domingo, outubro 01, 2006

A loucura nossa de cada dia

Com os avanços na psiquiatria e a possibilidade de diagnósticos cada vez mais precisos, o mundo moderno vem sendo habitado por um número cada vez maior de bipolares, depressivos e borderliners. Mas eu desconfio que esses distúrbios sempre existiram, eles apenas ainda não haviam sido catalogados e diagnosticados. O que parece persistir até os dias de hoje é a ignorância - ignorância daqueles que não viveram um distúrbio mental na pele ou na família.

Pessoas que acreditam que tudo é uma questão de força de vontade, de pensar positivo e fazer caminhadas diárias no parque, fazer uma alimentação saudável (muitas frutas e verduras frescas) e dormir 8 horas por dia. Quem um dia sofreu de depressão sabe que isso não apenas não funciona, como ainda deixa a pessoa se sentindo ainda mais culpada...e deprimida! Nesses momentos, os amigos podem se transformar em inimigos porque não apenas não compreendem como esperam da pessoa algo que para ela é impossível. A verdade é que pensar positivo e fazer caminhadas diárias não são coisas que uma pessoa realmente deprimida é capaz de fazer. Na maioria dos casos, o que funciona mesmo é uma combinação de medicamentos (antidepressivos) e terapia.

Eu mesma fui diagnosticada há 2 anos com depressão dupla (distimia e depressão clínica), e a partir daquele momento, algumas coisas subitamente começaram a fazer sentido. A jornada é longa: primeiro o diagnóstico, depois o tratamento adequado e finalmente, a cura (sim, a cura é possível mesmo que em alguns casos existam reincidências).

Mas estou escrevendo isso porque recentemente uma amiga foi diagnosticada como bipolar e eu entendo perfeitamente o que ela está passando...como eu mesma disse a ela outro dia ao telefone: o pior não é a doença em si, mas a ignorância das pessoas. Você acaba sofrendo duplamente: pela doença e pela falta de compreensão das pessoas ao seu redor. Por outro lado, o diagnóstico não é desculpa pra ser infeliz nem pra levar uma existência miserável (mas que explica muita coisa, isso explica). Afinal de contas, conhecer seus limites e aprender a lidar com eles no dia-a-dia também é uma forma de autoconhecimento. E muitas vezes são justamente esta vulnerabilidade e fraqueza que nos tornam mais fortes e humanos.

3 comentários:

Anônimo disse...

É Beth, ser bipolar é tarefa nada fácil, mas na vida acredito q temos q enxergar um lado bom das coisas. A bipolaridade nos ensina a nos sertimos mais e melhor, e em consequência, perceber com maior sensibilidade o mundo exterior.
Ah, exercício físico, caminhadas podem até não resolver a doença, mas q ajudam, sem dúvida. Mas tem q gostar de fazer, esse é outro papo... bjo! Adriane

t.a disse...

Nunca tinha ouvido falar sobre bipolaridade. Depois no famigerado orkut, vi q algumas "conhecidas" estavam nessa comunidade e fui dar uma olhadinha. sou leiga nisso. mas acho que deve ser muito dificil de ser bipolar.sera q eh como ter uma tpm constantemente?e seu humor ficar variando?
vou investigar mais.

Bebete disse...

Cara acima,
Nao sei seu nome, mas "bipolaridade" (antigo disturbio maniaco-depressivo) e disturbio serio, nao como uma TPM, nao desmerecendo os efeitos nocivos de uma TPM, mas TPM passa, a mania e ou depressao nao.
Ha muitos anos que sofro com essa doenca na familia, vide meu irmao que foi irternado diversas vezes, e desde os 20 toma o estabilizador de humor (que alivia a mania e a depressao), mas nao cura a doenca apenas estabiliza, mas as pessoas ao redor, muitas vezes pensam que e algo que se tem, porque se quer.
Eu fui diagnosticada bipolar ha pouco tempo, e apesar de ter que engolir as pilulas nos horarios certos e o diagnostico, nao posso dizer que "sou feliz" por ser bipolar, me sinto igual ao meu irmao, e o lado bom...e que Marilyn Monroe, Fernando Pessoa, Soren Kierkegaard dentro outros tambem o eram. Portanto, fico feliz q meus idolos, eram tao "caoticos" como eu.

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A loucura nossa de cada dia

Com os avanços na psiquiatria e a possibilidade de diagnósticos cada vez mais precisos, o mundo moderno vem sendo habitado por um número cada vez maior de bipolares, depressivos e borderliners. Mas eu desconfio que esses distúrbios sempre existiram, eles apenas ainda não haviam sido catalogados e diagnosticados. O que parece persistir até os dias de hoje é a ignorância - ignorância daqueles que não viveram um distúrbio mental na pele ou na família.

Pessoas que acreditam que tudo é uma questão de força de vontade, de pensar positivo e fazer caminhadas diárias no parque, fazer uma alimentação saudável (muitas frutas e verduras frescas) e dormir 8 horas por dia. Quem um dia sofreu de depressão sabe que isso não apenas não funciona, como ainda deixa a pessoa se sentindo ainda mais culpada...e deprimida! Nesses momentos, os amigos podem se transformar em inimigos porque não apenas não compreendem como esperam da pessoa algo que para ela é impossível. A verdade é que pensar positivo e fazer caminhadas diárias não são coisas que uma pessoa realmente deprimida é capaz de fazer. Na maioria dos casos, o que funciona mesmo é uma combinação de medicamentos (antidepressivos) e terapia.

Eu mesma fui diagnosticada há 2 anos com depressão dupla (distimia e depressão clínica), e a partir daquele momento, algumas coisas subitamente começaram a fazer sentido. A jornada é longa: primeiro o diagnóstico, depois o tratamento adequado e finalmente, a cura (sim, a cura é possível mesmo que em alguns casos existam reincidências).

Mas estou escrevendo isso porque recentemente uma amiga foi diagnosticada como bipolar e eu entendo perfeitamente o que ela está passando...como eu mesma disse a ela outro dia ao telefone: o pior não é a doença em si, mas a ignorância das pessoas. Você acaba sofrendo duplamente: pela doença e pela falta de compreensão das pessoas ao seu redor. Por outro lado, o diagnóstico não é desculpa pra ser infeliz nem pra levar uma existência miserável (mas que explica muita coisa, isso explica). Afinal de contas, conhecer seus limites e aprender a lidar com eles no dia-a-dia também é uma forma de autoconhecimento. E muitas vezes são justamente esta vulnerabilidade e fraqueza que nos tornam mais fortes e humanos.

3 comentários:

Anônimo disse...

É Beth, ser bipolar é tarefa nada fácil, mas na vida acredito q temos q enxergar um lado bom das coisas. A bipolaridade nos ensina a nos sertimos mais e melhor, e em consequência, perceber com maior sensibilidade o mundo exterior.
Ah, exercício físico, caminhadas podem até não resolver a doença, mas q ajudam, sem dúvida. Mas tem q gostar de fazer, esse é outro papo... bjo! Adriane

t.a disse...

Nunca tinha ouvido falar sobre bipolaridade. Depois no famigerado orkut, vi q algumas "conhecidas" estavam nessa comunidade e fui dar uma olhadinha. sou leiga nisso. mas acho que deve ser muito dificil de ser bipolar.sera q eh como ter uma tpm constantemente?e seu humor ficar variando?
vou investigar mais.

Bebete disse...

Cara acima,
Nao sei seu nome, mas "bipolaridade" (antigo disturbio maniaco-depressivo) e disturbio serio, nao como uma TPM, nao desmerecendo os efeitos nocivos de uma TPM, mas TPM passa, a mania e ou depressao nao.
Ha muitos anos que sofro com essa doenca na familia, vide meu irmao que foi irternado diversas vezes, e desde os 20 toma o estabilizador de humor (que alivia a mania e a depressao), mas nao cura a doenca apenas estabiliza, mas as pessoas ao redor, muitas vezes pensam que e algo que se tem, porque se quer.
Eu fui diagnosticada bipolar ha pouco tempo, e apesar de ter que engolir as pilulas nos horarios certos e o diagnostico, nao posso dizer que "sou feliz" por ser bipolar, me sinto igual ao meu irmao, e o lado bom...e que Marilyn Monroe, Fernando Pessoa, Soren Kierkegaard dentro outros tambem o eram. Portanto, fico feliz q meus idolos, eram tao "caoticos" como eu.