segunda-feira, março 19, 2012

Dos aprendizados

Nos últimos dois anos fui pra rua trabalhar e aprendi muita coisa. Não exatamente relativas ao trabalho em questão (e sim, aprendi muito).

É mais ou menos assim (senta aí que lá vem estória). Há cerca de três anos e após muita luta interna, dei o braço a torcer e fui pedir o que era meu direito: um seguro-desemprego, que aqui na Holanda você recebe quando está desempregado.  Antes disso, foi mais de ano sem dinheiro tentando pagar as contas do mês e sempre tendo de escolher se pagava esta ou aquela conta no mês x. Foi um período muito difícil e se for pensar bem, só sobrevivi graças à ajuda de F., meu namorado. Também foi ele que me fez aceitar a realidade e ir pedir a ajuda do governo holandês. Porque eu sou orgulhosa, estudei, me formei e sempre trabalhei e ganhei meu dinheiro. Só que depois do divórcio  - já se vão 6 anos e foi a decisão mais acertada da minha vida - as traduções diminuíram até praticamente desaparecerem (coisas da globalização).

Então nos últimos três anos (na verdade, dois anos e meio) estou nas mãos do governo. Pra quem não mora na Holanda, isso significa duas coisas: 1. o governo me ajuda com o seguro-desemprego (o que, em termos de Brasil, já é por si só um luxo, ainda mais considerando-se que tenho um filho pra criar). 2. eu me comprometo a buscar emprego (trabalho também serve, explico mais adiante). Só que, como a minha sorte anda meio em baixa, o período em que entrei oficialmente pro tal sistema social foi quando a economia européia começou a "degringolar". E no ano passado, degringolou de vez. Crise aguda na Grécia (que foi parar na UTI), seguidas de Espanha e Portugal...Itália entrando em uma zona perigosa e por ai vai. E tem ainda a Irlanda.

E o que isso tem a ver com a minha estória pessoal? Tem tudo a ver. Porque à medida em que a tal crise do euro se agrava (e elguns já afirmam que o pior passou mas eu pago pra ver), os índices de desemprego aumentam...Conheço vários holandeses trabalhando em funções abaixo do seu nível (o que normalmente sobra para nós, estrangeiros). Gente com diploma daqui e que mesmo assim, não tem conseguido arrumar emprego. E eu, que trabalhei mais de 15 anos da minha vida com traduções e nunca sequer pensei em procurar algum tipo de formação profissional na Holanda, obviamente me dei mal - muito mal! Já sofri muito com isso, já me senti culpada e também vítima...até o dia em que decidi aceitar a realidade: não adianta chorar o leite derramado.

Nos últimos dois anos, já participei através da prefeitura daqui de dois trajetos de inburgering, o que comecei no final de outubro é o segundo. Como eu tinha feito um estágio de nove meses numa fundação da cidade, acabei descolando este outro trabalho no mesmo setor. Um trabalho que, diga-se de passagem, eu adoro! O único problema é que é trabalho...e não emprego. E quando as pessoas aqui tem o tal seguro-desemprego, elas mais cedo ou mais tarde devem arrumar (ou tentar arrumar) emprego. Então minha gerente decidiu mês passado que eu ficarei até o final de abril onde estou e depois partiremos para outra. O que o futuro me reserva? Não tenho a menor idéia. Porque verdade seja dita, o mercado de trabalho está péssimo no momento. Já está ruim pros holandeses, quem dirá para estrangeiros como eu! Alguns podem me chamar de pessimista, eu prefiro dizer realista. Enfim.

Mas o motivo deste post era falar de aprendizados e  eu acabei contando uma longa estória (que está longe de chegar ao fim). Então vamos ao que interessa antes que eu comece a divagar novamente! O maior aprendizado que fiz nos últimos anos quando saí de casa para trabalhar - que para alguns pode parecer óbvio - é que nem tudo depende da gente e que não adianta se sentir pior ou "menor" por circunstâncias que não podemos controlar...Foi muito difícil aceitar isso. Não por eu ter necessidade de controlar tudo (eu não sou assim) mas porque tenho a tendência a ser dura demais comigo mesma. A me culpar de tudo que deu ou pode dar errado. No momento que aceitei que esta é a realidade de muita gente que tenho visto por aí (eu não estou sozinha), tirei um peso enorme dos meus ombros! Da noite pro dia, entendi que não era um problema pessoal meu - que não havia nada de errado comigo - e sim uma questão mais complexa que abrangia muito mais pessoas.

Mas o processo foi lento e por um longo período eu me culpei por tudo. Por não ter me preparado para o futuro, por não ter procurado nenhuma qualificação profissional aqui na Holanda, enfim por "não ter corrido atrás". E ler os blogs de jovens que chegaram nos últimos anos aqui cheias de garra e "fazendo e acontecendo" só me fez sentir pior (pronto, falei). Mas um dia eu parei e pensei: Peraí! Eu estou criando um filho "especial", que passou por duas escolas e um batalhão de exames até descobriram o que havia de "errado" (quem é mãe sabe como a gente sofre). Tive um casamento punk que deixou sequelas profundas, seguido de um divórcio que me colocou em péssima condição profissional e financeira (porque diminui o pique de trabalho pra poder cuidar do meu filho enquanto o pai dele foi trabalhar). Tive não uma, mas duas depressões clínicas que afastaram muitas pessoas (e eu não tenho a menor vergonha de falar sobre isso). E adivinhem? Não apenas sobrevivi como estou aqui pra contar minha estória!

Aprendi que nem tudo é o que parece (e nem tudo que brilha é ouro). E após um longo e doloroso período me achando a maior loser, revi minha estória e descobri que sou uma sobrevivente. Eu sobrevivi sozinha - fora a ajuda de um ou outro e de profissionais. Meu filho está muito bem, tenho um relacionamento há quase 5 anos que me traz (muito) mais alegrias do que tristezas e a minha situação profissional não está resolvida mas eu não estou nem aí! Porque hoje sei que não estou sozinha neste barco...Muita gente, por diversos fatores (muitos pessoais), vem passando por crises parecidas.

Moral da estória: do futuro ninguém sabe...mas o importante pra mim neste momento é ter feito as pazes comigo mesma. Ainda estou aprendendo a ser menos dura comigo (eu sou minha pior inimiga). Mas um dia eu chego lá!



PS. Post dedicado à querida Priscila, que me entende muito bem.

10 comentários:

Eliana disse...

É isso mesmo, vc não está sozinha. Uns foram mais "espertos" e se garantiram até antes de vir... tinham até entrevistas de emprego marcadas junto aos preparativos do casamento(e eu: por que também não fiz isso? Onde eu estava com a minha cabeça em não ter me preocupado com os detalhes profissionais????)Mas enfim, já foi, já passou e, vc com suas experências, boas, ruins, amargas, tá aí, firme e forte e pronta pra seguir adiante e, isso sim, é o que vale...esta flexibilidade conquistada e ver que se está feliz...a sabedoria e isso ninguém tira de você, assim como a sua paz interior! Vc tem os seus méritos, sim! Bjs

Eve disse...

Uma coisa eu aprendi tb e vc escreveu isso: cada um tem sua própria experiencia. As pessoas tem momentos diferentes, problemas diferentes pra lidar e formas diferentes de lidar com os problemas.
E, assim, as vidas sao diferentes.
Mas, nós vamos levando. Todas nós vamos. Cada uma do seu jeito.

Bjs!

Maria Valéria disse...

Eu também sou minha pior inimiga, risos.
E também fico chorando o leite derramado por coisas que poderia ter feito no passado mas nao fiz!!!- nao no aspecto profissional, mas em outros...
No fim, tudo da certo.
Forca na peruca aí menina!!! Beijos

Angela disse...

Beth, parece que o post foi feito para a minha pessoa. Há tempos tenho chorado, por uma decisão profissional que tomei, e que não deu certo. E por causa, dessa decisão, meu mundo virou praticamente do avesso. Depois de ler o post, fico me perguntando "O que adianta chorar pelo leite derramado? Vai mudar alguma coisa?" Obrigada, por me fazer pensar. Beijos!

Pri S. disse...

Obrigada por me dedicar um post tão sincero, tão repleto de coragem, com reflexões profundas, com sentimento.

Eu te entendo. Como te entendo! E posso fazer um desabafozinho? rs Tem muito jovem por aí que pode até ter a vida profissional "teoricamente" mais decidida do que a nossa. Porque o status - pra maior parte das pessoas - é medido através do seu cargo, da sua conta bancária, dos bens que vc possui.

Mas com a maturidade a gente aprende que a vida é bem mais do isso. É evolução, é empatia, é saber priorizar, é dar valor ao que realmente tem valor, é deixar de ser tão raso, tão superficial, tão materialista, e passar a avaliar as pessoas pelo que elas SÃO e não pelo que elas aparentam TER.

E nós - até pelo que já passamos - temos vivência, construção, profundidade, olhar atento. Temos tb nossos arrependimentos e frustrações. Mas quem não os tem quando passa dos 30 e poucos e deixa de ter aquele otimismo ingênuo que nos acompanha até certa idade?

Respeitar as histórias alheias é questão de caráter. Já julgar os outros e achar que existe apenas uma maneira de ser feliz e de obter o tal "sucesso" é imaturidade. Imaturidade pura. E isso nem depende de idade, mas de maturidade emocional.

Obrigada pela densidade deste post num mundo onde a superficialidade reina.

Que tenhamos cada vez mais orgulho da nossa caminhada e sejamos cada vez menos carrascos de nós mesmos! :-) Bjos!

tania disse...

Como disse a Eve aí em cima: cada história é diferente. Ou como diz aquela canção: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".
Há pedras em todos os caminhos e cada um encontra seu jeito de lidar com elas. O negócio é ter o foco na própria trajetória e não se comparar com ninguém, seja para melhor ou pior.

Anônimo disse...

(sem acentos)

Oi Beth, prazer! Pela primeira vez estou comentando em um blog. Sabe, eu lhe entendo bem. Tenho 41 anos, comecei tudo do zero depois de uma separacao, entrei na universidade na Holanda e sem dinheiro, sem filho, sem bens materiais, sem emprego, sem saber o que sera depois que eu formar as vezes tenho altos e baixos. Meu namorado me ajuda mas ja passei por momentos amargos. Sei que tem muita gente por ai que parece ter uma vida perfeita mas nao eh bem assim. Dificuldades temos todos e atire a primeira pedra quem disser que nunca as teve mesmo estando num pais de primeiro mundo. A felicidade eh outra historia, nao depende da familia margarina( marido, filhos, carro, casa, cachorro, gato e piscina), ela vem de uma outra fonte e eh mesmo um estado de espirito. A vida nao eh uma matematica e nao precisamos seguir um padrao para alcancarmos a tal felicidade e nem para provar que estamos super bem resolvidos e satisfeitos. Voce eh uma corajosa, batalhadora, vencedora e verdadeira por mostrar-se humana e sujeita a todas as intemperies que a vida oferece. Voce possui 3 riquezas: seu filho, a saude e o amor. Vida perfeita esta longe de existir, afinal de contas estamos todos fadados ao fim e como disse o velho Cazuza todos somos iguais quando sentimos dor. Entao nao se preocupe pensando que o jardim do vizinho eh mais florido que o seu porque nao eh assim. E me desculpe pelo comentario extenso. Muita sorte e tranquilidade na sua jornada diaria.

Amanda

Beth Blue disse...

Amanda, obrigada pelo primeiro comentário, espero que volte mais vezes aqui nomeu cantinho! E sim, a vida è cheia de pedras no caminho - ainda mais a vida de imigrante, onde muitas vezes somos obrigados a escalar montanhas!

Você pelo jeito também já passou bom pedaços mas sobreviveu e até conseguiu começar uma universidade na Holanda! Parabéns pela luta e pela nova conquista...nós ainda encontraremos a felicidade que merecemos. Se quiser entrar em contato, meu email é pinheiro_elizabeth@yahoo.com. Eu particularmente adoraria trocar idéias com você!

Last but not least, a verdadeira felicidade é sim um estado de espírito e independe das circunstâncias externas...mas tem dias que è difícil mesmo ser feliz, né? Um brinde aos sobreviventes - como eu e você!

Beth Blue disse...

Querida Tânia,

Sim, há pedras em todos os caminhos...mas algumas são menores do que as outras...e alguns de nós precisam subir montanhas.

Eu sei que a gente nunca deve comparar trajetórias, mas tem gente que nasceu mesmo com o cu virado pra lua! Eu só queria um pouco mais de saúde mental pra encarar o dia-a-dia. Como já disse aqui o blog, recentemente cheguei à conclusão que saúde mental é tudo. Ela é a melhor arma contra as intempéries da vida. Quem tem, devia ficar (muito) agradecido.

Liana disse...

oi Beth,
acho voce um exemplo de valentia e coragem. se abrir dessa maneira aqui. tem tanta gente na mesma situação e nunca é fácil falar de coisas assim. mas quando se fala abre-se um espaço para reflexão, aprendizado, alívio.
como disseram ai em cima, as pessoas tem problemas diferentes e cada um da sua maneira sabe onde aperta o calo. mas se tem uma coisa que aprendi na vida e essa coisa eh certa eh que nessa vida, minha amiga, tudo passa.
claro que temos que tirar forças nao sei de onde pra nao ficar caido pq se deixar, eh isso mesmo que acontece. mas vc ja mostrou mais de uma vez que força tem.


um bjo e bom fim de semana.

Tecnologia do Blogger.

Dos aprendizados

Nos últimos dois anos fui pra rua trabalhar e aprendi muita coisa. Não exatamente relativas ao trabalho em questão (e sim, aprendi muito).

É mais ou menos assim (senta aí que lá vem estória). Há cerca de três anos e após muita luta interna, dei o braço a torcer e fui pedir o que era meu direito: um seguro-desemprego, que aqui na Holanda você recebe quando está desempregado.  Antes disso, foi mais de ano sem dinheiro tentando pagar as contas do mês e sempre tendo de escolher se pagava esta ou aquela conta no mês x. Foi um período muito difícil e se for pensar bem, só sobrevivi graças à ajuda de F., meu namorado. Também foi ele que me fez aceitar a realidade e ir pedir a ajuda do governo holandês. Porque eu sou orgulhosa, estudei, me formei e sempre trabalhei e ganhei meu dinheiro. Só que depois do divórcio  - já se vão 6 anos e foi a decisão mais acertada da minha vida - as traduções diminuíram até praticamente desaparecerem (coisas da globalização).

Então nos últimos três anos (na verdade, dois anos e meio) estou nas mãos do governo. Pra quem não mora na Holanda, isso significa duas coisas: 1. o governo me ajuda com o seguro-desemprego (o que, em termos de Brasil, já é por si só um luxo, ainda mais considerando-se que tenho um filho pra criar). 2. eu me comprometo a buscar emprego (trabalho também serve, explico mais adiante). Só que, como a minha sorte anda meio em baixa, o período em que entrei oficialmente pro tal sistema social foi quando a economia européia começou a "degringolar". E no ano passado, degringolou de vez. Crise aguda na Grécia (que foi parar na UTI), seguidas de Espanha e Portugal...Itália entrando em uma zona perigosa e por ai vai. E tem ainda a Irlanda.

E o que isso tem a ver com a minha estória pessoal? Tem tudo a ver. Porque à medida em que a tal crise do euro se agrava (e elguns já afirmam que o pior passou mas eu pago pra ver), os índices de desemprego aumentam...Conheço vários holandeses trabalhando em funções abaixo do seu nível (o que normalmente sobra para nós, estrangeiros). Gente com diploma daqui e que mesmo assim, não tem conseguido arrumar emprego. E eu, que trabalhei mais de 15 anos da minha vida com traduções e nunca sequer pensei em procurar algum tipo de formação profissional na Holanda, obviamente me dei mal - muito mal! Já sofri muito com isso, já me senti culpada e também vítima...até o dia em que decidi aceitar a realidade: não adianta chorar o leite derramado.

Nos últimos dois anos, já participei através da prefeitura daqui de dois trajetos de inburgering, o que comecei no final de outubro é o segundo. Como eu tinha feito um estágio de nove meses numa fundação da cidade, acabei descolando este outro trabalho no mesmo setor. Um trabalho que, diga-se de passagem, eu adoro! O único problema é que é trabalho...e não emprego. E quando as pessoas aqui tem o tal seguro-desemprego, elas mais cedo ou mais tarde devem arrumar (ou tentar arrumar) emprego. Então minha gerente decidiu mês passado que eu ficarei até o final de abril onde estou e depois partiremos para outra. O que o futuro me reserva? Não tenho a menor idéia. Porque verdade seja dita, o mercado de trabalho está péssimo no momento. Já está ruim pros holandeses, quem dirá para estrangeiros como eu! Alguns podem me chamar de pessimista, eu prefiro dizer realista. Enfim.

Mas o motivo deste post era falar de aprendizados e  eu acabei contando uma longa estória (que está longe de chegar ao fim). Então vamos ao que interessa antes que eu comece a divagar novamente! O maior aprendizado que fiz nos últimos anos quando saí de casa para trabalhar - que para alguns pode parecer óbvio - é que nem tudo depende da gente e que não adianta se sentir pior ou "menor" por circunstâncias que não podemos controlar...Foi muito difícil aceitar isso. Não por eu ter necessidade de controlar tudo (eu não sou assim) mas porque tenho a tendência a ser dura demais comigo mesma. A me culpar de tudo que deu ou pode dar errado. No momento que aceitei que esta é a realidade de muita gente que tenho visto por aí (eu não estou sozinha), tirei um peso enorme dos meus ombros! Da noite pro dia, entendi que não era um problema pessoal meu - que não havia nada de errado comigo - e sim uma questão mais complexa que abrangia muito mais pessoas.

Mas o processo foi lento e por um longo período eu me culpei por tudo. Por não ter me preparado para o futuro, por não ter procurado nenhuma qualificação profissional aqui na Holanda, enfim por "não ter corrido atrás". E ler os blogs de jovens que chegaram nos últimos anos aqui cheias de garra e "fazendo e acontecendo" só me fez sentir pior (pronto, falei). Mas um dia eu parei e pensei: Peraí! Eu estou criando um filho "especial", que passou por duas escolas e um batalhão de exames até descobriram o que havia de "errado" (quem é mãe sabe como a gente sofre). Tive um casamento punk que deixou sequelas profundas, seguido de um divórcio que me colocou em péssima condição profissional e financeira (porque diminui o pique de trabalho pra poder cuidar do meu filho enquanto o pai dele foi trabalhar). Tive não uma, mas duas depressões clínicas que afastaram muitas pessoas (e eu não tenho a menor vergonha de falar sobre isso). E adivinhem? Não apenas sobrevivi como estou aqui pra contar minha estória!

Aprendi que nem tudo é o que parece (e nem tudo que brilha é ouro). E após um longo e doloroso período me achando a maior loser, revi minha estória e descobri que sou uma sobrevivente. Eu sobrevivi sozinha - fora a ajuda de um ou outro e de profissionais. Meu filho está muito bem, tenho um relacionamento há quase 5 anos que me traz (muito) mais alegrias do que tristezas e a minha situação profissional não está resolvida mas eu não estou nem aí! Porque hoje sei que não estou sozinha neste barco...Muita gente, por diversos fatores (muitos pessoais), vem passando por crises parecidas.

Moral da estória: do futuro ninguém sabe...mas o importante pra mim neste momento é ter feito as pazes comigo mesma. Ainda estou aprendendo a ser menos dura comigo (eu sou minha pior inimiga). Mas um dia eu chego lá!



PS. Post dedicado à querida Priscila, que me entende muito bem.

10 comentários:

Eliana disse...

É isso mesmo, vc não está sozinha. Uns foram mais "espertos" e se garantiram até antes de vir... tinham até entrevistas de emprego marcadas junto aos preparativos do casamento(e eu: por que também não fiz isso? Onde eu estava com a minha cabeça em não ter me preocupado com os detalhes profissionais????)Mas enfim, já foi, já passou e, vc com suas experências, boas, ruins, amargas, tá aí, firme e forte e pronta pra seguir adiante e, isso sim, é o que vale...esta flexibilidade conquistada e ver que se está feliz...a sabedoria e isso ninguém tira de você, assim como a sua paz interior! Vc tem os seus méritos, sim! Bjs

Eve disse...

Uma coisa eu aprendi tb e vc escreveu isso: cada um tem sua própria experiencia. As pessoas tem momentos diferentes, problemas diferentes pra lidar e formas diferentes de lidar com os problemas.
E, assim, as vidas sao diferentes.
Mas, nós vamos levando. Todas nós vamos. Cada uma do seu jeito.

Bjs!

Maria Valéria disse...

Eu também sou minha pior inimiga, risos.
E também fico chorando o leite derramado por coisas que poderia ter feito no passado mas nao fiz!!!- nao no aspecto profissional, mas em outros...
No fim, tudo da certo.
Forca na peruca aí menina!!! Beijos

Angela disse...

Beth, parece que o post foi feito para a minha pessoa. Há tempos tenho chorado, por uma decisão profissional que tomei, e que não deu certo. E por causa, dessa decisão, meu mundo virou praticamente do avesso. Depois de ler o post, fico me perguntando "O que adianta chorar pelo leite derramado? Vai mudar alguma coisa?" Obrigada, por me fazer pensar. Beijos!

Pri S. disse...

Obrigada por me dedicar um post tão sincero, tão repleto de coragem, com reflexões profundas, com sentimento.

Eu te entendo. Como te entendo! E posso fazer um desabafozinho? rs Tem muito jovem por aí que pode até ter a vida profissional "teoricamente" mais decidida do que a nossa. Porque o status - pra maior parte das pessoas - é medido através do seu cargo, da sua conta bancária, dos bens que vc possui.

Mas com a maturidade a gente aprende que a vida é bem mais do isso. É evolução, é empatia, é saber priorizar, é dar valor ao que realmente tem valor, é deixar de ser tão raso, tão superficial, tão materialista, e passar a avaliar as pessoas pelo que elas SÃO e não pelo que elas aparentam TER.

E nós - até pelo que já passamos - temos vivência, construção, profundidade, olhar atento. Temos tb nossos arrependimentos e frustrações. Mas quem não os tem quando passa dos 30 e poucos e deixa de ter aquele otimismo ingênuo que nos acompanha até certa idade?

Respeitar as histórias alheias é questão de caráter. Já julgar os outros e achar que existe apenas uma maneira de ser feliz e de obter o tal "sucesso" é imaturidade. Imaturidade pura. E isso nem depende de idade, mas de maturidade emocional.

Obrigada pela densidade deste post num mundo onde a superficialidade reina.

Que tenhamos cada vez mais orgulho da nossa caminhada e sejamos cada vez menos carrascos de nós mesmos! :-) Bjos!

tania disse...

Como disse a Eve aí em cima: cada história é diferente. Ou como diz aquela canção: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".
Há pedras em todos os caminhos e cada um encontra seu jeito de lidar com elas. O negócio é ter o foco na própria trajetória e não se comparar com ninguém, seja para melhor ou pior.

Anônimo disse...

(sem acentos)

Oi Beth, prazer! Pela primeira vez estou comentando em um blog. Sabe, eu lhe entendo bem. Tenho 41 anos, comecei tudo do zero depois de uma separacao, entrei na universidade na Holanda e sem dinheiro, sem filho, sem bens materiais, sem emprego, sem saber o que sera depois que eu formar as vezes tenho altos e baixos. Meu namorado me ajuda mas ja passei por momentos amargos. Sei que tem muita gente por ai que parece ter uma vida perfeita mas nao eh bem assim. Dificuldades temos todos e atire a primeira pedra quem disser que nunca as teve mesmo estando num pais de primeiro mundo. A felicidade eh outra historia, nao depende da familia margarina( marido, filhos, carro, casa, cachorro, gato e piscina), ela vem de uma outra fonte e eh mesmo um estado de espirito. A vida nao eh uma matematica e nao precisamos seguir um padrao para alcancarmos a tal felicidade e nem para provar que estamos super bem resolvidos e satisfeitos. Voce eh uma corajosa, batalhadora, vencedora e verdadeira por mostrar-se humana e sujeita a todas as intemperies que a vida oferece. Voce possui 3 riquezas: seu filho, a saude e o amor. Vida perfeita esta longe de existir, afinal de contas estamos todos fadados ao fim e como disse o velho Cazuza todos somos iguais quando sentimos dor. Entao nao se preocupe pensando que o jardim do vizinho eh mais florido que o seu porque nao eh assim. E me desculpe pelo comentario extenso. Muita sorte e tranquilidade na sua jornada diaria.

Amanda

Beth Blue disse...

Amanda, obrigada pelo primeiro comentário, espero que volte mais vezes aqui nomeu cantinho! E sim, a vida è cheia de pedras no caminho - ainda mais a vida de imigrante, onde muitas vezes somos obrigados a escalar montanhas!

Você pelo jeito também já passou bom pedaços mas sobreviveu e até conseguiu começar uma universidade na Holanda! Parabéns pela luta e pela nova conquista...nós ainda encontraremos a felicidade que merecemos. Se quiser entrar em contato, meu email é pinheiro_elizabeth@yahoo.com. Eu particularmente adoraria trocar idéias com você!

Last but not least, a verdadeira felicidade é sim um estado de espírito e independe das circunstâncias externas...mas tem dias que è difícil mesmo ser feliz, né? Um brinde aos sobreviventes - como eu e você!

Beth Blue disse...

Querida Tânia,

Sim, há pedras em todos os caminhos...mas algumas são menores do que as outras...e alguns de nós precisam subir montanhas.

Eu sei que a gente nunca deve comparar trajetórias, mas tem gente que nasceu mesmo com o cu virado pra lua! Eu só queria um pouco mais de saúde mental pra encarar o dia-a-dia. Como já disse aqui o blog, recentemente cheguei à conclusão que saúde mental é tudo. Ela é a melhor arma contra as intempéries da vida. Quem tem, devia ficar (muito) agradecido.

Liana disse...

oi Beth,
acho voce um exemplo de valentia e coragem. se abrir dessa maneira aqui. tem tanta gente na mesma situação e nunca é fácil falar de coisas assim. mas quando se fala abre-se um espaço para reflexão, aprendizado, alívio.
como disseram ai em cima, as pessoas tem problemas diferentes e cada um da sua maneira sabe onde aperta o calo. mas se tem uma coisa que aprendi na vida e essa coisa eh certa eh que nessa vida, minha amiga, tudo passa.
claro que temos que tirar forças nao sei de onde pra nao ficar caido pq se deixar, eh isso mesmo que acontece. mas vc ja mostrou mais de uma vez que força tem.


um bjo e bom fim de semana.