terça-feira, junho 05, 2007

A vida como ela é



Dentro de mim tenho o dia e a noite. Aqui dentro convivem sol e lua, nem sempre pacificamente. Dias de mar manso, dias de tempestade em alto-mar. Dias nublados e carregados de nuvens ameaçadoras, noites de céu estrelado. Dias de expansão e exuberante alegria e dias de recolhimento e tristeza com ou sem motivo aparente.

É bem verdade que nos últimos tempos a alegria tem se saído vitoriosa (também já era tempo). Mas vez ou outra sou pega de surpresa por um velho conhecido: o mau humor. Ele vem chegando de mansinho e quando percebo, já se instalou sorrateiramente na minha mente e no meu dia. É quando páro e tento reverter a maré, páro e tento refletir sobre o porquê (quanto mais a gente vive, mais a vida nos surpreende). E chego à conclusão de que 90% do meu mau-humor está relacionado a coisas que não posso mudar...na verdade é uma impotência disfarçada de mau-humor, deixemos isso bem claro. Impotência diante de alguns fatos da vida que sei que não posso (mais) mudar. Impotência diante de escolhas mal-feitas e de ilusões perdidas. Porque se eu soubesse há 10 anos o que eu sei hoje, teria feito algumas escolhas diferentes. E se eu soubesse há 20 anos o que eu sei hoje, minha vida hoje seria totalmente diferente. Pensando bem, é assim pra todo mundo e esta é a grande ironia da vida. Quando temos a juventude e o tempo a nosso favor, falta-nos a sabedoria. Quando temos a sabedoria, falta-nos o frescor da juventude e o tempo já nem sempre está a nosso favor...

E foi assim que descobri que é mais difícil perdoar a si mesmo do que perdoar aos outros. Que é mais difícil perdoar seus próprios erros do que os erros dos outros. Porque nossos erros são apenas nossos. E mais cedo ou mais tarde, somos confrontados com eles. Depois dos 40 anos, admito que não tenho mais ilusões nesta vida. Pra início de conversa, foram-se as grandes ilusões: morar no exterior, casar e ter filhos...já realizei tudo isso, com algumas consequências desastrosas e outras nem tanto (e não, não me arrependo de tudo mas pago até hoje por algumas dessas escolhas).

O que assusta mesmo é chegar aos 40 anos e ver nitidamente as consequências das escolhas que fizemos aos 30 (atenção amigas de 30, fica dado o recado). Porque aos 40 não dá mais pra tapar o sol com a peneira e empurrar com a barriga, aos 40 somos confrontados quase que diariamente com nossas escolhas. Aos 40 entendemos finalmente que a vida que vivemos hoje nada mais é do que a soma das escolhas que fizemos no passado. Nem mais, nem menos. E pra não dizer que estou sendo fatalista (eu avisei do mau-humor), também acredito que o futuro depende das escolhas que fazemos hoje. Ou seja, nem tudo está perdido e algumas coisas ainda podem (e devem) ser mudadas. Ufa, que alívio...

Confrontadas as ilusões com a realidade diária, posso dizer que não sobrou nada do meu mundo de antes. Hoje sou uma pessoa sem maiores sonhos e ilusões, talvez justamente por isso mais sábia. Sabe-se lá, viver é muito esquisito. E se a vida é cheia de mistérios...eu sou uma pergunta eternamente em busca de resposta(s).

3 comentários:

Antonio Fontelles disse...

Oi Beth,
Nossa, você leu o meu texto sobre dia e noite? Tem muita coisa parecida, dá uma olhada.
No meu caso, eu tenho menos crises de mau humor do que se imagina. O que eu tenho, isso sim, são crises de angústia, algumas vezes bem forte, até a minha respiração muda... daí eu me retraio, o que algumas pessoas acabam errôneamente interpretando como mau humor. Quem dera fosse sò mau humor, seria mais fácil.
A.

Bebete Indarte disse...

Dia e a noite....

Você e o Antonio, eu sou a madrugada na cama dormindo, antes era a madrugada na rua fervendo, dançando, trabalhando, hahahaha.

Achei uma beleza esse texto, sobre seu mau-humor disfarçado, é que pra nós é difícil essa ACEITAÇãO, de nós mesmos...de nossas escolhas no passado.

Mas aquele texto da Louise Hay exemplifica de uma força bem intensa sobre os nossos fracassos, os que provém de nós ou de nosso passado, família, meio etc...
Mudar não há como.

O grande lance, e todos podem me chamar de fanática, mas no budismo se estuda isso, quer saber do seu futuro, olhe AGORA pro seu presente.

E NUNCA é tarde, 40,50,60...tendo saúde, e disposição pra deixar o mau humor de lado, a preguiça, achar que vai fracassar SEM AO MENOS TENTAR, não.

Realmente gostei desse texto...

Eu só sofro de mau humor nos primeiros minutos da manhã, pois...só morando comigo vc saberia. Criei mecanismos pra me defender desse "negócio"...e qdo vê ele já passou.

Ana disse...

Adorei esse texto! Não sei nem como dizer o quanto me identifico com ele, Beth!

Beijos

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A vida como ela é



Dentro de mim tenho o dia e a noite. Aqui dentro convivem sol e lua, nem sempre pacificamente. Dias de mar manso, dias de tempestade em alto-mar. Dias nublados e carregados de nuvens ameaçadoras, noites de céu estrelado. Dias de expansão e exuberante alegria e dias de recolhimento e tristeza com ou sem motivo aparente.

É bem verdade que nos últimos tempos a alegria tem se saído vitoriosa (também já era tempo). Mas vez ou outra sou pega de surpresa por um velho conhecido: o mau humor. Ele vem chegando de mansinho e quando percebo, já se instalou sorrateiramente na minha mente e no meu dia. É quando páro e tento reverter a maré, páro e tento refletir sobre o porquê (quanto mais a gente vive, mais a vida nos surpreende). E chego à conclusão de que 90% do meu mau-humor está relacionado a coisas que não posso mudar...na verdade é uma impotência disfarçada de mau-humor, deixemos isso bem claro. Impotência diante de alguns fatos da vida que sei que não posso (mais) mudar. Impotência diante de escolhas mal-feitas e de ilusões perdidas. Porque se eu soubesse há 10 anos o que eu sei hoje, teria feito algumas escolhas diferentes. E se eu soubesse há 20 anos o que eu sei hoje, minha vida hoje seria totalmente diferente. Pensando bem, é assim pra todo mundo e esta é a grande ironia da vida. Quando temos a juventude e o tempo a nosso favor, falta-nos a sabedoria. Quando temos a sabedoria, falta-nos o frescor da juventude e o tempo já nem sempre está a nosso favor...

E foi assim que descobri que é mais difícil perdoar a si mesmo do que perdoar aos outros. Que é mais difícil perdoar seus próprios erros do que os erros dos outros. Porque nossos erros são apenas nossos. E mais cedo ou mais tarde, somos confrontados com eles. Depois dos 40 anos, admito que não tenho mais ilusões nesta vida. Pra início de conversa, foram-se as grandes ilusões: morar no exterior, casar e ter filhos...já realizei tudo isso, com algumas consequências desastrosas e outras nem tanto (e não, não me arrependo de tudo mas pago até hoje por algumas dessas escolhas).

O que assusta mesmo é chegar aos 40 anos e ver nitidamente as consequências das escolhas que fizemos aos 30 (atenção amigas de 30, fica dado o recado). Porque aos 40 não dá mais pra tapar o sol com a peneira e empurrar com a barriga, aos 40 somos confrontados quase que diariamente com nossas escolhas. Aos 40 entendemos finalmente que a vida que vivemos hoje nada mais é do que a soma das escolhas que fizemos no passado. Nem mais, nem menos. E pra não dizer que estou sendo fatalista (eu avisei do mau-humor), também acredito que o futuro depende das escolhas que fazemos hoje. Ou seja, nem tudo está perdido e algumas coisas ainda podem (e devem) ser mudadas. Ufa, que alívio...

Confrontadas as ilusões com a realidade diária, posso dizer que não sobrou nada do meu mundo de antes. Hoje sou uma pessoa sem maiores sonhos e ilusões, talvez justamente por isso mais sábia. Sabe-se lá, viver é muito esquisito. E se a vida é cheia de mistérios...eu sou uma pergunta eternamente em busca de resposta(s).

3 comentários:

Antonio Fontelles disse...

Oi Beth,
Nossa, você leu o meu texto sobre dia e noite? Tem muita coisa parecida, dá uma olhada.
No meu caso, eu tenho menos crises de mau humor do que se imagina. O que eu tenho, isso sim, são crises de angústia, algumas vezes bem forte, até a minha respiração muda... daí eu me retraio, o que algumas pessoas acabam errôneamente interpretando como mau humor. Quem dera fosse sò mau humor, seria mais fácil.
A.

Bebete Indarte disse...

Dia e a noite....

Você e o Antonio, eu sou a madrugada na cama dormindo, antes era a madrugada na rua fervendo, dançando, trabalhando, hahahaha.

Achei uma beleza esse texto, sobre seu mau-humor disfarçado, é que pra nós é difícil essa ACEITAÇãO, de nós mesmos...de nossas escolhas no passado.

Mas aquele texto da Louise Hay exemplifica de uma força bem intensa sobre os nossos fracassos, os que provém de nós ou de nosso passado, família, meio etc...
Mudar não há como.

O grande lance, e todos podem me chamar de fanática, mas no budismo se estuda isso, quer saber do seu futuro, olhe AGORA pro seu presente.

E NUNCA é tarde, 40,50,60...tendo saúde, e disposição pra deixar o mau humor de lado, a preguiça, achar que vai fracassar SEM AO MENOS TENTAR, não.

Realmente gostei desse texto...

Eu só sofro de mau humor nos primeiros minutos da manhã, pois...só morando comigo vc saberia. Criei mecanismos pra me defender desse "negócio"...e qdo vê ele já passou.

Ana disse...

Adorei esse texto! Não sei nem como dizer o quanto me identifico com ele, Beth!

Beijos