Impressionante como as crianças crescem de uma hora pra outra. Seu filho adorável se transforma subitamente numa pessoa cheia de opiniões e sempre pronta a questionar as suas! Sim, tudo isso faz parte da passagem para a adolescência. Mas a gente leva cada susto! É preciso tempo pra nos acostumarmos com esta nova pessoa dentro de nossa casa. E haja paciência, viu?
Meu filho nunca foi uma criança "difícil" - fora a
via crucis que foi o período de testes e exames, diagnóstico de autismo (PPD-NOS) e mudança para a escola especial que já contei aqui no blog (interessados no assunto, leiam o marcador
Autismo aqui à direita). Mas agora prestes a completar 13 anos tenho percebido algumas mudanças inevitáveis. E isso por um lado é bom e natural. Por outro lado, haja saco para aturar tanta discussão acalorada e mudanças de humor (e nem vou falar na batalha de todas as manhãs em que mal consigo fazer o menino sair da cama pra ir pra escola). Pensando bem, das
mudanças de humor eu nem tenho o direito de reclamar pois eu mesma mudo de humor várias vezes no mesmo dia! Então quem sou eu pra reclamar, né?
Só sei que muito se fala e se escreve sobre a adolescência e apesar de tudo, ela nem me assusta tanto assim ...Verdade seja dita, adolescente pode ser uma criatura irritante e teimosa, com uma grande capacidade de nos tirar do sério a qualquer hora do dia ou da noite. Mas se pararmos pra pensar, um dia nós também fomos assim. Sem falar que a adolescência também é um dos períodos mais ricos e férteis do ser humano, onde descobrimos e criamos pouco a pouco nossa
identidade (tudo aquilo que nos diferencia de nossos pais e dos outros). E convenhamos, não há nada de errado nisso. Muito pelo contrário.
De resto, eu posso até estar errada (só o tempo dirá), mas acho que estou bem preparada para os próximos anos...a começar porque crio meu filho de uma forma bem diferente de como fui criada - e nem podia ser diferente, vivemos em outra época e em outro país! Eu e Liam conversamos sobre assuntos que eu nunca sonhei em conversar com a minha mãe. Liam tem uma criação muito mais liberal do que eu tive (e nem podia ser diferente em pleno século XXI). Eu fui muito reprimida na minha adolescência (e olha que eu nem aprontava porque não tive oportunidades para isso). Minha mãe era das antigas que ainda acreditava que uma mulher deveria casar virgem e por aí vocês já podem imaginar o que estou falando, né?
De uma coisa eu tenho certeza: não adianta proibir! Conhecem a estória do
fruto proibido? Pois é assim mesmo, quanto mais se proíbe algo, mais este algo se torna interessante...aconteceu comigo (vou poupá-los dos detalhes "sórdidos"). Então ao menos nesta armadilha eu não caio!
Mas isso não significa que não existam regras! Regras existem e limites também. Mas tudo deve ser conversado e discutido, desde que haja respeito de ambas as partes.
Comunicação é a base de todo e qualquer relacionamento humano e não podia ser diferente na hora de conversar com adolescentes. Mas comunicar apenas não basta, é precisa ouvir em vez de julgar e criticar (o que, convenhamos, nem sempre é fácil). Não quero de forma alguma restringir o desenvolvimento do meu filho, nem pretendo "moldá-lo" para ser como eu. Mas posso (e devo) orientá-lo em suas escolhas. Porque ele é diferente, tem desejos e sonhos diferentes dos meus quando eu era adolescente. E vive em uma época muito diferente do meu Rio de Janeiro do final dos anos 70, início dos anos 80 (agora vocês podem calcular a minha idade, né?). Ele vive em Amsterdam em pleno século XXI, em plena crise do euro em que aqui no velho continente muitas coisas também estão mudando (algumas para pior, como o racismo e a discriminação).
O que realmente me deixa preocupada hoje em dia é a
quantidade de informações que nossos filhos recebem por todo lado, desde muito cedo. "Não se fazem mais crianças como antigamente", diriam os mais velhos. A infância é muito menos ingênua e, em muitos aspectos, nossos filhos amadurecem muito mais cedo do que a minha geração amadureceu. Uma verdadeira explosão de informações na net,
Facebook,
Twitter,
What's App, etc. Sem falar nos inúmeros apps para
smartphone que permitem acess 24/7 a tudo e a todos (por falar em smartphone, adivinhem o que este garoto pediu de aniversário?).
Enfim, criar filhos requer sabedoria, paciência, respeito e acima de tudo, muito amor! Mas acompanhar o desenvolvimento de um filho, desde bebezinho até a adolescência e o início da idade adulta é uma das maiores aventuras que a vida nos proporciona! De uma coisa vocês podem ter certeza:
A gente aprende muito com nossos filhos. Basta ter ouvidos para ouvir e olhos para ver.
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| Cara de adolescente! |