sábado, dezembro 14, 2013
Eu ando triste...
Só vou dizer uma coisa: eu posso não ter família na Holanda, posso ter poucos amigos aqui perto mas graças a Deus temos tido (muita) assistência de outras pessoas. Gente cuja vocação - mais do que mera profissão - é ajudar os que precisam de um ombro amigo, de ouvidos para ouvir sem críticas ou julgamentos apressados. A começar pela minha médica da família, que me acompanha há oito anos, conhece o meu histórico e sempre tem tempo pra me ouvir sem minimizar ou "relativar" a minha dor. Esta mesma médica achou bom encaminhar o Liam para um psicólogo. Até porque, adolescência ou não, ele faz parte do grupo de risco (minha mãe também sofreu de depressão a vida inteira).
Quanto a mim, este blog costumava ser a minha válvula de escape, uma espécie de diário pessoal, um relato das minhas lutas e vitórias - só estar viva já é pra mim uma grande vitória. Mas depois de várias experiências desagradáveis com amizades, decidi me isolar ainda mais e me poupar. Só que o isolamento é uma faca de dois gumes...e infelizmente isso só parece ter agravado a minha situação (assim como o fato de ter parado de escrever aqui sobre essas questões).
Porque a verdade é simples: eu preciso escrever. Não interessa se alguém vai ler ou deixar de ler, se vai entender ou não. Eu sei que muitos não entendem, mas tem muita gente que entende, que vive a mesma batalha e é para eles que eu escrevo nessas horas. Eu preciso escrever pra colocar pra fora esta avalanche de pensamentos descoordenados dentro da minha cabeça. Preciso escrever para tentar colocar ordem no caos, para tentar conter os estragos. Mas perdi a vontade de compartilhar qualquer coisa hoje em dia. Com o passar dos anos desisti de contar com a ajuda de amigos (e nem posso, se for pensar bem, cada um tem seus próprios problemas e no final das contas, é cada um por si mesmo).
Felizmente tenho a ajuda de profissionais, que nunca me desapontaram ao longo de todos estes anos. O que é até irônico porque aqui na Holanda o que mais tem é brasileiro reclamando do sistema de saúde holandês! E foi uma das poucas coisas em que tive sorte por aqui, sempre me "enviaram" a pessoa certa na hora certa. Nessas horas acredito que eu tenha um "anjo da guarda" mexendo os pauzinhos lá encima pra mim. E a estória se repete agora na escola do Liam, onde encontramos pessoas dedicadas e maravilhosas, dispostas a ouvir e a ajudar. Faz toda a diferença, acreditem.
Last but not least, tem o F. que nunca me abandonou, até quando eu mesma decidi abandoná-lo. Uma presença essencial na minha vida e que me ajuda a manter a minha estabilidade (sanidade) emocional e mental. Uma pessoa tão diferente de mim, com a vida toda certinha (tudo planejado) e a cabeça e o coração nos lugares certos! Podemos até não estar namorando "oficialmente" (eu já terminei este namoro duas vezes nos últimos seis anos) mas ele sempre vem aqui me visitar, quase todo fim-de-semana. E se eu estiver mal, sei que posso ligar pra ele a qualquer hora do dia ou da noite. O que eu não posso dizer de outras pessoas. E isso também tem feito toda a diferença nesses dias escuros. Porque ninguém vence esta batalha sozinha.
Desculpem o assunto chato, desculpem a falta de boas notícias. Mas hoje eu só precisava escrever. Mais nada.
quarta-feira, novembro 27, 2013
Dezembro em Amsterdam
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| Feira de Natal |
Enfim, chega novembro, os dias ficam mais curtos e a cidade começa a ser decorada para o natal. Surgem decorações de rua com muitas luzes de natal, na primeira semana de dezembro é colocada a tradicional árvore de natal na praça Dam (Dam Square) e nos últimos anos, a prefeitura de Amsterdam resolveu atrair mais turistas com uma Feira de Natal no modelo das tradicionais feiras de natal tão comuns na Alemanha. Aquelas feiras com barraquinhas que vendem todo tipo de guloseima que associamos aos meses de inverno. Chocolate quente, waffels, glüwein, bolinhos fritos aqui chamados de oliebollen e consumidos em quantidades enormes pelos holandeses nesta época do ano (e especialmente na virada do ano, como manda a tradição holandesa).
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| A famosa árvore de natal da Dam |
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| Os deliciosos waffels |
Mas a minha dica especial para os meses de inverno não é o mercado de natal e sim uma tarde curtindo um dos vários museus da cidade, seguida de um bom café com torta de maçã em um dos cafés típicos. Quem quiser dicas específicas sobre os cafés mais legais frequentados pelos locais (e não apenas aquelas armadilhas para turistas), entre em contato comigo. Pra terem uma idéia do que estou falando, dêem uma olhada no meu board no Pinterest chamado Amsterdam by the locals. Vejam aqui.
Pra finalizar, os mais aventureiros não podem deixar de visitar um dos mais belos rinques de patinação no gelo da Holanda, localizado no Museumplein. Sim, a famosa "praça dos museus" e sem dúvida, a mais prestigiosa da cidade. O rinque abre no dia 29 de novembro e funciona 7 dias na semana até final de janeiro/início de fevereiro!
segunda-feira, novembro 18, 2013
Melhor livro do ano
Este ano descobri uma nova escritora favorita: Ruth Ozeki. Ela é uma escritora americana e o último (terceiro) livro dela, A Tale for the Time Being, concorreu ao Man Booker Prize desde ano. Perdeu para Luminaries, de uma escritora da Nova Zelândia, mas ganhou desta singela leitora o prêmio de MELHOR LIVRO DO ANO. E eu já li 24 livros este ano, o que é pouco para mim mas é que fiquei os meses de primavera/verão sem ler nada...shame on me!
Eu simplesmente me apaixonei pela estória e pelo estilo da autora. Na verdade, são duas estórias paralelas, em tempo e lugares distintos. Os temas principais são o tempo, a morte e o biculturalismo - este último tema me atrai por motivos óbvios, afinal eu também aprendi a (sobre)viver entre duas culturas (no meu caso, a brasileira e a holandesa). Outros temas não menos importantes são depressão, suicídio e...zen-budismo! Enfim, um prato variado capaz de manter o leitor envolvido até a última página.
O que torna este livro interessante é o fato de a escritora relatar de forma tão minuciosa os contrastes entre duas culturas e dois estilos de vida tão distintos: a cultura americana e a cultura japonesa. E isso ela faz magistralmente, pois ela mesma cresceu e vive nos EUA, filha de mãe japonesa.
As duas protagonistas da estória (que não podiam ser mais diferentes) são uma jovem japonesa chamada Nao, que mora no Japão depois de ter vivido seus "anos de formação" nos EUA com seus pais (o pai era engenheiro e trabalhou no Silicon Valley até ser demitido e se ver obrigado a retornar a Tóquio, onde acaba desempregado e deprimido). Nao volta aos 13 anos para o Japão e não consegue se adaptar à cultura japonesa, e além de lidar com problemas de adaptação ela sofre ainda com bullying na escola. A outra personagem é Ruth, uma escritora americana já na terceira idade que mora com seu marido em uma ilha isolada que pertence ao território de British Columbia (Canadá), onde a Internet oferece o único acesso à civilização.
Estes dois universos e personagens se cruzam quando Ruth encontra numa praia uma lancheira da Hello Kitty (mais japonês impossível), contendo intacto um diário escrito em japonês. Logo ela descobre que esta caixinha é um resíduo trazido pelo mar de um dos maiores tsunamis da história do Japão: o tsunami de Tohoku em 2011 (leia mais aqui). O tsunami foi tão devastador que afetou ainda vários países na costa do Pacífico, do Alasca até o Chile.
Enfim, o livro é uma viagem surpreendente por duas culturas, duas vidas e com toques de zen-budismo e até mesmo uma aula de meditação oferecidos por Jiku, bisavó de Nao e monge budista, outra personagem-chave nesta trama original. Em suma, leiam!
PS. Pesquisei no site da Livraria Cultura mas oi livro parece ainda não ter sido traduzido para o mercado brasileiro...quem puder ler em inglês, leia!
domingo, novembro 10, 2013
Once Upon a Time
Esta semana estive na minha biblioteca favorita e decidi pegar uma série de tv nova para assistir em casa. Eles tem um acervo enorme e atualizado, e você paga apenas 1 euro por semana! Enfim, grande idéia para as longas noites de inverno que se aproximam.
Desta vez peguei a série Once Upon a Time, cujas primeiras duas temporadas já passaram aqui na tv holandesa mas eu perdi (só vi mesmo uns trailers). E admito que já assisti 18 dos 22 episódios da primeira temporada e me apaixonei! Viciante mesmo, fiquem avisados.
No fundo, no fundo, acho que todo mundo gosta de um Conto de Fadas...e tem gente que até acredita no tal Príncipe Encantado (o belo Prince Charming da série). Eu nunca acreditei em príncipes e por isso mesmo adorei a série...porque ela lida com os Contos de Fadas de forma original e dá um twist no famoso final feliz. Ou seja, as estórias aqui não necessariamente acabam bem e tem um final aternativo, pra dizer o mínimo. Ou não tem final. E os personagens tem um caráter muito mais complexo, com várias faces...e não me refiro apenas à Rainha Má (Evil Queen) da Branca de Neve!
E por falar em Branca de Neve, parece até mentira mas os protagonistas da série, Branca de Neve e seu Príncipe Galante não apenas estão namorando na vida real como anunciaram mês passado que pretendem se casar em breve! Notícia do ano pra quem não acredita em Contos de Fadas, hehehe.
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| O conto de fadas se torna realidade |
A série foi escrita pela mesma equipe de LOST, outra série cult mas que por incrível que pareça, nunca me interessei em assistir (desculpem aí os fãs da série).
Pra quem ficou curioso ou já acompanha a série, aqui está um link para a página com resumo (em inglês) de todos os episódios das três primeiras temporadas:
http://abc.go.com/shows/once-upon-a-time/episode-guide?category=Season+1&displayall=1
quinta-feira, outubro 31, 2013
A morte sempre nos pega de surpresa
Os últimos dias foram muito pesados. Uma amiga de longa data (dos meus tempos de Brasil, mas que morava aqui na Holanda há 10 anos) faleceu subitamente na madrugada de sábado de um AVC (o segundo porque ela teve o primeiro, estava se recuperando e quase levando alta do hospital quando teve a recaída).
Ela iria completar 47 anos em novembro...e deixou um marido desolado e um menininho de 7 anos sem mãe (o garoto ainda nem entendeu direito o que está acontecendo à sua volta). Sem falar na tristeza dos familiares e amigos que ficaram. E ela deixou muitos amigos, fez amizades sinceras aqui na Holanda (o que é muito difícil) e eu fico muito feliz por ela. Porque na minha experiência, amizade de verdade é coisa rara...amigos pra ir a festas todo mundo tem aos montes, né? Pois é.
No mais, é sempre assim: sofre mais quem fica. Quem morre, segue em paz...ou assim queremos acreditar. E eu só espero que ela esteja em paz neste momento.
Ontem foi o meu primeiro velório na Holanda (e eu moro aqui há quase 20 anos). E claro, foi muito triste - mas muito comovente também. Músicas especialmente selecionadas pelo marido e pela família dela. Um slideshow com fotos de várias fases de sua vida, etc. E aí bate aquela tristeza enorme ao ver uma mulher ainda tão jovem e cheia de vida e amor pra dar, morrer assim tão subitamente. Mesmo que a gente acredite que nada acontece por acaso, é difícil lidar com a morte. Ninguém está preparado para este momento, que acontece inevitavelmente na vida de cada um de nós. Quando menos esperamos.
E apesar de ela morar também na Holanda, morávamos em partes diferentes do país, uma no norte outra no sul. E cada uma criando o seu filho da melhor maneira possível sem família por perto pra dividir a carga (quem mora fora sabe como é difícil). Enfim, eu não a via com frequência mas era uma pessoa muito sincera e amiga. E tentávamos manter contato, acompanhar um pouco a vida da outra no Facebook por exemplo.
Enfim, ando sem palavras. E muito reflexiva, tentando ver sentido onde não existe...
domingo, outubro 20, 2013
Chocolates e dieta

Eu estou firme e forte na reeducação alimentar e cada dia tenho descoberto mais produtos interessantes. Um dos maiores segredos de quem faz reeducação alimentar é substituir gradualmente alimentos por alimentos saudáveis e principalmente - por alimentos gostosos! Ou seja, uma dieta saudável não necessariamente se reduz a frutas e saladas. Se você se aprofundar no assunto (como eu ando fazendo, porque sou a eterna estudante e gosto de aprender), você descobrirá que (quase) nada é proibido! A palavra-chave é moderação.
Assim sendo, ando lendo sobre um dos meus ingredientes favoritos: o chocolate! E descobri que é possível sim emagrecer comendo chocolate. E acredite se quiser, pesquisas científicas recentes afirmam que o chocolate amargo ou meio-amargo pode ser consumido em medidas pequenas (cerca de 40g, uma barrinha de chocolate). Mas atenção: trata-se de CHOCOLATE PURO, sem acréscimo de açúcar ou leite. Não estou falando de uma barra de 100g de chocolate ao leite, né? Muito menos chocolate branco, que tem mais leite e açúcar do que cacau...
Dito isso, decidi procurar em lojas de produtos naturais e a quantidade de chocolates disponíveis é inacreditável. Pelo menos aqui em Amsterdam. eu tenho achado chocolate amargo com pedacinhos de laranja, framboesa, amoras, coco e até a famosa goji berry (assunto para outro post, aguardem). Procuro em lojas de produtos naturais porque nos supermercados as opções ainda são limitadas (embora existam). E assim ainda garanto que estarei comprando chocolate orgânico.
Ontem comprei pela primeira vez duas barrinhas (35g) de chocolate OMBAR (veja aqui o site oficial), produzido na Inglaterra. E além de delicioso, a boa notícia é que este chocolate orgânico não contém açucar refinado (e sim açúcar de coco, uma alternativa natural). Uma barrinha de 35g contém 172 calorias. Ou seja, um pouco mais do que um potinho de iogurte Activia sabor figo que eu costumo comer! O preço pode ser caro - em relação a uma barra de chocolate comum - mas os benefícios para a sua saúde são bem maiores. Uma barra de chocolate OMBAR (35g) é a porção ideal pra não "detonar" a dieta e custa o mesmo que um cappucino em qualquer café daqui. Ou seja, se você for pensar assim, nem é tão caro, né?!!
Moral da estória, a reeducação alimentar é um aprendizado. No meu caso, o maior problema sempre foi o açúcar então a primeira medida que tomei foi substituir o açúcar refinado (o conhecido açúcar branco) pela stévia. O chato é que quando você decide tirar o açúcar da dieta, você precisa ler as embalagens de tudo que compra no supermercado. Sem falar que também tirei o aspartame da minha lista de compras! Ou seja, eliminei automaticamente um monte de produtos light tidos como saudáveis mas que contém aspartame!
Felizmente aqui na Holanda (não sei como é no Brasil), começam a aparecer nos supermercados os primeiros iogurtes adoçados com stevia. Um exemplo (fica a dica pra quem mora aqui) é o ARLA Zin!, um iogurte de beber com 0% de gordura. Disponível nos sabores manga, morango e frutas vermelhas, este nunca falta aqui em casa!
quinta-feira, outubro 17, 2013
G R A T I D Ã O
Muita coisa acontecendo (por dentro e por fora) e eu com esta maldita preguiça que tem me mantido afastada deste blog. Deve ser a idade, ou o fato de eu simplesmente ter desistido de carregar algumas bandeiras e esquentar algumas polêmicas (nem que seja só pra sacudir um pouco os eternos acomodados). Mas hoje resolvi vencer a preguiça e postar algo.
Meus dias tem sido cheios e tenho aprendido a cada novo dia (porque viver é isso). Um dos aprendizados que demorei muito para "internalizar" - se é que esta palavra existe na língua portuguesa - foi que a gente não deve ficar triste pelo que não tem mas agradecer pelo que tem. Não deve reclamar das amizades falsas mas agradecer pelas amizades verdadeiras que cruzam nossos caminhos. Porque de uma coisa eu sempre tive certeza: NADA nesta vida acontece por acaso. Todos temos lições a serem aprendidas, e cada pessoa que cruza nossa vida (as que ficam e as que se vão) tem um papel na nossa história. Nada acontece por acaso.
Eu andei me decepcionando ano passado com alguns amigos falsos e tive mais uma decepção recentemente mas também ganhei uma grande amizade que vale por todos estes que se foram! Porque amigo de verdade, gente que nos ouve e nos entende (mesmo sem entender) sem ir logo criticando e julgando, isso é coisa cada dia mais rara em tempos de redes virtuais...
Eu tenho uma longa jornada, venci muitas batalhas neste país, aprendi muita coisa sofrendo mas felizmente estou bem. Porque digam o que quiserem: eu sou uma sobrevivente! Eu sobrevivi tempestades, furacões e tsunamis. A vida não tem me poupado. Mas todos esses aprendizados (todos mesmo) contribuíram para me transformar na pessoa que sou hoje. E por isso eu agradeço. Por ser uma pessoa melhor que eu era ontem. E por ser uma pessoa mais forte, e certamente mais sábia, do que eu era ontem.
Então este é um post sobre gratidão. Por todos aqueles que me ajudaram no meu caminho e pelos que tem me ajudado hoje. Por todos aqueles que souberam ver a verdadeira Beth em vez de criticar com seus preconceitos e mentes limitadas.
E sabem de uma coisa? Quando a gente pára tudo para agradecer o que a vida nos tem dado de bom, fica mais fácil seguir em frente.
Eu ando triste...
Só vou dizer uma coisa: eu posso não ter família na Holanda, posso ter poucos amigos aqui perto mas graças a Deus temos tido (muita) assistência de outras pessoas. Gente cuja vocação - mais do que mera profissão - é ajudar os que precisam de um ombro amigo, de ouvidos para ouvir sem críticas ou julgamentos apressados. A começar pela minha médica da família, que me acompanha há oito anos, conhece o meu histórico e sempre tem tempo pra me ouvir sem minimizar ou "relativar" a minha dor. Esta mesma médica achou bom encaminhar o Liam para um psicólogo. Até porque, adolescência ou não, ele faz parte do grupo de risco (minha mãe também sofreu de depressão a vida inteira).
Quanto a mim, este blog costumava ser a minha válvula de escape, uma espécie de diário pessoal, um relato das minhas lutas e vitórias - só estar viva já é pra mim uma grande vitória. Mas depois de várias experiências desagradáveis com amizades, decidi me isolar ainda mais e me poupar. Só que o isolamento é uma faca de dois gumes...e infelizmente isso só parece ter agravado a minha situação (assim como o fato de ter parado de escrever aqui sobre essas questões).
Porque a verdade é simples: eu preciso escrever. Não interessa se alguém vai ler ou deixar de ler, se vai entender ou não. Eu sei que muitos não entendem, mas tem muita gente que entende, que vive a mesma batalha e é para eles que eu escrevo nessas horas. Eu preciso escrever pra colocar pra fora esta avalanche de pensamentos descoordenados dentro da minha cabeça. Preciso escrever para tentar colocar ordem no caos, para tentar conter os estragos. Mas perdi a vontade de compartilhar qualquer coisa hoje em dia. Com o passar dos anos desisti de contar com a ajuda de amigos (e nem posso, se for pensar bem, cada um tem seus próprios problemas e no final das contas, é cada um por si mesmo).
Felizmente tenho a ajuda de profissionais, que nunca me desapontaram ao longo de todos estes anos. O que é até irônico porque aqui na Holanda o que mais tem é brasileiro reclamando do sistema de saúde holandês! E foi uma das poucas coisas em que tive sorte por aqui, sempre me "enviaram" a pessoa certa na hora certa. Nessas horas acredito que eu tenha um "anjo da guarda" mexendo os pauzinhos lá encima pra mim. E a estória se repete agora na escola do Liam, onde encontramos pessoas dedicadas e maravilhosas, dispostas a ouvir e a ajudar. Faz toda a diferença, acreditem.
Last but not least, tem o F. que nunca me abandonou, até quando eu mesma decidi abandoná-lo. Uma presença essencial na minha vida e que me ajuda a manter a minha estabilidade (sanidade) emocional e mental. Uma pessoa tão diferente de mim, com a vida toda certinha (tudo planejado) e a cabeça e o coração nos lugares certos! Podemos até não estar namorando "oficialmente" (eu já terminei este namoro duas vezes nos últimos seis anos) mas ele sempre vem aqui me visitar, quase todo fim-de-semana. E se eu estiver mal, sei que posso ligar pra ele a qualquer hora do dia ou da noite. O que eu não posso dizer de outras pessoas. E isso também tem feito toda a diferença nesses dias escuros. Porque ninguém vence esta batalha sozinha.
Desculpem o assunto chato, desculpem a falta de boas notícias. Mas hoje eu só precisava escrever. Mais nada.
3:08 PM | Marcadores: desabafos | 8 Comments
Dezembro em Amsterdam
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| Feira de Natal |
Enfim, chega novembro, os dias ficam mais curtos e a cidade começa a ser decorada para o natal. Surgem decorações de rua com muitas luzes de natal, na primeira semana de dezembro é colocada a tradicional árvore de natal na praça Dam (Dam Square) e nos últimos anos, a prefeitura de Amsterdam resolveu atrair mais turistas com uma Feira de Natal no modelo das tradicionais feiras de natal tão comuns na Alemanha. Aquelas feiras com barraquinhas que vendem todo tipo de guloseima que associamos aos meses de inverno. Chocolate quente, waffels, glüwein, bolinhos fritos aqui chamados de oliebollen e consumidos em quantidades enormes pelos holandeses nesta época do ano (e especialmente na virada do ano, como manda a tradição holandesa).
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| A famosa árvore de natal da Dam |
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| Os deliciosos waffels |
Mas a minha dica especial para os meses de inverno não é o mercado de natal e sim uma tarde curtindo um dos vários museus da cidade, seguida de um bom café com torta de maçã em um dos cafés típicos. Quem quiser dicas específicas sobre os cafés mais legais frequentados pelos locais (e não apenas aquelas armadilhas para turistas), entre em contato comigo. Pra terem uma idéia do que estou falando, dêem uma olhada no meu board no Pinterest chamado Amsterdam by the locals. Vejam aqui.
Pra finalizar, os mais aventureiros não podem deixar de visitar um dos mais belos rinques de patinação no gelo da Holanda, localizado no Museumplein. Sim, a famosa "praça dos museus" e sem dúvida, a mais prestigiosa da cidade. O rinque abre no dia 29 de novembro e funciona 7 dias na semana até final de janeiro/início de fevereiro!
2:38 PM | Marcadores: coisas de Holanda, datas | 5 Comments
Melhor livro do ano
Este ano descobri uma nova escritora favorita: Ruth Ozeki. Ela é uma escritora americana e o último (terceiro) livro dela, A Tale for the Time Being, concorreu ao Man Booker Prize desde ano. Perdeu para Luminaries, de uma escritora da Nova Zelândia, mas ganhou desta singela leitora o prêmio de MELHOR LIVRO DO ANO. E eu já li 24 livros este ano, o que é pouco para mim mas é que fiquei os meses de primavera/verão sem ler nada...shame on me!
Eu simplesmente me apaixonei pela estória e pelo estilo da autora. Na verdade, são duas estórias paralelas, em tempo e lugares distintos. Os temas principais são o tempo, a morte e o biculturalismo - este último tema me atrai por motivos óbvios, afinal eu também aprendi a (sobre)viver entre duas culturas (no meu caso, a brasileira e a holandesa). Outros temas não menos importantes são depressão, suicídio e...zen-budismo! Enfim, um prato variado capaz de manter o leitor envolvido até a última página.
O que torna este livro interessante é o fato de a escritora relatar de forma tão minuciosa os contrastes entre duas culturas e dois estilos de vida tão distintos: a cultura americana e a cultura japonesa. E isso ela faz magistralmente, pois ela mesma cresceu e vive nos EUA, filha de mãe japonesa.
As duas protagonistas da estória (que não podiam ser mais diferentes) são uma jovem japonesa chamada Nao, que mora no Japão depois de ter vivido seus "anos de formação" nos EUA com seus pais (o pai era engenheiro e trabalhou no Silicon Valley até ser demitido e se ver obrigado a retornar a Tóquio, onde acaba desempregado e deprimido). Nao volta aos 13 anos para o Japão e não consegue se adaptar à cultura japonesa, e além de lidar com problemas de adaptação ela sofre ainda com bullying na escola. A outra personagem é Ruth, uma escritora americana já na terceira idade que mora com seu marido em uma ilha isolada que pertence ao território de British Columbia (Canadá), onde a Internet oferece o único acesso à civilização.
Estes dois universos e personagens se cruzam quando Ruth encontra numa praia uma lancheira da Hello Kitty (mais japonês impossível), contendo intacto um diário escrito em japonês. Logo ela descobre que esta caixinha é um resíduo trazido pelo mar de um dos maiores tsunamis da história do Japão: o tsunami de Tohoku em 2011 (leia mais aqui). O tsunami foi tão devastador que afetou ainda vários países na costa do Pacífico, do Alasca até o Chile.
Enfim, o livro é uma viagem surpreendente por duas culturas, duas vidas e com toques de zen-budismo e até mesmo uma aula de meditação oferecidos por Jiku, bisavó de Nao e monge budista, outra personagem-chave nesta trama original. Em suma, leiam!
PS. Pesquisei no site da Livraria Cultura mas oi livro parece ainda não ter sido traduzido para o mercado brasileiro...quem puder ler em inglês, leia!
4:02 PM | Marcadores: livros | 2 Comments
Once Upon a Time
Esta semana estive na minha biblioteca favorita e decidi pegar uma série de tv nova para assistir em casa. Eles tem um acervo enorme e atualizado, e você paga apenas 1 euro por semana! Enfim, grande idéia para as longas noites de inverno que se aproximam.
Desta vez peguei a série Once Upon a Time, cujas primeiras duas temporadas já passaram aqui na tv holandesa mas eu perdi (só vi mesmo uns trailers). E admito que já assisti 18 dos 22 episódios da primeira temporada e me apaixonei! Viciante mesmo, fiquem avisados.
No fundo, no fundo, acho que todo mundo gosta de um Conto de Fadas...e tem gente que até acredita no tal Príncipe Encantado (o belo Prince Charming da série). Eu nunca acreditei em príncipes e por isso mesmo adorei a série...porque ela lida com os Contos de Fadas de forma original e dá um twist no famoso final feliz. Ou seja, as estórias aqui não necessariamente acabam bem e tem um final aternativo, pra dizer o mínimo. Ou não tem final. E os personagens tem um caráter muito mais complexo, com várias faces...e não me refiro apenas à Rainha Má (Evil Queen) da Branca de Neve!
E por falar em Branca de Neve, parece até mentira mas os protagonistas da série, Branca de Neve e seu Príncipe Galante não apenas estão namorando na vida real como anunciaram mês passado que pretendem se casar em breve! Notícia do ano pra quem não acredita em Contos de Fadas, hehehe.
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| O conto de fadas se torna realidade |
A série foi escrita pela mesma equipe de LOST, outra série cult mas que por incrível que pareça, nunca me interessei em assistir (desculpem aí os fãs da série).
Pra quem ficou curioso ou já acompanha a série, aqui está um link para a página com resumo (em inglês) de todos os episódios das três primeiras temporadas:
http://abc.go.com/shows/once-upon-a-time/episode-guide?category=Season+1&displayall=1
3:55 PM | Marcadores: séries de tv | 1 Comments
A morte sempre nos pega de surpresa
Os últimos dias foram muito pesados. Uma amiga de longa data (dos meus tempos de Brasil, mas que morava aqui na Holanda há 10 anos) faleceu subitamente na madrugada de sábado de um AVC (o segundo porque ela teve o primeiro, estava se recuperando e quase levando alta do hospital quando teve a recaída).
Ela iria completar 47 anos em novembro...e deixou um marido desolado e um menininho de 7 anos sem mãe (o garoto ainda nem entendeu direito o que está acontecendo à sua volta). Sem falar na tristeza dos familiares e amigos que ficaram. E ela deixou muitos amigos, fez amizades sinceras aqui na Holanda (o que é muito difícil) e eu fico muito feliz por ela. Porque na minha experiência, amizade de verdade é coisa rara...amigos pra ir a festas todo mundo tem aos montes, né? Pois é.
No mais, é sempre assim: sofre mais quem fica. Quem morre, segue em paz...ou assim queremos acreditar. E eu só espero que ela esteja em paz neste momento.
Ontem foi o meu primeiro velório na Holanda (e eu moro aqui há quase 20 anos). E claro, foi muito triste - mas muito comovente também. Músicas especialmente selecionadas pelo marido e pela família dela. Um slideshow com fotos de várias fases de sua vida, etc. E aí bate aquela tristeza enorme ao ver uma mulher ainda tão jovem e cheia de vida e amor pra dar, morrer assim tão subitamente. Mesmo que a gente acredite que nada acontece por acaso, é difícil lidar com a morte. Ninguém está preparado para este momento, que acontece inevitavelmente na vida de cada um de nós. Quando menos esperamos.
E apesar de ela morar também na Holanda, morávamos em partes diferentes do país, uma no norte outra no sul. E cada uma criando o seu filho da melhor maneira possível sem família por perto pra dividir a carga (quem mora fora sabe como é difícil). Enfim, eu não a via com frequência mas era uma pessoa muito sincera e amiga. E tentávamos manter contato, acompanhar um pouco a vida da outra no Facebook por exemplo.
Enfim, ando sem palavras. E muito reflexiva, tentando ver sentido onde não existe...
2:11 PM | Marcadores: desabafos, divagações | 4 Comments
Chocolates e dieta

Eu estou firme e forte na reeducação alimentar e cada dia tenho descoberto mais produtos interessantes. Um dos maiores segredos de quem faz reeducação alimentar é substituir gradualmente alimentos por alimentos saudáveis e principalmente - por alimentos gostosos! Ou seja, uma dieta saudável não necessariamente se reduz a frutas e saladas. Se você se aprofundar no assunto (como eu ando fazendo, porque sou a eterna estudante e gosto de aprender), você descobrirá que (quase) nada é proibido! A palavra-chave é moderação.
Assim sendo, ando lendo sobre um dos meus ingredientes favoritos: o chocolate! E descobri que é possível sim emagrecer comendo chocolate. E acredite se quiser, pesquisas científicas recentes afirmam que o chocolate amargo ou meio-amargo pode ser consumido em medidas pequenas (cerca de 40g, uma barrinha de chocolate). Mas atenção: trata-se de CHOCOLATE PURO, sem acréscimo de açúcar ou leite. Não estou falando de uma barra de 100g de chocolate ao leite, né? Muito menos chocolate branco, que tem mais leite e açúcar do que cacau...
Dito isso, decidi procurar em lojas de produtos naturais e a quantidade de chocolates disponíveis é inacreditável. Pelo menos aqui em Amsterdam. eu tenho achado chocolate amargo com pedacinhos de laranja, framboesa, amoras, coco e até a famosa goji berry (assunto para outro post, aguardem). Procuro em lojas de produtos naturais porque nos supermercados as opções ainda são limitadas (embora existam). E assim ainda garanto que estarei comprando chocolate orgânico.
Ontem comprei pela primeira vez duas barrinhas (35g) de chocolate OMBAR (veja aqui o site oficial), produzido na Inglaterra. E além de delicioso, a boa notícia é que este chocolate orgânico não contém açucar refinado (e sim açúcar de coco, uma alternativa natural). Uma barrinha de 35g contém 172 calorias. Ou seja, um pouco mais do que um potinho de iogurte Activia sabor figo que eu costumo comer! O preço pode ser caro - em relação a uma barra de chocolate comum - mas os benefícios para a sua saúde são bem maiores. Uma barra de chocolate OMBAR (35g) é a porção ideal pra não "detonar" a dieta e custa o mesmo que um cappucino em qualquer café daqui. Ou seja, se você for pensar assim, nem é tão caro, né?!!
Moral da estória, a reeducação alimentar é um aprendizado. No meu caso, o maior problema sempre foi o açúcar então a primeira medida que tomei foi substituir o açúcar refinado (o conhecido açúcar branco) pela stévia. O chato é que quando você decide tirar o açúcar da dieta, você precisa ler as embalagens de tudo que compra no supermercado. Sem falar que também tirei o aspartame da minha lista de compras! Ou seja, eliminei automaticamente um monte de produtos light tidos como saudáveis mas que contém aspartame!
Felizmente aqui na Holanda (não sei como é no Brasil), começam a aparecer nos supermercados os primeiros iogurtes adoçados com stevia. Um exemplo (fica a dica pra quem mora aqui) é o ARLA Zin!, um iogurte de beber com 0% de gordura. Disponível nos sabores manga, morango e frutas vermelhas, este nunca falta aqui em casa!
4:20 PM | Marcadores: reeducação alimentar | 2 Comments
G R A T I D Ã O
Muita coisa acontecendo (por dentro e por fora) e eu com esta maldita preguiça que tem me mantido afastada deste blog. Deve ser a idade, ou o fato de eu simplesmente ter desistido de carregar algumas bandeiras e esquentar algumas polêmicas (nem que seja só pra sacudir um pouco os eternos acomodados). Mas hoje resolvi vencer a preguiça e postar algo.
Meus dias tem sido cheios e tenho aprendido a cada novo dia (porque viver é isso). Um dos aprendizados que demorei muito para "internalizar" - se é que esta palavra existe na língua portuguesa - foi que a gente não deve ficar triste pelo que não tem mas agradecer pelo que tem. Não deve reclamar das amizades falsas mas agradecer pelas amizades verdadeiras que cruzam nossos caminhos. Porque de uma coisa eu sempre tive certeza: NADA nesta vida acontece por acaso. Todos temos lições a serem aprendidas, e cada pessoa que cruza nossa vida (as que ficam e as que se vão) tem um papel na nossa história. Nada acontece por acaso.
Eu andei me decepcionando ano passado com alguns amigos falsos e tive mais uma decepção recentemente mas também ganhei uma grande amizade que vale por todos estes que se foram! Porque amigo de verdade, gente que nos ouve e nos entende (mesmo sem entender) sem ir logo criticando e julgando, isso é coisa cada dia mais rara em tempos de redes virtuais...
Eu tenho uma longa jornada, venci muitas batalhas neste país, aprendi muita coisa sofrendo mas felizmente estou bem. Porque digam o que quiserem: eu sou uma sobrevivente! Eu sobrevivi tempestades, furacões e tsunamis. A vida não tem me poupado. Mas todos esses aprendizados (todos mesmo) contribuíram para me transformar na pessoa que sou hoje. E por isso eu agradeço. Por ser uma pessoa melhor que eu era ontem. E por ser uma pessoa mais forte, e certamente mais sábia, do que eu era ontem.
Então este é um post sobre gratidão. Por todos aqueles que me ajudaram no meu caminho e pelos que tem me ajudado hoje. Por todos aqueles que souberam ver a verdadeira Beth em vez de criticar com seus preconceitos e mentes limitadas.
E sabem de uma coisa? Quando a gente pára tudo para agradecer o que a vida nos tem dado de bom, fica mais fácil seguir em frente.
3:17 PM | Marcadores: divagações, eu por mim mesma | 2 Comments













