quarta-feira, setembro 15, 2010

Nem tudo são flores na Holanda



Outro título adequado para este post seria: os prós e os contras da minha vida na Holanda. Porque eu ando muito triste e cada dia está mais difícil encontrar razão pra me animar...Desde que me separei meu padrão de vida piorou muito, eu moro num bairro pobre da cidade, em que 90% dos meus vizinhos são imigrantes, gente simples, sem instrução e com uma média de 3 filhos. A maioria trabalha como segurança em lojas e aeroporto, faxineiras de escritórios e hospitais, por ai vocês podem ter uma idéia do que estou falando. Nada contra essas pessoas (pelo contrário, sempre converso com meus vizinhos, gente simples mas gente boa). Mas eu me sinto um peixe fora d´água quando ando pelas ruas do meu bairro. Moro aqui há 10 anos (nos mudamos quando Liam era ainda bebê) e só vi as coisas piorarem. Antes disso, morei praticamente no centro de Amsterdã, lá onde moram os holandeses e europeus...A luz no fim do túnel é que daqui a uns 3 anos eu terei a chance de me mudar novamente - para um bairro melhor. Aqui há lista de espera para o setor de aluguéis controlados pelo governo, que é o meu caso. Aluguel no setor livre é só pra executivos e gente que ganha muito bem. Outra coisa beeeeeeeeeeeeem diferente do Brasil, diga-se de passagem.

Só sei que tem dias que me bate uma tristeza profunda. Dias em que me vejo sem perspectivas de futuro neste país, ainda mais com os últimos acontecimentos políticos e um governo de direita...Mas então eu respiro fundo e penso nos PRÓS e CONTRAS da minha situação. Estou sem trabalho há 3 anos, mas aqui na Holanda existe algo chamado seguro-desemprego (uitkering). O que significa que eu recebo uma cota mensal do governo que é o suficiente pra pagar as contas de casa (aluguel, luz, gás, telefone, internet) e fazer as compras de supermercado...Desnecessário dizer, no Brasil isso não existe!!! Enfim, dos males o menor.

Em 16 anos de Holanda, apenas dois anos atrás quando a situação ficou realmente preta que fui pedir ajuda e me inscrever na prefeitura. Porque naquele momento não tinha outra opção mesmo. No entanto, muita gente aqui - estrangeiros e holandeses - fica anos pendurado no governo, vivendo de esmola e empurrando com a barriga (conheço até brasileiros que vivem disso e não me orgulho nada desta gente). Quanto a mim, preferia mil vezes ter um emprego pra poder pagar minhas contas eu mesma! Nunca gostei de depender de ninguém. Aqui na Holanda não tenho família mas felizmente o governo ajuda. E a gente sobrevive.

Enfim, os PRÓS de se morar neste país. Já os CONTRAS talvez não sejam problemas específicos da Holanda (a crise é mundial) mas está cada vez mais difícil arrumar emprego - principalmente para quem é estrangeiro como eu (se até os holandeses estão desempregados). Pior ainda se for mulher...filho complica mais ainda, claro. Por incrível que pareça, aqui as mulheres continuam ganhando menos do que os homens (até na mesma função) e poucas exercem funções executivas. Muitas ficam mesmo é em casa com os filhos pequenos (até porque creche aqui é caríssimo).

Mas o motivo deste post é que segunda-feira recebi uma notícia ruim e me bateu um desânimo enorme. Depois de nove meses de estágio, conversei com meu gerente da agência de empregos (ou algo parecido porque no Brasil não tem isso) e discutimos a possibilidade de eu fazer um curso de nível de pós-graduação na área do estágio. Preenchemos os formulários, alguns telefonemas aqui e ali e ele disse pra eu não me animar muito porque que as chances da prefeitura pagar o curso (eu não tenho grana pra isso) eram de 50%. Segunda-feira veio a resposta negativa. Ou seja: um passo pra frente, dois pra trás. E eu estava tão animada...

Este curso significava um bocado pra mim porque me colocaria numa situação muito mais favorável pra procurar emprego aqui (eu não tenho nenhum diploma neste país, a não ser o NT2 II, o diploma mais alto de proficiência da língua holandesa). Ironias da vida, meu ex-marido, que veio pra cá com 18 anos e segundo grau incompleto, teve muito mais sorte. Não apenas por ser europeu (o que já é outra estória) mas porque naquela época ainda havia dinheiro pra investir em cursos de aperfeiçoamento, etc. E ele teve todas as chances que eu não estou tendo agora. Logo ele que nem sequer terminou o segundo grau...enquanto que eu já vim pra cá com um diploma universitário!

E agora chega de reclamar. A vida segue e a gente se vira como pode. Mas tem dias que não é fácil.






PS. Este foi provavelmente o POST MAIS LONGO da história do blog. Mas agora vou lá malhar um pouco pra ver se o astral melhora. Porque como eu mesma disse no post anterior, a gente não pode é desistir.

14 comentários:

Liana disse...

nossa, beth, a gente passa por tanto perrengue ne? gente do céu, eu hj tb to que to aqui.
mas força que a gente consegue!
um bjo

Line disse...

Beth (será um comentário longo também,rs)

A gente não pode desistir mesmo não. Eu morava na Bélgica antes de me mudar pra Holanda. Lá eu fazia um curso ótimo de holandês, e pagava apenas 75 euros por um curso que durava 3 meses, aulas todos os dias.
Eu fui vendo a nossa situação financeira aos poucos apertar, e meus planos de primeiro aprender a língua pra depois procurar trabalho foram por água abaixo.

Fui procurar trabalho num órgão que encaminha imigrantes para o mercado de trabalho. A mulher nem sequer leu meu CV, e já foi logo olhando bem dentro dos meus olhos e dizendo: "Você está ciente da crise econômica, não é? Está ciente que você está competindo com belgas COM DIPLOMA e COM EXPERIÊNCIA, certo?"
Eu confirmei que estava ciente, e depois disso ela me ofereceu um trabalho de limpeza. Como você, eu não tenho nada contra quem faça trabalhos que exijam menos instrução, mas eu saí de lá humilhada. Humilhada pela forma que fui tratada, por ela fazer questão de me dizer que eu era inferior aos belgas. Por esse e outros tantos motivos eu odeio a Bélgica.

Como tínhamos planos de voltar pra Holanda, coloquei meu CV no monsterboard e 1 semana depois tinha uma entrevista marcada. De poetsvrouw passei a controladora de documentos, que é o que eu já fazia no Brasil e adoro fazer.

Toda essa história pra te dizer: não desista, e nem deixe ninguém colocar na sua cabeça pensamentos negativos.

Boa Sorte!
Beijos!

Gisley Scott disse...

Olá, caí de pára-quedas aqui...atualmente vivo nos EUA, mas não estou podendo trabalhar,nem estudar e nem dirigir pq a minha documentação da imigração ainda não saiu, bem dizer estou só em casa..... Uma vez escrevi um post sobre perseverança e consegui um vídeo muito legal que fala como pessoas de influências venceram na vida através das dificuldades que enfrentaram, entre eles tem os Beatles e o Walt Disney.

Se vc quiser dar uma conferida, está aqui:

http://vivendolaforanoseua.blogspot.com/2010/07/nao-aceite-nao.html

Creia que o melhor de Deus ainda está por vir!

Bjos!

Josy disse...

Olá,encontrei o seu blog através do da Liana.Gosto de ler as experiências de pessoas que vivem no exterior,pois ano que vem vou me mudar para a Suécia e a situação lá para encontrar empregos não está nada fácil também.
O governo também oferece uma ajuda mensal para quem não tem um emprego,mas muitos suecos acreditam que "estrangeiros" vão para lá somente para viver do "social" que não é o meu caso.Prefiro trabalhar ao ficar me escorando no dinheiro do governo.

Beth Blue disse...

Line...conheço bem esta estória de faxina, por isso não pedi seguro-desemprego antes! Eles te HUMILHAM mesmo. Eu tinha ido um ano antes e a mulher nem olhou pro meu CV (eu que até já trabalhei em Dublin e Edinburgh como software localizer). Foi logo dizendo que tinha de aceitar qualquer coisa, veio falando em serviços de limpeza...saí de lá arrasada e nunca mais voltei!

Ou melhor, voltei um ano depois, já com hérnia e operação em vista. Eu sabia que desta vez eles não teriam a menor condição de me colocar na faxina. Na época até disse: Deus escreve certo por linhas tortas.

Isso faz um ano e oito meses, desde então eles nunca me encheram mais o saco, até consegui um estágio legal (inburgering coach). Agora, o tal curso...cheguei tarde!

Beth Blue disse...

Liana, aguenta firme ai que você já tem meio caminho andado...e ainda não tem filhos, detalhe importante!!!

Gisley e Josy, bem-vindas ao meu blog. Podem fuxicar à vontade e voltem sempre!

Maria Valéria disse...

Bethinha,
Não desanima não que sua vida ainda pode dar uma virada legal. Sei bem como é vc achar que vc tem estudo que te permite ganhar bem mais e ter um padrão de vida bem melhor do que o atual( tbem vivo isso, mas em menor grau do que vc- moro num lugar privilegiado, mas já abri mão de cursos, viagens, etc por não ter $$... o que tbem é um saco)... e um saco saber que quem estudou bem menos do que vc está mais adiante no padrão de vida...
força aí que vc consegue o que vc quer, com o tempo.
to aqui na torcida.
( é o que posso fazer por vc no momento, estando longe!! e pode crer que to torcendo aqui).
bjs.

Anita disse...

Beth, se isso te serve de consolo: a vida da gente nao tem erros, tem possibilidade de ajustes.

Se eu chegasse hoje na Holanda, faria o seguinte: bateria o pe para meu marido de que eu aprenderia holandes primeiro e depois faria uma outra faculdade - e talvez mestrado. Na epoca preferi arrumar um emprego onde ralei muitissimo durante mais de 10 anos, me pagaram curso de espanhol e holandes na UvA (NTII) mas permanecei 100% estagnada intelectualmente.

Esse ano a empresa se mudou para a Romenia e fui ao coach do UWV. Tambem nao leu meu CV e me empurrou para call centers, onde eu ganharia 600 euros a menos. Isso eu ainda tinha contrato de trabalho por dois meses. Ela foi sarcastica e desprezou o fato de eu ter curso universitario, disse que nao se equiparava a universidade na Holanda e outras coisas mais. Quis socar ela muito. Fiquei com os olhos cheios d'agua, tive um pessimo Natal e Reveillon e no nosso segundo encontro ela decidiu "me ajudar" a procurar algo "melhor". Eu estava como um boneco de pau, que nada via, ouvia ou dizia. Me empurrou posicoes de recepcionista, guia no escambau, chofer de escola... No final ela anunciou que eu teria uma nova coach, pois ela tinha contrato temporario e o UWV nao quis oferecer um fixo pra ela. A minha coach atual e' marroquina, super gente boa, me escuta, da conselhos e so aceita que eu me cadidate ao que eu quero (sales & marketing assistant). Essa coach nasceu aqui mas e' meio mordida com a maneira de ser dos holandeses, que ela acha emocionalmente superficiais e sem empatia pelos estrangeiros.

Bom... Estou muito frustrada por estar desempregada desde marco, mas eu nao topo viajar mais que 1h ate o destino, nem trabalhar 40 h, nem trabalhar as quartas-feiras (todos os funcionarios no emprego do meu marido tem que ficar la ate 21h as quartas, e e' o dia dos "clubinhos" dos meus filhos). Cada pessoa tem suas dificuldades, abstraia onde vc mora, nada e' permanente nessa vida. Seus guias espirituais vao te ajudar, confie. Vamo que vamo !
Abracos.

Beth Blue disse...

Querida Anita, obrigada por compartilhar sua experiência comigo. Você está certíssima: TODOS temos nossas dificuldades. Vida de imigrante é isso mesmo e no final das contas, ninguém disse que seria fácil!

E sim, tenho tentado abstrair ao máximo o lugar onde vivo e fiz da minha casa um lar aconchegante pra mim e pro meu filho...Adoramos nosso cantinho! Percebi isso quando voltamos de viagem em julho.

Beth Blue disse...

Maria Valéria, obrigada pela torcida. Mesmo que você esteja do outro lado do mundo, é sempre reconfortante saber que tem gente torcendo por nós.

E vamos em frente que atrás vem gente!

Diu Mota disse...

A coragem da luta é que nos traz alguma recompensa.
Boa sorte, Beth. Continue lutando e vivendo e tentando!

int'e

Anônimo disse...

Olá. Gostei de ler este blog. Sou arquiteta e moro no interior de sp. Te confesso que gostaria de estar no seu lugar. Não por morar na Holanda mas só por morar num país onde existe seguro desemprego, um Estado que se preocupa com a sobrevivência e segurança dos seus cidadãos já considero um ganho na loteria. Depois dos 30 anos aqui no Brasil é muita sorte conseguir emprego escravo e depois dos 40 nem direito de sonhar em ter um. Exagero? Venha pra cá quem pensou isso!!
Desculpe o desabafo mas já fiquei em depresão em 2004 não quero nem lembrar.
Bom, este dezembro estou indo para Holanda conhecer esse maravilhoso país onde eu adoraria morar com todos os defeitos e flores que existam ou não. Tenho vontade de conhecer alguém do Brasil que more aí para trocar idéias. Espero conhecer vc por lá, estarei em Rotterdam e Amsterdã.
Agradeço a todos os imgrantes que comentam suas vidas fora do Brasil. Me faz ter esperanças de que um dia minha vida vai melhorar.
Obrigada!
Natalia

Diego disse...

Eu li seu texto, e li alguns comentários aqui também.
Não entenda meu comentário como agressivo, mas, moro no Brasil, em SP, tenho trabalho, não sou rico... e nem pobre.
Você disse que tem uma vida dificil, vida difícil com tudo pago sem esforço, com casa, comida, segurança, agua, luz, internet, tudo bancado por um governo que nem é de sua pátria sem pedir nada em troca, essa é a vida dificil???
Nunca pensou em deixar este país? E vir ao Brasil onde é bem provável que você teria um emprego?

Quando vejo essas coisas, comentários dizendo que odeia o povo local de um país por quererem proteger seus empregos, e ver seu país falindo cheio de imigrantes sustentados pelo governo, entendo as vezes o descontentamento deles com os imigrantes.

Anônimo disse...


Eu gosto de ler esperiencias das outras pessoas .sempre tiro exemplos ou comparo cm a minha experiencia.um dia ganho coragem e conto a minha.força ai a todas.

Tecnologia do Blogger.

Nem tudo são flores na Holanda



Outro título adequado para este post seria: os prós e os contras da minha vida na Holanda. Porque eu ando muito triste e cada dia está mais difícil encontrar razão pra me animar...Desde que me separei meu padrão de vida piorou muito, eu moro num bairro pobre da cidade, em que 90% dos meus vizinhos são imigrantes, gente simples, sem instrução e com uma média de 3 filhos. A maioria trabalha como segurança em lojas e aeroporto, faxineiras de escritórios e hospitais, por ai vocês podem ter uma idéia do que estou falando. Nada contra essas pessoas (pelo contrário, sempre converso com meus vizinhos, gente simples mas gente boa). Mas eu me sinto um peixe fora d´água quando ando pelas ruas do meu bairro. Moro aqui há 10 anos (nos mudamos quando Liam era ainda bebê) e só vi as coisas piorarem. Antes disso, morei praticamente no centro de Amsterdã, lá onde moram os holandeses e europeus...A luz no fim do túnel é que daqui a uns 3 anos eu terei a chance de me mudar novamente - para um bairro melhor. Aqui há lista de espera para o setor de aluguéis controlados pelo governo, que é o meu caso. Aluguel no setor livre é só pra executivos e gente que ganha muito bem. Outra coisa beeeeeeeeeeeeem diferente do Brasil, diga-se de passagem.

Só sei que tem dias que me bate uma tristeza profunda. Dias em que me vejo sem perspectivas de futuro neste país, ainda mais com os últimos acontecimentos políticos e um governo de direita...Mas então eu respiro fundo e penso nos PRÓS e CONTRAS da minha situação. Estou sem trabalho há 3 anos, mas aqui na Holanda existe algo chamado seguro-desemprego (uitkering). O que significa que eu recebo uma cota mensal do governo que é o suficiente pra pagar as contas de casa (aluguel, luz, gás, telefone, internet) e fazer as compras de supermercado...Desnecessário dizer, no Brasil isso não existe!!! Enfim, dos males o menor.

Em 16 anos de Holanda, apenas dois anos atrás quando a situação ficou realmente preta que fui pedir ajuda e me inscrever na prefeitura. Porque naquele momento não tinha outra opção mesmo. No entanto, muita gente aqui - estrangeiros e holandeses - fica anos pendurado no governo, vivendo de esmola e empurrando com a barriga (conheço até brasileiros que vivem disso e não me orgulho nada desta gente). Quanto a mim, preferia mil vezes ter um emprego pra poder pagar minhas contas eu mesma! Nunca gostei de depender de ninguém. Aqui na Holanda não tenho família mas felizmente o governo ajuda. E a gente sobrevive.

Enfim, os PRÓS de se morar neste país. Já os CONTRAS talvez não sejam problemas específicos da Holanda (a crise é mundial) mas está cada vez mais difícil arrumar emprego - principalmente para quem é estrangeiro como eu (se até os holandeses estão desempregados). Pior ainda se for mulher...filho complica mais ainda, claro. Por incrível que pareça, aqui as mulheres continuam ganhando menos do que os homens (até na mesma função) e poucas exercem funções executivas. Muitas ficam mesmo é em casa com os filhos pequenos (até porque creche aqui é caríssimo).

Mas o motivo deste post é que segunda-feira recebi uma notícia ruim e me bateu um desânimo enorme. Depois de nove meses de estágio, conversei com meu gerente da agência de empregos (ou algo parecido porque no Brasil não tem isso) e discutimos a possibilidade de eu fazer um curso de nível de pós-graduação na área do estágio. Preenchemos os formulários, alguns telefonemas aqui e ali e ele disse pra eu não me animar muito porque que as chances da prefeitura pagar o curso (eu não tenho grana pra isso) eram de 50%. Segunda-feira veio a resposta negativa. Ou seja: um passo pra frente, dois pra trás. E eu estava tão animada...

Este curso significava um bocado pra mim porque me colocaria numa situação muito mais favorável pra procurar emprego aqui (eu não tenho nenhum diploma neste país, a não ser o NT2 II, o diploma mais alto de proficiência da língua holandesa). Ironias da vida, meu ex-marido, que veio pra cá com 18 anos e segundo grau incompleto, teve muito mais sorte. Não apenas por ser europeu (o que já é outra estória) mas porque naquela época ainda havia dinheiro pra investir em cursos de aperfeiçoamento, etc. E ele teve todas as chances que eu não estou tendo agora. Logo ele que nem sequer terminou o segundo grau...enquanto que eu já vim pra cá com um diploma universitário!

E agora chega de reclamar. A vida segue e a gente se vira como pode. Mas tem dias que não é fácil.






PS. Este foi provavelmente o POST MAIS LONGO da história do blog. Mas agora vou lá malhar um pouco pra ver se o astral melhora. Porque como eu mesma disse no post anterior, a gente não pode é desistir.

14 comentários:

Liana disse...

nossa, beth, a gente passa por tanto perrengue ne? gente do céu, eu hj tb to que to aqui.
mas força que a gente consegue!
um bjo

Line disse...

Beth (será um comentário longo também,rs)

A gente não pode desistir mesmo não. Eu morava na Bélgica antes de me mudar pra Holanda. Lá eu fazia um curso ótimo de holandês, e pagava apenas 75 euros por um curso que durava 3 meses, aulas todos os dias.
Eu fui vendo a nossa situação financeira aos poucos apertar, e meus planos de primeiro aprender a língua pra depois procurar trabalho foram por água abaixo.

Fui procurar trabalho num órgão que encaminha imigrantes para o mercado de trabalho. A mulher nem sequer leu meu CV, e já foi logo olhando bem dentro dos meus olhos e dizendo: "Você está ciente da crise econômica, não é? Está ciente que você está competindo com belgas COM DIPLOMA e COM EXPERIÊNCIA, certo?"
Eu confirmei que estava ciente, e depois disso ela me ofereceu um trabalho de limpeza. Como você, eu não tenho nada contra quem faça trabalhos que exijam menos instrução, mas eu saí de lá humilhada. Humilhada pela forma que fui tratada, por ela fazer questão de me dizer que eu era inferior aos belgas. Por esse e outros tantos motivos eu odeio a Bélgica.

Como tínhamos planos de voltar pra Holanda, coloquei meu CV no monsterboard e 1 semana depois tinha uma entrevista marcada. De poetsvrouw passei a controladora de documentos, que é o que eu já fazia no Brasil e adoro fazer.

Toda essa história pra te dizer: não desista, e nem deixe ninguém colocar na sua cabeça pensamentos negativos.

Boa Sorte!
Beijos!

Gisley Scott disse...

Olá, caí de pára-quedas aqui...atualmente vivo nos EUA, mas não estou podendo trabalhar,nem estudar e nem dirigir pq a minha documentação da imigração ainda não saiu, bem dizer estou só em casa..... Uma vez escrevi um post sobre perseverança e consegui um vídeo muito legal que fala como pessoas de influências venceram na vida através das dificuldades que enfrentaram, entre eles tem os Beatles e o Walt Disney.

Se vc quiser dar uma conferida, está aqui:

http://vivendolaforanoseua.blogspot.com/2010/07/nao-aceite-nao.html

Creia que o melhor de Deus ainda está por vir!

Bjos!

Josy disse...

Olá,encontrei o seu blog através do da Liana.Gosto de ler as experiências de pessoas que vivem no exterior,pois ano que vem vou me mudar para a Suécia e a situação lá para encontrar empregos não está nada fácil também.
O governo também oferece uma ajuda mensal para quem não tem um emprego,mas muitos suecos acreditam que "estrangeiros" vão para lá somente para viver do "social" que não é o meu caso.Prefiro trabalhar ao ficar me escorando no dinheiro do governo.

Beth Blue disse...

Line...conheço bem esta estória de faxina, por isso não pedi seguro-desemprego antes! Eles te HUMILHAM mesmo. Eu tinha ido um ano antes e a mulher nem olhou pro meu CV (eu que até já trabalhei em Dublin e Edinburgh como software localizer). Foi logo dizendo que tinha de aceitar qualquer coisa, veio falando em serviços de limpeza...saí de lá arrasada e nunca mais voltei!

Ou melhor, voltei um ano depois, já com hérnia e operação em vista. Eu sabia que desta vez eles não teriam a menor condição de me colocar na faxina. Na época até disse: Deus escreve certo por linhas tortas.

Isso faz um ano e oito meses, desde então eles nunca me encheram mais o saco, até consegui um estágio legal (inburgering coach). Agora, o tal curso...cheguei tarde!

Beth Blue disse...

Liana, aguenta firme ai que você já tem meio caminho andado...e ainda não tem filhos, detalhe importante!!!

Gisley e Josy, bem-vindas ao meu blog. Podem fuxicar à vontade e voltem sempre!

Maria Valéria disse...

Bethinha,
Não desanima não que sua vida ainda pode dar uma virada legal. Sei bem como é vc achar que vc tem estudo que te permite ganhar bem mais e ter um padrão de vida bem melhor do que o atual( tbem vivo isso, mas em menor grau do que vc- moro num lugar privilegiado, mas já abri mão de cursos, viagens, etc por não ter $$... o que tbem é um saco)... e um saco saber que quem estudou bem menos do que vc está mais adiante no padrão de vida...
força aí que vc consegue o que vc quer, com o tempo.
to aqui na torcida.
( é o que posso fazer por vc no momento, estando longe!! e pode crer que to torcendo aqui).
bjs.

Anita disse...

Beth, se isso te serve de consolo: a vida da gente nao tem erros, tem possibilidade de ajustes.

Se eu chegasse hoje na Holanda, faria o seguinte: bateria o pe para meu marido de que eu aprenderia holandes primeiro e depois faria uma outra faculdade - e talvez mestrado. Na epoca preferi arrumar um emprego onde ralei muitissimo durante mais de 10 anos, me pagaram curso de espanhol e holandes na UvA (NTII) mas permanecei 100% estagnada intelectualmente.

Esse ano a empresa se mudou para a Romenia e fui ao coach do UWV. Tambem nao leu meu CV e me empurrou para call centers, onde eu ganharia 600 euros a menos. Isso eu ainda tinha contrato de trabalho por dois meses. Ela foi sarcastica e desprezou o fato de eu ter curso universitario, disse que nao se equiparava a universidade na Holanda e outras coisas mais. Quis socar ela muito. Fiquei com os olhos cheios d'agua, tive um pessimo Natal e Reveillon e no nosso segundo encontro ela decidiu "me ajudar" a procurar algo "melhor". Eu estava como um boneco de pau, que nada via, ouvia ou dizia. Me empurrou posicoes de recepcionista, guia no escambau, chofer de escola... No final ela anunciou que eu teria uma nova coach, pois ela tinha contrato temporario e o UWV nao quis oferecer um fixo pra ela. A minha coach atual e' marroquina, super gente boa, me escuta, da conselhos e so aceita que eu me cadidate ao que eu quero (sales & marketing assistant). Essa coach nasceu aqui mas e' meio mordida com a maneira de ser dos holandeses, que ela acha emocionalmente superficiais e sem empatia pelos estrangeiros.

Bom... Estou muito frustrada por estar desempregada desde marco, mas eu nao topo viajar mais que 1h ate o destino, nem trabalhar 40 h, nem trabalhar as quartas-feiras (todos os funcionarios no emprego do meu marido tem que ficar la ate 21h as quartas, e e' o dia dos "clubinhos" dos meus filhos). Cada pessoa tem suas dificuldades, abstraia onde vc mora, nada e' permanente nessa vida. Seus guias espirituais vao te ajudar, confie. Vamo que vamo !
Abracos.

Beth Blue disse...

Querida Anita, obrigada por compartilhar sua experiência comigo. Você está certíssima: TODOS temos nossas dificuldades. Vida de imigrante é isso mesmo e no final das contas, ninguém disse que seria fácil!

E sim, tenho tentado abstrair ao máximo o lugar onde vivo e fiz da minha casa um lar aconchegante pra mim e pro meu filho...Adoramos nosso cantinho! Percebi isso quando voltamos de viagem em julho.

Beth Blue disse...

Maria Valéria, obrigada pela torcida. Mesmo que você esteja do outro lado do mundo, é sempre reconfortante saber que tem gente torcendo por nós.

E vamos em frente que atrás vem gente!

Diu Mota disse...

A coragem da luta é que nos traz alguma recompensa.
Boa sorte, Beth. Continue lutando e vivendo e tentando!

int'e

Anônimo disse...

Olá. Gostei de ler este blog. Sou arquiteta e moro no interior de sp. Te confesso que gostaria de estar no seu lugar. Não por morar na Holanda mas só por morar num país onde existe seguro desemprego, um Estado que se preocupa com a sobrevivência e segurança dos seus cidadãos já considero um ganho na loteria. Depois dos 30 anos aqui no Brasil é muita sorte conseguir emprego escravo e depois dos 40 nem direito de sonhar em ter um. Exagero? Venha pra cá quem pensou isso!!
Desculpe o desabafo mas já fiquei em depresão em 2004 não quero nem lembrar.
Bom, este dezembro estou indo para Holanda conhecer esse maravilhoso país onde eu adoraria morar com todos os defeitos e flores que existam ou não. Tenho vontade de conhecer alguém do Brasil que more aí para trocar idéias. Espero conhecer vc por lá, estarei em Rotterdam e Amsterdã.
Agradeço a todos os imgrantes que comentam suas vidas fora do Brasil. Me faz ter esperanças de que um dia minha vida vai melhorar.
Obrigada!
Natalia

Diego disse...

Eu li seu texto, e li alguns comentários aqui também.
Não entenda meu comentário como agressivo, mas, moro no Brasil, em SP, tenho trabalho, não sou rico... e nem pobre.
Você disse que tem uma vida dificil, vida difícil com tudo pago sem esforço, com casa, comida, segurança, agua, luz, internet, tudo bancado por um governo que nem é de sua pátria sem pedir nada em troca, essa é a vida dificil???
Nunca pensou em deixar este país? E vir ao Brasil onde é bem provável que você teria um emprego?

Quando vejo essas coisas, comentários dizendo que odeia o povo local de um país por quererem proteger seus empregos, e ver seu país falindo cheio de imigrantes sustentados pelo governo, entendo as vezes o descontentamento deles com os imigrantes.

Anônimo disse...


Eu gosto de ler esperiencias das outras pessoas .sempre tiro exemplos ou comparo cm a minha experiencia.um dia ganho coragem e conto a minha.força ai a todas.