sexta-feira, janeiro 20, 2012

O tempo não pàra

The Persistence of Memory, Salvador Dali



Incrível...Mal comemorei o ano novo e lá se foram 20 dias! Alguém me explica onde foram parar os dias? Eu tenho a sensação de que quanto mais velho a gente fica, mais rápido os dias, as semanas e os meses passam! Não sei se é prar rir ou pra chorar mas é a pura verdade.

Quando eu era criança, as semanas demoravam pra passar, os semestres na escola se arrastavam e as férias de verão pareciam intermináveis! Parece que eu tinha tempo de sobra pra fazer o que tinha de fazer: estudar, brincar e ir à praia. Hoje em dia vivo correndo e olha que só tenho 1 filho pra criar (e quem tem 2 ou 3 filhos, como faz?). Trabalho meio-expediente (e quem trabalha em horário integral?). E toda sexta-feira aquela sensação de que a semana voou. O fim-de-semana, claro, passa mais rápido ainda.

Sem querer filosofar muito - até porque nem sou tão velha assim, é que gosto de "filosofar" - o tempo parece  cada vez mais escasso. Me dá uma certa angústia ver os dias escorrendo como areia pelos dedos da mão (a primeira imagem que me vem à mente). Não sei se é porque com o passar dos anos, o passado começa a pesar mais. As escolhas que fizemos ou deixamos de fazer, o tempo que perdemos quando ainda éramos jovens e tínhamos a vida pela frente. Tempo em que haviam muitas escolhas e caminhos a serem seguidos. Eu percebo isso até nos blogs das "meninas" mais novas (vinte anos mais novas, o que no mundo em que vivemos é uma diferença enorme). Não vou citar nomes mas elas sabem quem são, hehehe.

Acho que essa sensação de que os anos passam voando talvez se deva ao ritmo acelerado de nossas vidas modernas. Fast food, relacionamentos descartáveis, tudo-ao-mesmo-tempo-agora, um corre-pra-cá-corre-pra-lá sem fim (lembram do coelho branco da Alice?). Os avanços tecnológicos podem ter facilitado (e muito) nossas vidas, mas eles fizeram muito mais do que isso. Para alguns de nós, essa ficha já começa a cair.

Basta observar as crianças da nova geração, que nunca entenderão do que estou falando porque isso nunca fez parte do mundo delas. Elas nasceram praticamente conectadas a computadores, celulares e smart phones, cameras digitais, etc. A forma de pensar mudou, o que tem sido observado por um número cada vez maior de (neuro)cientistas. O pensamento acelerou e um dos aspectos negativos que vemos hoje é a EPIDEMIA de transtorno de déficit de atenção (TDA). Nos EUA e em todo o mundo, cada vez mais crianças são diagnosticadas com TDA (ou seja lá a sigla usada no Brasil, aqui na Holanda as crianças tem ADHD). Só pra dar um exemplo, na sala do meu filho quase TODOS os alunos tem ADHD e tomam Ritalin!!! Tá certo que ele está numa escola especial para crianças com autismo, TDA e outros "transtornos" mas mesmo assim. Volta e meia ouço uma mãe ou pai dizer que o filho tem transtorno de déficit de atenção. Enfim, tempos modernos.

No meu tempo as escolas tinham dois tipos de alunos: alunos bons (leia-se quietinhos e estudiosos) e alunos ruins (leia-se desobedientes ou bagunceiros). Não se falava em TDA, nem muito menos em espectro do autismo (que inclui PDD-NOS, o diagnóstico do meu filho). Era todo mundo na mesma sala de aula e os professores se viravam como podiam.

Eu sou do tempo da tv preto e branco, da máquina fotográfica e da máquina de escrever! Do tempo das fitas cassete e do cobiçado walkman. Meus pais eram pobres e nunca pudemos comprar um vídeo, muito menos os CDs quando foram lançados. Eram artigos de luxo. Tínhamos uma tv a cores Telefunken e estava bom assim. Eu ia visitar amigos que tinham video cassete (!!!) em casa e ficava babando...imaginem só!

Enfim, acabei perdendo um pouco o foco neste post - o que ironicamente ilustra o que estou tentando dizer. Mas espero que vocês tenham me entendido um pouco. Porque o tempo não pàra. Não mesmo.

6 comentários:

Pri S. disse...

hahaha Eu só não era do tempo da tv preto e branco. O resto me é familiar...rs

E o tempo voa. Mesmo. Assustador.

Num mundo que nos exige tanto, é impossível não ter aquela impressão de que não estamos fazendo tanto quanto deveríamos. De que não lemos tudo, não estudamos tudo, não fizemos tudo.

Será que antes era mais simples? Era apenas tentar ser feliz e fazer felizes os que estavam à nossa volta. E olha que isso já era trabalho de uma vida inteira! rs

Bjos!

Milena F. disse...

Esse é um assunto muito angustiante para mim: o tempo!
Hj mesmo fiz mais uma crise pois tempo passou e não consegui fazer o que queria!!!
Acredito que morar em uma cidade como Paris (imagino que Amsterdam tb seja assim) só piora no meu caso, pois as atividades e oportunidades são imensas, mas nunca poderei fazer tudo, falta tempo e falta dinheiro!!! Entre peças de teatro, filmes, espetáculos, amigos, família e viagens, não sobra tempo para nada! E claro que temos que trabalhar entre uns e outros... Quando vou a uma livraria ou biblioteca, tb fico triste, pois tem tanta coisa que queria ler e não vai dar... Mesmo se eu viva 130 anos com saúde, capacidade de locomoção e intelecto intactos, não poderei fazer tudo que gostaria...
E o que mais me deixa frustrada é "perder tempo", deixar o tempo passar sem ocupá-lo de uma forma que me parece útil... Ok, não sou normal, mas estou contente pois não sou a única!!!

Eliana disse...

Eu já ouvi dizer que tudo o que vai virando rotina o cérebro meio que ignora e, por isso, passamos a ter a sensação de que o tempo passa rápido e a gente não percebe. Por isso que aconselham a sempre estarmos ocupados com novas atividades, planos, comemorações, porque é uma maneira de darmos atividades diversas ao nosso cerébro, forçando -o a trabalhar sem estar no automático. Bom, eu não sei...fato é que eu assino embaixo o seu post pq me lembro de muitas coisas que vc colocou...inclusive ir na casa dos amiguinhos que já tinham vídeo ou Tv a cores! rs Bom fim de semana.

Line disse...

Nossas expectativas, planos e perspectivas estão em constante mudança, acho que é o que faz com que o tempo aparentemente passe mais rápido.
A cada dia que passa nos cobramos mais, independentemente de idade.
Me lembro que na época de escola achava que as férias de Julho sempre demoravam uma eternidade pra chegar...rs.

Dri disse...

Seu texto me lembrou aquela música do Lulu Santos:

"hoje o tempo voa,
escorre pelas mãos,
mesmo sem se sentir...
não há tempo que volte
vamos viver tudo o q. há pra viver
vamos nos permitir"

Também sou do tempo da máquina de escrever, tv preto e branco, telegrama!, de pedir ligação pra telefonista, entrega de leite a cavalo (morei no interior!) etc.

Mas o que eu queria mesmo era poder congelar o tempo, ou pelo menos o meu entusiasmo e saúde - e viver o resto da vida no pique que tenho hj. Daqui a pouco o passado vai ser maior do que a expectativa pela frente, já pensou? Melhor nem pensar nisso!

Maria Valéria disse...

eu tenho saudade é do quadro negro com giz.
nada mais apavorante do que assistir uma aula de slides, data show, com a luz apagada e com o barulinho continuo do micro ou do retroprojetor... SONO!!!! heheheheh... ninguem compreende a saudade que tenho do giz e do quadro negro!! :(((

Tecnologia do Blogger.

O tempo não pàra

The Persistence of Memory, Salvador Dali



Incrível...Mal comemorei o ano novo e lá se foram 20 dias! Alguém me explica onde foram parar os dias? Eu tenho a sensação de que quanto mais velho a gente fica, mais rápido os dias, as semanas e os meses passam! Não sei se é prar rir ou pra chorar mas é a pura verdade.

Quando eu era criança, as semanas demoravam pra passar, os semestres na escola se arrastavam e as férias de verão pareciam intermináveis! Parece que eu tinha tempo de sobra pra fazer o que tinha de fazer: estudar, brincar e ir à praia. Hoje em dia vivo correndo e olha que só tenho 1 filho pra criar (e quem tem 2 ou 3 filhos, como faz?). Trabalho meio-expediente (e quem trabalha em horário integral?). E toda sexta-feira aquela sensação de que a semana voou. O fim-de-semana, claro, passa mais rápido ainda.

Sem querer filosofar muito - até porque nem sou tão velha assim, é que gosto de "filosofar" - o tempo parece  cada vez mais escasso. Me dá uma certa angústia ver os dias escorrendo como areia pelos dedos da mão (a primeira imagem que me vem à mente). Não sei se é porque com o passar dos anos, o passado começa a pesar mais. As escolhas que fizemos ou deixamos de fazer, o tempo que perdemos quando ainda éramos jovens e tínhamos a vida pela frente. Tempo em que haviam muitas escolhas e caminhos a serem seguidos. Eu percebo isso até nos blogs das "meninas" mais novas (vinte anos mais novas, o que no mundo em que vivemos é uma diferença enorme). Não vou citar nomes mas elas sabem quem são, hehehe.

Acho que essa sensação de que os anos passam voando talvez se deva ao ritmo acelerado de nossas vidas modernas. Fast food, relacionamentos descartáveis, tudo-ao-mesmo-tempo-agora, um corre-pra-cá-corre-pra-lá sem fim (lembram do coelho branco da Alice?). Os avanços tecnológicos podem ter facilitado (e muito) nossas vidas, mas eles fizeram muito mais do que isso. Para alguns de nós, essa ficha já começa a cair.

Basta observar as crianças da nova geração, que nunca entenderão do que estou falando porque isso nunca fez parte do mundo delas. Elas nasceram praticamente conectadas a computadores, celulares e smart phones, cameras digitais, etc. A forma de pensar mudou, o que tem sido observado por um número cada vez maior de (neuro)cientistas. O pensamento acelerou e um dos aspectos negativos que vemos hoje é a EPIDEMIA de transtorno de déficit de atenção (TDA). Nos EUA e em todo o mundo, cada vez mais crianças são diagnosticadas com TDA (ou seja lá a sigla usada no Brasil, aqui na Holanda as crianças tem ADHD). Só pra dar um exemplo, na sala do meu filho quase TODOS os alunos tem ADHD e tomam Ritalin!!! Tá certo que ele está numa escola especial para crianças com autismo, TDA e outros "transtornos" mas mesmo assim. Volta e meia ouço uma mãe ou pai dizer que o filho tem transtorno de déficit de atenção. Enfim, tempos modernos.

No meu tempo as escolas tinham dois tipos de alunos: alunos bons (leia-se quietinhos e estudiosos) e alunos ruins (leia-se desobedientes ou bagunceiros). Não se falava em TDA, nem muito menos em espectro do autismo (que inclui PDD-NOS, o diagnóstico do meu filho). Era todo mundo na mesma sala de aula e os professores se viravam como podiam.

Eu sou do tempo da tv preto e branco, da máquina fotográfica e da máquina de escrever! Do tempo das fitas cassete e do cobiçado walkman. Meus pais eram pobres e nunca pudemos comprar um vídeo, muito menos os CDs quando foram lançados. Eram artigos de luxo. Tínhamos uma tv a cores Telefunken e estava bom assim. Eu ia visitar amigos que tinham video cassete (!!!) em casa e ficava babando...imaginem só!

Enfim, acabei perdendo um pouco o foco neste post - o que ironicamente ilustra o que estou tentando dizer. Mas espero que vocês tenham me entendido um pouco. Porque o tempo não pàra. Não mesmo.

6 comentários:

Pri S. disse...

hahaha Eu só não era do tempo da tv preto e branco. O resto me é familiar...rs

E o tempo voa. Mesmo. Assustador.

Num mundo que nos exige tanto, é impossível não ter aquela impressão de que não estamos fazendo tanto quanto deveríamos. De que não lemos tudo, não estudamos tudo, não fizemos tudo.

Será que antes era mais simples? Era apenas tentar ser feliz e fazer felizes os que estavam à nossa volta. E olha que isso já era trabalho de uma vida inteira! rs

Bjos!

Milena F. disse...

Esse é um assunto muito angustiante para mim: o tempo!
Hj mesmo fiz mais uma crise pois tempo passou e não consegui fazer o que queria!!!
Acredito que morar em uma cidade como Paris (imagino que Amsterdam tb seja assim) só piora no meu caso, pois as atividades e oportunidades são imensas, mas nunca poderei fazer tudo, falta tempo e falta dinheiro!!! Entre peças de teatro, filmes, espetáculos, amigos, família e viagens, não sobra tempo para nada! E claro que temos que trabalhar entre uns e outros... Quando vou a uma livraria ou biblioteca, tb fico triste, pois tem tanta coisa que queria ler e não vai dar... Mesmo se eu viva 130 anos com saúde, capacidade de locomoção e intelecto intactos, não poderei fazer tudo que gostaria...
E o que mais me deixa frustrada é "perder tempo", deixar o tempo passar sem ocupá-lo de uma forma que me parece útil... Ok, não sou normal, mas estou contente pois não sou a única!!!

Eliana disse...

Eu já ouvi dizer que tudo o que vai virando rotina o cérebro meio que ignora e, por isso, passamos a ter a sensação de que o tempo passa rápido e a gente não percebe. Por isso que aconselham a sempre estarmos ocupados com novas atividades, planos, comemorações, porque é uma maneira de darmos atividades diversas ao nosso cerébro, forçando -o a trabalhar sem estar no automático. Bom, eu não sei...fato é que eu assino embaixo o seu post pq me lembro de muitas coisas que vc colocou...inclusive ir na casa dos amiguinhos que já tinham vídeo ou Tv a cores! rs Bom fim de semana.

Line disse...

Nossas expectativas, planos e perspectivas estão em constante mudança, acho que é o que faz com que o tempo aparentemente passe mais rápido.
A cada dia que passa nos cobramos mais, independentemente de idade.
Me lembro que na época de escola achava que as férias de Julho sempre demoravam uma eternidade pra chegar...rs.

Dri disse...

Seu texto me lembrou aquela música do Lulu Santos:

"hoje o tempo voa,
escorre pelas mãos,
mesmo sem se sentir...
não há tempo que volte
vamos viver tudo o q. há pra viver
vamos nos permitir"

Também sou do tempo da máquina de escrever, tv preto e branco, telegrama!, de pedir ligação pra telefonista, entrega de leite a cavalo (morei no interior!) etc.

Mas o que eu queria mesmo era poder congelar o tempo, ou pelo menos o meu entusiasmo e saúde - e viver o resto da vida no pique que tenho hj. Daqui a pouco o passado vai ser maior do que a expectativa pela frente, já pensou? Melhor nem pensar nisso!

Maria Valéria disse...

eu tenho saudade é do quadro negro com giz.
nada mais apavorante do que assistir uma aula de slides, data show, com a luz apagada e com o barulinho continuo do micro ou do retroprojetor... SONO!!!! heheheheh... ninguem compreende a saudade que tenho do giz e do quadro negro!! :(((