sexta-feira, julho 08, 2011

A velha mania de comparar

Foto tirada por mim há uns 3 anos

Uma coisa que tenho percebido naqueles que se mudaram recentemente do Brasil para a Europa é a (velha) mania de comparar Brasil e Europa! Na maioria dos casos, eles ficam deslumbrados com tudo à sua volta. É a grande descoberta do novo, o início de uma longa e rica jornada para alguns (porque muitos acabam voltando). Verdade seja dita, o ser humano tem por hábito comparar o que já conhece com o desconhecido, é quase um instinto natural.

Essa mania de comparar gera dois fenômenos bem distintos que vejo à minha volta: o deslumbramento (os recém-chegados que acham que aqui tudo é melhor) e o seu oposto,  a revolta ou inconformismo. Ambos fazem parte do processo de adaptação. Pensando em algumas pessoas que conheço, não sei dizer qual dessas posturas me irrita mais (sim, eu já passei pelas duas). Mas acho que o segundo tipo, os eternos revoltados e saudosistas. Já tive muita vontade de dizer (e já disse algumas vezes) pra essas pessoas: se aqui é tão ruim assim, porque não volta pro Brasil? A resposta geralmente é o silêncio...

Já o povo que acabou de chegar fresquinho do Brasil acha tudo lindo e maravilhoso. Afinal de contas, começar vida nova (e ainda mais na Europa) é sempre uma coisa bacana - e é mesmo! Esses ainda tem muita estrada pra percorrer até o dia em que descobrirão que aqui não é o paraíso sonhado e que a vida de imigrante não é para todo mundo (e não é mesmo, disso vocês podem ter certeza). Ser imigrante requer mais do que o otimismo de quem acha que tirou a sorte grande e tudo vai dar certo daqui em diante (porque nem sempre dá, viu?). Há muitas provações no caminho que requerem mais do que o bom e velho otimismo. Elas requerem um certo grau de bom senso para lidar com situações novas, uma enorme capacidade de adaptação e muita paciência. A grande vantagem dos "verdinhos" (como decidi apelidá-los carinhosamente) é a mente aberta e sem preconceitos de quem ainda não viu muita coisa e está começando a formar suas próprias opiniões.

Aí tem aqueles que passam anos e anos e continuam tendo enormes dificuldades de se adaptar (não foi o meu caso). São aqueles típicos brasileiros que você encontrará em toda parte do mundo (e sim, brasileiro tem em toda parte, juro que vi). Aqueles que moram por exemplo aqui na Holanda e fazem questão de conviver só com brasileiros, falar só português com os filhos e comer só feijão com arroz e farofa (que eu adoro!!!). Quando observo essas pessoas, eu inevitavelmente me pergunto: qual a vantagem de cruzar um oceano se é pra viver do mesmo jeito que se vivia lá? Qual a vantagem de conhecer uma cultura nova quando tudo que se faz é comparar com a sua cultura e morrer de saudades do Brasil?

Uma terceira categoria são aqueles que como eu, já vivem muitos anos fora do Brasil (10 anos ou mais). E esses já fizeram bagagem suficiente, já tiveram muitas surpresas agradáveis e outras nem tanto assim. Eu mesma sempre digo que aqui em Amsterdã vivi os melhores e piores momentos da minha vida. E não estou exagerando. Eu vivi 23 anos no Rio de Janeiro e agora já se vão 17 anos de Amsterdã. E percebi que os estrangeiros (não apenas os brasileiros) que vivem aqui há muito tempo acabam incorporando um hábito local: o hábito de reclamar daqui!!! Enfim, o ser humano é um eterno insatisfeito.

Porque eu não comparo Brasil x Holanda. Eu comparo Holanda x Holanda. Ou seja, a Holanda de 17 anos atrás quando desembarquei aqui de mala e cuia e a Holanda dos dias de hoje. Sem querer ser arrogante, acho que é algo comum entre os veteranos que moram muitos anos fora. No meu caso, isso se agrava porque não vou ao Brasil há 12 anos então perdi a referência de como as coisas são por lá.

Não sei se todo mundo está entendendo onde quero chegar (nem eu me entendo às vezes), mas o que eu quero dizer é que existem várias formas de se comparar. Se por um lado é ótimo ter uma visão crítica do mundo, por outro é preciso ter cautela pra não exagerar e tornar-se o eterno insatisfeito.

Um exemplo, no último post eu disse que a Holanda piorou muito nos últimos anos. Mas eu disse isso em relaçào à própria Holanda (e à Comunidade Européia). Porque se for usar o Brasil como parâmetro de comparação, a Holanda ainda é um país bom de se viver, por várias razões (quem mora aqui sabe disso). As diferenças socias estão aumentando sim, os ricos e os pobres, brancos e negros vivendo em bairros separados e crianças em escolas separadas...As escolas aqui em Amsterdã são brancas ou pretas, o que é assunto para outro post...Mas o governo ainda ajuda (menos mas ajuda) e existem possibilidades (mas é preciso buscá-las).

Em suma, apenas mais uma das minhas inúmeras reflexões nos últimos tempos.


I am indeed...



PS. Sim, eu continuo amando a cidade onde decidi morar. Amo de outra forma que amei quando aqui cheguei mas meu lar é aqui, é aqui que me sinto em casa. E é aqui que decidi criar o meu filho, porque acredito que aqui ele tenha mais oportunidades de futuro. Até porque, ele nasceu na Holanda filho de pai inglês e é portanto europeu, com todos os direitos e privilégios que isso lhe assegura. Pois é, tem gente que já nasce com o c* virado pra lua, rsrsrs.

8 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Beth:
Estou fora do Brasil há um pouquinho menos de tempo que você, mas já se vão muitos anos também, e concordo com tudo o que você escreveu sobre as reações dos brasileiros que vão morar fora. Na verdade, acho que isso se aplica a todas as nacionalidades. Em relação aos que não tentam se integrar, por exemplo, já tive vizinhos de diferentes nacionalidades que só conseguiam se comunicar por gestos, pois não tinham nem tentado aprender o idioma local mesmo após vários anos morando no país. Enfim, acho que aprendi duas lições importantes com o passar do tempo:
1 - Não existe um lugar perfeito: existem coisas boas e ruins em qualquer lugar do mundo. O melhor a fazer é aproveitar ao máximo as coisas boas e ter paciência, flexibilidade e bom humor para lidar com as ruins.
2 - O melhor lugar do mundo é aquele em que você se sente bem e feliz (e esse lugar não necessariamente é o mesmo em que você nasceu/cresceu - o mundo é muito vasto).
Na verdade, a única coisa que me irrita um pouco, às vezes, são os estereótipos sobre o Brasil e os brasileiros. Ao longo dos anos, pessoas de várias nacionalidades já me surpreenderam diversas vezes com perguntas e comentários estapafúrdios - tipo: no Brasil ainda vivemos todos na selva e a eletricidade ainda não chegou lá :) O jeito é ter muita paciência e explicar tudo direitinho...
Beijos,
Gi

Maria Valéria disse...

acho um SACO quem vive n europa e arrota caviar, tipo, fala mal do Brasil o tempo todo, compara o tempo todo, diz o tempo todo que a europa é melhor...blargh, dá vontade de sumir de fininho, dá vergonha nessas horas de viver no Brasil e de não ser ' tao privilegiada'. Não moraria no exterior pq acho que meus problemas, alegrias, dúvidas, devem ser resolvidos no BRASIL. Amo o país onde resolvi morar.
Mas concordo contigo, quando vc diz que se o outro reclama do lugar onde mora deveria sair dali... é muito comum no Brasil pessoas de outros estados migrarem pra são paulo, achando que aqui é o paraíso... quando confrontadas com a dura realidade do que é viver em são paulo, reclamam" se soubesse não tinha vindo pra cá e ficado onde estava'... nessas horas, dá vontade de dizer( não digo pq sou educada): " Ué, volta pra sua terrinha maravilhosa, meu querido... se aqui é tão ruim, o que vc tá fazendo aqui??"....
ótimo post!! beijos

Eve disse...

Aonde eu posso assinar? Sério! Vc falou uma coisa super importante, principalmente, em relaçao aos brasileiros que continuam vivendo como se ainda estivessem no Brasil...
Qto aos verdinhos, uma das minhas cores favoritas e grupo do qual faço parte, acho que o segredo deles é que quando amadurecem, nao se tornem os insatisfeitos... rsrs

Parar de comparar já parei há algum tempo. Mas, nao deixo de lembrar como aqui ou lá é diferente no sentido de coisas positivas. Por ex, o sao joao que eu perdi. rsrrs

Bjs!

Georgia disse...

Beth, parabéns pelo post tao bem colocado.

Eu tb fico danada de raiva qdo vejo alguém querendo comer todo dia o feijao com arroz e farinha.
Qdo meus pais estiveram aqui eles ficaram furiosos porque nao tinha feijao preto no prato todos os dias e ai eu disse a eles: mas vc estao em outro país para conhecer gostos e sabores de uma outra cultura e sabe qual foi a resposta? Nao estamos interessados.

É isso, nao estao interessados em conhecer em aprender, só estao interessados em dizer aos amigos que estiveram na Europa ou que viveram um tempo na Europa e usam isso como cartao de visita.

Eu tb tenho 17 anos de Alemanha e passei pelo deslumbramento e pela decepcao em algumas coisas. Mas tb sei que nao existe mundo e pessoas perfeitas. E eu sou muito feliz aqui. Gosto do meu país que adotei por amor.

Adorei o post.

Bjao e um lindo fim de semana pra vcs

Line disse...

Certas comparações são mesmo descabidas, mas não comparar significa também ignorar as experiências prévias, ignorar tudo que já se viveu.
na minha opinião é preciso comparar para que se possa analisar, identificar,diferenciar o que é certo/errado, o que agrada/desagrada; mas com bom senso sempre, e é aí, nessa linha tênue entre a comparação, a insatisfação e a "rabugentice" que muita gente se perde, e caba ficando amarga.

Beijos e ótimo finde!

Palavras Vagabundas disse...

Beth,
após 12 anos o Brasil mudou muito, em alguns aspectos para melhor em outros para pior, mas mudou. Então se prepare para um choque e as inevitáveis comparações de antes e depois, concordo com a Line " é preciso comparar para que se possa analisar, identificar,diferenciar o que é certo/errado, o que agrada/desagrada; mas com bom senso sempre". De qualquer forma gostei muito das suas reflexões.
s
Jussara

Anna Karine disse...

Ja comparei muito mas hoje nao faço mais. Comparar é inevitavel. O que nao é bom é continuar comparando.
Veja so: Nasci e cresci em uma grande cidade. Com 28 anos vim parar em um vilarejo de aproximadamente 3000 hab. de economia basicamente agricola e muito fechada socialmente. No começo foi horrivel! A ostilidade das pessoas, o estilo de vida totalmente diferente, visoes diferentes sobre tudo. O que me salvou foi que o vilarejo é proximo de Roma e de outras cidades maiores o que nao me deixou tao isolada assim. Talvez, se eu tivesse ido morar em Roma ou Milao, eu estaria muito mais contente com a minha vida aqui. Mas tudo bem. Ja ouviu aquela historia: se a vida te deu um limao faça dela uma limonada? Me adaptei a essa nova vida e nao faço mais comparaçoes. Mas busco sempre melhora-la.

Renato S. Alves disse...

Beth
Faz dois anos que estou nos EUA e ainda não voltei ao Brazil. Acho a comparação invitável, pelo menos no começo. Foi por causa da comparação que decidi sair do Brasil porque percebi que as coisas por lá são muito difíceis e toda a festa, Carnaval e ôba ôba já não ofuscavam mais, pra mim, toda vergonha da nossa nação.
Existem coisas aqui que são bem melhores e outras não. O que me irrita é esse tipo de brasileiro que vem fazer Carnaval na terra dos outros e não tem um pingo de educação. Dá pra ver isso no Brazilian Day. Eu também faço como você e pergunto para a pessoa porque ela não volta. Nunca ouvi uma resposta...
Abs!!

Tecnologia do Blogger.

A velha mania de comparar

Foto tirada por mim há uns 3 anos

Uma coisa que tenho percebido naqueles que se mudaram recentemente do Brasil para a Europa é a (velha) mania de comparar Brasil e Europa! Na maioria dos casos, eles ficam deslumbrados com tudo à sua volta. É a grande descoberta do novo, o início de uma longa e rica jornada para alguns (porque muitos acabam voltando). Verdade seja dita, o ser humano tem por hábito comparar o que já conhece com o desconhecido, é quase um instinto natural.

Essa mania de comparar gera dois fenômenos bem distintos que vejo à minha volta: o deslumbramento (os recém-chegados que acham que aqui tudo é melhor) e o seu oposto,  a revolta ou inconformismo. Ambos fazem parte do processo de adaptação. Pensando em algumas pessoas que conheço, não sei dizer qual dessas posturas me irrita mais (sim, eu já passei pelas duas). Mas acho que o segundo tipo, os eternos revoltados e saudosistas. Já tive muita vontade de dizer (e já disse algumas vezes) pra essas pessoas: se aqui é tão ruim assim, porque não volta pro Brasil? A resposta geralmente é o silêncio...

Já o povo que acabou de chegar fresquinho do Brasil acha tudo lindo e maravilhoso. Afinal de contas, começar vida nova (e ainda mais na Europa) é sempre uma coisa bacana - e é mesmo! Esses ainda tem muita estrada pra percorrer até o dia em que descobrirão que aqui não é o paraíso sonhado e que a vida de imigrante não é para todo mundo (e não é mesmo, disso vocês podem ter certeza). Ser imigrante requer mais do que o otimismo de quem acha que tirou a sorte grande e tudo vai dar certo daqui em diante (porque nem sempre dá, viu?). Há muitas provações no caminho que requerem mais do que o bom e velho otimismo. Elas requerem um certo grau de bom senso para lidar com situações novas, uma enorme capacidade de adaptação e muita paciência. A grande vantagem dos "verdinhos" (como decidi apelidá-los carinhosamente) é a mente aberta e sem preconceitos de quem ainda não viu muita coisa e está começando a formar suas próprias opiniões.

Aí tem aqueles que passam anos e anos e continuam tendo enormes dificuldades de se adaptar (não foi o meu caso). São aqueles típicos brasileiros que você encontrará em toda parte do mundo (e sim, brasileiro tem em toda parte, juro que vi). Aqueles que moram por exemplo aqui na Holanda e fazem questão de conviver só com brasileiros, falar só português com os filhos e comer só feijão com arroz e farofa (que eu adoro!!!). Quando observo essas pessoas, eu inevitavelmente me pergunto: qual a vantagem de cruzar um oceano se é pra viver do mesmo jeito que se vivia lá? Qual a vantagem de conhecer uma cultura nova quando tudo que se faz é comparar com a sua cultura e morrer de saudades do Brasil?

Uma terceira categoria são aqueles que como eu, já vivem muitos anos fora do Brasil (10 anos ou mais). E esses já fizeram bagagem suficiente, já tiveram muitas surpresas agradáveis e outras nem tanto assim. Eu mesma sempre digo que aqui em Amsterdã vivi os melhores e piores momentos da minha vida. E não estou exagerando. Eu vivi 23 anos no Rio de Janeiro e agora já se vão 17 anos de Amsterdã. E percebi que os estrangeiros (não apenas os brasileiros) que vivem aqui há muito tempo acabam incorporando um hábito local: o hábito de reclamar daqui!!! Enfim, o ser humano é um eterno insatisfeito.

Porque eu não comparo Brasil x Holanda. Eu comparo Holanda x Holanda. Ou seja, a Holanda de 17 anos atrás quando desembarquei aqui de mala e cuia e a Holanda dos dias de hoje. Sem querer ser arrogante, acho que é algo comum entre os veteranos que moram muitos anos fora. No meu caso, isso se agrava porque não vou ao Brasil há 12 anos então perdi a referência de como as coisas são por lá.

Não sei se todo mundo está entendendo onde quero chegar (nem eu me entendo às vezes), mas o que eu quero dizer é que existem várias formas de se comparar. Se por um lado é ótimo ter uma visão crítica do mundo, por outro é preciso ter cautela pra não exagerar e tornar-se o eterno insatisfeito.

Um exemplo, no último post eu disse que a Holanda piorou muito nos últimos anos. Mas eu disse isso em relaçào à própria Holanda (e à Comunidade Européia). Porque se for usar o Brasil como parâmetro de comparação, a Holanda ainda é um país bom de se viver, por várias razões (quem mora aqui sabe disso). As diferenças socias estão aumentando sim, os ricos e os pobres, brancos e negros vivendo em bairros separados e crianças em escolas separadas...As escolas aqui em Amsterdã são brancas ou pretas, o que é assunto para outro post...Mas o governo ainda ajuda (menos mas ajuda) e existem possibilidades (mas é preciso buscá-las).

Em suma, apenas mais uma das minhas inúmeras reflexões nos últimos tempos.


I am indeed...



PS. Sim, eu continuo amando a cidade onde decidi morar. Amo de outra forma que amei quando aqui cheguei mas meu lar é aqui, é aqui que me sinto em casa. E é aqui que decidi criar o meu filho, porque acredito que aqui ele tenha mais oportunidades de futuro. Até porque, ele nasceu na Holanda filho de pai inglês e é portanto europeu, com todos os direitos e privilégios que isso lhe assegura. Pois é, tem gente que já nasce com o c* virado pra lua, rsrsrs.

8 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Beth:
Estou fora do Brasil há um pouquinho menos de tempo que você, mas já se vão muitos anos também, e concordo com tudo o que você escreveu sobre as reações dos brasileiros que vão morar fora. Na verdade, acho que isso se aplica a todas as nacionalidades. Em relação aos que não tentam se integrar, por exemplo, já tive vizinhos de diferentes nacionalidades que só conseguiam se comunicar por gestos, pois não tinham nem tentado aprender o idioma local mesmo após vários anos morando no país. Enfim, acho que aprendi duas lições importantes com o passar do tempo:
1 - Não existe um lugar perfeito: existem coisas boas e ruins em qualquer lugar do mundo. O melhor a fazer é aproveitar ao máximo as coisas boas e ter paciência, flexibilidade e bom humor para lidar com as ruins.
2 - O melhor lugar do mundo é aquele em que você se sente bem e feliz (e esse lugar não necessariamente é o mesmo em que você nasceu/cresceu - o mundo é muito vasto).
Na verdade, a única coisa que me irrita um pouco, às vezes, são os estereótipos sobre o Brasil e os brasileiros. Ao longo dos anos, pessoas de várias nacionalidades já me surpreenderam diversas vezes com perguntas e comentários estapafúrdios - tipo: no Brasil ainda vivemos todos na selva e a eletricidade ainda não chegou lá :) O jeito é ter muita paciência e explicar tudo direitinho...
Beijos,
Gi

Maria Valéria disse...

acho um SACO quem vive n europa e arrota caviar, tipo, fala mal do Brasil o tempo todo, compara o tempo todo, diz o tempo todo que a europa é melhor...blargh, dá vontade de sumir de fininho, dá vergonha nessas horas de viver no Brasil e de não ser ' tao privilegiada'. Não moraria no exterior pq acho que meus problemas, alegrias, dúvidas, devem ser resolvidos no BRASIL. Amo o país onde resolvi morar.
Mas concordo contigo, quando vc diz que se o outro reclama do lugar onde mora deveria sair dali... é muito comum no Brasil pessoas de outros estados migrarem pra são paulo, achando que aqui é o paraíso... quando confrontadas com a dura realidade do que é viver em são paulo, reclamam" se soubesse não tinha vindo pra cá e ficado onde estava'... nessas horas, dá vontade de dizer( não digo pq sou educada): " Ué, volta pra sua terrinha maravilhosa, meu querido... se aqui é tão ruim, o que vc tá fazendo aqui??"....
ótimo post!! beijos

Eve disse...

Aonde eu posso assinar? Sério! Vc falou uma coisa super importante, principalmente, em relaçao aos brasileiros que continuam vivendo como se ainda estivessem no Brasil...
Qto aos verdinhos, uma das minhas cores favoritas e grupo do qual faço parte, acho que o segredo deles é que quando amadurecem, nao se tornem os insatisfeitos... rsrs

Parar de comparar já parei há algum tempo. Mas, nao deixo de lembrar como aqui ou lá é diferente no sentido de coisas positivas. Por ex, o sao joao que eu perdi. rsrrs

Bjs!

Georgia disse...

Beth, parabéns pelo post tao bem colocado.

Eu tb fico danada de raiva qdo vejo alguém querendo comer todo dia o feijao com arroz e farinha.
Qdo meus pais estiveram aqui eles ficaram furiosos porque nao tinha feijao preto no prato todos os dias e ai eu disse a eles: mas vc estao em outro país para conhecer gostos e sabores de uma outra cultura e sabe qual foi a resposta? Nao estamos interessados.

É isso, nao estao interessados em conhecer em aprender, só estao interessados em dizer aos amigos que estiveram na Europa ou que viveram um tempo na Europa e usam isso como cartao de visita.

Eu tb tenho 17 anos de Alemanha e passei pelo deslumbramento e pela decepcao em algumas coisas. Mas tb sei que nao existe mundo e pessoas perfeitas. E eu sou muito feliz aqui. Gosto do meu país que adotei por amor.

Adorei o post.

Bjao e um lindo fim de semana pra vcs

Line disse...

Certas comparações são mesmo descabidas, mas não comparar significa também ignorar as experiências prévias, ignorar tudo que já se viveu.
na minha opinião é preciso comparar para que se possa analisar, identificar,diferenciar o que é certo/errado, o que agrada/desagrada; mas com bom senso sempre, e é aí, nessa linha tênue entre a comparação, a insatisfação e a "rabugentice" que muita gente se perde, e caba ficando amarga.

Beijos e ótimo finde!

Palavras Vagabundas disse...

Beth,
após 12 anos o Brasil mudou muito, em alguns aspectos para melhor em outros para pior, mas mudou. Então se prepare para um choque e as inevitáveis comparações de antes e depois, concordo com a Line " é preciso comparar para que se possa analisar, identificar,diferenciar o que é certo/errado, o que agrada/desagrada; mas com bom senso sempre". De qualquer forma gostei muito das suas reflexões.
s
Jussara

Anna Karine disse...

Ja comparei muito mas hoje nao faço mais. Comparar é inevitavel. O que nao é bom é continuar comparando.
Veja so: Nasci e cresci em uma grande cidade. Com 28 anos vim parar em um vilarejo de aproximadamente 3000 hab. de economia basicamente agricola e muito fechada socialmente. No começo foi horrivel! A ostilidade das pessoas, o estilo de vida totalmente diferente, visoes diferentes sobre tudo. O que me salvou foi que o vilarejo é proximo de Roma e de outras cidades maiores o que nao me deixou tao isolada assim. Talvez, se eu tivesse ido morar em Roma ou Milao, eu estaria muito mais contente com a minha vida aqui. Mas tudo bem. Ja ouviu aquela historia: se a vida te deu um limao faça dela uma limonada? Me adaptei a essa nova vida e nao faço mais comparaçoes. Mas busco sempre melhora-la.

Renato S. Alves disse...

Beth
Faz dois anos que estou nos EUA e ainda não voltei ao Brazil. Acho a comparação invitável, pelo menos no começo. Foi por causa da comparação que decidi sair do Brasil porque percebi que as coisas por lá são muito difíceis e toda a festa, Carnaval e ôba ôba já não ofuscavam mais, pra mim, toda vergonha da nossa nação.
Existem coisas aqui que são bem melhores e outras não. O que me irrita é esse tipo de brasileiro que vem fazer Carnaval na terra dos outros e não tem um pingo de educação. Dá pra ver isso no Brazilian Day. Eu também faço como você e pergunto para a pessoa porque ela não volta. Nunca ouvi uma resposta...
Abs!!