quarta-feira, junho 15, 2011

Mania de magreza

WARNING: READ AT YOUR OWN RISK.


Hoje eu preciso contar uma coisa que me tira do sério. É esta obsessão por magreza das mulheres brasileiras...sinceramente, eu sempre fico chocada quando vejo mulher magra reclamando que engordou uns quilinhos. E dá-lhe dieta, malhação, guaraná diet e por ai vai...

Como se ser magra fosse a coisa mais importante da vida. Como se a gente só pudesse ser feliz num manequim 38 (ou 36 que pra mim é manequim infantil, tá?). Eu falo isso porque já tenho idade (e estrada) suficiente pra saber distinguir o que é frescura e o que é excesso de peso. Eu mesma estou ao menos 30 kilos acima do meu peso ideal, e nunca comento meu peso aqui mas desta vez farei uma exceção. Caros amigos, eu passei dos 100kgs e nunca pesei tanto na minha vida. Foram 17 anos de Holanda, 1 gravidez e 2 depressões que quase me derrubarram. Resultado: engordei mais de 30 kilos desde que cheguei feliz da vida na Holanda com meu manequim 42.

Manequeim 42 sim porque felizmente - ao contrário de muitas mulheres brasileiras que vivem obcecadas com aqueles corpos magérrimos das revistas de moda - eu sempre achei 42 o manequim ideal! Por concidência, foi feita uma pesquisa aqui entre as mulheres holandesas e a conclusão a que chegaram é que a mulher (daqui) se considera a mais feliz vestindo manequim 42...nem 38, nem 46 mas 42 gente! E eu assino embaixo.

Mas não se iludam, (claro que ) não estou feliz com meu peso - e tenho razões para não estar. Tenho vivido há anos uma batalha com meu excesso de peso. Dois fatores que afetam diretamente os números na balança são a ansiedade (eu como quando estou ansiosa) e a depressão (eu como quando estou deprimida, como a maiora das mulheres, diga-se de passagem...são poucas as que emagrecem). Já tinha conseguido perder uns 13 kilos dois anos atrás, voltei a usar jeans 46 e estava super animada...foi então que tive uma hérnia de disco que me deixou de repouso por meses. Perdi o pique e dai em diante comecei a engordar tudo de novo.


Então o que me tira do sério é ver gente magra que reclama porque engordou uns quilinhos! Sem querer ser chata (e já sendo), eu acho que as mulheres deviam desencanar e aprender a colocar mais energia nas coisas mais importantes da vida. Se a meta principal da sua vida é ser magra...bem, deixa pra lá (boca fechada não entra mosca).

E pra quem leu até aqui, eu digo mais...Conheço um monte de mulher magra sem namorado no Brasil. E por quê? Tirando o fato óbvio de que a maioria dos homens brasileiros não parece mesmo estar a fim de compromisso sério, elas talvez estejam tão obcecadas com a aparência que esquecem de cuidar daquela beleza interior que faz toda a diferença. Como diz um velho e sábio ditado, beleza não põe mesa. E não põe mesmo, digo isso por experiência própria. Eu tenho um namorado que me ama (apesar do meu peso) e que quer sim que eu emagreça não pra ele mas pra mim - por questões de saúde mais do que questões estéticas. E semana que vem iremos comemorar 4 anos de namoro. Sim, amigos, as gordas também amam (e são amadas).

Podem acreditar: é preciso muito mais do que um corpinho enxuto pra se manter um relacionamento. Porque no final das contas, homem que é homem de verdade gosta mesmo é de conteúdo (a forma é apenas um acréscimo). Mulher gorda, mulher magra...o que vale é ter personalidade e algo a oferecer. Mulher que sai pra jantar e vive de dieta, mulher que vive reclamando do peso e da calça apertada...bem, esse tipo de mulher acaba cansando (já ouvi isso de vários homens, juro por Deus).

Homem que presta  - porque de cafajeste e homen machista eu passo longe - gosta mesmo é de mulher inteligente, independente e de preferência, com senso de humor. E agora vou falar (já que hoje estou mesmo com a macaca): por essas e outras que eu prefiro os homens europeus.


PS.  Este não é um post light nem muito menos bonitinho...mas é a minha realidade diária. Me desculpem se incomodei alguém. E não, não estou de TPM, eu sou chata mesmo.

14 comentários:

Anita disse...

Dá a impressão que as mulheres brasileiras (ao menos as de classe media, media alta) são obcecadas por magreza porque elas falam muito a respeito. A sociedade é muito aberta, todo mundo muito comunicativo. Aqui, conheço várias holandesas que comem pouquíssimo e jamais mencionaram porque querem tornar-se ou ser magra. Na academia de ginática também ninguém nunca fala sobre isso no bar ou na recepção. Uma coach me contou que ninguém menciona isso na ficha de inscriçãocomo razão para matricular-se numa academia. Nem mesmo os homens. Dizer "dieta", "regime" é tabu por aqui. Eles dizem: eu gosto de comer pouquinho / saudável / não gosto de encher meu prato. Já percebeu ? Nesse aspecto eu acho os holandeses bem equilibrados. Por isso que a Sonia Bakker fez tanto sucesso: ela recomenda no livro todos os produtos que os holandeses gostam de comer e ela própria jamais menciona "dieta" ou "regime" nas entrevistas.

Leticiabon disse...

Essa situação é mesmo complicada. Eu sou dessas totalmente neurótica com peso e principalmente porque engordei em um episódio de seis meses de depressão. Depois disso, perdi o peso e fiquei louca mesmo com isso. Talvez porque more no Brasil? Sim, pode ser. Não tenho namorado no momento, mas também nunca ninguém reclamou dessa minha neurose (até porque muitos deles são também e não gosto de homens que não se cuidam, nesse caso, quem escolhe sou eu, enquanto dá). Usar referência de "homem gosta ou não" é falha porque não acho que que mulher nenhuma deva relaxar com peso por ser até uma questão de (baixa)auto-estima. Não há solução, é como dizer que sabe fazer tal coisa mas o diploma é requerido, entende? Quero ver mesmo é uma mulher acima do peso e solteira (sem marido ou namorado) dizer que não se importa com isso. Me preocupo com peso, me preocupo se vou ter ou não namorado e assumo que sou escrava de todas essas coisas(além de ser escrava de atividades físicas e neurótica com alimentação saudável). Mas sei das minhas infelicidades. Infelicidade, cada uma com a sua.

Line disse...

Não concordo com as suas ideias, do jeito que você as colocou deu a entender que preocupação com o peso é coisa de gente fútil e burra. Manter o peso é acima de tudo uma questão de zelo com a saúde, e não de estética.

Preocupação com peso deve começar desde os primeiros kg engordados, e não depois que engorda-se 20Kg.

Eu tinha manequim 34, sempre fui extremamente magra. Recentemente engordei 10Kg e me preocupo com meu peso, como saladas e me exercito regularmente. Hoje peso 58Kg, quero chegar aos 55Kg pra voltar a me sentir bem. Não tenho vergonha e nem me sinto culpada em dizer que não gosto do que eu vejo hoje quando me olho no espelho, não gosto de ter me tornado menos flexível na aula de yoga,por exemplo, de ficar com os braços tremendo toda vez que preciso equilibrar parte do meu peso nos meus braços. Pretendo engravidar e não quero engravidar estando acima do meu peso.

Meu pai era gordo, e morreu disso. Meu irmão pesa mais de 130Kg, minha sobrinha com 11 anos está enorme de gorda. Eu não quero ficar igual a eles.

Concordo com a Anita, aqui fala-se muito sobre comer de forma "gezond", mas tô cansada de ver meninas esqueléticas andando por aí.

Fiquei supresa desta última vez que fui ao Brasil, e vi tanta mulher/homem gordo e barrigudo na praia. Um outro amigo foi este ano e também teve a mesma impressão.

As meninas mais esbeltas eram as gringas com os biquinis estilo "sacolão", enquanto tinha muita brasileira bastante fora de forma se achando a gostosona de fio dental. Um belo contraste. Acho que você vai se surpreender quando for ao Brasil.

Maria Valéria disse...

Falamos sobre isso aí,ne?? Meu manequim ideal é 42, sempre foi. não tenho estrutura óssea( quadRil muito largo, herança genética da minha mãe) pra caber numa calça menor.Eu, mãe,e irmã temos o mesmo corpo( salvo as diferenças de altura entre as três, o formato do corpo é o mesmo).somos as famosas falsas magras.
Demorei muiiito a aceitar o meu corpo do jeito que ele é, justamente por causa dessa imposição e obsessão pela magreza excessiva.
Assino embaixo de tudo o que vc disse. Pra provar que vc está certa, aqui vai mais um depoimento: ano 2009, quando dei minha ' virada' afetiva( para melhor) eu tinha engordado oito quilos.meu manequim havia passado pra 44, meu IMC estava 24.6( limite do saudavel, que é até 25). pois bem: nessa fase eu me sentia linda, feminina, admirada. mais do que em qualquer outra fase da vida... e por que será??? porque não fiquei fazendo disso uma neura nem fiquei falando com ele sobre dieta cada vez que o encontrava, simplesmente relaxava e era eu mesma.comia com ele pizza, sushi com cream chesse, churrasco, etc... e de boa, sem reclamar nem contar calorias.
Claro que passar de 42 pra 44 não me agradou, não só por estética( fico esquisita, deselegante), mas por saúde. venho de um familia de diabéticos, não se esqueça.naquele ano, consegui perder alguns quilos, e esse ano voltei ao normal pq torci o pé e fiquei triste na época, imobilizada, perdi o apetite.,..( o tipo de regime que naõ desejo pra ninguem)
Vou terminar esse comentario citando o que uma amiga minha disse e que achei lindo" o que segura uma relação não é beleza nem inteligencia, mas sim a sua alegria, a sua capacidade de transformar um dia cansativo competitivo cotidiano com risadas e leveza". Nossa, assino embaixo e vivi isso na pele.
To muito feliz com meu manequim 42, abaixo a ditadura da calça 38.viva o prazer de devorar um chocolate sem culpa. e tenho dito:)))

Beth Blue disse...

Line,
Não concordo com as suas ideias, do jeito que você as colocou deu a entender que preocupação com o peso é coisa de gente fútil e burra.

Tá, mea culpa. Aacho que fui um pouco radical nas minhas palavras porque eu sou assim mesmo: passional (e quando solto o verbo ninguém me segura).

Eu não acho que preocupação com peso é coisa de gente fútil e burra (eu estou preocupada com o meu e com razão). Eu me referi mais aquelas mulheres que tem obsessão com peso (o que é bem diferente de uma preocupação saudável). Mulheres cujo único objetivo na vida parece ser (por favor me corrijam se estou errada) caber num modelinho 38. Mulheres que acham que para ser feliz é preciso ser magra...

Eu mesma já fui magra e gorda, e acho que a gente pode ser infeliz e feliz em ambos os casos.

Beth Blue disse...

Para Line e Anita,

Concordo com a Anita, aqui fala-se muito sobre comer de forma "gezond", mas tô cansada de ver meninas esqueléticas andando por aí.

Estranho, aqui em Amsterdã eu vejo mais gordinhas (e gordas) do que meninas magras...Magrelas como as que via no Rio, vejo pouquíssimas...

Por falar em Rio, estou me preparando psicologicamente para a viagem (este post talvez seja um reflexo desta preparação)...

Pri S. disse...

Onde assino? rsrsrs

Sim, Beth, quando vc vier ao Rio vai encontrar zilhões de mulheres magrinhas e obcecadas com a magreza. Principalmente na Zona Sul. Porque o interior do RJ não é assim, não... Tem muita gente mais "normalzona". O que eu quero dizer com isso?

Primeiro, que acho que é a prioridade (e a imposição) de quem vive o "estilo praia de ser". Talvez o local favoreça esse tipo de pensamento, sei-lá...

Mas acho que a preocupação com a magreza é um fenômeno atual que não se circunscreve numa região geográfica.

As pessoas ficam possessas da vida quando criticamos essa onda de magreza excessiva porque elas radicalizam e já acham que estamos fazendo apologia à gordura. Associam o fato do "não ser magra" com um descaso e um descuido da saúde. Como se magro nunca ficasse doente, não tivesse colesterol alterado, não morresse exatamente como qualquer gordo.

Ninguém está defendendo a obesidade mórbida, gente! Ninguém é burro, né? Como tb ninguém defende esse bando de meninas que fazem da anorexia e da bulimia um "estilo de vida" que mata muito mais rápido e causa consequências tão devastadoras quanto à obesidade. Não radicalizemos, please. São 2 extremos, são situações patológicas.

A questão é definir o que é "gordo". E hoje em dia, vc tem toda razão e assino embaixo, o bonitinho é ter ossos aparecendo e usar 38. Isso é lindo se o biotipo da pessoa for aquele. Mas brasileira com biotipo "seco", sem bunda, sem peito, sem coxão, não é a regra.

Então a encrenca está no fato de que cada vez as pessoas ficam mais distantes do que é uma mulher real, porque essa busca insana da magreza recusa a variedade de biotipos, condena as nossas diferenças em relação à metabolismo, doenças que se relacionem à dificuldade em manter peso, características psicológicas que interfiram na forma como lidamos com a comida...

O estereótipo fica na questão de que todo gordo é safado, indisciplinado, irresponsável com a própria saúde e não se esforça o suficiente pra ser "saudável". Ninguém contextualiza nada. Apenas seguimos fazendo a manutenção dessa ideia de que se não vestir 38, vc está fora dos padrões. E isso é extremamente prejudicial porque detona a autoestima sem dó.

Cuidar da forma física é extremamente fútil, sim, quando esse comportamento passa de uma preocupação natural a uma tortura que sirva para dizer o lugar que vc ocupa no mundo, detonando sua autoestima e te fazendo viver só pra isso.

Falei muito porque me identifico total com seu relato. E porque as pessoas não percebem o estrago que é feito com as gerações mais novinhas, que crescem ouvindo absurdos que vão interferir na sua formação e desenvolvimento da autoestima.

Bjos!

Beth Blue disse...

Pri, pra variar você acabou descrevendo a situação melhor do que eu! É isso mesmo, a ditadura da magreza é tão inserida na cultura brasileira que se a gente faz alguma crítica já acham que a gente é que tá exagerando!!!

Pior, tem gente que ainda acha que gordura é desleixo (eu garanto que não é o meu caso). O que cai na mesma categoria daquelas pessoas que acham que depressão é frescura...

Eve disse...

Oi Beth, entendi seu ponto de vista, e espero que vc tenha entendido o meu que coloquei TPM, crise e crítica no mesmo texto (acho que atá no mesmo parágrafo). hehehehehe
E sei tb que vc nao direcionou pra mim, como colocou lá no blog (todo mundo correndo pra ler o meu blog em 3, 2, 1...rsrs). So deixa eu ressaltar que meu problema nao é "a ditadura da magreza", pois tenho até me sentido "gostosa" com meu peso. A questão é, como escrevi no texto tb, que os 2,5kg são um alerta pra mim. Se eu continuasse com os hábitos, talvez em alguns meses escreveria 10 ou 20kg ao invés de 2,5. ;)

Bjs!

P.S. nao esqueci meu marca-página. heheheh

Ana disse...

Concordo com vc. Mas posso dizer que, aqui no Brasil pelo menos, é dificilimo arrumar namorado estando gorda. Eu sei porque estou gorda, 30 quilos acima do que deveria. sempre fui magra, me acho bonita, mas por diversas causas aumentei de peso exageradamente. E o que acontece? Ninguem mais olha pra mim. É fato.
E, querendo ou não, os homens são atraidos em primeiro lugar pela aparencia fisica. Assim como nos. Depois é que, dando a chance de nos conhecer, vão ver que somos legais, inteligentes, etc etc. Num primeiro momento, se vc não conhece a pessoa, é a aparencia que conta sim.
Quero emagrecer, mas sem pretensoes de usar 38. Se chegar no 42 ja me dou por satisfeita.

Dama de Cinzas disse...

Eu ri lendo seu post, porque acho que iria ficar bem incomodada comigo. Porque sou psicótica com esse lance de engordar. Qualquer 1 kg e já me sinto uma mulher imensa de gorda. É algo que reconheço doentio, bem mais forte que eu. Preciso estar nos meus 69 kg, caso contrário só penso em emagrecer, claro que penso junto com outras coisas, mas penso... rs

Queria tanto ser diferente, porque isso me faz sofrer.

Beijocas

Anônimo disse...

Beth,
Lendo sua postagem, lembrei-me deste link:
http://aqueladeborah.wordpress.com/2011/01/28/defletindo-ataques-gordofobicos/
Bjs,
Gi

Palavras Vagabundas disse...

Beth,
acho manequim 42 ideal, fui durante anos, hoje estou entre o 44 e o 46, me gosto assim, uns 7/10 kgs a mais, mas não quero passar disso e é por causa de saúde. Acho um horror a ditadura da magreza, principalmente entre adolescentes.
Quando você chega ao Rio?
bjs
Jussara

Angela disse...

Adorei seu post! Uso 44 e também acredito que o tamanho 42 está de bom tamanho. Marido me aceita e deseja que eu fique em um peso que não faça mal para a minha saúde. O que ele gosta é da minha personalidade e do meu senso de humor. Beijos!

Tecnologia do Blogger.

Mania de magreza

WARNING: READ AT YOUR OWN RISK.


Hoje eu preciso contar uma coisa que me tira do sério. É esta obsessão por magreza das mulheres brasileiras...sinceramente, eu sempre fico chocada quando vejo mulher magra reclamando que engordou uns quilinhos. E dá-lhe dieta, malhação, guaraná diet e por ai vai...

Como se ser magra fosse a coisa mais importante da vida. Como se a gente só pudesse ser feliz num manequim 38 (ou 36 que pra mim é manequim infantil, tá?). Eu falo isso porque já tenho idade (e estrada) suficiente pra saber distinguir o que é frescura e o que é excesso de peso. Eu mesma estou ao menos 30 kilos acima do meu peso ideal, e nunca comento meu peso aqui mas desta vez farei uma exceção. Caros amigos, eu passei dos 100kgs e nunca pesei tanto na minha vida. Foram 17 anos de Holanda, 1 gravidez e 2 depressões que quase me derrubarram. Resultado: engordei mais de 30 kilos desde que cheguei feliz da vida na Holanda com meu manequim 42.

Manequeim 42 sim porque felizmente - ao contrário de muitas mulheres brasileiras que vivem obcecadas com aqueles corpos magérrimos das revistas de moda - eu sempre achei 42 o manequim ideal! Por concidência, foi feita uma pesquisa aqui entre as mulheres holandesas e a conclusão a que chegaram é que a mulher (daqui) se considera a mais feliz vestindo manequim 42...nem 38, nem 46 mas 42 gente! E eu assino embaixo.

Mas não se iludam, (claro que ) não estou feliz com meu peso - e tenho razões para não estar. Tenho vivido há anos uma batalha com meu excesso de peso. Dois fatores que afetam diretamente os números na balança são a ansiedade (eu como quando estou ansiosa) e a depressão (eu como quando estou deprimida, como a maiora das mulheres, diga-se de passagem...são poucas as que emagrecem). Já tinha conseguido perder uns 13 kilos dois anos atrás, voltei a usar jeans 46 e estava super animada...foi então que tive uma hérnia de disco que me deixou de repouso por meses. Perdi o pique e dai em diante comecei a engordar tudo de novo.


Então o que me tira do sério é ver gente magra que reclama porque engordou uns quilinhos! Sem querer ser chata (e já sendo), eu acho que as mulheres deviam desencanar e aprender a colocar mais energia nas coisas mais importantes da vida. Se a meta principal da sua vida é ser magra...bem, deixa pra lá (boca fechada não entra mosca).

E pra quem leu até aqui, eu digo mais...Conheço um monte de mulher magra sem namorado no Brasil. E por quê? Tirando o fato óbvio de que a maioria dos homens brasileiros não parece mesmo estar a fim de compromisso sério, elas talvez estejam tão obcecadas com a aparência que esquecem de cuidar daquela beleza interior que faz toda a diferença. Como diz um velho e sábio ditado, beleza não põe mesa. E não põe mesmo, digo isso por experiência própria. Eu tenho um namorado que me ama (apesar do meu peso) e que quer sim que eu emagreça não pra ele mas pra mim - por questões de saúde mais do que questões estéticas. E semana que vem iremos comemorar 4 anos de namoro. Sim, amigos, as gordas também amam (e são amadas).

Podem acreditar: é preciso muito mais do que um corpinho enxuto pra se manter um relacionamento. Porque no final das contas, homem que é homem de verdade gosta mesmo é de conteúdo (a forma é apenas um acréscimo). Mulher gorda, mulher magra...o que vale é ter personalidade e algo a oferecer. Mulher que sai pra jantar e vive de dieta, mulher que vive reclamando do peso e da calça apertada...bem, esse tipo de mulher acaba cansando (já ouvi isso de vários homens, juro por Deus).

Homem que presta  - porque de cafajeste e homen machista eu passo longe - gosta mesmo é de mulher inteligente, independente e de preferência, com senso de humor. E agora vou falar (já que hoje estou mesmo com a macaca): por essas e outras que eu prefiro os homens europeus.


PS.  Este não é um post light nem muito menos bonitinho...mas é a minha realidade diária. Me desculpem se incomodei alguém. E não, não estou de TPM, eu sou chata mesmo.

14 comentários:

Anita disse...

Dá a impressão que as mulheres brasileiras (ao menos as de classe media, media alta) são obcecadas por magreza porque elas falam muito a respeito. A sociedade é muito aberta, todo mundo muito comunicativo. Aqui, conheço várias holandesas que comem pouquíssimo e jamais mencionaram porque querem tornar-se ou ser magra. Na academia de ginática também ninguém nunca fala sobre isso no bar ou na recepção. Uma coach me contou que ninguém menciona isso na ficha de inscriçãocomo razão para matricular-se numa academia. Nem mesmo os homens. Dizer "dieta", "regime" é tabu por aqui. Eles dizem: eu gosto de comer pouquinho / saudável / não gosto de encher meu prato. Já percebeu ? Nesse aspecto eu acho os holandeses bem equilibrados. Por isso que a Sonia Bakker fez tanto sucesso: ela recomenda no livro todos os produtos que os holandeses gostam de comer e ela própria jamais menciona "dieta" ou "regime" nas entrevistas.

Leticiabon disse...

Essa situação é mesmo complicada. Eu sou dessas totalmente neurótica com peso e principalmente porque engordei em um episódio de seis meses de depressão. Depois disso, perdi o peso e fiquei louca mesmo com isso. Talvez porque more no Brasil? Sim, pode ser. Não tenho namorado no momento, mas também nunca ninguém reclamou dessa minha neurose (até porque muitos deles são também e não gosto de homens que não se cuidam, nesse caso, quem escolhe sou eu, enquanto dá). Usar referência de "homem gosta ou não" é falha porque não acho que que mulher nenhuma deva relaxar com peso por ser até uma questão de (baixa)auto-estima. Não há solução, é como dizer que sabe fazer tal coisa mas o diploma é requerido, entende? Quero ver mesmo é uma mulher acima do peso e solteira (sem marido ou namorado) dizer que não se importa com isso. Me preocupo com peso, me preocupo se vou ter ou não namorado e assumo que sou escrava de todas essas coisas(além de ser escrava de atividades físicas e neurótica com alimentação saudável). Mas sei das minhas infelicidades. Infelicidade, cada uma com a sua.

Line disse...

Não concordo com as suas ideias, do jeito que você as colocou deu a entender que preocupação com o peso é coisa de gente fútil e burra. Manter o peso é acima de tudo uma questão de zelo com a saúde, e não de estética.

Preocupação com peso deve começar desde os primeiros kg engordados, e não depois que engorda-se 20Kg.

Eu tinha manequim 34, sempre fui extremamente magra. Recentemente engordei 10Kg e me preocupo com meu peso, como saladas e me exercito regularmente. Hoje peso 58Kg, quero chegar aos 55Kg pra voltar a me sentir bem. Não tenho vergonha e nem me sinto culpada em dizer que não gosto do que eu vejo hoje quando me olho no espelho, não gosto de ter me tornado menos flexível na aula de yoga,por exemplo, de ficar com os braços tremendo toda vez que preciso equilibrar parte do meu peso nos meus braços. Pretendo engravidar e não quero engravidar estando acima do meu peso.

Meu pai era gordo, e morreu disso. Meu irmão pesa mais de 130Kg, minha sobrinha com 11 anos está enorme de gorda. Eu não quero ficar igual a eles.

Concordo com a Anita, aqui fala-se muito sobre comer de forma "gezond", mas tô cansada de ver meninas esqueléticas andando por aí.

Fiquei supresa desta última vez que fui ao Brasil, e vi tanta mulher/homem gordo e barrigudo na praia. Um outro amigo foi este ano e também teve a mesma impressão.

As meninas mais esbeltas eram as gringas com os biquinis estilo "sacolão", enquanto tinha muita brasileira bastante fora de forma se achando a gostosona de fio dental. Um belo contraste. Acho que você vai se surpreender quando for ao Brasil.

Maria Valéria disse...

Falamos sobre isso aí,ne?? Meu manequim ideal é 42, sempre foi. não tenho estrutura óssea( quadRil muito largo, herança genética da minha mãe) pra caber numa calça menor.Eu, mãe,e irmã temos o mesmo corpo( salvo as diferenças de altura entre as três, o formato do corpo é o mesmo).somos as famosas falsas magras.
Demorei muiiito a aceitar o meu corpo do jeito que ele é, justamente por causa dessa imposição e obsessão pela magreza excessiva.
Assino embaixo de tudo o que vc disse. Pra provar que vc está certa, aqui vai mais um depoimento: ano 2009, quando dei minha ' virada' afetiva( para melhor) eu tinha engordado oito quilos.meu manequim havia passado pra 44, meu IMC estava 24.6( limite do saudavel, que é até 25). pois bem: nessa fase eu me sentia linda, feminina, admirada. mais do que em qualquer outra fase da vida... e por que será??? porque não fiquei fazendo disso uma neura nem fiquei falando com ele sobre dieta cada vez que o encontrava, simplesmente relaxava e era eu mesma.comia com ele pizza, sushi com cream chesse, churrasco, etc... e de boa, sem reclamar nem contar calorias.
Claro que passar de 42 pra 44 não me agradou, não só por estética( fico esquisita, deselegante), mas por saúde. venho de um familia de diabéticos, não se esqueça.naquele ano, consegui perder alguns quilos, e esse ano voltei ao normal pq torci o pé e fiquei triste na época, imobilizada, perdi o apetite.,..( o tipo de regime que naõ desejo pra ninguem)
Vou terminar esse comentario citando o que uma amiga minha disse e que achei lindo" o que segura uma relação não é beleza nem inteligencia, mas sim a sua alegria, a sua capacidade de transformar um dia cansativo competitivo cotidiano com risadas e leveza". Nossa, assino embaixo e vivi isso na pele.
To muito feliz com meu manequim 42, abaixo a ditadura da calça 38.viva o prazer de devorar um chocolate sem culpa. e tenho dito:)))

Beth Blue disse...

Line,
Não concordo com as suas ideias, do jeito que você as colocou deu a entender que preocupação com o peso é coisa de gente fútil e burra.

Tá, mea culpa. Aacho que fui um pouco radical nas minhas palavras porque eu sou assim mesmo: passional (e quando solto o verbo ninguém me segura).

Eu não acho que preocupação com peso é coisa de gente fútil e burra (eu estou preocupada com o meu e com razão). Eu me referi mais aquelas mulheres que tem obsessão com peso (o que é bem diferente de uma preocupação saudável). Mulheres cujo único objetivo na vida parece ser (por favor me corrijam se estou errada) caber num modelinho 38. Mulheres que acham que para ser feliz é preciso ser magra...

Eu mesma já fui magra e gorda, e acho que a gente pode ser infeliz e feliz em ambos os casos.

Beth Blue disse...

Para Line e Anita,

Concordo com a Anita, aqui fala-se muito sobre comer de forma "gezond", mas tô cansada de ver meninas esqueléticas andando por aí.

Estranho, aqui em Amsterdã eu vejo mais gordinhas (e gordas) do que meninas magras...Magrelas como as que via no Rio, vejo pouquíssimas...

Por falar em Rio, estou me preparando psicologicamente para a viagem (este post talvez seja um reflexo desta preparação)...

Pri S. disse...

Onde assino? rsrsrs

Sim, Beth, quando vc vier ao Rio vai encontrar zilhões de mulheres magrinhas e obcecadas com a magreza. Principalmente na Zona Sul. Porque o interior do RJ não é assim, não... Tem muita gente mais "normalzona". O que eu quero dizer com isso?

Primeiro, que acho que é a prioridade (e a imposição) de quem vive o "estilo praia de ser". Talvez o local favoreça esse tipo de pensamento, sei-lá...

Mas acho que a preocupação com a magreza é um fenômeno atual que não se circunscreve numa região geográfica.

As pessoas ficam possessas da vida quando criticamos essa onda de magreza excessiva porque elas radicalizam e já acham que estamos fazendo apologia à gordura. Associam o fato do "não ser magra" com um descaso e um descuido da saúde. Como se magro nunca ficasse doente, não tivesse colesterol alterado, não morresse exatamente como qualquer gordo.

Ninguém está defendendo a obesidade mórbida, gente! Ninguém é burro, né? Como tb ninguém defende esse bando de meninas que fazem da anorexia e da bulimia um "estilo de vida" que mata muito mais rápido e causa consequências tão devastadoras quanto à obesidade. Não radicalizemos, please. São 2 extremos, são situações patológicas.

A questão é definir o que é "gordo". E hoje em dia, vc tem toda razão e assino embaixo, o bonitinho é ter ossos aparecendo e usar 38. Isso é lindo se o biotipo da pessoa for aquele. Mas brasileira com biotipo "seco", sem bunda, sem peito, sem coxão, não é a regra.

Então a encrenca está no fato de que cada vez as pessoas ficam mais distantes do que é uma mulher real, porque essa busca insana da magreza recusa a variedade de biotipos, condena as nossas diferenças em relação à metabolismo, doenças que se relacionem à dificuldade em manter peso, características psicológicas que interfiram na forma como lidamos com a comida...

O estereótipo fica na questão de que todo gordo é safado, indisciplinado, irresponsável com a própria saúde e não se esforça o suficiente pra ser "saudável". Ninguém contextualiza nada. Apenas seguimos fazendo a manutenção dessa ideia de que se não vestir 38, vc está fora dos padrões. E isso é extremamente prejudicial porque detona a autoestima sem dó.

Cuidar da forma física é extremamente fútil, sim, quando esse comportamento passa de uma preocupação natural a uma tortura que sirva para dizer o lugar que vc ocupa no mundo, detonando sua autoestima e te fazendo viver só pra isso.

Falei muito porque me identifico total com seu relato. E porque as pessoas não percebem o estrago que é feito com as gerações mais novinhas, que crescem ouvindo absurdos que vão interferir na sua formação e desenvolvimento da autoestima.

Bjos!

Beth Blue disse...

Pri, pra variar você acabou descrevendo a situação melhor do que eu! É isso mesmo, a ditadura da magreza é tão inserida na cultura brasileira que se a gente faz alguma crítica já acham que a gente é que tá exagerando!!!

Pior, tem gente que ainda acha que gordura é desleixo (eu garanto que não é o meu caso). O que cai na mesma categoria daquelas pessoas que acham que depressão é frescura...

Eve disse...

Oi Beth, entendi seu ponto de vista, e espero que vc tenha entendido o meu que coloquei TPM, crise e crítica no mesmo texto (acho que atá no mesmo parágrafo). hehehehehe
E sei tb que vc nao direcionou pra mim, como colocou lá no blog (todo mundo correndo pra ler o meu blog em 3, 2, 1...rsrs). So deixa eu ressaltar que meu problema nao é "a ditadura da magreza", pois tenho até me sentido "gostosa" com meu peso. A questão é, como escrevi no texto tb, que os 2,5kg são um alerta pra mim. Se eu continuasse com os hábitos, talvez em alguns meses escreveria 10 ou 20kg ao invés de 2,5. ;)

Bjs!

P.S. nao esqueci meu marca-página. heheheh

Ana disse...

Concordo com vc. Mas posso dizer que, aqui no Brasil pelo menos, é dificilimo arrumar namorado estando gorda. Eu sei porque estou gorda, 30 quilos acima do que deveria. sempre fui magra, me acho bonita, mas por diversas causas aumentei de peso exageradamente. E o que acontece? Ninguem mais olha pra mim. É fato.
E, querendo ou não, os homens são atraidos em primeiro lugar pela aparencia fisica. Assim como nos. Depois é que, dando a chance de nos conhecer, vão ver que somos legais, inteligentes, etc etc. Num primeiro momento, se vc não conhece a pessoa, é a aparencia que conta sim.
Quero emagrecer, mas sem pretensoes de usar 38. Se chegar no 42 ja me dou por satisfeita.

Dama de Cinzas disse...

Eu ri lendo seu post, porque acho que iria ficar bem incomodada comigo. Porque sou psicótica com esse lance de engordar. Qualquer 1 kg e já me sinto uma mulher imensa de gorda. É algo que reconheço doentio, bem mais forte que eu. Preciso estar nos meus 69 kg, caso contrário só penso em emagrecer, claro que penso junto com outras coisas, mas penso... rs

Queria tanto ser diferente, porque isso me faz sofrer.

Beijocas

Anônimo disse...

Beth,
Lendo sua postagem, lembrei-me deste link:
http://aqueladeborah.wordpress.com/2011/01/28/defletindo-ataques-gordofobicos/
Bjs,
Gi

Palavras Vagabundas disse...

Beth,
acho manequim 42 ideal, fui durante anos, hoje estou entre o 44 e o 46, me gosto assim, uns 7/10 kgs a mais, mas não quero passar disso e é por causa de saúde. Acho um horror a ditadura da magreza, principalmente entre adolescentes.
Quando você chega ao Rio?
bjs
Jussara

Angela disse...

Adorei seu post! Uso 44 e também acredito que o tamanho 42 está de bom tamanho. Marido me aceita e deseja que eu fique em um peso que não faça mal para a minha saúde. O que ele gosta é da minha personalidade e do meu senso de humor. Beijos!