terça-feira, julho 05, 2011

Choque cultural reverso

The World is My Shell

O termo pode até não existir, mas eu já ouvi falar e muito neste fenômeno social. Sim, me refiro ao choque cultural não de quem tenta se adaptar a um país novo mas de quem mora há muitos anos fora. Um choque que aumenta proporcionalmente aos anos vividos no exílio (no meu caso, auto-exílio).

Pois estou me preparando para viver este choque daqui a umas 2 semanas! Sim, estou na contagem regressiva para viajar para a terrinha, depois de 12 anos sem ir ao Brasil. Eu não conheço ninguém que tenha ficado tanto tempo sem ir ao Brasil como eu, mas a estória é longa demais pra contar aqui. Só vou dizer que o principal motivo é que a minha mãe faleceu há 12 anos (pra bom entendedor meia palavra basta), eu não tenho irmãos e o contato com meu pai é mais do que precário. Imaginem que ele se mudou ano passado e nem sei onde ele mora...Mas deixa pra lá que não vim aqui pra chorar miséria.

Mas atenção: quando falo de choque cultural reverso, por favor não pensem que sou mais uma daquelas deslumbradas que mora na Europa e acha que aqui tudo é melhor - já passei por essa fase e ela nem durou tanto assim! Eu amo o Brasil e sinto saudades do meu país (mas não necessariamente pegaria as malas hoje e voltaria para morar lá). E a Holanda está longe de ser o paraíso nesta terra...Tá, algumas coisa até funcionam mas isso aqui já foi muito melhor, quem chegou há pouco tempo não sabe do que estou falando.

Acho que o choque cultural reverso é uma consequência inevitável (para alguns mais do que para outros) de uma estadia prolongada no exterior. Pra começar porque somos confrontados com uma nova cultura e acabamos assimilando alguns hábitos locais (os bons hábitos, espero). O mais interessante é que alguns desses hábitos a gente vai assimilando sem perceber, com o passar dos anos. Eu percebo isso quando amigos me visitam e dizem que fiquei "européia". Verdade seja dita: eu já me sentia estrangeira em minha própria terra. Nunca me encaixei nos padrões locais, sempre pensei diferente. Uma ovelha negra no meio do rebanho. Sempre fui uma cidadã do mundo, mesmo antes de sair do Brasil. Meu lugar é aqui e em lugar nenhum.

É que tem dois aspectos da cultura brasileira que eu sempre tive uma dificuldade enorme de conviver. O primeiro se refere à obsessão pela beleza (bunda durinha, peitos idem, corpo "sarado"). A tão discutida ditadura da magreza, que comentei recentemente aqui (porque ser gorda no Brasil é pecado). Em suma, a incansável busca de mulheres e homens pelo corpo perfeito, cabelos sedosos e brilhantes, pele maravilhosa. E a quantidade absurda de grana gasta (cirurgias plásticas, cosméticos importados, aplicações de botox e sei lá mais o quê) para se alcançar um ideal inalcançável pela maioria de nós mortais . Eu simplesmente não consigo entender porque as pessoas valorizam tanto o exterior em detrimento do interior. Pra mim isso é pobreza espiritual mas quem quiser discordar, fique à vontade.


Are you a Barbie girl?

O segundo aspecto que sempre me incomodou e ainda me incomoda é a obsessão pelo status. A mania de querer ter a roupa mais exclusiva, o carro mais caro, a casa maior do bairro, o perfume francês mais caro, as viagens mais maravilhosas etc etc etc (vocês sabem do que estou falando). As pessoas fazem qualquer coisa por dinheiro (claro que isso não é um problema exclusivamente brasileiro mas universal). E haja cartão de crédito, pagamento parcelado e cheques pra se (tentar) manter um padrão de vida muito acima da renda que se tem. Esta é a realidade de uma grande parcela da população brasileira. Porque convenhamos, na cultura brasileira, o importante nunca foi SER mas TER. Desconfio até que a gente tenha importado este estilo de vida dos EUA. The American Way of Life. Corrijam-me se eu estiver errada.


My Other Car is a Porsche



Só sei que apesar desses dois aspectos aí encima, eu quero curtir muito a Cidade Maravilhosa. Vou dar uma de turista e levar meu filho pra conhecer o Pão de Açúcar, o Corcovado, o Jardim Botânico e as praias da orla carioca. Vou matar a vontade de tomar água de coco, mate leão, biscoito de polvilho e todos aqueles salgadinhos brasileiros que a gente MORRE de vontade de comer quando mora fora. Também vou tomar muito suco de frutas. E vou curtir a natureza exuberante da Ilha Grande (com direito a golfinhos e tartarugas marinhas) e o clima de montanhas de Visconde de Mauá (um dos meus refúgios preferidos). E o mais importante, vou rever a família (tios, tias, primos) que não vejo há muitos e muitos anos. E vou mostrar pro meu filho o LADO BOM do Brasil e dos brasileiros.

O choque cultural reverso pode até ser inevitável mas isso não significa que eu não vá curtir (e muito) esta merecida viagem. Não vejo a hora de arrumar as malas e embarcar nesta aventura. Lá vou eu ser turista no meu próprio país, rsrsrs.


Life is a Beach



...........................................................................................................................
Nota da autora: Saí do Brasil em dezembro de 1993 e desde então o Brasil e a Holanda passaram por enormes mudanças. Quanto ao Brasil, só tenho ouvido notícias boas (apesar de tudo), e espero que o país esteja mesmo vivendo o tal boom econômico que tantos anunciam (basta considerarmos a desvalorização do dólar e do euro) . E espero que a situação econômica esteja melhorando para todos e não apenas para aquela velha minoria privilegiada que sempre soube se garantir. Já aqui na Holanda é tempo de crise política, desemprego e muita insegurança quanto ao futuro. A Europa está vivendo uma crise braba, quem lê os jornais sabe disso. A Irlanda quebrou, a Grécia está no buraco e Portugal, Espanha e Itália estão indo pelo mesmo caminho. E embora a Holanda ainda seja umas das economias mais fortes, aqui também os problemas sociais se agravam a cada ano (e eu digo isso por experiência própria, moro num bairro de famílias de imigrantes).

14 comentários:

Anita disse...

Beth, eu nunca tive choque cultural reverso. Mas tambem nunca fiquei mais de uma década fora do país como você. O que me dá quando visito o Brasil, é muitas vezes uma tristeza profunda de ver crianças mendigas, imensas favelas nas periferias das cidades e ficar sabendo de tanta, mas tanta corrupção. Sem falar na enorme poluição e desmatamento. Não precisava existir nada disso. Mas isso eu já sabia quando deixei o país em 1999.

Glenda disse...

Boa sorte Beth! Eu não preciso ficar tanto tempo fora do Brasil para ter um choque "leve" sempre que chego. Mas eu sou da opinião que o ser humano se adapta ao meio (e se não, acaba se mudando)... uma vez fiquei 3 meses do Brasil e no final da temporada, já tinha me acostumado a tudo que tinha me desacostumado com os anos na Europa (com as coisas boas e ruins). Enfim, aproveite bastante e depois volte aqui para contar as suas aventuras! :) Boa viagem!

Dama de Cinzas disse...

Tem muitos aspectos da cultura brasileira que me desgradam, mas certamente esse machismo que desvaloriza a mulher é certamente o que mais me incomoda. Nunca saí do Brasil, mas pelos programas que vejo, sinto que em culturas não latinas as coisas são mais favoráveis para o sexo feminino. A mulher não precisa matar 50 leões e equilibrar dez pratos ao mesmo tempo para afirmar seu valor. Coisa que vem fácil para o homem aqui.

Eu bem que gostaria de conhecer a cultura européia, nem que fosse para perceber que estou errada nesse meu jeito de pensar... rs

Beijocas

Milena Fischborn disse...

Boa sorte! Estou indo ao Brasil no dia 16 e tb fico pensando nesse choque, apesar de fazer apenas 2 anos que estou sem voltar. Mas isso sempre existe.
Também sempre me senti um certo peixe fora d'água em alguns aspectos, um deles é essa paixão pelo carnaval, cerveja, festa, etc... sempre fui muito fechada e no meu canto, pouco sociavel, diga-se de passagem. Gosto de silêncio, de ficar sozinha com os meus pensamentos e a minha vida.

Maria Valéria disse...

Eu simplesmente não consigo entender porque as pessoas valorizam tanto o exterior em detrimento do interior. Pra mim isso é pobreza espiritual mas quem quiser discordar, fique à vontade.

concordo!!!

Erica Moreira disse...

Olá,

Voltei ao Brasil de férias, após três anos vivendo na Itália e posso te dizer que estranhei bastante. Em Sampa percebi que os valores estão se invertendo cada vez mais. O status ganha grande espaço entre os paulistas que vivem com menos qualidade do que há três anos. Apesar de estar pouco tempo fora do Brasil acabei me sentindo, em alguns momentos, um peixe fora d'água. Sem dúvida, isso é inevitável!
Abs, Erica Ritacco
www.ericaema.blogspot.com

Liana disse...

que legal, vais ao BR! Quero ler sobre tuas impressoes depois. Imagino como vai ser complicado.
Estou sem ir ao Br ha pouco mais de 1 ano, acho que vou em novembro e tb acho que vou sentir algo desse choque...
adorei o "life is a beach"!

Ana Luiza disse...

Boa viagem, curta bastante tua família. Será demais (re)descobrir o Brasil, para vc e seu filho! Depois quero saber também o que achou do choque. Como disse a Glenda, eu estranho também qdo vou, mas logo me acostumo (claro que também nunca fiquei taaanto tempo assim sem ir!)

Luciana disse...

Realmente acontece esse choque, mesmo que a gente passe só dois anos sem ir lá, imagine você que está há 12 anos sem visitar o Brasil.
Esses dois aspectos que te desagradam você ainda vai encontrar por lá, mas o que me chamou atencão quando fui ano passado foi como as pessoas engordaram. Fiquei pensando: Cadê aquele povo obcecado pelo corpo e malhacão?
Antes de ir eu já pensando em nem colocar um biquini, afinal engordei 10 quilos depois que mudei pra Noruega e sinceramente não estou satisfeita com isso, mas chegando lá surpresa, todo mundo exibindo as gordurinhas na praia.
Já esse lance de status, mostrar que tem quando nem tem de verdade, ah, isso continua igualzinho.

Boa viagem, aproveite muito.

Beijo

tania disse...

Beth querida, sempre dá pra escolher onde focar, né? se na metade cheia ou na metade vazia. Sempre haverá do que reclamar mesmo no melhor dos mundos e sempre haverá coisas boas também. Como estará com seu filho, talvez seja uma boa tentar olhar o país pelos olhos dele, ingênuos, mas também sagazes e despidos de preconceitos. Nós, mais velhos, sempre vivemos tudo misturado às nossas memórias pessoais (penso, no meu caso, na minha relação com o Rio, que é inseparável de alguns maus pedaços que passei por lá).
Desejo, acima de tudo, que seu reencontro com os parentes seja agradável, afetuoso, e que o mesmo se dê no reencontro com os espaços que você guardou no coração, como Mauá (e quem sabe o nosso CCBB). Depois conta!
Beijão

Beth Blue disse...

Tânia, minha amiga antropóloga...você resumiu tudo! Eu também acho que é tudo uma questão de foco, e por isso acabei de escrever sobre essa nossa mania de comparar tudo (que às vezes mais atrapalha que ajuda). Quanto ao olhar do meu filho, se eu for fazer assim só vou ficar procurando cobras e lagartos, golfinhos e tubarões, rsrsrsrs. Ele quer muito ir a Amazônia, ainda irá um dia com o pai dele, que também sonha com a tal floresta - europeu adora!!!

Para as outras blogueiras queridas: obrigada pelos votos de boa viagem, certamente irei curtir muito...mas ainda faltam duas intermináveis semanas pra embarcar!!!

Juliana disse...

Olá, adoro seu blog, leio sempre. Concordo com tudo que escreveu, e também não consigo entender essa obsessão pela beleza e status. Além disso, me incomoda também aquela mania que brasileiro tem de querer saber da vida do outro, de dar palpites sem ser convidado, aquela curiosidade absurda, isso me incomoda bastante. Outra coisa que vejo é como brasileiro julga outro pela aparencia, pelas roupas que o outro usa, se a pessoa está bem arrumado ou nao. É uma inversão de valores fora de sério!

Eve disse...

Eu fiquei um ano longe desde que vim pra cá, fui ao Brasil em janeiro desse ano, e olha, te dizer que eu vi mudanças em pouco tempo sim.
No meu caso, foi exatamente esse boom economico que reparei, tantos e tantos novos prédios na cidade que morei por quase 10 anos. Grande parte comercial e industrial. e o povo comprando, comprando, comprando.
Acho que seu choque será ainda maior. E nao por ser A ou B ou C de mudança positiva ou negativa, mas simplesmente por ser diferente daquilo que foi ha 10 anos.

bjs!

Anônimo disse...

voce pode morar em qualquer pais da europa,holanda,dinamarca, noruega, suecia etc, que seu shock cultural nao vai ser tao gritante, agora vai morar na australia pra vc ver...é shock cultural reverso irreversivel rs

Tecnologia do Blogger.

Choque cultural reverso

The World is My Shell

O termo pode até não existir, mas eu já ouvi falar e muito neste fenômeno social. Sim, me refiro ao choque cultural não de quem tenta se adaptar a um país novo mas de quem mora há muitos anos fora. Um choque que aumenta proporcionalmente aos anos vividos no exílio (no meu caso, auto-exílio).

Pois estou me preparando para viver este choque daqui a umas 2 semanas! Sim, estou na contagem regressiva para viajar para a terrinha, depois de 12 anos sem ir ao Brasil. Eu não conheço ninguém que tenha ficado tanto tempo sem ir ao Brasil como eu, mas a estória é longa demais pra contar aqui. Só vou dizer que o principal motivo é que a minha mãe faleceu há 12 anos (pra bom entendedor meia palavra basta), eu não tenho irmãos e o contato com meu pai é mais do que precário. Imaginem que ele se mudou ano passado e nem sei onde ele mora...Mas deixa pra lá que não vim aqui pra chorar miséria.

Mas atenção: quando falo de choque cultural reverso, por favor não pensem que sou mais uma daquelas deslumbradas que mora na Europa e acha que aqui tudo é melhor - já passei por essa fase e ela nem durou tanto assim! Eu amo o Brasil e sinto saudades do meu país (mas não necessariamente pegaria as malas hoje e voltaria para morar lá). E a Holanda está longe de ser o paraíso nesta terra...Tá, algumas coisa até funcionam mas isso aqui já foi muito melhor, quem chegou há pouco tempo não sabe do que estou falando.

Acho que o choque cultural reverso é uma consequência inevitável (para alguns mais do que para outros) de uma estadia prolongada no exterior. Pra começar porque somos confrontados com uma nova cultura e acabamos assimilando alguns hábitos locais (os bons hábitos, espero). O mais interessante é que alguns desses hábitos a gente vai assimilando sem perceber, com o passar dos anos. Eu percebo isso quando amigos me visitam e dizem que fiquei "européia". Verdade seja dita: eu já me sentia estrangeira em minha própria terra. Nunca me encaixei nos padrões locais, sempre pensei diferente. Uma ovelha negra no meio do rebanho. Sempre fui uma cidadã do mundo, mesmo antes de sair do Brasil. Meu lugar é aqui e em lugar nenhum.

É que tem dois aspectos da cultura brasileira que eu sempre tive uma dificuldade enorme de conviver. O primeiro se refere à obsessão pela beleza (bunda durinha, peitos idem, corpo "sarado"). A tão discutida ditadura da magreza, que comentei recentemente aqui (porque ser gorda no Brasil é pecado). Em suma, a incansável busca de mulheres e homens pelo corpo perfeito, cabelos sedosos e brilhantes, pele maravilhosa. E a quantidade absurda de grana gasta (cirurgias plásticas, cosméticos importados, aplicações de botox e sei lá mais o quê) para se alcançar um ideal inalcançável pela maioria de nós mortais . Eu simplesmente não consigo entender porque as pessoas valorizam tanto o exterior em detrimento do interior. Pra mim isso é pobreza espiritual mas quem quiser discordar, fique à vontade.


Are you a Barbie girl?

O segundo aspecto que sempre me incomodou e ainda me incomoda é a obsessão pelo status. A mania de querer ter a roupa mais exclusiva, o carro mais caro, a casa maior do bairro, o perfume francês mais caro, as viagens mais maravilhosas etc etc etc (vocês sabem do que estou falando). As pessoas fazem qualquer coisa por dinheiro (claro que isso não é um problema exclusivamente brasileiro mas universal). E haja cartão de crédito, pagamento parcelado e cheques pra se (tentar) manter um padrão de vida muito acima da renda que se tem. Esta é a realidade de uma grande parcela da população brasileira. Porque convenhamos, na cultura brasileira, o importante nunca foi SER mas TER. Desconfio até que a gente tenha importado este estilo de vida dos EUA. The American Way of Life. Corrijam-me se eu estiver errada.


My Other Car is a Porsche



Só sei que apesar desses dois aspectos aí encima, eu quero curtir muito a Cidade Maravilhosa. Vou dar uma de turista e levar meu filho pra conhecer o Pão de Açúcar, o Corcovado, o Jardim Botânico e as praias da orla carioca. Vou matar a vontade de tomar água de coco, mate leão, biscoito de polvilho e todos aqueles salgadinhos brasileiros que a gente MORRE de vontade de comer quando mora fora. Também vou tomar muito suco de frutas. E vou curtir a natureza exuberante da Ilha Grande (com direito a golfinhos e tartarugas marinhas) e o clima de montanhas de Visconde de Mauá (um dos meus refúgios preferidos). E o mais importante, vou rever a família (tios, tias, primos) que não vejo há muitos e muitos anos. E vou mostrar pro meu filho o LADO BOM do Brasil e dos brasileiros.

O choque cultural reverso pode até ser inevitável mas isso não significa que eu não vá curtir (e muito) esta merecida viagem. Não vejo a hora de arrumar as malas e embarcar nesta aventura. Lá vou eu ser turista no meu próprio país, rsrsrs.


Life is a Beach



...........................................................................................................................
Nota da autora: Saí do Brasil em dezembro de 1993 e desde então o Brasil e a Holanda passaram por enormes mudanças. Quanto ao Brasil, só tenho ouvido notícias boas (apesar de tudo), e espero que o país esteja mesmo vivendo o tal boom econômico que tantos anunciam (basta considerarmos a desvalorização do dólar e do euro) . E espero que a situação econômica esteja melhorando para todos e não apenas para aquela velha minoria privilegiada que sempre soube se garantir. Já aqui na Holanda é tempo de crise política, desemprego e muita insegurança quanto ao futuro. A Europa está vivendo uma crise braba, quem lê os jornais sabe disso. A Irlanda quebrou, a Grécia está no buraco e Portugal, Espanha e Itália estão indo pelo mesmo caminho. E embora a Holanda ainda seja umas das economias mais fortes, aqui também os problemas sociais se agravam a cada ano (e eu digo isso por experiência própria, moro num bairro de famílias de imigrantes).

14 comentários:

Anita disse...

Beth, eu nunca tive choque cultural reverso. Mas tambem nunca fiquei mais de uma década fora do país como você. O que me dá quando visito o Brasil, é muitas vezes uma tristeza profunda de ver crianças mendigas, imensas favelas nas periferias das cidades e ficar sabendo de tanta, mas tanta corrupção. Sem falar na enorme poluição e desmatamento. Não precisava existir nada disso. Mas isso eu já sabia quando deixei o país em 1999.

Glenda disse...

Boa sorte Beth! Eu não preciso ficar tanto tempo fora do Brasil para ter um choque "leve" sempre que chego. Mas eu sou da opinião que o ser humano se adapta ao meio (e se não, acaba se mudando)... uma vez fiquei 3 meses do Brasil e no final da temporada, já tinha me acostumado a tudo que tinha me desacostumado com os anos na Europa (com as coisas boas e ruins). Enfim, aproveite bastante e depois volte aqui para contar as suas aventuras! :) Boa viagem!

Dama de Cinzas disse...

Tem muitos aspectos da cultura brasileira que me desgradam, mas certamente esse machismo que desvaloriza a mulher é certamente o que mais me incomoda. Nunca saí do Brasil, mas pelos programas que vejo, sinto que em culturas não latinas as coisas são mais favoráveis para o sexo feminino. A mulher não precisa matar 50 leões e equilibrar dez pratos ao mesmo tempo para afirmar seu valor. Coisa que vem fácil para o homem aqui.

Eu bem que gostaria de conhecer a cultura européia, nem que fosse para perceber que estou errada nesse meu jeito de pensar... rs

Beijocas

Milena Fischborn disse...

Boa sorte! Estou indo ao Brasil no dia 16 e tb fico pensando nesse choque, apesar de fazer apenas 2 anos que estou sem voltar. Mas isso sempre existe.
Também sempre me senti um certo peixe fora d'água em alguns aspectos, um deles é essa paixão pelo carnaval, cerveja, festa, etc... sempre fui muito fechada e no meu canto, pouco sociavel, diga-se de passagem. Gosto de silêncio, de ficar sozinha com os meus pensamentos e a minha vida.

Maria Valéria disse...

Eu simplesmente não consigo entender porque as pessoas valorizam tanto o exterior em detrimento do interior. Pra mim isso é pobreza espiritual mas quem quiser discordar, fique à vontade.

concordo!!!

Erica Moreira disse...

Olá,

Voltei ao Brasil de férias, após três anos vivendo na Itália e posso te dizer que estranhei bastante. Em Sampa percebi que os valores estão se invertendo cada vez mais. O status ganha grande espaço entre os paulistas que vivem com menos qualidade do que há três anos. Apesar de estar pouco tempo fora do Brasil acabei me sentindo, em alguns momentos, um peixe fora d'água. Sem dúvida, isso é inevitável!
Abs, Erica Ritacco
www.ericaema.blogspot.com

Liana disse...

que legal, vais ao BR! Quero ler sobre tuas impressoes depois. Imagino como vai ser complicado.
Estou sem ir ao Br ha pouco mais de 1 ano, acho que vou em novembro e tb acho que vou sentir algo desse choque...
adorei o "life is a beach"!

Ana Luiza disse...

Boa viagem, curta bastante tua família. Será demais (re)descobrir o Brasil, para vc e seu filho! Depois quero saber também o que achou do choque. Como disse a Glenda, eu estranho também qdo vou, mas logo me acostumo (claro que também nunca fiquei taaanto tempo assim sem ir!)

Luciana disse...

Realmente acontece esse choque, mesmo que a gente passe só dois anos sem ir lá, imagine você que está há 12 anos sem visitar o Brasil.
Esses dois aspectos que te desagradam você ainda vai encontrar por lá, mas o que me chamou atencão quando fui ano passado foi como as pessoas engordaram. Fiquei pensando: Cadê aquele povo obcecado pelo corpo e malhacão?
Antes de ir eu já pensando em nem colocar um biquini, afinal engordei 10 quilos depois que mudei pra Noruega e sinceramente não estou satisfeita com isso, mas chegando lá surpresa, todo mundo exibindo as gordurinhas na praia.
Já esse lance de status, mostrar que tem quando nem tem de verdade, ah, isso continua igualzinho.

Boa viagem, aproveite muito.

Beijo

tania disse...

Beth querida, sempre dá pra escolher onde focar, né? se na metade cheia ou na metade vazia. Sempre haverá do que reclamar mesmo no melhor dos mundos e sempre haverá coisas boas também. Como estará com seu filho, talvez seja uma boa tentar olhar o país pelos olhos dele, ingênuos, mas também sagazes e despidos de preconceitos. Nós, mais velhos, sempre vivemos tudo misturado às nossas memórias pessoais (penso, no meu caso, na minha relação com o Rio, que é inseparável de alguns maus pedaços que passei por lá).
Desejo, acima de tudo, que seu reencontro com os parentes seja agradável, afetuoso, e que o mesmo se dê no reencontro com os espaços que você guardou no coração, como Mauá (e quem sabe o nosso CCBB). Depois conta!
Beijão

Beth Blue disse...

Tânia, minha amiga antropóloga...você resumiu tudo! Eu também acho que é tudo uma questão de foco, e por isso acabei de escrever sobre essa nossa mania de comparar tudo (que às vezes mais atrapalha que ajuda). Quanto ao olhar do meu filho, se eu for fazer assim só vou ficar procurando cobras e lagartos, golfinhos e tubarões, rsrsrsrs. Ele quer muito ir a Amazônia, ainda irá um dia com o pai dele, que também sonha com a tal floresta - europeu adora!!!

Para as outras blogueiras queridas: obrigada pelos votos de boa viagem, certamente irei curtir muito...mas ainda faltam duas intermináveis semanas pra embarcar!!!

Juliana disse...

Olá, adoro seu blog, leio sempre. Concordo com tudo que escreveu, e também não consigo entender essa obsessão pela beleza e status. Além disso, me incomoda também aquela mania que brasileiro tem de querer saber da vida do outro, de dar palpites sem ser convidado, aquela curiosidade absurda, isso me incomoda bastante. Outra coisa que vejo é como brasileiro julga outro pela aparencia, pelas roupas que o outro usa, se a pessoa está bem arrumado ou nao. É uma inversão de valores fora de sério!

Eve disse...

Eu fiquei um ano longe desde que vim pra cá, fui ao Brasil em janeiro desse ano, e olha, te dizer que eu vi mudanças em pouco tempo sim.
No meu caso, foi exatamente esse boom economico que reparei, tantos e tantos novos prédios na cidade que morei por quase 10 anos. Grande parte comercial e industrial. e o povo comprando, comprando, comprando.
Acho que seu choque será ainda maior. E nao por ser A ou B ou C de mudança positiva ou negativa, mas simplesmente por ser diferente daquilo que foi ha 10 anos.

bjs!

Anônimo disse...

voce pode morar em qualquer pais da europa,holanda,dinamarca, noruega, suecia etc, que seu shock cultural nao vai ser tao gritante, agora vai morar na australia pra vc ver...é shock cultural reverso irreversivel rs