domingo, março 04, 2012

As classes sociais na Holanda

Paisagem comum nas ruas de Amsterdã

Este é um daqueles posts que eu já escrevi mentalmente inúmeras vezes...mas sempre tive preguiça de terminar e postar. Hoje é domingo, estava lendo aqui e ali e acabei decidindo que estava na hora de "botar a boca no trombone". Post dedicado especialmente aqueles que acreditam que na Holanda todo mundo é igual e que não existem diferenças sociais. Leia e pense duas vezes.

Foi-se o tempo em que  a Holanda era um país social e liberal, que aceitava todas as culturas. Desconfio até que esta aceitação nunca foi total e sim condicional. Sempre havia um certo grau de troca ou seja, o holandês aceita uma determinada nacionalidade se isso lhe trouxer benefícios, de preferência imediatos. No momento em que o cálculo custos x benefícios vai para o negativo (como ocorre nos dias de hoje), o holandês deixa de gostar. Foi assim com os gastarbeiders, que foram convidados para trabalhar na Holanda a partir dos anos 50 e 60 e nunca mais voltaram para seus países. A primeira leva foi de espanhóis e portugueses, depois vieram os turcos e os marroquinos. E hoje já estamos na terceira geração de imigrantes vivendo na Holanda. A segunda geração já nasceu aqui. Esses "holandeses" filhos de imigrantes, com passaporte holandês e que falam a língua holandesa, nunca serão vistos como holandeses. Eles sempre serão considerados como estrangeiros. Basta ler a mídia local para você encontrar as palavras "autochtoon" e "allochtoon". Pois bem, quem nasce na Holanda de pais holandeses é "autochtoon" (leia-se os brancos). Quem nasce na Holanda de pais imigrantes (mesmo que um dos pais seja holandês) é "allochtoon" (leia-se os morenos e negros). Exceção são os outros europeus brancos, que são classificados como "buitenlanders" (estrangeiros). Então basta estudar a própria língua holandesa para entender um pouco das classes sociais. Assustador, não? Agora alguém aí se lembra quem colonizou a África do Sul, o país do Apartheid? Pois é, foram os holandeses.

À venda em vários mercados da cidade
Querem um exemplo? Eu sou brasileira então sou "allochtoon" (mesmo sendo branca). Meu ex-marido é inglês e por isso é "buitenlander" (= europeu branco) embora meu holandês seja muito melhor do que o dele (como ouvi de muitos holandeses). Quanto ao meu filho, ainda estamos decidindo o que ele é porque o menino é louro e branco como as crianças holandesas, eu perto dele sou considerada morena ,rsrsrsrs. Mas porque a mãe é "allochtoon", ele deveria ser considerado automaticamente como "allochtoon". E querem saber de uma coisa? Eu não estou nem aí, tenho mais o que fazer da minha vida. Eu sou eu e ponto final.

"Zwarte school" (escola "negra")

Brincadeiras à parte, a  segregação social é, sem dúvida, o que mais me incomoda hoje na Holanda. Os holandeses gostam de falar de boca cheia de uma "sociedade multicultural" com mais de 115 nacionalidades "convivendo" na mesma cidade (como é o caso de Amsterdã). Mas na verdade, essas culturas raramente se misturam no dia-a-dia (só mesmo nos festivais). Nas principais cidades holandesas (Amsterdã, Haia e Roterdã) já se percebe nitidamente dois mundos: o mundo dos brancos (bairros de holandeses com escolas de crianças holandesas e cafés e restaurantes frequentados por holandeses) e o mundo dos "negros", bairros de imigrantes com escolas com crianças de imigrantes. Essas são as famosas escolas "negras", como são chamadas pela mídia holandesa. Há anos existe um debate sobre escolas brancas x negras e o que fazer para evitar esta segregação que já começa nas escolas, mas até hoje nenhuma medida tomada pelo governo resolveu o problema! A segregação começa na escola primária...Como resultado, nas faculdades holandesas a maioria esmagadora dos alunos é branca: holandeses e europeus. Um ou outro indiano ou iraniano dedicado aos estudos e só.

Mais uma "zwarte" school
Muitas dessas escolas negras tem ensino abaixo da média e as crianças acabam indo para escolas fracas no ensino médio. O sistema educacional holandês é muito diferente do brasileiro. Aqui as crianças fazem com 12 anos (no grupo 8 da escola básica) uma prova chamada Cito-toets, uma espécie de vestibular que decide o tipo de escola secundária que elas irão cursar. Para simplificar, vou dizer que existem 3 opções: 1. VMBO: escolas técnicas profissionalizantes, algo como o SENAC (creio eu, corrijam-me se eu estiver errada) 2. HAVO: escolas com conteúdo mais teórico e currículo mais extenso, que dão acesso às Hoge School aqui na Holanda, que não são universidades mas "colleges" (como se chama no Brasil?) 3. VWO: escolas mais fortes, com  currículo extenso e científico e que dão acesso às universidades holandesas, "la crème de la crème". Agora acreditem: a grande maioria dos alunos de VWO são brancos. Assim como a maioria esmagadora dos alunos do VMBO são imigrantes (o que não chega a me surpreender). Não, não estou inventando estória. É a triste realidade.

Vou dar um exemplo próximo: meu filho, que vai para a escola secundária em setembro. Moramos num bairro de imigrantes, ele estuda numa escola especial (para crianças com autismo, ADHD ou com problemas de aprendizado ou comportamento). Esta escola tem muitos imigrantes e o rendimento escolar é muito baixo. Nessas escolas, o CITO-toets não é obrigatório, apenas para crianças que teriam capacidade de ir para uma escola HAVO ou VWO, porque a maioria vai automaticamente pro VMBO (nível mais baixo). Pois meu filho e um amigo dele fizeram o tal CITO (o resultado sai esta semana). E independentemente do resultado dos testes, ambos irão para o HAVO (a escola é quem decide com base no rendimento dos últimos anos, e o deles foi muito acima da média). Ou seja, meu filho vai para o HAVO e por isso vai ter de estudar do outro lado da cidade: num bairro branco de escolas brancas...porque aqui não tem nenhuma escola HAVO boa, a maioria são escolas VMBO (moro em bairro de imigrantes então tirem suas próprias conclusões). Não estou exagerando quando digo que esta mudança de ares será um choque cultural para ele. A maioria de seus amigos hoje são "allochtoon" (prefiro usar a palavra estrangeiros), um ou outro holandês.


"Witte" school (escola "branca")

Ainda no meu exemplo, tenho amigas brasileiras que moram em bairros bons (a maioria fora de Amsterdã, morar em bairro bom aqui é privilégio de poucos). Os filhos frequentam boas escolas (escolas brancas) e a maioria segue o trajeto HAVO-VWO depois da escola básica. Normal! Agora eu me pergunto como essas mesmas crianças fariam se morassem num bairro negro e estudassem numa escola fraca como o meu filho? Por essas e outras, confesso que estou duplamente orgulhosa do meu menino. Porque o que para alguns é apenas uma consequência natural, para outros é uma grande vitória em meio às adversidades!

Bem, eu poderia falar horas sobre este assunto mas vou poupá-los! Também não sou ingênua de achar que este problema é um problema exclusivamente holandês porque não é. A segregação é um problema de todos os países europeus, em maior ou menor grau. Os vizinhos França, Alemanha e Bélgica também lidam com essas questões. E cada um tenta resolver o problema da sua maneira. Complicado pra caramba!

16 comentários:

Nadja disse...

Oi Beth! Nossa, eu me lembro de pensar nessas coisas enquanto estava aí... Mas eu também encontrei muito do contrário, da aceitação numa escala menor, de comunidade. Mas como você disse os holandeses deixam de gostar quando o estrangeiro dá prejuízo a seu ver.

A aceitação que eu vi e era linda, como deve ser idealmente é exatamente o contrário! Eu era au pair, morava em Wassenaar, que e um local rico e pequeno e sim contava com imigrantes. Conheci iranianos, africanos e holandeses casados com estrangeiros. E até holandeses loiros, brancos de olhos claros com sobrenome Cheung (porque o bisavô veio da China e eles tinham orgulho do nome). Mas Wassenaar está longe de ser uma comunidade de imigrantes... é um local onde os imigrantes viraram holandeses... e por isso são aceitos e convidados para festas e estudam nas caras e prestigiosas escolas das princesas.

Tem este lado. Essas pessoas optaram por distanciarem-se da própria comunidade de origem, optaram por uma vida tipica holandesa com holandesas e a meu ver foram amis aceitas. Pois não faziam "afronta" à cultura holandesa, à lingua ou qualquer outra coisa que eles podem sentir e que não se fala abertamente.

Aqui no Brasil, volta e meia eu escuto algo sobre... um bairro colombiano em São Paulo e falam de lá a mesma coisa que falam aí em relação aos bairros de imigrantes.

Fico chateada. Queria conversar mais com você sobre isso... eu tenho sonho de ser escritora e estou escrevendo um livro, uma história, justamente sobre duas garotas na Holanda, uma estudante rica brasileira, com visto legal. E uma filipina clandestina que que foi juntar dinheiro pra mandar pra casa... E como tudo é diferente para elas e "para com elas" também. A aceitação, as dificuldades, as facilidades. E talvez você possa me dar uns insights sobre outras coisas que eu não tenha conhecido ainda. (Fiquei só um ano e como disse a maioria das imigrantes que conheci eram os holandesados ou as empregadas e au pairs clandestinas que trabalhavam nas casas dos ricos).

beijão e amei o post!!!

Beth Blue disse...

Nadja, engraçado isso...você morou um ano na Holanda em uma das cidades mais ricas (e brancas) do país. Wassenaar só mora gente rica (ou classe média alta até para padrões holandeses). Não me surpreendo nem um pouco quando você diz que sua experiência foi oposto daquele que contei neste post!

Já eu, moro em Amsterdã num bairro onde 90% são imigrantes (não europeus, esses moram no centro da cidade junto com os holandeses). Então posso dizer com certeza que conhecemos países diferentes. Sim, a Holanda está ficando como o Brasil neste ponto...

Como se não bastasse, trabalho com imigrantes. Sou assistente do curso de cidadania (inburgering) e trabalho com professores de NT2. Enfim, conheço muito bem as estórias dos imigrantes e tenho pouco contato com holandeses. É que sempre trabalhei em casa como tradutora freelance e nos últimos 3 anos comecei a trabalhar com inburgering (que adoro). Infelizmente, devido a mudanças ns leis, ano que vem acaba o trabalho e já estou prestes a mudar de área novamente...que sera sera!

Maria Valéria disse...

triste essa realidade,ne Bethinha??minha irma vive em Londres e tbem nao tem amigos londrinos da elite, ou se tem um ou dois, sao rarissimos, do proprio ambiente de trabalho dela. o resto sao imigrantes brasileiros, ou sao ingleses que trabalham em , subempregos,...
como ela nao tem filhos la nem interesse em revalidar o diploma dela la( de biologa), isso nao a afeta tanto... mas... complicado!! beijos

Anita disse...

Beth, parabéns pelo seu filho !

A sua teoria explicada no post está correta. Mas é claro que existem muitas nuances na prática. Meus filhos nunca foram considerados allochtoon. Nem pelos pais dos amiguinhos, nem pela família ou vizinhos. Aliás, falam um holandês mais correto do que outras crianças holandesas brancas cujos pais tem escolaridade baixa.

A Nadja tocou num ponto muito correto: muitos estrangeiros chegam aqui cheios de arrogância ou total incapacidade de se abrirem para os pontos positivos da cultura holandesa - que são muitos. Se agarram mais do que nunca à sua religião, hábitos alimentares, roupas, nomes tradicionais estrangeiros para os filhos... ficam aquela coisa totalmente deslocada, totalmente fora do contexto.

Aliás o termo "escola negra" agrada a muitos estrangeiros e muitos preferem ir para uma "negra" ou lutar para que seja estabelecida uma. Por exemplo, na minha village há uma escola de primeiro grau Montessori, uma cristã e uma liberal. As três seguem pesado todas as tradiçoes ocidentais e holandesas (celebração da Páscoa, Sinterklaas, Natal, dias das Mães, etc.). Nenhuma com ênfase em ensino laico/internacional. Então os pouquíssimos gatos pingados islamitas ou se adaptam ou vão ter que lutar para o estabelecimento de uma escola "negra". O que eu vejo é que uma coleguinha islamita da minha filha nem respondeu ao convite de festinha de aniversário dela, não brinca com outros meninos, não celebra Natal nem nenhuma atividade escolasr relacionada à esse tipo de festividade. Pais rígidos, que não fazem nenhuma concessão na criação da filha. Mas que tiveram que fugir da situação do Iraque porque o bicho estava pegando por lá... e tem a vida aqui finaciada pelo governo holandês (casa do governo, salário desemprego, móveis e eletrodomésticos doados, curso de holandês fornecido pelo estado etc. etc.).
Talvez isso mude na próxima geração. As turcas que hoja estão na faixa dos 30-40 hoje são consideradas muito ambiciosas e empreendedoras (na política, em postos de alta gerência, etc.). Muitos homens e mulheres marroquinos NASCIDOS aqui e com nome tradicional da cultura islamita já perceberam que isso os dificultou na hora de enviar o currículo e passar por processos seletivos de trabalho. Porque são associados como tendo baixo QI. O que pode compensar nesse caso é eles terem um coeficiente emocional alto e escolherem nomes tradicionais holandeses para os filhos... ajuda a integrar sim. É melhor ter um filho chamado Jan do que Çan - que ninguém nem sabe como se fala. Os judeus ao longo dos séculos aprenderam isso. A maioria que foi para a América mudou de Shoshanah para Susanah, de Sigal para Sylvia ou fez mudanças mais radicais ainda.

Aliás, conheci um marroquino super esperto no meu último trabalho. O nome ? Simon. Só muito tempo depois vim a saber que era registrado como Mohammed (lógico) mas desde que assinara o contrato de trabalho no RH tinha pedido para todos os efeitos só ser chamado e ter como escrito (em e-mail, convites para viagens ou festas da empresa, cursos, etc.) Simon. Assim ele não ficaria muito marcado por estereótipos negativos, sabe ? Bebia álcool, comia presentu... Mas ele nunca mentiu sobre sua origem se alguém perguntava se ele era francês ou marroquino. Dizia na lata que era marroquino ! Esse colega tinha suíngue e sabia viver !
A se pensar...

Rosa Lopes disse...

Gostei muito do post. Tratar a realidade do país que vivemos sem demagogias ou panos quentes e ainda assim seguir a vida que escolhemos é ter os pés no chão.
Espero que vc levante outros aspectos da Holanda, sou toda ouvidos!!!
Bj

Line disse...

Realmente, Beth.

A Holanda tem esse orgulho de ser uma país internacional. Mas sinceramente, acho que os problemas relacionados às questões interculturais aqui tomaram, e ainda estão tomando, uma proporção cada vez maior.

Há muito preconceito sim, e vou ainda mais longe, acho que a Holanda tem uma ideia bastante destorcida sobre o significado da palavra "integração". Integração não é virar holandês, integrar é respeitar - e respeito é uma via de mão dupla. Ninguém se integra sozinho, integração precisa das duas partes.

Certa vez ouvi da minha professora particular de holandês a seguinte frase: "Sempre achei que a Holanda fosse um país que recebesse os imigrantes de portas abertas, mas mudei de ideia depois que comecei a dar aulas particulares para estrangeiros. Às vezes ouço cada coisa em relação à Holanda que chega a me dar vergonha de ser holandesa. Os p[oloneses são tratados como lixo aqui, e muitaz vezes têm trabalho fixo, mas nem mesmo uma casa conseguem alugar pelo simples fato de serem poloneses".

Eliana disse...

Beth, super este seu post. É por aí mesmo. Aqui é lance do multicultural só rola porque foi ou é "conveniente". Nada aqui é feito por "consideração". E eu acho que esta segregação aqui entre "allochtoon", " autochtoon"e "buitenlander" é fato mesmo. Um casal de amigos, da Espanha, não teve o filho espanhol aceito em nenhuma "escola branca". Ele estava iniciando a basisschool. Se ficasse aqui, iria para um escola do outro lado da cidade que era mais "multicultural". Tudo bem, ele não era holandês, mas por que ser "proibido"de frequentar a escola do lado de casa? É isso que eu fico horrorizada, a seleção é assim, na cara dura.

Beth Blue disse...

Line e Eliana, vocês como moram na Holanda sabem do que estou falando...tem que ser mesmo muito distraído (ou alienado mesmo) pra não perceber o que está acontecendo nesta sociedade.

Um dos maiores problemas é que a Holanda sempre teve fama de país liberal mas na verdade, a discriminação sempre existiu (debaixo dos panos) só que com o surgimento de um certo líder político, as pessoas começaram a se expor mais.

Anônimo disse...

Humm,agora me bateu uma curiosidade,a rainha Silvia da Suecia eh filha de brasileira e pai alemao,sera que na Suecia ela eh considerada negra tb?e a nova neta que acabou de nascer,a princesinha,seria tb considerada negra por ter uma avo mestica?afinal,para esses racistas malucos vc pode ser mais louro que eles,mas se tiver descendencia latina vc eh negro.Povo imbecil,pq quando se morre,os vermes nao fazem distincao na hora de devorar,ou sera que eles fazem????

Mary

Milena F. disse...

Tem mais é que ficar orgulhosa do filhão!!!
Esse assunto das escolas é outro impecilho na minha decisão de ter um filho... Como tb moro em uma localidade em que uma maioria esmagadora é de imigrantes não-europeus, as escolas aqui não são boas. E para que a criança comece a escola primaria em outra escola, só mesmo em escola privada (carissima!) e que nem tem aqui nos arredores!!! Como consequencia, os colegas acabam sendo uma maioria oriundos de familias que praticamente nao falam francês, então as crianças acabam tendo muita dificuldade, os pais não sabem muitas vezes nem ler nem calcular nem mesmo na lingua materna, quanto mais usando o francês, então quem ajuda essas crianças? A continuidade é essa que vc colocou, acabam indo para escolas de ensino médio de baixo nível e aqui tb desde cedo a criaça que é vista como sem condiçéoes "intelectuais" para o ensino superior acaba sendo difecionada à formações profissionalizantes que exigem menos estudo, depois fica quase impossível voltar atrás.
Sem contar que essas escolas "de estrangeiros" geralmente são reputadas pela violência, quando não são as crianças que são agredidas, são os professores! Até morte de aluno e de professores a gente vive vendo na tv!!!

Pri S. disse...

Fiquei passada por saber que por aí é assim... :-(

Nós, seres humanos, ainda temos muito o que evoluir mesmo...

Triste por essa realidade.

Parabéns ao filhão! Superando vários obstáculos! :-)

Anônimo disse...

Acho que este post deveria ser visto por vários brasileiros que gostam de falar sobre a Europa como se fosse a última maravilha, coisa chic e de rico.
O Brasil também é assim, tanto que na mídia aprecem histórias de super valorização de pessoas vindas da parte norte do mundo(Europa,EUA, Canada) e esquecem que existem pessoas dos países vizinhos, do Caribe,continente Africano e Asiático que também querem imigrar ou já são imigrantes.
Acham que essas pesssoas são automaticamente ppouco escolarizadas e sem um diploma superior só pq vem de países menos desenvolvidos.
O Brasil é uma sociedade baseada em hierarquias raciais, e estas estão masccaradas pelo mito da democracia racial. no imaginário social brasileiro persiste a idéia de que as oportunidades são iguais para todos mas e vc for negar como eu vai enfrentar muito mais dificuldades que a pessoa branca.Principalmente se vc for pobre. nunca mais esqueci quando fui a uma comunidade pobre para visitar alguém da minha família com um amigo alemão e ele me perguntou: Poque aqui só tem negros?
Acho que a vida na Europa como imigrante é um aula de como vivem muitos negros e pobres no Brasil.

Abraços Verônica

Beth Blue disse...

Milena, eu sei que a situação em Paris é até pior do que aqui, já vi filmes sobre isso, mostrando como vivem os imigrantes africanos nos subúrbios de Paris. Pena que os brasileiros raramente assistem esses filmes e quando pensam em Paris, só pensam na Torre Eiffel, Louvre, etc. Acho que hoje em dia isso vale para TODAS as grandes capitais européias...

Quanto à segregação nas escolas francesas, você assistiu Entre les Murs?!! É um filme excelente e premiado.

Mateus Medina disse...

Nem vou polemizar e dizer que essa segregação acontece aos quilos no país mais "multicultural" do mundo: Brasil.

Nem vou rsrsrsr

Mas, não sabia que estava chegando a esse extremo na holanda.

Em Portugal existe, como no resto do mundo. Um pouco velado por parte de alguns, escrachado por parte de outros, mas a geração atual vem superando isso bem, a meu ver (embora não esteja superando outras coisas, mas não vem ao caso do tema).

José Alves da Silva disse...

Boa tarde. Li as postagens e achei-as interessantes. Penso da seguinte forma: ainda que se pregue ou se defenda, não existe país neste mundo onde pessoas diferentes vivam em plena harmonia e em igualde de convivência. E a que isso se deve? Infelizmente, ao defeito humano de querer discriminar por critérios regulados, dentre eles, o racial e o econômico. Até onde sei, os holandeses são germânicos, assim como os alemães, distintos das demais etnias (DIGO DISTINTOS, NÃO MELHORES. POR FAVOR, NÃO ME ENTENDAM MAL, POIS TODOS MORRERÃO E APODRECERÃO), e talvez isso os faça pensar que são superiores e devem viver separados. Há, de igual modo, uma outra razão de ser: a de não acreditar em amizades, principalmente com estrangeiros. O fator econômico deve ser essencial para eles e demais países da Europa que possuem um equilíbrio econômico, pois não querem dividir com os que são de fora o que há de melhor. Tudo deve ser para o nativo, não para o estrangeiro. Eu, particularmente, e respeitando inteiramente as críticas que poderão surgir por causa do meu comentário, entendo que bom seria que todos os países tivessem governantes honestos e que verdadeiramente quisessem ver e agir com justiça para que o seu povo vivesse com dignidade e sem nenhum sinal de fome, investissem na educação, na saúde, na segurança, se empenhassem para encurtar a desigualdade social de modo que nenhum morador desejasse sair de sua pátria com o objetivo de encontrar tudo isso noutro país, pois, como disse, não há convívio plenamente harmônicos entre povos distintos existentes num mesmo território. O estrangeiro deveria sair para visitar outro país e desfrutar do turismo, preferencialmente. O natural da terra tenderá a discriminar e por os visitante na condição de inferioridade se perceber que a intenção do visitante não é somente visitar, mas também morar. Tudo de bom a todos.

Helena Silva disse...

Olá, me deparei com essa publicação pesquisando um pouco sobre a Holanda e achei sua explicação bem interessante. Só tenho dúvidas a respeito do que seria "moreno" pra você. Se de fato se tratam de pessoas brancas com o cabelo preto ou se é um eufemismo para pessoas negras (pretos e pardos). Como existe esse hábito de eufemizar pessoas negras no país me surgiu essa dúvida. Abçs!

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As classes sociais na Holanda

Paisagem comum nas ruas de Amsterdã

Este é um daqueles posts que eu já escrevi mentalmente inúmeras vezes...mas sempre tive preguiça de terminar e postar. Hoje é domingo, estava lendo aqui e ali e acabei decidindo que estava na hora de "botar a boca no trombone". Post dedicado especialmente aqueles que acreditam que na Holanda todo mundo é igual e que não existem diferenças sociais. Leia e pense duas vezes.

Foi-se o tempo em que  a Holanda era um país social e liberal, que aceitava todas as culturas. Desconfio até que esta aceitação nunca foi total e sim condicional. Sempre havia um certo grau de troca ou seja, o holandês aceita uma determinada nacionalidade se isso lhe trouxer benefícios, de preferência imediatos. No momento em que o cálculo custos x benefícios vai para o negativo (como ocorre nos dias de hoje), o holandês deixa de gostar. Foi assim com os gastarbeiders, que foram convidados para trabalhar na Holanda a partir dos anos 50 e 60 e nunca mais voltaram para seus países. A primeira leva foi de espanhóis e portugueses, depois vieram os turcos e os marroquinos. E hoje já estamos na terceira geração de imigrantes vivendo na Holanda. A segunda geração já nasceu aqui. Esses "holandeses" filhos de imigrantes, com passaporte holandês e que falam a língua holandesa, nunca serão vistos como holandeses. Eles sempre serão considerados como estrangeiros. Basta ler a mídia local para você encontrar as palavras "autochtoon" e "allochtoon". Pois bem, quem nasce na Holanda de pais holandeses é "autochtoon" (leia-se os brancos). Quem nasce na Holanda de pais imigrantes (mesmo que um dos pais seja holandês) é "allochtoon" (leia-se os morenos e negros). Exceção são os outros europeus brancos, que são classificados como "buitenlanders" (estrangeiros). Então basta estudar a própria língua holandesa para entender um pouco das classes sociais. Assustador, não? Agora alguém aí se lembra quem colonizou a África do Sul, o país do Apartheid? Pois é, foram os holandeses.

À venda em vários mercados da cidade
Querem um exemplo? Eu sou brasileira então sou "allochtoon" (mesmo sendo branca). Meu ex-marido é inglês e por isso é "buitenlander" (= europeu branco) embora meu holandês seja muito melhor do que o dele (como ouvi de muitos holandeses). Quanto ao meu filho, ainda estamos decidindo o que ele é porque o menino é louro e branco como as crianças holandesas, eu perto dele sou considerada morena ,rsrsrsrs. Mas porque a mãe é "allochtoon", ele deveria ser considerado automaticamente como "allochtoon". E querem saber de uma coisa? Eu não estou nem aí, tenho mais o que fazer da minha vida. Eu sou eu e ponto final.

"Zwarte school" (escola "negra")

Brincadeiras à parte, a  segregação social é, sem dúvida, o que mais me incomoda hoje na Holanda. Os holandeses gostam de falar de boca cheia de uma "sociedade multicultural" com mais de 115 nacionalidades "convivendo" na mesma cidade (como é o caso de Amsterdã). Mas na verdade, essas culturas raramente se misturam no dia-a-dia (só mesmo nos festivais). Nas principais cidades holandesas (Amsterdã, Haia e Roterdã) já se percebe nitidamente dois mundos: o mundo dos brancos (bairros de holandeses com escolas de crianças holandesas e cafés e restaurantes frequentados por holandeses) e o mundo dos "negros", bairros de imigrantes com escolas com crianças de imigrantes. Essas são as famosas escolas "negras", como são chamadas pela mídia holandesa. Há anos existe um debate sobre escolas brancas x negras e o que fazer para evitar esta segregação que já começa nas escolas, mas até hoje nenhuma medida tomada pelo governo resolveu o problema! A segregação começa na escola primária...Como resultado, nas faculdades holandesas a maioria esmagadora dos alunos é branca: holandeses e europeus. Um ou outro indiano ou iraniano dedicado aos estudos e só.

Mais uma "zwarte" school
Muitas dessas escolas negras tem ensino abaixo da média e as crianças acabam indo para escolas fracas no ensino médio. O sistema educacional holandês é muito diferente do brasileiro. Aqui as crianças fazem com 12 anos (no grupo 8 da escola básica) uma prova chamada Cito-toets, uma espécie de vestibular que decide o tipo de escola secundária que elas irão cursar. Para simplificar, vou dizer que existem 3 opções: 1. VMBO: escolas técnicas profissionalizantes, algo como o SENAC (creio eu, corrijam-me se eu estiver errada) 2. HAVO: escolas com conteúdo mais teórico e currículo mais extenso, que dão acesso às Hoge School aqui na Holanda, que não são universidades mas "colleges" (como se chama no Brasil?) 3. VWO: escolas mais fortes, com  currículo extenso e científico e que dão acesso às universidades holandesas, "la crème de la crème". Agora acreditem: a grande maioria dos alunos de VWO são brancos. Assim como a maioria esmagadora dos alunos do VMBO são imigrantes (o que não chega a me surpreender). Não, não estou inventando estória. É a triste realidade.

Vou dar um exemplo próximo: meu filho, que vai para a escola secundária em setembro. Moramos num bairro de imigrantes, ele estuda numa escola especial (para crianças com autismo, ADHD ou com problemas de aprendizado ou comportamento). Esta escola tem muitos imigrantes e o rendimento escolar é muito baixo. Nessas escolas, o CITO-toets não é obrigatório, apenas para crianças que teriam capacidade de ir para uma escola HAVO ou VWO, porque a maioria vai automaticamente pro VMBO (nível mais baixo). Pois meu filho e um amigo dele fizeram o tal CITO (o resultado sai esta semana). E independentemente do resultado dos testes, ambos irão para o HAVO (a escola é quem decide com base no rendimento dos últimos anos, e o deles foi muito acima da média). Ou seja, meu filho vai para o HAVO e por isso vai ter de estudar do outro lado da cidade: num bairro branco de escolas brancas...porque aqui não tem nenhuma escola HAVO boa, a maioria são escolas VMBO (moro em bairro de imigrantes então tirem suas próprias conclusões). Não estou exagerando quando digo que esta mudança de ares será um choque cultural para ele. A maioria de seus amigos hoje são "allochtoon" (prefiro usar a palavra estrangeiros), um ou outro holandês.


"Witte" school (escola "branca")

Ainda no meu exemplo, tenho amigas brasileiras que moram em bairros bons (a maioria fora de Amsterdã, morar em bairro bom aqui é privilégio de poucos). Os filhos frequentam boas escolas (escolas brancas) e a maioria segue o trajeto HAVO-VWO depois da escola básica. Normal! Agora eu me pergunto como essas mesmas crianças fariam se morassem num bairro negro e estudassem numa escola fraca como o meu filho? Por essas e outras, confesso que estou duplamente orgulhosa do meu menino. Porque o que para alguns é apenas uma consequência natural, para outros é uma grande vitória em meio às adversidades!

Bem, eu poderia falar horas sobre este assunto mas vou poupá-los! Também não sou ingênua de achar que este problema é um problema exclusivamente holandês porque não é. A segregação é um problema de todos os países europeus, em maior ou menor grau. Os vizinhos França, Alemanha e Bélgica também lidam com essas questões. E cada um tenta resolver o problema da sua maneira. Complicado pra caramba!

16 comentários:

Nadja disse...

Oi Beth! Nossa, eu me lembro de pensar nessas coisas enquanto estava aí... Mas eu também encontrei muito do contrário, da aceitação numa escala menor, de comunidade. Mas como você disse os holandeses deixam de gostar quando o estrangeiro dá prejuízo a seu ver.

A aceitação que eu vi e era linda, como deve ser idealmente é exatamente o contrário! Eu era au pair, morava em Wassenaar, que e um local rico e pequeno e sim contava com imigrantes. Conheci iranianos, africanos e holandeses casados com estrangeiros. E até holandeses loiros, brancos de olhos claros com sobrenome Cheung (porque o bisavô veio da China e eles tinham orgulho do nome). Mas Wassenaar está longe de ser uma comunidade de imigrantes... é um local onde os imigrantes viraram holandeses... e por isso são aceitos e convidados para festas e estudam nas caras e prestigiosas escolas das princesas.

Tem este lado. Essas pessoas optaram por distanciarem-se da própria comunidade de origem, optaram por uma vida tipica holandesa com holandesas e a meu ver foram amis aceitas. Pois não faziam "afronta" à cultura holandesa, à lingua ou qualquer outra coisa que eles podem sentir e que não se fala abertamente.

Aqui no Brasil, volta e meia eu escuto algo sobre... um bairro colombiano em São Paulo e falam de lá a mesma coisa que falam aí em relação aos bairros de imigrantes.

Fico chateada. Queria conversar mais com você sobre isso... eu tenho sonho de ser escritora e estou escrevendo um livro, uma história, justamente sobre duas garotas na Holanda, uma estudante rica brasileira, com visto legal. E uma filipina clandestina que que foi juntar dinheiro pra mandar pra casa... E como tudo é diferente para elas e "para com elas" também. A aceitação, as dificuldades, as facilidades. E talvez você possa me dar uns insights sobre outras coisas que eu não tenha conhecido ainda. (Fiquei só um ano e como disse a maioria das imigrantes que conheci eram os holandesados ou as empregadas e au pairs clandestinas que trabalhavam nas casas dos ricos).

beijão e amei o post!!!

Beth Blue disse...

Nadja, engraçado isso...você morou um ano na Holanda em uma das cidades mais ricas (e brancas) do país. Wassenaar só mora gente rica (ou classe média alta até para padrões holandeses). Não me surpreendo nem um pouco quando você diz que sua experiência foi oposto daquele que contei neste post!

Já eu, moro em Amsterdã num bairro onde 90% são imigrantes (não europeus, esses moram no centro da cidade junto com os holandeses). Então posso dizer com certeza que conhecemos países diferentes. Sim, a Holanda está ficando como o Brasil neste ponto...

Como se não bastasse, trabalho com imigrantes. Sou assistente do curso de cidadania (inburgering) e trabalho com professores de NT2. Enfim, conheço muito bem as estórias dos imigrantes e tenho pouco contato com holandeses. É que sempre trabalhei em casa como tradutora freelance e nos últimos 3 anos comecei a trabalhar com inburgering (que adoro). Infelizmente, devido a mudanças ns leis, ano que vem acaba o trabalho e já estou prestes a mudar de área novamente...que sera sera!

Maria Valéria disse...

triste essa realidade,ne Bethinha??minha irma vive em Londres e tbem nao tem amigos londrinos da elite, ou se tem um ou dois, sao rarissimos, do proprio ambiente de trabalho dela. o resto sao imigrantes brasileiros, ou sao ingleses que trabalham em , subempregos,...
como ela nao tem filhos la nem interesse em revalidar o diploma dela la( de biologa), isso nao a afeta tanto... mas... complicado!! beijos

Anita disse...

Beth, parabéns pelo seu filho !

A sua teoria explicada no post está correta. Mas é claro que existem muitas nuances na prática. Meus filhos nunca foram considerados allochtoon. Nem pelos pais dos amiguinhos, nem pela família ou vizinhos. Aliás, falam um holandês mais correto do que outras crianças holandesas brancas cujos pais tem escolaridade baixa.

A Nadja tocou num ponto muito correto: muitos estrangeiros chegam aqui cheios de arrogância ou total incapacidade de se abrirem para os pontos positivos da cultura holandesa - que são muitos. Se agarram mais do que nunca à sua religião, hábitos alimentares, roupas, nomes tradicionais estrangeiros para os filhos... ficam aquela coisa totalmente deslocada, totalmente fora do contexto.

Aliás o termo "escola negra" agrada a muitos estrangeiros e muitos preferem ir para uma "negra" ou lutar para que seja estabelecida uma. Por exemplo, na minha village há uma escola de primeiro grau Montessori, uma cristã e uma liberal. As três seguem pesado todas as tradiçoes ocidentais e holandesas (celebração da Páscoa, Sinterklaas, Natal, dias das Mães, etc.). Nenhuma com ênfase em ensino laico/internacional. Então os pouquíssimos gatos pingados islamitas ou se adaptam ou vão ter que lutar para o estabelecimento de uma escola "negra". O que eu vejo é que uma coleguinha islamita da minha filha nem respondeu ao convite de festinha de aniversário dela, não brinca com outros meninos, não celebra Natal nem nenhuma atividade escolasr relacionada à esse tipo de festividade. Pais rígidos, que não fazem nenhuma concessão na criação da filha. Mas que tiveram que fugir da situação do Iraque porque o bicho estava pegando por lá... e tem a vida aqui finaciada pelo governo holandês (casa do governo, salário desemprego, móveis e eletrodomésticos doados, curso de holandês fornecido pelo estado etc. etc.).
Talvez isso mude na próxima geração. As turcas que hoja estão na faixa dos 30-40 hoje são consideradas muito ambiciosas e empreendedoras (na política, em postos de alta gerência, etc.). Muitos homens e mulheres marroquinos NASCIDOS aqui e com nome tradicional da cultura islamita já perceberam que isso os dificultou na hora de enviar o currículo e passar por processos seletivos de trabalho. Porque são associados como tendo baixo QI. O que pode compensar nesse caso é eles terem um coeficiente emocional alto e escolherem nomes tradicionais holandeses para os filhos... ajuda a integrar sim. É melhor ter um filho chamado Jan do que Çan - que ninguém nem sabe como se fala. Os judeus ao longo dos séculos aprenderam isso. A maioria que foi para a América mudou de Shoshanah para Susanah, de Sigal para Sylvia ou fez mudanças mais radicais ainda.

Aliás, conheci um marroquino super esperto no meu último trabalho. O nome ? Simon. Só muito tempo depois vim a saber que era registrado como Mohammed (lógico) mas desde que assinara o contrato de trabalho no RH tinha pedido para todos os efeitos só ser chamado e ter como escrito (em e-mail, convites para viagens ou festas da empresa, cursos, etc.) Simon. Assim ele não ficaria muito marcado por estereótipos negativos, sabe ? Bebia álcool, comia presentu... Mas ele nunca mentiu sobre sua origem se alguém perguntava se ele era francês ou marroquino. Dizia na lata que era marroquino ! Esse colega tinha suíngue e sabia viver !
A se pensar...

Rosa Lopes disse...

Gostei muito do post. Tratar a realidade do país que vivemos sem demagogias ou panos quentes e ainda assim seguir a vida que escolhemos é ter os pés no chão.
Espero que vc levante outros aspectos da Holanda, sou toda ouvidos!!!
Bj

Line disse...

Realmente, Beth.

A Holanda tem esse orgulho de ser uma país internacional. Mas sinceramente, acho que os problemas relacionados às questões interculturais aqui tomaram, e ainda estão tomando, uma proporção cada vez maior.

Há muito preconceito sim, e vou ainda mais longe, acho que a Holanda tem uma ideia bastante destorcida sobre o significado da palavra "integração". Integração não é virar holandês, integrar é respeitar - e respeito é uma via de mão dupla. Ninguém se integra sozinho, integração precisa das duas partes.

Certa vez ouvi da minha professora particular de holandês a seguinte frase: "Sempre achei que a Holanda fosse um país que recebesse os imigrantes de portas abertas, mas mudei de ideia depois que comecei a dar aulas particulares para estrangeiros. Às vezes ouço cada coisa em relação à Holanda que chega a me dar vergonha de ser holandesa. Os p[oloneses são tratados como lixo aqui, e muitaz vezes têm trabalho fixo, mas nem mesmo uma casa conseguem alugar pelo simples fato de serem poloneses".

Eliana disse...

Beth, super este seu post. É por aí mesmo. Aqui é lance do multicultural só rola porque foi ou é "conveniente". Nada aqui é feito por "consideração". E eu acho que esta segregação aqui entre "allochtoon", " autochtoon"e "buitenlander" é fato mesmo. Um casal de amigos, da Espanha, não teve o filho espanhol aceito em nenhuma "escola branca". Ele estava iniciando a basisschool. Se ficasse aqui, iria para um escola do outro lado da cidade que era mais "multicultural". Tudo bem, ele não era holandês, mas por que ser "proibido"de frequentar a escola do lado de casa? É isso que eu fico horrorizada, a seleção é assim, na cara dura.

Beth Blue disse...

Line e Eliana, vocês como moram na Holanda sabem do que estou falando...tem que ser mesmo muito distraído (ou alienado mesmo) pra não perceber o que está acontecendo nesta sociedade.

Um dos maiores problemas é que a Holanda sempre teve fama de país liberal mas na verdade, a discriminação sempre existiu (debaixo dos panos) só que com o surgimento de um certo líder político, as pessoas começaram a se expor mais.

Anônimo disse...

Humm,agora me bateu uma curiosidade,a rainha Silvia da Suecia eh filha de brasileira e pai alemao,sera que na Suecia ela eh considerada negra tb?e a nova neta que acabou de nascer,a princesinha,seria tb considerada negra por ter uma avo mestica?afinal,para esses racistas malucos vc pode ser mais louro que eles,mas se tiver descendencia latina vc eh negro.Povo imbecil,pq quando se morre,os vermes nao fazem distincao na hora de devorar,ou sera que eles fazem????

Mary

Milena F. disse...

Tem mais é que ficar orgulhosa do filhão!!!
Esse assunto das escolas é outro impecilho na minha decisão de ter um filho... Como tb moro em uma localidade em que uma maioria esmagadora é de imigrantes não-europeus, as escolas aqui não são boas. E para que a criança comece a escola primaria em outra escola, só mesmo em escola privada (carissima!) e que nem tem aqui nos arredores!!! Como consequencia, os colegas acabam sendo uma maioria oriundos de familias que praticamente nao falam francês, então as crianças acabam tendo muita dificuldade, os pais não sabem muitas vezes nem ler nem calcular nem mesmo na lingua materna, quanto mais usando o francês, então quem ajuda essas crianças? A continuidade é essa que vc colocou, acabam indo para escolas de ensino médio de baixo nível e aqui tb desde cedo a criaça que é vista como sem condiçéoes "intelectuais" para o ensino superior acaba sendo difecionada à formações profissionalizantes que exigem menos estudo, depois fica quase impossível voltar atrás.
Sem contar que essas escolas "de estrangeiros" geralmente são reputadas pela violência, quando não são as crianças que são agredidas, são os professores! Até morte de aluno e de professores a gente vive vendo na tv!!!

Pri S. disse...

Fiquei passada por saber que por aí é assim... :-(

Nós, seres humanos, ainda temos muito o que evoluir mesmo...

Triste por essa realidade.

Parabéns ao filhão! Superando vários obstáculos! :-)

Anônimo disse...

Acho que este post deveria ser visto por vários brasileiros que gostam de falar sobre a Europa como se fosse a última maravilha, coisa chic e de rico.
O Brasil também é assim, tanto que na mídia aprecem histórias de super valorização de pessoas vindas da parte norte do mundo(Europa,EUA, Canada) e esquecem que existem pessoas dos países vizinhos, do Caribe,continente Africano e Asiático que também querem imigrar ou já são imigrantes.
Acham que essas pesssoas são automaticamente ppouco escolarizadas e sem um diploma superior só pq vem de países menos desenvolvidos.
O Brasil é uma sociedade baseada em hierarquias raciais, e estas estão masccaradas pelo mito da democracia racial. no imaginário social brasileiro persiste a idéia de que as oportunidades são iguais para todos mas e vc for negar como eu vai enfrentar muito mais dificuldades que a pessoa branca.Principalmente se vc for pobre. nunca mais esqueci quando fui a uma comunidade pobre para visitar alguém da minha família com um amigo alemão e ele me perguntou: Poque aqui só tem negros?
Acho que a vida na Europa como imigrante é um aula de como vivem muitos negros e pobres no Brasil.

Abraços Verônica

Beth Blue disse...

Milena, eu sei que a situação em Paris é até pior do que aqui, já vi filmes sobre isso, mostrando como vivem os imigrantes africanos nos subúrbios de Paris. Pena que os brasileiros raramente assistem esses filmes e quando pensam em Paris, só pensam na Torre Eiffel, Louvre, etc. Acho que hoje em dia isso vale para TODAS as grandes capitais européias...

Quanto à segregação nas escolas francesas, você assistiu Entre les Murs?!! É um filme excelente e premiado.

Mateus Medina disse...

Nem vou polemizar e dizer que essa segregação acontece aos quilos no país mais "multicultural" do mundo: Brasil.

Nem vou rsrsrsr

Mas, não sabia que estava chegando a esse extremo na holanda.

Em Portugal existe, como no resto do mundo. Um pouco velado por parte de alguns, escrachado por parte de outros, mas a geração atual vem superando isso bem, a meu ver (embora não esteja superando outras coisas, mas não vem ao caso do tema).

José Alves da Silva disse...

Boa tarde. Li as postagens e achei-as interessantes. Penso da seguinte forma: ainda que se pregue ou se defenda, não existe país neste mundo onde pessoas diferentes vivam em plena harmonia e em igualde de convivência. E a que isso se deve? Infelizmente, ao defeito humano de querer discriminar por critérios regulados, dentre eles, o racial e o econômico. Até onde sei, os holandeses são germânicos, assim como os alemães, distintos das demais etnias (DIGO DISTINTOS, NÃO MELHORES. POR FAVOR, NÃO ME ENTENDAM MAL, POIS TODOS MORRERÃO E APODRECERÃO), e talvez isso os faça pensar que são superiores e devem viver separados. Há, de igual modo, uma outra razão de ser: a de não acreditar em amizades, principalmente com estrangeiros. O fator econômico deve ser essencial para eles e demais países da Europa que possuem um equilíbrio econômico, pois não querem dividir com os que são de fora o que há de melhor. Tudo deve ser para o nativo, não para o estrangeiro. Eu, particularmente, e respeitando inteiramente as críticas que poderão surgir por causa do meu comentário, entendo que bom seria que todos os países tivessem governantes honestos e que verdadeiramente quisessem ver e agir com justiça para que o seu povo vivesse com dignidade e sem nenhum sinal de fome, investissem na educação, na saúde, na segurança, se empenhassem para encurtar a desigualdade social de modo que nenhum morador desejasse sair de sua pátria com o objetivo de encontrar tudo isso noutro país, pois, como disse, não há convívio plenamente harmônicos entre povos distintos existentes num mesmo território. O estrangeiro deveria sair para visitar outro país e desfrutar do turismo, preferencialmente. O natural da terra tenderá a discriminar e por os visitante na condição de inferioridade se perceber que a intenção do visitante não é somente visitar, mas também morar. Tudo de bom a todos.

Helena Silva disse...

Olá, me deparei com essa publicação pesquisando um pouco sobre a Holanda e achei sua explicação bem interessante. Só tenho dúvidas a respeito do que seria "moreno" pra você. Se de fato se tratam de pessoas brancas com o cabelo preto ou se é um eufemismo para pessoas negras (pretos e pardos). Como existe esse hábito de eufemizar pessoas negras no país me surgiu essa dúvida. Abçs!