sábado, março 10, 2012

Criando filhos: mães holandesas x mães marroquinas

O post anterior sobre segregação na Holanda foi um grande sucesso por aqui. E como eu não somente moro há 17 anos na Holanda, como moro num bairro de imigrantes e trabalho com imigrantes, decidi continuar no mesmo tópico. Afinal, posso dizer sem falsa modéstia que entendo do assunto.

Vou contar agora o outro lado da segregação porque obviamente, toda estória tem duas versões. Sim, os holandeses segregam (e muito) e multicultural só mesmo no nome. O holandês típico adora frequentar festivais e restaurantes exóticos mas não quer vizinhos estrangeiros, não...sei por experiência própria. Quando mudei-me há 11 anos para o meu bairro, ainda haviam alguns vizinhos holandeses por aqui, eu diria que cerca de 30% dos moradores. Hoje em dia, o bairro é tipicamente de imigrantes, 90% vem da África (inclusive Marrocos). Além de muitos imigrantes do Suriname e das Antilhas Holandesas (ex-colônias, pra quem não conhece a história da Holanda). Se eu gosto de morar aqui? Claro que não! Não porque eu seja racista (não sou, senão não trabalharia com tanto prazer com imigrantes). O que eu não gosto é da formação de guetos como tem acontecido nas principais cidades européias (e como contei no post anterior).

Mas entendam bem: eu não me incomodo nem um pouco de morar em um bairro multicultural - desde que entre eles também estejam holandeses! Diga-se de passagem, eu nem gostaria de morar num bairro só de holandeses, onde a única estrangeira sou eu. Não gosto nem me sinto à vontade. E digo mais, morreria de tédio se morasse em uma dessas cidadezinhas de interior. A única cidade em morei na Holanda desde que cheguei aqui (e onde continuo morando) foi Amsterdã! O que eu queria mesmo era um bairro onde todos se misturam e convivem harmoniosamente. Infelizmente, este bairro não existe! Ou se existe, está cada vez mais difícil de encontrar.

Mas o assunto deste post é a criação de filhos...Vou tomar como exemplo as mães marroquinas porque é o exemplo mais próximo (convivo diariamente com elas). Mas claro, cada cultura tem a sua maneira de criar filhos. Mesmo entre os europeus, há diferenças. Os países do norte tendem a ser mais liberais e conversam mais com as crias (nada, ou quase nada, é tabu). Já os países do sul (a começar por Portugal e Espanha) tendem a ser mais conservadores, mas acho que isso já tem mudado na nova geração.

Pra resumir uma estória muito longa, vou tentar mostrar as diferenças básicas pra dar uma idéia de como é difícil (ou quase impossível) integrar essas duas partes.




Mães holandesas 
Costumam ter filhos mais tarde (depois de completarem estudos e começar carreira). Tem em média 1 ou 2 filhos, raramente mais do que isso. O que mais tem por aqui é filho único! Elas criam os filhos com muita liberdade (até demais em alguns aspectos). E à medida em que os filhos crescem, eles passam a tomar cada vez mais parte nas decisões da família. Ao invés de serem obrigados a isso ou aquilo, tudo é discutido de igual para igual entre o adulto e a criança.

Nas cidades (como Amsterdã, Roterdã e Haia), os pais levam as crianças ao cinema e ao teatro. Eu costumo ir na biblioteca central (a maior da cidade) e sempre me chateio quando só vejo crianças louras por lá. Por que me chateio? Oras, porque os livros são de graça pra quem quiser ler mas a maioria dos pais marroquinos ou turcos nunca vai à biblioteca (e tem em todos os bairros). Um desperdíçio, se quiserem saber o que eu penso. E pior, são justamente as crianças que precisam mais...No Museu de Ciência (NEMO), onde meu filho já foi várias vezes, também só vejo crianças louras...As outras só vão mesmo a museu se tiver excursão da escola!

Mães marroquinas
Costumam ter no mínimo 4 filhos, como manda a tradição. A maioria dos imigrantes que moram aqui tem nível de instrução baixo, sendo que o principal objetivo de suas vidas é cuidar de sua família (nada de errado nisso, certo?). Elas se contentam em passar a vida inteira dentro de casa criando filhos, cozinhando e cuidando do lar. Claro que existe uma minoria (e é minoria mesmo, pelo que andei lendo) que decide que quer algo diferente. Que decide ir pra universidade estudar antes de ter filhos...Essas rejeitam o sistema tradicional e acabam tendo menos filhos...

A maior preocupação das mães marroquinas é que as crianças estejam bem alimentadas e bem vestidas. Esporte também é importante e todos os meninos do meu bairro (TODOS) estão na escolinha de futebol, onde começam cedo. É o esporte tradicional dos meninos marroquinos...os holandeses fazem de tudo: natação, basketball ou mesmo kungfu (como o meu filho). Diga-se de passagem, aqui no meu bairro as crianças vivem na rua, é só não estar chovendo. No verão, a rua enche de neguinho jogando futebol (me sinto no Brasil, rsrsrs). Infelizmente, nunca tem um pai ou mãe pra supervisionar a bagunça...O palavreado é pobre (nem vou falar dos palavrões) e brigas ocorrem regularmente. Porque a sociedade marroquina é machista e os meninos aprendem isso desde cedo. Eles nem sequer respeitam as mães (o que já presenciei várias vezes).

Famílias marroquinas não tem grana pra levar os filhos ao cinema ou ao teatro (a mãe não trabalha e ainda por cima eles tem a casa cheia de crianças). E nem se preocupam em levar os filhos na biblioteca. Eu até conheço uma que leva...pra pegar filmes e games emprestados!

As crianças holandesas, além de serem alimentadas e vestidas (lembram dos direitos universais da criança?) recebem ainda algo que a maioria dos filhos de imigrantes - e não me refiro apenas aos marroquinos - não recebe: estímulos intelectuais. Dizendo assim alguns talvez me chamem de "esnobe". Mas é a pura verdade! E como não poderia deixar de ser, seu rendimento escolar em geral é muito superior ao dos filhos de imigrantes...que pra início de conversa, só falam árabe em casa. Não, eu não acho que os imigrantes deviam sr obrigados a falar em holandês com os filhos (não sou idiota). Mas muitos nem sequer falam a língua e moram aqui há muito mais tempo do que eu. Tenho alunas (e não apenas marroquinas mas muitas turcas) que moram há 20 anos na Holanda e mal conseguem falar uma frase em holandês! Elas usam os filhos como intérpretes em consultórios médicos e em conversas com a professora na escola. Um desastre, na minha opinião.




Moral da estória
E este é o outro lado da segregação nas escolas. Não porque os pais holandeses não queiram que suas crianças brinquem com as outras mas porque é (mais do que) sabido que escolas com muitos filhos de imigrantes (as zwarte scholen do post anterior) são escolas fracas, onde o rendimento escolar deixa muito a desejar! Então, prezando o futuro de seus filhos (o que eu entendo perfeitamente), eles acabam matriculando os filhos nas escolas brancas. Como mãe, é difícil eu culpá-los pela escolha, né?

15 comentários:

Marcia disse...

Muito bom o post, mas eu já vi coisas um pouco diferentes. Saindo da Randstad, vi muita mulherada holandesa com 3, 4 filhos. Muitas também se dedicam ao lar, ou tem um emprego de meio período. E nem sempre são pobres, muitas simplesmente queriam uma prole grande. E sim, as crianças podem receber mais estímulos intelectuais nas famílias holandesas, mas por quê então assistem tanto lixo na TV? Até a TV belga tem nível melhor, tem um canal aí que eu adoro, acho que o nome é Canvas? E é triste que os marroquinos se comportem assim, mas infelizmente também vejo muito do comportamento deles no Brasil, embora as mulheres nao sejam tão submissas. Segregar e discriminar não é a solução. E eu aqui em Berlim moro num bairro turco, e quero sair pelo mesmo motivo que você citou, não é preconceito, quero apenas um equilíbrio melhor nos habitantes. bjs

Rosa Lopes disse...

É difícil para mim entender uma comparação quando algum aspecto não se cruza, econômico ou nivel educacional ou cultural. Comparar entre culturas diferentes com nenhum ponto em comum, apenas o país onde vivem, não funciona seja onde for.
Em Paris vivi num bairro de predominância árabe, aqui de negros, nunca numa porcentagem tão alta quanto o seu bairro, mas o suficiente para influenciar o funcionamento da área.
Entendo que o fator cultural seja bem mais forte que o econômico, pq se comparo uma criança afro-americana com uma gringa, ambas de mesmo padrão socio-econômico seria bem mais provável que a branca se sobressaísse simplesmente pq um dos grupos dá menor importância a educação.
Vc levantou pontos gritantes como a língua e o baixo valor que a educação dos filhos tem no tempo da familia que são preocupantes ainda que não justifiquem as diferenças no ensino, mas essa é uma questão materna?
Um pouco confuso pra mim, afinal como estabelecer um paralelo entre duas situações tão desproporcionais, onde cultura, religião, padrão econômico, nível social e direitos civis não coincidem tendo como ponto de partida a figura da mãe?
Abraços

S. W disse...

Beth, eu trabalhei em 4 familias holandesas com au pair, sim elas tem os filhos mais tarde, mas em compensacao muitas maes holandesas adoram jogar o trabalho de educar e criar os filhos pra terceiros (especialmente au pairs, mao de obra barata), eu trabalhei pra pais que o unico contato com os filhos durante a semana era um beijinho de boa noite e levar no futebol no sabado. Fora isso havia outra coisa: isso e caro, nao da pra crianca (tipo presunto, frutas mais exoticas), nunca entendi isso de so os pais comerem e esconderem das criancas, outras questao era sairem sem as criancas, quando a au pair esta de folga eles pagam babysitters para ficar com as kids no fim de semana pra ir fazer outras atividades. Nada de errado nisso, eu so acho que se a pessoa nao quer ter tanto envolvimento com a criacao das criancas, nao tenha filhos, filho demanda atencao e carinho. Ja das maes marroquinas eu nao posso falar, nao cheguei a ter muito contato com essas familias, nao sei muito como funciona.

beijos

Beth Blue disse...

Oi Rosa,

Pois é, o assunto é bastante complexo e não dá mesmo para ser contido em um post. O que eu queria realmente dizer era como essas diferenças culturais dentro de um mesmo país ( e isso acontece em toda parte, não apenas aqui na Holanda) influenciam na segregação social.

E eu falei especificamente das mães porque, queira ou não, e por mais moderna que seja uma sociedade, elas são as principais responsáveis na hora de criar os filhos (não que isso seja justo mas é assim). Nesse ponto, há pouca diferença entre pais holandeses e marroquinos. A diferença principal é que o pai marroquino geralmente é uma figura autoritária com quem não adianta discutir, geralmente é uma figura distante que deixa a mulher criar os filhos. Já os pais holandeses são menos autoritários (claro que há exceções) e costumam conversar mais com seus filhos.

Eliana disse...

Tinha escrito aqui um pensamento todo, mas algo deu errado, mas vou tentar de novo. rs Eu tb vivo num bairro de maioria de imigrantes. Tem os holandeses, mas acho que são os que sobraram,sabe? E é cada um no seu quadrado...holandeses só conversam com holandeses, turcos com turcos, poloneses com poloneses e por aí vai.Quanto à educação do filhos pelos holandeses, tenho meus repúdios. Acho que não dá pra tratar uma criança como adulto. Acho, muitas vezes, absurdo certos comportamentos de pais para com os filhos, sem contar a falta de emoção no contato com os pequenos. Não vejo aquele carinho de mãe, nem de pai. Sinceramente, não sei nem porque este povo tem filhos. Não me espantaria se pensassem que precisam cumprir um papel social para com a sociedade e se reproduzir para a continuidade do país. Quanto aos imigrantes turcos e marroquinos, na verdade eles se isolaram tanto tentando preservar seus costumes que praticamente existem só aqui na Holanda. Uma reportagem na TV aqui mostrou toda um sociedade moderna na Turquia e Marrocos, de mulheres ativas e emancipadas e aqui na Holanda eles ainda vivem no passado. Acho que se voltassem pra seus países, não se acostumariam mais.
Por aqui vejo famílias holandesas com bastantes filhos, acho que depende muito da região. Às vezes alguém vem e me diz que eu tenho que ir para um "bairro nobre"...não sei o que tem de tão nobre morar num bairro só de holandeses? Podem ser mais bonitos...mas acho tão padronizados e politicamente "robotizados" que eu não sei, não...meio chato, viu? rs Me lembra aquele filme do Jim Carrey- The Truman Show! hahahah

Milena F. disse...

Muito interessante conhecer esse lado!!!
Aqui onde moro, em uma localizade tb nessa faixa de 90% de imigrantes (ou descendentes), tenho uma grande biblioteca e um teatro bem na frente da minha casa, ambos estão sempre lotados, mas na biblioteca a gente só vê "brancos"... Onde estão todas as outras nacionalidades que a gente vê todos os dias na rua?
No teatro, mesmo tendo preços superinteressantes para quem mora aqui, mesmo para peças muito boas e bem feitas, toda vez que vou eu contro, e entre os mais de 300 assentos (sempre completo), tem talvez no máximo 3 pessoas de origem africana e talvez umas 5 que pareçam fisicamente de origem árabe... Mulher com o véu tb nunca vi!!!
Eh realmente um outro tipo de interesse pela cultura! Não falo nem de exposiçéoes e museus, mesmo em dias gratuitos a gente praticamente não vê nenhuma diversidade... Já os asiáticos estão sempre presentes, e não falo só de turistas, falo de moradores mesmo!

Beth Blue disse...

Eliana,

Quanto ao carinho de mãe - embora esse não fosse o assunto do tópico mas já que você falou - acho que os holandeses AMAM os filhos sim! Mas por questão de hábitos culturais, mães holandesas não são tão afetuosas e expressivas como mães brasileiras.

E digo mais...nem toda mãe brasileira é afetuosa. Eu mesma sou, mas poderia ser muito mais. Ou seja, é coisa de temperamento também. Minha mãe vivia me beijando e me amassando (e eu vivia reclamando). Eu já não faço isso com meu filho. Tadinho, né?

Beth Blue disse...

Milena,

Eu já desconfiava que o quadro ai rm Paris não era muito diferente daqui não...acho que o mesmo vale para todas as grandes cidades européias com grandes contingentes de imigrantes.

Uma pena esta falta de interesse geral pela cultura. Claro que há exceções...mas são exceções né?

Depois não reclamem que o rendimento escolar das crianças holandesas é (muito) melhor. Elas são muito mais estimuladas em casa! E isso faz TODA a diferença. Sei por experiência própria.

Line disse...

Beth,

Eu nunca morei num bairro totalmente de imigrantes. Na rua onde morava era bem misturado, mas a maioria ainda era de holandeses.

Agora nos mudamos de cidade e de bairro, e moramos num bairro tipicamente holandês. Até agora não vi nenhum imigrante, mas sei que deve ter sim, pelo menos uma meia dúzia de gatos pingados.

Então, em relação à quantidade de filhos, eu discordo de você. Aqui vejo mães holandesas com pencas de filhos, todos escadinha. Às vezes carregando um bebê de colo já grávidas do segundo, ou do terceiro. Nada contra isso, muito pelo contrário, até me impressiono com a animação delas de engravidar no pós parto, rsrs.

Quanto à educação que os holandeses dão aos filhos, bom, isso pra mim é um caso à parte. Concordo com a Eliana, criança é criança, adulto é adulto. Isso não significa que a criança não possa ter sua opinião, mas também não quer dizer que a opinião da criança seja mais importante do que a dos pais.

Conheço crianças holandesas que cagam na cabeça dos pais, se é que você me entende. E os pais acham bonito. Hoje mesmo vi dois no ponto de ônibus, fumando! Olha, aqueles garotos deviam ter 12 anos, no máximo! Não é a primeira vez que vejo isso não, mas me choco toda vez que vejo. Não consigo conceber que crianças bebam e fumem assim, com o consetimento dos pais. Sim, porque não escondem, o fazem em público.

Percebo também uma falta de educação na crianças em relação a coisas bem básicas, como por exemplo, aprender a não interromper uma conversa, a não pedir as coisas gritando. Eu, pelo menos, acho isso importante, já que na vida real não se consegue nada à base do grito.

E os tais joguinhos no trem? Não vejo uma criança que não esteja com a cara enfiada num celular, enquato o pai ou a mãe fazem o mesmo no celular deles.

Line disse...

Já em relação à questão de não se interessarem pela cultura...Eles se interessam sim, mas pela cultura deles, que muitas vezes não é a nossa cultura (ocidental).

Nós, ocidentais, temos a tendência de desvalorizar a cultura do outro, de diminuir tudo que não se encaixe nos nossos padrões.

A gente acha tão triste ver uma criança africana brincando com pedacinhos de madeira, com folhas ou com outras coisas encontradas na natureza e a gente tem pena deles porque eles não têm lápis, caderno e brinquedos de plástico.
Então a gente faz campanhas e arrecada um dinheiro, vai lá e distribui tranqueiras de plástico e volta pro nosso mundinho feliz da vida por ter feito uma boa ação.

Será mesmo necessário?

Beijos!!!

Beth Blue disse...

Line,

Entendo perfeitamente quando você diz: Nós, ocidentais, temos a tendência de desvalorizar a cultura do outro, de diminuir tudo que não se encaixe nos nossos padrões.

E este é um dos 'problemas" do tal plano de integração holandês. Alguns já entenderem que é possível integrar sem que seja necessário sacrificar sua cultura. Mas muitos políticos ainda precisam aprender isso!

Sei bem disso porque trabalho com inburgering. Nenhuma cultura é melhor do que a outra mas o que eu quis explicar neste post é como a afetam a tal integração. Só isso!

E falo com base no que eu conheço, ou seja a vida nas grandes cidades. No meu caso, Amsterdã. Nunca morei numa cidade pequena na Holanda (nem quero, sou cosmopolita demais) e acredito que lá as mulheres até tenham mais filhos sim. É outro estilo de vida.

Beth Blue disse...

Line,

Concordo com você que as crianças holandesas aqui são mal-educadas...mas cá entre nós, as crianças marroquinas também são. Elas respeitam os pais dentro de casa (mais o pai do que a mãe) mas na rua o desrespeito é geral: por mulheres e por idosos, pra início de conversa. Também não tem o menor respeito pelas professoras na escola. Vejo isso na escola do meu filho, onde muitos alunos são marroquinos.

Eu acho que este desrespeito já quase uma questão de geração, em vez de cultura. Os jovens hoje em dia não respeitam muita coisa não -sejam eles holandeses, marroquinos ou qualquer outra nacionalidade...exceção talvez sejam alguns povos asiáticos (Japão e China, por ex). Mas nunca morei lá então não posso afirmar nada!

Milena F. disse...

Beth, infelizmente é uma exceção mesmo, e meu marido que trabalha em escola publica em Paris sempre comenta que os alunos que estão mais atrasados geralmente são os que têm pais que não falam francês, então como poderiam ajudar os filhos em casa nas dificuldades?
Ele fez uma exposição linda com os trabalhos de uma classe, foi em uma sala da prefeitura, com presença do prefeito e tudo, vernissage, coquetel oferedido pelo prefeito, e os pais e alunos tb foram convidados. Tinha uma menina de origem africana de quem ele estava muito orgulhoso, pois ela estava em dificuldade escolar e conseguiu chegar a um excelente resultado! Ela chega e mostra seu trabalho ao pai, que responde com o maior desprezo, na frente de todo mundo: "e é para ver isso que vc me fez vir até aqui?", ele pegou a menina puxano pelo braço e foi embora, nem cumprimentou o professor, diretor nem nada (não ficou nem 5 segundos!)
E em relação aos estranegeiros, ele nota dos asiáticos um grande esforço de adaptação e integração, além de serem muito incentivados em casa (ou cobrados!) por bons resultados escolares.

Nadja disse...

Gostei do texto, mas quero dizer que tendo morado na Holanda como au pair, e conhecendo famílias de interior que também possuiam au pairs, era demais de comum famílias de 3 a 5 filhos... Eu cuidava de três, mas minhas amigas cuidavam de 4 ou 5 irmãozinhos. E eu achava engraçado, que aprendi na escola que europeu tem poucos filhos e a maioria de meus amigos tinham muitos irmãos...

Um deles era o primogenito de 7, sim você leu certo. SETE! ok.. família tem bastante dinheiro. E essa é a grande diferença ao meu ver, as famílias de que falo são aquelas que além de ter um número maior de filhos, moram em casas boas e espaços, algumas vezes possuem cavalos e au pairs. (exemplos de coisas caras). Então não quero generalizar, mas como vc falou as holandesas com menos recursos, esperam mais tempo e tem menos filhos.

Beijos

Inaie disse...

Beth querida, vc precisa se mudar para a Nova Zelandia. Aquilo la e um lindo arco iris onde ninguem mais sabe quem veio de onde.

E os pais ( muitos que moram la ha mais de 20 anos, nao falam a lingua e usam os filhos como interpretes) vivem na sua comunidade, e tambem nao atrapalham ninguem.

Muitas trabalham, produzem, mesmo sem falar a lingua. E a segregacao ja morre com a proxima geracao que frequenta as escolas onde todo mundo vai...

Tecnologia do Blogger.

Criando filhos: mães holandesas x mães marroquinas

O post anterior sobre segregação na Holanda foi um grande sucesso por aqui. E como eu não somente moro há 17 anos na Holanda, como moro num bairro de imigrantes e trabalho com imigrantes, decidi continuar no mesmo tópico. Afinal, posso dizer sem falsa modéstia que entendo do assunto.

Vou contar agora o outro lado da segregação porque obviamente, toda estória tem duas versões. Sim, os holandeses segregam (e muito) e multicultural só mesmo no nome. O holandês típico adora frequentar festivais e restaurantes exóticos mas não quer vizinhos estrangeiros, não...sei por experiência própria. Quando mudei-me há 11 anos para o meu bairro, ainda haviam alguns vizinhos holandeses por aqui, eu diria que cerca de 30% dos moradores. Hoje em dia, o bairro é tipicamente de imigrantes, 90% vem da África (inclusive Marrocos). Além de muitos imigrantes do Suriname e das Antilhas Holandesas (ex-colônias, pra quem não conhece a história da Holanda). Se eu gosto de morar aqui? Claro que não! Não porque eu seja racista (não sou, senão não trabalharia com tanto prazer com imigrantes). O que eu não gosto é da formação de guetos como tem acontecido nas principais cidades européias (e como contei no post anterior).

Mas entendam bem: eu não me incomodo nem um pouco de morar em um bairro multicultural - desde que entre eles também estejam holandeses! Diga-se de passagem, eu nem gostaria de morar num bairro só de holandeses, onde a única estrangeira sou eu. Não gosto nem me sinto à vontade. E digo mais, morreria de tédio se morasse em uma dessas cidadezinhas de interior. A única cidade em morei na Holanda desde que cheguei aqui (e onde continuo morando) foi Amsterdã! O que eu queria mesmo era um bairro onde todos se misturam e convivem harmoniosamente. Infelizmente, este bairro não existe! Ou se existe, está cada vez mais difícil de encontrar.

Mas o assunto deste post é a criação de filhos...Vou tomar como exemplo as mães marroquinas porque é o exemplo mais próximo (convivo diariamente com elas). Mas claro, cada cultura tem a sua maneira de criar filhos. Mesmo entre os europeus, há diferenças. Os países do norte tendem a ser mais liberais e conversam mais com as crias (nada, ou quase nada, é tabu). Já os países do sul (a começar por Portugal e Espanha) tendem a ser mais conservadores, mas acho que isso já tem mudado na nova geração.

Pra resumir uma estória muito longa, vou tentar mostrar as diferenças básicas pra dar uma idéia de como é difícil (ou quase impossível) integrar essas duas partes.




Mães holandesas 
Costumam ter filhos mais tarde (depois de completarem estudos e começar carreira). Tem em média 1 ou 2 filhos, raramente mais do que isso. O que mais tem por aqui é filho único! Elas criam os filhos com muita liberdade (até demais em alguns aspectos). E à medida em que os filhos crescem, eles passam a tomar cada vez mais parte nas decisões da família. Ao invés de serem obrigados a isso ou aquilo, tudo é discutido de igual para igual entre o adulto e a criança.

Nas cidades (como Amsterdã, Roterdã e Haia), os pais levam as crianças ao cinema e ao teatro. Eu costumo ir na biblioteca central (a maior da cidade) e sempre me chateio quando só vejo crianças louras por lá. Por que me chateio? Oras, porque os livros são de graça pra quem quiser ler mas a maioria dos pais marroquinos ou turcos nunca vai à biblioteca (e tem em todos os bairros). Um desperdíçio, se quiserem saber o que eu penso. E pior, são justamente as crianças que precisam mais...No Museu de Ciência (NEMO), onde meu filho já foi várias vezes, também só vejo crianças louras...As outras só vão mesmo a museu se tiver excursão da escola!

Mães marroquinas
Costumam ter no mínimo 4 filhos, como manda a tradição. A maioria dos imigrantes que moram aqui tem nível de instrução baixo, sendo que o principal objetivo de suas vidas é cuidar de sua família (nada de errado nisso, certo?). Elas se contentam em passar a vida inteira dentro de casa criando filhos, cozinhando e cuidando do lar. Claro que existe uma minoria (e é minoria mesmo, pelo que andei lendo) que decide que quer algo diferente. Que decide ir pra universidade estudar antes de ter filhos...Essas rejeitam o sistema tradicional e acabam tendo menos filhos...

A maior preocupação das mães marroquinas é que as crianças estejam bem alimentadas e bem vestidas. Esporte também é importante e todos os meninos do meu bairro (TODOS) estão na escolinha de futebol, onde começam cedo. É o esporte tradicional dos meninos marroquinos...os holandeses fazem de tudo: natação, basketball ou mesmo kungfu (como o meu filho). Diga-se de passagem, aqui no meu bairro as crianças vivem na rua, é só não estar chovendo. No verão, a rua enche de neguinho jogando futebol (me sinto no Brasil, rsrsrs). Infelizmente, nunca tem um pai ou mãe pra supervisionar a bagunça...O palavreado é pobre (nem vou falar dos palavrões) e brigas ocorrem regularmente. Porque a sociedade marroquina é machista e os meninos aprendem isso desde cedo. Eles nem sequer respeitam as mães (o que já presenciei várias vezes).

Famílias marroquinas não tem grana pra levar os filhos ao cinema ou ao teatro (a mãe não trabalha e ainda por cima eles tem a casa cheia de crianças). E nem se preocupam em levar os filhos na biblioteca. Eu até conheço uma que leva...pra pegar filmes e games emprestados!

As crianças holandesas, além de serem alimentadas e vestidas (lembram dos direitos universais da criança?) recebem ainda algo que a maioria dos filhos de imigrantes - e não me refiro apenas aos marroquinos - não recebe: estímulos intelectuais. Dizendo assim alguns talvez me chamem de "esnobe". Mas é a pura verdade! E como não poderia deixar de ser, seu rendimento escolar em geral é muito superior ao dos filhos de imigrantes...que pra início de conversa, só falam árabe em casa. Não, eu não acho que os imigrantes deviam sr obrigados a falar em holandês com os filhos (não sou idiota). Mas muitos nem sequer falam a língua e moram aqui há muito mais tempo do que eu. Tenho alunas (e não apenas marroquinas mas muitas turcas) que moram há 20 anos na Holanda e mal conseguem falar uma frase em holandês! Elas usam os filhos como intérpretes em consultórios médicos e em conversas com a professora na escola. Um desastre, na minha opinião.




Moral da estória
E este é o outro lado da segregação nas escolas. Não porque os pais holandeses não queiram que suas crianças brinquem com as outras mas porque é (mais do que) sabido que escolas com muitos filhos de imigrantes (as zwarte scholen do post anterior) são escolas fracas, onde o rendimento escolar deixa muito a desejar! Então, prezando o futuro de seus filhos (o que eu entendo perfeitamente), eles acabam matriculando os filhos nas escolas brancas. Como mãe, é difícil eu culpá-los pela escolha, né?

15 comentários:

Marcia disse...

Muito bom o post, mas eu já vi coisas um pouco diferentes. Saindo da Randstad, vi muita mulherada holandesa com 3, 4 filhos. Muitas também se dedicam ao lar, ou tem um emprego de meio período. E nem sempre são pobres, muitas simplesmente queriam uma prole grande. E sim, as crianças podem receber mais estímulos intelectuais nas famílias holandesas, mas por quê então assistem tanto lixo na TV? Até a TV belga tem nível melhor, tem um canal aí que eu adoro, acho que o nome é Canvas? E é triste que os marroquinos se comportem assim, mas infelizmente também vejo muito do comportamento deles no Brasil, embora as mulheres nao sejam tão submissas. Segregar e discriminar não é a solução. E eu aqui em Berlim moro num bairro turco, e quero sair pelo mesmo motivo que você citou, não é preconceito, quero apenas um equilíbrio melhor nos habitantes. bjs

Rosa Lopes disse...

É difícil para mim entender uma comparação quando algum aspecto não se cruza, econômico ou nivel educacional ou cultural. Comparar entre culturas diferentes com nenhum ponto em comum, apenas o país onde vivem, não funciona seja onde for.
Em Paris vivi num bairro de predominância árabe, aqui de negros, nunca numa porcentagem tão alta quanto o seu bairro, mas o suficiente para influenciar o funcionamento da área.
Entendo que o fator cultural seja bem mais forte que o econômico, pq se comparo uma criança afro-americana com uma gringa, ambas de mesmo padrão socio-econômico seria bem mais provável que a branca se sobressaísse simplesmente pq um dos grupos dá menor importância a educação.
Vc levantou pontos gritantes como a língua e o baixo valor que a educação dos filhos tem no tempo da familia que são preocupantes ainda que não justifiquem as diferenças no ensino, mas essa é uma questão materna?
Um pouco confuso pra mim, afinal como estabelecer um paralelo entre duas situações tão desproporcionais, onde cultura, religião, padrão econômico, nível social e direitos civis não coincidem tendo como ponto de partida a figura da mãe?
Abraços

S. W disse...

Beth, eu trabalhei em 4 familias holandesas com au pair, sim elas tem os filhos mais tarde, mas em compensacao muitas maes holandesas adoram jogar o trabalho de educar e criar os filhos pra terceiros (especialmente au pairs, mao de obra barata), eu trabalhei pra pais que o unico contato com os filhos durante a semana era um beijinho de boa noite e levar no futebol no sabado. Fora isso havia outra coisa: isso e caro, nao da pra crianca (tipo presunto, frutas mais exoticas), nunca entendi isso de so os pais comerem e esconderem das criancas, outras questao era sairem sem as criancas, quando a au pair esta de folga eles pagam babysitters para ficar com as kids no fim de semana pra ir fazer outras atividades. Nada de errado nisso, eu so acho que se a pessoa nao quer ter tanto envolvimento com a criacao das criancas, nao tenha filhos, filho demanda atencao e carinho. Ja das maes marroquinas eu nao posso falar, nao cheguei a ter muito contato com essas familias, nao sei muito como funciona.

beijos

Beth Blue disse...

Oi Rosa,

Pois é, o assunto é bastante complexo e não dá mesmo para ser contido em um post. O que eu queria realmente dizer era como essas diferenças culturais dentro de um mesmo país ( e isso acontece em toda parte, não apenas aqui na Holanda) influenciam na segregação social.

E eu falei especificamente das mães porque, queira ou não, e por mais moderna que seja uma sociedade, elas são as principais responsáveis na hora de criar os filhos (não que isso seja justo mas é assim). Nesse ponto, há pouca diferença entre pais holandeses e marroquinos. A diferença principal é que o pai marroquino geralmente é uma figura autoritária com quem não adianta discutir, geralmente é uma figura distante que deixa a mulher criar os filhos. Já os pais holandeses são menos autoritários (claro que há exceções) e costumam conversar mais com seus filhos.

Eliana disse...

Tinha escrito aqui um pensamento todo, mas algo deu errado, mas vou tentar de novo. rs Eu tb vivo num bairro de maioria de imigrantes. Tem os holandeses, mas acho que são os que sobraram,sabe? E é cada um no seu quadrado...holandeses só conversam com holandeses, turcos com turcos, poloneses com poloneses e por aí vai.Quanto à educação do filhos pelos holandeses, tenho meus repúdios. Acho que não dá pra tratar uma criança como adulto. Acho, muitas vezes, absurdo certos comportamentos de pais para com os filhos, sem contar a falta de emoção no contato com os pequenos. Não vejo aquele carinho de mãe, nem de pai. Sinceramente, não sei nem porque este povo tem filhos. Não me espantaria se pensassem que precisam cumprir um papel social para com a sociedade e se reproduzir para a continuidade do país. Quanto aos imigrantes turcos e marroquinos, na verdade eles se isolaram tanto tentando preservar seus costumes que praticamente existem só aqui na Holanda. Uma reportagem na TV aqui mostrou toda um sociedade moderna na Turquia e Marrocos, de mulheres ativas e emancipadas e aqui na Holanda eles ainda vivem no passado. Acho que se voltassem pra seus países, não se acostumariam mais.
Por aqui vejo famílias holandesas com bastantes filhos, acho que depende muito da região. Às vezes alguém vem e me diz que eu tenho que ir para um "bairro nobre"...não sei o que tem de tão nobre morar num bairro só de holandeses? Podem ser mais bonitos...mas acho tão padronizados e politicamente "robotizados" que eu não sei, não...meio chato, viu? rs Me lembra aquele filme do Jim Carrey- The Truman Show! hahahah

Milena F. disse...

Muito interessante conhecer esse lado!!!
Aqui onde moro, em uma localizade tb nessa faixa de 90% de imigrantes (ou descendentes), tenho uma grande biblioteca e um teatro bem na frente da minha casa, ambos estão sempre lotados, mas na biblioteca a gente só vê "brancos"... Onde estão todas as outras nacionalidades que a gente vê todos os dias na rua?
No teatro, mesmo tendo preços superinteressantes para quem mora aqui, mesmo para peças muito boas e bem feitas, toda vez que vou eu contro, e entre os mais de 300 assentos (sempre completo), tem talvez no máximo 3 pessoas de origem africana e talvez umas 5 que pareçam fisicamente de origem árabe... Mulher com o véu tb nunca vi!!!
Eh realmente um outro tipo de interesse pela cultura! Não falo nem de exposiçéoes e museus, mesmo em dias gratuitos a gente praticamente não vê nenhuma diversidade... Já os asiáticos estão sempre presentes, e não falo só de turistas, falo de moradores mesmo!

Beth Blue disse...

Eliana,

Quanto ao carinho de mãe - embora esse não fosse o assunto do tópico mas já que você falou - acho que os holandeses AMAM os filhos sim! Mas por questão de hábitos culturais, mães holandesas não são tão afetuosas e expressivas como mães brasileiras.

E digo mais...nem toda mãe brasileira é afetuosa. Eu mesma sou, mas poderia ser muito mais. Ou seja, é coisa de temperamento também. Minha mãe vivia me beijando e me amassando (e eu vivia reclamando). Eu já não faço isso com meu filho. Tadinho, né?

Beth Blue disse...

Milena,

Eu já desconfiava que o quadro ai rm Paris não era muito diferente daqui não...acho que o mesmo vale para todas as grandes cidades européias com grandes contingentes de imigrantes.

Uma pena esta falta de interesse geral pela cultura. Claro que há exceções...mas são exceções né?

Depois não reclamem que o rendimento escolar das crianças holandesas é (muito) melhor. Elas são muito mais estimuladas em casa! E isso faz TODA a diferença. Sei por experiência própria.

Line disse...

Beth,

Eu nunca morei num bairro totalmente de imigrantes. Na rua onde morava era bem misturado, mas a maioria ainda era de holandeses.

Agora nos mudamos de cidade e de bairro, e moramos num bairro tipicamente holandês. Até agora não vi nenhum imigrante, mas sei que deve ter sim, pelo menos uma meia dúzia de gatos pingados.

Então, em relação à quantidade de filhos, eu discordo de você. Aqui vejo mães holandesas com pencas de filhos, todos escadinha. Às vezes carregando um bebê de colo já grávidas do segundo, ou do terceiro. Nada contra isso, muito pelo contrário, até me impressiono com a animação delas de engravidar no pós parto, rsrs.

Quanto à educação que os holandeses dão aos filhos, bom, isso pra mim é um caso à parte. Concordo com a Eliana, criança é criança, adulto é adulto. Isso não significa que a criança não possa ter sua opinião, mas também não quer dizer que a opinião da criança seja mais importante do que a dos pais.

Conheço crianças holandesas que cagam na cabeça dos pais, se é que você me entende. E os pais acham bonito. Hoje mesmo vi dois no ponto de ônibus, fumando! Olha, aqueles garotos deviam ter 12 anos, no máximo! Não é a primeira vez que vejo isso não, mas me choco toda vez que vejo. Não consigo conceber que crianças bebam e fumem assim, com o consetimento dos pais. Sim, porque não escondem, o fazem em público.

Percebo também uma falta de educação na crianças em relação a coisas bem básicas, como por exemplo, aprender a não interromper uma conversa, a não pedir as coisas gritando. Eu, pelo menos, acho isso importante, já que na vida real não se consegue nada à base do grito.

E os tais joguinhos no trem? Não vejo uma criança que não esteja com a cara enfiada num celular, enquato o pai ou a mãe fazem o mesmo no celular deles.

Line disse...

Já em relação à questão de não se interessarem pela cultura...Eles se interessam sim, mas pela cultura deles, que muitas vezes não é a nossa cultura (ocidental).

Nós, ocidentais, temos a tendência de desvalorizar a cultura do outro, de diminuir tudo que não se encaixe nos nossos padrões.

A gente acha tão triste ver uma criança africana brincando com pedacinhos de madeira, com folhas ou com outras coisas encontradas na natureza e a gente tem pena deles porque eles não têm lápis, caderno e brinquedos de plástico.
Então a gente faz campanhas e arrecada um dinheiro, vai lá e distribui tranqueiras de plástico e volta pro nosso mundinho feliz da vida por ter feito uma boa ação.

Será mesmo necessário?

Beijos!!!

Beth Blue disse...

Line,

Entendo perfeitamente quando você diz: Nós, ocidentais, temos a tendência de desvalorizar a cultura do outro, de diminuir tudo que não se encaixe nos nossos padrões.

E este é um dos 'problemas" do tal plano de integração holandês. Alguns já entenderem que é possível integrar sem que seja necessário sacrificar sua cultura. Mas muitos políticos ainda precisam aprender isso!

Sei bem disso porque trabalho com inburgering. Nenhuma cultura é melhor do que a outra mas o que eu quis explicar neste post é como a afetam a tal integração. Só isso!

E falo com base no que eu conheço, ou seja a vida nas grandes cidades. No meu caso, Amsterdã. Nunca morei numa cidade pequena na Holanda (nem quero, sou cosmopolita demais) e acredito que lá as mulheres até tenham mais filhos sim. É outro estilo de vida.

Beth Blue disse...

Line,

Concordo com você que as crianças holandesas aqui são mal-educadas...mas cá entre nós, as crianças marroquinas também são. Elas respeitam os pais dentro de casa (mais o pai do que a mãe) mas na rua o desrespeito é geral: por mulheres e por idosos, pra início de conversa. Também não tem o menor respeito pelas professoras na escola. Vejo isso na escola do meu filho, onde muitos alunos são marroquinos.

Eu acho que este desrespeito já quase uma questão de geração, em vez de cultura. Os jovens hoje em dia não respeitam muita coisa não -sejam eles holandeses, marroquinos ou qualquer outra nacionalidade...exceção talvez sejam alguns povos asiáticos (Japão e China, por ex). Mas nunca morei lá então não posso afirmar nada!

Milena F. disse...

Beth, infelizmente é uma exceção mesmo, e meu marido que trabalha em escola publica em Paris sempre comenta que os alunos que estão mais atrasados geralmente são os que têm pais que não falam francês, então como poderiam ajudar os filhos em casa nas dificuldades?
Ele fez uma exposição linda com os trabalhos de uma classe, foi em uma sala da prefeitura, com presença do prefeito e tudo, vernissage, coquetel oferedido pelo prefeito, e os pais e alunos tb foram convidados. Tinha uma menina de origem africana de quem ele estava muito orgulhoso, pois ela estava em dificuldade escolar e conseguiu chegar a um excelente resultado! Ela chega e mostra seu trabalho ao pai, que responde com o maior desprezo, na frente de todo mundo: "e é para ver isso que vc me fez vir até aqui?", ele pegou a menina puxano pelo braço e foi embora, nem cumprimentou o professor, diretor nem nada (não ficou nem 5 segundos!)
E em relação aos estranegeiros, ele nota dos asiáticos um grande esforço de adaptação e integração, além de serem muito incentivados em casa (ou cobrados!) por bons resultados escolares.

Nadja disse...

Gostei do texto, mas quero dizer que tendo morado na Holanda como au pair, e conhecendo famílias de interior que também possuiam au pairs, era demais de comum famílias de 3 a 5 filhos... Eu cuidava de três, mas minhas amigas cuidavam de 4 ou 5 irmãozinhos. E eu achava engraçado, que aprendi na escola que europeu tem poucos filhos e a maioria de meus amigos tinham muitos irmãos...

Um deles era o primogenito de 7, sim você leu certo. SETE! ok.. família tem bastante dinheiro. E essa é a grande diferença ao meu ver, as famílias de que falo são aquelas que além de ter um número maior de filhos, moram em casas boas e espaços, algumas vezes possuem cavalos e au pairs. (exemplos de coisas caras). Então não quero generalizar, mas como vc falou as holandesas com menos recursos, esperam mais tempo e tem menos filhos.

Beijos

Inaie disse...

Beth querida, vc precisa se mudar para a Nova Zelandia. Aquilo la e um lindo arco iris onde ninguem mais sabe quem veio de onde.

E os pais ( muitos que moram la ha mais de 20 anos, nao falam a lingua e usam os filhos como interpretes) vivem na sua comunidade, e tambem nao atrapalham ninguem.

Muitas trabalham, produzem, mesmo sem falar a lingua. E a segregacao ja morre com a proxima geracao que frequenta as escolas onde todo mundo vai...