quinta-feira, agosto 15, 2013

A dieta





Pois então...depois de quase 5 anos sem fazer dieta de espécie alguma (shame on you), chegou o grande momento. Porque existe um momento em que você decide realmente mudar. Um momento em que diz: chega, cansei de ser gorda. Pois este momento chegou. É agora ou nunca (comigo é assim).

Há cinco anos atrás, eu fui a uma dietista e fiz uma reeducação alimentar (porque acreditem: dieta não funciona e dietas milagrosas não existem). Em quatro meses, emagreci cerca de 12 kgs - sem passar fome e comendo refeições saudáveis - e baixei um tamanho de roupas (de 48 para 46). Bem verdade que era apenas o começo de um longo processo...Consegui manter o novo peso por cerca de um ano e tudo estava dando certo, eu nadando 3x por semana, até que tive uma hérnia de disco. Fui obrigada a ficar de repouso ANTES e DEPOIS da operação, foram meses até a (maldita) dor na coluna realmente "sumir".


Desde então, recuperei todo o peso perdido e ainda ganhei uns 5 kgs na viagem ao Brasil em 2011 (que ainda não perdi porque ganhar peso é fácil, perder é que são elas). Enfim, tem muito trabalho pela frente. A boa notícia é que se eu fiz uma vez e deu certo (e deu mesmo), agora vou fazer de novo e vai dar certo também. Estou praticamente revendo a dieta de 2008, usando um caderno para anotar tudo que como e bebo (ótima dica da dietista para se ter controle do consumo, e não necessariamente de calorias mas de alimentos mesmo).

Semana passada tive a primeira consulta com a nova dietista e agora acabei de voltar da segunda consulta. Os primeiros 2kgs já se foram até porque, pra quem está muito acima do peso como eu (preciso perder uns 30 kgs mas até com 20 kgs hoje em dia eu já fico feliz da vida), os primeiros 5 kgs a gente perde sem muito esforço. É a tal retenção de líquidos, né? Claro que só de pensar em 30kgs a gente surta então dividi em metas menores: primeiro 10kgs, depois mais 10kgs e assim vamos seguindo. Tudo com muita calma, porque não é indicado perder peso muito rápido, 1kg por semana (4 kgs por mês) é ideal. Assim sendo, marquei uma data no meu calendário: meu aniversário em dezembro! Até lá pretendo perder no mínimo 10 kgs, talvez até uns 12kgs se eu entrar numa rotina de atividade física.

Então agora é andar mais de bicicleta (e aqui na Holanda as ciclovias são ótimas então esta desculpa eu não tenho) e o mais importante no quesito atividade física: voltar a nadar! Porque nadar é praticamente o único esporte que eu realmente curto...e eu parei há mais de 2 anos!

Enfim, só pra deixar registrado. Torçam por mim porque a estrada é longa mas eu consigo...um dia de cada vez!


domingo, agosto 04, 2013

(In)feliz por comparação



Engraçado como as coisas funcionam dentro da cabeça da gente e como alguns hábitos são duros de se mudar! O hábito de comparar a nossa felicidade com a dos outros, por exemplo. Provavelmente um dos piores hábitos que existe. Sabem aquela estória de "a grama do vizinho sempre é mais verde"? Pois é.

Em determinadas fases da vida em que as coisas parecem não querer "desandar" e a gente continua esperando aquela virada de maré, é difícil a gente não se comparar com pessoas que parecem ter tudo "sob controle" (nem que seja apenas superficialmente, o que também acontece). Em alguns aspectos da minha vida - certamente no aspecto profissional - eu fico pensando porque tudo pra mim é tão difícil enquanto outras pessoas estão lá acordando cedo, tomando café e indo trabalhar todo dia sem precisar pensar duas vezes no significado de suas vidas. Eu fico pensando porque algumas pessoas tem mais sorte do que as outras - e claro que determinação e esforço próprio também contam (já estou ouvindo até as vozes de algumas pessoas). Mas a verdade é que a sorte também é um fator que muitos ignoram. Geralmente são os mais jovens e inexperientes, que acham que a vida pode ser 100% construída, o que é uma meia verdade e quem acumulou experiências pela vida afora sabe muito bem disso. Porque é possível sim construir nossos destinos até um certo grau - mas muita coisa independe do nosso controle (e como a vida seria mais fácil se pudessemos controlar tudo que acontece com a gente). São fatores externos pelos quais não temos o menor controle. E quem passou ou passa por isso, sabe exatamente do que estou falando. Sem falar que até os trinta e poucos anos, temos um amplo leque de oportunidades, e com o passar dos anos elas vão se tornando mais escassas. É aquela velha estória: ter filhos e fazer carreira a gente faz lá pelos trinta anos. Depois ainda é possível mas fica bem mais difícil. Já vi por exemplo mulheres que decidiram investir na carreira e acabaram tendo filhos depois dos 40 anos. Ou pior, mulheres que chegaram nesta idade e descobriram que não podiam mais engravidar. Enfim, problema todo mundo tem, né?

Mas vamos ao que interessa. Eu fiz uma descoberta nos últimos tempos. Existem duas maneiras bem distintas de encararmos nossas vidas: a gente pode comparar com quem está melhor e se sentir infeliz (e existe muita gente em situação melhor). Ou pode comparar com quem está pior e se sentir feliz (e existe muita gente em situação pior). Escrevendo assim parece tão óbvio (e para algumas pessoas é mesmo) mas este tem sido um exercício árduo nos últimos tempos. Porque ainda existem pedras no meu caminho. Sem falar que alguns problemas parecem insistir em não ir embora (a gente pode até tentar ignorá-los mas eles sempre voltam). Enfim, a luta continua. O que me faz lembrar de outro velho ditado: o que não me mata, me fortalece. Sim, eu adoro um clichê.

Recentemente tive um grande insight ao assistir um documentário sobre jovens prostitutas nas Filipinas, o tal turismo sexual (provavelmente o maior setor da economia local). No programa, duas estudantes universitárias holandesas foram enviadas para passar uma semana convivendo com jovens prostitutas (muitas delas menores de idade). E isso resultou em cenas comoventes, que me levaram às lágrimas. Porque sim, caros leitores, ainda há muita injustiça por este mundo afora e muita gente não tem mesmo sorte. Claro que se trata de uma "situação extrema" mas por outro lado, este problema é comum em vários países pobres, até mesmo no nosso Brasil com seu tão proclamado "booming econômico". O que me lembra outro documentário que vi na tv holandesa alguns anos atrás sobre prostitutas em Recife, muitas delas jovens de 14 anos (ou menos). Dá vontade de chorar mesmo - e de bater nesses homens que se acham no direito de tratar essas mulheres como uma espécie de boneca inflável, sem sentimentos e vontade própria.

Enfim, depois do documentário nas Filipinas, inevitavelmente comparei a minha vida com a dessas jovens mulheres sem perspectiva de futuro (algumas mães solteiras) e de repente todos os meus problemas se tornaram relativos! Sim, meus problemas ainda existem mas a verdade é que poderia ser muito pior.

Pra encurtar a estória, fiz uma promessa a mim mesma: toda vez que eu estiver triste com algumas circunstâncias da minha vida, eu vou me lembrar dessas meninas. Acho que era isso que eu queria dizer hoje.

quarta-feira, julho 31, 2013

25 anos de PIXAR!






Tinha escrito um rascunho mas não tive tempo de aparecer por aqui antes então lá vai. Semana passada finalmente fomos na Amsterdam EXPO conferir a exposição internacional da PIXAR, em homenagem aos 25 anos de existência de um dos melhores estúdios de animação do mundo - o concorrente mais próximo é a DreamWorks (dos maravilhosos Ice Age e Madagascar, aqui em casa somos fãs).

Uma das maiores vantagens de se ter filhos é que quando eles são pequenos temos a desculpa "perfeita" para assistirmos sem culpa muitos desenhos e filmes infantis. E foi assim que me apaixonei numa tarde de inverno por Toy Story (até hoje meu PIXAR favorito). Sem falar que Finding Nemo foi literalmente a primeira vez que Liam foi ao cinema! E que experiência inesquecível ver na telona imagens de peixinhos coloridos nadando num oceano de corais. Melhor estréia nas salas de cinema, (quase) impossível, né?




Os anos se passaram, meu filho hoje tem 13 anos e já não quer mais assistir filmes infantis - embora PIXAR atraia crianças e adultos de todas as idades. Mas ele prometeu assistir comigo em breve Monsters University (eu também amo Monters Inc.) e enquanto isso não acontece, fomos prestigiar a exibição na Amsterdam EXPO.

A exposição é para os fãs de animação em geral, e para os fãs da PIXAR em particular! Ela consiste em sketches originais feitos a lápis ou lápis de cera, artwork em vários estágios de produção, storyboards, imagens digitalizadas, além da exibição de curtas e de um documentário sobre o estúdio, etc. Enfim, ali você pode acompanhar todo o processo de criação de um dos estúdios mais inovadores dos últimos 30 anos!

Pra quem não sabe, a Pixar foi fundada em 1979 (!) pelo diretor de cinema George Lucas, e em 1986 obteve uma injeção de capital da Apple Inc., a famosa empresa fundada por Steve Jobs.  O estúdio cresceu tanto que acabou sendo adquirido em 2006 pela Disney Studio (que decidiu literalmente "comprar" a concorrência).

Entre os muitos sucesso de bilheteria e milhões em vendas de DVDs estão títulos como meu grande favorito Toy Story 1 (o primeiro filme da Pixar e também seu primeiro sucesso), as sequências Toy Story 2 e Toy Sotry 3, Monsters Inc., The Incredibles, Cars, Nemo, Up, Ratatouille (outro favorito), Brave (o único que não vi até hoje), e agora o esperado Monsters University. Enfim, muitos clássicos que fizeram e fazem parte da infância de muita gente.

E o seu favorito, qual é?


Liam na saída da exposição


quarta-feira, julho 24, 2013

Duas biografias imperdíveis

Tenho lido bastante, mas confesso que ando com uma preguiça danada de escrever aqui no blog (deve ser o calor...). Mas agora resolvi vencer a preguiça de uma vez por todas e escrever um post sobre dois livros que me impressionaram muito este ano. Eu não costumo ler biografias mas estas duas biografias me marcaram tanto que decidi compartilhar com vocês aqui no blog. São duas estórias distintas, de famílias de origens diferentes em países diferentes mas ambas excepcionais. Cada uma à sua maneira. Acima de tudo, dois belos exemplos de sobrevivência.


A primeira delas é The Glass Castle (traduzido no Brasil como O Castelo de Vidro), da jornalista e escritora americana Jeannette Walls. Um relato bigráfico impressionante que fica na memória do leitor por muito tempo (eu que o diga).

Jeannette é filha de um pai alcóolatra e uma mãe artista, ambos pobres e que vivem em uma miséria inacreditável (de passar fome), principalmente considerando-se que moram nos EUA. Jeannette tem um irmão mais velho e duas irmãs, que praticamente são obrigados a cuidar uns dos outros porque nem o pai nem a mãe tem a menor condição de criar seus filhos. Durante a infância, eles chegam a morar como nômades no deserto, depois mudam várias vezes de cidade e de escola, sendo literamente entregues aos seus próprios destinos. Na verdade, ao ler alguns trechos do livro, o simples fato de terem sobrevivido a criação que receberam é (quase) inacreditável! Um pai alcóolatra e uma mãe negligente (mais preocupada com sua "arte" do que com o que está acontecendo à sua volta), uma vida miserável em que não apenas as crianças iam pra escola sem café da manhã como eram literalmente obrigadas a "catar" algo para levar para o lanche escolar! O resto eu não conto pra não estragar a estória mas que é um relato impressionante, isso é - e muito bem escrito!

Então fiquem avisados: o livro é daqueles em que você ri e chora, alternadamente. Um relato humano e comovente de uma mulher que consegue criar para si uma vida, apesar de seu passado desastroso. Depois de completar seus estudos, Jeannette decide tomar o maior risco de sua vida e se mudar sozinha para Nova Iorque. Lá ela começa a trabalhar na editoria de um pequeno jornal até conseguir estabelecer uma carreira de jornalista (e depois escritora) num jornal prestigioso. Tudo sem ajuda de ninguém e com uma coragem e determinação de dar inveja a muita gente. Enfim, leitura obrigatória!


A segunda biografia, que me impressionou tanto quanto a primeira (mas por motivos muito diferentes) é The Three of Us (não encontrei tradução brasileira), da inglesa Julia Blackburn. Julia é criada por um pai poeta e alcóolatra (talvez a única semelhança entre as duas biografias mas, não obstante, um detalhe importante) e por uma mãe pintora, emocionalmente instável e acima de tudo, ninfomaníaca (sem brincadeira). Julia tem uma criação extremamente liberal, principalmente depois que a mãe se separa do pai e decide alugar quartos para rapazes (!). Aí começam os relatos de como Julia sobrevive no dia-a-dia com uma mãe egocêntrica, instável e sempre em busca de novas aventuras amorosas (em vários momentos tive a impressão de que a adolescente da estória era a mãe). Quando Julia entra na adolescência, sua mãe passa a vê-la como rival, o que cria situações desastrosas (e constrangedoras) para a filha. Anos depois, já mais velha, Julia decide entrar no jogo da mãe e "roubar" seu amante favorito (entre tantos outros), um homem quase 30 anos mais velho do que a própria Julia. Considerando-se a forma como Julia é tratada durante anos pela mãe, este "desfecho" é quase inevitável, digamos assim. Enfim, uma relação mãe-filha muito complexa e destrutiva, da qual Julia consegue se desvencilhar depois de muitos anos - e inúmeras sessões de terapia - mas não sem cicatrizes.

Um dos aspectos mais interessantes da biografia é o pano de fundo histórico, mais especificamente a boemia inglesa dos anos 60, com seu idealismo, o movimento hippie, a famosa (e controvertida) liberação sexual das mulheres ("Women's lib") etc. Nos relatos de Julia, você tem a oportunidade de acompanhar de perto como é crescer nesta década conturbada, no seio de uma família artística e boêmia. Enfim, uma criação nada convencional.

Duas leituras altamente recomendadas para quem gosta de uma biografia bem escrita!


terça-feira, julho 23, 2013

Férias virtuais, onda de calor e praia holandesa!




Quem segue este blog já deve ter percebido que ando sumida...por vários motivos. O principal talvez seja uma grande necessidade de reduzir minha presença virtual - nem tanto no blog (o problema aqui é preguiça mesmo) mas especialmente naquela rede social que todos conhecemos...Eu confesso que sempre tive problemas com aquilo ali, e agora que finalmente entendi as "regras", perdeu mesmo a graça. Vale pra manter contato com amigos e parentes distantes (sem dúvida alguma) e colocar fotos bonitinhas de passeios e lugares interessantes. Mas fica por aí. Muita bobagem, raras discussões interessantes (e não vou dizer inteligentes pra não ser taxada de "metida"como já aconteceu). Sem falar que finalmente aprendi que em algumas discussões não vale a pena entrar porque é puro desperdício de energia! E se bobear, ainda perde-se "amigos" (sim, aconteceu comigo, claro).

No mais, é verão, o sol resolveu aparecer e eu tenho ido à praia - muita praia! Pois é, pra quem não sabia, na Holanda também tem praia!Bem verdade que as águas são pra lá de geladas no Mar do Norte mas eu já me acostumei (quem não tem cão, caça com gato). Acabei de voltar sábado de Haia (onde fica a minha praia holandesa favorita: Kijkduin) e desde domingo as temperaturas aumentaram tanto (para padrões holandeses, qualquer temperatura acima de 25 graus é verão) que ontem o Instituto Meteorológico anunciou uma possível onda de calor, com medidas especiais para idosos e crianças pequenas. Hoje é terça, e desde domingo tem feito acima de 30 graus no sul da Holanda, e cerca de 28 graus em outras regiões.

Então aqui na Holanda a regra é o seguinte: 5 dias com temperaturas acima de 25 graus, sendo que 3 dias acima de 30 graus e o governo e a mídia holandesa anunciam oficialmente: ONDA DE CALOR! Você que mora no Brasil, pode rir agora. A verdade é que onda de calor na Holanda ocorre - com alguma sorte - a cada 3 anos! E claro que com tanto calor eu não sou boba de ficar atrás do computador, né? Ainda mais quando sofremos meses e meses com o inverno holandês!

Deixo abaixo algumas fotos da minha praia holandesa favorita. E dizer que até banho de mar eu tomei nas duas últimas semanas! Agora posso me considerar "oficialmente" holandesa, depois de tomar vários banhos nessas águas geladas do Mar do Norte...mas que é (muito) revigorante, isso é! Sem falar que banho de mar faz bem pro corpo e pra alma, né?

Confesso que o que mais sinto falta de morar no Brasil (fora as comidinhas tá?) é que aqui no norte da Europa (porque no sul da Europa a estória é bem outra) não temos tanta oportunidade de irmos à praia pois na maior parte do ano, as temperaturas simplesmente não permitem. Mas quando permitem, as praias lotam e há kms de engarrafamento nas rodovias. Porque holandês A-DO-RA uma praia. No verão eles viajam em massa para o sul da Europa (Portugal, Espanha e Grécia são os destinos de viagem mais populares) e Turquia. Agora com esta onda de calor na Holanda, quem ficou em casa se deu bem!




Liam tirando um cochilo...

domingo, junho 16, 2013

O Brasil visto pelos holandeses



Eu moro há quase 19 anos na Holanda e uma coisa eu não entendi até hoje: a total falta de interesse do holandês pelo Brasil e tudo que se refere a ele! Quando me mudei pra cá, estranhava quando as pessoas nem sequer se interessavam em saber de que país eu vinha. Pior ainda era quando perguntavam, eu dizia que era brasileira e a conversa ficava por aí. Bem diferente da experiência que eu mesma tive com franceses e alemães, por exemplo. Os franceses sempre foram apaixonados pelo Brasil, pela nossa rica cultura e sociedade. Já os alemães são apaixonados pelo Brasil de Jorge Amado e pela nossa cultura exótica. Infelizmente eles também dominam as estatísticas no turismo sexual (seguidos de perto pelos belgas). Os mais cultivados também curtem a música brasileira, o cinema e alguns escritores mais conhecidos.

Mas aqui na Holanda não há - nem nunca houve - nenhum sinal de interesse. E eu acabei me acostumando com isso. Querem um exemplo? Com todas essas manifestações acontecendo em várias capitais brasileiras no momento, não li nada nos jornais daqui. Pelo menos não nas manchetes internacionais...só se fala em Istanbul e Síria (como sempre). E claro, na crise interminável no sul da Europa: Grécia, Espanha e Itália. E na crise do euro em geral e nas reformas sendo feitas. O Brasil só aparece nos jornais quando é notícia ruim, do tipo: incêndio de boate em Santa Maria, desabamentos de terra em Teresópolis, assaltos e mortes violentas de turistas na orla do Rio e por ai vai. Vocês já sacaram, né?

Claro que o Brasil tem (muitos) problemas e por isso esta multidão toda decidiu ir pras ruas do país. Mas a Europa também está vivendo transformações profundas em função de uma crise que já dura 5 anos! Acabou a moleza, fraudes em vários setores tem sido descobertas (e não apenas no imposto de renda, mas também no setor de saúde), etc etc etc.

Então a Europa precisa entender de uma vez por todas (e muitos se recusam a aceitar isso) que hoje vivemos uma nova ordem mundial, com países como China, Índia e Brasil conquistando cada vez mais espaço na arena mundial (e já era tempo). Em termos de crescimento econômico, os índices desses países em pleno desenvolvimento são de matar de inveja muito economista e investidor europeu. E no entanto, a Europa insiste em continuar ditando as regras (junto com os EUA, claro).

O Brasil é hoje um dos principais parceiros comerciais da China. Nós exportamos matéria-prima para alimentar a indústria chinesa, por exemplo. Outra riqueza do Brasil é o gás natural. Enfim, temos riquezas suficientes para enfrentar de cabeça erguida as mudanças na economia mundial. O contrário pode-se dizer dos países europeus. Estagnação em vários setores, quedas na bolsa de valores, economia instável e poucos investimentos internacionais. Além disso, existe o alto desemprego de um lado, e a falta de pessoal qualificado de outro.

A imigração é um problema infindável e por mais rígidas que as leis de imigração tenham se tornado, o problema só cresce a olhos vistos nas principais capitais. Segregação social e racismo aumentam. Discriminação no mercado de trabalho idem (e tenho lido artigos nos jornais holandeses que confirmam isso). Talvez a raiz deste problema (e eu posso estar errada) é o fato de muitos países terem aberto suas portas nos anos 60 e 70 para trabalhadores braçais com baixo nível de escolaridade. Esses trabalhadores trouxeram suas famílias, tiveram filhos e netos aqui (e nem me refiro somente a Holanda porque a situação é idêntica na França ou na Alemanha). Em cidades como Amsterdam eles já compoem metade da população local! Enquanto isso, países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia dificultavam a entrada de imigrantes, dando vistos somente a imigrantes qualificados para o mercado de trabalho. Aí começa o problema - que obviamente é muito complexo.

Moral da estória: vivemos em um mundo em transição, novos países estão tomando o lugar de velhos países na arena mundial. E a Holanda precisa acordar e perceber isso. Prestar mais atenção em outros mercados em vez de ficar olhando para o próprio umbigo e sonhando com o passado glorioso. Está mais do que na hora de buscar exemplos e soluções em terras distantes (o que alguns já estão fazendo).




Meu único "consolo" é que assim como a Holanda não tem interesse no Brasil, o Brasil também não tem lá grande interesse na Holanda! Primeiro porque, por questões históricas, os brasileiros sempre foram mais voltados para os EUA (ou França, Alemanha e Inglaterra na Europa). Então o Brasil pode ser um país desconhecido para a grande maioria dos holandeses mas para os brasileiros a Holanda só representa duas coisas: tulipas e queijos! Ou em se tratando de Amsterdam: maconha e distrito da luz vermelha (uma pena porque esta cidade tem grandes atrativos).

E o mundo segue dando suas voltas...




NOTA: Escrevi este post no domingo, e na segunda-feira finalmente começaram a ser publicadas as primeiras notícias sobre as manifestações de rua no Brasil. Ontem à noite também vi na tv o ocorrido em Brasília (apoio total)...agora o Brasil virou manchete internacional: pelo menos desta vez é por uma boa causa. Avante, Brasil!

segunda-feira, junho 03, 2013

Das minhas paixões



Eu sou uma pessoa com várias paixões, e não me refiro apenas ao meu filho e meu namorado. Sempre tive vários interesses e quando gosto de algo, eu vou fundo, me apaixono mesmo - vai ver é porque sou sagitariana dupla! Duas das paixões que tem me acompanhado a vida inteira (e quem lê este blog sabe disso) são os livros e o cinema. Se eu fosse postar aqui cada vez que leio um livro ou assisto um filme, ia postar (quase) todo dia...e infelizmente falta disposição e tempo para tal. Enfim, quem quiser saber mais, é só ler os posts antigos nos marcadores filmes e livros.

Agora parando pra pensar, me dei conta que herdei ambas as paixões da minha mãe (falecida há 14 anos mas sempre presente na minha vida de uma forma ou de outra).  É que minha mãe adorava ler e foi através dela que descobri Clarice Lispector (lá pelos meus 14 anos, achei um livro curioso na prateleira de livros dela chamado Água Viva e foi o início de uma grande paixão por uma escritora que até hoje é minha favorita). Minha mãe também adorava cinema e assistimos juntas muitos clássicos de Hollywood na sessão da tarde. Filmes com Fred Astaire, Ginger Rogers, Audrey Hepburn, Cid Charisse e tantos outros astros, além de Shirley Temple que minha mãe amava. Foi também graças a ela que descobri Ingmar Bergman, o diretor de cinema sueco. Ela me levou aos 13 anos (!) para assistir nada menos que Sonata de Outono e claro, eu saí do cinema com um nó na garganta! Anos depois redescobri Bergman nas mostras do Estação Botafogo no Rio. Bons tempos aqueles.

Fora a paixão pela literatura e pelo cinema de arte, eu ainda tenho outra grande paixão: o scrapbooking e tudo relacionado a papéis e arte em papel. Tanto que tenho até outro blog com algumas das minhas criações: Scraps da Beth Blue. E não se iludam, scrapbooking é mais do que um hobbie: é uma terapia (já ouviram falar em arteterapia?). E quanto mais eu aprendo, mais quero aprender. Atualmente tenho me interessado enormemente por mixed media, uma arte que ainda quero aprender!


Robert Doisneau

Como se não bastasse, sou apaixonada por fotografia (minha mãe era fotógrafa amadora e fazia ótimas fotos) e ilustração. Mais especificamente, fotografia preto-e-branco da década de 40 e 50 e ilustração infantil (adoro folhear livros infantis nas livrarias). Essas duas paixões aparecem repetidamente nos meus boards do Pinterest, como este que acabei de criar esta semana e já se tornou um dos meus favoritos: B & W photography.


Outra grande paixão são as viagens, uma paixão que nos últimos tempos anda meio aposentada por motivos de força maior. Felizmente já viajei muito e sei que ainda irei viajar nesta vida. Conheci lugares maravilhosos que nunca sonhei em conhecer (veja aqui), e nem me refiro à Tunísia, um dos posts mais lidos aqui no blog. Já morei nos EUA (intercâmbio), em Dublin e Edinburgh (a trabalho) e moro há quase 19 anos em Amsterdam, que continua sendo uma das cidades mais charmosas da Europa. Conheço e amo Londres e Paris. Conheço o Reino Unido melhor do que conheço o país onde moro (e amo o Lake District e as Terras Altas da Escócia). Além de Cannes e Monte Carlo, conheci cidadezinhas pitorescas no sul da França (como Menton e Antibes). Conheci a bela Lisboa, Porto e o norte de Portugal, a região verde do Minho. Conheci Munique e passei um dia em Frankfurt visitando o Museu de História Natural cheio de dinossauros porque era a paixão do meu filho na época, rsrs. E conheci e amei Praga, uma cidade mágica! Nas viagens que ainda sonho fazer estão em primeiro lugar Istanbul. Depois provavelmente Viena, Salzburg e Innsbruck (esta última meu filho conheceu ano passado e adorou). Na lista tem ainda Budapeste e Berlim. E Grécia e Itália, dois países que ainda não visitei, por incrível que pareça e considerando-se que até já viajei pra Tunísia. E nem vou falar no sonho de conhecer a Nova Zelândia e visitar uma grande amiga que mora lá...Convenhamos, haja dinheiro né?

 
A bela Praga

Enfim, minha vida é cheia de paixões e são essas paixões que fazem a vida valer a pena. E agora vou confessar: sempre fico admirada quando vejo pessoas sem interesses especiais, sem nenhuma paixão nesta vida. Pessoas que se conformam em levar uma vidinha mais-ou-menos, acordando de manhã pra ir ao trabalho todo dia, depois vão pra casa, jantam, assistem tv e vão dormir! E quanta gente não vive assim? Sinceramente, pra ter uma vida assim eu prefereria morrer...

E você caro leitor, quais são as paixões que fazem a sua vida valer a pena?!!


Ainda irei conhecer: Istanbul


PS. Desnecessário dizer, Facebook NÃO é uma das minhas paixões, rsrsrsrs.
Tecnologia do Blogger.

A dieta





Pois então...depois de quase 5 anos sem fazer dieta de espécie alguma (shame on you), chegou o grande momento. Porque existe um momento em que você decide realmente mudar. Um momento em que diz: chega, cansei de ser gorda. Pois este momento chegou. É agora ou nunca (comigo é assim).

Há cinco anos atrás, eu fui a uma dietista e fiz uma reeducação alimentar (porque acreditem: dieta não funciona e dietas milagrosas não existem). Em quatro meses, emagreci cerca de 12 kgs - sem passar fome e comendo refeições saudáveis - e baixei um tamanho de roupas (de 48 para 46). Bem verdade que era apenas o começo de um longo processo...Consegui manter o novo peso por cerca de um ano e tudo estava dando certo, eu nadando 3x por semana, até que tive uma hérnia de disco. Fui obrigada a ficar de repouso ANTES e DEPOIS da operação, foram meses até a (maldita) dor na coluna realmente "sumir".


Desde então, recuperei todo o peso perdido e ainda ganhei uns 5 kgs na viagem ao Brasil em 2011 (que ainda não perdi porque ganhar peso é fácil, perder é que são elas). Enfim, tem muito trabalho pela frente. A boa notícia é que se eu fiz uma vez e deu certo (e deu mesmo), agora vou fazer de novo e vai dar certo também. Estou praticamente revendo a dieta de 2008, usando um caderno para anotar tudo que como e bebo (ótima dica da dietista para se ter controle do consumo, e não necessariamente de calorias mas de alimentos mesmo).

Semana passada tive a primeira consulta com a nova dietista e agora acabei de voltar da segunda consulta. Os primeiros 2kgs já se foram até porque, pra quem está muito acima do peso como eu (preciso perder uns 30 kgs mas até com 20 kgs hoje em dia eu já fico feliz da vida), os primeiros 5 kgs a gente perde sem muito esforço. É a tal retenção de líquidos, né? Claro que só de pensar em 30kgs a gente surta então dividi em metas menores: primeiro 10kgs, depois mais 10kgs e assim vamos seguindo. Tudo com muita calma, porque não é indicado perder peso muito rápido, 1kg por semana (4 kgs por mês) é ideal. Assim sendo, marquei uma data no meu calendário: meu aniversário em dezembro! Até lá pretendo perder no mínimo 10 kgs, talvez até uns 12kgs se eu entrar numa rotina de atividade física.

Então agora é andar mais de bicicleta (e aqui na Holanda as ciclovias são ótimas então esta desculpa eu não tenho) e o mais importante no quesito atividade física: voltar a nadar! Porque nadar é praticamente o único esporte que eu realmente curto...e eu parei há mais de 2 anos!

Enfim, só pra deixar registrado. Torçam por mim porque a estrada é longa mas eu consigo...um dia de cada vez!


(In)feliz por comparação



Engraçado como as coisas funcionam dentro da cabeça da gente e como alguns hábitos são duros de se mudar! O hábito de comparar a nossa felicidade com a dos outros, por exemplo. Provavelmente um dos piores hábitos que existe. Sabem aquela estória de "a grama do vizinho sempre é mais verde"? Pois é.

Em determinadas fases da vida em que as coisas parecem não querer "desandar" e a gente continua esperando aquela virada de maré, é difícil a gente não se comparar com pessoas que parecem ter tudo "sob controle" (nem que seja apenas superficialmente, o que também acontece). Em alguns aspectos da minha vida - certamente no aspecto profissional - eu fico pensando porque tudo pra mim é tão difícil enquanto outras pessoas estão lá acordando cedo, tomando café e indo trabalhar todo dia sem precisar pensar duas vezes no significado de suas vidas. Eu fico pensando porque algumas pessoas tem mais sorte do que as outras - e claro que determinação e esforço próprio também contam (já estou ouvindo até as vozes de algumas pessoas). Mas a verdade é que a sorte também é um fator que muitos ignoram. Geralmente são os mais jovens e inexperientes, que acham que a vida pode ser 100% construída, o que é uma meia verdade e quem acumulou experiências pela vida afora sabe muito bem disso. Porque é possível sim construir nossos destinos até um certo grau - mas muita coisa independe do nosso controle (e como a vida seria mais fácil se pudessemos controlar tudo que acontece com a gente). São fatores externos pelos quais não temos o menor controle. E quem passou ou passa por isso, sabe exatamente do que estou falando. Sem falar que até os trinta e poucos anos, temos um amplo leque de oportunidades, e com o passar dos anos elas vão se tornando mais escassas. É aquela velha estória: ter filhos e fazer carreira a gente faz lá pelos trinta anos. Depois ainda é possível mas fica bem mais difícil. Já vi por exemplo mulheres que decidiram investir na carreira e acabaram tendo filhos depois dos 40 anos. Ou pior, mulheres que chegaram nesta idade e descobriram que não podiam mais engravidar. Enfim, problema todo mundo tem, né?

Mas vamos ao que interessa. Eu fiz uma descoberta nos últimos tempos. Existem duas maneiras bem distintas de encararmos nossas vidas: a gente pode comparar com quem está melhor e se sentir infeliz (e existe muita gente em situação melhor). Ou pode comparar com quem está pior e se sentir feliz (e existe muita gente em situação pior). Escrevendo assim parece tão óbvio (e para algumas pessoas é mesmo) mas este tem sido um exercício árduo nos últimos tempos. Porque ainda existem pedras no meu caminho. Sem falar que alguns problemas parecem insistir em não ir embora (a gente pode até tentar ignorá-los mas eles sempre voltam). Enfim, a luta continua. O que me faz lembrar de outro velho ditado: o que não me mata, me fortalece. Sim, eu adoro um clichê.

Recentemente tive um grande insight ao assistir um documentário sobre jovens prostitutas nas Filipinas, o tal turismo sexual (provavelmente o maior setor da economia local). No programa, duas estudantes universitárias holandesas foram enviadas para passar uma semana convivendo com jovens prostitutas (muitas delas menores de idade). E isso resultou em cenas comoventes, que me levaram às lágrimas. Porque sim, caros leitores, ainda há muita injustiça por este mundo afora e muita gente não tem mesmo sorte. Claro que se trata de uma "situação extrema" mas por outro lado, este problema é comum em vários países pobres, até mesmo no nosso Brasil com seu tão proclamado "booming econômico". O que me lembra outro documentário que vi na tv holandesa alguns anos atrás sobre prostitutas em Recife, muitas delas jovens de 14 anos (ou menos). Dá vontade de chorar mesmo - e de bater nesses homens que se acham no direito de tratar essas mulheres como uma espécie de boneca inflável, sem sentimentos e vontade própria.

Enfim, depois do documentário nas Filipinas, inevitavelmente comparei a minha vida com a dessas jovens mulheres sem perspectiva de futuro (algumas mães solteiras) e de repente todos os meus problemas se tornaram relativos! Sim, meus problemas ainda existem mas a verdade é que poderia ser muito pior.

Pra encurtar a estória, fiz uma promessa a mim mesma: toda vez que eu estiver triste com algumas circunstâncias da minha vida, eu vou me lembrar dessas meninas. Acho que era isso que eu queria dizer hoje.

25 anos de PIXAR!






Tinha escrito um rascunho mas não tive tempo de aparecer por aqui antes então lá vai. Semana passada finalmente fomos na Amsterdam EXPO conferir a exposição internacional da PIXAR, em homenagem aos 25 anos de existência de um dos melhores estúdios de animação do mundo - o concorrente mais próximo é a DreamWorks (dos maravilhosos Ice Age e Madagascar, aqui em casa somos fãs).

Uma das maiores vantagens de se ter filhos é que quando eles são pequenos temos a desculpa "perfeita" para assistirmos sem culpa muitos desenhos e filmes infantis. E foi assim que me apaixonei numa tarde de inverno por Toy Story (até hoje meu PIXAR favorito). Sem falar que Finding Nemo foi literalmente a primeira vez que Liam foi ao cinema! E que experiência inesquecível ver na telona imagens de peixinhos coloridos nadando num oceano de corais. Melhor estréia nas salas de cinema, (quase) impossível, né?




Os anos se passaram, meu filho hoje tem 13 anos e já não quer mais assistir filmes infantis - embora PIXAR atraia crianças e adultos de todas as idades. Mas ele prometeu assistir comigo em breve Monsters University (eu também amo Monters Inc.) e enquanto isso não acontece, fomos prestigiar a exibição na Amsterdam EXPO.

A exposição é para os fãs de animação em geral, e para os fãs da PIXAR em particular! Ela consiste em sketches originais feitos a lápis ou lápis de cera, artwork em vários estágios de produção, storyboards, imagens digitalizadas, além da exibição de curtas e de um documentário sobre o estúdio, etc. Enfim, ali você pode acompanhar todo o processo de criação de um dos estúdios mais inovadores dos últimos 30 anos!

Pra quem não sabe, a Pixar foi fundada em 1979 (!) pelo diretor de cinema George Lucas, e em 1986 obteve uma injeção de capital da Apple Inc., a famosa empresa fundada por Steve Jobs.  O estúdio cresceu tanto que acabou sendo adquirido em 2006 pela Disney Studio (que decidiu literalmente "comprar" a concorrência).

Entre os muitos sucesso de bilheteria e milhões em vendas de DVDs estão títulos como meu grande favorito Toy Story 1 (o primeiro filme da Pixar e também seu primeiro sucesso), as sequências Toy Story 2 e Toy Sotry 3, Monsters Inc., The Incredibles, Cars, Nemo, Up, Ratatouille (outro favorito), Brave (o único que não vi até hoje), e agora o esperado Monsters University. Enfim, muitos clássicos que fizeram e fazem parte da infância de muita gente.

E o seu favorito, qual é?


Liam na saída da exposição


Duas biografias imperdíveis

Tenho lido bastante, mas confesso que ando com uma preguiça danada de escrever aqui no blog (deve ser o calor...). Mas agora resolvi vencer a preguiça de uma vez por todas e escrever um post sobre dois livros que me impressionaram muito este ano. Eu não costumo ler biografias mas estas duas biografias me marcaram tanto que decidi compartilhar com vocês aqui no blog. São duas estórias distintas, de famílias de origens diferentes em países diferentes mas ambas excepcionais. Cada uma à sua maneira. Acima de tudo, dois belos exemplos de sobrevivência.


A primeira delas é The Glass Castle (traduzido no Brasil como O Castelo de Vidro), da jornalista e escritora americana Jeannette Walls. Um relato bigráfico impressionante que fica na memória do leitor por muito tempo (eu que o diga).

Jeannette é filha de um pai alcóolatra e uma mãe artista, ambos pobres e que vivem em uma miséria inacreditável (de passar fome), principalmente considerando-se que moram nos EUA. Jeannette tem um irmão mais velho e duas irmãs, que praticamente são obrigados a cuidar uns dos outros porque nem o pai nem a mãe tem a menor condição de criar seus filhos. Durante a infância, eles chegam a morar como nômades no deserto, depois mudam várias vezes de cidade e de escola, sendo literamente entregues aos seus próprios destinos. Na verdade, ao ler alguns trechos do livro, o simples fato de terem sobrevivido a criação que receberam é (quase) inacreditável! Um pai alcóolatra e uma mãe negligente (mais preocupada com sua "arte" do que com o que está acontecendo à sua volta), uma vida miserável em que não apenas as crianças iam pra escola sem café da manhã como eram literalmente obrigadas a "catar" algo para levar para o lanche escolar! O resto eu não conto pra não estragar a estória mas que é um relato impressionante, isso é - e muito bem escrito!

Então fiquem avisados: o livro é daqueles em que você ri e chora, alternadamente. Um relato humano e comovente de uma mulher que consegue criar para si uma vida, apesar de seu passado desastroso. Depois de completar seus estudos, Jeannette decide tomar o maior risco de sua vida e se mudar sozinha para Nova Iorque. Lá ela começa a trabalhar na editoria de um pequeno jornal até conseguir estabelecer uma carreira de jornalista (e depois escritora) num jornal prestigioso. Tudo sem ajuda de ninguém e com uma coragem e determinação de dar inveja a muita gente. Enfim, leitura obrigatória!


A segunda biografia, que me impressionou tanto quanto a primeira (mas por motivos muito diferentes) é The Three of Us (não encontrei tradução brasileira), da inglesa Julia Blackburn. Julia é criada por um pai poeta e alcóolatra (talvez a única semelhança entre as duas biografias mas, não obstante, um detalhe importante) e por uma mãe pintora, emocionalmente instável e acima de tudo, ninfomaníaca (sem brincadeira). Julia tem uma criação extremamente liberal, principalmente depois que a mãe se separa do pai e decide alugar quartos para rapazes (!). Aí começam os relatos de como Julia sobrevive no dia-a-dia com uma mãe egocêntrica, instável e sempre em busca de novas aventuras amorosas (em vários momentos tive a impressão de que a adolescente da estória era a mãe). Quando Julia entra na adolescência, sua mãe passa a vê-la como rival, o que cria situações desastrosas (e constrangedoras) para a filha. Anos depois, já mais velha, Julia decide entrar no jogo da mãe e "roubar" seu amante favorito (entre tantos outros), um homem quase 30 anos mais velho do que a própria Julia. Considerando-se a forma como Julia é tratada durante anos pela mãe, este "desfecho" é quase inevitável, digamos assim. Enfim, uma relação mãe-filha muito complexa e destrutiva, da qual Julia consegue se desvencilhar depois de muitos anos - e inúmeras sessões de terapia - mas não sem cicatrizes.

Um dos aspectos mais interessantes da biografia é o pano de fundo histórico, mais especificamente a boemia inglesa dos anos 60, com seu idealismo, o movimento hippie, a famosa (e controvertida) liberação sexual das mulheres ("Women's lib") etc. Nos relatos de Julia, você tem a oportunidade de acompanhar de perto como é crescer nesta década conturbada, no seio de uma família artística e boêmia. Enfim, uma criação nada convencional.

Duas leituras altamente recomendadas para quem gosta de uma biografia bem escrita!


Férias virtuais, onda de calor e praia holandesa!




Quem segue este blog já deve ter percebido que ando sumida...por vários motivos. O principal talvez seja uma grande necessidade de reduzir minha presença virtual - nem tanto no blog (o problema aqui é preguiça mesmo) mas especialmente naquela rede social que todos conhecemos...Eu confesso que sempre tive problemas com aquilo ali, e agora que finalmente entendi as "regras", perdeu mesmo a graça. Vale pra manter contato com amigos e parentes distantes (sem dúvida alguma) e colocar fotos bonitinhas de passeios e lugares interessantes. Mas fica por aí. Muita bobagem, raras discussões interessantes (e não vou dizer inteligentes pra não ser taxada de "metida"como já aconteceu). Sem falar que finalmente aprendi que em algumas discussões não vale a pena entrar porque é puro desperdício de energia! E se bobear, ainda perde-se "amigos" (sim, aconteceu comigo, claro).

No mais, é verão, o sol resolveu aparecer e eu tenho ido à praia - muita praia! Pois é, pra quem não sabia, na Holanda também tem praia!Bem verdade que as águas são pra lá de geladas no Mar do Norte mas eu já me acostumei (quem não tem cão, caça com gato). Acabei de voltar sábado de Haia (onde fica a minha praia holandesa favorita: Kijkduin) e desde domingo as temperaturas aumentaram tanto (para padrões holandeses, qualquer temperatura acima de 25 graus é verão) que ontem o Instituto Meteorológico anunciou uma possível onda de calor, com medidas especiais para idosos e crianças pequenas. Hoje é terça, e desde domingo tem feito acima de 30 graus no sul da Holanda, e cerca de 28 graus em outras regiões.

Então aqui na Holanda a regra é o seguinte: 5 dias com temperaturas acima de 25 graus, sendo que 3 dias acima de 30 graus e o governo e a mídia holandesa anunciam oficialmente: ONDA DE CALOR! Você que mora no Brasil, pode rir agora. A verdade é que onda de calor na Holanda ocorre - com alguma sorte - a cada 3 anos! E claro que com tanto calor eu não sou boba de ficar atrás do computador, né? Ainda mais quando sofremos meses e meses com o inverno holandês!

Deixo abaixo algumas fotos da minha praia holandesa favorita. E dizer que até banho de mar eu tomei nas duas últimas semanas! Agora posso me considerar "oficialmente" holandesa, depois de tomar vários banhos nessas águas geladas do Mar do Norte...mas que é (muito) revigorante, isso é! Sem falar que banho de mar faz bem pro corpo e pra alma, né?

Confesso que o que mais sinto falta de morar no Brasil (fora as comidinhas tá?) é que aqui no norte da Europa (porque no sul da Europa a estória é bem outra) não temos tanta oportunidade de irmos à praia pois na maior parte do ano, as temperaturas simplesmente não permitem. Mas quando permitem, as praias lotam e há kms de engarrafamento nas rodovias. Porque holandês A-DO-RA uma praia. No verão eles viajam em massa para o sul da Europa (Portugal, Espanha e Grécia são os destinos de viagem mais populares) e Turquia. Agora com esta onda de calor na Holanda, quem ficou em casa se deu bem!




Liam tirando um cochilo...

O Brasil visto pelos holandeses



Eu moro há quase 19 anos na Holanda e uma coisa eu não entendi até hoje: a total falta de interesse do holandês pelo Brasil e tudo que se refere a ele! Quando me mudei pra cá, estranhava quando as pessoas nem sequer se interessavam em saber de que país eu vinha. Pior ainda era quando perguntavam, eu dizia que era brasileira e a conversa ficava por aí. Bem diferente da experiência que eu mesma tive com franceses e alemães, por exemplo. Os franceses sempre foram apaixonados pelo Brasil, pela nossa rica cultura e sociedade. Já os alemães são apaixonados pelo Brasil de Jorge Amado e pela nossa cultura exótica. Infelizmente eles também dominam as estatísticas no turismo sexual (seguidos de perto pelos belgas). Os mais cultivados também curtem a música brasileira, o cinema e alguns escritores mais conhecidos.

Mas aqui na Holanda não há - nem nunca houve - nenhum sinal de interesse. E eu acabei me acostumando com isso. Querem um exemplo? Com todas essas manifestações acontecendo em várias capitais brasileiras no momento, não li nada nos jornais daqui. Pelo menos não nas manchetes internacionais...só se fala em Istanbul e Síria (como sempre). E claro, na crise interminável no sul da Europa: Grécia, Espanha e Itália. E na crise do euro em geral e nas reformas sendo feitas. O Brasil só aparece nos jornais quando é notícia ruim, do tipo: incêndio de boate em Santa Maria, desabamentos de terra em Teresópolis, assaltos e mortes violentas de turistas na orla do Rio e por ai vai. Vocês já sacaram, né?

Claro que o Brasil tem (muitos) problemas e por isso esta multidão toda decidiu ir pras ruas do país. Mas a Europa também está vivendo transformações profundas em função de uma crise que já dura 5 anos! Acabou a moleza, fraudes em vários setores tem sido descobertas (e não apenas no imposto de renda, mas também no setor de saúde), etc etc etc.

Então a Europa precisa entender de uma vez por todas (e muitos se recusam a aceitar isso) que hoje vivemos uma nova ordem mundial, com países como China, Índia e Brasil conquistando cada vez mais espaço na arena mundial (e já era tempo). Em termos de crescimento econômico, os índices desses países em pleno desenvolvimento são de matar de inveja muito economista e investidor europeu. E no entanto, a Europa insiste em continuar ditando as regras (junto com os EUA, claro).

O Brasil é hoje um dos principais parceiros comerciais da China. Nós exportamos matéria-prima para alimentar a indústria chinesa, por exemplo. Outra riqueza do Brasil é o gás natural. Enfim, temos riquezas suficientes para enfrentar de cabeça erguida as mudanças na economia mundial. O contrário pode-se dizer dos países europeus. Estagnação em vários setores, quedas na bolsa de valores, economia instável e poucos investimentos internacionais. Além disso, existe o alto desemprego de um lado, e a falta de pessoal qualificado de outro.

A imigração é um problema infindável e por mais rígidas que as leis de imigração tenham se tornado, o problema só cresce a olhos vistos nas principais capitais. Segregação social e racismo aumentam. Discriminação no mercado de trabalho idem (e tenho lido artigos nos jornais holandeses que confirmam isso). Talvez a raiz deste problema (e eu posso estar errada) é o fato de muitos países terem aberto suas portas nos anos 60 e 70 para trabalhadores braçais com baixo nível de escolaridade. Esses trabalhadores trouxeram suas famílias, tiveram filhos e netos aqui (e nem me refiro somente a Holanda porque a situação é idêntica na França ou na Alemanha). Em cidades como Amsterdam eles já compoem metade da população local! Enquanto isso, países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia dificultavam a entrada de imigrantes, dando vistos somente a imigrantes qualificados para o mercado de trabalho. Aí começa o problema - que obviamente é muito complexo.

Moral da estória: vivemos em um mundo em transição, novos países estão tomando o lugar de velhos países na arena mundial. E a Holanda precisa acordar e perceber isso. Prestar mais atenção em outros mercados em vez de ficar olhando para o próprio umbigo e sonhando com o passado glorioso. Está mais do que na hora de buscar exemplos e soluções em terras distantes (o que alguns já estão fazendo).




Meu único "consolo" é que assim como a Holanda não tem interesse no Brasil, o Brasil também não tem lá grande interesse na Holanda! Primeiro porque, por questões históricas, os brasileiros sempre foram mais voltados para os EUA (ou França, Alemanha e Inglaterra na Europa). Então o Brasil pode ser um país desconhecido para a grande maioria dos holandeses mas para os brasileiros a Holanda só representa duas coisas: tulipas e queijos! Ou em se tratando de Amsterdam: maconha e distrito da luz vermelha (uma pena porque esta cidade tem grandes atrativos).

E o mundo segue dando suas voltas...




NOTA: Escrevi este post no domingo, e na segunda-feira finalmente começaram a ser publicadas as primeiras notícias sobre as manifestações de rua no Brasil. Ontem à noite também vi na tv o ocorrido em Brasília (apoio total)...agora o Brasil virou manchete internacional: pelo menos desta vez é por uma boa causa. Avante, Brasil!

Das minhas paixões



Eu sou uma pessoa com várias paixões, e não me refiro apenas ao meu filho e meu namorado. Sempre tive vários interesses e quando gosto de algo, eu vou fundo, me apaixono mesmo - vai ver é porque sou sagitariana dupla! Duas das paixões que tem me acompanhado a vida inteira (e quem lê este blog sabe disso) são os livros e o cinema. Se eu fosse postar aqui cada vez que leio um livro ou assisto um filme, ia postar (quase) todo dia...e infelizmente falta disposição e tempo para tal. Enfim, quem quiser saber mais, é só ler os posts antigos nos marcadores filmes e livros.

Agora parando pra pensar, me dei conta que herdei ambas as paixões da minha mãe (falecida há 14 anos mas sempre presente na minha vida de uma forma ou de outra).  É que minha mãe adorava ler e foi através dela que descobri Clarice Lispector (lá pelos meus 14 anos, achei um livro curioso na prateleira de livros dela chamado Água Viva e foi o início de uma grande paixão por uma escritora que até hoje é minha favorita). Minha mãe também adorava cinema e assistimos juntas muitos clássicos de Hollywood na sessão da tarde. Filmes com Fred Astaire, Ginger Rogers, Audrey Hepburn, Cid Charisse e tantos outros astros, além de Shirley Temple que minha mãe amava. Foi também graças a ela que descobri Ingmar Bergman, o diretor de cinema sueco. Ela me levou aos 13 anos (!) para assistir nada menos que Sonata de Outono e claro, eu saí do cinema com um nó na garganta! Anos depois redescobri Bergman nas mostras do Estação Botafogo no Rio. Bons tempos aqueles.

Fora a paixão pela literatura e pelo cinema de arte, eu ainda tenho outra grande paixão: o scrapbooking e tudo relacionado a papéis e arte em papel. Tanto que tenho até outro blog com algumas das minhas criações: Scraps da Beth Blue. E não se iludam, scrapbooking é mais do que um hobbie: é uma terapia (já ouviram falar em arteterapia?). E quanto mais eu aprendo, mais quero aprender. Atualmente tenho me interessado enormemente por mixed media, uma arte que ainda quero aprender!


Robert Doisneau

Como se não bastasse, sou apaixonada por fotografia (minha mãe era fotógrafa amadora e fazia ótimas fotos) e ilustração. Mais especificamente, fotografia preto-e-branco da década de 40 e 50 e ilustração infantil (adoro folhear livros infantis nas livrarias). Essas duas paixões aparecem repetidamente nos meus boards do Pinterest, como este que acabei de criar esta semana e já se tornou um dos meus favoritos: B & W photography.


Outra grande paixão são as viagens, uma paixão que nos últimos tempos anda meio aposentada por motivos de força maior. Felizmente já viajei muito e sei que ainda irei viajar nesta vida. Conheci lugares maravilhosos que nunca sonhei em conhecer (veja aqui), e nem me refiro à Tunísia, um dos posts mais lidos aqui no blog. Já morei nos EUA (intercâmbio), em Dublin e Edinburgh (a trabalho) e moro há quase 19 anos em Amsterdam, que continua sendo uma das cidades mais charmosas da Europa. Conheço e amo Londres e Paris. Conheço o Reino Unido melhor do que conheço o país onde moro (e amo o Lake District e as Terras Altas da Escócia). Além de Cannes e Monte Carlo, conheci cidadezinhas pitorescas no sul da França (como Menton e Antibes). Conheci a bela Lisboa, Porto e o norte de Portugal, a região verde do Minho. Conheci Munique e passei um dia em Frankfurt visitando o Museu de História Natural cheio de dinossauros porque era a paixão do meu filho na época, rsrs. E conheci e amei Praga, uma cidade mágica! Nas viagens que ainda sonho fazer estão em primeiro lugar Istanbul. Depois provavelmente Viena, Salzburg e Innsbruck (esta última meu filho conheceu ano passado e adorou). Na lista tem ainda Budapeste e Berlim. E Grécia e Itália, dois países que ainda não visitei, por incrível que pareça e considerando-se que até já viajei pra Tunísia. E nem vou falar no sonho de conhecer a Nova Zelândia e visitar uma grande amiga que mora lá...Convenhamos, haja dinheiro né?

 
A bela Praga

Enfim, minha vida é cheia de paixões e são essas paixões que fazem a vida valer a pena. E agora vou confessar: sempre fico admirada quando vejo pessoas sem interesses especiais, sem nenhuma paixão nesta vida. Pessoas que se conformam em levar uma vidinha mais-ou-menos, acordando de manhã pra ir ao trabalho todo dia, depois vão pra casa, jantam, assistem tv e vão dormir! E quanta gente não vive assim? Sinceramente, pra ter uma vida assim eu prefereria morrer...

E você caro leitor, quais são as paixões que fazem a sua vida valer a pena?!!


Ainda irei conhecer: Istanbul


PS. Desnecessário dizer, Facebook NÃO é uma das minhas paixões, rsrsrsrs.