segunda-feira, maio 23, 2011

Uma família (muito) moderna

Sábado fui a uma festa de aniversário de uma amiga brasileira que conheço há quase 10 anos aqui em Amsterdã. Ela foi babá do Liam por uns tempos, e o conhece desde que ele tinha 8 meses!  A festa é um evento anual no jardim da casa dela, geralmente com uns cinquenta convidados, muitas crianças, muita cerveja e muita caipirinha. Também muitos beliscos e tortas vegetarianos e claro...pão de queijo!

Mas o assunto do post (e do título acima) é que reencontrei na festa uma pessoa muito querida que não via há uns 3 anos. Essa mesma pessoa me viu sentada no jardim conversando tranquilamente com Liam, F. e meu ex-marido (que também é amigo de anos da aniversariante e tinha muitos conhecidos ali). Ela se aproximou, sentou e logo disse: que bacana ver uma família moderna como essas, onde todos se dão bem e se respeitam! Coisa rara de se ver.

E eu me dei conta de que é isso mesmo. Hoje em dia quase não existem aquelas famílias tradicionais de antigamente. As pessoas casam, separam, formam novos laços e cada um (sobre)vive da melhor maneira possível. Ainda assim, uma família como a nossa ainda é coisa rara - a começar pela guarda alternada. Vejam bem, eu tenho um namorado que praticamente adotou o meu filho (e a relação deles se torna cada vez melhor à medida em que os anos passam). Tenho um ex-marido que me ajuda na criação do Liam e com quem mantenho relações cordiais - até demais, considerando-se que quando éramos casados mal conseguíamos nos comunicar! Enquanto isso, conheço muita gente que se separa e não quer mais ver a cara do ex-conjuge nem pintada de ouro. Há também pais que - por inúmeros motivos - acabam se distanciando dos filhos. Sem falar nas mães que entram numa batalha judicial com o único objetivo de punir o ex-parceiro e esquecem do mais importante. Eu acho isso tudo muito triste. Mas até entendo que em alguns casos, não dá pra ser de outro jeito (há que se ter um certo grau de maturidade para isso).

O meu filho tem a sorte de ter uma mãe e ...dois pais! Ou seja, podemos não ter família ou parentes aqui mas a gente compensa da melhor maneira possível. Podemos não ter dinheiro mas temos algo ainda mais importante. Moral da estória: filho de pais separados não precisa necessariamente sofrer pelo resto dos seus dias. Sim, há vida depois do divórcio (caso alguém ainda esteja em dúvida quanto a isso).

Enfim, isso é que eu chamo de família moderna.

4 comentários:

Glenda disse...

Afe, sou filha de pais divorciados e não sofro pelo resto dos meus dias! Haha...sofro por outros kotivos, mas com certeza não tem vinculação com isso. (talvez se eu fosse paciente do Freud ele encontraria, mas eu não). É tudo tão relativo...melhor ser filha de pais separados do que de pais casados que se odeiam e viviem discutindo, não é verdade?
Minha familia é assim tb, meu pai frequenta a minha casa e, embora minha mãe já tenha brigado muito com ele, principalmente em épocas de pensão, acho que tb somos umas dessas "familias modernas".

Line disse...

Eu admiro, acho bonito e acho muito válido. Além disso, acho que conviver dessa forma é um belo exemplo a ser dado ao seu filho.
Aqui vejo mais casais que se separam e continuam amigos, do que no Brasil. No Brasil muita gente tem preconceito contra mulher separada e com filhos. E quando a "separada" começa a namorar outra pessoa, então? Aí que a fofoca e os julgamentos começam, muitas vezes dentro da própria família, o que é triste.

Ontem conversando com a sobrinha do meu marido pelo msn, fiquei chocada. Ela tem 10 anos, me lembro dela há dois anos, uma criança que adorava pintar as minhas unhas e despentear meu cabelo. Hoje ela tem namorado, já faz 1 ano que ela namora, ou seja, começou quando tinha 9 anos apenas. Não consegui engolir isso, não consigo achar normal.

Milena Fischborn disse...

Você tem razão, e desta forma todo mundo sai ganhando, principalmente o seu filho, o que é o mais importante!!!

Palavras Vagabundas disse...

Beth, parabéns pela família!
bjs
Jussara

Tecnologia do Blogger.

Uma família (muito) moderna

Sábado fui a uma festa de aniversário de uma amiga brasileira que conheço há quase 10 anos aqui em Amsterdã. Ela foi babá do Liam por uns tempos, e o conhece desde que ele tinha 8 meses!  A festa é um evento anual no jardim da casa dela, geralmente com uns cinquenta convidados, muitas crianças, muita cerveja e muita caipirinha. Também muitos beliscos e tortas vegetarianos e claro...pão de queijo!

Mas o assunto do post (e do título acima) é que reencontrei na festa uma pessoa muito querida que não via há uns 3 anos. Essa mesma pessoa me viu sentada no jardim conversando tranquilamente com Liam, F. e meu ex-marido (que também é amigo de anos da aniversariante e tinha muitos conhecidos ali). Ela se aproximou, sentou e logo disse: que bacana ver uma família moderna como essas, onde todos se dão bem e se respeitam! Coisa rara de se ver.

E eu me dei conta de que é isso mesmo. Hoje em dia quase não existem aquelas famílias tradicionais de antigamente. As pessoas casam, separam, formam novos laços e cada um (sobre)vive da melhor maneira possível. Ainda assim, uma família como a nossa ainda é coisa rara - a começar pela guarda alternada. Vejam bem, eu tenho um namorado que praticamente adotou o meu filho (e a relação deles se torna cada vez melhor à medida em que os anos passam). Tenho um ex-marido que me ajuda na criação do Liam e com quem mantenho relações cordiais - até demais, considerando-se que quando éramos casados mal conseguíamos nos comunicar! Enquanto isso, conheço muita gente que se separa e não quer mais ver a cara do ex-conjuge nem pintada de ouro. Há também pais que - por inúmeros motivos - acabam se distanciando dos filhos. Sem falar nas mães que entram numa batalha judicial com o único objetivo de punir o ex-parceiro e esquecem do mais importante. Eu acho isso tudo muito triste. Mas até entendo que em alguns casos, não dá pra ser de outro jeito (há que se ter um certo grau de maturidade para isso).

O meu filho tem a sorte de ter uma mãe e ...dois pais! Ou seja, podemos não ter família ou parentes aqui mas a gente compensa da melhor maneira possível. Podemos não ter dinheiro mas temos algo ainda mais importante. Moral da estória: filho de pais separados não precisa necessariamente sofrer pelo resto dos seus dias. Sim, há vida depois do divórcio (caso alguém ainda esteja em dúvida quanto a isso).

Enfim, isso é que eu chamo de família moderna.

4 comentários:

Glenda disse...

Afe, sou filha de pais divorciados e não sofro pelo resto dos meus dias! Haha...sofro por outros kotivos, mas com certeza não tem vinculação com isso. (talvez se eu fosse paciente do Freud ele encontraria, mas eu não). É tudo tão relativo...melhor ser filha de pais separados do que de pais casados que se odeiam e viviem discutindo, não é verdade?
Minha familia é assim tb, meu pai frequenta a minha casa e, embora minha mãe já tenha brigado muito com ele, principalmente em épocas de pensão, acho que tb somos umas dessas "familias modernas".

Line disse...

Eu admiro, acho bonito e acho muito válido. Além disso, acho que conviver dessa forma é um belo exemplo a ser dado ao seu filho.
Aqui vejo mais casais que se separam e continuam amigos, do que no Brasil. No Brasil muita gente tem preconceito contra mulher separada e com filhos. E quando a "separada" começa a namorar outra pessoa, então? Aí que a fofoca e os julgamentos começam, muitas vezes dentro da própria família, o que é triste.

Ontem conversando com a sobrinha do meu marido pelo msn, fiquei chocada. Ela tem 10 anos, me lembro dela há dois anos, uma criança que adorava pintar as minhas unhas e despentear meu cabelo. Hoje ela tem namorado, já faz 1 ano que ela namora, ou seja, começou quando tinha 9 anos apenas. Não consegui engolir isso, não consigo achar normal.

Milena Fischborn disse...

Você tem razão, e desta forma todo mundo sai ganhando, principalmente o seu filho, o que é o mais importante!!!

Palavras Vagabundas disse...

Beth, parabéns pela família!
bjs
Jussara