma biografia bem escrita!


terça-feira, julho 23, 2013

Férias virtuais, onda de calor e praia holandesa!




Quem segue este blog já deve ter percebido que ando sumida...por vários motivos. O principal talvez seja uma grande necessidade de reduzir minha presença virtual - nem tanto no blog (o problema aqui é preguiça mesmo) mas especialmente naquela rede social que todos conhecemos...Eu confesso que sempre tive problemas com aquilo ali, e agora que finalmente entendi as "regras", perdeu mesmo a graça. Vale pra manter contato com amigos e parentes distantes (sem dúvida alguma) e colocar fotos bonitinhas de passeios e lugares interessantes. Mas fica por aí. Muita bobagem, raras discussões interessantes (e não vou dizer inteligentes pra não ser taxada de "metida"como já aconteceu). Sem falar que finalmente aprendi que em algumas discussões não vale a pena entrar porque é puro desperdício de energia! E se bobear, ainda perde-se "amigos" (sim, aconteceu comigo, claro).

No mais, é verão, o sol resolveu aparecer e eu tenho ido à praia - muita praia! Pois é, pra quem não sabia, na Holanda também tem praia!Bem verdade que as águas são pra lá de geladas no Mar do Norte mas eu já me acostumei (quem não tem cão, caça com gato). Acabei de voltar sábado de Haia (onde fica a minha praia holandesa favorita: Kijkduin) e desde domingo as temperaturas aumentaram tanto (para padrões holandeses, qualquer temperatura acima de 25 graus é verão) que ontem o Instituto Meteorológico anunciou uma possível onda de calor, com medidas especiais para idosos e crianças pequenas. Hoje é terça, e desde domingo tem feito acima de 30 graus no sul da Holanda, e cerca de 28 graus em outras regiões.

Então aqui na Holanda a regra é o seguinte: 5 dias com temperaturas acima de 25 graus, sendo que 3 dias acima de 30 graus e o governo e a mídia holandesa anunciam oficialmente: ONDA DE CALOR! Você que mora no Brasil, pode rir agora. A verdade é que onda de calor na Holanda ocorre - com alguma sorte - a cada 3 anos! E claro que com tanto calor eu não sou boba de ficar atrás do computador, né? Ainda mais quando sofremos meses e meses com o inverno holandês!

Deixo abaixo algumas fotos da minha praia holandesa favorita. E dizer que até banho de mar eu tomei nas duas últimas semanas! Agora posso me considerar "oficialmente" holandesa, depois de tomar vários banhos nessas águas geladas do Mar do Norte...mas que é (muito) revigorante, isso é! Sem falar que banho de mar faz bem pro corpo e pra alma, né?

Confesso que o que mais sinto falta de morar no Brasil (fora as comidinhas tá?) é que aqui no norte da Europa (porque no sul da Europa a estória é bem outra) não temos tanta oportunidade de irmos à praia pois na maior parte do ano, as temperaturas simplesmente não permitem. Mas quando permitem, as praias lotam e há kms de engarrafamento nas rodovias. Porque holandês A-DO-RA uma praia. No verão eles viajam em massa para o sul da Europa (Portugal, Espanha e Grécia são os destinos de viagem mais populares) e Turquia. Agora com esta onda de calor na Holanda, quem ficou em casa se deu bem!




Liam tirando um cochilo...

domingo, junho 16, 2013

O Brasil visto pelos holandeses



Eu moro há quase 19 anos na Holanda e uma coisa eu não entendi até hoje: a total falta de interesse do holandês pelo Brasil e tudo que se refere a ele! Quando me mudei pra cá, estranhava quando as pessoas nem sequer se interessavam em saber de que país eu vinha. Pior ainda era quando perguntavam, eu dizia que era brasileira e a conversa ficava por aí. Bem diferente da experiência que eu mesma tive com franceses e alemães, por exemplo. Os franceses sempre foram apaixonados pelo Brasil, pela nossa rica cultura e sociedade. Já os alemães são apaixonados pelo Brasil de Jorge Amado e pela nossa cultura exótica. Infelizmente eles também dominam as estatísticas no turismo sexual (seguidos de perto pelos belgas). Os mais cultivados também curtem a música brasileira, o cinema e alguns escritores mais conhecidos.

Mas aqui na Holanda não há - nem nunca houve - nenhum sinal de interesse. E eu acabei me acostumando com isso. Querem um exemplo? Com todas essas manifestações acontecendo em várias capitais brasileiras no momento, não li nada nos jornais daqui. Pelo menos não nas manchetes internacionais...só se fala em Istanbul e Síria (como sempre). E claro, na crise interminável no sul da Europa: Grécia, Espanha e Itália. E na crise do euro em geral e nas reformas sendo feitas. O Brasil só aparece nos jornais quando é notícia ruim, do tipo: incêndio de boate em Santa Maria, desabamentos de terra em Teresópolis, assaltos e mortes violentas de turistas na orla do Rio e por ai vai. Vocês já sacaram, né?

Claro que o Brasil tem (muitos) problemas e por isso esta multidão toda decidiu ir pras ruas do país. Mas a Europa também está vivendo transformações profundas em função de uma crise que já dura 5 anos! Acabou a moleza, fraudes em vários setores tem sido descobertas (e não apenas no imposto de renda, mas também no setor de saúde), etc etc etc.

Então a Europa precisa entender de uma vez por todas (e muitos se recusam a aceitar isso) que hoje vivemos uma nova ordem mundial, com países como China, Índia e Brasil conquistando cada vez mais espaço na arena mundial (e já era tempo). Em termos de crescimento econômico, os índices desses países em pleno desenvolvimento são de matar de inveja muito economista e investidor europeu. E no entanto, a Europa insiste em continuar ditando as regras (junto com os EUA, claro).

O Brasil é hoje um dos principais parceiros comerciais da China. Nós exportamos matéria-prima para alimentar a indústria chinesa, por exemplo. Outra riqueza do Brasil é o gás natural. Enfim, temos riquezas suficientes para enfrentar de cabeça erguida as mudanças na economia mundial. O contrário pode-se dizer dos países europeus. Estagnação em vários setores, quedas na bolsa de valores, economia instável e poucos investimentos internacionais. Além disso, existe o alto desemprego de um lado, e a falta de pessoal qualificado de outro.

A imigração é um problema infindável e por mais rígidas que as leis de imigração tenham se tornado, o problema só cresce a olhos vistos nas principais capitais. Segregação social e racismo aumentam. Discriminação no mercado de trabalho idem (e tenho lido artigos nos jornais holandeses que confirmam isso). Talvez a raiz deste problema (e eu posso estar errada) é o fato de muitos países terem aberto suas portas nos anos 60 e 70 para trabalhadores braçais com baixo nível de escolaridade. Esses trabalhadores trouxeram suas famílias, tiveram filhos e netos aqui (e nem me refiro somente a Holanda porque a situação é idêntica na França ou na Alemanha). Em cidades como Amsterdam eles já compoem metade da população local! Enquanto isso, países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia dificultavam a entrada de imigrantes, dando vistos somente a imigrantes qualificados para o mercado de trabalho. Aí começa o problema - que obviamente é muito complexo.

Moral da estória: vivemos em um mundo em transição, novos países estão tomando o lugar de velhos países na arena mundial. E a Holanda precisa acordar e perceber isso. Prestar mais atenção em outros mercados em vez de ficar olhando para o próprio umbigo e sonhando com o passado glorioso. Está mais do que na hora de buscar exemplos e soluções em terras distantes (o que alguns já estão fazendo).




Meu único "consolo" é que assim como a Holanda não tem interesse no Brasil, o Brasil também não tem lá grande interesse na Holanda! Primeiro porque, por questões históricas, os brasileiros sempre foram mais voltados para os EUA (ou França, Alemanha e Inglaterra na Europa). Então o Brasil pode ser um país desconhecido para a grande maioria dos holandeses mas para os brasileiros a Holanda só representa duas coisas: tulipas e queijos! Ou em se tratando de Amsterdam: maconha e distrito da luz vermelha (uma pena porque esta cidade tem grandes atrativos).

E o mundo segue dando suas voltas...




NOTA: Escrevi este post no domingo, e na segunda-feira finalmente começaram a ser publicadas as primeiras notícias sobre as manifestações de rua no Brasil. Ontem à noite também vi na tv o ocorrido em Brasília (apoio total)...agora o Brasil virou manchete internacional: pelo menos desta vez é por uma boa causa. Avante, Brasil!

segunda-feira, junho 03, 2013

Das minhas paixões



Eu sou uma pessoa com várias paixões, e não me refiro apenas ao meu filho e meu namorado. Sempre tive vários interesses e quando gosto de algo, eu vou fundo, me apaixono mesmo - vai ver é porque sou sagitariana dupla! Duas das paixões que tem me acompanhado a vida inteira (e quem lê este blog sabe disso) são os livros e o cinema. Se eu fosse postar aqui cada vez que leio um livro ou assisto um filme, ia postar (quase) todo dia...e infelizmente falta disposição e tempo para tal. Enfim, quem quiser saber mais, é só ler os posts antigos nos marcadores filmes e livros.

Agora parando pra pensar, me dei conta que herdei ambas as paixões da minha mãe (falecida há 14 anos mas sempre presente na minha vida de uma forma ou de outra).  É que minha mãe adorava ler e foi através dela que descobri Clarice Lispector (lá pelos meus 14 anos, achei um livro curioso na prateleira de livros dela chamado Água Viva e foi o início de uma grande paixão por uma escritora que até hoje é minha favorita). Minha mãe também adorava cinema e assistimos juntas muitos clássicos de Hollywood na sessão da tarde. Filmes com Fred Astaire, Ginger Rogers, Audrey Hepburn, Cid Charisse e tantos outros astros, além de Shirley Temple que minha mãe amava. Foi também graças a ela que descobri Ingmar Bergman, o diretor de cinema sueco. Ela me levou aos 13 anos (!) para assistir nada menos que Sonata de Outono e claro, eu saí do cinema com um nó na garganta! Anos depois redescobri Bergman nas mostras do Estação Botafogo no Rio. Bons tempos aqueles.

Fora a paixão pela literatura e pelo cinema de arte, eu ainda tenho outra grande paixão: o scrapbooking e tudo relacionado a papéis e arte em papel. Tanto que tenho até outro blog com algumas das minhas criações: Scraps da Beth Blue. E não se iludam, scrapbooking é mais do que um hobbie: é uma terapia (já ouviram falar em arteterapia?). E quanto mais eu aprendo, mais quero aprender. Atualmente tenho me interessado enormemente por mixed media, uma arte que ainda quero aprender!


Robert Doisneau

Como se não bastasse, sou apaixonada por fotografia (minha mãe era fotógrafa amadora e fazia ótimas fotos) e ilustração. Mais especificamente, fotografia preto-e-branco da década de 40 e 50 e ilustração infantil (adoro folhear livros infantis nas livrarias). Essas duas paixões aparecem repetidamente nos meus boards do Pinterest, como este que acabei de criar esta semana e já se tornou um dos meus favoritos: B & W photography.


Outra grande paixão são as viagens, uma paixão que nos últimos tempos anda meio aposentada por motivos de força maior. Felizmente já viajei muito e sei que ainda irei viajar nesta vida. Conheci lugares maravilhosos que nunca sonhei em conhecer (veja aqui), e nem me refiro à Tunísia, um dos posts mais lidos aqui no blog. Já morei nos EUA (intercâmbio), em Dublin e Edinburgh (a trabalho) e moro há quase 19 anos em Amsterdam, que continua sendo uma das cidades mais charmosas da Europa. Conheço e amo Londres e Paris. Conheço o Reino Unido melhor do que conheço o país onde moro (e amo o Lake District e as Terras Altas da Escócia). Além de Cannes e Monte Carlo, conheci cidadezinhas pitorescas no sul da França (como Menton e Antibes). Conheci a bela Lisboa, Porto e o norte de Portugal, a região verde do Minho. Conheci Munique e passei um dia em Frankfurt visitando o Museu de História Natural cheio de dinossauros porque era a paixão do meu filho na época, rsrs. E conheci e amei Praga, uma cidade mágica! Nas viagens que ainda sonho fazer estão em primeiro lugar Istanbul. Depois provavelmente Viena, Salzburg e Innsbruck (esta última meu filho conheceu ano passado e adorou). Na lista tem ainda Budapeste e Berlim. E Grécia e Itália, dois países que ainda não visitei, por incrível que pareça e considerando-se que até já viajei pra Tunísia. E nem vou falar no sonho de conhecer a Nova Zelândia e visitar uma grande amiga que mora lá...Convenhamos, haja dinheiro né?

 
A bela Praga

Enfim, minha vida é cheia de paixões e são essas paixões que fazem a vida valer a pena. E agora vou confessar: sempre fico admirada quando vejo pessoas sem interesses especiais, sem nenhuma paixão nesta vida. Pessoas que se conformam em levar uma vidinha mais-ou-menos, acordando de manhã pra ir ao trabalho todo dia, depois vão pra casa, jantam, assistem tv e vão dormir! E quanta gente não vive assim? Sinceramente, pra ter uma vida assim eu prefereria morrer...

E você caro leitor, quais são as paixões que fazem a sua vida valer a pena?!!


Ainda irei conhecer: Istanbul


PS. Desnecessário dizer, Facebook NÃO é uma das minhas paixões, rsrsrsrs.

quinta-feira, maio 30, 2013

Adolescentes, hoje.




Agora que tenho oficialmente um adolescente em casa, volta e meia me pego tentando comparar a adolescência desses garotos e garotas na Holanda (Europa, EUA, mundo) em pleno séc. XXI com a minha adolescência Brasil anos 80! E como não podia deixar de ser, as diferenças são tão gritantes que me deixam perplexa. Pior mesmo é quando me pego falando "na minha época não tinha isso ou aquilo", por aí vocês já imaginam o drama, né?

Meu filho ultimamente chega da escola e vai direto pro XBOX (que continua na sala, porque eu quero ao menos ter a ilusão de controle). Para os desavisados, o XBOX não é apenas uma console: Liam joga online com gamers de toda parte do mundo, faz download de demos de games proibidos pela mãe (e depois ainda vem contar com a maior cara lavada), surfa a internet, assiste vídeos no YouTube, etc...Como se não bastasse, mês passado o garoto ganhou de aniversário um Samsung Galaxy S3. E agora é um tal de What's App pra cá, Skype pra lá com os amigos da escola (eu tenho que tirar o smart phone das mãos dele antes do garoto ir dormir). E claro, mais YouTube e mais games porque a resolução de tela do tal Samsung é de deixar qualquer adolescente (e adulto) boquiaberto!

Moral da estória, esta nova geração quando não está jogando games no PlayStation ou no Xbox, está digitando ou falando no smartphone! Uma geração que já nasceu no meio destes avanços tecnológicos, que nunca viu uma vitrola, walkman SONY (de fitas, que eu amava) nem nunca viu um orelhão! Uma geração inteira que não pode sequer imaginar como é que seus pais sobreviveram sem celular num passado nem tão remoto assim...

Pois na minha adolescência nem DVD-player existia e meus pais demoraram muito pra comprar um vídeo-cassete (grande emoção quando chegou lá em casa e podíamos ver os filmes do cinema no conforto do nosso sofá). Obviamente não existiam games como os de hoje (eu tive um ATARI, quer coisa mais vintage?!!), muito menos celulares (ou melhor ainda: smart phones). A gente quando queria falar com o amigo ia visitar e tocava na campainha mesmo (pra quem morava perto) ou ligava pro telefone de casa. Se o amigo não estivesse em casa, a mãe, pai ou empregada dava o recado (ou não). Porque ainda não existia secretária eletrônica (nem voice mail).

Então confesso que sempre fico perplexa ao observar a vida dos adolescentes de hoje. E olha que sempre fui usuária ativa na internet, desde Orkut até Facebook, Twitter, Tumblr, Pinterest, blog há quase 7 anos, etc. Enfim, não sou daquelas mães lerdas. E posso estar errada mas esta tecnologia toda é uma faca de dois gumes: é muito legal e ao mesmo tempo ruim! E como tudo na vida, é preciso moderação. E um mínimo de bom senso para não deixar que estas ferramentas dominem totalmente nossas vidas. Se para nós adultos isso já é difícil, imaginem para os adolescentes!

Claro que toda esta tecnologia também tem suas óbvias vantagens. A maior delas talvez seja a possibilidade de estar em contato com todos em qualquer parte do mundo e a qualquer momento (24/7). O que por outro lado, também pode ser uma desvantagem em alguns dias (tem dia que eu deixo meu iPhone no still mode direto). Outra vantagem é o acesso imediato a inúmeras fontes de informação. O que também pode ser uma desvantagem caso o adolescente em questão não tenha o mínimo de capacidade crítica pra distinguir a fonte confiável entre tantas outras! No dever de casa e em pesquisas escolares por exemplo, os adolescentes de hoje usam e abusam do Google. No meu tempo a gente tinha mesmo era de pesquisar em muitos livros (e os trabalhos eram batidos à màquina pela minha mãe porque obviamente não existiam computadores). E claro que os professores também mudaram para se adaptar aos novos tempos. Dependendo da escola - acredito que na maioria seja assim- pesquisa ou trabalho em que aparece um parágrafo inteiro copiado da net (cut & paste) é nota ZERO. E eu dou toda a razão para o professor que faz isso, viu?

Sem falar na eterna discussão sobre a influência da internet e dos games em crianças e jovens e sua possível relação com a epidemia de ADHD (Attention Deficit Hiperactive Disorder), no Brasil chamado de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Na minha singela opinião, acho que hoje as crianças recebem um excesso de estímulos de todas as partes desde muito cedo...E posso até parecer conservadora, mas desconfio que isso tenha sim a ver com o aumento de diagnósticos e de medicação. Nosso cérebro nem sempre está preparado para tamanho input. E algumas crianças realmente tem maior sensibilidade a estímulos. Enfim, acredito que nem todas as crianças e adolescentes sejam afetadas da mesma forma.

Moral da estória, o negócio é ficar de olho, definir limites e tentar orientar nossos adolescentes da melhor maneira possível neste mundo high tech em que vivemos! Ninguém disse que iria ser fácil...



Tecnologia do Blogger.

Um pouco melhor...


E os dias passam, a tempestada passa, tudo passa. E eu estou me sentindo um pouco melhor. Desde o último post muita coisa aconteceu.

Já voltei a falar com uma amiga com quem não falava há um ano (brigamos ano passado mas é amiga de quase 30 anos e amizade velha a gente não pode se dar ao luxo de jogar fora nos dias corridos de hoje). Quinta-feira outro grande amigo da mesma época chegou do Rio pra ficar uns dias aqui em casa. Na mesma quinta, o ex-namorado veio passar duas noites aqui em casa...ele "meio que se convidou" e eu deixei porque é Natal e coisa e tal e namorado ou não, F. é uma das pessoas mais estáveis na minha vida cheia de altos e baixos (e eu preciso de algum grau de estabilidade nesta vida, né gente?)

Já tive duas ceias de natal: uma ceia brasileira com pernil macio delicioso, farofa de ovo e banana, salpicão e muito vinho feitos por uma amiga de quem também andei afastada mas que voltamos a nos entender nos últimos meses porque o mundo dá voltas (e o meu mundo mais ainda) . E uma ceia inglesa na casa do ex-marido (que cozinha melhor que eu). Na ceia inglesa teve peru de natal perfeito, batatas assadas, verduras e yorkshire puddings (uma das minhas comidas favoritas da Inglaterra, original da região norte). E mais vinho. Porque é natal, é fim de ano e eu até que bebi pouco este ano.

De resto, em tempos virtuais tenho preferido o contato olho no olho, à moda antiga. É disso que preciso hoje em dia, mais do que nunca. Minha cura certamente não inclui o mundo virtual, muito pelo contrário. Em fases delicadas, sempre fujo do Facebook como o diabo foge da cruz...Não é novidade que sempre tive uma relação complicada com aquela rede e eu já saquei há tempos que a minha vida não é apropriada para o público em geral. E eu cansei de pisar em ovos e tentar explicar o que não pode ser explicado (e a verdade é que não devo explicaçoes a ninguém).

Também tenho lido bons livros e tido preguiça de comentar aqui (mas irei postar em breve minha retrospectiva literária, aguardem). E tenho visto bons filmes mas também ando sem saco de comentar aqui. Ando com a cabeça cheia mas vazia de palavras. Me desculpem...

No mais, os problemas continuam os mesmos, eu tive uma crise de depressão em novembro que me obrigou a mudar de medicamento (voltei pro bom e velho Prozac) e buscar outro psiquiatra. Mas o pior já passou e em janeiro meu diagnóstico será revisto porque dizem as más línguas que algo está errado. Provavelmente eu passei anos tomando o medicamento errado. Devia estar tomando estabilizadores de humor (lítio ou coisa parecida) em vez de antidepressivos mas isso é assunto para outro post...ou não. (#prontofalei).

Moral da estória...minha primeira resolução para o ano novo é continuar sendo eu mesma. Porque quem gosta de mim não foge e quem não gosta não me faz falta. E no final das contas, o que é nosso ninguém tira mesmo. Simples assim (a gente é que complica).

Aproveito para desejar um fantástico 2014 para os amigos que ainda não desistiram de mim (até quando eu mesma desisti) e aos leitores deste humilde mas sincero blog.









Eu ando triste...

Final de ano é sempre muito complicado pra mim...eu sempre tenho uma recaída. E este ano, pra piorar, meu filho também está mal. Tão mal que precisei conversar com a escola e ele terá acompanhamento psicológico nos próximos meses. Adolescência já é um período delicado e ter de lidar com uma mãe deprimida em casa não é nada fácil - sou a primeira a admitir porque vivi os dois lados. Verdade seja dita, não são os filhos que devem cuidar dos pais e sim o contrário. Pelo menos assim é que deveria ser. Mas nem tudo é um mar de rosas...

Só vou dizer uma coisa: eu posso não ter família na Holanda, posso ter poucos amigos aqui perto mas graças a Deus temos tido (muita) assistência de outras pessoas. Gente cuja vocação - mais do que mera profissão - é ajudar os que precisam de um ombro amigo, de ouvidos para ouvir sem críticas ou julgamentos apressados. A começar pela minha médica da família, que me acompanha há oito anos, conhece o meu histórico e sempre tem tempo pra me ouvir sem minimizar ou "relativar" a minha dor. Esta mesma médica achou bom encaminhar o Liam para um psicólogo. Até porque, adolescência ou não, ele faz parte do grupo de risco (minha mãe também sofreu de depressão a vida inteira).

Quanto a mim, este blog costumava ser a minha válvula de escape, uma espécie de diário pessoal, um relato das minhas lutas e vitórias - só estar viva já é pra mim uma grande vitória.  Mas depois de várias experiências desagradáveis com amizades, decidi me isolar ainda mais e me poupar. Só que o isolamento é uma faca de dois gumes...e infelizmente isso só parece ter agravado a minha situação (assim como o fato de ter parado de escrever aqui sobre essas questões).

Porque a verdade é simples: eu preciso escrever. Não interessa se alguém vai ler ou deixar de ler, se vai entender ou não. Eu sei que muitos não entendem, mas tem muita gente que entende, que vive a mesma batalha e é para eles que eu escrevo nessas horas. Eu preciso escrever pra colocar pra fora esta avalanche de pensamentos descoordenados dentro da minha cabeça. Preciso escrever para tentar colocar ordem no caos, para tentar conter os estragos. Mas perdi a vontade de compartilhar qualquer coisa hoje em dia. Com o passar dos anos desisti de contar com a ajuda de amigos (e nem posso, se for pensar bem, cada um tem seus próprios problemas e no final das contas, é cada um por si mesmo).

Felizmente tenho a ajuda de profissionais, que nunca me desapontaram ao longo de todos estes anos. O que é até irônico porque aqui na Holanda o que mais tem é brasileiro reclamando do sistema de saúde holandês! E foi uma das poucas coisas em que tive sorte por aqui, sempre me "enviaram" a pessoa certa na hora certa. Nessas horas acredito que eu tenha um "anjo da guarda" mexendo os pauzinhos lá encima pra mim. E a estória se repete agora na escola do Liam, onde encontramos pessoas dedicadas e maravilhosas, dispostas a ouvir e a ajudar. Faz toda a diferença, acreditem.

Last but not least, tem o F. que nunca me abandonou, até quando eu mesma decidi abandoná-lo. Uma presença essencial na minha vida e que me ajuda a manter a minha estabilidade (sanidade) emocional e mental. Uma pessoa tão diferente de mim, com a vida toda certinha (tudo planejado) e a cabeça e o coração nos lugares certos! Podemos até não estar namorando "oficialmente" (eu já terminei este namoro duas vezes nos últimos seis anos) mas ele sempre vem aqui me visitar, quase todo fim-de-semana. E se eu estiver mal, sei que posso ligar pra ele a qualquer hora do dia ou da noite. O que eu não posso dizer de outras pessoas. E isso também tem feito toda a diferença nesses dias escuros. Porque ninguém vence esta batalha sozinha.

Desculpem o assunto chato, desculpem a falta de boas notícias. Mas hoje eu só precisava escrever. Mais nada.

Dezembro em Amsterdam


Feira de Natal
Eu não sou fã dos meses de inverno mas admito que há um certo charme...principalmente quando neva! Porque eu prefiro mil vezes um dia (muito) frio com neve e céu azul do que dias chuvosos e cinzentos. Na verdade, quanto mais baixa a temperatura (de 0 a 5 graus), mais eu gosto de ir passear na rua: principalmente se estiver nevando!

Enfim, chega novembro, os dias ficam mais curtos e a cidade começa a ser decorada para o natal. Surgem decorações de rua com muitas luzes de natal, na primeira semana de dezembro é colocada a tradicional árvore de natal na praça Dam (Dam Square) e nos últimos anos, a prefeitura de Amsterdam resolveu atrair mais turistas com uma Feira de Natal no modelo das tradicionais feiras de natal tão comuns na Alemanha. Aquelas feiras com barraquinhas que vendem todo tipo de guloseima que associamos aos meses de inverno. Chocolate quente, waffels, glüwein, bolinhos fritos aqui chamados de oliebollen e consumidos em quantidades enormes pelos holandeses nesta época do ano (e especialmente na virada do ano, como manda a tradição holandesa).

A famosa árvore de natal da Dam
A feira muda de local todo ano, ano passado foi no Rembrandplein e além de dezenas de barraquinhas com decoração de natal e guloseimas tradicionais (até churros eles vendiam, tentação sem fim), foi construído ainda um rinque de patinação no gelo.  Pois este ano, pela primeira vez, decidiram montar a tal feira naquela que considero a rua (avenida) mais feia de Amsterdam: a Damrak. Pra quem já esteve em Amsterdam, é aquela avenida que sai da Estação de Trem (Central Station) e segue reto até a praça Dam. Uma avenida cheia de restaurantes e lojas de souvenir para turistas (os locais passam longe), sempre lotada de gente. A única loja cuja visita eu considero obrigatória na área é a Bijenkorf, maior e mais prestigiosa loja de departamentos da Holanda (e que fica em frente à praça Dam). A começar pelas vitrines de natal, que fazem lembrar as vitrines de natal em Londres, Paris e Nova Iorque.

Os deliciosos waffels
Voltando à feira de natal, este ano eles decidiram oferecer de tudo, vi até barracas com guloseimas da Itália (torrones e outras delicatessen), Espanha e Inglaterra (os famosos English fudges). Sem falar na barraca de salsichão típico da Alemanha (bratwurst), barracas vendendo apenas chocolates, outras vendendo decorações de natal, etc. Enfim, tem de tudo pra todo mundo - e principalmente para os turistas! O que eu recomendo? Sem dúvida os deliciosos waffels (que na verdade, são belgas). E claro, a barraca de guloseimas tradicionais holandesas como oliebollen, appelflappen, berlinerbollen, etc. Oliebollen na verdade são os "bolinhos de chuva" que o pessoal costuma fritar na região sul (minha mãe fazia em casa e colocava açúcar e canela, exatamente como fazem aqui).

Mas a minha dica especial para os meses de inverno não é o mercado de natal e sim uma tarde curtindo um dos vários museus da cidade, seguida de um bom café com torta de maçã em um dos cafés típicos. Quem quiser dicas específicas sobre os cafés mais legais frequentados pelos locais (e não apenas aquelas armadilhas para turistas), entre em contato comigo. Pra terem uma idéia do que estou falando, dêem uma olhada no meu board no Pinterest chamado Amsterdam by the locals. Vejam aqui.

Pra finalizar, os mais aventureiros não podem deixar de visitar um dos mais belos rinques de patinação no gelo da Holanda, localizado no Museumplein. Sim, a famosa "praça dos museus" e sem dúvida, a mais prestigiosa da cidade. O rinque abre no dia 29 de novembro e funciona 7 dias na semana até final de janeiro/início de fevereiro!





Melhor livro do ano


Este ano descobri uma nova escritora favorita: Ruth Ozeki. Ela é uma escritora americana e o último (terceiro) livro dela, A Tale for the Time Being, concorreu ao Man Booker Prize desde ano. Perdeu para Luminaries, de uma escritora da Nova Zelândia, mas ganhou desta singela leitora o prêmio de MELHOR LIVRO DO ANO. E eu já li 24 livros este ano, o que é pouco para mim mas é que fiquei os meses de primavera/verão sem ler nada...shame on me!

Eu simplesmente me apaixonei pela estória e pelo estilo da autora. Na verdade, são duas estórias paralelas, em tempo e lugares distintos. Os temas principais são o tempo, a morte e o biculturalismo - este último tema me atrai por motivos óbvios, afinal eu também aprendi a (sobre)viver entre duas culturas (no meu caso, a brasileira e a holandesa). Outros temas não menos importantes são depressão, suicídio e...zen-budismo! Enfim, um prato variado capaz de manter o leitor envolvido até a última página.

O que torna este livro interessante é o fato de a escritora relatar de forma tão minuciosa os contrastes entre duas culturas e dois estilos de vida tão distintos: a cultura americana e a cultura japonesa. E isso ela faz magistralmente, pois ela mesma cresceu e vive nos EUA, filha de mãe japonesa.

As duas protagonistas da estória (que não podiam ser mais diferentes) são uma jovem japonesa chamada Nao, que mora no Japão depois de ter vivido seus "anos de formação" nos EUA com seus pais (o pai era engenheiro e trabalhou no Silicon Valley até ser demitido e se ver obrigado a retornar a Tóquio, onde acaba desempregado e deprimido). Nao volta aos 13 anos para o Japão e não consegue se adaptar à cultura japonesa, e além de lidar com problemas de adaptação ela sofre ainda com bullying na escola. A outra personagem é Ruth, uma escritora americana já na terceira idade que mora com seu marido em uma ilha isolada que pertence ao território de British Columbia (Canadá), onde a Internet oferece o único acesso à civilização.

Estes dois universos e personagens se cruzam quando Ruth encontra numa praia uma lancheira da Hello Kitty (mais japonês impossível), contendo intacto um diário escrito em japonês. Logo ela descobre que esta caixinha é um resíduo trazido pelo mar de um dos maiores tsunamis da história do Japão: o tsunami de Tohoku em 2011 (leia mais aqui). O tsunami foi tão devastador que afetou ainda vários países na costa do Pacífico, do Alasca até o Chile.

Enfim, o livro é uma viagem surpreendente por duas culturas, duas vidas e com toques de zen-budismo e até mesmo uma aula de meditação oferecidos por Jiku, bisavó de Nao e monge budista, outra personagem-chave nesta trama original. Em suma, leiam!



PS. Pesquisei no site da Livraria Cultura mas oi livro parece ainda não ter sido traduzido para o mercado brasileiro...quem puder ler em inglês, leia!

Once Upon a Time





Esta semana estive na minha biblioteca favorita e decidi pegar uma série de tv nova para assistir em casa. Eles tem um acervo enorme e atualizado, e você paga apenas 1 euro por semana! Enfim, grande idéia para as longas noites de inverno que se aproximam.

Desta vez peguei a série Once Upon a Time, cujas primeiras duas temporadas já passaram aqui na tv holandesa mas eu perdi (só vi mesmo uns trailers). E admito que já assisti 18 dos 22 episódios da primeira temporada e me apaixonei! Viciante mesmo, fiquem avisados.

No fundo, no fundo, acho que todo mundo gosta de um Conto de Fadas...e tem gente que até acredita no tal Príncipe Encantado (o belo Prince Charming da série). Eu nunca acreditei em príncipes e por isso mesmo adorei a série...porque ela lida com os Contos de Fadas de forma original e dá um twist no famoso final feliz. Ou seja, as estórias aqui não necessariamente acabam bem e tem um final aternativo, pra dizer o mínimo. Ou não tem final. E os personagens tem um caráter muito mais complexo, com várias faces...e não me refiro apenas à Rainha Má (Evil Queen) da Branca de Neve!

E por falar em Branca de Neve, parece até mentira mas os protagonistas da série, Branca de Neve e seu Príncipe Galante não apenas estão namorando na vida real como anunciaram mês passado que pretendem se casar em breve! Notícia do ano pra quem não acredita em Contos de Fadas, hehehe.

O conto de fadas se torna realidade



A série foi escrita pela mesma equipe de LOST, outra série cult mas que por incrível que pareça, nunca me interessei em assistir (desculpem aí os fãs da série).

Pra quem ficou curioso ou já acompanha a série, aqui está um link para a página com resumo (em inglês) de todos os episódios das três primeiras temporadas:
http://abc.go.com/shows/once-upon-a-time/episode-guide?category=Season+1&displayall=1





A morte sempre nos pega de surpresa



Os últimos dias foram muito pesados. Uma amiga de longa data (dos meus tempos de Brasil, mas que morava aqui na Holanda há 10 anos) faleceu subitamente na madrugada de sábado de um AVC (o segundo porque ela teve o primeiro, estava se recuperando e quase levando alta do hospital quando teve a recaída).

Ela iria completar 47 anos em novembro...e deixou um marido desolado e um menininho de 7 anos sem mãe (o garoto ainda nem entendeu direito o que está acontecendo à sua volta). Sem falar na tristeza dos familiares e amigos que ficaram. E ela deixou muitos amigos, fez  amizades sinceras aqui na Holanda (o que é muito difícil) e eu fico muito feliz por ela. Porque na minha experiência, amizade de verdade é coisa rara...amigos pra ir a festas todo mundo tem aos montes, né? Pois é.

No mais, é sempre assim: sofre mais quem fica. Quem morre, segue em paz...ou assim queremos acreditar. E eu só espero que ela esteja em paz neste momento.

Ontem foi o meu primeiro velório na Holanda (e eu moro aqui há quase 20 anos). E claro, foi muito triste - mas muito comovente também. Músicas especialmente selecionadas pelo marido e pela família dela. Um slideshow com fotos de várias fases de sua vida, etc. E aí bate aquela tristeza enorme ao ver uma mulher ainda tão jovem e cheia de vida e amor pra dar, morrer assim tão subitamente. Mesmo que a gente acredite que nada acontece por acaso, é difícil lidar com a morte. Ninguém está preparado para este momento, que acontece inevitavelmente na vida de cada um de nós. Quando menos esperamos.

E apesar de ela morar também na Holanda, morávamos em partes diferentes do país, uma no norte outra no sul. E cada uma criando o seu filho da melhor maneira possível sem família por perto pra dividir a carga (quem mora fora sabe como é difícil). Enfim, eu não a via com frequência mas era uma pessoa muito sincera e amiga. E tentávamos manter contato, acompanhar um pouco a vida da outra no Facebook por exemplo.

Enfim, ando sem palavras. E muito reflexiva, tentando ver sentido onde não existe...

Chocolates e dieta



Eu estou firme e forte na reeducação alimentar e cada dia tenho descoberto mais produtos interessantes. Um dos maiores segredos de quem faz reeducação alimentar é substituir gradualmente alimentos por alimentos saudáveis e principalmente - por alimentos gostosos! Ou seja, uma dieta saudável não necessariamente se reduz a frutas e saladas. Se você se aprofundar no assunto (como eu ando fazendo, porque sou a eterna estudante e gosto de aprender), você descobrirá que (quase) nada é proibido! A palavra-chave é moderação.

Assim sendo, ando lendo sobre um dos meus ingredientes favoritos: o chocolate! E descobri que é possível sim emagrecer comendo chocolate. E acredite se quiser, pesquisas científicas recentes afirmam que o chocolate amargo ou meio-amargo pode ser consumido em medidas pequenas (cerca de 40g, uma barrinha de chocolate). Mas atenção: trata-se de CHOCOLATE PURO, sem acréscimo de açúcar ou leite. Não estou falando de uma barra de 100g de chocolate ao leite, né? Muito menos chocolate branco, que tem mais leite e açúcar do que cacau...

Dito isso, decidi procurar em lojas de produtos naturais e a quantidade de chocolates disponíveis é inacreditável. Pelo menos aqui em Amsterdam. eu tenho achado chocolate amargo com pedacinhos de laranja, framboesa, amoras, coco e até a famosa goji berry (assunto para outro post, aguardem). Procuro em lojas de produtos naturais porque nos supermercados as opções ainda são limitadas (embora existam). E assim ainda garanto que estarei comprando chocolate orgânico.

Ontem comprei pela primeira vez duas barrinhas (35g) de chocolate OMBAR (veja aqui o site oficial), produzido na Inglaterra. E além de delicioso, a boa notícia é que este chocolate orgânico não contém açucar refinado (e sim açúcar de coco, uma alternativa natural). Uma barrinha de 35g contém 172 calorias. Ou seja, um pouco mais do que um potinho de iogurte Activia sabor figo que eu costumo comer! O preço pode ser caro - em relação a uma barra de chocolate comum - mas os benefícios para a sua saúde são bem maiores. Uma barra de chocolate OMBAR (35g) é a porção ideal pra não "detonar" a dieta e custa o mesmo que um cappucino em qualquer café daqui. Ou seja, se você for pensar assim, nem é tão caro, né?!!

Moral da estória, a reeducação alimentar é um aprendizado. No meu caso, o maior problema sempre foi o açúcar então a primeira medida que tomei foi substituir o açúcar refinado (o conhecido açúcar branco) pela stévia. O chato é que quando você decide tirar o açúcar da dieta, você precisa ler as embalagens de tudo que compra no supermercado. Sem falar que também tirei o aspartame da minha lista de compras! Ou seja, eliminei automaticamente um monte de produtos light tidos como saudáveis mas que contém aspartame!

Felizmente aqui na Holanda (não sei como é no Brasil), começam a aparecer nos supermercados os primeiros iogurtes adoçados com stevia. Um exemplo (fica a dica pra quem mora aqui) é o ARLA Zin!, um iogurte de beber com 0% de gordura. Disponível nos sabores manga, morango e frutas vermelhas, este nunca falta aqui em casa!



G R A T I D Ã O



Muita coisa acontecendo (por dentro e por fora) e eu com esta maldita preguiça que tem me mantido afastada deste blog. Deve ser a idade, ou o fato de eu simplesmente ter desistido de carregar algumas bandeiras e esquentar algumas polêmicas (nem que seja só pra sacudir um pouco os eternos acomodados). Mas hoje resolvi vencer a preguiça e postar algo.

Meus dias tem sido cheios e tenho aprendido a cada novo dia (porque viver é isso). Um dos aprendizados que demorei muito para "internalizar" - se é que esta palavra existe na língua portuguesa - foi que a gente não deve ficar triste pelo que não tem mas agradecer pelo que tem. Não deve reclamar das amizades falsas mas agradecer pelas amizades verdadeiras que cruzam nossos caminhos. Porque de uma coisa eu sempre tive certeza: NADA nesta vida acontece por acaso. Todos temos lições a serem aprendidas, e cada pessoa que cruza nossa vida (as que ficam e as que se vão) tem um papel na nossa história. Nada acontece por acaso.

Eu andei me decepcionando ano passado com alguns amigos falsos e tive mais uma decepção recentemente mas também ganhei uma grande amizade que vale por todos estes que se foram! Porque amigo de verdade, gente que nos ouve e nos entende (mesmo sem entender) sem ir logo criticando e julgando, isso é coisa cada dia mais rara em tempos de redes virtuais...

Eu tenho uma longa jornada, venci muitas batalhas neste país, aprendi muita coisa sofrendo mas felizmente estou bem. Porque digam o que quiserem: eu sou uma sobrevivente! Eu sobrevivi tempestades, furacões e tsunamis. A vida não tem me poupado. Mas todos esses aprendizados (todos mesmo) contribuíram para me transformar na pessoa que sou hoje. E por isso eu agradeço. Por ser uma pessoa melhor que eu era ontem. E por ser uma pessoa mais forte, e certamente mais sábia, do que eu era ontem.

Então este é um post sobre gratidão. Por todos aqueles que me ajudaram no meu caminho e pelos que tem me ajudado hoje. Por todos aqueles que souberam ver a verdadeira Beth em vez de criticar com seus preconceitos e mentes limitadas.

E sabem de uma coisa? Quando a gente pára tudo para agradecer o que a vida nos tem dado de bom, fica mais fácil seguir em frente.




A dieta: questão de hábitos



Tudo na vida é uma questão de hábitos...e com a reeducação alimentar não poderia ser diferente. Eu tenho percebido isso diariamente. E hábito a gente muda gradualmente, as primeiras semanas são as mais difíceis. Para alguns, é (quase) como ser internado em uma clínica de rehab: detox time! Eu mesmo noto isso depois de dois meses...Diga-se de passagem, já perdi 7 kgs...e olha que ainda nem comecei a nadar 2x por semana (shame on me). Mas ontem nadei muito e amanhã vou de novo então começo oficialmente esta semana. Agora vai!

Verdade seja dita, quem quer emagrecer pode esquecer as dietas milagrosas...a única maneira garantida de emagrecer e manter o peso perdido (engordar depois de uma dieta restrita é mais fácil do que se imagina) é mudar os hábitos alimentares! E vamos combinar, não dá para mudar tudo ao mesmo tempo, nem seria "humanamente" possível.

O primeiro passo é fazer uma avaliação básica dos seus hábitos, do que você costuma comer no dia-a-dia. Eu por exemplo cortei sem o menor problema pizzas, frituras (batata frita etc) e batata chips. Não como e não sinto falta! Por outro lado, meu maior problema são os doces: biscoitos, tortas e chocolate. Então imaginem o drama, né? Também desisti do (maldito) Aspartame, que segundo a dietista só dá mais vontade de comer açúcar de verdade (e segundo pesquisas recentes, o danado ainda engorda justamente por isso). Hoje em dia uso stevia no café preto de manhã e evito os iogurtes de beber com adoçantes artificiais (infelizmente ainda maioria no mercado mas a situação começa a melhorar). Porque não adianta usar estevia no café e tomar iogurte com aspartame, né?!!

Então é isso: comece a eliminar o mais fácil e vá substituindo aos poucos por alimentos saudáveis. Pra mim tem dado certo. Tenho comido muita fruta e até aprendi a fazer smoothies saudáveis. E tenho descoberto novos alimentos como a semente de chia, que faz um sucesso danado aqui entre os "healthy freaks" e naturebas (fica uma delícia no iogurte ou no smoothie). Vez ou outro tomo leite de arroz ou leite de soja, só pra variar mesmo. E tenho testado diferentes tipos de iogurte, até porque aqui na Holanda a variedade é enorme!

Iogurte natural com morangos e semente de chia
Claro que tem dia que me dá uma vontade LOUCA de comer um doce ou chocolate. Aí eu tenho duas opções: eu como um pedaço pequeno de chocolate amargo (dica da dietista) ou uma barra de cereal natural light ou... assumo a vontade e como os biscoitos ou sei-lá-que-tentação-doce mas reajusto a dieta no restante do dia. Ou seja, sabe aquela estória de desistir porque, afinal de contas, você já detonou mesmo a dieta? Não faça isso. E não espere o dia seguinte pra corrigir o deslize...corrija logo, na próxima refeição! Eu simplesmente "corto" o jantar e tomo um iogurte magro ou salada pra (tentar) compensar o "estrago". Nem sempre funciona mas é uma grande dica. Dos males o menor...

Outra dica que pode parecer óbvia pra algumas pessoas - mas não é tão fácil quando você é que faz sempre as compras de supermercado - é não levar junk food pra casa! Assim você não enche suas prateleiras de biscoitos e batata frita, nem entope sua geladeira de coca-cola e outras guloseimas. Eu melhorei bastante neste aspecto (às vezes trago uma "coisinha" só mas o resto é tudo saudável hehehe). Mas ainda me engano vez ou outra (menos do que fazia antes) quando decido levar uns biscoitos ou barras de cereal com chocolate "para o meu filho"...semana passada fiz isso e adivinha quem comeu tudo?!! Moral da estória: descobri que enquanto não tiver controle sobre determinados alimentos (leai-se chocolate), é melhor nem levar pra casa. O que os olhos não vêem...

Mas vou parar por aqui porque nem sei se os leitores do blog estão interessados em dietas saudáveis ou reeducação alimentar...É só mesmo pra deixar registrado - nem que seja para mim mesma! E claro, se alguém tiver dicas pra me dar, eu agradeço.

Blue Jasmine, o novo Woody Allen



Assisti recentemente Blue Jasmine do meu querido e neurótico Woody Alleen e admito que gostei muito. Tudo bem que sou fã do diretor há mais de 20 anos mas alguns filmes certamente me marcam mais do que outros. Ainda mais este filme com a atuação maravilhosa de uma das minhas atrizes favoritas: Cate Blanchett (Heaven, Babel, Notes on a Scandal, The Curious Case of Benjamin Button, Elizabeth The Golden Age, entre os meus filmes favoritos). 

Blue Jasmine é em muitos aspectos, um exemplar típico de um dos diretores mais "prolixos" do cinema americano. E o roteiro inevitavelmente me fez lembrar de outro filme dele: Melinda and Melinda. Um título menos conhecido de Woody Alleen mas que certamente vale a pena conferir.

Em Blue Jasmine, acompanhamos a trajetória de glória e decadência de Jasmine, uma bela mulher que abandona os estudos (!) para se casar com um homem rico e maravilhoso - tipo "príncipe dos contos de fadas", bom demais pra ser verdade. Ele oferece a ela uma vida luxuosa e confortável, até o momento em que é preso por sonegar impostos e outros crimes relacionados.

A partir deste momento, a vida que Jasmine conhecia deixa de existir e ela, desorientada e sem dinheiro, resolve bater na porta da irmã, que mora do outro lado do país. Jasmine voa de primeira classe (por mera força do hábito) de Nova York para São Francisco e se hospeda "temporariamente" na casa da irmã Ginger. Na verdade ambas foram adotadas por um casal e, portanto, não são irmãs de sangue no sentido literal da palavra. E suas vidas não podiam ser mais diferentes. A irmã é uma pessoa simples e honesta que trabalha num supermercado e nunca conheceu nenhum luxo na vida, com ótima atuação de Sally Hawkins, a atriz inglesa de Happy-Go-Lucky (que eu comentei aqui). E Jasmine nunca trabalhou na vida, desfrutando de uma vida de socialite em NY.

Claro que a partir daí surgirão conflitos porque ao mesmo tempo que a vida de Jasmine vira de cabeça pra baixo, sua chegada na casa da irmã também irá afetar a vida de Ginger em vários aspectos. É como uma colisão de dois mundos: o mundo privilegiado de uma socialite de NY e o mundo do proletariado, que sobrevive da melhor maneira possível num dia-a-dia cheio de batalhas.

Mas o que eu gostei mesmo no filme foi ver a atuação de Cate Blanchett, num papel clássico de heroína que perde tudo (lembram de Sunset Boulevard?) e é forçada a começar de novo, sem saber nem como ou por onde. É dolorido ver suas tentativas frustradas de se adaptar à nova situação. E incrível imaginar que existem neste mundo mulheres como ela, que colocam literalmente suas vidas nas mãos desses "príncipes". São as famosas "caçadoras de tesouros", em maior ou menor grau. No caso de Jasmine, acredito que tenha sido mais inocência do que qualquer outra coisa. Vivendo e aprendendo!

Enfim, confiram. Diversão (e reflexão) garantida!



Quartier Lointain

Ontem finalmente conseguir assistir um filme que estava na fila de espera há tempos: Quartier Lointain, baseado na estória em quadrinhos (ou manga pra quem entende do assunto) do cartunista japonês Jirō Taniguchi. O nome em inglês é A Distant Neighourhood e a estória em quadrinhos foi escrita em 1998. Tanto os quadrinhos como o filme (2010) foram muito bem recebidos pelo público e pela crítica especializada.

Quartier Lointain conta a estória de Thomas, um cartunista que mora em Paris com sua família (esposa e duas filhas adolescentes) e que, por uma daquelas obras do destino, trem acaba parando, durante uma viagem de trem, na estação da cidadezinha onde cresceu. Da última vez em que esteve lá há 20 anos, ele foi para o enterro de sua mãe. Já que está mesmo na cidade, Thomas decide visitar o túmulo da mãe no cemitério e algo (muito) estranho acontece. Subitamente, ele tem uma espécie de "desmaio" e quando acorda de novo, está de volta à sua adolescência - ou mais especificamente, seus 14 anos. O ano em que seu pai abandonou a família para nunca mais voltar. E depois disso, sua mãe nunca mais conseguiu se reestabelecer e vivia esperando seu retorno (que nunca aconteceu). Alguns anos depois, a mãe morre de tristeza ou cansaço da vida (a "interpretação" fica por conta de quem lê o livro ou assiste o filme).

Uma das grandes tiradas da estória é que Thomas volta à sua adolescência mas com a consciência e conhecimentos de sua vida adulta. Assim, já sabendo o que acontecerá nos anos futuros, ele tenta a todo custo "corrigir" o passado e evitar suas consequências devastadoras. Ele se aproxima do pai e o segue por toda parte, além de tentar convencê-lo a não ir embora. No final das contas, seus esforços são em vão porque o pai decide partir assim mesmo! O que nos faz pensar se é mesmo possível mudar o passado, principalmente quando ele envolve outras pessoas e seus desejos e vontades.

Os quadrinhos são traduzidos na tela de cinema em um clima nostálgico, com decoração e sets típicos dos anos 70 (inclusive os famosos LPs da minha infância e adolescência). Thomas tem a chance de voltar à sua adolescência dos anos 70 numa cidadezinha do interior da França e nós participamos de sua vida diária, na escola, em casa dançando com a mãe e com a irmã caçula, o primeiro amor, os companheiros da adolescência, etc. Enfim, nostalgia pura! Eu recomendo.


Outono/inverno



Todo ano a mesma coisa: chega setembro, as folhas começam a cair das árvores, os dias começam a ficar mais curtos, temos menos horas de sol e mais dias chuvosos. É o fim dos meses de verão, outono chegando e o longo e tenebroso inverno cada vez mais perto...

E eu me sinto totalmente bipolar quando percebo o quanto o clima me afeta emocional e mentalmente. Eu moro na Holanda há quase 20 anos e até hoje tento me acostumar com o inverno. Pra deixar bem claro, não me refiro ao inverno como nas paisagens da Europa Central (Suíça, Alemanha e Itália) e sim o inverno no Norte da Europa (Inglaterra, Irlanda, Holanda e partes da Escandinávia). É o tal clima oceânico, que provoca temporadas de chuva, garoa e muita ventania! Enfim, nada de paisagens brancas cobertas de neve (aqui até neva, mas bem menos do que na Alemanha por ex.) mas ao invés disso, dias cinzentos e chuvosos. E se no verão eu passo mais tempo andando e pedalando pelas ruas, no inverno a tendência é ficar em casa...

Depois de um bom verão com muitos dias de praia (que eu tive a chance de curtir) e pouca chuva, esta semana a previsão é de chuva para a semana inteira (a natureza agradece, a grama aqui está seca há semanas). Quanto a mim, já começo a tomar as medidas necessárias para encarar mais uma mudança de estação. Porque quem mora no Brasil não sabe o que são as quatro estações do ano, nem mesmo na região sul (embora o inverno lá possa ser rigoroso e até tenha neve na Serra Gaúcha). Ainda mais eu que sempre morei no Rio e podia ir à praia praticamente o ano inteiro!

Mas tudo tem dois lados e no outono/inverno a gente pode se ocupar com um monte de coisas legais! Eu mesma percebo que praticamente não leio no verão mas logo que chega setembro eu começo a ler um livro atrás do outro! No inverno então, leio em média um livro por semana. E sim, também é a época do ano para novas temporadas das séries de tv favoritas e de assistir muitos filmes. É a época em que a gente se enrosca debaixo de uma coberta gostosa com uma xícara de chá ou café e um bom livro como companhia.

E é aí que mora o perigo porque eu estou fazendo a reeducação alimentar e agora já percebi que terei de fazer algumas alterações "sutis" na dieta: por exemplo, se chove a semana inteira e não dá pra andar de bicicleta, nadar 2x semana e comer um lanche a menos! Já perdi quase 5 kgs (!) mas o caminho é longo e cheio de tentações...então o negócio é antecipar as dificuldades. Também vou comprar em breve uma corda de pular - podem rir mas li nuns sites que é um ótimo exercício aeróbico, usado por maratonistas e até mesmo lutadores de box para manter a capacidade física!!! Assim posso pular corda em casa mesmo nos dias chuvosos em que não me animo a pegar a bicicleta.

Moral da estória: a gente vai se adaptando, um dia de cada vez!






A dieta: minhas dicas


Minha salada favorita: tomate, mozzarela e manjericão

Então vamos lá, já que estou mesmo motivada (é agora ou nunca), vou dar algumas dicas básicas de quem está a fim de encarar uma dieta.

1. Esqueça dietas! A palavra de ordem é reeducação alimentar. Dieta não resolve o problema, você passa fome por algumas semanas (ou meses), chega ao peso desejado e resolve voltar a comer como antes - resultado, engorda tudo de novo (e mais um pouco). Eu felizmente nunca fui vítima de dietas da moda mas fui dois meses no Weight Watchers aqui na Holanda e pra mim não funcionou! Pra gente organizada que adora fazer contas e listinhas e contar pontos em TODAS as refeições, ótimo. Não é o meu caso, não tenho saco!

2. Reeducação alimentar é pra vida toda (a diferença básica entre reeducação alimentar e dietas "milagrosas"). E ela deve seguir de mãos dadas com algum tipo de atividade física porque só comer direito não basta (mas já é um bom começo).

Knackebrood com cottage cheese, pepino e alfafa

3. No quesito atividade física - eu que não sou nem pretendo virar atleta - só tenho um conselho pra dar: escolha uma atividade (esporte) que te dê prazer e comece aos poucos. Eu infelizmente não curto esportes (sempre odiei academia, sou rata de biblioteca). Mas amo nadar e me agarro à natação com unhas e garras porque é o meu esporte.

4. Pra quem está fora de forma como eu, não adianta se animar e sair fazendo esportes todos os dias da semana feito louco! Vá com calma porque na pior das hipóteses, você pode acabar com uma lesão séria - e eu sei do que estou falando porque tive uma hérnia de disco e ninguém merece (tive até de operar e foram seis meses de descanso obrigatório). É melhor começar 3x por semana. Eu, por exemplo, comecei a nadar 1x semana (acabei de voltar da piscina cheia de energia e cá estou eu conversando com vocês). Além disso, ando de bicicleta 2 x semana (numa velocidade suficiente pra contar como exercício de cardio). Comecei há 3 semanas e é pesado - mas cada semana fica mais fácil. Semana que vem (a quarta semana), pretendo passar a nadar 2x semana. Vamos ver!

5. Ainda no quesito esporte, comece fazendo caminhadas ou andando de bicicleta. Suba escadas em vez de pegar o elevador. Nadar também é um esporte completo, recomendado principalmente pra quem está muito acima do peso (como eu) porque é um esporte de pouco impacto. Melhora a condição física em geral, e a capacidade respiratória em particular (ótima dica para quem sofre de asma ou bronquite, por ex.)

6. Agora vamos à alimentação. Primeira dica: não passe fome. Nunca. Não é preciso passar fome (e é aí que muitas dietas falham). O que é preciso é aprender a escolher o que se come. E, em alguns casos, reaprender a comer (é o meu caso, veja este post). E de preferência, busque a ajuda de uma dietista (nutricionista) nos primeiros meses, até você "pegar o embalo".

Knackebrood com cottage cheese e geléia de morango

6. Importante: faça seis refeições por dia. Isso mesmo: seis refeições, eu disse que não é pra passar fome! Três refeições principais: café da manhã, almoço e jantar. E mais três lanches light (frutas ou salada de frutas, iogurte grego, activia, iogurte de beber, cottage cheese e outras snacks light.)



Nota: O knackebrood das duas fotos acima é um tipo de cracker original da Suécia mas muito popular aqui na Holanda. Não sei se é fácil de encontrar nos supermercados do Brasil mas aqui tem vários tipos. E é uma ótima opção de lanche, em vez de pão. E por falar em pão, mais uma dica: evite pão branco, compre pão integral. Eu já comia pão integral há tempos e mudei para o pão de spelt. Spelt é um grão que substitui o grão de trigo e anda fazendo o maior sucesso por aqui. Dizem as más línguas que é bem mais saudável do que o pão feito com trigo. Eu comprei e gostei!

Começo das aulas: escolas na Holanda



Nesta segunda-feira Liam voltou às aulas, depois de 7 (longas) semanas de férias. Infelizmente este ano não rolou viagem ao Brasil, mas ano que vem rola (se Deus quiser).

Este segundo ano do HAVO promete ser bem mais puxado pois ele terá três matérias novas: física, alemão e economia. Fora o alemão, ele ainda tem aulas de holandês, inglês e espanhol desde o primeiro ano (e tira notas acima da média em idiomas, acho que puxou à mãe hehehe).

Mas deixa eu explicar como funciona o ensino secundário aqui na Holanda...Aqui as escolas são públicas mas o ensino é bastante elitista. Ou seja, as escolas são para todos mas são divididas em três tipos: VMBO (formação técnica profissionalizante), HAVO (formação teórica que prepara para a escola superior (Hoge School), VWO (formação teórica e única que oferece acesso direto à universidade). Pra vocês terem uma idéia, 60 % de todos os estudantes vai para o VMBO.  Os 40 % restantes vão para o HAVO (20%) e VWO (20%). A maioria esmagadora dos filhos de imigrantes vai para o VMBO simplesmente porque o nível de holandês e matemática é baixo demais para os outros níveis. Moral da estória, no HAVO-VWO a maioria dos alunos são holandeses, com uns poucos filhos de imigrantes cujos pais tem alto nível de educação. Quanto mais alto o nível de ensino, mais alunos louros de olhos azuis...eu avisei que o sistema aqui era elitista, né? Pois é.

Complicado mas é assim que as escolas funcionam aqui. Enquanto no Brasil todos cursam o mesmo segundo grau (e quem tem grana garante uma boa escola particular), aqui a trajetória escolar é definida com 12 anos...é possível terminar o HAVO e fazer mais dois anos de VWO (o que é o plano aqui em casa) mas quem faz VMBO raramente consegue ir para o HAVO porque as aulas são de caráter prático e profissionalizante, eles não tem história, geografia e muito menos aulas de física, química e economia!

Apesar deste sistema elitista que literalmente "bloqueia" o acesso de alunos de meios menos privilegiados, ao menos quem consegue ir para o HAVO-VWO recebe uma boa formação. Nas escolas daqui, os alunos aprendem no mínimo quatro idiomas (holandês, inglês e alemão são obrigatórios, as escolas decidem ainda se darão francês ou espanhol). Imagina quanto uma escola dessas custaria no Brasil! Uma amiga me disse que no Rio eu teria de "desembolsar" uns 1000 reais de mensalidade para uma boa escola particular! E eles mal aprendem inglês nas escolas...

Moral da estória, a Holanda mudou muito nos últimos 19 anos desde que cheguei aqui, mas ainda está anos luz na frente do Brasil em termos de educação, por exemplo. O ensino pode ser elitista mas ao menos é público! Contraditório mas enfim...


PS: Esqueci de dizer que o VMBO dura 3 ou 4 anos, o HAVO dura 5 anos e o VWO dura 6 anos...Ou seja, o ensino secundário na Holanda dura de 4 a 6 anos, dependendo do tipo de escola.


A dieta: aspecto emocional



A dieta vai bem, obrigada. E espero que eles estejam certos quando dizem que as primeiras duas semanas (eu diria o primeiro mês) são as mais difíceis. Porque estas primeiras duas semanas foram tranquilas e eu perdi os primeiros 3 kgs (quase 4 kgs). Agora convenhamos, não é uma questão de "fechar a boca" como alguns pensam e sim redescobrir (recriar) sua relação com a comida. Especialmente no meu caso, porque há anos adquiri o hábito de comer para me consolar:  comida = conforto. Nos períodos difíceis da minha vida, como nos dois anos antes de (finalmente) me divorciar mas também recentemente, a comida era o meu maior conforto.

E eu não tenho vergonha de admitir que tenho um problema com comida (sou "viciada" mesmo)...e digo mais, acho que a maioria das pessoas que sofre de excesso de peso (certamente aquelas que estão mais de 10, 20 kgs acima do peso) geralmente tem problemas emocionais. E ao invés de lidar com eles (haja terapia, né?), elas tentam "tapar o sol com a peneira" atacando a geladeira! E sofrem com as consequências.

Para alguns, estar ciente deste aspecto emocional já é meio caminho andado...Aprender a lidar com emoções desconfortáveis sem recorrer a uma torta ou barra de chocolate como consolo. Identificar seus "catalizadores": você come quando está triste? ansioso? ou simplesmente entediado? (sem falar que depressão e distúrbios de comida andam de mãos dadas: algumas mulheres emagrecem, muitas engordam). Então é preciso adestrar seus "monstros" antes que eles façam um estrago ainda maior do que já fizeram. Simples e ao mesmo tempo, difícil pra caramba.

O segundo aspecto essencial pra perder peso é a motivação. Sem motivação de verdade, não adianta nem começar. É aquele momento da sua vida em que você diz: chega, eu não quero mais isso. Eu não quero mais ser esta pessoa. Eu mereço uma vida saudável, melhor qualidade de vida. É hora de cuidar de mim mesma! E não se iludam: esta motivação vem de dentro - e não porque seu namorado ou amiga ou mãe disse que você está gorda. E quando ela finalmente chega, você tem de se agarrar a ela com toda força.

Engraçado é que eu ia escrever um post com dicas rápidas pra quem quer começar uma dieta e acabei falando de outro aspecto - na verdade, muito mais importante. Porque quem conhece esta blogueira sabe que eu não fujo de tabus, eu falo quando muitos calam, eu digo o que muitos pensam mas não tem coragem de dizer...enfim, esta sou eu!

As dicas de dieta (que tem funcionado comigo) ficam para o próximo post!


A dieta





Pois então...depois de quase 5 anos sem fazer dieta de espécie alguma (shame on you), chegou o grande momento. Porque existe um momento em que você decide realmente mudar. Um momento em que diz: chega, cansei de ser gorda. Pois este momento chegou. É agora ou nunca (comigo é assim).

Há cinco anos atrás, eu fui a uma dietista e fiz uma reeducação alimentar (porque acreditem: dieta não funciona e dietas milagrosas não existem). Em quatro meses, emagreci cerca de 12 kgs - sem passar fome e comendo refeições saudáveis - e baixei um tamanho de roupas (de 48 para 46). Bem verdade que era apenas o começo de um longo processo...Consegui manter o novo peso por cerca de um ano e tudo estava dando certo, eu nadando 3x por semana, até que tive uma hérnia de disco. Fui obrigada a ficar de repouso ANTES e DEPOIS da operação, foram meses até a (maldita) dor na coluna realmente "sumir".


Desde então, recuperei todo o peso perdido e ainda ganhei uns 5 kgs na viagem ao Brasil em 2011 (que ainda não perdi porque ganhar peso é fácil, perder é que são elas). Enfim, tem muito trabalho pela frente. A boa notícia é que se eu fiz uma vez e deu certo (e deu mesmo), agora vou fazer de novo e vai dar certo também. Estou praticamente revendo a dieta de 2008, usando um caderno para anotar tudo que como e bebo (ótima dica da dietista para se ter controle do consumo, e não necessariamente de calorias mas de alimentos mesmo).

Semana passada tive a primeira consulta com a nova dietista e agora acabei de voltar da segunda consulta. Os primeiros 2kgs já se foram até porque, pra quem está muito acima do peso como eu (preciso perder uns 30 kgs mas até com 20 kgs hoje em dia eu já fico feliz da vida), os primeiros 5 kgs a gente perde sem muito esforço. É a tal retenção de líquidos, né? Claro que só de pensar em 30kgs a gente surta então dividi em metas menores: primeiro 10kgs, depois mais 10kgs e assim vamos seguindo. Tudo com muita calma, porque não é indicado perder peso muito rápido, 1kg por semana (4 kgs por mês) é ideal. Assim sendo, marquei uma data no meu calendário: meu aniversário em dezembro! Até lá pretendo perder no mínimo 10 kgs, talvez até uns 12kgs se eu entrar numa rotina de atividade física.

Então agora é andar mais de bicicleta (e aqui na Holanda as ciclovias são ótimas então esta desculpa eu não tenho) e o mais importante no quesito atividade física: voltar a nadar! Porque nadar é praticamente o único esporte que eu realmente curto...e eu parei há mais de 2 anos!

Enfim, só pra deixar registrado. Torçam por mim porque a estrada é longa mas eu consigo...um dia de cada vez!


(In)feliz por comparação



Engraçado como as coisas funcionam dentro da cabeça da gente e como alguns hábitos são duros de se mudar! O hábito de comparar a nossa felicidade com a dos outros, por exemplo. Provavelmente um dos piores hábitos que existe. Sabem aquela estória de "a grama do vizinho sempre é mais verde"? Pois é.

Em determinadas fases da vida em que as coisas parecem não querer "desandar" e a gente continua esperando aquela virada de maré, é difícil a gente não se comparar com pessoas que parecem ter tudo "sob controle" (nem que seja apenas superficialmente, o que também acontece). Em alguns aspectos da minha vida - certamente no aspecto profissional - eu fico pensando porque tudo pra mim é tão difícil enquanto outras pessoas estão lá acordando cedo, tomando café e indo trabalhar todo dia sem precisar pensar duas vezes no significado de suas vidas. Eu fico pensando porque algumas pessoas tem mais sorte do que as outras - e claro que determinação e esforço próprio também contam (já estou ouvindo até as vozes de algumas pessoas). Mas a verdade é que a sorte também é um fator que muitos ignoram. Geralmente são os mais jovens e inexperientes, que acham que a vida pode ser 100% construída, o que é uma meia verdade e quem acumulou experiências pela vida afora sabe muito bem disso. Porque é possível sim construir nossos destinos até um certo grau - mas muita coisa independe do nosso controle (e como a vida seria mais fácil se pudessemos controlar tudo que acontece com a gente). São fatores externos pelos quais não temos o menor controle. E quem passou ou passa por isso, sabe exatamente do que estou falando. Sem falar que até os trinta e poucos anos, temos um amplo leque de oportunidades, e com o passar dos anos elas vão se tornando mais escassas. É aquela velha estória: ter filhos e fazer carreira a gente faz lá pelos trinta anos. Depois ainda é possível mas fica bem mais difícil. Já vi por exemplo mulheres que decidiram investir na carreira e acabaram tendo filhos depois dos 40 anos. Ou pior, mulheres que chegaram nesta idade e descobriram que não podiam mais engravidar. Enfim, problema todo mundo tem, né?

Mas vamos ao que interessa. Eu fiz uma descoberta nos últimos tempos. Existem duas maneiras bem distintas de encararmos nossas vidas: a gente pode comparar com quem está melhor e se sentir infeliz (e existe muita gente em situação melhor). Ou pode comparar com quem está pior e se sentir feliz (e existe muita gente em situação pior). Escrevendo assim parece tão óbvio (e para algumas pessoas é mesmo) mas este tem sido um exercício árduo nos últimos tempos. Porque ainda existem pedras no meu caminho. Sem falar que alguns problemas parecem insistir em não ir embora (a gente pode até tentar ignorá-los mas eles sempre voltam). Enfim, a luta continua. O que me faz lembrar de outro velho ditado: o que não me mata, me fortalece. Sim, eu adoro um clichê.

Recentemente tive um grande insight ao assistir um documentário sobre jovens prostitutas nas Filipinas, o tal turismo sexual (provavelmente o maior setor da economia local). No programa, duas estudantes universitárias holandesas foram enviadas para passar uma semana convivendo com jovens prostitutas (muitas delas menores de idade). E isso resultou em cenas comoventes, que me levaram às lágrimas. Porque sim, caros leitores, ainda há muita injustiça por este mundo afora e muita gente não tem mesmo sorte. Claro que se trata de uma "situação extrema" mas por outro lado, este problema é comum em vários países pobres, até mesmo no nosso Brasil com seu tão proclamado "booming econômico". O que me lembra outro documentário que vi na tv holandesa alguns anos atrás sobre prostitutas em Recife, muitas delas jovens de 14 anos (ou menos). Dá vontade de chorar mesmo - e de bater nesses homens que se acham no direito de tratar essas mulheres como uma espécie de boneca inflável, sem sentimentos e vontade própria.

Enfim, depois do documentário nas Filipinas, inevitavelmente comparei a minha vida com a dessas jovens mulheres sem perspectiva de futuro (algumas mães solteiras) e de repente todos os meus problemas se tornaram relativos! Sim, meus problemas ainda existem mas a verdade é que poderia ser muito pior.

Pra encurtar a estória, fiz uma promessa a mim mesma: toda vez que eu estiver triste com algumas circunstâncias da minha vida, eu vou me lembrar dessas meninas. Acho que era isso que eu queria dizer hoje.

25 anos de PIXAR!






Tinha escrito um rascunho mas não tive tempo de aparecer por aqui antes então lá vai. Semana passada finalmente fomos na Amsterdam EXPO conferir a exposição internacional da PIXAR, em homenagem aos 25 anos de existência de um dos melhores estúdios de animação do mundo - o concorrente mais próximo é a DreamWorks (dos maravilhosos Ice Age e Madagascar, aqui em casa somos fãs).

Uma das maiores vantagens de se ter filhos é que quando eles são pequenos temos a desculpa "perfeita" para assistirmos sem culpa muitos desenhos e filmes infantis. E foi assim que me apaixonei numa tarde de inverno por Toy Story (até hoje meu PIXAR favorito). Sem falar que Finding Nemo foi literalmente a primeira vez que Liam foi ao cinema! E que experiência inesquecível ver na telona imagens de peixinhos coloridos nadando num oceano de corais. Melhor estréia nas salas de cinema, (quase) impossível, né?




Os anos se passaram, meu filho hoje tem 13 anos e já não quer mais assistir filmes infantis - embora PIXAR atraia crianças e adultos de todas as idades. Mas ele prometeu assistir comigo em breve Monsters University (eu também amo Monters Inc.) e enquanto isso não acontece, fomos prestigiar a exibição na Amsterdam EXPO.

A exposição é para os fãs de animação em geral, e para os fãs da PIXAR em particular! Ela consiste em sketches originais feitos a lápis ou lápis de cera, artwork em vários estágios de produção, storyboards, imagens digitalizadas, além da exibição de curtas e de um documentário sobre o estúdio, etc. Enfim, ali você pode acompanhar todo o processo de criação de um dos estúdios mais inovadores dos últimos 30 anos!

Pra quem não sabe, a Pixar foi fundada em 1979 (!) pelo diretor de cinema George Lucas, e em 1986 obteve uma injeção de capital da Apple Inc., a famosa empresa fundada por Steve Jobs.  O estúdio cresceu tanto que acabou sendo adquirido em 2006 pela Disney Studio (que decidiu literalmente "comprar" a concorrência).

Entre os muitos sucesso de bilheteria e milhões em vendas de DVDs estão títulos como meu grande favorito Toy Story 1 (o primeiro filme da Pixar e também seu primeiro sucesso), as sequências Toy Story 2 e Toy Sotry 3, Monsters Inc., The Incredibles, Cars, Nemo, Up, Ratatouille (outro favorito), Brave (o único que não vi até hoje), e agora o esperado Monsters University. Enfim, muitos clássicos que fizeram e fazem parte da infância de muita gente.

E o seu favorito, qual é?


Liam na saída da exposição


Duas biografias imperdíveis

Tenho lido bastante, mas confesso que ando com uma preguiça danada de escrever aqui no blog (deve ser o calor...). Mas agora resolvi vencer a preguiça de uma vez por todas e escrever um post sobre dois livros que me impressionaram muito este ano. Eu não costumo ler biografias mas estas duas biografias me marcaram tanto que decidi compartilhar com vocês aqui no blog. São duas estórias distintas, de famílias de origens diferentes em países diferentes mas ambas excepcionais. Cada uma à sua maneira. Acima de tudo, dois belos exemplos de sobrevivência.


A primeira delas é The Glass Castle (traduzido no Brasil como O Castelo de Vidro), da jornalista e escritora americana Jeannette Walls. Um relato bigráfico impressionante que fica na memória do leitor por muito tempo (eu que o diga).

Jeannette é filha de um pai alcóolatra e uma mãe artista, ambos pobres e que vivem em uma miséria inacreditável (de passar fome), principalmente considerando-se que moram nos EUA. Jeannette tem um irmão mais velho e duas irmãs, que praticamente são obrigados a cuidar uns dos outros porque nem o pai nem a mãe tem a menor condição de criar seus filhos. Durante a infância, eles chegam a morar como nômades no deserto, depois mudam várias vezes de cidade e de escola, sendo literamente entregues aos seus próprios destinos. Na verdade, ao ler alguns trechos do livro, o simples fato de terem sobrevivido a criação que receberam é (quase) inacreditável! Um pai alcóolatra e uma mãe negligente (mais preocupada com sua "arte" do que com o que está acontecendo à sua volta), uma vida miserável em que não apenas as crianças iam pra escola sem café da manhã como eram literalmente obrigadas a "catar" algo para levar para o lanche escolar! O resto eu não conto pra não estragar a estória mas que é um relato impressionante, isso é - e muito bem escrito!

Então fiquem avisados: o livro é daqueles em que você ri e chora, alternadamente. Um relato humano e comovente de uma mulher que consegue criar para si uma vida, apesar de seu passado desastroso. Depois de completar seus estudos, Jeannette decide tomar o maior risco de sua vida e se mudar sozinha para Nova Iorque. Lá ela começa a trabalhar na editoria de um pequeno jornal até conseguir estabelecer uma carreira de jornalista (e depois escritora) num jornal prestigioso. Tudo sem ajuda de ninguém e com uma coragem e determinação de dar inveja a muita gente. Enfim, leitura obrigatória!


A segunda biografia, que me impressionou tanto quanto a primeira (mas por motivos muito diferentes) é The Three of Us (não encontrei tradução brasileira), da inglesa Julia Blackburn. Julia é criada por um pai poeta e alcóolatra (talvez a única semelhança entre as duas biografias mas, não obstante, um detalhe importante) e por uma mãe pintora, emocionalmente instável e acima de tudo, ninfomaníaca (sem brincadeira). Julia tem uma criação extremamente liberal, principalmente depois que a mãe se separa do pai e decide alugar quartos para rapazes (!). Aí começam os relatos de como Julia sobrevive no dia-a-dia com uma mãe egocêntrica, instável e sempre em busca de novas aventuras amorosas (em vários momentos tive a impressão de que a adolescente da estória era a mãe). Quando Julia entra na adolescência, sua mãe passa a vê-la como rival, o que cria situações desastrosas (e constrangedoras) para a filha. Anos depois, já mais velha, Julia decide entrar no jogo da mãe e "roubar" seu amante favorito (entre tantos outros), um homem quase 30 anos mais velho do que a própria Julia. Considerando-se a forma como Julia é tratada durante anos pela mãe, este "desfecho" é quase inevitável, digamos assim. Enfim, uma relação mãe-filha muito complexa e destrutiva, da qual Julia consegue se desvencilhar depois de muitos anos - e inúmeras sessões de terapia - mas não sem cicatrizes.

Um dos aspectos mais interessantes da biografia é o pano de fundo histórico, mais especificamente a boemia inglesa dos anos 60, com seu idealismo, o movimento hippie, a famosa (e controvertida) liberação sexual das mulheres ("Women's lib") etc. Nos relatos de Julia, você tem a oportunidade de acompanhar de perto como é crescer nesta década conturbada, no seio de uma família artística e boêmia. Enfim, uma criação nada convencional.

Duas leituras altamente recomendadas para quem gosta de uma biografia bem escrita!


Férias virtuais, onda de calor e praia holandesa!




Quem segue este blog já deve ter percebido que ando sumida...por vários motivos. O principal talvez seja uma grande necessidade de reduzir minha presença virtual - nem tanto no blog (o problema aqui é preguiça mesmo) mas especialmente naquela rede social que todos conhecemos...Eu confesso que sempre tive problemas com aquilo ali, e agora que finalmente entendi as "regras", perdeu mesmo a graça. Vale pra manter contato com amigos e parentes distantes (sem dúvida alguma) e colocar fotos bonitinhas de passeios e lugares interessantes. Mas fica por aí. Muita bobagem, raras discussões interessantes (e não vou dizer inteligentes pra não ser taxada de "metida"como já aconteceu). Sem falar que finalmente aprendi que em algumas discussões não vale a pena entrar porque é puro desperdício de energia! E se bobear, ainda perde-se "amigos" (sim, aconteceu comigo, claro).

No mais, é verão, o sol resolveu aparecer e eu tenho ido à praia - muita praia! Pois é, pra quem não sabia, na Holanda também tem praia!Bem verdade que as águas são pra lá de geladas no Mar do Norte mas eu já me acostumei (quem não tem cão, caça com gato). Acabei de voltar sábado de Haia (onde fica a minha praia holandesa favorita: Kijkduin) e desde domingo as temperaturas aumentaram tanto (para padrões holandeses, qualquer temperatura acima de 25 graus é verão) que ontem o Instituto Meteorológico anunciou uma possível onda de calor, com medidas especiais para idosos e crianças pequenas. Hoje é terça, e desde domingo tem feito acima de 30 graus no sul da Holanda, e cerca de 28 graus em outras regiões.

Então aqui na Holanda a regra é o seguinte: 5 dias com temperaturas acima de 25 graus, sendo que 3 dias acima de 30 graus e o governo e a mídia holandesa anunciam oficialmente: ONDA DE CALOR! Você que mora no Brasil, pode rir agora. A verdade é que onda de calor na Holanda ocorre - com alguma sorte - a cada 3 anos! E claro que com tanto calor eu não sou boba de ficar atrás do computador, né? Ainda mais quando sofremos meses e meses com o inverno holandês!

Deixo abaixo algumas fotos da minha praia holandesa favorita. E dizer que até banho de mar eu tomei nas duas últimas semanas! Agora posso me considerar "oficialmente" holandesa, depois de tomar vários banhos nessas águas geladas do Mar do Norte...mas que é (muito) revigorante, isso é! Sem falar que banho de mar faz bem pro corpo e pra alma, né?

Confesso que o que mais sinto falta de morar no Brasil (fora as comidinhas tá?) é que aqui no norte da Europa (porque no sul da Europa a estória é bem outra) não temos tanta oportunidade de irmos à praia pois na maior parte do ano, as temperaturas simplesmente não permitem. Mas quando permitem, as praias lotam e há kms de engarrafamento nas rodovias. Porque holandês A-DO-RA uma praia. No verão eles viajam em massa para o sul da Europa (Portugal, Espanha e Grécia são os destinos de viagem mais populares) e Turquia. Agora com esta onda de calor na Holanda, quem ficou em casa se deu bem!




Liam tirando um cochilo...

O Brasil visto pelos holandeses



Eu moro há quase 19 anos na Holanda e uma coisa eu não entendi até hoje: a total falta de interesse do holandês pelo Brasil e tudo que se refere a ele! Quando me mudei pra cá, estranhava quando as pessoas nem sequer se interessavam em saber de que país eu vinha. Pior ainda era quando perguntavam, eu dizia que era brasileira e a conversa ficava por aí. Bem diferente da experiência que eu mesma tive com franceses e alemães, por exemplo. Os franceses sempre foram apaixonados pelo Brasil, pela nossa rica cultura e sociedade. Já os alemães são apaixonados pelo Brasil de Jorge Amado e pela nossa cultura exótica. Infelizmente eles também dominam as estatísticas no turismo sexual (seguidos de perto pelos belgas). Os mais cultivados também curtem a música brasileira, o cinema e alguns escritores mais conhecidos.

Mas aqui na Holanda não há - nem nunca houve - nenhum sinal de interesse. E eu acabei me acostumando com isso. Querem um exemplo? Com todas essas manifestações acontecendo em várias capitais brasileiras no momento, não li nada nos jornais daqui. Pelo menos não nas manchetes internacionais...só se fala em Istanbul e Síria (como sempre). E claro, na crise interminável no sul da Europa: Grécia, Espanha e Itália. E na crise do euro em geral e nas reformas sendo feitas. O Brasil só aparece nos jornais quando é notícia ruim, do tipo: incêndio de boate em Santa Maria, desabamentos de terra em Teresópolis, assaltos e mortes violentas de turistas na orla do Rio e por ai vai. Vocês já sacaram, né?

Claro que o Brasil tem (muitos) problemas e por isso esta multidão toda decidiu ir pras ruas do país. Mas a Europa também está vivendo transformações profundas em função de uma crise que já dura 5 anos! Acabou a moleza, fraudes em vários setores tem sido descobertas (e não apenas no imposto de renda, mas também no setor de saúde), etc etc etc.

Então a Europa precisa entender de uma vez por todas (e muitos se recusam a aceitar isso) que hoje vivemos uma nova ordem mundial, com países como China, Índia e Brasil conquistando cada vez mais espaço na arena mundial (e já era tempo). Em termos de crescimento econômico, os índices desses países em pleno desenvolvimento são de matar de inveja muito economista e investidor europeu. E no entanto, a Europa insiste em continuar ditando as regras (junto com os EUA, claro).

O Brasil é hoje um dos principais parceiros comerciais da China. Nós exportamos matéria-prima para alimentar a indústria chinesa, por exemplo. Outra riqueza do Brasil é o gás natural. Enfim, temos riquezas suficientes para enfrentar de cabeça erguida as mudanças na economia mundial. O contrário pode-se dizer dos países europeus. Estagnação em vários setores, quedas na bolsa de valores, economia instável e poucos investimentos internacionais. Além disso, existe o alto desemprego de um lado, e a falta de pessoal qualificado de outro.

A imigração é um problema infindável e por mais rígidas que as leis de imigração tenham se tornado, o problema só cresce a olhos vistos nas principais capitais. Segregação social e racismo aumentam. Discriminação no mercado de trabalho idem (e tenho lido artigos nos jornais holandeses que confirmam isso). Talvez a raiz deste problema (e eu posso estar errada) é o fato de muitos países terem aberto suas portas nos anos 60 e 70 para trabalhadores braçais com baixo nível de escolaridade. Esses trabalhadores trouxeram suas famílias, tiveram filhos e netos aqui (e nem me refiro somente a Holanda porque a situação é idêntica na França ou na Alemanha). Em cidades como Amsterdam eles já compoem metade da população local! Enquanto isso, países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia dificultavam a entrada de imigrantes, dando vistos somente a imigrantes qualificados para o mercado de trabalho. Aí começa o problema - que obviamente é muito complexo.

Moral da estória: vivemos em um mundo em transição, novos países estão tomando o lugar de velhos países na arena mundial. E a Holanda precisa acordar e perceber isso. Prestar mais atenção em outros mercados em vez de ficar olhando para o próprio umbigo e sonhando com o passado glorioso. Está mais do que na hora de buscar exemplos e soluções em terras distantes (o que alguns já estão fazendo).




Meu único "consolo" é que assim como a Holanda não tem interesse no Brasil, o Brasil também não tem lá grande interesse na Holanda! Primeiro porque, por questões históricas, os brasileiros sempre foram mais voltados para os EUA (ou França, Alemanha e Inglaterra na Europa). Então o Brasil pode ser um país desconhecido para a grande maioria dos holandeses mas para os brasileiros a Holanda só representa duas coisas: tulipas e queijos! Ou em se tratando de Amsterdam: maconha e distrito da luz vermelha (uma pena porque esta cidade tem grandes atrativos).

E o mundo segue dando suas voltas...




NOTA: Escrevi este post no domingo, e na segunda-feira finalmente começaram a ser publicadas as primeiras notícias sobre as manifestações de rua no Brasil. Ontem à noite também vi na tv o ocorrido em Brasília (apoio total)...agora o Brasil virou manchete internacional: pelo menos desta vez é por uma boa causa. Avante, Brasil!

Das minhas paixões



Eu sou uma pessoa com várias paixões, e não me refiro apenas ao meu filho e meu namorado. Sempre tive vários interesses e quando gosto de algo, eu vou fundo, me apaixono mesmo - vai ver é porque sou sagitariana dupla! Duas das paixões que tem me acompanhado a vida inteira (e quem lê este blog sabe disso) são os livros e o cinema. Se eu fosse postar aqui cada vez que leio um livro ou assisto um filme, ia postar (quase) todo dia...e infelizmente falta disposição e tempo para tal. Enfim, quem quiser saber mais, é só ler os posts antigos nos marcadores filmes e livros.

Agora parando pra pensar, me dei conta que herdei ambas as paixões da minha mãe (falecida há 14 anos mas sempre presente na minha vida de uma forma ou de outra).  É que minha mãe adorava ler e foi através dela que descobri Clarice Lispector (lá pelos meus 14 anos, achei um livro curioso na prateleira de livros dela chamado Água Viva e foi o início de uma grande paixão por uma escritora que até hoje é minha favorita). Minha mãe também adorava cinema e assistimos juntas muitos clássicos de Hollywood na sessão da tarde. Filmes com Fred Astaire, Ginger Rogers, Audrey Hepburn, Cid Charisse e tantos outros astros, além de Shirley Temple que minha mãe amava. Foi também graças a ela que descobri Ingmar Bergman, o diretor de cinema sueco. Ela me levou aos 13 anos (!) para assistir nada menos que Sonata de Outono e claro, eu saí do cinema com um nó na garganta! Anos depois redescobri Bergman nas mostras do Estação Botafogo no Rio. Bons tempos aqueles.

Fora a paixão pela literatura e pelo cinema de arte, eu ainda tenho outra grande paixão: o scrapbooking e tudo relacionado a papéis e arte em papel. Tanto que tenho até outro blog com algumas das minhas criações: Scraps da Beth Blue. E não se iludam, scrapbooking é mais do que um hobbie: é uma terapia (já ouviram falar em arteterapia?). E quanto mais eu aprendo, mais quero aprender. Atualmente tenho me interessado enormemente por mixed media, uma arte que ainda quero aprender!


Robert Doisneau

Como se não bastasse, sou apaixonada por fotografia (minha mãe era fotógrafa amadora e fazia ótimas fotos) e ilustração. Mais especificamente, fotografia preto-e-branco da década de 40 e 50 e ilustração infantil (adoro folhear livros infantis nas livrarias). Essas duas paixões aparecem repetidamente nos meus boards do Pinterest, como este que acabei de criar esta semana e já se tornou um dos meus favoritos: B & W photography.


Outra grande paixão são as viagens, uma paixão que nos últimos tempos anda meio aposentada por motivos de força maior. Felizmente já viajei muito e sei que ainda irei viajar nesta vida. Conheci lugares maravilhosos que nunca sonhei em conhecer (veja aqui), e nem me refiro à Tunísia, um dos posts mais lidos aqui no blog. Já morei nos EUA (intercâmbio), em Dublin e Edinburgh (a trabalho) e moro há quase 19 anos em Amsterdam, que continua sendo uma das cidades mais charmosas da Europa. Conheço e amo Londres e Paris. Conheço o Reino Unido melhor do que conheço o país onde moro (e amo o Lake District e as Terras Altas da Escócia). Além de Cannes e Monte Carlo, conheci cidadezinhas pitorescas no sul da França (como Menton e Antibes). Conheci a bela Lisboa, Porto e o norte de Portugal, a região verde do Minho. Conheci Munique e passei um dia em Frankfurt visitando o Museu de História Natural cheio de dinossauros porque era a paixão do meu filho na época, rsrs. E conheci e amei Praga, uma cidade mágica! Nas viagens que ainda sonho fazer estão em primeiro lugar Istanbul. Depois provavelmente Viena, Salzburg e Innsbruck (esta última meu filho conheceu ano passado e adorou). Na lista tem ainda Budapeste e Berlim. E Grécia e Itália, dois países que ainda não visitei, por incrível que pareça e considerando-se que até já viajei pra Tunísia. E nem vou falar no sonho de conhecer a Nova Zelândia e visitar uma grande amiga que mora lá...Convenhamos, haja dinheiro né?

 
A bela Praga

Enfim, minha vida é cheia de paixões e são essas paixões que fazem a vida valer a pena. E agora vou confessar: sempre fico admirada quando vejo pessoas sem interesses especiais, sem nenhuma paixão nesta vida. Pessoas que se conformam em levar uma vidinha mais-ou-menos, acordando de manhã pra ir ao trabalho todo dia, depois vão pra casa, jantam, assistem tv e vão dormir! E quanta gente não vive assim? Sinceramente, pra ter uma vida assim eu prefereria morrer...

E você caro leitor, quais são as paixões que fazem a sua vida valer a pena?!!


Ainda irei conhecer: Istanbul


PS. Desnecessário dizer, Facebook NÃO é uma das minhas paixões, rsrsrsrs.

Adolescentes, hoje.




Agora que tenho oficialmente um adolescente em casa, volta e meia me pego tentando comparar a adolescência desses garotos e garotas na Holanda (Europa, EUA, mundo) em pleno séc. XXI com a minha adolescência Brasil anos 80! E como não podia deixar de ser, as diferenças são tão gritantes que me deixam perplexa. Pior mesmo é quando me pego falando "na minha época não tinha isso ou aquilo", por aí vocês já imaginam o drama, né?

Meu filho ultimamente chega da escola e vai direto pro XBOX (que continua na sala, porque eu quero ao menos ter a ilusão de controle). Para os desavisados, o XBOX não é apenas uma console: Liam joga online com gamers de toda parte do mundo, faz download de demos de games proibidos pela mãe (e depois ainda vem contar com a maior cara lavada), surfa a internet, assiste vídeos no YouTube, etc...Como se não bastasse, mês passado o garoto ganhou de aniversário um Samsung Galaxy S3. E agora é um tal de What's App pra cá, Skype pra lá com os amigos da escola (eu tenho que tirar o smart phone das mãos dele antes do garoto ir dormir). E claro, mais YouTube e mais games porque a resolução de tela do tal Samsung é de deixar qualquer adolescente (e adulto) boquiaberto!

Moral da estória, esta nova geração quando não está jogando games no PlayStation ou no Xbox, está digitando ou falando no smartphone! Uma geração que já nasceu no meio destes avanços tecnológicos, que nunca viu uma vitrola, walkman SONY (de fitas, que eu amava) nem nunca viu um orelhão! Uma geração inteira que não pode sequer imaginar como é que seus pais sobreviveram sem celular num passado nem tão remoto assim...

Pois na minha adolescência nem DVD-player existia e meus pais demoraram muito pra comprar um vídeo-cassete (grande emoção quando chegou lá em casa e podíamos ver os filmes do cinema no conforto do nosso sofá). Obviamente não existiam games como os de hoje (eu tive um ATARI, quer coisa mais vintage?!!), muito menos celulares (ou melhor ainda: smart phones). A gente quando queria falar com o amigo ia visitar e tocava na campainha mesmo (pra quem morava perto) ou ligava pro telefone de casa. Se o amigo não estivesse em casa, a mãe, pai ou empregada dava o recado (ou não). Porque ainda não existia secretária eletrônica (nem voice mail).

Então confesso que sempre fico perplexa ao observar a vida dos adolescentes de hoje. E olha que sempre fui usuária ativa na internet, desde Orkut até Facebook, Twitter, Tumblr, Pinterest, blog há quase 7 anos, etc. Enfim, não sou daquelas mães lerdas. E posso estar errada mas esta tecnologia toda é uma faca de dois gumes: é muito legal e ao mesmo tempo ruim! E como tudo na vida, é preciso moderação. E um mínimo de bom senso para não deixar que estas ferramentas dominem totalmente nossas vidas. Se para nós adultos isso já é difícil, imaginem para os adolescentes!

Claro que toda esta tecnologia também tem suas óbvias vantagens. A maior delas talvez seja a possibilidade de estar em contato com todos em qualquer parte do mundo e a qualquer momento (24/7). O que por outro lado, também pode ser uma desvantagem em alguns dias (tem dia que eu deixo meu iPhone no still mode direto). Outra vantagem é o acesso imediato a inúmeras fontes de informação. O que também pode ser uma desvantagem caso o adolescente em questão não tenha o mínimo de capacidade crítica pra distinguir a fonte confiável entre tantas outras! No dever de casa e em pesquisas escolares por exemplo, os adolescentes de hoje usam e abusam do Google. No meu tempo a gente tinha mesmo era de pesquisar em muitos livros (e os trabalhos eram batidos à màquina pela minha mãe porque obviamente não existiam computadores). E claro que os professores também mudaram para se adaptar aos novos tempos. Dependendo da escola - acredito que na maioria seja assim- pesquisa ou trabalho em que aparece um parágrafo inteiro copiado da net (cut & paste) é nota ZERO. E eu dou toda a razão para o professor que faz isso, viu?

Sem falar na eterna discussão sobre a influência da internet e dos games em crianças e jovens e sua possível relação com a epidemia de ADHD (Attention Deficit Hiperactive Disorder), no Brasil chamado de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Na minha singela opinião, acho que hoje as crianças recebem um excesso de estímulos de todas as partes desde muito cedo...E posso até parecer conservadora, mas desconfio que isso tenha sim a ver com o aumento de diagnósticos e de medicação. Nosso cérebro nem sempre está preparado para tamanho input. E algumas crianças realmente tem maior sensibilidade a estímulos. Enfim, acredito que nem todas as crianças e adolescentes sejam afetadas da mesma forma.

Moral da estória, o negócio é ficar de olho, definir limites e tentar orientar nossos adolescentes da melhor maneira possível neste mundo high tech em que vivemos! Ninguém disse que iria ser fácil...