domingo, outubro 29, 2006

O mundo de cada um, cada um no seu mundo

Ainda digerindo o fim de uma amizade, hoje me dei conta que em qualquer tipo de relação humana (seja casamento ou amizade), nem sempre gostar de uma pessoa é suficiente para que possamos conviver com ela. Uma revelação dolorosa, porque na verdade gostaríamos de conviver com todos em igualdade, o que muitas vezes simplesmente não é possível. No final das contas, é cada um no seu mundo.

O problema surge quando duas pessoas habitam dois mundos diferentes e quase antagônicos (aqui os otimistas usariam o termo complementares). E assim como no casamento se ilude quem acha que pode mudar o outro, na amizade é o mesmo, em maior ou menor grau. Não adianta querer carregar alguém pro seu mundo quando eles nunca farão parte dele – seja por mera questão de temperamento, bagagem de vida ou predisposição genética (uma longa discussão que prefiro deixar para outro dia).

O que complica ainda mais é o fato de a natureza humana buscar definições e categorias – definimos categorias para tentar entender o que na verdade não entendemos. O perigo é quando passamos a dividir as pessoas em categorias fixas: otimistas x pessimistas, alegres x ranzinzas, etc. Aí deixamos de ver que uma pessoa otimista também tem seus dias ruins e uma pessoa pessimista também tem seus dias de sorte. O ser humano é muito mais complexo do que as categorias que existem para classificá-lo.

Esta categorização (ou polarização) apenas exacerba as diferenças e restringe as possibilidades. Quando uma pessoa começa a ver a outra como apenas isso ou aquilo, sobra pouco espaço para troca. Para existir troca, as pessoas devem ser capazes de aceitar o todo e não apenas as partes. Me explicando melhor: a amizade deve dar espaço para que a pessoa seja não apenas uma coisa, mas também outra. Quando somos forçados a nos encaixar em apenas um modelo de comportamento, a amizade está fadada ao fracasso.

Para concluir, é fato que existem pessoas que já nascem predispostas à felicidade e outras nem tanto. Cientistas sociais, psicólogos e psiquiatras sabem há tempos que existe uma certa predisposição genética para a felicidade - como ela é definida pela sociedade moderna pois a felicidade é, acima de tudo, um valor pessoal.

Assim sendo, uma pessoa que sofre de doenças mentais (também sabiamente chamadas de distúrbios afetivos), sofre duplamente: pela doença propriamente dita e pela ignorância do mundo ao seu redor que espera um comportamento que ela nunca poderá ter, embora alguns comportamentos possam ser aprendidos (PNL).

Não, o rótulo não faz a pessoa mas a doença faz parte do todo. E o que alguns chamam de determinismo, outros chamam de ciência. Fica a pergunta: o copo está quase cheio ou quase vazio?

5 comentários:

Arnild disse...

Beth,
O bom de preferir o mundo alheio ao próprio é justamente poder desfazer esta escolha. Decisões que tomamos em certa época, em certo contexto não devem ser um ato de condenação. Isto inclui as parcerias que fazemos na vida...como diz aquela sorte do orkut: "O primeiro e único amor é o amor-próprio".
beijo,
Arnild

Eu não sei, você sabe? disse...

Oh Beth!
O copo às vezes está quase cheio e às vezes quase vazio, não é?
Inspiriada a cidadã do mundo!
beijos

Anônimo disse...

olá Beth,
a Arnild falou uma frase q resume o que eu penso tbem: a tal da auto-estima é fundamental. É coisa a trabalhar, dia-após-dia. A gente deve estar em 1o plano, entende?!
Não concordo muito qdo vc fala q o doente mental sofre duplamente. Será? Tenho minhas dúvidas...
Conheço "pessoas doentes mentais" q usam esse "prêmio" oferecido a elas como desculpa de correr atrás de tempos perdidos. De se preparar mais, criar condições sólidas de amor próprio. Enfim, palavras belas, mas difícil mesmo de se colocar em prática. Cada caso é um caso. Depressões vem e vão, mas a arte de amar a si mesmo fica pra sempre! sempre, sempre!
Beijos,
Adriane

Anônimo disse...

Se...

Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria: acesso ao sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora...
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.

Mahatma Gandhi

Bernadete disse...

Ai ai ai Beth, que perguntinha simples mas pernostica.
O meu copo por exemplo, nao e de cristal e de vidro mesmo, e esta quebrado, nos ultimos tempos estou colando este mesmo copo pra tentar colocar agua nele, ate la espero que ele se encha e ate transborde porque ja to mais do que de saco cheio dessa realidade.
Hoje meu copo ta quebrado, "hoje"?
E estou 100% pessimista.
Hoje e daqueles dias que eu gostaria que aparecesse um "bofe" do alem, pra pagar as minhas contas, botar o saco de lixo la fora, lavasse a louca depois do jantar, e tambem olhasse pra mim e dissesse que "eu nao sou de se jogar fora", se eu mesma me falasse isso, com certeza nao acreditaria em minha propria pessoa.
Sou uma otimista sem lentes de contato.

Tecnologia do Blogger.

O mundo de cada um, cada um no seu mundo

Ainda digerindo o fim de uma amizade, hoje me dei conta que em qualquer tipo de relação humana (seja casamento ou amizade), nem sempre gostar de uma pessoa é suficiente para que possamos conviver com ela. Uma revelação dolorosa, porque na verdade gostaríamos de conviver com todos em igualdade, o que muitas vezes simplesmente não é possível. No final das contas, é cada um no seu mundo.

O problema surge quando duas pessoas habitam dois mundos diferentes e quase antagônicos (aqui os otimistas usariam o termo complementares). E assim como no casamento se ilude quem acha que pode mudar o outro, na amizade é o mesmo, em maior ou menor grau. Não adianta querer carregar alguém pro seu mundo quando eles nunca farão parte dele – seja por mera questão de temperamento, bagagem de vida ou predisposição genética (uma longa discussão que prefiro deixar para outro dia).

O que complica ainda mais é o fato de a natureza humana buscar definições e categorias – definimos categorias para tentar entender o que na verdade não entendemos. O perigo é quando passamos a dividir as pessoas em categorias fixas: otimistas x pessimistas, alegres x ranzinzas, etc. Aí deixamos de ver que uma pessoa otimista também tem seus dias ruins e uma pessoa pessimista também tem seus dias de sorte. O ser humano é muito mais complexo do que as categorias que existem para classificá-lo.

Esta categorização (ou polarização) apenas exacerba as diferenças e restringe as possibilidades. Quando uma pessoa começa a ver a outra como apenas isso ou aquilo, sobra pouco espaço para troca. Para existir troca, as pessoas devem ser capazes de aceitar o todo e não apenas as partes. Me explicando melhor: a amizade deve dar espaço para que a pessoa seja não apenas uma coisa, mas também outra. Quando somos forçados a nos encaixar em apenas um modelo de comportamento, a amizade está fadada ao fracasso.

Para concluir, é fato que existem pessoas que já nascem predispostas à felicidade e outras nem tanto. Cientistas sociais, psicólogos e psiquiatras sabem há tempos que existe uma certa predisposição genética para a felicidade - como ela é definida pela sociedade moderna pois a felicidade é, acima de tudo, um valor pessoal.

Assim sendo, uma pessoa que sofre de doenças mentais (também sabiamente chamadas de distúrbios afetivos), sofre duplamente: pela doença propriamente dita e pela ignorância do mundo ao seu redor que espera um comportamento que ela nunca poderá ter, embora alguns comportamentos possam ser aprendidos (PNL).

Não, o rótulo não faz a pessoa mas a doença faz parte do todo. E o que alguns chamam de determinismo, outros chamam de ciência. Fica a pergunta: o copo está quase cheio ou quase vazio?

5 comentários:

Arnild disse...

Beth,
O bom de preferir o mundo alheio ao próprio é justamente poder desfazer esta escolha. Decisões que tomamos em certa época, em certo contexto não devem ser um ato de condenação. Isto inclui as parcerias que fazemos na vida...como diz aquela sorte do orkut: "O primeiro e único amor é o amor-próprio".
beijo,
Arnild

Eu não sei, você sabe? disse...

Oh Beth!
O copo às vezes está quase cheio e às vezes quase vazio, não é?
Inspiriada a cidadã do mundo!
beijos

Anônimo disse...

olá Beth,
a Arnild falou uma frase q resume o que eu penso tbem: a tal da auto-estima é fundamental. É coisa a trabalhar, dia-após-dia. A gente deve estar em 1o plano, entende?!
Não concordo muito qdo vc fala q o doente mental sofre duplamente. Será? Tenho minhas dúvidas...
Conheço "pessoas doentes mentais" q usam esse "prêmio" oferecido a elas como desculpa de correr atrás de tempos perdidos. De se preparar mais, criar condições sólidas de amor próprio. Enfim, palavras belas, mas difícil mesmo de se colocar em prática. Cada caso é um caso. Depressões vem e vão, mas a arte de amar a si mesmo fica pra sempre! sempre, sempre!
Beijos,
Adriane

Anônimo disse...

Se...

Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria: acesso ao sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora...
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.

Mahatma Gandhi

Bernadete disse...

Ai ai ai Beth, que perguntinha simples mas pernostica.
O meu copo por exemplo, nao e de cristal e de vidro mesmo, e esta quebrado, nos ultimos tempos estou colando este mesmo copo pra tentar colocar agua nele, ate la espero que ele se encha e ate transborde porque ja to mais do que de saco cheio dessa realidade.
Hoje meu copo ta quebrado, "hoje"?
E estou 100% pessimista.
Hoje e daqueles dias que eu gostaria que aparecesse um "bofe" do alem, pra pagar as minhas contas, botar o saco de lixo la fora, lavasse a louca depois do jantar, e tambem olhasse pra mim e dissesse que "eu nao sou de se jogar fora", se eu mesma me falasse isso, com certeza nao acreditaria em minha propria pessoa.
Sou uma otimista sem lentes de contato.