quarta-feira, agosto 13, 2008

O menino e o tigre

Acabo de ler mais um livro muito interessante: o premiado Life of Pi (2001). Na época do lançamento anos atrás correram boatos de plágio. Diga-se de passagem, o plagiado teria sido nosso escritor Moacyr Scliar, a idéia teria sido roubada do livro Max e os Felinos (1981). No meio da confusão, os dois autores até se conheceram pessoalmente e Moacyr acabou desistindo de abrir um processo. E no final das contas, sobra apenas a dedicatória de Yann Martel, onde se lê: As for the spark of life, I owe it to Mr. Moacyr Scliar.

Plágio ou não, o livro é excelente. Um naufrágio no meio do Oceano Pacífico. Um navio carregado de bichos e onde também viaja uma família de imigrantes indianos rumo ao Canadá. Do navio mesmo não sobra nada. Os sobreviventes: um menino de 16 anos chamado Piscine Patel (aka Pi). Uma zebra com a pata quebrada, um orangotango, uma hiena. E um tigre de bengala chamado Richard Parker (!). Logo são apenas os dois, o menino e o tigre. Companheiros em uma infindável jornada (mais de 220 dias) por mares calmos e tempestades. Dia após dia, noite após noite. Sobreviventes de uma aventura pra lá de inusitada.

A estória é muitas vezes hilária e a narrativa lembra muito o realismo mágico tão presente na literatura latino-americana. O livro discute temas fundamentais como religião, Deus e o homem. Catolicismo, Islamismo e Hinduísmo caminham lado a lado na vida do protagonista (e também narrador da estória). Em sua busca incessante pela verdade, Pi acaba concluindo que religião é tudo igual, só muda mesmo o nome: Jesus Cristo, Maomé, Vishnu, Shiva, etc (e no final das contas, ele está certo). Em uma das análises literárias do livro, Pi representaria o lado religioso do ser humano, em oposição ao tigre que representaria os instintos animais do homem. O interessante na estória é que Pi logo descobre que não pode matar o tigre. Que em vez disso ele deve tentar domá-lo, fazer amizade com ele...Está montada a arena para a eterna luta entre os lados racional e instintivo, tão conhecida de nós seres humanos.

Leitura altamente recomendada!

2 comentários:

Isabella disse...

ái, Beth, que vontade de ter mais tempo pra ler... Viajo nos seus posts.

Vi My bluberry nights. Filhote pegou no sono durante o dia e corri pra ver o filme. Gostei da fotografia mas achei a história previsível...

bjs

Luca disse...

Life of Pi eu li rapidinho, fiquei super absorvida e confesso q no final ainda chorei. Lindo!
beijuuuuuuuuuus,L

Tecnologia do Blogger.

O menino e o tigre

Acabo de ler mais um livro muito interessante: o premiado Life of Pi (2001). Na época do lançamento anos atrás correram boatos de plágio. Diga-se de passagem, o plagiado teria sido nosso escritor Moacyr Scliar, a idéia teria sido roubada do livro Max e os Felinos (1981). No meio da confusão, os dois autores até se conheceram pessoalmente e Moacyr acabou desistindo de abrir um processo. E no final das contas, sobra apenas a dedicatória de Yann Martel, onde se lê: As for the spark of life, I owe it to Mr. Moacyr Scliar.

Plágio ou não, o livro é excelente. Um naufrágio no meio do Oceano Pacífico. Um navio carregado de bichos e onde também viaja uma família de imigrantes indianos rumo ao Canadá. Do navio mesmo não sobra nada. Os sobreviventes: um menino de 16 anos chamado Piscine Patel (aka Pi). Uma zebra com a pata quebrada, um orangotango, uma hiena. E um tigre de bengala chamado Richard Parker (!). Logo são apenas os dois, o menino e o tigre. Companheiros em uma infindável jornada (mais de 220 dias) por mares calmos e tempestades. Dia após dia, noite após noite. Sobreviventes de uma aventura pra lá de inusitada.

A estória é muitas vezes hilária e a narrativa lembra muito o realismo mágico tão presente na literatura latino-americana. O livro discute temas fundamentais como religião, Deus e o homem. Catolicismo, Islamismo e Hinduísmo caminham lado a lado na vida do protagonista (e também narrador da estória). Em sua busca incessante pela verdade, Pi acaba concluindo que religião é tudo igual, só muda mesmo o nome: Jesus Cristo, Maomé, Vishnu, Shiva, etc (e no final das contas, ele está certo). Em uma das análises literárias do livro, Pi representaria o lado religioso do ser humano, em oposição ao tigre que representaria os instintos animais do homem. O interessante na estória é que Pi logo descobre que não pode matar o tigre. Que em vez disso ele deve tentar domá-lo, fazer amizade com ele...Está montada a arena para a eterna luta entre os lados racional e instintivo, tão conhecida de nós seres humanos.

Leitura altamente recomendada!

2 comentários:

Isabella disse...

ái, Beth, que vontade de ter mais tempo pra ler... Viajo nos seus posts.

Vi My bluberry nights. Filhote pegou no sono durante o dia e corri pra ver o filme. Gostei da fotografia mas achei a história previsível...

bjs

Luca disse...

Life of Pi eu li rapidinho, fiquei super absorvida e confesso q no final ainda chorei. Lindo!
beijuuuuuuuuuus,L