quinta-feira, novembro 30, 2006

Esclarecimento final

Só pra esclarecer de uma vez por todas (nem que seja para mim mesma): eu raramente corto relações, mas quando corto, é porque já devia ter cortado há muito tempo. Chega a ser uma questão de sobrevivência. Eu vivo as emoções até a última gota. Foi assim no meu casamento, é assim na amizade (porque amizade também é amor).

O pior é o gosto amargo na boca, a tristeza que a gente sabe que um dia o tempo apaga, a decepção...Descobri que meu problema é que não sei respeitar as leis de comportamento vigentes. A ordem é se fingir de morto, fingir que está tudo bem e seguir em frente como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse mudado dentro de nós. A ordem é fazer cara de paisagem, fingir que não estamos decepcionados e sair pela porta dos fundos, de fininho. E acima de tudo, a ordem é se afastar naturalmente das pessoas, em vez de cortar bruscamente uma relação, como quem arranca uma flor pela raiz (e isso as pessoas não perdoam).

Quanto a mim, eu não sei me fingir de morta. Eu não sei fazer cara de paisagem. No final das contas, prefiro ser eu mesma.

Barra pesada

Impressionante como na minha vida acaba uma batalha, começa outra. Desta vez é a escola do Liam que tem me tirado o sono...alguns de vocês já vem acompanhando essa estória há tempos.

Eu estou simplesmente decepcionada com a escola, porque pra início de conversa, não era o que eu esperava de uma escola que nem sequer normal é (ela se assemelha com o método Montessori, embora diferente - não sei se existe aí no Brasil mas o nome aqui é Jenaplan). E eu escolhi a escola justamente porque acreditei, errôneamente, que eles tivessem uma abordagem diferente das crianças, um pouco fora dos padrões vigentes nos sistemas de ensino tradicionais.

Qual não é a minha surpresa quando, após n reuniões na escola, a pedagoga decide mandá-lo para uma escola de ensino especial (para alunos com sérios problemas de desenvolvimento, autismo, ADHD, etc). O motivo, pasmem: o menino está há 3 meses na classe de alfabetização e ainda não consegue ler e escrever (o que eles esperam?), além de ter dificuldades de concentração, e problemas no motor fino para segurar o lápis (ele sempre teve problemas no desenvolvimento motor).

O mais triste é que me vi obrigada a repetir pela enésima vez que o Liam passou por um período muito delicado no desenvolvimento, antes do divórcio...e que isso deveria ser levado em conta, certamente no quesito concentração (sem falar que ele agora tem duas casas, dois quartos e por aí vai). E convenhamos, eu simplesmente não acredito que falta de concentração e dificuldade de segurar um lápis sejam motivos suficientes para mandar uma criança para uma escola de ensino especial!

Aqui na Holanda, a escola de ensino especial é um estigma, depois que a criança entra neste circuito de ensino, ela raramente consegue voltar ao ensino normal - com todas as consequências que isso implica para o futuro do Liam. Felizmente, eles precisam de autorização dos pais para mudar a criança de escola - autorização que eu e o Jeff não pretendemos dar até que tenham sido tentadas outras possibilidades. Só quem é mãe pra entender o que tenho passado por estes dias...

sábado, novembro 25, 2006

David Gray (dos meus Top 5)

Acabei de me dar conta que estou escrevendo neste blog há 3 meses e ainda não falei de música...então resolvi começar pelo meu artista favorito dos últimos anos: David Gray - aliás, estou ouvindo o álbum aqui do lado agora mesmo, o favorito da minha coleção e eleito unânimamente como clássico pelos críticos (White Ladder, 2000).

Com uma carreira de mais de 10 anos e vários álbuns lançados, o cantor inglês alcançou sucesso estrondoso na Irlanda e na Inglaterra graças a White Ladder, que ficou semanas nas listas de mais vendidos e cuja turnê de shows esgotou totalmente (o show gravado em Dublin é sublime, meu music DVD favorito). Mas o sucesso internacional só veio mesmo em 2002, com o lançamento de A New Day at Midnight. Em 2005, ele lançou Life in Slow Motion, sendo que sua carreira é acompanhada por um fanclub dos mais fiéis em todo o mundo (eu inclusive).

Sua música costuma ser classificada, entre outras coisas, de folk ou alternative (adult) rock, mas eu prefiro simplesmente rock ballad. Em alguns momentos, ele faz lembrar o Damien Rice, que estourou nas paradas com a trilha sonora de Closer ano passado (embora eu já o conhecesse e adorasse beeeeeeeem antes disso). Mas o Damien Rice é um capítulo à parte, então fica para outra vez!

terça-feira, novembro 21, 2006

Feriado nacional

Hoje no meu calendário é feriado nacional...assim sendo, eu não poderia deixar esta data passar em branco. É que hoje faz exatamente 1 ano que meu ex-marido saiu de casa (a papelada do divórcio mesmo saiu no final de março). Só quem já passou por isso pode imaginar o que esta data representa para mim.

Em retrospectiva, posso dizer que minha saúde mental e emocional melhorou muito. E não tenho dúvidas de que foi não apenas a única, mas também a melhor decisão: hoje até somos amigos! (ironia do destino.)

PS. Quem quiser uma fatia do bolo, é só pegar! hehehe...deixei vocês com água na boca de novo.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Pinky, minha outra paixão japonesa!


Comentei anteriormente aqui no blog que peguei o hábito de ficar olhando fotos da Blythe no www.flickr.com. Pois eu gosto ainda mais das lindas e pequeninas Pinky (uma espécie de Polly Pocket japonesa, só que muito mais legal do que a versão da Mattel). Pra quem não pegou minha fase japonesa no orkut (mudei meu álbum de novo, a versão atual é Desperate Housewifes, check it out!), esta foto dá uma idéia do que estou falando (esses dias cinzentos de outono me dão uma vontade de ser criança de novo...).

domingo, novembro 19, 2006

Viajando de avião
Liam vai passar o natal com o pai e a família na Inglaterra. É sua quarta viagem à Inglaterra, mas a segunda vez que ele anda de avião...O menino está apreensivo, a última vez que entrou em um avião ele tinha 8 meses e nem se lembra! Ele também já fez o trajeto de carro (Stena Line) e de trem (EuroStar). A viagem de Stena Line, há 3 anos atrás, foi maravilhosa: jantamos e tomamos café da manhã no restaurante do navio, dormimos em uma cabine com beliche e banheiro, tudo muito confortável! Mas desconfio que ele gostou mesmo foi da viagem de EuroStar com o pai no natal retrasado - Liam é louco por trens!

sábado, novembro 18, 2006

Obra em Aberto

Interessante como qualquer obra literária ou cinematográfica é acima de tudo, uma obra em aberto - ou seja, uma obra aberta a todas as possíveis interpretações (desde as mais óbvias até as mais inviáveis, o céu é o limite). Assim como cada pessoa tem sua experiência e visão do mundo, a sua interpretação de um filme (ou livro) será sempre baseada em sua experiência ou visão de mundo. E no final das contas, não existe apenas O filme, mas vários filmes. Não existe apenas O livro, mas vários livros.

Eu acho interessante ler comentários de outras pessoas sobre um mesmo filme...embora muitas vezes eu tenha a nítida sensação de que assistimos filmes diferentes. O mais engraçado (ou constrangedor) é quando você vai a uma sessão de cinema com um amigo e ao discutirem o filme na saída, você desconfia (com razão) que assistiram dois filmes diferentes! Felizmente, isso raramente acontece comigo - até porque, tenho o hábito de assistir filmes estranhos com gente esquisita, rsrsrs.

A questão da interpretação é um assunto discutido à exaustão em aulas de análise literária e conhecida daqueles que, como eu, cursaram uma Faculdade de Letras. Até que ponto é possível fazer uma interpretação objetiva de uma experiência subjetiva (e assistir um filme ou ler um livro é uma experiência subjetiva). E sim, existem ferramentas para analisar essas obras, a começar pelos cursos de Cinema e Teoria Literária. Mas em princípio, uma obra sempre será uma obra em aberto.
Tecnologia do Blogger.

Esclarecimento final

Só pra esclarecer de uma vez por todas (nem que seja para mim mesma): eu raramente corto relações, mas quando corto, é porque já devia ter cortado há muito tempo. Chega a ser uma questão de sobrevivência. Eu vivo as emoções até a última gota. Foi assim no meu casamento, é assim na amizade (porque amizade também é amor).

O pior é o gosto amargo na boca, a tristeza que a gente sabe que um dia o tempo apaga, a decepção...Descobri que meu problema é que não sei respeitar as leis de comportamento vigentes. A ordem é se fingir de morto, fingir que está tudo bem e seguir em frente como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse mudado dentro de nós. A ordem é fazer cara de paisagem, fingir que não estamos decepcionados e sair pela porta dos fundos, de fininho. E acima de tudo, a ordem é se afastar naturalmente das pessoas, em vez de cortar bruscamente uma relação, como quem arranca uma flor pela raiz (e isso as pessoas não perdoam).

Quanto a mim, eu não sei me fingir de morta. Eu não sei fazer cara de paisagem. No final das contas, prefiro ser eu mesma.

Barra pesada

Impressionante como na minha vida acaba uma batalha, começa outra. Desta vez é a escola do Liam que tem me tirado o sono...alguns de vocês já vem acompanhando essa estória há tempos.

Eu estou simplesmente decepcionada com a escola, porque pra início de conversa, não era o que eu esperava de uma escola que nem sequer normal é (ela se assemelha com o método Montessori, embora diferente - não sei se existe aí no Brasil mas o nome aqui é Jenaplan). E eu escolhi a escola justamente porque acreditei, errôneamente, que eles tivessem uma abordagem diferente das crianças, um pouco fora dos padrões vigentes nos sistemas de ensino tradicionais.

Qual não é a minha surpresa quando, após n reuniões na escola, a pedagoga decide mandá-lo para uma escola de ensino especial (para alunos com sérios problemas de desenvolvimento, autismo, ADHD, etc). O motivo, pasmem: o menino está há 3 meses na classe de alfabetização e ainda não consegue ler e escrever (o que eles esperam?), além de ter dificuldades de concentração, e problemas no motor fino para segurar o lápis (ele sempre teve problemas no desenvolvimento motor).

O mais triste é que me vi obrigada a repetir pela enésima vez que o Liam passou por um período muito delicado no desenvolvimento, antes do divórcio...e que isso deveria ser levado em conta, certamente no quesito concentração (sem falar que ele agora tem duas casas, dois quartos e por aí vai). E convenhamos, eu simplesmente não acredito que falta de concentração e dificuldade de segurar um lápis sejam motivos suficientes para mandar uma criança para uma escola de ensino especial!

Aqui na Holanda, a escola de ensino especial é um estigma, depois que a criança entra neste circuito de ensino, ela raramente consegue voltar ao ensino normal - com todas as consequências que isso implica para o futuro do Liam. Felizmente, eles precisam de autorização dos pais para mudar a criança de escola - autorização que eu e o Jeff não pretendemos dar até que tenham sido tentadas outras possibilidades. Só quem é mãe pra entender o que tenho passado por estes dias...

David Gray (dos meus Top 5)

Acabei de me dar conta que estou escrevendo neste blog há 3 meses e ainda não falei de música...então resolvi começar pelo meu artista favorito dos últimos anos: David Gray - aliás, estou ouvindo o álbum aqui do lado agora mesmo, o favorito da minha coleção e eleito unânimamente como clássico pelos críticos (White Ladder, 2000).

Com uma carreira de mais de 10 anos e vários álbuns lançados, o cantor inglês alcançou sucesso estrondoso na Irlanda e na Inglaterra graças a White Ladder, que ficou semanas nas listas de mais vendidos e cuja turnê de shows esgotou totalmente (o show gravado em Dublin é sublime, meu music DVD favorito). Mas o sucesso internacional só veio mesmo em 2002, com o lançamento de A New Day at Midnight. Em 2005, ele lançou Life in Slow Motion, sendo que sua carreira é acompanhada por um fanclub dos mais fiéis em todo o mundo (eu inclusive).

Sua música costuma ser classificada, entre outras coisas, de folk ou alternative (adult) rock, mas eu prefiro simplesmente rock ballad. Em alguns momentos, ele faz lembrar o Damien Rice, que estourou nas paradas com a trilha sonora de Closer ano passado (embora eu já o conhecesse e adorasse beeeeeeeem antes disso). Mas o Damien Rice é um capítulo à parte, então fica para outra vez!

Feriado nacional

Hoje no meu calendário é feriado nacional...assim sendo, eu não poderia deixar esta data passar em branco. É que hoje faz exatamente 1 ano que meu ex-marido saiu de casa (a papelada do divórcio mesmo saiu no final de março). Só quem já passou por isso pode imaginar o que esta data representa para mim.

Em retrospectiva, posso dizer que minha saúde mental e emocional melhorou muito. E não tenho dúvidas de que foi não apenas a única, mas também a melhor decisão: hoje até somos amigos! (ironia do destino.)

PS. Quem quiser uma fatia do bolo, é só pegar! hehehe...deixei vocês com água na boca de novo.

Pinky, minha outra paixão japonesa!


Comentei anteriormente aqui no blog que peguei o hábito de ficar olhando fotos da Blythe no www.flickr.com. Pois eu gosto ainda mais das lindas e pequeninas Pinky (uma espécie de Polly Pocket japonesa, só que muito mais legal do que a versão da Mattel). Pra quem não pegou minha fase japonesa no orkut (mudei meu álbum de novo, a versão atual é Desperate Housewifes, check it out!), esta foto dá uma idéia do que estou falando (esses dias cinzentos de outono me dão uma vontade de ser criança de novo...).

Viajando de avião
Liam vai passar o natal com o pai e a família na Inglaterra. É sua quarta viagem à Inglaterra, mas a segunda vez que ele anda de avião...O menino está apreensivo, a última vez que entrou em um avião ele tinha 8 meses e nem se lembra! Ele também já fez o trajeto de carro (Stena Line) e de trem (EuroStar). A viagem de Stena Line, há 3 anos atrás, foi maravilhosa: jantamos e tomamos café da manhã no restaurante do navio, dormimos em uma cabine com beliche e banheiro, tudo muito confortável! Mas desconfio que ele gostou mesmo foi da viagem de EuroStar com o pai no natal retrasado - Liam é louco por trens!

Obra em Aberto

Interessante como qualquer obra literária ou cinematográfica é acima de tudo, uma obra em aberto - ou seja, uma obra aberta a todas as possíveis interpretações (desde as mais óbvias até as mais inviáveis, o céu é o limite). Assim como cada pessoa tem sua experiência e visão do mundo, a sua interpretação de um filme (ou livro) será sempre baseada em sua experiência ou visão de mundo. E no final das contas, não existe apenas O filme, mas vários filmes. Não existe apenas O livro, mas vários livros.

Eu acho interessante ler comentários de outras pessoas sobre um mesmo filme...embora muitas vezes eu tenha a nítida sensação de que assistimos filmes diferentes. O mais engraçado (ou constrangedor) é quando você vai a uma sessão de cinema com um amigo e ao discutirem o filme na saída, você desconfia (com razão) que assistiram dois filmes diferentes! Felizmente, isso raramente acontece comigo - até porque, tenho o hábito de assistir filmes estranhos com gente esquisita, rsrsrs.

A questão da interpretação é um assunto discutido à exaustão em aulas de análise literária e conhecida daqueles que, como eu, cursaram uma Faculdade de Letras. Até que ponto é possível fazer uma interpretação objetiva de uma experiência subjetiva (e assistir um filme ou ler um livro é uma experiência subjetiva). E sim, existem ferramentas para analisar essas obras, a começar pelos cursos de Cinema e Teoria Literária. Mas em princípio, uma obra sempre será uma obra em aberto.