quarta-feira, maio 04, 2011

A volta ao lar

The Vintage Housewife



Este post  da Line do blog Meias Palavras me inspirou a escrever um daqueles posts que estava há tempos na minha cabeça...Então vamos lá antes que a vontade passe, rsrsrs.

Nos últimos tempos, basta observar com cuidado a mídia pra que se veja uma exaltação ao passado, principalmente em algumas revistas femininas. É quase um novo backlash ao feminismo, aquele velho movimento que levou as mulheres pra rua, pras universidades e pro mercado de trabalho. Eu não estou aqui pra criticar o estilo de vida de ninguém (cada um vive como quer e como pode). E digo mais, até admiro quem sabe cozinhar e costurar! Mas ao mesmo tempo me pergunto o que faz as mulheres quererem voltar ao passado (um passado que talvez sequer tenha existido). Porque na época da vintage housewife da ilustração cima, as mulheres eram donas-de-casa por falta de opção mesmo. Não era uma questão de se manterem ocupadas enquanto criam os filhos pequenos.

Hoje em dia virou quase um hobbie (dos mais cobiçados) ficar em casa assando cupcakes, costurando, fazendo tricô,  crochê e outras atividades dos tempos da minha vó, etc. E cuidando das crianças enquanto o marido faz carreira, claro. São as SAHM (Stay At Home Mothers), com elas mesmo se denominam. Um estilo de vida cada vez mais popular aqui na Holanda, em outros países da Europa e nos EUA. Me arrisco a dizer que mais do que um estilo de vida, é um novo movimento (novo velho, se é que me entendem). Corrijam-me se eu estiver errada!

Um dos meus questionamentos é se no Brasil as mulheres de classe média teriam a opção de ficar em casa assando bolos e fazendo tricô.  Porque eu desconfio que a questão seja em partes uma questão econômica. Na Holanda ao menos é assim: quando o marido ganha o suficiente pra manter um padrão de vida confortável, muitas mulheres optam por ficar em casa - até porque, creche é bem caro aqui por essas bandas.

Eu desconfio que este novo movimento feminino - o termo feminista obviamente não se presta a este contexto -  tenha uma grande dose de nostalgia do passado. Uma espécie de reação ao mundo tecnológico em que vivemos, um mundo moderno e cheio de gadgets. Uma vida de corre-pra-prá-corre-pra-lá sem nem saber pra onde. Uma época em que as redes sociais e as amizades virtuais passaram a ser regra em vez de exceção. Onde não há mais tempo pra sentar com uma amiga, tomar um café e comer um bolo.

Enfim, este assunto dá muito pano pra manga então quer quiser deixar sua opinião aqui, não se acanhe. Leitoras e leitores, está aberta a discussão!


Mas eu admito que são muito gostosos!

12 comentários:

Rosa Lopes disse...

Eu tenho visto algumas discussões sobre o movimento feminista, questionamentos e reposicionamentos. Combate e mensagens que criem confusão sobre a posição da mulher pela mídia são incansáveis. Ainda mais no clima de reinvento do sonho de princesa.

Mesmo assim eu não entendo o que uma coisa interfere na outra, ser dona de casa, não trabalhar fora ou não dividir integralmente os gastos da vida em comum com submissão. Pq dessa parte a mídia não fala, né? É como se tudo não tivesse sido mais q um capricho da mulher e agora que ela viu o quanto é ruim "vida de homem" esteja voltando ao "seu lugar".
Será q mulheres criadas vendo suas mães trabalharem e tomarem decisões podem se iludir a esse ponto?

Todos os posicionamentos tem um preço, mas liberdade de escolha nunca pode ser negociada.

Lilly disse...

Beth,
senti essa necessidade sem nem saber que era tendência. Na verdade eu queria dar uma guinada na minha vida, trabalhar em casa, abraçar uma nova carreira. Mas assim que parei por aqui, relembrei os antigos prazeres de infância que minha mãe praticava comigo mesmo trabalhando fora. Um trabalho menos estressante do que eu tinha. A conclusão que eu cheguei foi que, pelo menos para mim, é importante ter uma carreira mas eu só me sinto realizada se priorizo os filhos e a casa. Passei anos me matando de trabalhar, tinha carreira de sucesso mas me sentia sufocada e não sabia porque.
Enfim, essa é minha opinião, o que sinto, mas não quero de forma alguma induzir ninguém a seguir o que estou dizendo, é apenas um testemunho.

Beijosss!!

Glenda Dimuro disse...

Essa situação só vai deixar de ser "tabu" quando a inversa também for verdadeira sem problemas. Homem cuidando da casa e dos filhos é coisa rara de se ver...
Na minha opnião é uma escolha bastante pessoal, só que a pessoa não pode esquecer nunca que os filhos crescem e o casamento... (bom, ninguém casa achando que vai separar, né? Mas conheço muuuuitos casais onde a mulher decidiu ficar em casa por decisão própria e depois a relação foi pro beleléu... se viu com mais de 40 anos e nenhum CV ou habilidade para voltar ao mercado de trabalho). Enfim, acho uma decisão bastante arriscada... eu gostaria de poder ser dona de casa temporalmente, qdo (se) meus filhos nascerem e até os seus primeiros anos de vida. Mas se meu marido quisesse tomar essa decisão, acharia justo. Vocês acham que a sociedade acha "normal" a mulher trabalhar fora e o marido ficar em casa?

Jux disse...

Beth!
Parabéns pelo post.
Cheguei aqui através de um comentário seu no blog da Line.
Vc pontua muito bem em relação a possibildiade de "retorno" da mulher ao lar, especificamente para a mulher da classe média.
Sim, devemos pensar nisso e pensar além: a possibilidade de ficar em casa não é uma opção para as mulheres pobres, que PRECISAM trabalhar desde sempre. Essas mulheres que, na maioria dos casos, tem que sustentar os filhos sozinhas, dada a ausência e abandono por parte do pais desses filhos.

Se formos parar para pensar, temos uma situação privilegiada sim, na medida em que podemos vislumbrar uma possibilidade de ficar em casa. O Feminismo porém, não luta apenas por nós, mulheres da classe média. O Feminismo busca, em especial, lutar para garantir um mínim de dignidade às mulheres pobres que não tem opções de escolha e se encontram em situações de fragilidade econômica, social e emocional.

Line disse...

Eu não condeno a escolha das pessoas que preferem ficar em casa, longe de mim, porque nem eu mesma sei quais serão as minhas necessidades amanhã.

Aliás, o ponto principal do meu texto nem era esse. O que me irrita é ouvir algumas pessoas dizerem que tudo é culpa de um tal de "feminismo". É como se não merecêssemos estar onde estamos.

O que muitas mullheres não entendem é que quando elas dizem, por exemplo, que preferem ficar em casa, que o fazem por OPÇÃO, já estão automaticamente fazendo uso do nosso direito adquirido de saber o que é melhor para nós mesmas, sem imposições da sociedade (embora saibamos que existem imposições até certo ponto).

Só acho que é muito fácil vir a público culpar a nossa vida moderna, mas pergunta se alguém quer ficar sem computador, sem celular, sem internet, sem microondas, sem carro, sem blog? Ninguém quer.

Cada um paga o preço pelo estilo de vida que escolheu, e será sempre assim. Só acho quase impossível retomar esse modelo de vida bucólica com todas as facilidades que a vida nos oferece hoje em dia. Só isso.

É que nem aquela velha e polêmica história sobre a legalização do aborto. Eu sou a favor, mas isso não quer dizer que eu automaticamente vá fazer, porque vai contra os MEUS princípios. Mas eu sei que o mundo não gira em torno do meu umbigo, e que as minhas necessidades não representam um milésimo de infinito (existe isso? rs) das necessidades das outras pessoas.

Em suma, o ser humano é um eterno insatisfeito, sempre querendo aquilo que não tem. Se vive hoje, pensa em como o ontem era ótimo.

Palavras Vagabundas disse...

A volta ao lar só é possível como opção se existe uma realidade econômica que permite isso! No Brasil muito poucas mulheres têm essa opção, até por que para terem um nível de vida melhor e dar uma melhor educação aos filhos os casais contam com duas fontes de renda, se não já era.
bjs
Jussara

Anita disse...

Adoro fazer minha propria grana !

Ate minha avo que nao tinha muita instrucao era uma excelente costureira e cozinheira. Comecou a trabalhar ajudando os pais em casa, pois tinha 10 irmaos. Ralou absurdamente a vida inteira. Quando se aposentou ficou bem (financeira e mentalmente). Ja minha tia, a filha dela, nunca trabalhou fora ou fez contactos. Hoje tem uma velhice pessima, isolada, amargurada e totalmente sem grana.

tania disse...

A Line foi tão lúcida aí nas suas palavras que nem preciso postar mais nada. Só manifestar minha admiração.

Adoro passar de um blog pra outro e ir seguindo as conversas. E participando quando dá...

Beijos

Beth Blue disse...

Anita disse:
<<...Ja minha tia, a filha dela, nunca trabalhou fora ou fez contactos. Hoje tem uma velhice pessima, isolada, amargurada e totalmente sem grana.>>

É este o ponto que tento entender, como as mulheres depois de conquistarem com muito suor sua independência financeira, acabam OPTANDO por ficar em casa, totalmente dependentes do marido.

Claro que não devemos julgar as escolhas de ninguém, mas acho que ser dependente é ruim demais! E se o marido (ou ela) decide se separar, onde ela vai arrumar dinheiro pra pagar as contas?!!

Beth Blue disse...

Jux disse
<<...a possibilidade de ficar em casa não é uma opção para as mulheres pobres, que PRECISAM trabalhar desde sempre.>>

Sim, este era um dos pontos que eu coloquei no post original. Esta moda de Stay At Home Mother é coisa de país rico! Ou seja, pra quem pode.

Beth Blue disse...

Lilly
Largar uma carreira de sucesso pra trabalhar em casa e ficar mais perto dos filhos é bem diferente do que simplesmente largar a carreira e cuidar dos filhos.

Quando meu filho era pequeno e eu tive de ficar em casa cuidando dele para o pai trabalhar (o salário do mês era ele que tinha, eu sempre trabalhei como freelance), eu continuei trabalhando em casa - mas o ritmo obviamente diminuiu muito.

Enfim, a gente faz o que pode.

Beth Blue disse...

Line,

Eu também não condeno ninguém não! Cada um é responsável por suas escolhas. O que tento entender é como depois de tanta luta pra conseguir um lugar ao sol no mundo (e a luta continua, não se iludam), algumas mulheres conseguem largar tudo e ficar em casa cuidando do lar, como no tempo da minha vó (minha màe trabalhava).

Eu acho isso muito esquisito, daí meu questionamento.

Tecnologia do Blogger.

A volta ao lar

The Vintage Housewife



Este post  da Line do blog Meias Palavras me inspirou a escrever um daqueles posts que estava há tempos na minha cabeça...Então vamos lá antes que a vontade passe, rsrsrs.

Nos últimos tempos, basta observar com cuidado a mídia pra que se veja uma exaltação ao passado, principalmente em algumas revistas femininas. É quase um novo backlash ao feminismo, aquele velho movimento que levou as mulheres pra rua, pras universidades e pro mercado de trabalho. Eu não estou aqui pra criticar o estilo de vida de ninguém (cada um vive como quer e como pode). E digo mais, até admiro quem sabe cozinhar e costurar! Mas ao mesmo tempo me pergunto o que faz as mulheres quererem voltar ao passado (um passado que talvez sequer tenha existido). Porque na época da vintage housewife da ilustração cima, as mulheres eram donas-de-casa por falta de opção mesmo. Não era uma questão de se manterem ocupadas enquanto criam os filhos pequenos.

Hoje em dia virou quase um hobbie (dos mais cobiçados) ficar em casa assando cupcakes, costurando, fazendo tricô,  crochê e outras atividades dos tempos da minha vó, etc. E cuidando das crianças enquanto o marido faz carreira, claro. São as SAHM (Stay At Home Mothers), com elas mesmo se denominam. Um estilo de vida cada vez mais popular aqui na Holanda, em outros países da Europa e nos EUA. Me arrisco a dizer que mais do que um estilo de vida, é um novo movimento (novo velho, se é que me entendem). Corrijam-me se eu estiver errada!

Um dos meus questionamentos é se no Brasil as mulheres de classe média teriam a opção de ficar em casa assando bolos e fazendo tricô.  Porque eu desconfio que a questão seja em partes uma questão econômica. Na Holanda ao menos é assim: quando o marido ganha o suficiente pra manter um padrão de vida confortável, muitas mulheres optam por ficar em casa - até porque, creche é bem caro aqui por essas bandas.

Eu desconfio que este novo movimento feminino - o termo feminista obviamente não se presta a este contexto -  tenha uma grande dose de nostalgia do passado. Uma espécie de reação ao mundo tecnológico em que vivemos, um mundo moderno e cheio de gadgets. Uma vida de corre-pra-prá-corre-pra-lá sem nem saber pra onde. Uma época em que as redes sociais e as amizades virtuais passaram a ser regra em vez de exceção. Onde não há mais tempo pra sentar com uma amiga, tomar um café e comer um bolo.

Enfim, este assunto dá muito pano pra manga então quer quiser deixar sua opinião aqui, não se acanhe. Leitoras e leitores, está aberta a discussão!


Mas eu admito que são muito gostosos!

12 comentários:

Rosa Lopes disse...

Eu tenho visto algumas discussões sobre o movimento feminista, questionamentos e reposicionamentos. Combate e mensagens que criem confusão sobre a posição da mulher pela mídia são incansáveis. Ainda mais no clima de reinvento do sonho de princesa.

Mesmo assim eu não entendo o que uma coisa interfere na outra, ser dona de casa, não trabalhar fora ou não dividir integralmente os gastos da vida em comum com submissão. Pq dessa parte a mídia não fala, né? É como se tudo não tivesse sido mais q um capricho da mulher e agora que ela viu o quanto é ruim "vida de homem" esteja voltando ao "seu lugar".
Será q mulheres criadas vendo suas mães trabalharem e tomarem decisões podem se iludir a esse ponto?

Todos os posicionamentos tem um preço, mas liberdade de escolha nunca pode ser negociada.

Lilly disse...

Beth,
senti essa necessidade sem nem saber que era tendência. Na verdade eu queria dar uma guinada na minha vida, trabalhar em casa, abraçar uma nova carreira. Mas assim que parei por aqui, relembrei os antigos prazeres de infância que minha mãe praticava comigo mesmo trabalhando fora. Um trabalho menos estressante do que eu tinha. A conclusão que eu cheguei foi que, pelo menos para mim, é importante ter uma carreira mas eu só me sinto realizada se priorizo os filhos e a casa. Passei anos me matando de trabalhar, tinha carreira de sucesso mas me sentia sufocada e não sabia porque.
Enfim, essa é minha opinião, o que sinto, mas não quero de forma alguma induzir ninguém a seguir o que estou dizendo, é apenas um testemunho.

Beijosss!!

Glenda Dimuro disse...

Essa situação só vai deixar de ser "tabu" quando a inversa também for verdadeira sem problemas. Homem cuidando da casa e dos filhos é coisa rara de se ver...
Na minha opnião é uma escolha bastante pessoal, só que a pessoa não pode esquecer nunca que os filhos crescem e o casamento... (bom, ninguém casa achando que vai separar, né? Mas conheço muuuuitos casais onde a mulher decidiu ficar em casa por decisão própria e depois a relação foi pro beleléu... se viu com mais de 40 anos e nenhum CV ou habilidade para voltar ao mercado de trabalho). Enfim, acho uma decisão bastante arriscada... eu gostaria de poder ser dona de casa temporalmente, qdo (se) meus filhos nascerem e até os seus primeiros anos de vida. Mas se meu marido quisesse tomar essa decisão, acharia justo. Vocês acham que a sociedade acha "normal" a mulher trabalhar fora e o marido ficar em casa?

Jux disse...

Beth!
Parabéns pelo post.
Cheguei aqui através de um comentário seu no blog da Line.
Vc pontua muito bem em relação a possibildiade de "retorno" da mulher ao lar, especificamente para a mulher da classe média.
Sim, devemos pensar nisso e pensar além: a possibilidade de ficar em casa não é uma opção para as mulheres pobres, que PRECISAM trabalhar desde sempre. Essas mulheres que, na maioria dos casos, tem que sustentar os filhos sozinhas, dada a ausência e abandono por parte do pais desses filhos.

Se formos parar para pensar, temos uma situação privilegiada sim, na medida em que podemos vislumbrar uma possibilidade de ficar em casa. O Feminismo porém, não luta apenas por nós, mulheres da classe média. O Feminismo busca, em especial, lutar para garantir um mínim de dignidade às mulheres pobres que não tem opções de escolha e se encontram em situações de fragilidade econômica, social e emocional.

Line disse...

Eu não condeno a escolha das pessoas que preferem ficar em casa, longe de mim, porque nem eu mesma sei quais serão as minhas necessidades amanhã.

Aliás, o ponto principal do meu texto nem era esse. O que me irrita é ouvir algumas pessoas dizerem que tudo é culpa de um tal de "feminismo". É como se não merecêssemos estar onde estamos.

O que muitas mullheres não entendem é que quando elas dizem, por exemplo, que preferem ficar em casa, que o fazem por OPÇÃO, já estão automaticamente fazendo uso do nosso direito adquirido de saber o que é melhor para nós mesmas, sem imposições da sociedade (embora saibamos que existem imposições até certo ponto).

Só acho que é muito fácil vir a público culpar a nossa vida moderna, mas pergunta se alguém quer ficar sem computador, sem celular, sem internet, sem microondas, sem carro, sem blog? Ninguém quer.

Cada um paga o preço pelo estilo de vida que escolheu, e será sempre assim. Só acho quase impossível retomar esse modelo de vida bucólica com todas as facilidades que a vida nos oferece hoje em dia. Só isso.

É que nem aquela velha e polêmica história sobre a legalização do aborto. Eu sou a favor, mas isso não quer dizer que eu automaticamente vá fazer, porque vai contra os MEUS princípios. Mas eu sei que o mundo não gira em torno do meu umbigo, e que as minhas necessidades não representam um milésimo de infinito (existe isso? rs) das necessidades das outras pessoas.

Em suma, o ser humano é um eterno insatisfeito, sempre querendo aquilo que não tem. Se vive hoje, pensa em como o ontem era ótimo.

Palavras Vagabundas disse...

A volta ao lar só é possível como opção se existe uma realidade econômica que permite isso! No Brasil muito poucas mulheres têm essa opção, até por que para terem um nível de vida melhor e dar uma melhor educação aos filhos os casais contam com duas fontes de renda, se não já era.
bjs
Jussara

Anita disse...

Adoro fazer minha propria grana !

Ate minha avo que nao tinha muita instrucao era uma excelente costureira e cozinheira. Comecou a trabalhar ajudando os pais em casa, pois tinha 10 irmaos. Ralou absurdamente a vida inteira. Quando se aposentou ficou bem (financeira e mentalmente). Ja minha tia, a filha dela, nunca trabalhou fora ou fez contactos. Hoje tem uma velhice pessima, isolada, amargurada e totalmente sem grana.

tania disse...

A Line foi tão lúcida aí nas suas palavras que nem preciso postar mais nada. Só manifestar minha admiração.

Adoro passar de um blog pra outro e ir seguindo as conversas. E participando quando dá...

Beijos

Beth Blue disse...

Anita disse:
<<...Ja minha tia, a filha dela, nunca trabalhou fora ou fez contactos. Hoje tem uma velhice pessima, isolada, amargurada e totalmente sem grana.>>

É este o ponto que tento entender, como as mulheres depois de conquistarem com muito suor sua independência financeira, acabam OPTANDO por ficar em casa, totalmente dependentes do marido.

Claro que não devemos julgar as escolhas de ninguém, mas acho que ser dependente é ruim demais! E se o marido (ou ela) decide se separar, onde ela vai arrumar dinheiro pra pagar as contas?!!

Beth Blue disse...

Jux disse
<<...a possibilidade de ficar em casa não é uma opção para as mulheres pobres, que PRECISAM trabalhar desde sempre.>>

Sim, este era um dos pontos que eu coloquei no post original. Esta moda de Stay At Home Mother é coisa de país rico! Ou seja, pra quem pode.

Beth Blue disse...

Lilly
Largar uma carreira de sucesso pra trabalhar em casa e ficar mais perto dos filhos é bem diferente do que simplesmente largar a carreira e cuidar dos filhos.

Quando meu filho era pequeno e eu tive de ficar em casa cuidando dele para o pai trabalhar (o salário do mês era ele que tinha, eu sempre trabalhei como freelance), eu continuei trabalhando em casa - mas o ritmo obviamente diminuiu muito.

Enfim, a gente faz o que pode.

Beth Blue disse...

Line,

Eu também não condeno ninguém não! Cada um é responsável por suas escolhas. O que tento entender é como depois de tanta luta pra conseguir um lugar ao sol no mundo (e a luta continua, não se iludam), algumas mulheres conseguem largar tudo e ficar em casa cuidando do lar, como no tempo da minha vó (minha màe trabalhava).

Eu acho isso muito esquisito, daí meu questionamento.