sábado, agosto 19, 2006

Maternidade, mito do amor materno e outras divagações...


O nascimento do meu filho é um processo que estou vivendo até hoje e que encerrou uma fase muito importante da minha vida. Perdi muito da liberdade de antes, mas felizmente também ganhei muita coisa em troca -- coisas que hoje nem teria palavras para descrever, se me pedissem.

Costuma-se pensar que os pais ensinam os filhos mas descobri que muitas vezes eles é que nos ensinam, e muito! Antes de mais nada, uma criança nos ensina a viver no presente, a curtir um dia de cada vez -- ao invés de ficarmos remoendo o passado ou nos preocupando com o amanhã. A criança só conhece um tempo: o presente do indicativo.

No final das contas, a maternidade é uma experiência única...uma experiência às vezes pesada, mas muito válida. No meu caso, a maternidade foi iniciada com um processo doloroso pois tive uma depressão pós-parto que me fez questionar até aqueles valores (presumivelmente) indiscutíveis como o mito do amor materno...Basicamente, meu mundo (como o conhecia antes) mudou para sempre, e confesso que levei anos para aceitar esse fato.

É uma grande ilusão achar que a vida da gente não muda após termos filhos (só quem não tem filhos diz isso, ou quem tem filhos para serem criados pela babá ou com alguma sorte, pelos avós e outros parentes). Outra ilusão maior ainda achar que, mais cedo ou mais tarde, os filhos se adaptarão ao nosso esquema de vida -- na minha experiência e de muitas mães à minha volta, nosso esquema de vida é que é modificado com a chegada dos filhos.

Também aprendi que ninguém nasce mãe, a gente se torna mãe -- a cada dia, a cada mês, a cada ano...E mais, não acredito que todas as mulheres tenham nascido para serem mães e muito menos que a maior realização de uma mulher seja necessariamente seus filhos. Acredito sim é que a gente cria os filhos para o mundo...e que é um lêdo engano achar que eles irão preencher um vazio que nós mesmos não sabemos descrever.

Filho é pra gente criar, ensinar valores, educar para o mundo...filho não é pra suprir as necessidades da gente, nem pra ficar desfilando pelo parque com um buggy novinho em folha. Para isso, recomendo que adotem um cachorro! (sai muito mais em conta)

3 comentários:

Cristine disse...

Tinha que ser Beth Blue, né? ;)
Adorei os textos...ainda tento me animar em ter o meu blog, mas pra que não tem nem MSN, já viu! :p
O filhão tá enorme...e aí, não vai apresentar a criança à Pátria Amada Idolatrada não?
Nem acredito que você já mora há 12 anos em Amsterdam e eu ainda não consegui ir aí. Mas eu vou...ah, isso é certo!
Beijos!
Cristine Strawberry Girl ;)

Anônimo disse...

Pois e mamae (desculpa estou sem acentos,etc)...
Vida de mae, so mae - na mesma situacao entende.
Ser mae pra mim, e a "carreira" mais cansativa, louca, alucinada do mundo.
Criar e educar outros seres e uma responsabilidade constante.
Uma vez, qdo estava divulgando a festa de 1 ano do club Latino e o CD mixado pelos Dj's residentes, fui ao programa de entrevistas da Marilia Gabriela, e ela me fez uma pergunta pessoal:
- O que eu gostaria de aprontar no futuro.
Eu respondi:
- Ser mae, e de quebra falei q ia continuar na noite - no que ela respondeu:
VOCE NAO VAI CONSEGUIR combinar as duas coisas.

Ela tinha 100% de razao, ha momentos que temos que "parar" nossa vida em prol dos filhos, esse momento pra mim foi escolha propria, me orgulho disso, foi uma decisao tomada por mim, mas nao vejo muito lirismo nisso, vejo as vezes como uma CRUZ bem pesada q tenho que carregar, e ainda por cima SORRIR, porque o caminho que escolhi e ser feliz, custe o que custar.

Parabens pelo blog e pelo texto e viva nos mamaes.
E apropo' chegara um dia que ganharemos UM SALARIO MUITO BOM, pra ficarmos em casa "educando nossos filhos", cuidando nossos filhos, e merecido, talvez em 2050/2130...por ai.

Bola pra frente!!!!!!
Bebete Indarte
xxx

Eu não sei, você sabe? disse...

filhos e mães...tudo parece tão simples e natural...e é.
Não adianta esquentar muito e nem dar muito valor a mãe ou ao filho. Será que me fiz clara? Acho que não...
beijos Bethinha
tita.

Tecnologia do Blogger.

Maternidade, mito do amor materno e outras divagações...


O nascimento do meu filho é um processo que estou vivendo até hoje e que encerrou uma fase muito importante da minha vida. Perdi muito da liberdade de antes, mas felizmente também ganhei muita coisa em troca -- coisas que hoje nem teria palavras para descrever, se me pedissem.

Costuma-se pensar que os pais ensinam os filhos mas descobri que muitas vezes eles é que nos ensinam, e muito! Antes de mais nada, uma criança nos ensina a viver no presente, a curtir um dia de cada vez -- ao invés de ficarmos remoendo o passado ou nos preocupando com o amanhã. A criança só conhece um tempo: o presente do indicativo.

No final das contas, a maternidade é uma experiência única...uma experiência às vezes pesada, mas muito válida. No meu caso, a maternidade foi iniciada com um processo doloroso pois tive uma depressão pós-parto que me fez questionar até aqueles valores (presumivelmente) indiscutíveis como o mito do amor materno...Basicamente, meu mundo (como o conhecia antes) mudou para sempre, e confesso que levei anos para aceitar esse fato.

É uma grande ilusão achar que a vida da gente não muda após termos filhos (só quem não tem filhos diz isso, ou quem tem filhos para serem criados pela babá ou com alguma sorte, pelos avós e outros parentes). Outra ilusão maior ainda achar que, mais cedo ou mais tarde, os filhos se adaptarão ao nosso esquema de vida -- na minha experiência e de muitas mães à minha volta, nosso esquema de vida é que é modificado com a chegada dos filhos.

Também aprendi que ninguém nasce mãe, a gente se torna mãe -- a cada dia, a cada mês, a cada ano...E mais, não acredito que todas as mulheres tenham nascido para serem mães e muito menos que a maior realização de uma mulher seja necessariamente seus filhos. Acredito sim é que a gente cria os filhos para o mundo...e que é um lêdo engano achar que eles irão preencher um vazio que nós mesmos não sabemos descrever.

Filho é pra gente criar, ensinar valores, educar para o mundo...filho não é pra suprir as necessidades da gente, nem pra ficar desfilando pelo parque com um buggy novinho em folha. Para isso, recomendo que adotem um cachorro! (sai muito mais em conta)

3 comentários:

Cristine disse...

Tinha que ser Beth Blue, né? ;)
Adorei os textos...ainda tento me animar em ter o meu blog, mas pra que não tem nem MSN, já viu! :p
O filhão tá enorme...e aí, não vai apresentar a criança à Pátria Amada Idolatrada não?
Nem acredito que você já mora há 12 anos em Amsterdam e eu ainda não consegui ir aí. Mas eu vou...ah, isso é certo!
Beijos!
Cristine Strawberry Girl ;)

Anônimo disse...

Pois e mamae (desculpa estou sem acentos,etc)...
Vida de mae, so mae - na mesma situacao entende.
Ser mae pra mim, e a "carreira" mais cansativa, louca, alucinada do mundo.
Criar e educar outros seres e uma responsabilidade constante.
Uma vez, qdo estava divulgando a festa de 1 ano do club Latino e o CD mixado pelos Dj's residentes, fui ao programa de entrevistas da Marilia Gabriela, e ela me fez uma pergunta pessoal:
- O que eu gostaria de aprontar no futuro.
Eu respondi:
- Ser mae, e de quebra falei q ia continuar na noite - no que ela respondeu:
VOCE NAO VAI CONSEGUIR combinar as duas coisas.

Ela tinha 100% de razao, ha momentos que temos que "parar" nossa vida em prol dos filhos, esse momento pra mim foi escolha propria, me orgulho disso, foi uma decisao tomada por mim, mas nao vejo muito lirismo nisso, vejo as vezes como uma CRUZ bem pesada q tenho que carregar, e ainda por cima SORRIR, porque o caminho que escolhi e ser feliz, custe o que custar.

Parabens pelo blog e pelo texto e viva nos mamaes.
E apropo' chegara um dia que ganharemos UM SALARIO MUITO BOM, pra ficarmos em casa "educando nossos filhos", cuidando nossos filhos, e merecido, talvez em 2050/2130...por ai.

Bola pra frente!!!!!!
Bebete Indarte
xxx

Eu não sei, você sabe? disse...

filhos e mães...tudo parece tão simples e natural...e é.
Não adianta esquentar muito e nem dar muito valor a mãe ou ao filho. Será que me fiz clara? Acho que não...
beijos Bethinha
tita.