quinta-feira, abril 17, 2014

Espero que passe logo



Pela primeira vez em anos de blog, perdi totalmente a vontade de escrever e de compartilhar. Tenho passado por um período delicado e precisado cuidar melhor de mim mesma. Tenho tentado buscar a vida lá fora, afinal é primavera, a minha estacao favorita! E  tenho tirado (ou tentado tirar) férias virtuais, na medida do possível. É que eu sempre serei aquela pessoa nadando contra a corrente, aquela pessoa que fala coisas que incomodam, questiona tabus quando os outros preferem calar. Mas tem dia que cansa, viu? E eu tenho pensado duas vezes antes de entrar em determinadas discussões ou situações porque preciso poupar a minha energia para coisas e pessoas mais importantes!

Sem falar que estou há quase duas semanas com uma dor horrível no braço esquerdo e só comecei tratamento com anti-inflamatório esta semana (eu e a médica pensamos que a dor ia passar mas não passou). Numa escala de 1a 10, a dor é 8 (principalmente de noite quando me deito na cama, tenho dormido muito mal). Pior que esta dor, só mesmo a dor da hérnia de disco, que operei há 6 anos (aquela era mesmo 10, até morfina tomei). E convenhamos, quando a gente sente dor, é muito difícil manter o bom humor. Ando muito cansada, fisicamente mesmo (o cansaço mental é velho conhecido). E pra complicar, o tal medicamento (Diclofenac) não interage bem com o litio (é perigoso mesmo) que iniciei em março, então tive de parar o lítio pra poder tomar o anti-inflamatório mas prioridade é prioridade!

Mas deixa eu mudar de assunto porque não quero falar só de doenças e medicamentos e a minha vida felizmente ainda é muito mais do que isso. Tenho lido muito: estou terminando de ler The Universe Versus Alex Woods, certamente um dos melhores livros deste ano e que espero ainda comentar por aqui. Tenho assistido bons filmes tanto em casa quanto no cinema. No telão assisti Nebraska, American Hustle, Her e Suzanne, um pequeno filme francês daqueles pouco conhecidos mas que eu curto (adoro um bom drama francês e fiquem avisados: os franceses fazem drama como ninguém). Mais do que filmes, tenho assistido séries de tv...decidi rever todas as temporadas de Frasier, minha série favorita de todos os tempos (leia mais aqui). E tenho tomado doses diárias de Comedy Central, além dos favoritos Family Guy e American Dad, descobri uma série nova chamada Bob's Burger (tem episodios inteiros no YouTube). Enfim, a gente vai como pode.

De uma coisa eu tenho certeza: saúde física e mental é o mais importante que existe nesta vida. E quando uma ou ambas andam abaladas, a gente precisa (re)definir as prioridades e se cuidar bem porque ninguém vai cuidar da gente! Então desculpem aí o sumiço...espero que seja apenas (mais) uma fase! Quando a inspiração e a disposição voltarem, eu volto a escrever por aqui.

quinta-feira, março 20, 2014

Puxa vida


Não quero ser aquela velha ranzinza (alguns me acham "chata" mas não se pode agradar a gregos e troianos, né?). Mas puxa vida, eu até tento mas ainda me decepciono com o ser humano...Exemplo recente foi meu post anterior, que foi lido por muitos (muitos mesmo, porque eu posso ver as estatísticas do Google e o número de visitas foi acima da média) e comentado por poucos. Até mesmo pessoas que eu pensei que iriam comentar, amizades da blogosfera...Aí eu pensei: é assunto delicado e complexo, nem todo mundo sabe o que dizer. Mas sabe, tem horas que a gente gostaria de uma certa interação, de umas palavras de apoio.

A verdade é que pensei muito antes de me expor, mas acabei publicando o tal post do diagnóstico porque no final das contas, eu continuo sendo eu mesma e às vezes tenho mais necessidade de dividir algo do que de me poupar. E sinceramente, espero que o post tenha sido útil para algumas daquelas pessoas que leram, talvez pessoas que como eu ficaram anos mudando de terapia e medicamento até receber o diagnóstico correto.

Enfim, sei lá. Vai ver ando mesmo carente...sinto falta de alguém pra compartilhar esta batalha, mas cheguei à conclusão de que esta batalha eu terei de lutar sozinha - como aliás já venho fazendo há anos.

O que tem me salvo é o F., companheiro que nunca me abandona.  E uma amiga de longíssima data que atura meus altos e baixos há quase 30 anos. E meu filho, que é meu maior tesouro...embora ele também esteja passando por uma fase difícil (adolescência).

O que tem me salvo são meus livros, minhas leituras que me transportam para outros mundos, outras vidas, outras realidades. Os filmes, que tem sido parte da minha vida desde a adolescência. E minha criatividade, meu canal de expressão.

Ou seja, a vida é assim mesmo e não adianta reclamar, né? Cada um com suas batalhas e cada um vivendo como dá. Eu já aprendi muito mas ainda tenho muto a aprender. Tenho de aprender a esperar menos das pessoas. Aprender a dar (mais) valor aqueles que me amam em vez de sofrer com perdas do passado. Porque os que se foram só se foram porque era para ser assim. As pessoas que ficam na vida da gente, ficam por uma razão.

Bom, acho que era só isso...

quinta-feira, março 13, 2014

O novo diagnóstico

Pra quem percebeu o meu sumiço (de vez eu quando eu sumo pra reorganizar as idéias), voltei - então senta que lá vem estória! Pra falar a verdade, eu pensei um bocado se devia ou não publicar isso aqui mas como eu sou eu, já viu! Eu não tenho papas na língua.

Em novembro, como todo fim de ano, tive mais uma crise pesadíssima (comentei aqui). Dessa vez tive até de mudar de tratamento (terapia e medicamento) e desde então, tive duas longas conversas com o novo psiquiatra...que finalmente sacou o que os anteriores não sacaram. Tá sentado? O novo psiquiatra reveu meus diagnósticos anteriores de depressão e borderline e concluiu que sou um caso clássico de Bipolar II (ou seja, nada de borderline tá gente?) . Pra ser sincera, nem cheguei a ficar surpresa com o novo diagnóstico, porque sempre desconfiei disso (e subitamente a ficha caiu e muita coisa passou a fazer sentido). O problema é que eu mesma não tinha informação suficiente sobre a tal doença...então complicou, né?



Explicando para os leigos (e pra quem estiver interessado no assunto), existem dois tipos de bipolar: I e II. Bipolar I é o quadro clássico do maníaco-depressivo e se caracteriza por ciclos alternados de depressão e mania (e em casos mais graves, psicose). Geralmente a primeira crise ocorre lá pelos 18 anos e é tão grave que o paciente precisa ser hospitalizado. Eu conheço uma pessoa assim, e ela toma lítio há mais de 20 anos (e virou minha coach nesta nova fase de medicamento pois eu comecei a tomar lítio semana passada). Dito isso, Bipolar I é o tipo mais fácil de ser diagnosticado.

Bipolar II (meu "novo" diagnóstico), a pessoa sofre períodos de depressão grave com períodos de hipermania (irritabilidade, agitação mental e um certo grau de "entusiasmo" que não são graves o bastante para serem classificados como mania). O problema é que o paciente com Bipolar II geralmente só busca ajuda quando está deprimido - porque quando a pessoa está na fase animada está tudo bem e todo mundo está feliz, né? Infelizmente, no Bipolar II as crises de depressão são mais frequentes do que a hipomania. Outro aspecto que dificulta o diagnóstico é que alguns sintomas típicos - como falar ininterruptamente e aceleradamente ("metralhadora"), agitação mental, insônia, irritabilidade e impulsividade - muitas vezes são confundidos com ADHD (Attention Deficit Hyperactive Disorder)...o que diga-se de passagem, aconteceu inúmeras vezes comigo! Principalmente os holandeses, que valorizam o silencio e o temperamento introvertido e reservado. Se no Brasil o meu temperamento " extrovertido"  e " falante"  nem incomoda tanta gente assim (embora também incomode), aqui na Holanda eu incomodo muito. Eu simplesmente não me encaixo na cultura holandesa...
 
No meu caso, foi uma longa jornada até chegar a este diagnóstico. Os últimos dez anos tem sido uma jornada dolorosa com todo tipo de problemas, desde no campo profissional até nos relacionamentos e amizades (quem costuma ler este blog sabe disso). Acho que mais perdi do que fiz amigos aqui na Holanda nos últimos 20 anos (a grande vantagem é que só ficaram mesmo os amigos de verdade). Várias terapias, psicólogos, 3 ou 4 psiquiatras, 3 antidepressivos diferentes (Effexor, Prozac e Cymbalta sendo do que dos tres o que salvou a minha vida foi sem duvida o Prozac) .Fora isso, fiz dois tratamentos prolongados numa clínica daqui (no primeiro recebi o diagnóstico de depressão e no segundo o diagnóstico de borderline). E ano passado, depois que o terceiro antidepressivo deixou de ter efeito (uma situação horrível que só desejo ao meu pior inimigo), minha médica me encaminhou para outra clínica renomada aqui em Amsterdam e desde então estou sendo tratada por um novo psiquiatra. Com um novo medicamento, o velho e conhecido lítio, usado com sucesso no tratamento bipolar há mais de 50 anos.

Portanto, quando eu digo que a minha vida é cheia de altos e baixos, podem acreditar que não estou exagerando. E sabem de uma coisa? Quase ou tão ruim quanto esta doença é a ignorancia alheia. E foi por isso que decidi escrever este post. Quem sabe um dia as pessoas acordam.





terça-feira, fevereiro 25, 2014

Only Lovers Left Alive



Eu sou suspeita pra falar porque sou fã de Jim Jarmush desde Strangers than Paradise (1984), Coffee and Cigarettes (1986) e Down by Law (1986). No tempo em que ele era um garoto prodígio de 20 e poucos anos e seus filmes viravam cult no Festival de Cannes. E já se passaram 30 anos desde Strangers than Paradise, filme que me traz lembranças de tempos distantes...quando eu ainda morava no Brasil e frequentava assiduamente o Cineclube Estação Botafogo!

Mas voltando ao filme em questão: Only Lovers Left Alive é mais do que uma estória de vampiros - é uma ode à música, à literatura e à fotografia. O filme é um verdadeiro colírio para os olhos...belas imagens e uma trilha sonora que reflete a atmosfera do filme. O ritmo do filme é lento, propício à estória de vampiros que vivem uma eternidade através dos séculos e de diversos continentes (EUA-Europa-África).

Acima de tudo, temos aqui uma estória de vampiros diferente, quase sem sangue. Jarmush optou por aprofundar temas existenciais como a eternidade e o amor. A sabedoria que apenas pode ser obtida com o passar dos anos e com as experiências acumuladas. E quem vive neste planeta há mais de três séculos deve ter acumulado alguma sabedoria, né?

Os protagonistas são Eve (atuação impecável de Tilda Swanton) que vive em Tangers, Marrocos e Adam, punk rock star que vive em Detroit, EUA. Adam tem surtos de melancolia e uma relação problemática com os "mortais". Quando Eve percebe que ele está deprimido, ela não hesita e pega um avião em Tangers para Detroit. O reencontro dos dois acaba sendo perturbado pela visita inesperada da irmã caçula de Eve, que tem o hábito de deixar rastros por onde anda...

Embora Eve tenha vivido três longos séculos da história da humanidade e Adam "apenas" 500 anos, eles se complementam de forma harmoniosa. Ela vive para os livros, ele vive para a música. Dois vampiros conectados por um amor imortal.




quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Blogueiras em crise



O que eu gosto mesmo neste mundo dos blogs é ver que não estou sozinha. É ver que tem gente por este mundo afora que sente e pensa como eu. E assim eu não me sinto tão estranha e com a (eterna) sensação de estar sempre nadando contra a corrente. Porque blogueiro que se preza também tem suas crises. A começar pelo famoso writer´s block. Bloqueio de escrita não é só coisa pra escritor, sabiam? Porque se for pensar bem, toda blogueira tem um pouco de escritora. Toda blogueira precisa escrever, precisa das palavras para interagir com os outros (não necessariamente seus leitores mas já é um bom começo). E chega um dia que ela se questiona se vale a pena se expor, se o preço a ser pago vale a pena.

A gente passa a maior parte do tempo buscando o equilíbrio, tentando conciliar nossa necessidade de escrever com o grau inevitável de exposição (não se iludam, tudo na vida tem seu preço). Eu mesma já passei por todas as fases. No inicio do blog eu era aquela pessoa ingenua e escrevia como quem escreve um diário, pra mim mesma (bons tempos aqueles). Até que os seguidores começaram a chegar (embora eu ainda tenha relativamente poucos em comparação com algumas estrelas da blogosfera), a gente começa a pensar duas vezes antes de fazer mais aquele desabafo. A gente começa a pensar duas vezes antes de se expor para desconhecidos. A gente se questiona se vale mesmo a pena arriscar mais uma polêmica. Em outras palavras, a gente vira macaco velho...

E aí vem a famosa crise: desistir do blog? fechar o blog apenas para convidados? Eu passei por essa crise no ano passado, ainda passo em dias ruins. Até que leio um post do tipo desabafo de uma amiga blogueira. As duas últimas foram a minha querida Priscila do Devaneios e Metamorfoses (que escreveu este post que poderia ter sido escrito por mim, sem tirar nem por). E a minha blogueira nerd favorita, a Luana do Hunfs, que assim como muitos, cansou (aqui). E ambas estão cobertas de razão. E eu me sinto menos sozinha e grata a elas por terem compartilhado.

Quem lê este blog - são poucos mas são leitores fiéis - sabe que eu tenho uma relação de amor e ódio com uma certa rede social. Porque eu acho muito dificil ser genuíno quando existem regras rígidas de comportamento. Regras sobre o que pode e o que não pode ser dito. Como a regra implícita de que não se deve falar de problemas (afinal, todo mundo é feliz o tempo todo). Não se pode falar, não se pode desabafar, reclamar muito menos. E bola pra frente que atrás vem gente!

E é justamente aí que entra o papel dos blogs. Porque em um blog, quem faz a regra é o blogueiro que escreve. Se ele quer escrever um post pessoal, escreve e pronto! Se ele vai ou não arcar com as consequências, o problema é dele. Se ele quer postar fotos bonitinhas e textos inspiracionais, tá bom também. Tem público pra todo tipo de blog (e não apenas para os populares blogs de viagem). E é justamente isso que eu admiro na blogosfera: sua diversidade. Porque sinceramente, nem todo mundo curte ver todo santo dia fotos de pessoas sorrindo em suas viagens, ou grupos de pessoas se divertindo em uma festa ou restaurante, o novo carro ou o que fulano jantou ontem. Muitos de nós sabemos (e aceitamos) que a vida é muito mais do que isso. Nós queremos ir além e descobrir (desvendar) a realidade por trás destas paisagens. Mas há um preço a ser pago.

Moral da estória: ter blog pessoal não é para os fracos. Porque ser autêntico no mundo de hoje é uma das tarefas mais difíceis que uma pessoa irá (ou não) realizar em sua vida. Boa sorte para quem decidiu embarcar nesta viagem. E muita coragem pra continuar sendo quem você é, independentemente do que os outros acham ou deixam de achar!

Quanto a mim, só sei ser eu mesma.



quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Mixed Media: a primeira experiência



Sábado passado finalmente participei do esperado workshop de Mixed Media que havia reservado em dezembro. O curso é dado numa aconchegante lojinha de artesanatos em Amsterdam, onde são oferecidos vários tipos de workshop para pequenos grupos. E eu como ando "cismada" com Mixed Media (ainda mais agora com o Pinterest), não resisti e fui!

Verdade seja dita, achei 80 euros por cinco horas de aula (de 10 às 15hrs) um pouco caro...lanchinho incluído na hora do almoço mas poucas instruções. Claro que a idéia do workshop é 'orientar" a(o) aluna(o) na descoberta de sua criatividade, sem intervir no processo individual. Ou seja: o artista é você! Nada é obrigatório, tudo é permitido. Sem falar que em arte não há "errado" nem "certo" (ou melhor, até há mas isso é outra discussão). Mas eu senti falta de instruções mais específicas de como usar as tintas, por exemplo. Eu já mexo há tempos com papel e sei combinar cores e padrões sem problemas. Mas tinta é terreno novo pra mim. E foi pensando nisso que me inscrevi nesse worskshop.

Agora eu vou contar um segredo: o que eu aprendi lá no sábado eu poderia ter aprendido com o meu filho aqui em casa! Porque eu posso ser criativa mas Liam é o verdadeiro artista - até comentei isso lá. Ele desenha muito bem desde os seis anos de idade, já fez um ano e meio de atelier de pintura no zoológico da cidade (e como bom artista, diz que não aprendeu nada lá e eu acredito). Liam aprendeu a desenhar sozinho, aprendeu perspectiva sozinho, sombra e tudo mais. Acima de tudo, ele gosta de fazer sketching com lápis, quanto mais realista melhor. Aos oito anos desenhava dinossauros, depois foram baleias, golfinhos e tubarões, depois leões, girafas...mais tarde foi a vez dos tucanos, águias e outros pássaros. E tudo isso sozinho, por conta própria. Como todo artista que se preze!

Quanto a mim, tenho surtos de criatividade e muita vontade de aprender. Gostei da tela acima, do material escolhido (tecidos, pedacinhos de papel de parede com textura de bolinhas, letras cortadas de revistas, fitas, etc). Mas não fiquei safisteita na hora de pintar o tal café e a espuma (digamos que a minha idéia inicial era uma xícara de cappuccino). E acreditem se quiser, Liam mal viu a minha tela e logo achou o erro. Ele me deu uma verdadeira aula de técnica de pintura (perspectiva, profundidade), usando praticamente as mesmas palavras da professora lá no workshop! Filho artista é assim.

Moral da estória, da próxima vez que eu for mexer com tinta ou mixed media, foi aproveitar o artista que tenho aqui de casa pra me dar dicas! Sem brincadeira.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

A primeira colagem



Eu ando expandindo a minha criatividade cada dia mais além dos cartões que tanto adoro fazer (e até vendi um bocado de cartões no natal passado). A verdade é que amo PAPEL e por isso meu primeiro interesse não podia ser outro senão o scrapbooking.

Só que pra mim, scrapbooking sempre foi muito mais do que páginas com fotos. Eu sempre preferi os mini-álbuns, por exemplo. E cartões, claro. Ou seja, eu emprego as técnicas que aprendi eu mesma e vou inventando uma novidade aqui e ali. Marcadores de livros, caderninhos de notas e por aí vai.

Ultimamente tenho me interessado muito por mixed media. Ando espiando no Pinterest, folheando livros e finalmente tomei a coragem de me matricular num workshop! O workshop é amanhã e não vejo a hora de colocar a mão na massa - literalmente. Pra quem não sabe, mixed media (como o própria nome sugere) é o uso combinado de vários materiais. Entre eles: vários tipos de tinta (aquarela. acrílico, óleo), gesso, papel, carimbos, pedaços de tecido, medalhas, moedas e tudo o mais que a imaginação permitir.

Uma das técnicas mais usadas é a colagem. A boa e velha colagem com a qual muitos de nós tem seu primeiro contato na escola maternal...pra nunca mais! Eu mesma me lembro vagamente de ter feito alguma colagem no atelier do colégio Bennett. Assim como fizemos aulas de pintura, papier marché, costura e até culinária! Na minha época era assim.

Mas voltando à colagem, em janeiro resolvi passar uma tarde chuvosa fazendo arte(terapia) com uma amiga brasileira que também mora aqui. E não sei porque cargas d'água me veio a idéia de tentar fazer umas colagens com papel de revista. Saímos picando um monte de revistas e a idéia foi se formando até que surgiu este sol aí encima - em pleno inverno holandês!

Pra ser sincera, fiquei bem satisfeita com o resultado da minha primeira colagem. Tão satisfeita que acabei engatando e fiz na mesma tarde uma outra colagem, desta vez de uma árvore. Só que a segunda colagem ficou, digamos assim, "inacabada" (ou esta é a sensação que tenho até hoje). Enquanto que o sol...ficou exatamente como a imagem que eu tinha na minha cabeça. Vai entender?




Tecnologia do Blogger.

Espero que passe logo



Pela primeira vez em anos de blog, perdi totalmente a vontade de escrever e de compartilhar. Tenho passado por um período delicado e precisado cuidar melhor de mim mesma. Tenho tentado buscar a vida lá fora, afinal é primavera, a minha estacao favorita! E  tenho tirado (ou tentado tirar) férias virtuais, na medida do possível. É que eu sempre serei aquela pessoa nadando contra a corrente, aquela pessoa que fala coisas que incomodam, questiona tabus quando os outros preferem calar. Mas tem dia que cansa, viu? E eu tenho pensado duas vezes antes de entrar em determinadas discussões ou situações porque preciso poupar a minha energia para coisas e pessoas mais importantes!

Sem falar que estou há quase duas semanas com uma dor horrível no braço esquerdo e só comecei tratamento com anti-inflamatório esta semana (eu e a médica pensamos que a dor ia passar mas não passou). Numa escala de 1a 10, a dor é 8 (principalmente de noite quando me deito na cama, tenho dormido muito mal). Pior que esta dor, só mesmo a dor da hérnia de disco, que operei há 6 anos (aquela era mesmo 10, até morfina tomei). E convenhamos, quando a gente sente dor, é muito difícil manter o bom humor. Ando muito cansada, fisicamente mesmo (o cansaço mental é velho conhecido). E pra complicar, o tal medicamento (Diclofenac) não interage bem com o litio (é perigoso mesmo) que iniciei em março, então tive de parar o lítio pra poder tomar o anti-inflamatório mas prioridade é prioridade!

Mas deixa eu mudar de assunto porque não quero falar só de doenças e medicamentos e a minha vida felizmente ainda é muito mais do que isso. Tenho lido muito: estou terminando de ler The Universe Versus Alex Woods, certamente um dos melhores livros deste ano e que espero ainda comentar por aqui. Tenho assistido bons filmes tanto em casa quanto no cinema. No telão assisti Nebraska, American Hustle, Her e Suzanne, um pequeno filme francês daqueles pouco conhecidos mas que eu curto (adoro um bom drama francês e fiquem avisados: os franceses fazem drama como ninguém). Mais do que filmes, tenho assistido séries de tv...decidi rever todas as temporadas de Frasier, minha série favorita de todos os tempos (leia mais aqui). E tenho tomado doses diárias de Comedy Central, além dos favoritos Family Guy e American Dad, descobri uma série nova chamada Bob's Burger (tem episodios inteiros no YouTube). Enfim, a gente vai como pode.

De uma coisa eu tenho certeza: saúde física e mental é o mais importante que existe nesta vida. E quando uma ou ambas andam abaladas, a gente precisa (re)definir as prioridades e se cuidar bem porque ninguém vai cuidar da gente! Então desculpem aí o sumiço...espero que seja apenas (mais) uma fase! Quando a inspiração e a disposição voltarem, eu volto a escrever por aqui.

Puxa vida


Não quero ser aquela velha ranzinza (alguns me acham "chata" mas não se pode agradar a gregos e troianos, né?). Mas puxa vida, eu até tento mas ainda me decepciono com o ser humano...Exemplo recente foi meu post anterior, que foi lido por muitos (muitos mesmo, porque eu posso ver as estatísticas do Google e o número de visitas foi acima da média) e comentado por poucos. Até mesmo pessoas que eu pensei que iriam comentar, amizades da blogosfera...Aí eu pensei: é assunto delicado e complexo, nem todo mundo sabe o que dizer. Mas sabe, tem horas que a gente gostaria de uma certa interação, de umas palavras de apoio.

A verdade é que pensei muito antes de me expor, mas acabei publicando o tal post do diagnóstico porque no final das contas, eu continuo sendo eu mesma e às vezes tenho mais necessidade de dividir algo do que de me poupar. E sinceramente, espero que o post tenha sido útil para algumas daquelas pessoas que leram, talvez pessoas que como eu ficaram anos mudando de terapia e medicamento até receber o diagnóstico correto.

Enfim, sei lá. Vai ver ando mesmo carente...sinto falta de alguém pra compartilhar esta batalha, mas cheguei à conclusão de que esta batalha eu terei de lutar sozinha - como aliás já venho fazendo há anos.

O que tem me salvo é o F., companheiro que nunca me abandona.  E uma amiga de longíssima data que atura meus altos e baixos há quase 30 anos. E meu filho, que é meu maior tesouro...embora ele também esteja passando por uma fase difícil (adolescência).

O que tem me salvo são meus livros, minhas leituras que me transportam para outros mundos, outras vidas, outras realidades. Os filmes, que tem sido parte da minha vida desde a adolescência. E minha criatividade, meu canal de expressão.

Ou seja, a vida é assim mesmo e não adianta reclamar, né? Cada um com suas batalhas e cada um vivendo como dá. Eu já aprendi muito mas ainda tenho muto a aprender. Tenho de aprender a esperar menos das pessoas. Aprender a dar (mais) valor aqueles que me amam em vez de sofrer com perdas do passado. Porque os que se foram só se foram porque era para ser assim. As pessoas que ficam na vida da gente, ficam por uma razão.

Bom, acho que era só isso...

O novo diagnóstico

Pra quem percebeu o meu sumiço (de vez eu quando eu sumo pra reorganizar as idéias), voltei - então senta que lá vem estória! Pra falar a verdade, eu pensei um bocado se devia ou não publicar isso aqui mas como eu sou eu, já viu! Eu não tenho papas na língua.

Em novembro, como todo fim de ano, tive mais uma crise pesadíssima (comentei aqui). Dessa vez tive até de mudar de tratamento (terapia e medicamento) e desde então, tive duas longas conversas com o novo psiquiatra...que finalmente sacou o que os anteriores não sacaram. Tá sentado? O novo psiquiatra reveu meus diagnósticos anteriores de depressão e borderline e concluiu que sou um caso clássico de Bipolar II (ou seja, nada de borderline tá gente?) . Pra ser sincera, nem cheguei a ficar surpresa com o novo diagnóstico, porque sempre desconfiei disso (e subitamente a ficha caiu e muita coisa passou a fazer sentido). O problema é que eu mesma não tinha informação suficiente sobre a tal doença...então complicou, né?



Explicando para os leigos (e pra quem estiver interessado no assunto), existem dois tipos de bipolar: I e II. Bipolar I é o quadro clássico do maníaco-depressivo e se caracteriza por ciclos alternados de depressão e mania (e em casos mais graves, psicose). Geralmente a primeira crise ocorre lá pelos 18 anos e é tão grave que o paciente precisa ser hospitalizado. Eu conheço uma pessoa assim, e ela toma lítio há mais de 20 anos (e virou minha coach nesta nova fase de medicamento pois eu comecei a tomar lítio semana passada). Dito isso, Bipolar I é o tipo mais fácil de ser diagnosticado.

Bipolar II (meu "novo" diagnóstico), a pessoa sofre períodos de depressão grave com períodos de hipermania (irritabilidade, agitação mental e um certo grau de "entusiasmo" que não são graves o bastante para serem classificados como mania). O problema é que o paciente com Bipolar II geralmente só busca ajuda quando está deprimido - porque quando a pessoa está na fase animada está tudo bem e todo mundo está feliz, né? Infelizmente, no Bipolar II as crises de depressão são mais frequentes do que a hipomania. Outro aspecto que dificulta o diagnóstico é que alguns sintomas típicos - como falar ininterruptamente e aceleradamente ("metralhadora"), agitação mental, insônia, irritabilidade e impulsividade - muitas vezes são confundidos com ADHD (Attention Deficit Hyperactive Disorder)...o que diga-se de passagem, aconteceu inúmeras vezes comigo! Principalmente os holandeses, que valorizam o silencio e o temperamento introvertido e reservado. Se no Brasil o meu temperamento " extrovertido"  e " falante"  nem incomoda tanta gente assim (embora também incomode), aqui na Holanda eu incomodo muito. Eu simplesmente não me encaixo na cultura holandesa...
 
No meu caso, foi uma longa jornada até chegar a este diagnóstico. Os últimos dez anos tem sido uma jornada dolorosa com todo tipo de problemas, desde no campo profissional até nos relacionamentos e amizades (quem costuma ler este blog sabe disso). Acho que mais perdi do que fiz amigos aqui na Holanda nos últimos 20 anos (a grande vantagem é que só ficaram mesmo os amigos de verdade). Várias terapias, psicólogos, 3 ou 4 psiquiatras, 3 antidepressivos diferentes (Effexor, Prozac e Cymbalta sendo do que dos tres o que salvou a minha vida foi sem duvida o Prozac) .Fora isso, fiz dois tratamentos prolongados numa clínica daqui (no primeiro recebi o diagnóstico de depressão e no segundo o diagnóstico de borderline). E ano passado, depois que o terceiro antidepressivo deixou de ter efeito (uma situação horrível que só desejo ao meu pior inimigo), minha médica me encaminhou para outra clínica renomada aqui em Amsterdam e desde então estou sendo tratada por um novo psiquiatra. Com um novo medicamento, o velho e conhecido lítio, usado com sucesso no tratamento bipolar há mais de 50 anos.

Portanto, quando eu digo que a minha vida é cheia de altos e baixos, podem acreditar que não estou exagerando. E sabem de uma coisa? Quase ou tão ruim quanto esta doença é a ignorancia alheia. E foi por isso que decidi escrever este post. Quem sabe um dia as pessoas acordam.





Only Lovers Left Alive



Eu sou suspeita pra falar porque sou fã de Jim Jarmush desde Strangers than Paradise (1984), Coffee and Cigarettes (1986) e Down by Law (1986). No tempo em que ele era um garoto prodígio de 20 e poucos anos e seus filmes viravam cult no Festival de Cannes. E já se passaram 30 anos desde Strangers than Paradise, filme que me traz lembranças de tempos distantes...quando eu ainda morava no Brasil e frequentava assiduamente o Cineclube Estação Botafogo!

Mas voltando ao filme em questão: Only Lovers Left Alive é mais do que uma estória de vampiros - é uma ode à música, à literatura e à fotografia. O filme é um verdadeiro colírio para os olhos...belas imagens e uma trilha sonora que reflete a atmosfera do filme. O ritmo do filme é lento, propício à estória de vampiros que vivem uma eternidade através dos séculos e de diversos continentes (EUA-Europa-África).

Acima de tudo, temos aqui uma estória de vampiros diferente, quase sem sangue. Jarmush optou por aprofundar temas existenciais como a eternidade e o amor. A sabedoria que apenas pode ser obtida com o passar dos anos e com as experiências acumuladas. E quem vive neste planeta há mais de três séculos deve ter acumulado alguma sabedoria, né?

Os protagonistas são Eve (atuação impecável de Tilda Swanton) que vive em Tangers, Marrocos e Adam, punk rock star que vive em Detroit, EUA. Adam tem surtos de melancolia e uma relação problemática com os "mortais". Quando Eve percebe que ele está deprimido, ela não hesita e pega um avião em Tangers para Detroit. O reencontro dos dois acaba sendo perturbado pela visita inesperada da irmã caçula de Eve, que tem o hábito de deixar rastros por onde anda...

Embora Eve tenha vivido três longos séculos da história da humanidade e Adam "apenas" 500 anos, eles se complementam de forma harmoniosa. Ela vive para os livros, ele vive para a música. Dois vampiros conectados por um amor imortal.




Blogueiras em crise



O que eu gosto mesmo neste mundo dos blogs é ver que não estou sozinha. É ver que tem gente por este mundo afora que sente e pensa como eu. E assim eu não me sinto tão estranha e com a (eterna) sensação de estar sempre nadando contra a corrente. Porque blogueiro que se preza também tem suas crises. A começar pelo famoso writer´s block. Bloqueio de escrita não é só coisa pra escritor, sabiam? Porque se for pensar bem, toda blogueira tem um pouco de escritora. Toda blogueira precisa escrever, precisa das palavras para interagir com os outros (não necessariamente seus leitores mas já é um bom começo). E chega um dia que ela se questiona se vale a pena se expor, se o preço a ser pago vale a pena.

A gente passa a maior parte do tempo buscando o equilíbrio, tentando conciliar nossa necessidade de escrever com o grau inevitável de exposição (não se iludam, tudo na vida tem seu preço). Eu mesma já passei por todas as fases. No inicio do blog eu era aquela pessoa ingenua e escrevia como quem escreve um diário, pra mim mesma (bons tempos aqueles). Até que os seguidores começaram a chegar (embora eu ainda tenha relativamente poucos em comparação com algumas estrelas da blogosfera), a gente começa a pensar duas vezes antes de fazer mais aquele desabafo. A gente começa a pensar duas vezes antes de se expor para desconhecidos. A gente se questiona se vale mesmo a pena arriscar mais uma polêmica. Em outras palavras, a gente vira macaco velho...

E aí vem a famosa crise: desistir do blog? fechar o blog apenas para convidados? Eu passei por essa crise no ano passado, ainda passo em dias ruins. Até que leio um post do tipo desabafo de uma amiga blogueira. As duas últimas foram a minha querida Priscila do Devaneios e Metamorfoses (que escreveu este post que poderia ter sido escrito por mim, sem tirar nem por). E a minha blogueira nerd favorita, a Luana do Hunfs, que assim como muitos, cansou (aqui). E ambas estão cobertas de razão. E eu me sinto menos sozinha e grata a elas por terem compartilhado.

Quem lê este blog - são poucos mas são leitores fiéis - sabe que eu tenho uma relação de amor e ódio com uma certa rede social. Porque eu acho muito dificil ser genuíno quando existem regras rígidas de comportamento. Regras sobre o que pode e o que não pode ser dito. Como a regra implícita de que não se deve falar de problemas (afinal, todo mundo é feliz o tempo todo). Não se pode falar, não se pode desabafar, reclamar muito menos. E bola pra frente que atrás vem gente!

E é justamente aí que entra o papel dos blogs. Porque em um blog, quem faz a regra é o blogueiro que escreve. Se ele quer escrever um post pessoal, escreve e pronto! Se ele vai ou não arcar com as consequências, o problema é dele. Se ele quer postar fotos bonitinhas e textos inspiracionais, tá bom também. Tem público pra todo tipo de blog (e não apenas para os populares blogs de viagem). E é justamente isso que eu admiro na blogosfera: sua diversidade. Porque sinceramente, nem todo mundo curte ver todo santo dia fotos de pessoas sorrindo em suas viagens, ou grupos de pessoas se divertindo em uma festa ou restaurante, o novo carro ou o que fulano jantou ontem. Muitos de nós sabemos (e aceitamos) que a vida é muito mais do que isso. Nós queremos ir além e descobrir (desvendar) a realidade por trás destas paisagens. Mas há um preço a ser pago.

Moral da estória: ter blog pessoal não é para os fracos. Porque ser autêntico no mundo de hoje é uma das tarefas mais difíceis que uma pessoa irá (ou não) realizar em sua vida. Boa sorte para quem decidiu embarcar nesta viagem. E muita coragem pra continuar sendo quem você é, independentemente do que os outros acham ou deixam de achar!

Quanto a mim, só sei ser eu mesma.



Mixed Media: a primeira experiência



Sábado passado finalmente participei do esperado workshop de Mixed Media que havia reservado em dezembro. O curso é dado numa aconchegante lojinha de artesanatos em Amsterdam, onde são oferecidos vários tipos de workshop para pequenos grupos. E eu como ando "cismada" com Mixed Media (ainda mais agora com o Pinterest), não resisti e fui!

Verdade seja dita, achei 80 euros por cinco horas de aula (de 10 às 15hrs) um pouco caro...lanchinho incluído na hora do almoço mas poucas instruções. Claro que a idéia do workshop é 'orientar" a(o) aluna(o) na descoberta de sua criatividade, sem intervir no processo individual. Ou seja: o artista é você! Nada é obrigatório, tudo é permitido. Sem falar que em arte não há "errado" nem "certo" (ou melhor, até há mas isso é outra discussão). Mas eu senti falta de instruções mais específicas de como usar as tintas, por exemplo. Eu já mexo há tempos com papel e sei combinar cores e padrões sem problemas. Mas tinta é terreno novo pra mim. E foi pensando nisso que me inscrevi nesse worskshop.

Agora eu vou contar um segredo: o que eu aprendi lá no sábado eu poderia ter aprendido com o meu filho aqui em casa! Porque eu posso ser criativa mas Liam é o verdadeiro artista - até comentei isso lá. Ele desenha muito bem desde os seis anos de idade, já fez um ano e meio de atelier de pintura no zoológico da cidade (e como bom artista, diz que não aprendeu nada lá e eu acredito). Liam aprendeu a desenhar sozinho, aprendeu perspectiva sozinho, sombra e tudo mais. Acima de tudo, ele gosta de fazer sketching com lápis, quanto mais realista melhor. Aos oito anos desenhava dinossauros, depois foram baleias, golfinhos e tubarões, depois leões, girafas...mais tarde foi a vez dos tucanos, águias e outros pássaros. E tudo isso sozinho, por conta própria. Como todo artista que se preze!

Quanto a mim, tenho surtos de criatividade e muita vontade de aprender. Gostei da tela acima, do material escolhido (tecidos, pedacinhos de papel de parede com textura de bolinhas, letras cortadas de revistas, fitas, etc). Mas não fiquei safisteita na hora de pintar o tal café e a espuma (digamos que a minha idéia inicial era uma xícara de cappuccino). E acreditem se quiser, Liam mal viu a minha tela e logo achou o erro. Ele me deu uma verdadeira aula de técnica de pintura (perspectiva, profundidade), usando praticamente as mesmas palavras da professora lá no workshop! Filho artista é assim.

Moral da estória, da próxima vez que eu for mexer com tinta ou mixed media, foi aproveitar o artista que tenho aqui de casa pra me dar dicas! Sem brincadeira.

A primeira colagem



Eu ando expandindo a minha criatividade cada dia mais além dos cartões que tanto adoro fazer (e até vendi um bocado de cartões no natal passado). A verdade é que amo PAPEL e por isso meu primeiro interesse não podia ser outro senão o scrapbooking.

Só que pra mim, scrapbooking sempre foi muito mais do que páginas com fotos. Eu sempre preferi os mini-álbuns, por exemplo. E cartões, claro. Ou seja, eu emprego as técnicas que aprendi eu mesma e vou inventando uma novidade aqui e ali. Marcadores de livros, caderninhos de notas e por aí vai.

Ultimamente tenho me interessado muito por mixed media. Ando espiando no Pinterest, folheando livros e finalmente tomei a coragem de me matricular num workshop! O workshop é amanhã e não vejo a hora de colocar a mão na massa - literalmente. Pra quem não sabe, mixed media (como o própria nome sugere) é o uso combinado de vários materiais. Entre eles: vários tipos de tinta (aquarela. acrílico, óleo), gesso, papel, carimbos, pedaços de tecido, medalhas, moedas e tudo o mais que a imaginação permitir.

Uma das técnicas mais usadas é a colagem. A boa e velha colagem com a qual muitos de nós tem seu primeiro contato na escola maternal...pra nunca mais! Eu mesma me lembro vagamente de ter feito alguma colagem no atelier do colégio Bennett. Assim como fizemos aulas de pintura, papier marché, costura e até culinária! Na minha época era assim.

Mas voltando à colagem, em janeiro resolvi passar uma tarde chuvosa fazendo arte(terapia) com uma amiga brasileira que também mora aqui. E não sei porque cargas d'água me veio a idéia de tentar fazer umas colagens com papel de revista. Saímos picando um monte de revistas e a idéia foi se formando até que surgiu este sol aí encima - em pleno inverno holandês!

Pra ser sincera, fiquei bem satisfeita com o resultado da minha primeira colagem. Tão satisfeita que acabei engatando e fiz na mesma tarde uma outra colagem, desta vez de uma árvore. Só que a segunda colagem ficou, digamos assim, "inacabada" (ou esta é a sensação que tenho até hoje). Enquanto que o sol...ficou exatamente como a imagem que eu tinha na minha cabeça. Vai entender?