segunda-feira, dezembro 28, 2009

Meme: 2009 passado a limpo

O que você fez em 2009 que nunca tinha feito antes?
Dei uma virada profissional e comecei um estágio numa área totalmente nova. Nunca é tarde para mudar.

Você manteve as resoluções de Ano Novo de 2009 e fará novas para 2010?
Não acredito em resoluções de ano novo, nem sou disciplinada o bastante para mantê-las. A única resolução que faria é cuidar melhor de mim mesma...e talvez aprender a dizer não!

Que lugares você visitou?
Lugar nenhum! Este ano só transitei entre a minha casa em Amsterdã e a casa do namorado em Haia. Em abril teve ainda uma curta estadia no hospital pra uma operação de hérnia de disco...Enfim, espero que ano que vem seja melhor neste aspecto. Porque pelo amor de Deus, né?

O que você gostaria de ter em 2010 que faltou em 2009?
Dinheiro pra viajar, oras bolas.

Que data de 2009 vai ficar marcada em sua lembrança?
Tive muitos bons momentos mas nenhuma data especial (talvez 23 de junho). No mais, estou cada dia mais convencida de que a felicidade é feita de pequenos momentos. E provavelmente é mesmo.

Qual sua maior realização no ano?
Conseguir pagar minhas contas em dia (porque 2008 foi um drama nesse aspecto).

Qual foi o seu maior fracasso?
A dieta dos Vigilantes do Peso. Descobri que simplesmente odeio contar pontos!!! Este negócio de anotar tudo que se come e no final do dia somar todos os pontos não funciona comigo. Mas tento adotar os princípios básicos da dieta e até sou capaz de recomendá-la aos mais disciplinados. Pra mim ainda não foi a resposta. Mas a reeducação alimentar continua, claro.

Você teve alguma doença?
Infelizmente sim...fui operada pela primeira vez na minha vida, de uma hérnia de disco que surgiu praticamente do nada. Logo eu que nunca tive problemas na coluna, nem durante a gravidez. Chuta que é macumba!

Qual foi a melhor coisa que você comprou?
Provavelmente livros, não vivo mesmo sem eles...mas ganhei uma impressora Canon para imprimir fotos que adorei! Ideal para meus projetos de scrapbooking.

Para onde foi a maior parte do seu dinheiro?
Pra pagar as contas, infelizmente...o que sobrou foi gasto em livros, DVDs e coisinhas pra casa. E material de scrapbooking, minha grande paixão nos últimos tempos.

O que te deixou realmente feliz?

Meu namorado...que faz o possível e o impossível pra tornar minha vida mais agrádavel (e geralmente sucede).

Que canções sempre vão te lembrar de 2009?
Madame Butterfly, minha primeira ópera.

O que você queria ter feito mais?
Viajado.

O que você queria ter feito menos?
Comido...comi bem demais este ano, rsrsrs.

Como vai passar o reveillon?
Provavelmente em casa, com meu filho e meu namorado.

Você se apaixonou em 2009?
Não. Mas aprendi a amar de novo o que, convenhamos, é muito melhor!

Qual foi seu programa de TV favorito?
Por incrível que pareça, descobri a série Friends através do F. e fiquei viciada. A série pode ser antiga mas é ideal para aqueles dias de baixo astral em que a gente não sabe o que fazer da vida. Eu recomendo!

Você odeia alguém hoje que não odiava há um ano?
Não odeio ninguém...e acho perda total de tempo e energia.

Qual foi o melhor livro que você leu em 2009?
Provavelmente um dos 4 livros do Murakami que li este ano. Hummm, difícil escolha. Norwegian Wood?

Qual foi o melhor filme que você assistiu em 2009?
Difícil escolher um só...mas curti muito Into the Wild, Revolutionary Road e Whatever Works.

O que você quis e conseguiu?
Um pouco de paz de espírito. Eu ainda chego lá.

O que você quis e não conseguiu?
Emagrecer...

O que você fez no seu aniversário?
Fui jantar fora com meu namorado e meu filho (e sim, isto está ficando repetitivo).

O que teria feito o seu ano infinitamente melhor?
Uma viagenzinha qualquer...tipo Londres ou Paris. Até Bruxelas e Brugges teria sido legal. Mas a grana não deu...

O que manteve a sua sanidade?
Meus surtos criativos: scrapbooking e blog - dois canais de expressão que vem se tornando insubstituíveis na minha vida. Posso dizer que a criatividade é o que tem me mantido sã nesses últimos tempos.

De quem sentiu falta?
De uma certa amiga que não vejo há tempos.

Quem foi a pessoa mais legal que você conheceu?
Meus novos colegas de trabalho. Muita gente bacana!

Uma lição valorosa que aprendeu em 2009
Nunca é tarde para começar de novo. Em outras palavras: nunca desista de ser feliz.

Natal diferente

Meu natal não podia ter sido mais diferente. Em outras palavras, um natal sem cara de natal. Natal sem ceia. Natal sem peru. Natal sem presentes de natal. Ao menos teve árvore de natal (a da foto), que fiz mais para meu filho do que pra mim, exatamente como a minha mãe fazia todo santo ano. Este ano decidi comprar uma árvorezinha pequena com neve, acabei me empolgando e comprei vários enfeites novos, como as bolas vermelhas com bolinhas brancas (polka dots), além de enfeites de donuts e cupcakes de dar água na boca (ao menos estes não engordam, hehehe). E confesso que fiquei muito satisfeita com o resultado. Só não podia imaginar que teríamos tanta neve lá fora. Nunca vi nevar tanto nos meus 15 anos de Holanda! Ou seja, eu posso não ter tido ceia de natal mas fui presenteada com um belíssimo natal branco...

Enfim, não teve ceia tradicional nem presentes de Papai Noel - porque já ganho presentes o ano inteiro e namorado tem horror à essa data comercial em que o natal se transformou - mas passei muito bem, obrigada. Porque natal é amor e confraternização e eu passei junto de quem me ama. Só faltou mesmo meu filho, que foi pra Inglaterra curtir o natal em família - com direito à ceia com peru de natal e muuuuuitos presentes debaixo da árvore porque criança precisa dessas coisas! E eu fico feliz que ele tenha esta oportunidade, tanto que vai todo ano pra lá com o pai.

Em vez da ceia em família, eu e F. comemos sushi no dia 24. E saboreamos uma deliciosa ceia indiana no dia 25. De resto, curtimos o frio em casa, debaixo das cobertas. F. fez uma seleção especial de natal, entre eles Mickey´s Christmas Carol e A Charlie Brown Christmas, que me deixaram com nostalgia da infância - tem coisa melhor do que ser criança? E teve ainda o natal (politicamente incorreto) de South Park, além de vários episódios de natal de Friends e That 70´s show (série que descobri recentemente no canal Comedy Central daqui). E F. aproveitou pra me apresentar ainda algumas de suas séries americanas favoritas, também em clima de natal: The Wonder Years, Frasier e Cheers. Enfim, acho que só faltou mesmo o natal dos Simpsons. Some-se a isso alguns filmes - a começar pelo clássico de natal It´s a Wonderful Life - e a diversão está garantida! Vimos também The Devil Wears Prada que eu não havia assistido por pura implicância (a atuação da Meryl Streep por si só já vale o filme). E teve Taking Woodstock que eu queria ver há tempos mas que não chegou a impressionar muito. O filme é bom, mas Ang Lee já fez (bem) melhor.

Enfim, um natal sem cara de natal mas um natal feliz! Exatamente como espero que seja o ano que se aproxima.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Neve, a beleza e o caos




Aqui está nevando um bocado há dias, não só na Holanda como em grande parte da Europa. Belíssimas paisagens de inverno e as crianças, claro, se divertindo horrores em plenas férias de natal...A má notícia é que a neve tem causado enormes distúrbios nos transportes ferroviários e estradas em geral. A Eurostar está nas manchetes do momento em todos os jornais e canais de tv, hoje é o terceiro dia consecutivo em que TODOS os serviços foram cancelados e muitos passageiros ficaram presos de um lado ou do outro do Channel Tunnel. Pra quem não sabe, a Eurostar transporta milhões de passageiros nesta época do ano no trajeto Paris-Bruxelas-Londres. E os terminais de Londres e Paris estão abarrotados de passageiros desesperados pra voltar pra casa ou para reunir-se aos familiares. Caos total.

Meu filho é um desses passageiros que deveria embarcar hoje com o pai pra Inglaterra...dos males o menor, ao menos ele está em casa pois famílias inteiras foram obrigadas a passar a noite nas estações de trem!!! Mas continuamos sem saber se eles irão conseguir chegar a tempo pro natal...Sexta-feira nada menos do que 5 trens Eurostar enguiçaram dentro do túnel e só hoje eles estão testando novos mecanismos pra ver se os trens podem voltar à operação...Em suma: caos total nos transportes ferroviários! Sem falar que nas estradas a coisa também está preta, além de atrasos em vôos em alguns aeroportos (inclusive o Schiphol daqui). Mas eu estou parecendo a própria weather girl...Neve, beleza e caos. Porque convenhamos, a paisagem na neve é de uma grande beleza mas pelo amor de Deus...

Como se não bastasse, estou desde sexta de môlho em casa com gripe - só espero que não seja a suína porque os sintomas das duas são idênticos. Por causa da maldita gripe, meu namorado acabou não vindo este fim-de-semana, sem falar que devido aos problemas com o esquema de trens por causa da neve foi melhor mesmo ele ter ficado em casa desta vez!

Balanço do fim-de-semana: muita neve, frio de doer osso e eu sozinha em casa com esta gripe. Aproveito pra descansar muito e beber muita água e muito chá. Felizmente tenho meus filmes e livros como companhia. E aproveitei que estou ilhada pra ficar babando com as fotos do flickr. EYE CANDY! Segue uma seleção pessoal em clima de natal.

Eye Candy

Pra compensar o caos do fim-de-semana, resolvi buscar inspiração em um dos meus sites favoritos: flickr. Aqui estão algumas fotos em clima de natal selecionadas especialmente para vocês. Aproveito a oportunidade para desejar a todos um feliz natal e um 2010 mais feliz ainda!!!



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Para quem gosta de biscoitos caseiros:





Para quem gosta de decorações originais:





Para os chocólatras entre nós:




terça-feira, dezembro 15, 2009

Me, Myself and I.





* eu sou afetuosa, adoro abraços quentes e apertados. principalmente nos dias frios. se for debaixo das cobertas, melhor ainda. não confundir com pegajosa, que é bem outra estória. aaaaaargh...


* eu sou sincera, não sei fingir meus sentimentos. nem fazer cara de paisagem. se gosto de você, você perceberá. se não gosto, perceberá também. e sim, eu odeio gente falsa.

* eu sou falante, converso com qualquer pessoa em qualquer lugar, e ainda por cima falo alto. enfim, não sou discreta. o que aqui na Holanda, é um problema!


* eu sou cricri. se eu cismar que não vou com sua cara, eu não vou com sua cara e ponto final. mas na maioria das vezes eu acerto...e dizem que a primeira impressão é a que conta.


* eu sou ciumenta, mas pelo menos admito. pior mesmo é ciumento que é ciumento e jura de pés juntos que não é. me poupe, né!


* eu sou insegura, mas gostaria muito de não ser. gostaria de aceitar a mim mesma, exatamente como eu sou. tenho tentado mas nem sempre consigo. ainda por cima sou perfeccionista.

* eu choro sozinha ou acompanhada. eu choro em sessão de cinema. eu choro lendo um livro. choro de tristeza e choro de felicidade. Em suma, sou chorona. manteiga derretida mesmo.


* eu sou teimosa, e muito. pergunte ao F., que aliás é mais teimoso do que eu.


* eu sou muito ansiosa. tenho crises de insônia, mas felizmente nunca tive um ataque de pânico nesta vida (mas conheço quem já teve).


* eu sou gastadeira. tem dinheiro no bolso, eu gasto meeeeeesmo! especialmente em livros e DVDs de meus filmes favoritos. também gosto de comprar revistas, material de scrapbooking e comida...mas também sou generosa e adoro dar presentes.


* eu sou preguiçosa. eu adoro comer e dormir. eu adoro não fazer nada (e sei fazer nada muito bem, obrigada). qualquer semelhança com Garfield não é mera coincidência.


* eu sou sensível...muito sensível. sensível até demais. o que é bom e ruim. pensando bem, é ruim pra cacete!


* eu sou péssima pra 'delegar tarefas'. simplesmente não sei delegar. e preciso urgentemente aprender a dizer não. maldita mania de querer agradar todo mundo o tempo todo...


* eu sofro de depressão clínica e já fiz muita terapia por esta vida afora. tenho uma mente inquieta desde pequena mas tenho sobrevivido (com terapia e medicamento). tenho meus dias bons e meus dias ruins. como todo mundo, diga-se de passagem.


* eu não me encaixo nos estereótipos esposa-mãe de família. simplesmente odeio tarefas domésticas, não nasci pra ser Amélia. nem tampouco tenho pretensões de ser uma super-mãe (mas vez ou outra me sinto culpada). casei, tive filho, me separei. e jurei pra mim mesma que nunca faria isso de novo. não mesmo. ser mãe é muito bom mas filho também dá trabalho, muito trabalho.


* com o passar dos anos tenho aprendido a valorizar as pessoas que me dão valor. o resto, a gente deixa pra lá. em suma, eu gosto de quem gosta de mim. pra quê complicar mais a vida?





PS. Achei este texto num blog (não sei mais onde), copiei a idéia principal, adaptando o resto ao meu gosto. Em suma, do jeito que eu gosto.

domingo, dezembro 13, 2009

Múltipla escolha:

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Retrospectiva 2009

Mais um ano chegando ao fim...e eu venho pensando muito em tudo que aconteceu de bom e de ruim em 2009. A verdade é que os últimos anos tem sido anos de grandes mudanças na minha vida (a começar pelo divórcio). Anos em que estou aprendendo a largar de lado o passado e deixá-lo onde ele deveria estar: no passado. Hora de sacodir a poeira e seguir em frente, sem medo de ser feliz! Nem sempre tem sido fácil, alguns dias ainda sou tomada por uma tristeza infinita e uma vontade de voltar lá atrás e mudar algumas escolhas. Mas logo depois penso: são estas escolhas e erros do passado que fizeram de mim a pessoa que sou hoje. Então tento me convencer de que a gente sempre faz escolhas com base no que sabemos naquele dado momento. E que essas escolhas sempre são adequados para o momento em questão (mais tarde a gente pode até mudar de idéia). Parece simples mas não é...De resto, todo mundo comete erros, o importante é o que a gente aprende com deles...Desconfio que o primeiro passo seja aprender a perdoar a si mesmo - no meu caso, um processo bastante lento. O resto vem depois.

No final das contas, já posso dizer que 2009 foi um ano bom. E se teve um lado ruim, certamente foi por conta dos problemas de saúde (com operação em abril e um longo período de recuperação). No mais, foi um ano em que as coisas começaram a entrar nos eixos e eu consegui retomar - pouco a pouco e um dia de cada vez - o controle da minha vida. Ainda há um longo caminho a ser trilhado, ainda há muitas coisas a serem alcançadas mas sinto que estou na direção certa e isso é o que conta!

No aspecto profissional, foi o ano da virada, um ano de novos começos e novos desafios. Em plena recessão mundial (e nem a Holanda escapou), fui obrigada a deixar as traduções de lado e consegui um estágio em uma área que nunca tinha trabalhado antes mas que tenho gostado cada vez mais. Trabalhar com imigrantes aqui na Holanda (no meu caso como assistente em sala de aula) é muito interessante e tenho aprendido mais a cada dia que passa. E pressinto que nos próximos anos eu vá entrar cada vez mais neste setor de assistência social e serviços comunitários. Não especificamente em sala de aula (como tenho feito neste estágio) mas em diversos projetos na comunidade. Trabalho é o que não falta neste setor aqui na Holanda, onde há muitas fundações e instituições interculturais.

No aspecto emocional, foi um ano de mais certezas do que dúvidas, de mais tranquilidade do que ansiedade, de mais momentos bons do que ruins. Foi um ano em que a PAIXÃO deu lugar pro AMOR e isso é muito bom. Porque o amor pode não ser tudo nesta vida mas sem dúvida é uma das coisas mais importantes...Enfim, mais um ano prestes a acabar e eu cansada, mas feliz. Que venha 2010!


quinta-feira, dezembro 10, 2009

E os dezembros, que fazem de nós?

Para que serve um ano? Senão para acrescentar um ano a mais? Ou para dizermos, quando chega dezembro, que este passou mais rápido que o outro. Qual outro? Foram tantos.

De quê serve um ano, se não para as crianças avançarem para dentro da realidade? Em passos lentos no começo, como se a infância fosse um pântano espesso e pegajoso, que as amarra pela cintura e, por mais que caminhem, papai noel teima em existir. Depois, quando vão se desprendendo do visgo, os passos são mais rápidos, e elas caminham mais a cada ano. Até que serão céticas, e um céu laranja não mais espanta. Então dirão, sem susto, que o ano passou depressa.

Para que servem doze meses? Se em um dia tudo pode acontecer? Se a vida pode mudar sem promessas, sem planos, sem sete ondas? Em plena quarta-feira. Uma quarta-feira é como um julho. Está no meio, e nem ao menos tem o atenuante das férias. Uma quarta-feira é onde a semana nos prende, e nos mantém distantes da praia virgem da segunda, e do porto alegre da sexta. Quartas-feiras nos afogam. Julhos nos redimem. E os dezembros, que fazem de nós?

Nos lançam na esperança de que janeiro será melhor. Um recomeço. A crise vem, mas estaremos descansados. Prontos para o que der e fevereiro. O carnaval, saudoso dos tempos irresponsáveis do recesso coletivo. O carnaval-revival das festas em família e dos votos de prosperidade. O último respiro antes do mergulho nas águas de março e de cotidiano.

De que vale o fim do ano? Serve para fazer balanço de vida e ficar feliz? Feliz porque se tudo está bom, congratulações. E se tudo está ruim, teremos logo um janeiro por perto, cheio de mudanças e novos rumos. Janeiro é mês de toma-jeito. Pau que nasce torto, em janeiro se endireita.

Será? O que pode um mês? Agosto pode pouco. Tem muito vento, é indeciso, tem dia 13. Setembro fez nascer meu amor. Depois um outro, uma rosa. Julho me fez inteiro. Me deu vida, me deu filha. Me fez leão. Dane-se a gramática, cada um que invente o calendário.

Meu ano começa hoje. Hoje que você me lê. Hoje que uma ponte de silêncio se fez entre a minha solidão e a sua. É triste? Não é. Seremos sós. Seremos nós mesmos, sozinhos. Ninguém vive senão nós. É triste? Não pode. Ser triste é inventar mal a vida.

Aproveitemos dezembro, aproveitemos hoje, para inventarmos tudo. Janeiro é se a gente quiser. Janeiro é todo dia. Janeiro já passou. Janeiro é a surpresa. Janeiro – assim como a infância – volta. É para isso que serve o ano.




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PS. Texto original de André Laurentino, do blog Caderno de Vidro. Porque afinal é dezembro e eu adoraria ter escrito essas palavras...Dezembro é hora de fazer revisão de mais um ano. De somar e subtrair cuidadosamente ganhos e perdas, alegrias e tristezas. De redefinir prioridades e de agradecer as benções recebidas. E acima de tudo, hora de torcer que o próximo ano traga ainda mais benções para nossas vidas. Amém!

segunda-feira, dezembro 07, 2009

She Loves You, yeah yeah yeah...


Ontem finalmente assisti com F. Across the Universe, filme que há tempos queria conferir. Na verdade, dei o DVD de presente pro F. porque ele ama os Beatles então achei que seria um presente legal. E acertei em cheio: ele cantou junto com todas as músicas, do início ao fim do filme! Em suma, um filme altamente recomendado pra os fãs da banda inglesa. E também pra quem gosta de um bom filme musical.

O filme dividiu os críticos porque em vez contar uma estória usando um roteiro tradicional, Across the Universe não conta estória nenhuma e sim reúne imagens e músicas dos Beatles sob o pano de fundo dos conturbados anos 70 (contracultura, Guerra do Vietnã, luta pelos direitos civis, etc). Diga-se de passagem, um período fascinante (eu admito que gostaria de ter vivido nesta época) e já muitas vezes retratado no cinema - inclusive no recente Taking Woodstock de Ang Lee, que preciso assistir urgentemente! Só que em Across the Universe o personagem principal são as músicas propriamente ditas - o período é apenas o pano de fundo. O resultado é uma explosão visual de cores e imagens psicodélicas que em alguns momentos me fez lembrar Moulin Rouge, em outros o clássico Hair e em outros ainda Trainspotting... (na singela opinião de uma adoradora da sétima arte).

Enfim, uma aventura visual fascinante. E acima de tudo, uma bela homenagem à obra de uma das maiores bandas do planeta. Confiram!

terça-feira, dezembro 01, 2009

Inspiração para os dias de inverno

Tenho uma lista de desejos na Amazon.co.uk e aos poucos tenho conseguido comprar os livros que tanto me trazem inspiração nos últimos tempos. De dois anos pra cá, não apenas me aprofundei no scrapbooking (embora ainda tenha muito a aprender) como minha criatividade tem aumentado a cada dia. Só não sou mais criativa por falta de tempo, modéstia à parte! Minha preferência tem ido para os mini-albuns, além dos belos journals (diários onde você pode colar ilustrações e fotos, fazer anotações e tudo o mais que sua imaginação permitir).

Ontem à noite, por exemplo, sentei na mesa da cozinha e em duas horas transformei um livrinho de cartolina comum daqueles que você compra nessas dollar shop por um dólar - no meu caso, um livrinho do Gato de Botas com ilustrações horrorosas pedindo para ser alterado - neste livrinho das fotos aqui embaixo. As ilustrações eu roubei da Flow, uma de minhas revistas favoritas aqui da Holanda (e que por si só já tem sido uma enorme fonte de inspiração). E o resultado: my very own book! A idéia para este projeto eu tirei do livro Decorative Journals, título que recomendo a todas scrappers de plantão, principalmente aquelas que se interessam por altered art, como eu.





sexta-feira, novembro 27, 2009

Um brinde aos bons e velhos amigos

Se tem coisa melhor do que fazer novas amizades é manter as antigas. Apesar do tempo e da distância, apesar da correria absurda que é a nossa vida moderna. Esta semana um amigo de quem guardo lembranças muito especiais reapareceu na minha vida através de um e-mail na minha caixa de correio. Um simples e-mail foi o suficiente pra confimar novamente o que eu sempre soube. Amizade de verdade é encontro de almas. É sentimento que a gente não explica (e desde quando sentimento se explica?). Amizade assim supera o tempo e a distância. Nós nos conhecemos nos tempos em que eu ainda fazia faculdade e ele se mudou de Juiz de Fora para o Rio. A gente passava horas conversando nos bares e botecos, bebia muitas cervejas (e às vezes sangria). A gente brigava e depois fazia as pazes. Entre muitas aventuras e desventuras, viajamos juntos pra Ouro Preto, que continua sendo uma das minhas cidades brasileiras favoritas. E ele veio me visitar aqui em Amsterdã, bem verdade que há mais de 10 anos então está na hora de me visitar de novo.

E eu digo e repito: amizades assim fazem a vida valer a pena, ainda mais quando se mora no exterior. Eu moro fora há mais de 15 anos e meus amigos do Brasil continuam sendo meus amigos. Alguns também saíram do país, uns saíram e voltaram, uns casaram, outros separaram, uns tiveram filhos. Enfim, life happens. E sim, muita gente passou na minha vida nesses anos todos, mas os amigos que eram amigos de verdade continuam sendo amigos hoje. E isso é um grande consolo em tempos de redes virtuais, twitter e o escambau.

O resto é conversa furada.

Feirão de livros

E ontem começou o Boekenfestijn, evento anual aqui no Centro de Convenções RAI. Um dia de sonhos para ratas de livraria como eu. Ainda mais porque não pude ir nos dois últimos anos, então me esbaldei com a quantidade de títulos à venda. Livros para todos os gostos, desde livros infantis, até romances em holandês e inglês, livros sobre arte, cinema, culinária, guias de viagem, como criar animais de estimação, etc etc etc. Tudo com descontos de 50% ou mais!!! Ou seja, não dá pra não ficar contente!

Como há três anos atrás, fui com a Anna, que além de blogueira também é rata de livraria como eu. Só sei que a tarde passou rápido e lá se foram 4 horas perambulando pelos estandes de livros. Saí com 10 livros e mais algum material de scrapbooking como fibras e papel para cartões, que eu nem esperava encontrar por lá. 5 livros para mim, 3 livros pro meu filho - um atlas infantil com muitas fotos e imagens, um dicionário de holandês especial para alunos de 7a e 8a série e um livro belíssimo sobre uma expedição à Floresta Amazônica (que ele ainda vai conhecer com o pai, podem ter certeza disso). Trouxe ainda 1 livro pro namorido e 1 livro pro ex-marido porque daqui a pouco é natal, hehehe. Em suma, valeu muito a pena. Ano que vem quero ir de novo!

terça-feira, novembro 24, 2009

O bom e velho Woody Allen




Fim-de-semana passado consegui assistir ao novo filme do Woody Allen. O filme pode não ser um daqueles clássicos indispensáveis - e não é mesmo - mas é muito bom e eu dei muitas risadas (Cinema é a Maior Diversão). O roteiro contém tudo (ou quase tudo) que caracteriza uma obra de Woody Allen. Ou seja: tudo aquilo que seus fãs apreciam e continuam apreciando ao longo de décadas.

Mas é claro, vai ter sempre aquele crítico de cinema (um frustrado que não conseguiu se tornar cineasta e teve de se conformar em escrever sobre os filmes dos outros) que vai dizer que o filme é fraco, que o roteiro não chega a lugar nenhum, que o filme está mais pra sitcom do que pra cinema propriamente dito. Li ontem mesmo uma crítica assim. Felizmente nunca dei muita bola pra críticos de cinema...

Whatever Works é um filme típico do diretor, então não digam que não avisei. O protagonista é uma caricatura de intelectual misantropo, neurótico e claro, hipocondríaco. Em suma, um daqueles personagens que Woody Allen sabe criar como ninguém. E também o alterego do diretor, como fica óbvio logo nos primeiros diálogos.

Acima de tudo, um personagem que sofre mas que também sabe rir da sua própria dor. Um personagem que intercala tiradas típicas de um intelectual pessimista (e judeu, rsrsrsrs) com tiradas hilárias ao estilo sitcom (como o crítico frustrado fez questão de apontar).

Ah sim...e a mensagem no final do filme é muito, mas muito, verdadeira. Whatever works. Confiram vocês mesmos.

quinta-feira, novembro 19, 2009

For Mac lovers only



PS. For my favorite computer freak and of course, Mac nerd ;-)

terça-feira, novembro 17, 2009

Um escritor egípcio

Acabei de ler Chicago, o segundo romance de Alaa Al Aswany, um dos mais badalados escritores egípcios da atualidade (seu debut literário The Yacoubian Building obteve sucesso estrondoso de crítica). Alaa Al Aswany é bestseller tanto no próprio Egito como no Oriente Médio, EUA e Europa. Ou seja, não é pouca coisa! O livro é muito bom, embora eu tenha algumas críticas a fazer...A começar pela escolha infeliz da capa da edição inglesa, que faz lembrar os romances de chicklit. E acaba atraindo o leitor errado (talvez essa tenha sido a idéia por trás da capa, o que eu considero uma estratégia de marketing lamentável).

Anyway, o livro lida com vários temas pós-9/11 e é composto por estórias interconectadas (em capítulos intercalados). Os personagens são estudantes e professores universitários que, num dado momento, decidiram trocar seu país de origem (Egito) pelos EUA. Embora o centro de todas as estórias seja o campus da Universidade de Chicago, há inúmeras referências à situação esconômica e política do Egito (pobreza, corrupção, tortura...temas infelizmente bastante familiares de nós brasileiros). O que inevitavelmente me fez lembrar outro livro que eu também comentei e recomendei por aqui: The White Tiger.

Outros temas presentes são - como não podia deixar de ser em uma estória de imigrantes - a dificuldade de adaptação, choque cultural, racismo, etc. Racismo que, diga-se de passagem, só aumentou depois de 9/11. Há também abuso de drogas, impotência sexual e suicídio. Em suma, um livro recheado de temas polêmicos, sendo que o ponto fraco é justamente o excesso de temas. Na minha singela opinião, o autor poderia ter limitado a temática e desenvolvido melhor alguns personagens e enredo. Mas não deixa de ser uma boa leitura. Em outras palavras: vale a pena conferir!

quinta-feira, novembro 12, 2009

Listinha: 5 coisas

5 COISAS QUE EU SEMPRE ACREDITEI E CONTINUO ACREDITANDO
  • Amigos verdadeiros são jóias preciosas.
  • Seja autêntico. Seja sempre você mesmo, apesar de tudo e de todos.
  • Não tenha medo de correr riscos. Quem não arrisca, não petisca (já dizia minha mãe).
  • Não tenha medo de mudar. Mudanças fazem parte da vida, quer você queira ou não.
  • O que é seu ninguém tira. E não tira mesmo!

5 COISAS QUE EU NÃO ACREDITAVA ANTES, E HOJE ACREDITO
  • A gente sempre pode mudar alguma coisa. Nem que seja a nós mesmos.
  • Nunca diga que não vai fazer algo de jeito nenhum. Você pode acabar mordendo a língua!
  • Tudo na vida passa. Tudo mesmo.
  • A morte é a única certeza que temos nesta vida.
  • Less is More.


5 COISAS QUE EU ACREDITAVA ANTES, E HOJE NÃO ACREDITO MAIS

  • O ser humano é essencialmente bom.
  • Não tem como as coisas darem errado se uma pessoa for esforçada.
  • A gente só ama de verdade uma vez na vida.
  • Meus amigos sabem como eu sou (se fosse assim eu nunca teria de me explicar e a vida seria sem complicações)...
  • Amigo que é amigo de verdade não magoa a gente (magoa sim, porque somos humanos).


5 COISAS QUE EU DEVERIA ACREDITAR, MAS NÃO CONSIGO

  • Dinheiro não traz felicidade (experimenta ser pobre).
  • Aqui se faz, aqui se paga (se fosse assim não haveria tanta injustiça neste mundo).
  • Basta a gente querer algo de verdade pra conseguir...querer é poder, mas nem sempre (e tem gente que nasceu com a bunda virada pra lua).
  • O amor vence todos os obstáculos (tá, e eu acredito no Papai Noel).
  • A gente pode planejar tudo nesta vida...Pode não! E tem mais: muitas vezes as melhores coisas que acontecem são aquelas que não planejamos.



PS. Não é meme mas os amigos blogueiros podem copiar à vontade.

Starbucks!

Depois de várias filiais em Londres e Paris, finalmente abriu em Amsterdã a segunda filial da famosa cadeia americana Starbucks. A primeira filial já existe há algum tempo pra quem passa pelo aeroporto internacional Schiphol. E esta segunda não poderia ser num lugar mais apropriado, pelo menos para mim: na Central Station! A loja é meio pequena, abriu há uma semana e tem fila todos os dias...Eu não resisti e ontem fui lá provar os famosos cafés. Escolhi uma das edições especiais de natal, o Toffee Nut Latte e não me arrependi...delicioso mesmo! Da próxima vez pretendo provar os outros sabores de inverno. E como sou gulosa, pra acompanhar pedi ainda um blueberry muffin - na velha tradição americana. E que, diga-se de passagem, me fez lembrar o filme My Blueberry Nights, rsrsrsrs.




PS. Detalhe é que já tem Starbucks no Rio, São Paulo e até Campinas e eu não sabia!!! Só descobri agora neste site. Lerda, eu...

segunda-feira, novembro 09, 2009

Terror clássico





Aproveitando que o F. tinha copiado vários filmes pra nossa maratona de Halloween, assistimos este fim-de-semana mais dois clássicos do cinema de horror: The Omen (1976) e The Legend of Hell House (1973). The Omen é provavelmente um dos mais conhecidos e também um dos melhores filmes de terror que assisti. Não fica devendo nada a clássicos como Rosemary´s Baby de Polanski (1968) e The Shining (1980). Mas na minha opinião perde pro The Exorcist (1973), que continua sendo o filme mais assustador que já vi (eu sou impressionável então já viu...). Já Legend of Hell House reúne em uma daquelas típicas mansões mal-assombradas um grupo formado por um cientista e sua esposa, uma médium e o único sobrevivente da última visita à mansão.

Mas já vou avisando que não sou expert em filmes de terror, então se alguém tiver dicas eu agradeço!

sábado, novembro 07, 2009

Autopreservação

Estava fuxicando um blog daqueles de amigos de amigos (de vez eu quando eu até arrumo tempo pra isso) e me deparei com uns posts bem interessantes...Um que me chamou atenção em especial foi este aqui embaixo. Poderia ter sido escrito por mim, principalmente porque nos últimos tempos tenho aprendido que é preciso se preservar. Porque eu posso ser um livro aberto - mas algumas páginas estão e continuarão coladas, hehehe. Autopreservação. Ou como sobreviver na selva humana.


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Acho que desde que comecei a escrever aqui, nunca me assustei tanto com um comentário (feito ao vivo) sobre o que escrevo aqui.

Inventei este blog pra desabafar, e pra ver se alguém prestava atenção no que eu estava "gritando" ao vivo, e não era ouvida. Esse primeiro objetivo falhou. Mas o blog se tornou algo tão presente e importante na minha vida, que acho que é um espelho onde me vejo refletida, seja pro bem ou pro "mal".

Mas hoje ouvi que "eu não me mostro aqui". E fiquei pensando, se isso é verdade. Fui reler algumas coisas, e vi que eu tenho uma grande facilidade em usar as entrelinhas mais do que as linhas. De dizer sem dizer, de mostrar escondendo, de achar que os outros lêem com a minha visão. E percebi que, sim, muita coisa que eu achei já ter dito, ficou oculta sob palavras bem escolhidas, e assim, muito de mim que eu pensava estar completamente desnudado aqui, está vestido, e até usando burca.

Ainda não decidi se isso é bom ou ruim. (Como tudo na vida, deve ter seus pontos positivos e negativos.) Mas creio que vou continuar assim... porque tem muita gente que vem aqui "me ler", com a intenção de fuçar minha vida pura e simplesmente. Pra esses, eu deixo o benefício de exercitar a imaginação. (Pensem o que quiserem!!!) Já os que vem porque gostam do que eu escrevo, (sejam bobagens, coisas sérias ou minha vida mesmo), imagino que conseguem enxergar um pouquinho mais. E pra esses eu tenho sempre respostas às perguntas que surgem. Ainda tem os que gostam não somente do que lêem aqui, mas gostam também de mim. Esses, imagino que consigam uma visão mais ampla... que, segundo o comentário de hoje, ainda assim é pequena. Tudo bem... eu vou me mostrando aos poucos, e esses me enxergam com os olhos do amor, da amizade.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Dos nossos desafios

Interessante como os desafios mudam à medida em que nossa vida muda. A verdade é que desafios nunca faltam - basta estarmos vivos. O que nem é ruim porque um desafio é antes de mais nada, uma oportunidade de crescimento. Vencido o desafio, nos tornamos mais fortes e mais sábios. Ou pelo menos é o que eu gostaria de acreditar, né?

De qualquer forma, só sei que com o meu novo estágio o tempo que eu achava que era escasso ficou ainda mais escasso! Melhor seria dizer: o tempo ficou escasso e ponto final. Ou melhor ainda: eu tinha tempo e não sabia! Então meu maior desafio nessas primeiras seis semanas de estágio tem sido definir prioridades. O que, entre outras coisas, inclui a arte de dizer não. Para algumas pessoas isso já é uma segunda natureza (muitos holandeses se incluem neste grupo seleto). Já outras pessoas precisam seguir um longo e tortuoso caminho até aprender a dizer esta palavrinha mágica. Diga-se de passagem, uma lição indispensável. Eu que o diga...

A boa notícia é que minha vida era e continua sendo um caos - mas agora este caos está tomando forma. A cada dia as coisas começam a se encaixar, a rotina começa a se estabelecer e eu começo a perceber que posso definir o rumo das coisas. Para algumas pessoas isso é o óbvio olulante, pra mim nunca foi (eu nunca fui daquelas pessoas de planejar tudo). Com todas as consequências possíveis e imagináveis. Sim caros amigos, eu complico a minha vida.

Mas voltando àquela palavrinha mágica, tenho percebido que ANTES de aprender a dizer NÃO a gente tem de aprender a definir nossas prioridades. Definir o que é essencial pra gente, o que é importante, e o que é importante mas pode ficar pra depois. Porque eu sou humana e meu dia tem apenas 24 horas. Trocando em miúdos, no momento meu estágio, meu filho, o namorado que mora em outra cidade e só vejo no fim-de-semana, a fisioterapia e natação pra coluna, as tarefas básicas pra manter a casa andando (porque não tenho empregada nem faxineira...) e as 2 horas diárias de descanso obrigatório - eu me obrigo a descansar no meio desta correria porque não pretendo operar a coluna de novo - já me tomam mais tempo do que eu gostaria! Então acaba faltando tempo pros amigos, pra ir ao cinema e para hobbies como scrapbooking. Pensando bem, até escrever aqui neste singelo blog já está virando luxo! O que é uma pena mas a gente precisa sobreviver. E percebo que muitos aqui na Holanda vivem este mesmo dilema diariamente. A diferença é que antes eu não entendia. Porque vida de freelance é outra coisa: períodos em que você mal consegue respirar intercalados de períodos de calmaria total. Foi assim que vivi mais de 15 anos. Believe me, I know what I am saying.

Mas chega de resmungar...a título de ilustração, no momento em que escrevo estou cozinhando uma sopa de batata com alho-poró (receita inglesa) e lavando roupa. Ainda vou lavar mais uma leva porque só hoje à tarde meu filho foi pra casa do pai e não tive tempo de lavar roupa a semana inteira!!!! Sem falar que nos últimos dois meses nem fui pra casa do namorado em Haia por pura falta de energia. Ele é que tem encarado o trem no sábado e vindo pra cá. É mole ou quer mais?!!




PS. Ao menos consegui tempo pra reclamar da falta de tempo, rsrsrs.

sábado, outubro 31, 2009

It´s Halloween


Hoje comemora-se oficialmente o Dia das Bruxas (Halloween). Pelo menos é assim nos EUA e na Inglaterra porque aqui na Holanda a data passa praticamente despercebida (umas poucas lojas vendem guloseimas especiais, por ex.). Uma pena porque eu acho uma das festas mais legais do ano...e meu filho então, nem se fala! Como todo menino de 9 anos, ele é fissurado em fantasminhas, vampiros, lobisomen e outras assombrações (e sim, adora Harry Potter). Mas as escolas daqui não fazem nada especial para este dia tão comemorado nos países de língua inglesa. Até porque, a maior comemoração do ano para as crianças aqui na Holanda é, sem dúvida, Sinterklaas, como já comentei aqui no blog. Talvez eu deva procurar a comunidade britânica (expats) aqui da cidade...

Mas pra não dizer que a data passou em branco, este ano F. veio com uma ótima idéia! Hoje à tarde ele chega carregado de filmes com o tema Halloween para assistirmos os três aqui em casa. Our Own Private Halloween! Filmes como Beetlejuice (Tim Burton) e The Nightmare Before Christmas (de Henry Coraline Selick, com produção e roteiro de Tim Burton). The Great Pumpkin com Charlie Brown e sua turma, vários episódios de halloween dos Simpsons etc. Não vamos morrer de medo - porque Liam ainda é pequeno demais pra assistir filmes como Blair Witch Project, Rosemary´s Baby e The Haunting!!! Mas vamos nos divertir muito. E depois que Liam for dormir, nós dois podemos assistir alguns filmes de terror. Se eu aguentar assistir, claro! Porque não sou criança mas também morro de medo, hehehe.

sexta-feira, outubro 30, 2009

Outono-inverno

Impressionante como a mudança das estações afeta o ser humano - pelo menos comigo é assim! Entra ano, sai ano e a cada outono preciso me acostumar novamente aos dias mais curtos e às noites mais longas (esta semana acabou o horário de verão). Eu não tenho o menor problema com dias frios (eu gosto de frio e no mais, é só se agasalhar bem, oras bolas!!!). Já dias cinzentos e chuvosos, como fez hoje aqui em Amsterdã...Sim, porque hoje foi um daqueles típicos dias de outono - embora eu seja a primeira a dizer que alguns dias de outono sejam de uma beleza incomparável.

Eu só sei que quanto mais tempo eu moro na Europa, mais eu percebo como as estações do ano influenciam o temperamento humano. É assim comigo e eu acredito que seja assim com muita gente (mesmo aqueles que juram de pé junto que o clima lá fora não os afeta). No verão é tudo alegria, sorrisos e gargalhadas soltas no ar, muita cerveja e conversa jogada fora nos terraços e cafés da cidade. Os holandeses adoram o verão e você percebe como eles ficam mais extrovertidos nesta estação do ano. Uma estação em que reina a leveza, os contatos superficiais e rápidos. A vida é aqui e agora. A insustentável leveza do ser.

Mas aí chega o outono e muda tudo. O tempo começa a esfriar, os dias ficam mais chuvosos e as pessoas decidem ficar mais tempo dentro de casa. É a estação em que a gente procura (intuitivamente) o aconchego do lar. Época de tirar as cobertas quentinhas do armário, de acender velas pra tornar a casa mais aconchegante (e os holandeses adoram velas na decoração). Época de reflexão e introspecção, depois de um movimentado verão. O outono (e o inverno também) é a estação ideal para curtir uma boa sessão de cinema em casa e colocar a leitura em dia. Pra relaxar na poltrona e beber muito café, chá ou chocolate quente. Acima de tudo, uma estação em que acabamos nos voltando para dentro, quer a gente queira ou não. Principalmente quando aprendemos a apreciar (ou melhor seria dizer: respeitar) os ritmos da natureza. Porque na vida tudo tem seu tempo. Primavera. Verão. Outono. Inverno.

sábado, outubro 24, 2009

Os livros da minha vida

A house without books is like a room without windows.

Tive há pouco uma discussão bastante animada com F. Mais animada ainda porque ele apostou comigo que estou errada! Sim, porque F. tem mania de fazer apostas, vai tentar entender...O engraçado é que - como bons sagitarianos - nós dois somos teimosos e costumamos ter opinião formada sobre quase tudo...porque convenhamos, ter opinião formada sobre tudo é o fim!!! É, F. tem o (mau)hábito de se achar o dono da verdade. Mais ou menos como eu, né? Pensando bem, é incrível como conseguimos conviver em paz a maior parte do tempo! Ah, o amor...

Mas voltando ao tema da discussão. Livros. Sim, uma das maiores paixões da minha vida, desde que me entendo por gente. Ou pelo menos, desde que comecei a ler. Mas vamos com calma: me refiro ao livro tradicional ou seja, sua versão impressa. Livro como objeto de desejo, livro que a gente lê e depois guarda com carinho na estante de livros, junto com todos os outros que passaram a fazer parte de nossa vida (alguns mais imprescindíveis do que outros mas todos importantes em um determinado momento de nossas vidas).

Foi aí que entrou a questão dos e-books, versão eletrônica que tem se tornado popular graças, entre outros, a sites como Amazon.com, que comercializa seu kindle há anos (aparentemente com sucesso). Segundo a profecia de F., daqui a uns 15 anos o mundo inteiro estará lendo e-books. Mais ou menos como o fenômeno atual dos i-Pods e i-Phones da vida (nem vou citar os celulares porque a essas alturas eles já deixaram de ser tema de discussão)...Ele pode até estar certo mas eu jurei de pés juntos que vou continuar comprando meus livros nas livrarias e sebos da cidade - comme il faut. Podem me chamar de nostálgica (leia-se jurássica).

Enquanto viver quero continuar lendo meus livros como sempre li. Quero sentir o cheiro de papel, folhear as páginas, marcar passagens inteiras a lápis pra reler depois (claro que você também pode incluir marcas de edição em um e-book mas sei lá, não é a mesma coisa). Melhor ainda, quero ter o prazer de entrar em um sebo, fuçar as prateleiras e encontrar aquele livro especial. Um livro que muitas vezes eu nem estava procurando. O que convenhamos é bem diferente do que fuçar livros em um site na internet - o que eu até faço, mas geralmente pra ler os comentários de outros leitores sobre os livros na minha lista de desejos. Se eu já comprei livros via internet? Sim, mas eles constituem menos de 5% da minha biblioteca atual.

E por falar em livros e estantes...eu tenho a mania de espiar nas prateleiras de livros sempre que visito alguém, seja amigo ou conhecido. Funciona como uma espécie de imã...quando me dou conta, lá estou eu postada na frente da prateleira fuçando os títulos! E sim, já entrei em casas em que não havia sequer um livro à vista. E vou confessar uma coisa (desculpem se ofendo alguém)...uma casa sem livros pra mim é uma casa sem alma! Talvez porque eu tenha crescido cercada de livros, não posso imaginar uma casa sem eles. Minha mãe era rata de livraria como eu, o que certamente teve mais influência na minha paixão pelos livros do que eu gostaria de admitir.

Enfim, discussão interessante. E vocês, o que acham?

NÃO, não e não!

Impressionante como algumas pessoas dizem não de cara lavada, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Elas dizem não e seguem fazendo o que estavam fazendo, como se nada tivesse acontecido. Já outras têm enorme dificuldade de usar esta palavrinha mágica. Infelizmente, faço parte desse último grupo. E com o passar dos anos, isso tem se tornado cada dia mais óbvio. Sem falar que sou constantemente lembrada pela minha cara-metade que preciso aprender a ser mais brutal, a definir melhor meus limites. Em suma, preciso deixar de ser boazinha e aprender a dizer não!

Não sei porquê - mas tenho minhas teorias que prefiro não expor aqui - muitas vezes me sinto obrigada a dizer SIM quando na verdade o que eu queria era dizer NÃO! E pelo jeito não estou sozinha, porque só este mês já li exatamente sobre esse assunto em duas revistas daqui. Ao que parece, as mulheres têm ainda mais dificuldade em dizer não do que os homens. Elas têm mania de querer ser simpáticas e agradar a todo mundo (ser mulher não é fácil, viu?) Só que como diz o bom e velho ditado: não se pode agradar a gregos e troianos. E eu tenho vivido isso na pele.

Semana passada aconteceu algo típico. Depois do ocorrido, fiquei tão chateada que até agora venho digerindo a questão...Chateada com a pessoa que me pediu o favor e mais chateada ainda comigo mesma por ter aceitado! Porque cá entre nós, ninguém obriga ninguém a fazer nada...No final das contas, fiquei furiosa foi comigo mesma! Por não ter sabido definir limites e dizer não. Por esta mania de querer ser boazinha, de querer ajudar os outros e resolver os problemas dos outros...que, diga-se de passagem, não são MEUS problemas mas problemas deles. E pensando bem, raramente alguém me ajuda a resolver os meus problemas (em muitos momentos antes e depois do divórcio tive de me virar sozinha, o que nem é tão ruim assim porque o que não mata fortalece).

Enfim, só sei dizer que preciso urgentemente rever meus valores e prioridades. Nem que seja por uma mera questão de autopreservação. Sobrevivência na selva das relações humanas. Porque ser boazinha é uma coisa, ser boba é bem outra. E foi assim que me senti: uma grande boba. Tanto que prometi a mim mesma não deixar isso acontecer mais. Vamos ver...

segunda-feira, outubro 19, 2009

Where the Wild Things Are...



Tem épocas que não apenas pouca coisa me atrai no cinema como os únicos filmes que eu realmente tenho vontade de assistir ainda não entraram em cartaz! Um exemplo - além do já citado Alice - é Where the Wild Things Are, que acaba de ser lançado nos EUA e já estourou todas as bilheterias no primeiro fim-de-semana! Não é pra menos, é a versão filmada de mais um daqueles clássicos favoritos que fizeram parte da infância de todo mundo. Ou pelo menos, de toda criança americana ou inglesa...não sei se o livro é tão conhecido assim no Brasil, embora ele já tenha sido traduzido em vários idiomas. O lançamento nos cinemas holandeses está previsto para janeiro então até lá vou ter de me contentar com este trailer.

Pra quem ainda não percebeu, eu A-M-O literatura infantil (desde Alice no País das Maravilhas até Harry Potter, passando por Coraline entre muitos outros). E claro, sou apaixonada por filmes infantis, ainda mais se forem bem feitos. E com criança em casa, a gente nem precisa arrumar desculpa pra se esbaldar nas matinês. Hoje por exemplo, fomos ao cinema assistir Up - a nova aventura da turma da Pixar (Disney Studios). Sou fã incondicional deles, assisti a TODOS os filmes da Pixar mas admito que o meu favorito continua sendo Toy Story (1 e 2)! Então qual não foi a minha felicidade ao assistir o trailer de Toy Story 3 hoje no cinema!!! Up tem um roteiro interessante, mas a estória se perde um pouco, sei lá...Mas ruim ele não é.




PS. Acho que estou vivendo uma Segunda Infância. Ou talvez esteja entrando na Terceira Idade e nem percebi, rsrsrs. Só sei que ser criança é bom demais, não é não?!!

sábado, outubro 10, 2009

Wise Advice

Tanta coisa

Tanta coisa acontecendo, tanto pensamento vagando solto, tão pouco tempo pra organizar meu tempo e minhas idéias. A vida lá fora anda me chamando mas não se iludam: isso é muito bom. Só que ando sentindo falta de tempo pra mim mesma no meio de tanta novidade. A verdade é que antes eu tinha tempo sobrando pra pensar besteira (o que não é nada bom). Mas agora falta tempo pra organizar as idéias e colocar a casa em ordem - no sentido figurado claro, pois quem me conhece sabe que odeio as tarefas domésticas!

Só sei que estou curtindo muito esta nova fase de trabalhar fora de casa. Tenho uma natureza acima de tudo comunicativa (leia-se extrovertida) e às vezes me surpreendo pensando em como consegui passar os últimos quinze anos trabalhando em casa! Claro que vida de freelance tem suas vantagens - e a liberdade é sem dúvida a maior delas, senão não teria trabalhado como freelance quase toda a minha vida adulta. Mas a vida do tradutor freelance é uma vida de reclusão. Desconfio que um pouco como a vida dos escritores e artistas em geral. O trabalho solitário não propicia contatos sociais e se você não se cuidar isolamento vira solidão. E como vocês bem sabem (ou deveriam saber), isolamento e solidão são duas coisas bem diferentes. Pra complicar, moro num país em que as pessoas costumam passar meses dentro de casa...as estações de outono e inverno são propícias à introspecção, isso eu percebo claramente no meu próprio ritmo.

Desde que comecei meu estágio há três semanas já conheci muita gente, contatos ricos e uma rotina variada. E eu mal tive tempo de postar aqui no blog. Infelizmente, acho que esta será a tendência nos próximos meses, já vou avisando. Sem falar que não pego no meu material de scrapbooking há semanas. Blog e scrapbooking são duas atividades solitárias mas não posso viver sem elas! É o meu lado esquizofrênico (aguardem próximo post). Uma parte da minha personalidade precisa estar com os outros, outra não apenas sabe o valor da solidão com se acostumou à ela. É, eu preciso estar sozinha. Eu adoro estar com as pessoas, amigos, conhecidos ou simplesmente no meio da multidão pelas ruas da cidade. Mas eu também adoro estar sozinha. Sozinha com meus pensamentos, minhas emoções. Meus livros, meus filmes e projetos de scrapbooking. E aí eu me pego pensando: será que todo mundo é assim ou eu é que sou esquizofrênica?!!

Apenas alguns pensamentos dispersos...Eu por mim mesma.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Uma Noite na Ópera



Ontem assisti minha primeira ópera. E obviamente, não podia deixar esta data especial passar em branco. Até porque, não se trata de uma ópera qualquer mas da ópera favorita de F. Madame Butterfly de Giacomo Puccini. Desde que estamos juntos - e em dezembro já completamos 2 anos e meio de namoro - a ópera já esteve 3 vezes por aqui (Amsterdã e Haia), então dessa vez ele não pensou duas vezes e foi logo comprar dois ingressos. É que nas outras duas vezes, ele perguntou se eu queria ir e eu fiquei enrolando...shame on me!

Enfim: eu que já havia assistido a inúmeros espetáculos de teatro e ballet, ontem assisti pela primeira vez a um espetáculo de ópera. E que espetáculo! Confesso que fiquei (muito) emocionada, como não podia deixar de ser. A famosa e trágica estória de uma jovem japonesa abandonada ao destino pelo marido (oficial da marinha americana) que retorna aos EUA e a deixa com a promessa de que um dia voltará. Produção muito bem-cuidada da Companhia de Ópera da República de Tartaristão (Federação Russa). Voltei pra casa de coração apertado (que drama!) e com o programa devidamente guardado na bolsa. Em suma, belíssimo!

domingo, outubro 04, 2009

Terra dos moinhos



Como se não bastasse o tempo escasso, F. tinha ficado com a memory card com as fotos que eu queria publicar então vamos lá. Duas semanas atrás ficamos hospedados em um moinho em Kinderdijk. São ao todo 19 moinhos que, diga-se de passagem, estão na lista de patrimônios da humanidade da UNESCO. Nos meus 15 anos de Holanda, foi a primeira vez que tive a chance não apenas de visitar mas também de dormir em um moinho! Liam foi com a gente e claro, adorou a aventura. Além do moinho propriamente dito, o que ele mais gostou (além do adorável cãozinho chamado Stitch) foi a canoa, onde passou boa parte do fim-de-semana. E não é que o menino sabe remar...

O tempo estava ótimo. Tivemos sorte, considerando-se que já era final de verão. Aproveitamos pra fazer as refeições ao ar livre, sentados em uma mesa no deck de madeira. Vista muito agradável...tipicamente holandesa! Na noite de sábado aproveitamos o bom tempo pra acender uma fogueira e tomar um bom vinho, enquanto F. e seu amigo de tempos de escola (nosso anfitrião) tocavam seus violões. Enfim, uma daquelas noites inesquecíveis. Uma espécie de luau holandês, hehehe.

Pra quem não sabe, Kinderdijk é uma das principais atrações turísticas da Holanda, depois de Amsterdam (distrito da luz vermelha, casa de Anne Frank, Museu Van Gogh, etc.) e do famoso jardim de tulipas Keukenhof. Dicas imperdíveis pra quem visita a Holanda, sendo que Kinderdijk costuma atrair ordas de turistas japoneses, no verão então nem se fala!



segunda-feira, setembro 28, 2009

Cor-de-rosa choque


Que eu gosto de rosa, acho que alguns de meus leitores já perceberam. Parece até sintomático - e é mesmo - mas desde o meu divórcio que as coisas andam cada vez mais cor-de-rosa aqui em casa. Literalmente! A começar pelas paredes do meu quarto (quando eu terminar de pintar vou postar uma foto decente por aqui). Nos últimos tempos, nem a minha cozinha tem escapado.

Pois semana passada entrei na HEMA, uma das minhas lojas favoritas aqui na Holanda. As lojas vendem praticamente de tudo e muita coisa com design exclusivo. Ou seja, você não encontra em nenhum outro lugar. Então quando vi esta torradeira elétrica cor-de-rosa não deu pra resistir. Sem falar que o preço era mesmo irresistível: 10 euros, meus caros amigos!

quinta-feira, setembro 24, 2009

Ai caramba

E eu que achava que a vida andava corrida demais...agora que comecei a trabalhar fora de casa parece que tenho cada vez menos tempo (vida de freelance é outra estória) ! Ou isso ou estou precisando urgentemente organizar meu tempo melhor (ok, vou ficar com a segunda opção). Time management is a virtue.

E olha que comecei o estágio com apenas 20 horas e já estou me sentindo o próprio coelho apressado da Alice. 20 horas pode não ser nada mas some-se a isso o tempo gasto em transporte público (porque eu não dirijo nem tenho saco de encarar a bicicleta todo santo dia), o tempo gasto com o meu filho, supermercado e tarefas domésticas e não sobra muita coisa não. Aí eu penso: que vontade de morar no Brasil e ter uma empregada doméstica...Pode ser politicamente incorreto - além de ser inviável aqui na Holanda, a menos que você seja milionário - mas que faz uma diferença tremenda na vida da gente, isso faz! Desconfio até que seja o sonho de consumo de muito brasileiro que mora fora...Sem brincadeira.

Mas chega de reclamar, né?!! Verdade seja dita: tenho corrido pra cá e pra lá igual uma louca mas estou feliz. Aprendendo muito e curtindo muito a segunda semana do estágio. Estou trabalhando em 5 locais diferentes (felizmente 4 deles no mesmo bairro, e um do outro lado da cidade), com 5 turmas diferentes e 5 professores idem. Tenho até duas turmas de analfabetos - o que não é mole, não! Senhoras marroquinas que já tem até netos aqui e agora são obrigadas a prestar exame. Elas nem sequer foram alfabetizadas em sua língua materna e agora tem de aprender o holandês. E se me perguntarem o que eu acho disso, eu digo que acho uma palhaçada. Acho que o governo holandês está no mínimo 40 anos atrasado...Eles deviam era ter oferecido cursos de holandês aos imigrantes quando importaram mão-de-obra barata 40 anos atrás! Agora gastam milhões em projetos de integração como o da fundação em que estou trabalhando. Isso mesmo, milhões. Ou seja, o barato saiu caro. Coisas de Holanda...





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PS. Cá entre nós: dou graças a Deus por ter conseguido este estágio em plena crise mas devo confessar que não tenho a menor intenção de trabalhar mais de 32 horas por semana. Prioridades são prioridades, né? E as minhas eu tenho muito bem definidas na minha cabeça. Prefiro ganhar menos e viver mais (sem falar do número crescente de mães que fazem jornada dupla e acabam arrumando uma estafa aqui na Holanda). No mais, há uma grande diferença entre trabalhar para viver e viver para trabalhar (que me perdoem os workoholics de plantão).

quinta-feira, setembro 17, 2009

Um novo começo

Ontem foi um dia especial pra mim. O dia que marca um novo começo. É que depois de mais de 15 anos trabalhando em casa como tradutora freelancer, mudei de trabalho e mais especificamente, de área. Mais ou menos assim: da noite pro dia. É o fim de um longo e conturbado período da minha vida. Período de muitas dúvidas e poucas certezas quanto ao futuro.

Só vou dizer que em plena recessão - e as coisas por aqui não andam nada fáceis, com o número de desempregados aumentando a cada dia - tive a sorte de conseguir um estágio em uma das várias fundações subsidiadas pela prefeitura da cidade de Amsterdã. Trata-se de uma fundação intercultural cuja meta principal é a integração de imigrantes (novos e antigos). Pra quem não sabe (e já vou avisando) a Holanda, que no tempo que eu mudei pra cá tinha uma das políticas de imigração mais liberais da Comunidade Européia, hoje tem uma das políticas mais rígidas e restritivas. Em outras palavras: está cada vez mais difícil entrar no país! Sem falar que quem já está aqui (especialmente o grupo de imigrantes marroquinos e turcos, alvo principal dessas fundações) agora tem de passar obrigatoriamente por um processo de inburgering. Inburgering é um termo cada vez mais corrente nos últimos anos e implica que os imigrantes devem aprender não apenas o idioma holandês mas também os costumes e regras de convivência da sociedade holandesa. O que eu nem acho pedir demais se uma pessoa decide morar num país estrangeiro (convenhamos, a gente é que tem de se adaptar a eles, nenhum país vai mudar seus costumes por causa de nós, né?). O chato é que muitas vezes isso significa que o candidato à imigração deve passar num teste de conhecimentos básicos do holandês ANTES mesmo de embarcar no avião. Ou seja, ele deve aprender o idioma holandês no seu país de origem antes de conseguir o visto.

Quanto a mim, depois de 15 anos de Holanda estava mais do que na hora de um novo desafio. E este estágio é acima de tudo uma ótima oportunidade de mudar de área e expandir minha rede social (praticamente inexistente quando se trabalha em casa). Eu sempre gostei de traduções mas a verdade é que ano passado mal consegui pagar minhas contas. A essas alturas do campeonato (e com a crise mundial) não tenho mais condições de concorrer com os tradutores que moram no Brasil. Isso porque a maioria esmagadora dos projetos que eu costumava fazer (leia-se software localization) é feita em agências de tradução no eixo Rio-São Paulo. As empresas daqui conseguem um corte substancial de custos ao enviarem os projetos pra lá. E claro, com a Internet hoje em dia isso é a coisa mais simples do mundo. Vapt vupt. E lá se foram minhas traduções...Welcome to capitalism.

Mas hoje eu não vim aqui pra reclamar e sim pra comemorar. Porque o fim de um ciclo é sempre o início de outro. E mudanças sempre trazem consigo novas oportunidades de crescimento. Fecha-se uma porta, abre-se outra. E a gente tem mais é de não perder as esperanças. A gente tem mais é de seguir em frente sem medo, acreditando que nesta vida nada - mas nada mesmo - acontece por acaso. Um brinde à vida e seus ciclos!

terça-feira, setembro 15, 2009

Facebook, Twitter, etc.



Este é mais um daqueles posts que estou pra escrever há tempos...Certamente desde que fui à festa da querida Bebete há cerca de 4 semanas (e sim, a festa foi ótima e adorei rever amigos que não via há tempos). O assunto recorrente na roda de discussão eram as tais redes sociais na internet. Ao que tudo indica, não se pode mais viver sem elas nestes tempos atribulados.

Uma das minhas amigas teve a audácia de comentar (!!!) que sem Facebook eu não existo. Pois então eu não existo mesmo. Eu não tenho Facebook, não tenho conta no Orkut nem uso Twitter (me desculpem os fãs mas não vejo a menor graça em ficar enviando torpedos pra todo mundo o dia inteiro). Eu posso estar errada - e provavelmente estou mesmo - mas ainda prefiro acreditar que os amigos sabem onde me encontrar ou pelo menos deviam saber...aqui, né gente?!!

No mais, a mobilidade das pessoas e a velocidade em que as coisas acontecem nestas redes me assusta. Podem me chamar de saudosista mas eu sinto saudades daqueles cartões e cartas escritas a mão em papel decorado e depois colocadas em um envelope devidamente selado. A gente esperava dias e mais dias até o correio trazer as tais cartas, e quando elas finalmente chegavam era uma alegria danada. E sim, também sinto saudades dos tempos em que não existia internet nem celular e as pessoas se comunicavam assim mesmo.

Agora podem dizer que eu não entendi o espírito da coisa, que não absorvi o zeitgeist. O que tem seu fundo de verdade. Mas ainda prefiro as amizades à moda antiga. Careta, eu?

Com o passar dos anos, percebo que estou cada dia mais crítica quanto às relações sociais nos dias de hoje. É que vejo amizades serem feitas e desfeitas em questão de meses ou mesmo semanas! E prefiro não fazer parte deste movimento...Esta filosofia de vida no estilo fast-food me assusta. Consumo imediato, satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. Tudo bem que ninguém é insubstituível (sempre foi assim). Mas hoje em dia as pessoas trocam de amizades como trocam de emprego...ou de roupa. Sei lá, é demais pra minha cabeça. E está dado o recado.





PS. Dedicado à Arnild, Antônio e Bebete.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Tony Parsons




Entre um Murakami e outro, ainda consegui devorar Starting Over, livro mais recente de Tony Parsons, um dos meus autores favoritos da bloke lit. O outro, como não podia deixar de ser, é o ótimo Nick Hornby (About a Boy, High Fidelity, How to Be Good, Slam)! Comentei recentemente sobre Slam aqui mas não me lembro de ter falado do Tony Parsons, então está mais do que na hora de corrigir o erro! Seus livros relatam as aventuras e desventuras típicas de personagens masculinos na faixa dos 30 anos, às voltas com problemas de relacionamentos, crises existenciais, bebês e fraldas. Só sei que a receita funciona porque o público na faixa etária se identifica facilmente com o protagonista das estórias.

Eu como fã de longa data da chicklit - e não necessariamente Bridget Jones - comecei a ler blokelit logo na época em que foram lançados na Inglaterra e tenho vários livros dele aqui na prateleira: Man and Boy, One for My Baby, My Favorite Wife. Além, é claro, do recém-lançado Starting Over. Só não me lembro de ter lido The Family Way (pelo menos não vi aqui na prateleira mas sabe-se lá, minha memória é uma bosta).

Pra quem ainda não leu nada do autor, recomendo Man and Boy, sem dúvida o melhor deles e bestseller no Reino Unido e EUA. Pensando bem, não sei como o livro ainda não virou filme...principalmente se considerarmos que About a Boy do Nick Hornby foi lançado há anos nas telas de cinema com sucesso razoável de bilheteria. E sim, li o livro, assisti o filme e gosto muito dos dois (isso é que eu chamo de propaganda gratuita). E já que estamos falando de cinema, High Fidelity também acabou virando um filme acima da média que, por coincidência, revi com F. este fim-de-semana. O filme aliás é a cara dele...Impressionante.

Mais Murakami

E por falar em Japão, desde meu post sobre Murakami em julho, lá li mais dois livros dele: Norwegian Wood e Dance, Dance, Dance, este último recomendação da Anna (valeu!). Diga-se de passagem, são dois livros bem diferentes mas ambos excelentes. Eu simplesmente não sei dizer qual gostei mais. De uma coisa eu tenho certeza: Murakami é fácil fácil um dos escritores mais originais que já li. E como vicia...Já estou planejando emendar a leitura de mais dois livros: A Wild Sheep Chase e Hard-boiled Wonderland and the End of the World (considerado um dos livros mais pirados do japonês).

Norwegian Wood é o livro mais autobiográfico do autor e one of a kind. Ele é diferente dos outros livros que misturam elementos de realismo mágico, cultura pop, mitologia e literatura fantástica, com uma boa dose de lirismo - lirismo sendo provavelmente a característica que mais me atrai no autor. Norwegian Wood descreve o ritual de passagem de um adolescente, as dúvidas e inquietações típicas da adolescência, o primeiro amor, a descoberta da sexualidade etc. Como pano de fundo as revoluções estudantis de Tóquio do final dos anos 60. E claro, muitas referências à cultura pop e à música.

Dance, Dance, Dance tem uma narrativa surreal, onde os capítulos alternam sonho e realidade. Entre os personagens temos um jornalista freelance (o narrador), escortes de luxo, uma adolescente sensível de 13 anos com poderes mediúnicos, um ator de cinema e o enigmático Sheep Man, que já tinha feito sua aparição em Wild Sheep Chase. Em suma, Murakami é um daqueles autores difíceis de definir, do tipo ame-o ou deixe-o. Altamente recomendado para quem aprecia leituras inteligentes e instigantes.




Errata: No post anterior eu havia comentado que Norwegian Wood era o primeiro livro do autor. O que não é verdade, o primeiro livro é Hear the Wind Sing (publicado no Japão em 1979 e com tradução em inglês em 1987). Norwegian Wood foi publicado em 1987 no Japão, com tradução em inglês publicada no ano 2000.

terça-feira, setembro 08, 2009

Ponyo (Made in Japan)



Semana passada fomos eu, Liam e F. para o cinema. E como Liam já tinha assistido os principais blockbusters da temporada (leia-se G-Force e Ice Age 3) e ainda não pode assistir o novo Harry Potter (a censura é para 12 anos e para os pais desavisados os filmes do bruxinho deixaram de ser filmes para crianças há muito tempo), decidimos conferir Ponyo, dos Studio Gibli. Até porque, Liam já tinha assistido Spirited Away e Howl´s Moving Castle e gostado muito! Filho de peixe, peixinho é...Ponyo é uma versão japonesa do famoso conto de Hans Christian Andersen, A Pequena Sereia. O filme é direcionado para crianças pequenas, mas os pais também curtem! Eu pelo menos adorei, embora seja suspeita pra falar porque adoro filmes infantis.

Pra quem ainda não conhece os filmes produzidos pelos Studios Gibli, vale a pena conferir. Animação da melhor qualidade, Made in Japan. Seus filmes de animação (anime*) não ficam devendo nada aos filmes da Disney, que aliás já está de olho na competição...Como aconteceu com o premiado Pixar Studios, que acabou sendo comprado pela Disney em 2006. Uma das diferenças é que a maioria dos filmes dos Studios Gibli faz mais sucesso com os adultos, com exceção de Ponyo, direcionado primeiramente para os pequenos.

Fica a dica para quem ainda não teve a oportunidade de conferir!






*Nome usado para se referir a qualquer produto de animação (ou "desenhos animados") produzido no Japão. A palavra anime tem significados diferentes para os japoneses e para os ocidentais. Para os japoneses, anime é tudo o que seja desenho animado, seja estrangeiro ou nacional. Para os ocidentais, anime é todo o desenho animado que venha do Japão. A origem da palavra é controversa, podendo vir da palavra inglesa animation (animação) ou da palavra francesa animée (animado). Fonte: Wikipedia.
Tecnologia do Blogger.

Meme: 2009 passado a limpo

O que você fez em 2009 que nunca tinha feito antes?
Dei uma virada profissional e comecei um estágio numa área totalmente nova. Nunca é tarde para mudar.

Você manteve as resoluções de Ano Novo de 2009 e fará novas para 2010?
Não acredito em resoluções de ano novo, nem sou disciplinada o bastante para mantê-las. A única resolução que faria é cuidar melhor de mim mesma...e talvez aprender a dizer não!

Que lugares você visitou?
Lugar nenhum! Este ano só transitei entre a minha casa em Amsterdã e a casa do namorado em Haia. Em abril teve ainda uma curta estadia no hospital pra uma operação de hérnia de disco...Enfim, espero que ano que vem seja melhor neste aspecto. Porque pelo amor de Deus, né?

O que você gostaria de ter em 2010 que faltou em 2009?
Dinheiro pra viajar, oras bolas.

Que data de 2009 vai ficar marcada em sua lembrança?
Tive muitos bons momentos mas nenhuma data especial (talvez 23 de junho). No mais, estou cada dia mais convencida de que a felicidade é feita de pequenos momentos. E provavelmente é mesmo.

Qual sua maior realização no ano?
Conseguir pagar minhas contas em dia (porque 2008 foi um drama nesse aspecto).

Qual foi o seu maior fracasso?
A dieta dos Vigilantes do Peso. Descobri que simplesmente odeio contar pontos!!! Este negócio de anotar tudo que se come e no final do dia somar todos os pontos não funciona comigo. Mas tento adotar os princípios básicos da dieta e até sou capaz de recomendá-la aos mais disciplinados. Pra mim ainda não foi a resposta. Mas a reeducação alimentar continua, claro.

Você teve alguma doença?
Infelizmente sim...fui operada pela primeira vez na minha vida, de uma hérnia de disco que surgiu praticamente do nada. Logo eu que nunca tive problemas na coluna, nem durante a gravidez. Chuta que é macumba!

Qual foi a melhor coisa que você comprou?
Provavelmente livros, não vivo mesmo sem eles...mas ganhei uma impressora Canon para imprimir fotos que adorei! Ideal para meus projetos de scrapbooking.

Para onde foi a maior parte do seu dinheiro?
Pra pagar as contas, infelizmente...o que sobrou foi gasto em livros, DVDs e coisinhas pra casa. E material de scrapbooking, minha grande paixão nos últimos tempos.

O que te deixou realmente feliz?

Meu namorado...que faz o possível e o impossível pra tornar minha vida mais agrádavel (e geralmente sucede).

Que canções sempre vão te lembrar de 2009?
Madame Butterfly, minha primeira ópera.

O que você queria ter feito mais?
Viajado.

O que você queria ter feito menos?
Comido...comi bem demais este ano, rsrsrs.

Como vai passar o reveillon?
Provavelmente em casa, com meu filho e meu namorado.

Você se apaixonou em 2009?
Não. Mas aprendi a amar de novo o que, convenhamos, é muito melhor!

Qual foi seu programa de TV favorito?
Por incrível que pareça, descobri a série Friends através do F. e fiquei viciada. A série pode ser antiga mas é ideal para aqueles dias de baixo astral em que a gente não sabe o que fazer da vida. Eu recomendo!

Você odeia alguém hoje que não odiava há um ano?
Não odeio ninguém...e acho perda total de tempo e energia.

Qual foi o melhor livro que você leu em 2009?
Provavelmente um dos 4 livros do Murakami que li este ano. Hummm, difícil escolha. Norwegian Wood?

Qual foi o melhor filme que você assistiu em 2009?
Difícil escolher um só...mas curti muito Into the Wild, Revolutionary Road e Whatever Works.

O que você quis e conseguiu?
Um pouco de paz de espírito. Eu ainda chego lá.

O que você quis e não conseguiu?
Emagrecer...

O que você fez no seu aniversário?
Fui jantar fora com meu namorado e meu filho (e sim, isto está ficando repetitivo).

O que teria feito o seu ano infinitamente melhor?
Uma viagenzinha qualquer...tipo Londres ou Paris. Até Bruxelas e Brugges teria sido legal. Mas a grana não deu...

O que manteve a sua sanidade?
Meus surtos criativos: scrapbooking e blog - dois canais de expressão que vem se tornando insubstituíveis na minha vida. Posso dizer que a criatividade é o que tem me mantido sã nesses últimos tempos.

De quem sentiu falta?
De uma certa amiga que não vejo há tempos.

Quem foi a pessoa mais legal que você conheceu?
Meus novos colegas de trabalho. Muita gente bacana!

Uma lição valorosa que aprendeu em 2009
Nunca é tarde para começar de novo. Em outras palavras: nunca desista de ser feliz.

Natal diferente

Meu natal não podia ter sido mais diferente. Em outras palavras, um natal sem cara de natal. Natal sem ceia. Natal sem peru. Natal sem presentes de natal. Ao menos teve árvore de natal (a da foto), que fiz mais para meu filho do que pra mim, exatamente como a minha mãe fazia todo santo ano. Este ano decidi comprar uma árvorezinha pequena com neve, acabei me empolgando e comprei vários enfeites novos, como as bolas vermelhas com bolinhas brancas (polka dots), além de enfeites de donuts e cupcakes de dar água na boca (ao menos estes não engordam, hehehe). E confesso que fiquei muito satisfeita com o resultado. Só não podia imaginar que teríamos tanta neve lá fora. Nunca vi nevar tanto nos meus 15 anos de Holanda! Ou seja, eu posso não ter tido ceia de natal mas fui presenteada com um belíssimo natal branco...

Enfim, não teve ceia tradicional nem presentes de Papai Noel - porque já ganho presentes o ano inteiro e namorado tem horror à essa data comercial em que o natal se transformou - mas passei muito bem, obrigada. Porque natal é amor e confraternização e eu passei junto de quem me ama. Só faltou mesmo meu filho, que foi pra Inglaterra curtir o natal em família - com direito à ceia com peru de natal e muuuuuitos presentes debaixo da árvore porque criança precisa dessas coisas! E eu fico feliz que ele tenha esta oportunidade, tanto que vai todo ano pra lá com o pai.

Em vez da ceia em família, eu e F. comemos sushi no dia 24. E saboreamos uma deliciosa ceia indiana no dia 25. De resto, curtimos o frio em casa, debaixo das cobertas. F. fez uma seleção especial de natal, entre eles Mickey´s Christmas Carol e A Charlie Brown Christmas, que me deixaram com nostalgia da infância - tem coisa melhor do que ser criança? E teve ainda o natal (politicamente incorreto) de South Park, além de vários episódios de natal de Friends e That 70´s show (série que descobri recentemente no canal Comedy Central daqui). E F. aproveitou pra me apresentar ainda algumas de suas séries americanas favoritas, também em clima de natal: The Wonder Years, Frasier e Cheers. Enfim, acho que só faltou mesmo o natal dos Simpsons. Some-se a isso alguns filmes - a começar pelo clássico de natal It´s a Wonderful Life - e a diversão está garantida! Vimos também The Devil Wears Prada que eu não havia assistido por pura implicância (a atuação da Meryl Streep por si só já vale o filme). E teve Taking Woodstock que eu queria ver há tempos mas que não chegou a impressionar muito. O filme é bom, mas Ang Lee já fez (bem) melhor.

Enfim, um natal sem cara de natal mas um natal feliz! Exatamente como espero que seja o ano que se aproxima.

Neve, a beleza e o caos




Aqui está nevando um bocado há dias, não só na Holanda como em grande parte da Europa. Belíssimas paisagens de inverno e as crianças, claro, se divertindo horrores em plenas férias de natal...A má notícia é que a neve tem causado enormes distúrbios nos transportes ferroviários e estradas em geral. A Eurostar está nas manchetes do momento em todos os jornais e canais de tv, hoje é o terceiro dia consecutivo em que TODOS os serviços foram cancelados e muitos passageiros ficaram presos de um lado ou do outro do Channel Tunnel. Pra quem não sabe, a Eurostar transporta milhões de passageiros nesta época do ano no trajeto Paris-Bruxelas-Londres. E os terminais de Londres e Paris estão abarrotados de passageiros desesperados pra voltar pra casa ou para reunir-se aos familiares. Caos total.

Meu filho é um desses passageiros que deveria embarcar hoje com o pai pra Inglaterra...dos males o menor, ao menos ele está em casa pois famílias inteiras foram obrigadas a passar a noite nas estações de trem!!! Mas continuamos sem saber se eles irão conseguir chegar a tempo pro natal...Sexta-feira nada menos do que 5 trens Eurostar enguiçaram dentro do túnel e só hoje eles estão testando novos mecanismos pra ver se os trens podem voltar à operação...Em suma: caos total nos transportes ferroviários! Sem falar que nas estradas a coisa também está preta, além de atrasos em vôos em alguns aeroportos (inclusive o Schiphol daqui). Mas eu estou parecendo a própria weather girl...Neve, beleza e caos. Porque convenhamos, a paisagem na neve é de uma grande beleza mas pelo amor de Deus...

Como se não bastasse, estou desde sexta de môlho em casa com gripe - só espero que não seja a suína porque os sintomas das duas são idênticos. Por causa da maldita gripe, meu namorado acabou não vindo este fim-de-semana, sem falar que devido aos problemas com o esquema de trens por causa da neve foi melhor mesmo ele ter ficado em casa desta vez!

Balanço do fim-de-semana: muita neve, frio de doer osso e eu sozinha em casa com esta gripe. Aproveito pra descansar muito e beber muita água e muito chá. Felizmente tenho meus filmes e livros como companhia. E aproveitei que estou ilhada pra ficar babando com as fotos do flickr. EYE CANDY! Segue uma seleção pessoal em clima de natal.

Eye Candy

Pra compensar o caos do fim-de-semana, resolvi buscar inspiração em um dos meus sites favoritos: flickr. Aqui estão algumas fotos em clima de natal selecionadas especialmente para vocês. Aproveito a oportunidade para desejar a todos um feliz natal e um 2010 mais feliz ainda!!!



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Para quem gosta de biscoitos caseiros:





Para quem gosta de decorações originais:





Para os chocólatras entre nós:




Me, Myself and I.





* eu sou afetuosa, adoro abraços quentes e apertados. principalmente nos dias frios. se for debaixo das cobertas, melhor ainda. não confundir com pegajosa, que é bem outra estória. aaaaaargh...


* eu sou sincera, não sei fingir meus sentimentos. nem fazer cara de paisagem. se gosto de você, você perceberá. se não gosto, perceberá também. e sim, eu odeio gente falsa.

* eu sou falante, converso com qualquer pessoa em qualquer lugar, e ainda por cima falo alto. enfim, não sou discreta. o que aqui na Holanda, é um problema!


* eu sou cricri. se eu cismar que não vou com sua cara, eu não vou com sua cara e ponto final. mas na maioria das vezes eu acerto...e dizem que a primeira impressão é a que conta.


* eu sou ciumenta, mas pelo menos admito. pior mesmo é ciumento que é ciumento e jura de pés juntos que não é. me poupe, né!


* eu sou insegura, mas gostaria muito de não ser. gostaria de aceitar a mim mesma, exatamente como eu sou. tenho tentado mas nem sempre consigo. ainda por cima sou perfeccionista.

* eu choro sozinha ou acompanhada. eu choro em sessão de cinema. eu choro lendo um livro. choro de tristeza e choro de felicidade. Em suma, sou chorona. manteiga derretida mesmo.


* eu sou teimosa, e muito. pergunte ao F., que aliás é mais teimoso do que eu.


* eu sou muito ansiosa. tenho crises de insônia, mas felizmente nunca tive um ataque de pânico nesta vida (mas conheço quem já teve).


* eu sou gastadeira. tem dinheiro no bolso, eu gasto meeeeeesmo! especialmente em livros e DVDs de meus filmes favoritos. também gosto de comprar revistas, material de scrapbooking e comida...mas também sou generosa e adoro dar presentes.


* eu sou preguiçosa. eu adoro comer e dormir. eu adoro não fazer nada (e sei fazer nada muito bem, obrigada). qualquer semelhança com Garfield não é mera coincidência.


* eu sou sensível...muito sensível. sensível até demais. o que é bom e ruim. pensando bem, é ruim pra cacete!


* eu sou péssima pra 'delegar tarefas'. simplesmente não sei delegar. e preciso urgentemente aprender a dizer não. maldita mania de querer agradar todo mundo o tempo todo...


* eu sofro de depressão clínica e já fiz muita terapia por esta vida afora. tenho uma mente inquieta desde pequena mas tenho sobrevivido (com terapia e medicamento). tenho meus dias bons e meus dias ruins. como todo mundo, diga-se de passagem.


* eu não me encaixo nos estereótipos esposa-mãe de família. simplesmente odeio tarefas domésticas, não nasci pra ser Amélia. nem tampouco tenho pretensões de ser uma super-mãe (mas vez ou outra me sinto culpada). casei, tive filho, me separei. e jurei pra mim mesma que nunca faria isso de novo. não mesmo. ser mãe é muito bom mas filho também dá trabalho, muito trabalho.


* com o passar dos anos tenho aprendido a valorizar as pessoas que me dão valor. o resto, a gente deixa pra lá. em suma, eu gosto de quem gosta de mim. pra quê complicar mais a vida?





PS. Achei este texto num blog (não sei mais onde), copiei a idéia principal, adaptando o resto ao meu gosto. Em suma, do jeito que eu gosto.

Múltipla escolha:

Retrospectiva 2009

Mais um ano chegando ao fim...e eu venho pensando muito em tudo que aconteceu de bom e de ruim em 2009. A verdade é que os últimos anos tem sido anos de grandes mudanças na minha vida (a começar pelo divórcio). Anos em que estou aprendendo a largar de lado o passado e deixá-lo onde ele deveria estar: no passado. Hora de sacodir a poeira e seguir em frente, sem medo de ser feliz! Nem sempre tem sido fácil, alguns dias ainda sou tomada por uma tristeza infinita e uma vontade de voltar lá atrás e mudar algumas escolhas. Mas logo depois penso: são estas escolhas e erros do passado que fizeram de mim a pessoa que sou hoje. Então tento me convencer de que a gente sempre faz escolhas com base no que sabemos naquele dado momento. E que essas escolhas sempre são adequados para o momento em questão (mais tarde a gente pode até mudar de idéia). Parece simples mas não é...De resto, todo mundo comete erros, o importante é o que a gente aprende com deles...Desconfio que o primeiro passo seja aprender a perdoar a si mesmo - no meu caso, um processo bastante lento. O resto vem depois.

No final das contas, já posso dizer que 2009 foi um ano bom. E se teve um lado ruim, certamente foi por conta dos problemas de saúde (com operação em abril e um longo período de recuperação). No mais, foi um ano em que as coisas começaram a entrar nos eixos e eu consegui retomar - pouco a pouco e um dia de cada vez - o controle da minha vida. Ainda há um longo caminho a ser trilhado, ainda há muitas coisas a serem alcançadas mas sinto que estou na direção certa e isso é o que conta!

No aspecto profissional, foi o ano da virada, um ano de novos começos e novos desafios. Em plena recessão mundial (e nem a Holanda escapou), fui obrigada a deixar as traduções de lado e consegui um estágio em uma área que nunca tinha trabalhado antes mas que tenho gostado cada vez mais. Trabalhar com imigrantes aqui na Holanda (no meu caso como assistente em sala de aula) é muito interessante e tenho aprendido mais a cada dia que passa. E pressinto que nos próximos anos eu vá entrar cada vez mais neste setor de assistência social e serviços comunitários. Não especificamente em sala de aula (como tenho feito neste estágio) mas em diversos projetos na comunidade. Trabalho é o que não falta neste setor aqui na Holanda, onde há muitas fundações e instituições interculturais.

No aspecto emocional, foi um ano de mais certezas do que dúvidas, de mais tranquilidade do que ansiedade, de mais momentos bons do que ruins. Foi um ano em que a PAIXÃO deu lugar pro AMOR e isso é muito bom. Porque o amor pode não ser tudo nesta vida mas sem dúvida é uma das coisas mais importantes...Enfim, mais um ano prestes a acabar e eu cansada, mas feliz. Que venha 2010!


E os dezembros, que fazem de nós?

Para que serve um ano? Senão para acrescentar um ano a mais? Ou para dizermos, quando chega dezembro, que este passou mais rápido que o outro. Qual outro? Foram tantos.

De quê serve um ano, se não para as crianças avançarem para dentro da realidade? Em passos lentos no começo, como se a infância fosse um pântano espesso e pegajoso, que as amarra pela cintura e, por mais que caminhem, papai noel teima em existir. Depois, quando vão se desprendendo do visgo, os passos são mais rápidos, e elas caminham mais a cada ano. Até que serão céticas, e um céu laranja não mais espanta. Então dirão, sem susto, que o ano passou depressa.

Para que servem doze meses? Se em um dia tudo pode acontecer? Se a vida pode mudar sem promessas, sem planos, sem sete ondas? Em plena quarta-feira. Uma quarta-feira é como um julho. Está no meio, e nem ao menos tem o atenuante das férias. Uma quarta-feira é onde a semana nos prende, e nos mantém distantes da praia virgem da segunda, e do porto alegre da sexta. Quartas-feiras nos afogam. Julhos nos redimem. E os dezembros, que fazem de nós?

Nos lançam na esperança de que janeiro será melhor. Um recomeço. A crise vem, mas estaremos descansados. Prontos para o que der e fevereiro. O carnaval, saudoso dos tempos irresponsáveis do recesso coletivo. O carnaval-revival das festas em família e dos votos de prosperidade. O último respiro antes do mergulho nas águas de março e de cotidiano.

De que vale o fim do ano? Serve para fazer balanço de vida e ficar feliz? Feliz porque se tudo está bom, congratulações. E se tudo está ruim, teremos logo um janeiro por perto, cheio de mudanças e novos rumos. Janeiro é mês de toma-jeito. Pau que nasce torto, em janeiro se endireita.

Será? O que pode um mês? Agosto pode pouco. Tem muito vento, é indeciso, tem dia 13. Setembro fez nascer meu amor. Depois um outro, uma rosa. Julho me fez inteiro. Me deu vida, me deu filha. Me fez leão. Dane-se a gramática, cada um que invente o calendário.

Meu ano começa hoje. Hoje que você me lê. Hoje que uma ponte de silêncio se fez entre a minha solidão e a sua. É triste? Não é. Seremos sós. Seremos nós mesmos, sozinhos. Ninguém vive senão nós. É triste? Não pode. Ser triste é inventar mal a vida.

Aproveitemos dezembro, aproveitemos hoje, para inventarmos tudo. Janeiro é se a gente quiser. Janeiro é todo dia. Janeiro já passou. Janeiro é a surpresa. Janeiro – assim como a infância – volta. É para isso que serve o ano.




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PS. Texto original de André Laurentino, do blog Caderno de Vidro. Porque afinal é dezembro e eu adoraria ter escrito essas palavras...Dezembro é hora de fazer revisão de mais um ano. De somar e subtrair cuidadosamente ganhos e perdas, alegrias e tristezas. De redefinir prioridades e de agradecer as benções recebidas. E acima de tudo, hora de torcer que o próximo ano traga ainda mais benções para nossas vidas. Amém!

She Loves You, yeah yeah yeah...


Ontem finalmente assisti com F. Across the Universe, filme que há tempos queria conferir. Na verdade, dei o DVD de presente pro F. porque ele ama os Beatles então achei que seria um presente legal. E acertei em cheio: ele cantou junto com todas as músicas, do início ao fim do filme! Em suma, um filme altamente recomendado pra os fãs da banda inglesa. E também pra quem gosta de um bom filme musical.

O filme dividiu os críticos porque em vez contar uma estória usando um roteiro tradicional, Across the Universe não conta estória nenhuma e sim reúne imagens e músicas dos Beatles sob o pano de fundo dos conturbados anos 70 (contracultura, Guerra do Vietnã, luta pelos direitos civis, etc). Diga-se de passagem, um período fascinante (eu admito que gostaria de ter vivido nesta época) e já muitas vezes retratado no cinema - inclusive no recente Taking Woodstock de Ang Lee, que preciso assistir urgentemente! Só que em Across the Universe o personagem principal são as músicas propriamente ditas - o período é apenas o pano de fundo. O resultado é uma explosão visual de cores e imagens psicodélicas que em alguns momentos me fez lembrar Moulin Rouge, em outros o clássico Hair e em outros ainda Trainspotting... (na singela opinião de uma adoradora da sétima arte).

Enfim, uma aventura visual fascinante. E acima de tudo, uma bela homenagem à obra de uma das maiores bandas do planeta. Confiram!

Inspiração para os dias de inverno

Tenho uma lista de desejos na Amazon.co.uk e aos poucos tenho conseguido comprar os livros que tanto me trazem inspiração nos últimos tempos. De dois anos pra cá, não apenas me aprofundei no scrapbooking (embora ainda tenha muito a aprender) como minha criatividade tem aumentado a cada dia. Só não sou mais criativa por falta de tempo, modéstia à parte! Minha preferência tem ido para os mini-albuns, além dos belos journals (diários onde você pode colar ilustrações e fotos, fazer anotações e tudo o mais que sua imaginação permitir).

Ontem à noite, por exemplo, sentei na mesa da cozinha e em duas horas transformei um livrinho de cartolina comum daqueles que você compra nessas dollar shop por um dólar - no meu caso, um livrinho do Gato de Botas com ilustrações horrorosas pedindo para ser alterado - neste livrinho das fotos aqui embaixo. As ilustrações eu roubei da Flow, uma de minhas revistas favoritas aqui da Holanda (e que por si só já tem sido uma enorme fonte de inspiração). E o resultado: my very own book! A idéia para este projeto eu tirei do livro Decorative Journals, título que recomendo a todas scrappers de plantão, principalmente aquelas que se interessam por altered art, como eu.





Um brinde aos bons e velhos amigos

Se tem coisa melhor do que fazer novas amizades é manter as antigas. Apesar do tempo e da distância, apesar da correria absurda que é a nossa vida moderna. Esta semana um amigo de quem guardo lembranças muito especiais reapareceu na minha vida através de um e-mail na minha caixa de correio. Um simples e-mail foi o suficiente pra confimar novamente o que eu sempre soube. Amizade de verdade é encontro de almas. É sentimento que a gente não explica (e desde quando sentimento se explica?). Amizade assim supera o tempo e a distância. Nós nos conhecemos nos tempos em que eu ainda fazia faculdade e ele se mudou de Juiz de Fora para o Rio. A gente passava horas conversando nos bares e botecos, bebia muitas cervejas (e às vezes sangria). A gente brigava e depois fazia as pazes. Entre muitas aventuras e desventuras, viajamos juntos pra Ouro Preto, que continua sendo uma das minhas cidades brasileiras favoritas. E ele veio me visitar aqui em Amsterdã, bem verdade que há mais de 10 anos então está na hora de me visitar de novo.

E eu digo e repito: amizades assim fazem a vida valer a pena, ainda mais quando se mora no exterior. Eu moro fora há mais de 15 anos e meus amigos do Brasil continuam sendo meus amigos. Alguns também saíram do país, uns saíram e voltaram, uns casaram, outros separaram, uns tiveram filhos. Enfim, life happens. E sim, muita gente passou na minha vida nesses anos todos, mas os amigos que eram amigos de verdade continuam sendo amigos hoje. E isso é um grande consolo em tempos de redes virtuais, twitter e o escambau.

O resto é conversa furada.

Feirão de livros

E ontem começou o Boekenfestijn, evento anual aqui no Centro de Convenções RAI. Um dia de sonhos para ratas de livraria como eu. Ainda mais porque não pude ir nos dois últimos anos, então me esbaldei com a quantidade de títulos à venda. Livros para todos os gostos, desde livros infantis, até romances em holandês e inglês, livros sobre arte, cinema, culinária, guias de viagem, como criar animais de estimação, etc etc etc. Tudo com descontos de 50% ou mais!!! Ou seja, não dá pra não ficar contente!

Como há três anos atrás, fui com a Anna, que além de blogueira também é rata de livraria como eu. Só sei que a tarde passou rápido e lá se foram 4 horas perambulando pelos estandes de livros. Saí com 10 livros e mais algum material de scrapbooking como fibras e papel para cartões, que eu nem esperava encontrar por lá. 5 livros para mim, 3 livros pro meu filho - um atlas infantil com muitas fotos e imagens, um dicionário de holandês especial para alunos de 7a e 8a série e um livro belíssimo sobre uma expedição à Floresta Amazônica (que ele ainda vai conhecer com o pai, podem ter certeza disso). Trouxe ainda 1 livro pro namorido e 1 livro pro ex-marido porque daqui a pouco é natal, hehehe. Em suma, valeu muito a pena. Ano que vem quero ir de novo!

O bom e velho Woody Allen




Fim-de-semana passado consegui assistir ao novo filme do Woody Allen. O filme pode não ser um daqueles clássicos indispensáveis - e não é mesmo - mas é muito bom e eu dei muitas risadas (Cinema é a Maior Diversão). O roteiro contém tudo (ou quase tudo) que caracteriza uma obra de Woody Allen. Ou seja: tudo aquilo que seus fãs apreciam e continuam apreciando ao longo de décadas.

Mas é claro, vai ter sempre aquele crítico de cinema (um frustrado que não conseguiu se tornar cineasta e teve de se conformar em escrever sobre os filmes dos outros) que vai dizer que o filme é fraco, que o roteiro não chega a lugar nenhum, que o filme está mais pra sitcom do que pra cinema propriamente dito. Li ontem mesmo uma crítica assim. Felizmente nunca dei muita bola pra críticos de cinema...

Whatever Works é um filme típico do diretor, então não digam que não avisei. O protagonista é uma caricatura de intelectual misantropo, neurótico e claro, hipocondríaco. Em suma, um daqueles personagens que Woody Allen sabe criar como ninguém. E também o alterego do diretor, como fica óbvio logo nos primeiros diálogos.

Acima de tudo, um personagem que sofre mas que também sabe rir da sua própria dor. Um personagem que intercala tiradas típicas de um intelectual pessimista (e judeu, rsrsrsrs) com tiradas hilárias ao estilo sitcom (como o crítico frustrado fez questão de apontar).

Ah sim...e a mensagem no final do filme é muito, mas muito, verdadeira. Whatever works. Confiram vocês mesmos.

For Mac lovers only



PS. For my favorite computer freak and of course, Mac nerd ;-)

Um escritor egípcio

Acabei de ler Chicago, o segundo romance de Alaa Al Aswany, um dos mais badalados escritores egípcios da atualidade (seu debut literário The Yacoubian Building obteve sucesso estrondoso de crítica). Alaa Al Aswany é bestseller tanto no próprio Egito como no Oriente Médio, EUA e Europa. Ou seja, não é pouca coisa! O livro é muito bom, embora eu tenha algumas críticas a fazer...A começar pela escolha infeliz da capa da edição inglesa, que faz lembrar os romances de chicklit. E acaba atraindo o leitor errado (talvez essa tenha sido a idéia por trás da capa, o que eu considero uma estratégia de marketing lamentável).

Anyway, o livro lida com vários temas pós-9/11 e é composto por estórias interconectadas (em capítulos intercalados). Os personagens são estudantes e professores universitários que, num dado momento, decidiram trocar seu país de origem (Egito) pelos EUA. Embora o centro de todas as estórias seja o campus da Universidade de Chicago, há inúmeras referências à situação esconômica e política do Egito (pobreza, corrupção, tortura...temas infelizmente bastante familiares de nós brasileiros). O que inevitavelmente me fez lembrar outro livro que eu também comentei e recomendei por aqui: The White Tiger.

Outros temas presentes são - como não podia deixar de ser em uma estória de imigrantes - a dificuldade de adaptação, choque cultural, racismo, etc. Racismo que, diga-se de passagem, só aumentou depois de 9/11. Há também abuso de drogas, impotência sexual e suicídio. Em suma, um livro recheado de temas polêmicos, sendo que o ponto fraco é justamente o excesso de temas. Na minha singela opinião, o autor poderia ter limitado a temática e desenvolvido melhor alguns personagens e enredo. Mas não deixa de ser uma boa leitura. Em outras palavras: vale a pena conferir!

Listinha: 5 coisas

5 COISAS QUE EU SEMPRE ACREDITEI E CONTINUO ACREDITANDO

  • Amigos verdadeiros são jóias preciosas.
  • Seja autêntico. Seja sempre você mesmo, apesar de tudo e de todos.
  • Não tenha medo de correr riscos. Quem não arrisca, não petisca (já dizia minha mãe).
  • Não tenha medo de mudar. Mudanças fazem parte da vida, quer você queira ou não.
  • O que é seu ninguém tira. E não tira mesmo!

5 COISAS QUE EU NÃO ACREDITAVA ANTES, E HOJE ACREDITO
  • A gente sempre pode mudar alguma coisa. Nem que seja a nós mesmos.
  • Nunca diga que não vai fazer algo de jeito nenhum. Você pode acabar mordendo a língua!
  • Tudo na vida passa. Tudo mesmo.
  • A morte é a única certeza que temos nesta vida.
  • Less is More.


5 COISAS QUE EU ACREDITAVA ANTES, E HOJE NÃO ACREDITO MAIS

  • O ser humano é essencialmente bom.
  • Não tem como as coisas darem errado se uma pessoa for esforçada.
  • A gente só ama de verdade uma vez na vida.
  • Meus amigos sabem como eu sou (se fosse assim eu nunca teria de me explicar e a vida seria sem complicações)...
  • Amigo que é amigo de verdade não magoa a gente (magoa sim, porque somos humanos).


5 COISAS QUE EU DEVERIA ACREDITAR, MAS NÃO CONSIGO

  • Dinheiro não traz felicidade (experimenta ser pobre).
  • Aqui se faz, aqui se paga (se fosse assim não haveria tanta injustiça neste mundo).
  • Basta a gente querer algo de verdade pra conseguir...querer é poder, mas nem sempre (e tem gente que nasceu com a bunda virada pra lua).
  • O amor vence todos os obstáculos (tá, e eu acredito no Papai Noel).
  • A gente pode planejar tudo nesta vida...Pode não! E tem mais: muitas vezes as melhores coisas que acontecem são aquelas que não planejamos.



PS. Não é meme mas os amigos blogueiros podem copiar à vontade.

Starbucks!

Depois de várias filiais em Londres e Paris, finalmente abriu em Amsterdã a segunda filial da famosa cadeia americana Starbucks. A primeira filial já existe há algum tempo pra quem passa pelo aeroporto internacional Schiphol. E esta segunda não poderia ser num lugar mais apropriado, pelo menos para mim: na Central Station! A loja é meio pequena, abriu há uma semana e tem fila todos os dias...Eu não resisti e ontem fui lá provar os famosos cafés. Escolhi uma das edições especiais de natal, o Toffee Nut Latte e não me arrependi...delicioso mesmo! Da próxima vez pretendo provar os outros sabores de inverno. E como sou gulosa, pra acompanhar pedi ainda um blueberry muffin - na velha tradição americana. E que, diga-se de passagem, me fez lembrar o filme My Blueberry Nights, rsrsrsrs.




PS. Detalhe é que já tem Starbucks no Rio, São Paulo e até Campinas e eu não sabia!!! Só descobri agora neste site. Lerda, eu...

Terror clássico





Aproveitando que o F. tinha copiado vários filmes pra nossa maratona de Halloween, assistimos este fim-de-semana mais dois clássicos do cinema de horror: The Omen (1976) e The Legend of Hell House (1973). The Omen é provavelmente um dos mais conhecidos e também um dos melhores filmes de terror que assisti. Não fica devendo nada a clássicos como Rosemary´s Baby de Polanski (1968) e The Shining (1980). Mas na minha opinião perde pro The Exorcist (1973), que continua sendo o filme mais assustador que já vi (eu sou impressionável então já viu...). Já Legend of Hell House reúne em uma daquelas típicas mansões mal-assombradas um grupo formado por um cientista e sua esposa, uma médium e o único sobrevivente da última visita à mansão.

Mas já vou avisando que não sou expert em filmes de terror, então se alguém tiver dicas eu agradeço!

Autopreservação

Estava fuxicando um blog daqueles de amigos de amigos (de vez eu quando eu até arrumo tempo pra isso) e me deparei com uns posts bem interessantes...Um que me chamou atenção em especial foi este aqui embaixo. Poderia ter sido escrito por mim, principalmente porque nos últimos tempos tenho aprendido que é preciso se preservar. Porque eu posso ser um livro aberto - mas algumas páginas estão e continuarão coladas, hehehe. Autopreservação. Ou como sobreviver na selva humana.


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Acho que desde que comecei a escrever aqui, nunca me assustei tanto com um comentário (feito ao vivo) sobre o que escrevo aqui.

Inventei este blog pra desabafar, e pra ver se alguém prestava atenção no que eu estava "gritando" ao vivo, e não era ouvida. Esse primeiro objetivo falhou. Mas o blog se tornou algo tão presente e importante na minha vida, que acho que é um espelho onde me vejo refletida, seja pro bem ou pro "mal".

Mas hoje ouvi que "eu não me mostro aqui". E fiquei pensando, se isso é verdade. Fui reler algumas coisas, e vi que eu tenho uma grande facilidade em usar as entrelinhas mais do que as linhas. De dizer sem dizer, de mostrar escondendo, de achar que os outros lêem com a minha visão. E percebi que, sim, muita coisa que eu achei já ter dito, ficou oculta sob palavras bem escolhidas, e assim, muito de mim que eu pensava estar completamente desnudado aqui, está vestido, e até usando burca.

Ainda não decidi se isso é bom ou ruim. (Como tudo na vida, deve ter seus pontos positivos e negativos.) Mas creio que vou continuar assim... porque tem muita gente que vem aqui "me ler", com a intenção de fuçar minha vida pura e simplesmente. Pra esses, eu deixo o benefício de exercitar a imaginação. (Pensem o que quiserem!!!) Já os que vem porque gostam do que eu escrevo, (sejam bobagens, coisas sérias ou minha vida mesmo), imagino que conseguem enxergar um pouquinho mais. E pra esses eu tenho sempre respostas às perguntas que surgem. Ainda tem os que gostam não somente do que lêem aqui, mas gostam também de mim. Esses, imagino que consigam uma visão mais ampla... que, segundo o comentário de hoje, ainda assim é pequena. Tudo bem... eu vou me mostrando aos poucos, e esses me enxergam com os olhos do amor, da amizade.

Dos nossos desafios

Interessante como os desafios mudam à medida em que nossa vida muda. A verdade é que desafios nunca faltam - basta estarmos vivos. O que nem é ruim porque um desafio é antes de mais nada, uma oportunidade de crescimento. Vencido o desafio, nos tornamos mais fortes e mais sábios. Ou pelo menos é o que eu gostaria de acreditar, né?

De qualquer forma, só sei que com o meu novo estágio o tempo que eu achava que era escasso ficou ainda mais escasso! Melhor seria dizer: o tempo ficou escasso e ponto final. Ou melhor ainda: eu tinha tempo e não sabia! Então meu maior desafio nessas primeiras seis semanas de estágio tem sido definir prioridades. O que, entre outras coisas, inclui a arte de dizer não. Para algumas pessoas isso já é uma segunda natureza (muitos holandeses se incluem neste grupo seleto). Já outras pessoas precisam seguir um longo e tortuoso caminho até aprender a dizer esta palavrinha mágica. Diga-se de passagem, uma lição indispensável. Eu que o diga...

A boa notícia é que minha vida era e continua sendo um caos - mas agora este caos está tomando forma. A cada dia as coisas começam a se encaixar, a rotina começa a se estabelecer e eu começo a perceber que posso definir o rumo das coisas. Para algumas pessoas isso é o óbvio olulante, pra mim nunca foi (eu nunca fui daquelas pessoas de planejar tudo). Com todas as consequências possíveis e imagináveis. Sim caros amigos, eu complico a minha vida.

Mas voltando àquela palavrinha mágica, tenho percebido que ANTES de aprender a dizer NÃO a gente tem de aprender a definir nossas prioridades. Definir o que é essencial pra gente, o que é importante, e o que é importante mas pode ficar pra depois. Porque eu sou humana e meu dia tem apenas 24 horas. Trocando em miúdos, no momento meu estágio, meu filho, o namorado que mora em outra cidade e só vejo no fim-de-semana, a fisioterapia e natação pra coluna, as tarefas básicas pra manter a casa andando (porque não tenho empregada nem faxineira...) e as 2 horas diárias de descanso obrigatório - eu me obrigo a descansar no meio desta correria porque não pretendo operar a coluna de novo - já me tomam mais tempo do que eu gostaria! Então acaba faltando tempo pros amigos, pra ir ao cinema e para hobbies como scrapbooking. Pensando bem, até escrever aqui neste singelo blog já está virando luxo! O que é uma pena mas a gente precisa sobreviver. E percebo que muitos aqui na Holanda vivem este mesmo dilema diariamente. A diferença é que antes eu não entendia. Porque vida de freelance é outra coisa: períodos em que você mal consegue respirar intercalados de períodos de calmaria total. Foi assim que vivi mais de 15 anos. Believe me, I know what I am saying.

Mas chega de resmungar...a título de ilustração, no momento em que escrevo estou cozinhando uma sopa de batata com alho-poró (receita inglesa) e lavando roupa. Ainda vou lavar mais uma leva porque só hoje à tarde meu filho foi pra casa do pai e não tive tempo de lavar roupa a semana inteira!!!! Sem falar que nos últimos dois meses nem fui pra casa do namorado em Haia por pura falta de energia. Ele é que tem encarado o trem no sábado e vindo pra cá. É mole ou quer mais?!!




PS. Ao menos consegui tempo pra reclamar da falta de tempo, rsrsrs.

It´s Halloween


Hoje comemora-se oficialmente o Dia das Bruxas (Halloween). Pelo menos é assim nos EUA e na Inglaterra porque aqui na Holanda a data passa praticamente despercebida (umas poucas lojas vendem guloseimas especiais, por ex.). Uma pena porque eu acho uma das festas mais legais do ano...e meu filho então, nem se fala! Como todo menino de 9 anos, ele é fissurado em fantasminhas, vampiros, lobisomen e outras assombrações (e sim, adora Harry Potter). Mas as escolas daqui não fazem nada especial para este dia tão comemorado nos países de língua inglesa. Até porque, a maior comemoração do ano para as crianças aqui na Holanda é, sem dúvida, Sinterklaas, como já comentei aqui no blog. Talvez eu deva procurar a comunidade britânica (expats) aqui da cidade...

Mas pra não dizer que a data passou em branco, este ano F. veio com uma ótima idéia! Hoje à tarde ele chega carregado de filmes com o tema Halloween para assistirmos os três aqui em casa. Our Own Private Halloween! Filmes como Beetlejuice (Tim Burton) e The Nightmare Before Christmas (de Henry Coraline Selick, com produção e roteiro de Tim Burton). The Great Pumpkin com Charlie Brown e sua turma, vários episódios de halloween dos Simpsons etc. Não vamos morrer de medo - porque Liam ainda é pequeno demais pra assistir filmes como Blair Witch Project, Rosemary´s Baby e The Haunting!!! Mas vamos nos divertir muito. E depois que Liam for dormir, nós dois podemos assistir alguns filmes de terror. Se eu aguentar assistir, claro! Porque não sou criança mas também morro de medo, hehehe.

Outono-inverno

Impressionante como a mudança das estações afeta o ser humano - pelo menos comigo é assim! Entra ano, sai ano e a cada outono preciso me acostumar novamente aos dias mais curtos e às noites mais longas (esta semana acabou o horário de verão). Eu não tenho o menor problema com dias frios (eu gosto de frio e no mais, é só se agasalhar bem, oras bolas!!!). Já dias cinzentos e chuvosos, como fez hoje aqui em Amsterdã...Sim, porque hoje foi um daqueles típicos dias de outono - embora eu seja a primeira a dizer que alguns dias de outono sejam de uma beleza incomparável.

Eu só sei que quanto mais tempo eu moro na Europa, mais eu percebo como as estações do ano influenciam o temperamento humano. É assim comigo e eu acredito que seja assim com muita gente (mesmo aqueles que juram de pé junto que o clima lá fora não os afeta). No verão é tudo alegria, sorrisos e gargalhadas soltas no ar, muita cerveja e conversa jogada fora nos terraços e cafés da cidade. Os holandeses adoram o verão e você percebe como eles ficam mais extrovertidos nesta estação do ano. Uma estação em que reina a leveza, os contatos superficiais e rápidos. A vida é aqui e agora. A insustentável leveza do ser.

Mas aí chega o outono e muda tudo. O tempo começa a esfriar, os dias ficam mais chuvosos e as pessoas decidem ficar mais tempo dentro de casa. É a estação em que a gente procura (intuitivamente) o aconchego do lar. Época de tirar as cobertas quentinhas do armário, de acender velas pra tornar a casa mais aconchegante (e os holandeses adoram velas na decoração). Época de reflexão e introspecção, depois de um movimentado verão. O outono (e o inverno também) é a estação ideal para curtir uma boa sessão de cinema em casa e colocar a leitura em dia. Pra relaxar na poltrona e beber muito café, chá ou chocolate quente. Acima de tudo, uma estação em que acabamos nos voltando para dentro, quer a gente queira ou não. Principalmente quando aprendemos a apreciar (ou melhor seria dizer: respeitar) os ritmos da natureza. Porque na vida tudo tem seu tempo. Primavera. Verão. Outono. Inverno.

Os livros da minha vida

A house without books is like a room without windows.

Tive há pouco uma discussão bastante animada com F. Mais animada ainda porque ele apostou comigo que estou errada! Sim, porque F. tem mania de fazer apostas, vai tentar entender...O engraçado é que - como bons sagitarianos - nós dois somos teimosos e costumamos ter opinião formada sobre quase tudo...porque convenhamos, ter opinião formada sobre tudo é o fim!!! É, F. tem o (mau)hábito de se achar o dono da verdade. Mais ou menos como eu, né? Pensando bem, é incrível como conseguimos conviver em paz a maior parte do tempo! Ah, o amor...

Mas voltando ao tema da discussão. Livros. Sim, uma das maiores paixões da minha vida, desde que me entendo por gente. Ou pelo menos, desde que comecei a ler. Mas vamos com calma: me refiro ao livro tradicional ou seja, sua versão impressa. Livro como objeto de desejo, livro que a gente lê e depois guarda com carinho na estante de livros, junto com todos os outros que passaram a fazer parte de nossa vida (alguns mais imprescindíveis do que outros mas todos importantes em um determinado momento de nossas vidas).

Foi aí que entrou a questão dos e-books, versão eletrônica que tem se tornado popular graças, entre outros, a sites como Amazon.com, que comercializa seu kindle há anos (aparentemente com sucesso). Segundo a profecia de F., daqui a uns 15 anos o mundo inteiro estará lendo e-books. Mais ou menos como o fenômeno atual dos i-Pods e i-Phones da vida (nem vou citar os celulares porque a essas alturas eles já deixaram de ser tema de discussão)...Ele pode até estar certo mas eu jurei de pés juntos que vou continuar comprando meus livros nas livrarias e sebos da cidade - comme il faut. Podem me chamar de nostálgica (leia-se jurássica).

Enquanto viver quero continuar lendo meus livros como sempre li. Quero sentir o cheiro de papel, folhear as páginas, marcar passagens inteiras a lápis pra reler depois (claro que você também pode incluir marcas de edição em um e-book mas sei lá, não é a mesma coisa). Melhor ainda, quero ter o prazer de entrar em um sebo, fuçar as prateleiras e encontrar aquele livro especial. Um livro que muitas vezes eu nem estava procurando. O que convenhamos é bem diferente do que fuçar livros em um site na internet - o que eu até faço, mas geralmente pra ler os comentários de outros leitores sobre os livros na minha lista de desejos. Se eu já comprei livros via internet? Sim, mas eles constituem menos de 5% da minha biblioteca atual.

E por falar em livros e estantes...eu tenho a mania de espiar nas prateleiras de livros sempre que visito alguém, seja amigo ou conhecido. Funciona como uma espécie de imã...quando me dou conta, lá estou eu postada na frente da prateleira fuçando os títulos! E sim, já entrei em casas em que não havia sequer um livro à vista. E vou confessar uma coisa (desculpem se ofendo alguém)...uma casa sem livros pra mim é uma casa sem alma! Talvez porque eu tenha crescido cercada de livros, não posso imaginar uma casa sem eles. Minha mãe era rata de livraria como eu, o que certamente teve mais influência na minha paixão pelos livros do que eu gostaria de admitir.

Enfim, discussão interessante. E vocês, o que acham?

NÃO, não e não!

Impressionante como algumas pessoas dizem não de cara lavada, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Elas dizem não e seguem fazendo o que estavam fazendo, como se nada tivesse acontecido. Já outras têm enorme dificuldade de usar esta palavrinha mágica. Infelizmente, faço parte desse último grupo. E com o passar dos anos, isso tem se tornado cada dia mais óbvio. Sem falar que sou constantemente lembrada pela minha cara-metade que preciso aprender a ser mais brutal, a definir melhor meus limites. Em suma, preciso deixar de ser boazinha e aprender a dizer não!

Não sei porquê - mas tenho minhas teorias que prefiro não expor aqui - muitas vezes me sinto obrigada a dizer SIM quando na verdade o que eu queria era dizer NÃO! E pelo jeito não estou sozinha, porque só este mês já li exatamente sobre esse assunto em duas revistas daqui. Ao que parece, as mulheres têm ainda mais dificuldade em dizer não do que os homens. Elas têm mania de querer ser simpáticas e agradar a todo mundo (ser mulher não é fácil, viu?) Só que como diz o bom e velho ditado: não se pode agradar a gregos e troianos. E eu tenho vivido isso na pele.

Semana passada aconteceu algo típico. Depois do ocorrido, fiquei tão chateada que até agora venho digerindo a questão...Chateada com a pessoa que me pediu o favor e mais chateada ainda comigo mesma por ter aceitado! Porque cá entre nós, ninguém obriga ninguém a fazer nada...No final das contas, fiquei furiosa foi comigo mesma! Por não ter sabido definir limites e dizer não. Por esta mania de querer ser boazinha, de querer ajudar os outros e resolver os problemas dos outros...que, diga-se de passagem, não são MEUS problemas mas problemas deles. E pensando bem, raramente alguém me ajuda a resolver os meus problemas (em muitos momentos antes e depois do divórcio tive de me virar sozinha, o que nem é tão ruim assim porque o que não mata fortalece).

Enfim, só sei dizer que preciso urgentemente rever meus valores e prioridades. Nem que seja por uma mera questão de autopreservação. Sobrevivência na selva das relações humanas. Porque ser boazinha é uma coisa, ser boba é bem outra. E foi assim que me senti: uma grande boba. Tanto que prometi a mim mesma não deixar isso acontecer mais. Vamos ver...

Where the Wild Things Are...



Tem épocas que não apenas pouca coisa me atrai no cinema como os únicos filmes que eu realmente tenho vontade de assistir ainda não entraram em cartaz! Um exemplo - além do já citado Alice - é Where the Wild Things Are, que acaba de ser lançado nos EUA e já estourou todas as bilheterias no primeiro fim-de-semana! Não é pra menos, é a versão filmada de mais um daqueles clássicos favoritos que fizeram parte da infância de todo mundo. Ou pelo menos, de toda criança americana ou inglesa...não sei se o livro é tão conhecido assim no Brasil, embora ele já tenha sido traduzido em vários idiomas. O lançamento nos cinemas holandeses está previsto para janeiro então até lá vou ter de me contentar com este trailer.

Pra quem ainda não percebeu, eu A-M-O literatura infantil (desde Alice no País das Maravilhas até Harry Potter, passando por Coraline entre muitos outros). E claro, sou apaixonada por filmes infantis, ainda mais se forem bem feitos. E com criança em casa, a gente nem precisa arrumar desculpa pra se esbaldar nas matinês. Hoje por exemplo, fomos ao cinema assistir Up - a nova aventura da turma da Pixar (Disney Studios). Sou fã incondicional deles, assisti a TODOS os filmes da Pixar mas admito que o meu favorito continua sendo Toy Story (1 e 2)! Então qual não foi a minha felicidade ao assistir o trailer de Toy Story 3 hoje no cinema!!! Up tem um roteiro interessante, mas a estória se perde um pouco, sei lá...Mas ruim ele não é.




PS. Acho que estou vivendo uma Segunda Infância. Ou talvez esteja entrando na Terceira Idade e nem percebi, rsrsrs. Só sei que ser criança é bom demais, não é não?!!

Wise Advice

Tanta coisa

Tanta coisa acontecendo, tanto pensamento vagando solto, tão pouco tempo pra organizar meu tempo e minhas idéias. A vida lá fora anda me chamando mas não se iludam: isso é muito bom. Só que ando sentindo falta de tempo pra mim mesma no meio de tanta novidade. A verdade é que antes eu tinha tempo sobrando pra pensar besteira (o que não é nada bom). Mas agora falta tempo pra organizar as idéias e colocar a casa em ordem - no sentido figurado claro, pois quem me conhece sabe que odeio as tarefas domésticas!

Só sei que estou curtindo muito esta nova fase de trabalhar fora de casa. Tenho uma natureza acima de tudo comunicativa (leia-se extrovertida) e às vezes me surpreendo pensando em como consegui passar os últimos quinze anos trabalhando em casa! Claro que vida de freelance tem suas vantagens - e a liberdade é sem dúvida a maior delas, senão não teria trabalhado como freelance quase toda a minha vida adulta. Mas a vida do tradutor freelance é uma vida de reclusão. Desconfio que um pouco como a vida dos escritores e artistas em geral. O trabalho solitário não propicia contatos sociais e se você não se cuidar isolamento vira solidão. E como vocês bem sabem (ou deveriam saber), isolamento e solidão são duas coisas bem diferentes. Pra complicar, moro num país em que as pessoas costumam passar meses dentro de casa...as estações de outono e inverno são propícias à introspecção, isso eu percebo claramente no meu próprio ritmo.

Desde que comecei meu estágio há três semanas já conheci muita gente, contatos ricos e uma rotina variada. E eu mal tive tempo de postar aqui no blog. Infelizmente, acho que esta será a tendência nos próximos meses, já vou avisando. Sem falar que não pego no meu material de scrapbooking há semanas. Blog e scrapbooking são duas atividades solitárias mas não posso viver sem elas! É o meu lado esquizofrênico (aguardem próximo post). Uma parte da minha personalidade precisa estar com os outros, outra não apenas sabe o valor da solidão com se acostumou à ela. É, eu preciso estar sozinha. Eu adoro estar com as pessoas, amigos, conhecidos ou simplesmente no meio da multidão pelas ruas da cidade. Mas eu também adoro estar sozinha. Sozinha com meus pensamentos, minhas emoções. Meus livros, meus filmes e projetos de scrapbooking. E aí eu me pego pensando: será que todo mundo é assim ou eu é que sou esquizofrênica?!!

Apenas alguns pensamentos dispersos...Eu por mim mesma.

Uma Noite na Ópera



Ontem assisti minha primeira ópera. E obviamente, não podia deixar esta data especial passar em branco. Até porque, não se trata de uma ópera qualquer mas da ópera favorita de F. Madame Butterfly de Giacomo Puccini. Desde que estamos juntos - e em dezembro já completamos 2 anos e meio de namoro - a ópera já esteve 3 vezes por aqui (Amsterdã e Haia), então dessa vez ele não pensou duas vezes e foi logo comprar dois ingressos. É que nas outras duas vezes, ele perguntou se eu queria ir e eu fiquei enrolando...shame on me!

Enfim: eu que já havia assistido a inúmeros espetáculos de teatro e ballet, ontem assisti pela primeira vez a um espetáculo de ópera. E que espetáculo! Confesso que fiquei (muito) emocionada, como não podia deixar de ser. A famosa e trágica estória de uma jovem japonesa abandonada ao destino pelo marido (oficial da marinha americana) que retorna aos EUA e a deixa com a promessa de que um dia voltará. Produção muito bem-cuidada da Companhia de Ópera da República de Tartaristão (Federação Russa). Voltei pra casa de coração apertado (que drama!) e com o programa devidamente guardado na bolsa. Em suma, belíssimo!

Terra dos moinhos



Como se não bastasse o tempo escasso, F. tinha ficado com a memory card com as fotos que eu queria publicar então vamos lá. Duas semanas atrás ficamos hospedados em um moinho em Kinderdijk. São ao todo 19 moinhos que, diga-se de passagem, estão na lista de patrimônios da humanidade da UNESCO. Nos meus 15 anos de Holanda, foi a primeira vez que tive a chance não apenas de visitar mas também de dormir em um moinho! Liam foi com a gente e claro, adorou a aventura. Além do moinho propriamente dito, o que ele mais gostou (além do adorável cãozinho chamado Stitch) foi a canoa, onde passou boa parte do fim-de-semana. E não é que o menino sabe remar...

O tempo estava ótimo. Tivemos sorte, considerando-se que já era final de verão. Aproveitamos pra fazer as refeições ao ar livre, sentados em uma mesa no deck de madeira. Vista muito agradável...tipicamente holandesa! Na noite de sábado aproveitamos o bom tempo pra acender uma fogueira e tomar um bom vinho, enquanto F. e seu amigo de tempos de escola (nosso anfitrião) tocavam seus violões. Enfim, uma daquelas noites inesquecíveis. Uma espécie de luau holandês, hehehe.

Pra quem não sabe, Kinderdijk é uma das principais atrações turísticas da Holanda, depois de Amsterdam (distrito da luz vermelha, casa de Anne Frank, Museu Van Gogh, etc.) e do famoso jardim de tulipas Keukenhof. Dicas imperdíveis pra quem visita a Holanda, sendo que Kinderdijk costuma atrair ordas de turistas japoneses, no verão então nem se fala!



Cor-de-rosa choque


Que eu gosto de rosa, acho que alguns de meus leitores já perceberam. Parece até sintomático - e é mesmo - mas desde o meu divórcio que as coisas andam cada vez mais cor-de-rosa aqui em casa. Literalmente! A começar pelas paredes do meu quarto (quando eu terminar de pintar vou postar uma foto decente por aqui). Nos últimos tempos, nem a minha cozinha tem escapado.

Pois semana passada entrei na HEMA, uma das minhas lojas favoritas aqui na Holanda. As lojas vendem praticamente de tudo e muita coisa com design exclusivo. Ou seja, você não encontra em nenhum outro lugar. Então quando vi esta torradeira elétrica cor-de-rosa não deu pra resistir. Sem falar que o preço era mesmo irresistível: 10 euros, meus caros amigos!

Ai caramba

E eu que achava que a vida andava corrida demais...agora que comecei a trabalhar fora de casa parece que tenho cada vez menos tempo (vida de freelance é outra estória) ! Ou isso ou estou precisando urgentemente organizar meu tempo melhor (ok, vou ficar com a segunda opção). Time management is a virtue.

E olha que comecei o estágio com apenas 20 horas e já estou me sentindo o próprio coelho apressado da Alice. 20 horas pode não ser nada mas some-se a isso o tempo gasto em transporte público (porque eu não dirijo nem tenho saco de encarar a bicicleta todo santo dia), o tempo gasto com o meu filho, supermercado e tarefas domésticas e não sobra muita coisa não. Aí eu penso: que vontade de morar no Brasil e ter uma empregada doméstica...Pode ser politicamente incorreto - além de ser inviável aqui na Holanda, a menos que você seja milionário - mas que faz uma diferença tremenda na vida da gente, isso faz! Desconfio até que seja o sonho de consumo de muito brasileiro que mora fora...Sem brincadeira.

Mas chega de reclamar, né?!! Verdade seja dita: tenho corrido pra cá e pra lá igual uma louca mas estou feliz. Aprendendo muito e curtindo muito a segunda semana do estágio. Estou trabalhando em 5 locais diferentes (felizmente 4 deles no mesmo bairro, e um do outro lado da cidade), com 5 turmas diferentes e 5 professores idem. Tenho até duas turmas de analfabetos - o que não é mole, não! Senhoras marroquinas que já tem até netos aqui e agora são obrigadas a prestar exame. Elas nem sequer foram alfabetizadas em sua língua materna e agora tem de aprender o holandês. E se me perguntarem o que eu acho disso, eu digo que acho uma palhaçada. Acho que o governo holandês está no mínimo 40 anos atrasado...Eles deviam era ter oferecido cursos de holandês aos imigrantes quando importaram mão-de-obra barata 40 anos atrás! Agora gastam milhões em projetos de integração como o da fundação em que estou trabalhando. Isso mesmo, milhões. Ou seja, o barato saiu caro. Coisas de Holanda...





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PS. Cá entre nós: dou graças a Deus por ter conseguido este estágio em plena crise mas devo confessar que não tenho a menor intenção de trabalhar mais de 32 horas por semana. Prioridades são prioridades, né? E as minhas eu tenho muito bem definidas na minha cabeça. Prefiro ganhar menos e viver mais (sem falar do número crescente de mães que fazem jornada dupla e acabam arrumando uma estafa aqui na Holanda). No mais, há uma grande diferença entre trabalhar para viver e viver para trabalhar (que me perdoem os workoholics de plantão).

Um novo começo

Ontem foi um dia especial pra mim. O dia que marca um novo começo. É que depois de mais de 15 anos trabalhando em casa como tradutora freelancer, mudei de trabalho e mais especificamente, de área. Mais ou menos assim: da noite pro dia. É o fim de um longo e conturbado período da minha vida. Período de muitas dúvidas e poucas certezas quanto ao futuro.

Só vou dizer que em plena recessão - e as coisas por aqui não andam nada fáceis, com o número de desempregados aumentando a cada dia - tive a sorte de conseguir um estágio em uma das várias fundações subsidiadas pela prefeitura da cidade de Amsterdã. Trata-se de uma fundação intercultural cuja meta principal é a integração de imigrantes (novos e antigos). Pra quem não sabe (e já vou avisando) a Holanda, que no tempo que eu mudei pra cá tinha uma das políticas de imigração mais liberais da Comunidade Européia, hoje tem uma das políticas mais rígidas e restritivas. Em outras palavras: está cada vez mais difícil entrar no país! Sem falar que quem já está aqui (especialmente o grupo de imigrantes marroquinos e turcos, alvo principal dessas fundações) agora tem de passar obrigatoriamente por um processo de inburgering. Inburgering é um termo cada vez mais corrente nos últimos anos e implica que os imigrantes devem aprender não apenas o idioma holandês mas também os costumes e regras de convivência da sociedade holandesa. O que eu nem acho pedir demais se uma pessoa decide morar num país estrangeiro (convenhamos, a gente é que tem de se adaptar a eles, nenhum país vai mudar seus costumes por causa de nós, né?). O chato é que muitas vezes isso significa que o candidato à imigração deve passar num teste de conhecimentos básicos do holandês ANTES mesmo de embarcar no avião. Ou seja, ele deve aprender o idioma holandês no seu país de origem antes de conseguir o visto.

Quanto a mim, depois de 15 anos de Holanda estava mais do que na hora de um novo desafio. E este estágio é acima de tudo uma ótima oportunidade de mudar de área e expandir minha rede social (praticamente inexistente quando se trabalha em casa). Eu sempre gostei de traduções mas a verdade é que ano passado mal consegui pagar minhas contas. A essas alturas do campeonato (e com a crise mundial) não tenho mais condições de concorrer com os tradutores que moram no Brasil. Isso porque a maioria esmagadora dos projetos que eu costumava fazer (leia-se software localization) é feita em agências de tradução no eixo Rio-São Paulo. As empresas daqui conseguem um corte substancial de custos ao enviarem os projetos pra lá. E claro, com a Internet hoje em dia isso é a coisa mais simples do mundo. Vapt vupt. E lá se foram minhas traduções...Welcome to capitalism.

Mas hoje eu não vim aqui pra reclamar e sim pra comemorar. Porque o fim de um ciclo é sempre o início de outro. E mudanças sempre trazem consigo novas oportunidades de crescimento. Fecha-se uma porta, abre-se outra. E a gente tem mais é de não perder as esperanças. A gente tem mais é de seguir em frente sem medo, acreditando que nesta vida nada - mas nada mesmo - acontece por acaso. Um brinde à vida e seus ciclos!

Facebook, Twitter, etc.



Este é mais um daqueles posts que estou pra escrever há tempos...Certamente desde que fui à festa da querida Bebete há cerca de 4 semanas (e sim, a festa foi ótima e adorei rever amigos que não via há tempos). O assunto recorrente na roda de discussão eram as tais redes sociais na internet. Ao que tudo indica, não se pode mais viver sem elas nestes tempos atribulados.

Uma das minhas amigas teve a audácia de comentar (!!!) que sem Facebook eu não existo. Pois então eu não existo mesmo. Eu não tenho Facebook, não tenho conta no Orkut nem uso Twitter (me desculpem os fãs mas não vejo a menor graça em ficar enviando torpedos pra todo mundo o dia inteiro). Eu posso estar errada - e provavelmente estou mesmo - mas ainda prefiro acreditar que os amigos sabem onde me encontrar ou pelo menos deviam saber...aqui, né gente?!!

No mais, a mobilidade das pessoas e a velocidade em que as coisas acontecem nestas redes me assusta. Podem me chamar de saudosista mas eu sinto saudades daqueles cartões e cartas escritas a mão em papel decorado e depois colocadas em um envelope devidamente selado. A gente esperava dias e mais dias até o correio trazer as tais cartas, e quando elas finalmente chegavam era uma alegria danada. E sim, também sinto saudades dos tempos em que não existia internet nem celular e as pessoas se comunicavam assim mesmo.

Agora podem dizer que eu não entendi o espírito da coisa, que não absorvi o zeitgeist. O que tem seu fundo de verdade. Mas ainda prefiro as amizades à moda antiga. Careta, eu?

Com o passar dos anos, percebo que estou cada dia mais crítica quanto às relações sociais nos dias de hoje. É que vejo amizades serem feitas e desfeitas em questão de meses ou mesmo semanas! E prefiro não fazer parte deste movimento...Esta filosofia de vida no estilo fast-food me assusta. Consumo imediato, satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. Tudo bem que ninguém é insubstituível (sempre foi assim). Mas hoje em dia as pessoas trocam de amizades como trocam de emprego...ou de roupa. Sei lá, é demais pra minha cabeça. E está dado o recado.





PS. Dedicado à Arnild, Antônio e Bebete.

Tony Parsons




Entre um Murakami e outro, ainda consegui devorar Starting Over, livro mais recente de Tony Parsons, um dos meus autores favoritos da bloke lit. O outro, como não podia deixar de ser, é o ótimo Nick Hornby (About a Boy, High Fidelity, How to Be Good, Slam)! Comentei recentemente sobre Slam aqui mas não me lembro de ter falado do Tony Parsons, então está mais do que na hora de corrigir o erro! Seus livros relatam as aventuras e desventuras típicas de personagens masculinos na faixa dos 30 anos, às voltas com problemas de relacionamentos, crises existenciais, bebês e fraldas. Só sei que a receita funciona porque o público na faixa etária se identifica facilmente com o protagonista das estórias.

Eu como fã de longa data da chicklit - e não necessariamente Bridget Jones - comecei a ler blokelit logo na época em que foram lançados na Inglaterra e tenho vários livros dele aqui na prateleira: Man and Boy, One for My Baby, My Favorite Wife. Além, é claro, do recém-lançado Starting Over. Só não me lembro de ter lido The Family Way (pelo menos não vi aqui na prateleira mas sabe-se lá, minha memória é uma bosta).

Pra quem ainda não leu nada do autor, recomendo Man and Boy, sem dúvida o melhor deles e bestseller no Reino Unido e EUA. Pensando bem, não sei como o livro ainda não virou filme...principalmente se considerarmos que About a Boy do Nick Hornby foi lançado há anos nas telas de cinema com sucesso razoável de bilheteria. E sim, li o livro, assisti o filme e gosto muito dos dois (isso é que eu chamo de propaganda gratuita). E já que estamos falando de cinema, High Fidelity também acabou virando um filme acima da média que, por coincidência, revi com F. este fim-de-semana. O filme aliás é a cara dele...Impressionante.

Mais Murakami

E por falar em Japão, desde meu post sobre Murakami em julho, lá li mais dois livros dele: Norwegian Wood e Dance, Dance, Dance, este último recomendação da Anna (valeu!). Diga-se de passagem, são dois livros bem diferentes mas ambos excelentes. Eu simplesmente não sei dizer qual gostei mais. De uma coisa eu tenho certeza: Murakami é fácil fácil um dos escritores mais originais que já li. E como vicia...Já estou planejando emendar a leitura de mais dois livros: A Wild Sheep Chase e Hard-boiled Wonderland and the End of the World (considerado um dos livros mais pirados do japonês).

Norwegian Wood é o livro mais autobiográfico do autor e one of a kind. Ele é diferente dos outros livros que misturam elementos de realismo mágico, cultura pop, mitologia e literatura fantástica, com uma boa dose de lirismo - lirismo sendo provavelmente a característica que mais me atrai no autor. Norwegian Wood descreve o ritual de passagem de um adolescente, as dúvidas e inquietações típicas da adolescência, o primeiro amor, a descoberta da sexualidade etc. Como pano de fundo as revoluções estudantis de Tóquio do final dos anos 60. E claro, muitas referências à cultura pop e à música.

Dance, Dance, Dance tem uma narrativa surreal, onde os capítulos alternam sonho e realidade. Entre os personagens temos um jornalista freelance (o narrador), escortes de luxo, uma adolescente sensível de 13 anos com poderes mediúnicos, um ator de cinema e o enigmático Sheep Man, que já tinha feito sua aparição em Wild Sheep Chase. Em suma, Murakami é um daqueles autores difíceis de definir, do tipo ame-o ou deixe-o. Altamente recomendado para quem aprecia leituras inteligentes e instigantes.




Errata: No post anterior eu havia comentado que Norwegian Wood era o primeiro livro do autor. O que não é verdade, o primeiro livro é Hear the Wind Sing (publicado no Japão em 1979 e com tradução em inglês em 1987). Norwegian Wood foi publicado em 1987 no Japão, com tradução em inglês publicada no ano 2000.

Ponyo (Made in Japan)



Semana passada fomos eu, Liam e F. para o cinema. E como Liam já tinha assistido os principais blockbusters da temporada (leia-se G-Force e Ice Age 3) e ainda não pode assistir o novo Harry Potter (a censura é para 12 anos e para os pais desavisados os filmes do bruxinho deixaram de ser filmes para crianças há muito tempo), decidimos conferir Ponyo, dos Studio Gibli. Até porque, Liam já tinha assistido Spirited Away e Howl´s Moving Castle e gostado muito! Filho de peixe, peixinho é...Ponyo é uma versão japonesa do famoso conto de Hans Christian Andersen, A Pequena Sereia. O filme é direcionado para crianças pequenas, mas os pais também curtem! Eu pelo menos adorei, embora seja suspeita pra falar porque adoro filmes infantis.

Pra quem ainda não conhece os filmes produzidos pelos Studios Gibli, vale a pena conferir. Animação da melhor qualidade, Made in Japan. Seus filmes de animação (anime*) não ficam devendo nada aos filmes da Disney, que aliás já está de olho na competição...Como aconteceu com o premiado Pixar Studios, que acabou sendo comprado pela Disney em 2006. Uma das diferenças é que a maioria dos filmes dos Studios Gibli faz mais sucesso com os adultos, com exceção de Ponyo, direcionado primeiramente para os pequenos.

Fica a dica para quem ainda não teve a oportunidade de conferir!






*Nome usado para se referir a qualquer produto de animação (ou "desenhos animados") produzido no Japão. A palavra anime tem significados diferentes para os japoneses e para os ocidentais. Para os japoneses, anime é tudo o que seja desenho animado, seja estrangeiro ou nacional. Para os ocidentais, anime é todo o desenho animado que venha do Japão. A origem da palavra é controversa, podendo vir da palavra inglesa animation (animação) ou da palavra francesa animée (animado). Fonte: Wikipedia.