terça-feira, setembro 05, 2006

Não compre um livro pela capa (leia-se: as aparências enganam)

De uns tempos para cá, percebo cada vez mais que existem em mim não uma, mas duas pessoas distintas (uma personalidade um tanto quanto esquizofrênica mas é a verdade nua e crua). Uma pessoa é aquela que o mundo vê e a outra é aquela que apenas quem é capaz de ver além das aparências conhece. Essa última percebem apenas aqueles que têm a (rara) sensibilidade de olhar uma segunda vez e intuir o que não foi dito, aqueles que têm o dom de ler nas entrelinhas. Aqueles que ouvem não apenas o que foi dito mas principalmente o que não foi dito -- em suma, meus amigos.

Funciona mais ou menos assim: muitas vezes a imagem que passamos não corresponde em nada (ou quase nada) com quem realmente somos...na verdade, essa imagem (também chamada de persona em alguns círculos) nada mais é do que um mecanismo de defesa que usamos para sobreviver na selva das relações sociais. O problema começa quando esse mecanismo deixa de trabalhar em nosso favor e começa a atrapalhar mais do que ajudar...quando a pessoa que os outros vêem deixa muito a desejar em relação à pessoa por trás das aparências. Nessas horas, o confronto é inevitável (e acima de tudo doloroso) e a nós só nos resta parar tudo, respirar fundo e recriar a nós mesmos.

Estou escrevendo isso porque outro dia fiquei muito triste. Após um primeiro contato com uma pessoa, cheguei em casa com a desagradável sensação de ter deixado uma imagem bastante equivocada da minha pessoa -- e pior, percebi que a culpa era unicamente minha, por ter passado a imagem errada. A verdade é que por trás de uma personalidade falante e agitada, existe uma pessoa extremamente sensível e profunda. Por trás de uma pessoa barulhenta e extrovertida, existe uma pessoa introvertida que ama o silêncio e que busca a solidão, uma pessoa que pensa e sente demais...E acima de tudo, alguém com o coração maior do que o mundo -- alguém que quando gosta, gosta pra valer e que leva seus afetos muito à sério. Alguém que se magoa facilmente mas que também sabe perdoar.

Sorte é que meus amigos sabem exatamente quem eu sou, eles sempre souberam ver além das aparências e hoje posso dizer que isso me basta –no final das contas, não se pode mesmo agradar a gregos e troianos.

3 comentários:

Bebete disse...

Pois e...as aparencias enganam mesmo, a carcaca (to cem acentos, cedilhas e afins)...e o que nos surpreende - pessoas sensiveis que criticas, sao "mal vindas" porque a gente as vezes nao consegue se olhar no espelho.
As vezes, sentimos "odio, raiva de nos mesmos"...tudo o q queremos e ser aceitos pelos outros, admirados, amados, mas "dependendo" do outro somos mau interpretados, julgados, apedrejados, e o que e pior rejeitados (essa doi).
Todos nos temos medo de rejeicao - Freud ou Jung devem explicar.
Chega uma hora q temos que sair do utero, uma hora que temos que ir pro colo, frageis, indefesos.
Somos todos uns bebes, chorando, berrando pelo leite, mamadeira, colo, afeto.
Somos todos humanos, as vezes cegos, somos maus, bons, invejosos, dubios.
Ai Dio mio, como o ser humano e humano de tao imperfeito.
Felizmente, eu nao compro o livro pela capa, eu sempre dou uma olhadinha la dentro, ou pelo menos leio a orelha, pra nao levar gato por lebre.
E assim e com voce, meus amigos em geral, eles tem que ser "parecidos" comigo, falar verdades que nao quero ouvir as vezes pq sou cega e vendo de fora, as vezes fica mais transparente.
Mas no fundo somos iguais, principalmente nos mulheres, complicadas, tagarelas, ansiosas, dramaticas, cheias de ?????
Carregamos o mundo nas costas, e a propaganda diz que e uma figura masculina.
Atlas somos nos.
Obrigada por sua amizade, e pode me jogar ovo podre, tomate...de vez em quando.
Mas se eu precisar de colo, vou bater na sua porta.

Bebete disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Arnild disse...

Beth,
Lendo esse post, me lembrei de uma música da Laurie Anderson(de quem gosto muito!), chamada "Born Never Asked". No final da indtrodução, ela faz uma pergunta que mais parece um koan:
"What is behind that curtain?"
Eu imagino que este "what", em cada um de nós, permanece inacessível para muitos. E, como já pontuou a Bebete, essa sede insaciada de amor do próximo se assemelha à dor de nascer, à dureza de amadurecer e aventurar-se em busca do SEU lugar. Entregar-se a esta busca é fonte de alegria e prazer! E quanto ao que há por detrás de cada carinha que fazemos a cada momento(haja caras e bocas, hehehe), já dizia o mestre: "Quem tem olhos, que veja!"
Em tempo: Eu compro livros por intuição...acho que meu faro é bom, né?
beijocas!
Arnild

Tecnologia do Blogger.

Não compre um livro pela capa (leia-se: as aparências enganam)

De uns tempos para cá, percebo cada vez mais que existem em mim não uma, mas duas pessoas distintas (uma personalidade um tanto quanto esquizofrênica mas é a verdade nua e crua). Uma pessoa é aquela que o mundo vê e a outra é aquela que apenas quem é capaz de ver além das aparências conhece. Essa última percebem apenas aqueles que têm a (rara) sensibilidade de olhar uma segunda vez e intuir o que não foi dito, aqueles que têm o dom de ler nas entrelinhas. Aqueles que ouvem não apenas o que foi dito mas principalmente o que não foi dito -- em suma, meus amigos.

Funciona mais ou menos assim: muitas vezes a imagem que passamos não corresponde em nada (ou quase nada) com quem realmente somos...na verdade, essa imagem (também chamada de persona em alguns círculos) nada mais é do que um mecanismo de defesa que usamos para sobreviver na selva das relações sociais. O problema começa quando esse mecanismo deixa de trabalhar em nosso favor e começa a atrapalhar mais do que ajudar...quando a pessoa que os outros vêem deixa muito a desejar em relação à pessoa por trás das aparências. Nessas horas, o confronto é inevitável (e acima de tudo doloroso) e a nós só nos resta parar tudo, respirar fundo e recriar a nós mesmos.

Estou escrevendo isso porque outro dia fiquei muito triste. Após um primeiro contato com uma pessoa, cheguei em casa com a desagradável sensação de ter deixado uma imagem bastante equivocada da minha pessoa -- e pior, percebi que a culpa era unicamente minha, por ter passado a imagem errada. A verdade é que por trás de uma personalidade falante e agitada, existe uma pessoa extremamente sensível e profunda. Por trás de uma pessoa barulhenta e extrovertida, existe uma pessoa introvertida que ama o silêncio e que busca a solidão, uma pessoa que pensa e sente demais...E acima de tudo, alguém com o coração maior do que o mundo -- alguém que quando gosta, gosta pra valer e que leva seus afetos muito à sério. Alguém que se magoa facilmente mas que também sabe perdoar.

Sorte é que meus amigos sabem exatamente quem eu sou, eles sempre souberam ver além das aparências e hoje posso dizer que isso me basta –no final das contas, não se pode mesmo agradar a gregos e troianos.

3 comentários:

Bebete disse...

Pois e...as aparencias enganam mesmo, a carcaca (to cem acentos, cedilhas e afins)...e o que nos surpreende - pessoas sensiveis que criticas, sao "mal vindas" porque a gente as vezes nao consegue se olhar no espelho.
As vezes, sentimos "odio, raiva de nos mesmos"...tudo o q queremos e ser aceitos pelos outros, admirados, amados, mas "dependendo" do outro somos mau interpretados, julgados, apedrejados, e o que e pior rejeitados (essa doi).
Todos nos temos medo de rejeicao - Freud ou Jung devem explicar.
Chega uma hora q temos que sair do utero, uma hora que temos que ir pro colo, frageis, indefesos.
Somos todos uns bebes, chorando, berrando pelo leite, mamadeira, colo, afeto.
Somos todos humanos, as vezes cegos, somos maus, bons, invejosos, dubios.
Ai Dio mio, como o ser humano e humano de tao imperfeito.
Felizmente, eu nao compro o livro pela capa, eu sempre dou uma olhadinha la dentro, ou pelo menos leio a orelha, pra nao levar gato por lebre.
E assim e com voce, meus amigos em geral, eles tem que ser "parecidos" comigo, falar verdades que nao quero ouvir as vezes pq sou cega e vendo de fora, as vezes fica mais transparente.
Mas no fundo somos iguais, principalmente nos mulheres, complicadas, tagarelas, ansiosas, dramaticas, cheias de ?????
Carregamos o mundo nas costas, e a propaganda diz que e uma figura masculina.
Atlas somos nos.
Obrigada por sua amizade, e pode me jogar ovo podre, tomate...de vez em quando.
Mas se eu precisar de colo, vou bater na sua porta.

Bebete disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Arnild disse...

Beth,
Lendo esse post, me lembrei de uma música da Laurie Anderson(de quem gosto muito!), chamada "Born Never Asked". No final da indtrodução, ela faz uma pergunta que mais parece um koan:
"What is behind that curtain?"
Eu imagino que este "what", em cada um de nós, permanece inacessível para muitos. E, como já pontuou a Bebete, essa sede insaciada de amor do próximo se assemelha à dor de nascer, à dureza de amadurecer e aventurar-se em busca do SEU lugar. Entregar-se a esta busca é fonte de alegria e prazer! E quanto ao que há por detrás de cada carinha que fazemos a cada momento(haja caras e bocas, hehehe), já dizia o mestre: "Quem tem olhos, que veja!"
Em tempo: Eu compro livros por intuição...acho que meu faro é bom, né?
beijocas!
Arnild