sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Meu (maior) medo

Se tem uma coisa que tem me preocupado desde a minha viagem ao Brasil é o fato de ter descoberto que na minha família materna dois tios tiverem/tem Alzheimer (um deles já faleceu e o outro mora numa residência especial). Pra ser sincera, eu nem sabia desse fato até ter ido ao Brasil ano passado. E como minha mãe faleceu relativamente "jovem" aos 70 anos, eu nunca poderei saber se ela teria tido Alzheimer caso vivesse mais anos...

O que realmente me preocupa (e não é de hoje) é que a minha memória piorou muito nos últimos anos...principalmente depois dos anos de stress aqui na Holanda (não foi pouca coisa). Meu único "consolo", se é que se pode chamar isso de consolo, é que problemas de memória também são sintomas comuns da depressão - minha velha conhecida (quem lê este blog, sabe).

Mas o motivo deste post é que no momento estou lendo um romance sobre uma mulher de 50 anos que subitamente recebeu o diagnóstico de Alzheimer...e a estória é de arrepiar porque me reconheço em algumas situações que ela cita como esquecer a chave de casa, chegar na cozinha ou na sala e esquecer o que você foi buscar lá, viver perdendo e achando celulares, trocar o nome das pessoas, não conseguir gravar nenhum número de telefone (não sei até hoje o número de celular do meu namorado, ex-marido, filho nem o meu).

No caso da Alice do livro, trata-se do early-onset Alzheimer, cujos sintomas começam lá pelos 50 anos (ou antes). O outro tipo, e também mais comum, é o late-onset Alzheimer, comum em pessoas acima de 70 anos e portanto uma doença típica da velhice. Alice é uma prestigiosa professora de psicologia e linguística da Universidade de Harvard que começa a ter sérios problemas de memória e decide ir ao médico...Após um interrogatório médico e uma bateria de exames, ela recebe o diagnóstico que vai mudar sua vida pra sempre. Em menos de um ano, ela se vê obrigada a abandonar a carreira acadêmica de uma vida inteira.

A escritora baseou-se em relatos de pacientes para escrever o livro e sinceramente...é de tirar o sono! Perder gradativamente não apenas a memória como a capacidade de pensar e de se comunicar pra mim é o fim do mundo. Diga-se de passagem, pra Alice do livro também. A cada mês que passa, ela vê suas capacidades cognitivas se deteriorando, sem poder fazer nada pra retardar este processo cruel e acima de tudo, irreversível. Em um dado momento no livro, Alice afirma até que trocaria sua doença pelo câncer...e acreditem, eu entendi perfeitamente o que ela quis dizer com isso! As palavras e o conhecimento que vem com elas são parte essencial do meu mundo (assim como no mundo acadêmico de Alice). E perdê-las de uma vez por todas me parece um castigo que ninguém merece.

Não poder mais ler, porque você simplesmente não consegue processar mais de 3 ou 4 frases ao mesmo tempo. Não poder participar de uma conversa normal, e repetir a mesma frase na mesma conversa várias vezes porque você esqueceu o que disse há poucos minutos. Não poder mais trabalhar e ter uma vida produtiva. E no último estágio, não conseguir mais se alimentar ou se vestir sozinho, não reconhecer a família e os amigos e nem se lembrar do nomes das pessoas...tudo isso me parece insuportável. Acho que preferiria morrer...

Dito isso, confesso que tenho tentado ser sensata e tocar a vida pra frente porque convenhamos, esta é a única maneira de se viver! Ninguém sabe o que o futuro irá trazer e por isso devemos aproveitar o dia de hoje sem nos preocuparmos muito com o que vem lá adiante. Claro que todo mundo tem questões de saúde na família mas eu ainda estou assimilando esta informação adicional no meu histórico médico. E felizmente, sei que os genes nem sempre definem tudo. Há outros fatores envolvidos e que tem sido estudados por cientistas em todo o mundo. Mas também sei que a cura não existe e que o tratamento disponível nem sempre é eficaz e muitas vezes meramente paliativo.

Pra terminar, se alguém tiver vivenciado isso em sua família, por favor comente aqui...Mais um post da série "Desabafos", prometo aos meus queridos leitores que o próximo post será (bem) mais leve.



10 comentários:

Eliana disse...

Que eu saiba, não temos casos na família, mas até então ninguém viveu tanto pra gente saber. Gerações anteriores morreram muito cedo, de doenças como câncer e coração. Agora há casos de pessoas que surtaram, mas a família meio que encobre os fatos. Fato é que sempre precisamos estar atentos aos sinais que o nosso corpo nos dá. Qualquer coisa que esteja nos incomodando deve ser investigada. Podem ser apenas consequências de períodos difíceis e disso ninguém está livre. O fato é que quanto mais cedo se descobre, mais chances dese retardar os efeitos da doença. Enfim, informação é tudo e se vc ficar com a pulga atrás da orelha, vá atrás! Bom fim de semana.

Nadja disse...

Olá querida! Acabei de conhecer seu blog e o adorei(mesmo que seu post não tenha sido de pura felicidade desta vez). Eu já morei na Holanda e estou louca para voltar, simplesmente me apaixonei pelo país. Virei sua seguidora!

E quanto ao alzheimer... tenho duas tias avós que tiveram(uma tem, ainda é viva), cada uma de um lado da famíla(pai e mae). E uma delas se exercita bastante e não reparamos quase nunca que ela tem alzheimer, ela treina fazer tudo com a outra mão (é destra, então finge ser canhota) e tenta fazer tudo de forma não automática, para se forçar a pensar.

Dizem que funciona, meu pai tem feito isso, pois tem sentido isso em relação à sua memória também. E principalemnte voltar a aprender uma lingua nova, um instrumento... dizem que ajuda além de ser divertido ;)

elaine disse...

Putz, esqueço de todas as coisas que você esquece. Sempre culpei a maternidade e a falta de interesse para pormenores (que veio com a idade).

Não acho que fui de muita ajuda... Mas concordo com a Eliana, tire a pulga detrás da orelha.

Angela disse...

Beth, sempre passo por aqui, mas raramente comento. Vivi muito de perto o mal chamado Alzheimer. A vó da minha amiga teve e é realmente muito triste a situação que o ser humano chega. Ela saia e esquecia como voltar para casa, não lembrava dos filhos, netos, e por fim deixou de se comunicar. Pelo que já li sobre o assunto é uma doença que pode ser combatida antes que ela apareça. Por isso a importância de estar com a mente sempre ativa, seja fazendo crochê, lendo, fazendo cruzadinha, não importa o que não podemos e parar de colocar a nossa máquina pensante para trabalhar. Se um sinal vermelho acendeu, quando você soube dos seus familiares, não deixe para procurar um médico quando já for tarde. Beijos!

tania disse...

Do jeito que você é tão ativa, Beth! você não tem o perfil não. Claro que não sou médica, falo somente baseada no que dizem sobre manter a atividade, encarar desafios. Você faz tudo isso, e muito. Então, desencane. As doenças são oportunistas. Elas adoram um grilo na cabeça como brecha para se instalarem. Genética conta, mas não é tudo.
Beijo

Anônimo disse...

Oi, Beth:

Até onde sei, não há casos em minha família, mas me preocupo um pouco com isso, porque já nasci "desmemoriada" :) Há muitas precauções que você pode tomar, algumas delas já mencionadas nos comentários anteriores: exercício físico e mental constante, vitamina B, Gingko Biloba, curcumin, dormir bem, ômega 3, manter boa saúde em geral. Não são curas milagrosas, mas acho que qualquer ajuda é válida. Como foi comentado antes também, se você está preocupada, o melhor sempre é investigar logo. Vou terminar o comentário de forma positiva, porém: toda semana vejo alguns artigos no noticiário sobre novas descobertas e avanços da ciência para a detecção, prevenção e combate dessa doença. Aqui vão dois links bem recentes:

Drug Quickly Reverses Alzheimer’s Symptoms in Mice
http://neurosciencenews.com/alzheimers-disease-cancer-drug-bexarotene/

Scientists create brain tissue from human skin
http://www.thenewstribe.com/2012/02/13/scientists-create-brain-tissue-from-human-skin/

Bjs,
Gi

Beth Blue disse...

Tânia e Giselle,
Tenho lido sobre o assunto e de fato, existem várias maneiras de prevenir a doença (ou retardar o processo). Algumas até bem agradáveis: café, vinho tinto (um ou dois cálice, né?) e chocolate amargo!

Um livro que li recentemente e fala exatamente sobre isso se chama:

100 Simple Things You Can Do to Prevent Alzheimer's and Age-Related Memory Loss, Jean Carper.

Recomendo muito pra quem como eu se interessa pelo assunto. E como Tânia mesmo disse, estímulo intelectual é essencial (ler, escrever, falar idiomas ou aprender um novo idioma), fazer palavras-cruzadas (não sou fã). Nesse ponto, estou tranquila.

O que me preocupa é que ando muito ociosa e preciso urgentemente fazer algum tipo de atividade física - provavelmente voltar a nadar, pois odeio academia. A atividade física são recomendadas para a prevenção (e tratamento) de muitas doenças degenerativas...e também para a tal depressão.

Enfim, vamos nos mexer, né?

tania disse...

É isso aí. Também estou precisando fazer atividade física. A preguiça tá dando de dez a zero por aqui. Ainda mais agora que estou indo pra Sampa, estou preocupada com as primeiras semanas lá. É outro pique. Tudo é longe. Tenho tentado ao menos caminhar sempre que saio pra resolver coisas pelos arredores.
Beijo

Anita disse...

Sudoko. Recomendinho. Pode não dar cabo da doença, mas você fica um desmomoriado super inteligente, hahah !

RCR disse...

Encontrei seu blog por acaso. E posso dizer que meus olhos encheram de lágrimas ao ler isso! Em abril faz um ano que perdi meu avô por conta desta doença. Hoje já consigo falar a respeito, mais no começo nem conseguia explicar pras pessoas o que era o tal do Alzheimer. Ele faleceu depois de 3 anos que foi descoberto a doença! Eu, meu pai, minha mãe e irmã fomos morar na casa dele juntamente com a minha avó ( pra ajudar a minha vó a cuidar dele) Logo que descobrimos o médico disse que já estava bastante avançado ( realmente, com o tempo percebemos) Cheguei a ler algumas a respeito da doença e tudo o que acontecia eu já sabia que era por causa da doença. Meu avô era um homem ativo, adorava trabalhar, dirigir, fazer as coisas dele, caminhar, era religioso e tudo. No começo o pior foi ter que tirar o carro dele, não aceitava. Chegou a fugir de casa várias vezes por conta disso. Depois de um tempo as portas, portões eram todos trancados e as chaves escondidas. Depois passou pela fase da agredir os outros, por causa disso ele teve que ser internado, mais não havia gente que segurasse ele, o médico era surpreso pela força que ele ainda tinha nos braços e pernas. Era de ficar admirado, ninguém segurava. E por conta disso ele foi sedado. Tempos passaram, de volta em casa, não mastigava, usava fralda, não tomava banho sozinho, não andava sozinho, falava com muita dificuldade (no final quase nao conseguia mais falar), não sabia mais escrever, contar, nada. ( Minha vo chegou a dar caça palavra pra ele fazer, pra ele vê que talvez ele ainda era capaz de fazer alguma coisa) E depois de tantos 'efeitos' por conta da doença, chegou a parte que eu mais temia quando li sobre a doença.. a parte onde ele não se lembra de ninguém, no começo era dos amigos, alguém ia visitar e ele não lembrava.Até ai eu entendia, sabia que era da doença. Mais ao entrar no quarto dele pra pedir benção ele virou e diz: ' quem é você?' Meus olhos encheram de lágrimas e foram escorrendo. Minha vó prontamente disse: ' é sua neta, a R..' Ele ficou me olhando por um tempo e disse: ' ah sim.' Mais eu sabia que ali ele já não se lembrava mais, sai do quarto e fui pro meu, só sabia chorar, não queria acreditar que ele não se lembraria de mim. E aos poucos ele foi esquecendo de cada um, e no fim os últimos foram minha vó e meu pai (filho dele) E com o tempo as coisas só ia de mal a pior, dai que no dia 13 de abril (aniversário do meu pai), ele entrou em coma em casa e foi levado para o hospital. Ficou 11 dias na UTI e no domingo de pascoa recebemos a pior noticia que podiamos receber.. sim, ele tinha partido prum mundo lindo, na hora eu não aceitava, não queria, queria a presença dele ao meu lado, mesmo daquele jeito, por que ele era meu segundo pai e ainda é. Mais depois com a cabeça mais fria, sei que foi o melhor pra ele, já estava sofrendo muito aqui, não so ele, mais como todos nós! Ele faleceu dia 24 e dia 26 é meu aniversário, e vai ficar pra sempre essas datas marcadas! E mesmo com todo o tempo, com tudo, e não querendo que o pior acontecesse, eu já sabia, já estava meio que preparada, meus pais já haviam conversado comigo. Contei a história toda praticamente, pra vê se entendem. Mais digo, se você tiver alguém que esteja com a doença, esteja por dentro dos assuntos, o que ela pode causar, como ela vai aumentando e tudo. Esteja sempre preparado para todos os momentos. Por que a vida pode pegar você de surpresa. Eu sinto uma falta sem explicação, mais tenho comigo que ele esta bem melhor e olhando por todos. Um bom final de semana.,

Tecnologia do Blogger.

Meu (maior) medo

Se tem uma coisa que tem me preocupado desde a minha viagem ao Brasil é o fato de ter descoberto que na minha família materna dois tios tiverem/tem Alzheimer (um deles já faleceu e o outro mora numa residência especial). Pra ser sincera, eu nem sabia desse fato até ter ido ao Brasil ano passado. E como minha mãe faleceu relativamente "jovem" aos 70 anos, eu nunca poderei saber se ela teria tido Alzheimer caso vivesse mais anos...

O que realmente me preocupa (e não é de hoje) é que a minha memória piorou muito nos últimos anos...principalmente depois dos anos de stress aqui na Holanda (não foi pouca coisa). Meu único "consolo", se é que se pode chamar isso de consolo, é que problemas de memória também são sintomas comuns da depressão - minha velha conhecida (quem lê este blog, sabe).

Mas o motivo deste post é que no momento estou lendo um romance sobre uma mulher de 50 anos que subitamente recebeu o diagnóstico de Alzheimer...e a estória é de arrepiar porque me reconheço em algumas situações que ela cita como esquecer a chave de casa, chegar na cozinha ou na sala e esquecer o que você foi buscar lá, viver perdendo e achando celulares, trocar o nome das pessoas, não conseguir gravar nenhum número de telefone (não sei até hoje o número de celular do meu namorado, ex-marido, filho nem o meu).

No caso da Alice do livro, trata-se do early-onset Alzheimer, cujos sintomas começam lá pelos 50 anos (ou antes). O outro tipo, e também mais comum, é o late-onset Alzheimer, comum em pessoas acima de 70 anos e portanto uma doença típica da velhice. Alice é uma prestigiosa professora de psicologia e linguística da Universidade de Harvard que começa a ter sérios problemas de memória e decide ir ao médico...Após um interrogatório médico e uma bateria de exames, ela recebe o diagnóstico que vai mudar sua vida pra sempre. Em menos de um ano, ela se vê obrigada a abandonar a carreira acadêmica de uma vida inteira.

A escritora baseou-se em relatos de pacientes para escrever o livro e sinceramente...é de tirar o sono! Perder gradativamente não apenas a memória como a capacidade de pensar e de se comunicar pra mim é o fim do mundo. Diga-se de passagem, pra Alice do livro também. A cada mês que passa, ela vê suas capacidades cognitivas se deteriorando, sem poder fazer nada pra retardar este processo cruel e acima de tudo, irreversível. Em um dado momento no livro, Alice afirma até que trocaria sua doença pelo câncer...e acreditem, eu entendi perfeitamente o que ela quis dizer com isso! As palavras e o conhecimento que vem com elas são parte essencial do meu mundo (assim como no mundo acadêmico de Alice). E perdê-las de uma vez por todas me parece um castigo que ninguém merece.

Não poder mais ler, porque você simplesmente não consegue processar mais de 3 ou 4 frases ao mesmo tempo. Não poder participar de uma conversa normal, e repetir a mesma frase na mesma conversa várias vezes porque você esqueceu o que disse há poucos minutos. Não poder mais trabalhar e ter uma vida produtiva. E no último estágio, não conseguir mais se alimentar ou se vestir sozinho, não reconhecer a família e os amigos e nem se lembrar do nomes das pessoas...tudo isso me parece insuportável. Acho que preferiria morrer...

Dito isso, confesso que tenho tentado ser sensata e tocar a vida pra frente porque convenhamos, esta é a única maneira de se viver! Ninguém sabe o que o futuro irá trazer e por isso devemos aproveitar o dia de hoje sem nos preocuparmos muito com o que vem lá adiante. Claro que todo mundo tem questões de saúde na família mas eu ainda estou assimilando esta informação adicional no meu histórico médico. E felizmente, sei que os genes nem sempre definem tudo. Há outros fatores envolvidos e que tem sido estudados por cientistas em todo o mundo. Mas também sei que a cura não existe e que o tratamento disponível nem sempre é eficaz e muitas vezes meramente paliativo.

Pra terminar, se alguém tiver vivenciado isso em sua família, por favor comente aqui...Mais um post da série "Desabafos", prometo aos meus queridos leitores que o próximo post será (bem) mais leve.



10 comentários:

Eliana disse...

Que eu saiba, não temos casos na família, mas até então ninguém viveu tanto pra gente saber. Gerações anteriores morreram muito cedo, de doenças como câncer e coração. Agora há casos de pessoas que surtaram, mas a família meio que encobre os fatos. Fato é que sempre precisamos estar atentos aos sinais que o nosso corpo nos dá. Qualquer coisa que esteja nos incomodando deve ser investigada. Podem ser apenas consequências de períodos difíceis e disso ninguém está livre. O fato é que quanto mais cedo se descobre, mais chances dese retardar os efeitos da doença. Enfim, informação é tudo e se vc ficar com a pulga atrás da orelha, vá atrás! Bom fim de semana.

Nadja disse...

Olá querida! Acabei de conhecer seu blog e o adorei(mesmo que seu post não tenha sido de pura felicidade desta vez). Eu já morei na Holanda e estou louca para voltar, simplesmente me apaixonei pelo país. Virei sua seguidora!

E quanto ao alzheimer... tenho duas tias avós que tiveram(uma tem, ainda é viva), cada uma de um lado da famíla(pai e mae). E uma delas se exercita bastante e não reparamos quase nunca que ela tem alzheimer, ela treina fazer tudo com a outra mão (é destra, então finge ser canhota) e tenta fazer tudo de forma não automática, para se forçar a pensar.

Dizem que funciona, meu pai tem feito isso, pois tem sentido isso em relação à sua memória também. E principalemnte voltar a aprender uma lingua nova, um instrumento... dizem que ajuda além de ser divertido ;)

elaine disse...

Putz, esqueço de todas as coisas que você esquece. Sempre culpei a maternidade e a falta de interesse para pormenores (que veio com a idade).

Não acho que fui de muita ajuda... Mas concordo com a Eliana, tire a pulga detrás da orelha.

Angela disse...

Beth, sempre passo por aqui, mas raramente comento. Vivi muito de perto o mal chamado Alzheimer. A vó da minha amiga teve e é realmente muito triste a situação que o ser humano chega. Ela saia e esquecia como voltar para casa, não lembrava dos filhos, netos, e por fim deixou de se comunicar. Pelo que já li sobre o assunto é uma doença que pode ser combatida antes que ela apareça. Por isso a importância de estar com a mente sempre ativa, seja fazendo crochê, lendo, fazendo cruzadinha, não importa o que não podemos e parar de colocar a nossa máquina pensante para trabalhar. Se um sinal vermelho acendeu, quando você soube dos seus familiares, não deixe para procurar um médico quando já for tarde. Beijos!

tania disse...

Do jeito que você é tão ativa, Beth! você não tem o perfil não. Claro que não sou médica, falo somente baseada no que dizem sobre manter a atividade, encarar desafios. Você faz tudo isso, e muito. Então, desencane. As doenças são oportunistas. Elas adoram um grilo na cabeça como brecha para se instalarem. Genética conta, mas não é tudo.
Beijo

Anônimo disse...

Oi, Beth:

Até onde sei, não há casos em minha família, mas me preocupo um pouco com isso, porque já nasci "desmemoriada" :) Há muitas precauções que você pode tomar, algumas delas já mencionadas nos comentários anteriores: exercício físico e mental constante, vitamina B, Gingko Biloba, curcumin, dormir bem, ômega 3, manter boa saúde em geral. Não são curas milagrosas, mas acho que qualquer ajuda é válida. Como foi comentado antes também, se você está preocupada, o melhor sempre é investigar logo. Vou terminar o comentário de forma positiva, porém: toda semana vejo alguns artigos no noticiário sobre novas descobertas e avanços da ciência para a detecção, prevenção e combate dessa doença. Aqui vão dois links bem recentes:

Drug Quickly Reverses Alzheimer’s Symptoms in Mice
http://neurosciencenews.com/alzheimers-disease-cancer-drug-bexarotene/

Scientists create brain tissue from human skin
http://www.thenewstribe.com/2012/02/13/scientists-create-brain-tissue-from-human-skin/

Bjs,
Gi

Beth Blue disse...

Tânia e Giselle,
Tenho lido sobre o assunto e de fato, existem várias maneiras de prevenir a doença (ou retardar o processo). Algumas até bem agradáveis: café, vinho tinto (um ou dois cálice, né?) e chocolate amargo!

Um livro que li recentemente e fala exatamente sobre isso se chama:

100 Simple Things You Can Do to Prevent Alzheimer's and Age-Related Memory Loss, Jean Carper.

Recomendo muito pra quem como eu se interessa pelo assunto. E como Tânia mesmo disse, estímulo intelectual é essencial (ler, escrever, falar idiomas ou aprender um novo idioma), fazer palavras-cruzadas (não sou fã). Nesse ponto, estou tranquila.

O que me preocupa é que ando muito ociosa e preciso urgentemente fazer algum tipo de atividade física - provavelmente voltar a nadar, pois odeio academia. A atividade física são recomendadas para a prevenção (e tratamento) de muitas doenças degenerativas...e também para a tal depressão.

Enfim, vamos nos mexer, né?

tania disse...

É isso aí. Também estou precisando fazer atividade física. A preguiça tá dando de dez a zero por aqui. Ainda mais agora que estou indo pra Sampa, estou preocupada com as primeiras semanas lá. É outro pique. Tudo é longe. Tenho tentado ao menos caminhar sempre que saio pra resolver coisas pelos arredores.
Beijo

Anita disse...

Sudoko. Recomendinho. Pode não dar cabo da doença, mas você fica um desmomoriado super inteligente, hahah !

RCR disse...

Encontrei seu blog por acaso. E posso dizer que meus olhos encheram de lágrimas ao ler isso! Em abril faz um ano que perdi meu avô por conta desta doença. Hoje já consigo falar a respeito, mais no começo nem conseguia explicar pras pessoas o que era o tal do Alzheimer. Ele faleceu depois de 3 anos que foi descoberto a doença! Eu, meu pai, minha mãe e irmã fomos morar na casa dele juntamente com a minha avó ( pra ajudar a minha vó a cuidar dele) Logo que descobrimos o médico disse que já estava bastante avançado ( realmente, com o tempo percebemos) Cheguei a ler algumas a respeito da doença e tudo o que acontecia eu já sabia que era por causa da doença. Meu avô era um homem ativo, adorava trabalhar, dirigir, fazer as coisas dele, caminhar, era religioso e tudo. No começo o pior foi ter que tirar o carro dele, não aceitava. Chegou a fugir de casa várias vezes por conta disso. Depois de um tempo as portas, portões eram todos trancados e as chaves escondidas. Depois passou pela fase da agredir os outros, por causa disso ele teve que ser internado, mais não havia gente que segurasse ele, o médico era surpreso pela força que ele ainda tinha nos braços e pernas. Era de ficar admirado, ninguém segurava. E por conta disso ele foi sedado. Tempos passaram, de volta em casa, não mastigava, usava fralda, não tomava banho sozinho, não andava sozinho, falava com muita dificuldade (no final quase nao conseguia mais falar), não sabia mais escrever, contar, nada. ( Minha vo chegou a dar caça palavra pra ele fazer, pra ele vê que talvez ele ainda era capaz de fazer alguma coisa) E depois de tantos 'efeitos' por conta da doença, chegou a parte que eu mais temia quando li sobre a doença.. a parte onde ele não se lembra de ninguém, no começo era dos amigos, alguém ia visitar e ele não lembrava.Até ai eu entendia, sabia que era da doença. Mais ao entrar no quarto dele pra pedir benção ele virou e diz: ' quem é você?' Meus olhos encheram de lágrimas e foram escorrendo. Minha vó prontamente disse: ' é sua neta, a R..' Ele ficou me olhando por um tempo e disse: ' ah sim.' Mais eu sabia que ali ele já não se lembrava mais, sai do quarto e fui pro meu, só sabia chorar, não queria acreditar que ele não se lembraria de mim. E aos poucos ele foi esquecendo de cada um, e no fim os últimos foram minha vó e meu pai (filho dele) E com o tempo as coisas só ia de mal a pior, dai que no dia 13 de abril (aniversário do meu pai), ele entrou em coma em casa e foi levado para o hospital. Ficou 11 dias na UTI e no domingo de pascoa recebemos a pior noticia que podiamos receber.. sim, ele tinha partido prum mundo lindo, na hora eu não aceitava, não queria, queria a presença dele ao meu lado, mesmo daquele jeito, por que ele era meu segundo pai e ainda é. Mais depois com a cabeça mais fria, sei que foi o melhor pra ele, já estava sofrendo muito aqui, não so ele, mais como todos nós! Ele faleceu dia 24 e dia 26 é meu aniversário, e vai ficar pra sempre essas datas marcadas! E mesmo com todo o tempo, com tudo, e não querendo que o pior acontecesse, eu já sabia, já estava meio que preparada, meus pais já haviam conversado comigo. Contei a história toda praticamente, pra vê se entendem. Mais digo, se você tiver alguém que esteja com a doença, esteja por dentro dos assuntos, o que ela pode causar, como ela vai aumentando e tudo. Esteja sempre preparado para todos os momentos. Por que a vida pode pegar você de surpresa. Eu sinto uma falta sem explicação, mais tenho comigo que ele esta bem melhor e olhando por todos. Um bom final de semana.,