
Totalmente absorvida na leitura do livro
Eat, Pray, Love: One Woman´s Search for Everything, de Elizabeth Gilbert (sucesso de vendas em vários países, traduzido para não sei quantos idiomas e por ai vai). Descobri que não apenas temos o mesmo nome, como também somos muito parecidas em alguns aspectos. Me identifiquei profundamente com a autora do livro. Juro por Deus! Sua eterna busca espiritual, a mente curiosa e inquieta (a eterna estudante e rata de biblioteca), momentos de crise e crescimento. A sensação de não pertencer a lugar nenhum ou a todos os lugares (
the world is my shell). A sensação de não se ajustar a nenhum padrão pré-estabelecido de como viver uma vida decente - aqueles padrões que a sociedade impõe e que alguns adotam com uma facilidade de dar inveja em pessoas como eu. A verdade é que a minha vida seria muito mais fácil se eu fosse daquelas mulheres pra quem felicidade é sinônimo de marido, filhos e casa bonita. Eu fui casada, tive meu filho e entrei em parafuso. Exatamente como a Elizabeth deste livro - com a diferença que ela entrou em parafuso antes de engravidar - o que acreditem, já facilita muito! Só sei que num belo momento de sua vida, ela decide se divorciar e começar tudo de novo. Exatamente como eu fiz há cerca de 2 anos. O fim do casamento foi para ela (e para mim) o início de uma jornada em busca de si mesma. No caso dela, jornada que a levará à Itália, Índia e Indonésia. A minha jornada particular começou no Brasil, passando pela Irlanda e Holanda, onde aliás vivo até hoje (pra quem ainda não percebeu).
Acho até que uma das poucas diferenças entre as duas Elizabeths (a autora e a blogueira que vos escreve) é que a autora teve condições financeiras de bancar uma viagem dessas. Um verdadeiro
sabbatical (muito na moda aqui na Europa): 1 ano viajando pelo mundo, 4 meses em cada um dos países citados. Diga-se de passagem, se suas aventuras culinárias na Itália (onde mais neste mundo come-se tão bem?) são de deixar qualquer um com água na boca, os relatos da Índia são os mais comoventes, intensos e...hilários! Cheguei até a me ver num
ashram desses, acordando altas horas da madrugada - três da matina, pra ser mais precisa - pra fazer meditação e
chanting! No thanks, odeio acordar cedo! E acho que sentiria exatamente o que ela sentiu (sono, raiva, ressentimento, etc). De qualquer forma, um processo pra lá de válido, embora (muito) doloroso, obviamente. Ser confrontado com seus próprios monstros é uma das grandes aventuras da vida. Conhecer-se a si mesmo e amar-se apesar de tudo (defeitos, neuras, limitações, etc) é uma das maiores façanhas. Não, não é pouca coisa e a maioria das pessoas não chega nem perto de realizar isso em uma vida.
Quanto a mim, a minha busca começou muitos e muitos anos atrás, quando ainda morava no Brasil. Embora tenha crescido na igreja protestante de meus pais, aos 18 anos decidi que não queria mais ir à igreja (nem aos domingos, nem nenhum outro dia). Comecei a estudar astrologia e tarô (que leio até hoje). Fiz hatha yoga e meditação transcendental. Frequentei centros espíritas (e só não fui a terreiro de macumba porque morria de medo). Fiz acupuntura e medicina natural. Herbalismo, florais de bach, homeopatia. Tentei tai-chi mas foi uma desgraça porque eu sempre terminava antes dos outros (sou apressadinha). E me encontrei na antiginástica, que fiz por mais de 2 anos em uma das fases de mais equilíbrio da minha vida. Pensando bem, a minha jornada foi (quase) o contrário da dela. De certa forma - e certamente em um dado momento - me perdi mais do que me achei na Europa. Claro que estou exagerando e que cresci muito aqui neste
velho continente. Tanto que, sinceramente, nem consigo me imaginar voltando a viver no Brasil. Não é esnobismo não, é fato - e quem mora há mais de 10 anos fora sabe muito bem do que estou falando!
Pra finalizar, acho que eu ficaria uns 6 meses na Itália, 2 meses na Índia (tempo suficiente pra pegar alguma disenteria ou desidratação e emagrecer uns bons quilos) e 4 meses na Indonésia, até prova em contrário. De uma coisa eu tenho certeza: viajar é bom demais!!! Conhecer novos lugares, novas culturas, explorar novos sabores...