domingo, agosto 04, 2013

(In)feliz por comparação



Engraçado como as coisas funcionam dentro da cabeça da gente e como alguns hábitos são duros de se mudar! O hábito de comparar a nossa felicidade com a dos outros, por exemplo. Provavelmente um dos piores hábitos que existe. Sabem aquela estória de "a grama do vizinho sempre é mais verde"? Pois é.

Em determinadas fases da vida em que as coisas parecem não querer "desandar" e a gente continua esperando aquela virada de maré, é difícil a gente não se comparar com pessoas que parecem ter tudo "sob controle" (nem que seja apenas superficialmente, o que também acontece). Em alguns aspectos da minha vida - certamente no aspecto profissional - eu fico pensando porque tudo pra mim é tão difícil enquanto outras pessoas estão lá acordando cedo, tomando café e indo trabalhar todo dia sem precisar pensar duas vezes no significado de suas vidas. Eu fico pensando porque algumas pessoas tem mais sorte do que as outras - e claro que determinação e esforço próprio também contam (já estou ouvindo até as vozes de algumas pessoas). Mas a verdade é que a sorte também é um fator que muitos ignoram. Geralmente são os mais jovens e inexperientes, que acham que a vida pode ser 100% construída, o que é uma meia verdade e quem acumulou experiências pela vida afora sabe muito bem disso. Porque é possível sim construir nossos destinos até um certo grau - mas muita coisa independe do nosso controle (e como a vida seria mais fácil se pudessemos controlar tudo que acontece com a gente). São fatores externos pelos quais não temos o menor controle. E quem passou ou passa por isso, sabe exatamente do que estou falando. Sem falar que até os trinta e poucos anos, temos um amplo leque de oportunidades, e com o passar dos anos elas vão se tornando mais escassas. É aquela velha estória: ter filhos e fazer carreira a gente faz lá pelos trinta anos. Depois ainda é possível mas fica bem mais difícil. Já vi por exemplo mulheres que decidiram investir na carreira e acabaram tendo filhos depois dos 40 anos. Ou pior, mulheres que chegaram nesta idade e descobriram que não podiam mais engravidar. Enfim, problema todo mundo tem, né?

Mas vamos ao que interessa. Eu fiz uma descoberta nos últimos tempos. Existem duas maneiras bem distintas de encararmos nossas vidas: a gente pode comparar com quem está melhor e se sentir infeliz (e existe muita gente em situação melhor). Ou pode comparar com quem está pior e se sentir feliz (e existe muita gente em situação pior). Escrevendo assim parece tão óbvio (e para algumas pessoas é mesmo) mas este tem sido um exercício árduo nos últimos tempos. Porque ainda existem pedras no meu caminho. Sem falar que alguns problemas parecem insistir em não ir embora (a gente pode até tentar ignorá-los mas eles sempre voltam). Enfim, a luta continua. O que me faz lembrar de outro velho ditado: o que não me mata, me fortalece. Sim, eu adoro um clichê.

Recentemente tive um grande insight ao assistir um documentário sobre jovens prostitutas nas Filipinas, o tal turismo sexual (provavelmente o maior setor da economia local). No programa, duas estudantes universitárias holandesas foram enviadas para passar uma semana convivendo com jovens prostitutas (muitas delas menores de idade). E isso resultou em cenas comoventes, que me levaram às lágrimas. Porque sim, caros leitores, ainda há muita injustiça por este mundo afora e muita gente não tem mesmo sorte. Claro que se trata de uma "situação extrema" mas por outro lado, este problema é comum em vários países pobres, até mesmo no nosso Brasil com seu tão proclamado "booming econômico". O que me lembra outro documentário que vi na tv holandesa alguns anos atrás sobre prostitutas em Recife, muitas delas jovens de 14 anos (ou menos). Dá vontade de chorar mesmo - e de bater nesses homens que se acham no direito de tratar essas mulheres como uma espécie de boneca inflável, sem sentimentos e vontade própria.

Enfim, depois do documentário nas Filipinas, inevitavelmente comparei a minha vida com a dessas jovens mulheres sem perspectiva de futuro (algumas mães solteiras) e de repente todos os meus problemas se tornaram relativos! Sim, meus problemas ainda existem mas a verdade é que poderia ser muito pior.

Pra encurtar a estória, fiz uma promessa a mim mesma: toda vez que eu estiver triste com algumas circunstâncias da minha vida, eu vou me lembrar dessas meninas. Acho que era isso que eu queria dizer hoje.

4 comentários:

Maria Valéria disse...

Bem, ha quatro anos que um acontecimento mudou minha vida,
Um relacionamento, no qual tive coisas muito boas e muito ruins, com em qualquer outro, ne?
Desde entao, minha vida deu uma guinada e parei de me comparar com os outros,
Hoje me comparo sim,mas a mim mesma, em diferentes fases da vida.
Acordo e fico extremamente feliz por saber que nao sou a mesma mulher do ano 1996 ( vide meu post " por que o passado volta?" ) ou do ano 2000, ou ainda, de 2003, 2004, épocas em que eu vivia extratamenfe infeliz e frustrada e pior, nem me dava conta que estava assim, fingia que estava bem e ainda acreditava,
Por outro lado, uma imensa tristeza por esse meu relacionamento nao ter dado certo...bem ou mal foi o único homem que amei,.. Terminamos e voltamos inúmeras vezes e hoje sei que nao tem como dar certo,
Entao, a vida e assim...altos e baixos, momentos felizes e infelizes.
Claro que queria que tivesse dado certo com essa pessoa, e queria estar ganhando mais, ja queria ter ido pros states, queria nao engordar mais...rsrsrs...Mas, em comparação ao que eu era antes, minha vida melhorou cem por cento, e nao troco minha vida de hoje pela anterior por nada desse mundo , nem pela vida de outra pessoa.
Em resumo, acho que o segredo esta em se comparar sempre consigo mesmo, e nao com os outros , porque a segunda comparação e fria,!!!
( um bom exemplo disso, bobinho, e assistir ao filme " destino em dose dupla"- nao sei o nome em inglês, um filme clichê, água com açúcar, mas que mostra exatamente a burrada de querer ter outra vida , nao se contentar com o que tem, e quando experimenta a outra vida prefere voltar como era antes porque ve que nao era tao moleza assim como imaginava) :p
Ótimo post!!!
Beijos e saudades -:)

Paula Oliveira disse...

Me enxerguei nesse seu post. Para alguns, as coisas parecem vir tão facilmente, mas parece que, para nós, a luta é sempre tão maior.
Voltei para o Brasil há 3 meses e estou na luta por um emprego. Acabei de me formar, tenho um ótimo currículo, mas sou cadeirante e isso parece que ainda assusta. Fora que, enquanto isso, meu namorado tá na Irlanda. Sofrência, como dizem meus amigos. Mas o meu consolo é a certeza de que Deus nunca me abandonou e, no tempo certo, Ele me dará o que preciso. Força, Beth.

Eliana disse...

Pois é Beth, vc abordou um ponto bem interessante. Na verdade é claro que a gente se questiona uma porção de coisas, quando para o outro parece tão fácil, tão simples. Nós não somos o outro. Se acontece algo, eu sempre me questiono: todo mundo paga um preço. Se vc acha que "pagar aquele preço" pelo seu objeto de desejo, vale a pena...ok...mas se não, é sossegar o facho e seguir adiante, como a gente acha que tem que ser e pronto.
Tem gente que adora apontar o dedo, vir com receitas prontas de sucesso...mas tem que ver o outro lado. Também tem a aceitação, o que não tem a ver com conformismo. É bem diferente. Aceitar é fazer uma trégua, é agir com o bom senso.
E tem a questão dos valores de cada um também. É sempre bom revisar a própria vida e sim, há sempre alguém em situação mais complicada e mais triste e sempre haverá alguém muito melhor que você. O segredo é saber relativar, porque fato é que tudo na vida é relativo.rs Bjs

Milena F. disse...

Ah não, você também???
Tenho mania de reclamar da vida (comparando com quem está "melhor" do que eu) e aí vem o meu marido me lembrar de tanta gente que está pior...
Eh uma estratégia de otimistas, mas para mim não funciona; gosto de me espelhar em quem está "melhor" para avançar, tenho medo de aceitar quando as coisas não vão bem e estagnar...

Tecnologia do Blogger.

(In)feliz por comparação



Engraçado como as coisas funcionam dentro da cabeça da gente e como alguns hábitos são duros de se mudar! O hábito de comparar a nossa felicidade com a dos outros, por exemplo. Provavelmente um dos piores hábitos que existe. Sabem aquela estória de "a grama do vizinho sempre é mais verde"? Pois é.

Em determinadas fases da vida em que as coisas parecem não querer "desandar" e a gente continua esperando aquela virada de maré, é difícil a gente não se comparar com pessoas que parecem ter tudo "sob controle" (nem que seja apenas superficialmente, o que também acontece). Em alguns aspectos da minha vida - certamente no aspecto profissional - eu fico pensando porque tudo pra mim é tão difícil enquanto outras pessoas estão lá acordando cedo, tomando café e indo trabalhar todo dia sem precisar pensar duas vezes no significado de suas vidas. Eu fico pensando porque algumas pessoas tem mais sorte do que as outras - e claro que determinação e esforço próprio também contam (já estou ouvindo até as vozes de algumas pessoas). Mas a verdade é que a sorte também é um fator que muitos ignoram. Geralmente são os mais jovens e inexperientes, que acham que a vida pode ser 100% construída, o que é uma meia verdade e quem acumulou experiências pela vida afora sabe muito bem disso. Porque é possível sim construir nossos destinos até um certo grau - mas muita coisa independe do nosso controle (e como a vida seria mais fácil se pudessemos controlar tudo que acontece com a gente). São fatores externos pelos quais não temos o menor controle. E quem passou ou passa por isso, sabe exatamente do que estou falando. Sem falar que até os trinta e poucos anos, temos um amplo leque de oportunidades, e com o passar dos anos elas vão se tornando mais escassas. É aquela velha estória: ter filhos e fazer carreira a gente faz lá pelos trinta anos. Depois ainda é possível mas fica bem mais difícil. Já vi por exemplo mulheres que decidiram investir na carreira e acabaram tendo filhos depois dos 40 anos. Ou pior, mulheres que chegaram nesta idade e descobriram que não podiam mais engravidar. Enfim, problema todo mundo tem, né?

Mas vamos ao que interessa. Eu fiz uma descoberta nos últimos tempos. Existem duas maneiras bem distintas de encararmos nossas vidas: a gente pode comparar com quem está melhor e se sentir infeliz (e existe muita gente em situação melhor). Ou pode comparar com quem está pior e se sentir feliz (e existe muita gente em situação pior). Escrevendo assim parece tão óbvio (e para algumas pessoas é mesmo) mas este tem sido um exercício árduo nos últimos tempos. Porque ainda existem pedras no meu caminho. Sem falar que alguns problemas parecem insistir em não ir embora (a gente pode até tentar ignorá-los mas eles sempre voltam). Enfim, a luta continua. O que me faz lembrar de outro velho ditado: o que não me mata, me fortalece. Sim, eu adoro um clichê.

Recentemente tive um grande insight ao assistir um documentário sobre jovens prostitutas nas Filipinas, o tal turismo sexual (provavelmente o maior setor da economia local). No programa, duas estudantes universitárias holandesas foram enviadas para passar uma semana convivendo com jovens prostitutas (muitas delas menores de idade). E isso resultou em cenas comoventes, que me levaram às lágrimas. Porque sim, caros leitores, ainda há muita injustiça por este mundo afora e muita gente não tem mesmo sorte. Claro que se trata de uma "situação extrema" mas por outro lado, este problema é comum em vários países pobres, até mesmo no nosso Brasil com seu tão proclamado "booming econômico". O que me lembra outro documentário que vi na tv holandesa alguns anos atrás sobre prostitutas em Recife, muitas delas jovens de 14 anos (ou menos). Dá vontade de chorar mesmo - e de bater nesses homens que se acham no direito de tratar essas mulheres como uma espécie de boneca inflável, sem sentimentos e vontade própria.

Enfim, depois do documentário nas Filipinas, inevitavelmente comparei a minha vida com a dessas jovens mulheres sem perspectiva de futuro (algumas mães solteiras) e de repente todos os meus problemas se tornaram relativos! Sim, meus problemas ainda existem mas a verdade é que poderia ser muito pior.

Pra encurtar a estória, fiz uma promessa a mim mesma: toda vez que eu estiver triste com algumas circunstâncias da minha vida, eu vou me lembrar dessas meninas. Acho que era isso que eu queria dizer hoje.

4 comentários:

Maria Valéria disse...

Bem, ha quatro anos que um acontecimento mudou minha vida,
Um relacionamento, no qual tive coisas muito boas e muito ruins, com em qualquer outro, ne?
Desde entao, minha vida deu uma guinada e parei de me comparar com os outros,
Hoje me comparo sim,mas a mim mesma, em diferentes fases da vida.
Acordo e fico extremamente feliz por saber que nao sou a mesma mulher do ano 1996 ( vide meu post " por que o passado volta?" ) ou do ano 2000, ou ainda, de 2003, 2004, épocas em que eu vivia extratamenfe infeliz e frustrada e pior, nem me dava conta que estava assim, fingia que estava bem e ainda acreditava,
Por outro lado, uma imensa tristeza por esse meu relacionamento nao ter dado certo...bem ou mal foi o único homem que amei,.. Terminamos e voltamos inúmeras vezes e hoje sei que nao tem como dar certo,
Entao, a vida e assim...altos e baixos, momentos felizes e infelizes.
Claro que queria que tivesse dado certo com essa pessoa, e queria estar ganhando mais, ja queria ter ido pros states, queria nao engordar mais...rsrsrs...Mas, em comparação ao que eu era antes, minha vida melhorou cem por cento, e nao troco minha vida de hoje pela anterior por nada desse mundo , nem pela vida de outra pessoa.
Em resumo, acho que o segredo esta em se comparar sempre consigo mesmo, e nao com os outros , porque a segunda comparação e fria,!!!
( um bom exemplo disso, bobinho, e assistir ao filme " destino em dose dupla"- nao sei o nome em inglês, um filme clichê, água com açúcar, mas que mostra exatamente a burrada de querer ter outra vida , nao se contentar com o que tem, e quando experimenta a outra vida prefere voltar como era antes porque ve que nao era tao moleza assim como imaginava) :p
Ótimo post!!!
Beijos e saudades -:)

Paula Oliveira disse...

Me enxerguei nesse seu post. Para alguns, as coisas parecem vir tão facilmente, mas parece que, para nós, a luta é sempre tão maior.
Voltei para o Brasil há 3 meses e estou na luta por um emprego. Acabei de me formar, tenho um ótimo currículo, mas sou cadeirante e isso parece que ainda assusta. Fora que, enquanto isso, meu namorado tá na Irlanda. Sofrência, como dizem meus amigos. Mas o meu consolo é a certeza de que Deus nunca me abandonou e, no tempo certo, Ele me dará o que preciso. Força, Beth.

Eliana disse...

Pois é Beth, vc abordou um ponto bem interessante. Na verdade é claro que a gente se questiona uma porção de coisas, quando para o outro parece tão fácil, tão simples. Nós não somos o outro. Se acontece algo, eu sempre me questiono: todo mundo paga um preço. Se vc acha que "pagar aquele preço" pelo seu objeto de desejo, vale a pena...ok...mas se não, é sossegar o facho e seguir adiante, como a gente acha que tem que ser e pronto.
Tem gente que adora apontar o dedo, vir com receitas prontas de sucesso...mas tem que ver o outro lado. Também tem a aceitação, o que não tem a ver com conformismo. É bem diferente. Aceitar é fazer uma trégua, é agir com o bom senso.
E tem a questão dos valores de cada um também. É sempre bom revisar a própria vida e sim, há sempre alguém em situação mais complicada e mais triste e sempre haverá alguém muito melhor que você. O segredo é saber relativar, porque fato é que tudo na vida é relativo.rs Bjs

Milena F. disse...

Ah não, você também???
Tenho mania de reclamar da vida (comparando com quem está "melhor" do que eu) e aí vem o meu marido me lembrar de tanta gente que está pior...
Eh uma estratégia de otimistas, mas para mim não funciona; gosto de me espelhar em quem está "melhor" para avançar, tenho medo de aceitar quando as coisas não vão bem e estagnar...