quarta-feira, setembro 04, 2013

A dieta: minhas dicas


Minha salada favorita: tomate, mozzarela e manjericão

Então vamos lá, já que estou mesmo motivada (é agora ou nunca), vou dar algumas dicas básicas de quem está a fim de encarar uma dieta.

1. Esqueça dietas! A palavra de ordem é reeducação alimentar. Dieta não resolve o problema, você passa fome por algumas semanas (ou meses), chega ao peso desejado e resolve voltar a comer como antes - resultado, engorda tudo de novo (e mais um pouco). Eu felizmente nunca fui vítima de dietas da moda mas fui dois meses no Weight Watchers aqui na Holanda e pra mim não funcionou! Pra gente organizada que adora fazer contas e listinhas e contar pontos em TODAS as refeições, ótimo. Não é o meu caso, não tenho saco!

2. Reeducação alimentar é pra vida toda (a diferença básica entre reeducação alimentar e dietas "milagrosas"). E ela deve seguir de mãos dadas com algum tipo de atividade física porque só comer direito não basta (mas já é um bom começo).

Knackebrood com cottage cheese, pepino e alfafa

3. No quesito atividade física - eu que não sou nem pretendo virar atleta - só tenho um conselho pra dar: escolha uma atividade (esporte) que te dê prazer e comece aos poucos. Eu infelizmente não curto esportes (sempre odiei academia, sou rata de biblioteca). Mas amo nadar e me agarro à natação com unhas e garras porque é o meu esporte.

4. Pra quem está fora de forma como eu, não adianta se animar e sair fazendo esportes todos os dias da semana feito louco! Vá com calma porque na pior das hipóteses, você pode acabar com uma lesão séria - e eu sei do que estou falando porque tive uma hérnia de disco e ninguém merece (tive até de operar e foram seis meses de descanso obrigatório). É melhor começar 3x por semana. Eu, por exemplo, comecei a nadar 1x semana (acabei de voltar da piscina cheia de energia e cá estou eu conversando com vocês). Além disso, ando de bicicleta 2 x semana (numa velocidade suficiente pra contar como exercício de cardio). Comecei há 3 semanas e é pesado - mas cada semana fica mais fácil. Semana que vem (a quarta semana), pretendo passar a nadar 2x semana. Vamos ver!

5. Ainda no quesito esporte, comece fazendo caminhadas ou andando de bicicleta. Suba escadas em vez de pegar o elevador. Nadar também é um esporte completo, recomendado principalmente pra quem está muito acima do peso (como eu) porque é um esporte de pouco impacto. Melhora a condição física em geral, e a capacidade respiratória em particular (ótima dica para quem sofre de asma ou bronquite, por ex.)

6. Agora vamos à alimentação. Primeira dica: não passe fome. Nunca. Não é preciso passar fome (e é aí que muitas dietas falham). O que é preciso é aprender a escolher o que se come. E, em alguns casos, reaprender a comer (é o meu caso, veja este post). E de preferência, busque a ajuda de uma dietista (nutricionista) nos primeiros meses, até você "pegar o embalo".

Knackebrood com cottage cheese e geléia de morango

6. Importante: faça seis refeições por dia. Isso mesmo: seis refeições, eu disse que não é pra passar fome! Três refeições principais: café da manhã, almoço e jantar. E mais três lanches light (frutas ou salada de frutas, iogurte grego, activia, iogurte de beber, cottage cheese e outras snacks light.)



Nota: O knackebrood das duas fotos acima é um tipo de cracker original da Suécia mas muito popular aqui na Holanda. Não sei se é fácil de encontrar nos supermercados do Brasil mas aqui tem vários tipos. E é uma ótima opção de lanche, em vez de pão. E por falar em pão, mais uma dica: evite pão branco, compre pão integral. Eu já comia pão integral há tempos e mudei para o pão de spelt. Spelt é um grão que substitui o grão de trigo e anda fazendo o maior sucesso por aqui. Dizem as más línguas que é bem mais saudável do que o pão feito com trigo. Eu comprei e gostei!

quarta-feira, agosto 28, 2013

Começo das aulas: escolas na Holanda



Nesta segunda-feira Liam voltou às aulas, depois de 7 (longas) semanas de férias. Infelizmente este ano não rolou viagem ao Brasil, mas ano que vem rola (se Deus quiser).

Este segundo ano do HAVO promete ser bem mais puxado pois ele terá três matérias novas: física, alemão e economia. Fora o alemão, ele ainda tem aulas de holandês, inglês e espanhol desde o primeiro ano (e tira notas acima da média em idiomas, acho que puxou à mãe hehehe).

Mas deixa eu explicar como funciona o ensino secundário aqui na Holanda...Aqui as escolas são públicas mas o ensino é bastante elitista. Ou seja, as escolas são para todos mas são divididas em três tipos: VMBO (formação técnica profissionalizante), HAVO (formação teórica que prepara para a escola superior (Hoge School), VWO (formação teórica e única que oferece acesso direto à universidade). Pra vocês terem uma idéia, 60 % de todos os estudantes vai para o VMBO.  Os 40 % restantes vão para o HAVO (20%) e VWO (20%). A maioria esmagadora dos filhos de imigrantes vai para o VMBO simplesmente porque o nível de holandês e matemática é baixo demais para os outros níveis. Moral da estória, no HAVO-VWO a maioria dos alunos são holandeses, com uns poucos filhos de imigrantes cujos pais tem alto nível de educação. Quanto mais alto o nível de ensino, mais alunos louros de olhos azuis...eu avisei que o sistema aqui era elitista, né? Pois é.

Complicado mas é assim que as escolas funcionam aqui. Enquanto no Brasil todos cursam o mesmo segundo grau (e quem tem grana garante uma boa escola particular), aqui a trajetória escolar é definida com 12 anos...é possível terminar o HAVO e fazer mais dois anos de VWO (o que é o plano aqui em casa) mas quem faz VMBO raramente consegue ir para o HAVO porque as aulas são de caráter prático e profissionalizante, eles não tem história, geografia e muito menos aulas de física, química e economia!

Apesar deste sistema elitista que literalmente "bloqueia" o acesso de alunos de meios menos privilegiados, ao menos quem consegue ir para o HAVO-VWO recebe uma boa formação. Nas escolas daqui, os alunos aprendem no mínimo quatro idiomas (holandês, inglês e alemão são obrigatórios, as escolas decidem ainda se darão francês ou espanhol). Imagina quanto uma escola dessas custaria no Brasil! Uma amiga me disse que no Rio eu teria de "desembolsar" uns 1000 reais de mensalidade para uma boa escola particular! E eles mal aprendem inglês nas escolas...

Moral da estória, a Holanda mudou muito nos últimos 19 anos desde que cheguei aqui, mas ainda está anos luz na frente do Brasil em termos de educação, por exemplo. O ensino pode ser elitista mas ao menos é público! Contraditório mas enfim...


PS: Esqueci de dizer que o VMBO dura 3 ou 4 anos, o HAVO dura 5 anos e o VWO dura 6 anos...Ou seja, o ensino secundário na Holanda dura de 4 a 6 anos, dependendo do tipo de escola.


quarta-feira, agosto 21, 2013

A dieta: aspecto emocional



A dieta vai bem, obrigada. E espero que eles estejam certos quando dizem que as primeiras duas semanas (eu diria o primeiro mês) são as mais difíceis. Porque estas primeiras duas semanas foram tranquilas e eu perdi os primeiros 3 kgs (quase 4 kgs). Agora convenhamos, não é uma questão de "fechar a boca" como alguns pensam e sim redescobrir (recriar) sua relação com a comida. Especialmente no meu caso, porque há anos adquiri o hábito de comer para me consolar:  comida = conforto. Nos períodos difíceis da minha vida, como nos dois anos antes de (finalmente) me divorciar mas também recentemente, a comida era o meu maior conforto.

E eu não tenho vergonha de admitir que tenho um problema com comida (sou "viciada" mesmo)...e digo mais, acho que a maioria das pessoas que sofre de excesso de peso (certamente aquelas que estão mais de 10, 20 kgs acima do peso) geralmente tem problemas emocionais. E ao invés de lidar com eles (haja terapia, né?), elas tentam "tapar o sol com a peneira" atacando a geladeira! E sofrem com as consequências.

Para alguns, estar ciente deste aspecto emocional já é meio caminho andado...Aprender a lidar com emoções desconfortáveis sem recorrer a uma torta ou barra de chocolate como consolo. Identificar seus "catalizadores": você come quando está triste? ansioso? ou simplesmente entediado? (sem falar que depressão e distúrbios de comida andam de mãos dadas: algumas mulheres emagrecem, muitas engordam). Então é preciso adestrar seus "monstros" antes que eles façam um estrago ainda maior do que já fizeram. Simples e ao mesmo tempo, difícil pra caramba.

O segundo aspecto essencial pra perder peso é a motivação. Sem motivação de verdade, não adianta nem começar. É aquele momento da sua vida em que você diz: chega, eu não quero mais isso. Eu não quero mais ser esta pessoa. Eu mereço uma vida saudável, melhor qualidade de vida. É hora de cuidar de mim mesma! E não se iludam: esta motivação vem de dentro - e não porque seu namorado ou amiga ou mãe disse que você está gorda. E quando ela finalmente chega, você tem de se agarrar a ela com toda força.

Engraçado é que eu ia escrever um post com dicas rápidas pra quem quer começar uma dieta e acabei falando de outro aspecto - na verdade, muito mais importante. Porque quem conhece esta blogueira sabe que eu não fujo de tabus, eu falo quando muitos calam, eu digo o que muitos pensam mas não tem coragem de dizer...enfim, esta sou eu!

As dicas de dieta (que tem funcionado comigo) ficam para o próximo post!


quinta-feira, agosto 15, 2013

A dieta





Pois então...depois de quase 5 anos sem fazer dieta de espécie alguma (shame on you), chegou o grande momento. Porque existe um momento em que você decide realmente mudar. Um momento em que diz: chega, cansei de ser gorda. Pois este momento chegou. É agora ou nunca (comigo é assim).

Há cinco anos atrás, eu fui a uma dietista e fiz uma reeducação alimentar (porque acreditem: dieta não funciona e dietas milagrosas não existem). Em quatro meses, emagreci cerca de 12 kgs - sem passar fome e comendo refeições saudáveis - e baixei um tamanho de roupas (de 48 para 46). Bem verdade que era apenas o começo de um longo processo...Consegui manter o novo peso por cerca de um ano e tudo estava dando certo, eu nadando 3x por semana, até que tive uma hérnia de disco. Fui obrigada a ficar de repouso ANTES e DEPOIS da operação, foram meses até a (maldita) dor na coluna realmente "sumir".


Desde então, recuperei todo o peso perdido e ainda ganhei uns 5 kgs na viagem ao Brasil em 2011 (que ainda não perdi porque ganhar peso é fácil, perder é que são elas). Enfim, tem muito trabalho pela frente. A boa notícia é que se eu fiz uma vez e deu certo (e deu mesmo), agora vou fazer de novo e vai dar certo também. Estou praticamente revendo a dieta de 2008, usando um caderno para anotar tudo que como e bebo (ótima dica da dietista para se ter controle do consumo, e não necessariamente de calorias mas de alimentos mesmo).

Semana passada tive a primeira consulta com a nova dietista e agora acabei de voltar da segunda consulta. Os primeiros 2kgs já se foram até porque, pra quem está muito acima do peso como eu (preciso perder uns 30 kgs mas até com 20 kgs hoje em dia eu já fico feliz da vida), os primeiros 5 kgs a gente perde sem muito esforço. É a tal retenção de líquidos, né? Claro que só de pensar em 30kgs a gente surta então dividi em metas menores: primeiro 10kgs, depois mais 10kgs e assim vamos seguindo. Tudo com muita calma, porque não é indicado perder peso muito rápido, 1kg por semana (4 kgs por mês) é ideal. Assim sendo, marquei uma data no meu calendário: meu aniversário em dezembro! Até lá pretendo perder no mínimo 10 kgs, talvez até uns 12kgs se eu entrar numa rotina de atividade física.

Então agora é andar mais de bicicleta (e aqui na Holanda as ciclovias são ótimas então esta desculpa eu não tenho) e o mais importante no quesito atividade física: voltar a nadar! Porque nadar é praticamente o único esporte que eu realmente curto...e eu parei há mais de 2 anos!

Enfim, só pra deixar registrado. Torçam por mim porque a estrada é longa mas eu consigo...um dia de cada vez!


domingo, agosto 04, 2013

(In)feliz por comparação



Engraçado como as coisas funcionam dentro da cabeça da gente e como alguns hábitos são duros de se mudar! O hábito de comparar a nossa felicidade com a dos outros, por exemplo. Provavelmente um dos piores hábitos que existe. Sabem aquela estória de "a grama do vizinho sempre é mais verde"? Pois é.

Em determinadas fases da vida em que as coisas parecem não querer "desandar" e a gente continua esperando aquela virada de maré, é difícil a gente não se comparar com pessoas que parecem ter tudo "sob controle" (nem que seja apenas superficialmente, o que também acontece). Em alguns aspectos da minha vida - certamente no aspecto profissional - eu fico pensando porque tudo pra mim é tão difícil enquanto outras pessoas estão lá acordando cedo, tomando café e indo trabalhar todo dia sem precisar pensar duas vezes no significado de suas vidas. Eu fico pensando porque algumas pessoas tem mais sorte do que as outras - e claro que determinação e esforço próprio também contam (já estou ouvindo até as vozes de algumas pessoas). Mas a verdade é que a sorte também é um fator que muitos ignoram. Geralmente são os mais jovens e inexperientes, que acham que a vida pode ser 100% construída, o que é uma meia verdade e quem acumulou experiências pela vida afora sabe muito bem disso. Porque é possível sim construir nossos destinos até um certo grau - mas muita coisa independe do nosso controle (e como a vida seria mais fácil se pudessemos controlar tudo que acontece com a gente). São fatores externos pelos quais não temos o menor controle. E quem passou ou passa por isso, sabe exatamente do que estou falando. Sem falar que até os trinta e poucos anos, temos um amplo leque de oportunidades, e com o passar dos anos elas vão se tornando mais escassas. É aquela velha estória: ter filhos e fazer carreira a gente faz lá pelos trinta anos. Depois ainda é possível mas fica bem mais difícil. Já vi por exemplo mulheres que decidiram investir na carreira e acabaram tendo filhos depois dos 40 anos. Ou pior, mulheres que chegaram nesta idade e descobriram que não podiam mais engravidar. Enfim, problema todo mundo tem, né?

Mas vamos ao que interessa. Eu fiz uma descoberta nos últimos tempos. Existem duas maneiras bem distintas de encararmos nossas vidas: a gente pode comparar com quem está melhor e se sentir infeliz (e existe muita gente em situação melhor). Ou pode comparar com quem está pior e se sentir feliz (e existe muita gente em situação pior). Escrevendo assim parece tão óbvio (e para algumas pessoas é mesmo) mas este tem sido um exercício árduo nos últimos tempos. Porque ainda existem pedras no meu caminho. Sem falar que alguns problemas parecem insistir em não ir embora (a gente pode até tentar ignorá-los mas eles sempre voltam). Enfim, a luta continua. O que me faz lembrar de outro velho ditado: o que não me mata, me fortalece. Sim, eu adoro um clichê.

Recentemente tive um grande insight ao assistir um documentário sobre jovens prostitutas nas Filipinas, o tal turismo sexual (provavelmente o maior setor da economia local). No programa, duas estudantes universitárias holandesas foram enviadas para passar uma semana convivendo com jovens prostitutas (muitas delas menores de idade). E isso resultou em cenas comoventes, que me levaram às lágrimas. Porque sim, caros leitores, ainda há muita injustiça por este mundo afora e muita gente não tem mesmo sorte. Claro que se trata de uma "situação extrema" mas por outro lado, este problema é comum em vários países pobres, até mesmo no nosso Brasil com seu tão proclamado "booming econômico". O que me lembra outro documentário que vi na tv holandesa alguns anos atrás sobre prostitutas em Recife, muitas delas jovens de 14 anos (ou menos). Dá vontade de chorar mesmo - e de bater nesses homens que se acham no direito de tratar essas mulheres como uma espécie de boneca inflável, sem sentimentos e vontade própria.

Enfim, depois do documentário nas Filipinas, inevitavelmente comparei a minha vida com a dessas jovens mulheres sem perspectiva de futuro (algumas mães solteiras) e de repente todos os meus problemas se tornaram relativos! Sim, meus problemas ainda existem mas a verdade é que poderia ser muito pior.

Pra encurtar a estória, fiz uma promessa a mim mesma: toda vez que eu estiver triste com algumas circunstâncias da minha vida, eu vou me lembrar dessas meninas. Acho que era isso que eu queria dizer hoje.

quarta-feira, julho 31, 2013

25 anos de PIXAR!






Tinha escrito um rascunho mas não tive tempo de aparecer por aqui antes então lá vai. Semana passada finalmente fomos na Amsterdam EXPO conferir a exposição internacional da PIXAR, em homenagem aos 25 anos de existência de um dos melhores estúdios de animação do mundo - o concorrente mais próximo é a DreamWorks (dos maravilhosos Ice Age e Madagascar, aqui em casa somos fãs).

Uma das maiores vantagens de se ter filhos é que quando eles são pequenos temos a desculpa "perfeita" para assistirmos sem culpa muitos desenhos e filmes infantis. E foi assim que me apaixonei numa tarde de inverno por Toy Story (até hoje meu PIXAR favorito). Sem falar que Finding Nemo foi literalmente a primeira vez que Liam foi ao cinema! E que experiência inesquecível ver na telona imagens de peixinhos coloridos nadando num oceano de corais. Melhor estréia nas salas de cinema, (quase) impossível, né?




Os anos se passaram, meu filho hoje tem 13 anos e já não quer mais assistir filmes infantis - embora PIXAR atraia crianças e adultos de todas as idades. Mas ele prometeu assistir comigo em breve Monsters University (eu também amo Monters Inc.) e enquanto isso não acontece, fomos prestigiar a exibição na Amsterdam EXPO.

A exposição é para os fãs de animação em geral, e para os fãs da PIXAR em particular! Ela consiste em sketches originais feitos a lápis ou lápis de cera, artwork em vários estágios de produção, storyboards, imagens digitalizadas, além da exibição de curtas e de um documentário sobre o estúdio, etc. Enfim, ali você pode acompanhar todo o processo de criação de um dos estúdios mais inovadores dos últimos 30 anos!

Pra quem não sabe, a Pixar foi fundada em 1979 (!) pelo diretor de cinema George Lucas, e em 1986 obteve uma injeção de capital da Apple Inc., a famosa empresa fundada por Steve Jobs.  O estúdio cresceu tanto que acabou sendo adquirido em 2006 pela Disney Studio (que decidiu literalmente "comprar" a concorrência).

Entre os muitos sucesso de bilheteria e milhões em vendas de DVDs estão títulos como meu grande favorito Toy Story 1 (o primeiro filme da Pixar e também seu primeiro sucesso), as sequências Toy Story 2 e Toy Sotry 3, Monsters Inc., The Incredibles, Cars, Nemo, Up, Ratatouille (outro favorito), Brave (o único que não vi até hoje), e agora o esperado Monsters University. Enfim, muitos clássicos que fizeram e fazem parte da infância de muita gente.

E o seu favorito, qual é?


Liam na saída da exposição


quarta-feira, julho 24, 2013

Duas biografias imperdíveis

Tenho lido bastante, mas confesso que ando com uma preguiça danada de escrever aqui no blog (deve ser o calor...). Mas agora resolvi vencer a preguiça de uma vez por todas e escrever um post sobre dois livros que me impressionaram muito este ano. Eu não costumo ler biografias mas estas duas biografias me marcaram tanto que decidi compartilhar com vocês aqui no blog. São duas estórias distintas, de famílias de origens diferentes em países diferentes mas ambas excepcionais. Cada uma à sua maneira. Acima de tudo, dois belos exemplos de sobrevivência.


A primeira delas é The Glass Castle (traduzido no Brasil como O Castelo de Vidro), da jornalista e escritora americana Jeannette Walls. Um relato bigráfico impressionante que fica na memória do leitor por muito tempo (eu que o diga).

Jeannette é filha de um pai alcóolatra e uma mãe artista, ambos pobres e que vivem em uma miséria inacreditável (de passar fome), principalmente considerando-se que moram nos EUA. Jeannette tem um irmão mais velho e duas irmãs, que praticamente são obrigados a cuidar uns dos outros porque nem o pai nem a mãe tem a menor condição de criar seus filhos. Durante a infância, eles chegam a morar como nômades no deserto, depois mudam várias vezes de cidade e de escola, sendo literamente entregues aos seus próprios destinos. Na verdade, ao ler alguns trechos do livro, o simples fato de terem sobrevivido a criação que receberam é (quase) inacreditável! Um pai alcóolatra e uma mãe negligente (mais preocupada com sua "arte" do que com o que está acontecendo à sua volta), uma vida miserável em que não apenas as crianças iam pra escola sem café da manhã como eram literalmente obrigadas a "catar" algo para levar para o lanche escolar! O resto eu não conto pra não estragar a estória mas que é um relato impressionante, isso é - e muito bem escrito!

Então fiquem avisados: o livro é daqueles em que você ri e chora, alternadamente. Um relato humano e comovente de uma mulher que consegue criar para si uma vida, apesar de seu passado desastroso. Depois de completar seus estudos, Jeannette decide tomar o maior risco de sua vida e se mudar sozinha para Nova Iorque. Lá ela começa a trabalhar na editoria de um pequeno jornal até conseguir estabelecer uma carreira de jornalista (e depois escritora) num jornal prestigioso. Tudo sem ajuda de ninguém e com uma coragem e determinação de dar inveja a muita gente. Enfim, leitura obrigatória!


A segunda biografia, que me impressionou tanto quanto a primeira (mas por motivos muito diferentes) é The Three of Us (não encontrei tradução brasileira), da inglesa Julia Blackburn. Julia é criada por um pai poeta e alcóolatra (talvez a única semelhança entre as duas biografias mas, não obstante, um detalhe importante) e por uma mãe pintora, emocionalmente instável e acima de tudo, ninfomaníaca (sem brincadeira). Julia tem uma criação extremamente liberal, principalmente depois que a mãe se separa do pai e decide alugar quartos para rapazes (!). Aí começam os relatos de como Julia sobrevive no dia-a-dia com uma mãe egocêntrica, instável e sempre em busca de novas aventuras amorosas (em vários momentos tive a impressão de que a adolescente da estória era a mãe). Quando Julia entra na adolescência, sua mãe passa a vê-la como rival, o que cria situações desastrosas (e constrangedoras) para a filha. Anos depois, já mais velha, Julia decide entrar no jogo da mãe e "roubar" seu amante favorito (entre tantos outros), um homem quase 30 anos mais velho do que a própria Julia. Considerando-se a forma como Julia é tratada durante anos pela mãe, este "desfecho" é quase inevitável, digamos assim. Enfim, uma relação mãe-filha muito complexa e destrutiva, da qual Julia consegue se desvencilhar depois de muitos anos - e inúmeras sessões de terapia - mas não sem cicatrizes.

Um dos aspectos mais interessantes da biografia é o pano de fundo histórico, mais especificamente a boemia inglesa dos anos 60, com seu idealismo, o movimento hippie, a famosa (e controvertida) liberação sexual das mulheres ("Women's lib") etc. Nos relatos de Julia, você tem a oportunidade de acompanhar de perto como é crescer nesta década conturbada, no seio de uma família artística e boêmia. Enfim, uma criação nada convencional.

Duas leituras altamente recomendadas para quem gosta de uma biografia bem escrita!


Tecnologia do Blogger.

A dieta: minhas dicas


Minha salada favorita: tomate, mozzarela e manjericão

Então vamos lá, já que estou mesmo motivada (é agora ou nunca), vou dar algumas dicas básicas de quem está a fim de encarar uma dieta.

1. Esqueça dietas! A palavra de ordem é reeducação alimentar. Dieta não resolve o problema, você passa fome por algumas semanas (ou meses), chega ao peso desejado e resolve voltar a comer como antes - resultado, engorda tudo de novo (e mais um pouco). Eu felizmente nunca fui vítima de dietas da moda mas fui dois meses no Weight Watchers aqui na Holanda e pra mim não funcionou! Pra gente organizada que adora fazer contas e listinhas e contar pontos em TODAS as refeições, ótimo. Não é o meu caso, não tenho saco!

2. Reeducação alimentar é pra vida toda (a diferença básica entre reeducação alimentar e dietas "milagrosas"). E ela deve seguir de mãos dadas com algum tipo de atividade física porque só comer direito não basta (mas já é um bom começo).

Knackebrood com cottage cheese, pepino e alfafa

3. No quesito atividade física - eu que não sou nem pretendo virar atleta - só tenho um conselho pra dar: escolha uma atividade (esporte) que te dê prazer e comece aos poucos. Eu infelizmente não curto esportes (sempre odiei academia, sou rata de biblioteca). Mas amo nadar e me agarro à natação com unhas e garras porque é o meu esporte.

4. Pra quem está fora de forma como eu, não adianta se animar e sair fazendo esportes todos os dias da semana feito louco! Vá com calma porque na pior das hipóteses, você pode acabar com uma lesão séria - e eu sei do que estou falando porque tive uma hérnia de disco e ninguém merece (tive até de operar e foram seis meses de descanso obrigatório). É melhor começar 3x por semana. Eu, por exemplo, comecei a nadar 1x semana (acabei de voltar da piscina cheia de energia e cá estou eu conversando com vocês). Além disso, ando de bicicleta 2 x semana (numa velocidade suficiente pra contar como exercício de cardio). Comecei há 3 semanas e é pesado - mas cada semana fica mais fácil. Semana que vem (a quarta semana), pretendo passar a nadar 2x semana. Vamos ver!

5. Ainda no quesito esporte, comece fazendo caminhadas ou andando de bicicleta. Suba escadas em vez de pegar o elevador. Nadar também é um esporte completo, recomendado principalmente pra quem está muito acima do peso (como eu) porque é um esporte de pouco impacto. Melhora a condição física em geral, e a capacidade respiratória em particular (ótima dica para quem sofre de asma ou bronquite, por ex.)

6. Agora vamos à alimentação. Primeira dica: não passe fome. Nunca. Não é preciso passar fome (e é aí que muitas dietas falham). O que é preciso é aprender a escolher o que se come. E, em alguns casos, reaprender a comer (é o meu caso, veja este post). E de preferência, busque a ajuda de uma dietista (nutricionista) nos primeiros meses, até você "pegar o embalo".

Knackebrood com cottage cheese e geléia de morango

6. Importante: faça seis refeições por dia. Isso mesmo: seis refeições, eu disse que não é pra passar fome! Três refeições principais: café da manhã, almoço e jantar. E mais três lanches light (frutas ou salada de frutas, iogurte grego, activia, iogurte de beber, cottage cheese e outras snacks light.)



Nota: O knackebrood das duas fotos acima é um tipo de cracker original da Suécia mas muito popular aqui na Holanda. Não sei se é fácil de encontrar nos supermercados do Brasil mas aqui tem vários tipos. E é uma ótima opção de lanche, em vez de pão. E por falar em pão, mais uma dica: evite pão branco, compre pão integral. Eu já comia pão integral há tempos e mudei para o pão de spelt. Spelt é um grão que substitui o grão de trigo e anda fazendo o maior sucesso por aqui. Dizem as más línguas que é bem mais saudável do que o pão feito com trigo. Eu comprei e gostei!

Começo das aulas: escolas na Holanda



Nesta segunda-feira Liam voltou às aulas, depois de 7 (longas) semanas de férias. Infelizmente este ano não rolou viagem ao Brasil, mas ano que vem rola (se Deus quiser).

Este segundo ano do HAVO promete ser bem mais puxado pois ele terá três matérias novas: física, alemão e economia. Fora o alemão, ele ainda tem aulas de holandês, inglês e espanhol desde o primeiro ano (e tira notas acima da média em idiomas, acho que puxou à mãe hehehe).

Mas deixa eu explicar como funciona o ensino secundário aqui na Holanda...Aqui as escolas são públicas mas o ensino é bastante elitista. Ou seja, as escolas são para todos mas são divididas em três tipos: VMBO (formação técnica profissionalizante), HAVO (formação teórica que prepara para a escola superior (Hoge School), VWO (formação teórica e única que oferece acesso direto à universidade). Pra vocês terem uma idéia, 60 % de todos os estudantes vai para o VMBO.  Os 40 % restantes vão para o HAVO (20%) e VWO (20%). A maioria esmagadora dos filhos de imigrantes vai para o VMBO simplesmente porque o nível de holandês e matemática é baixo demais para os outros níveis. Moral da estória, no HAVO-VWO a maioria dos alunos são holandeses, com uns poucos filhos de imigrantes cujos pais tem alto nível de educação. Quanto mais alto o nível de ensino, mais alunos louros de olhos azuis...eu avisei que o sistema aqui era elitista, né? Pois é.

Complicado mas é assim que as escolas funcionam aqui. Enquanto no Brasil todos cursam o mesmo segundo grau (e quem tem grana garante uma boa escola particular), aqui a trajetória escolar é definida com 12 anos...é possível terminar o HAVO e fazer mais dois anos de VWO (o que é o plano aqui em casa) mas quem faz VMBO raramente consegue ir para o HAVO porque as aulas são de caráter prático e profissionalizante, eles não tem história, geografia e muito menos aulas de física, química e economia!

Apesar deste sistema elitista que literalmente "bloqueia" o acesso de alunos de meios menos privilegiados, ao menos quem consegue ir para o HAVO-VWO recebe uma boa formação. Nas escolas daqui, os alunos aprendem no mínimo quatro idiomas (holandês, inglês e alemão são obrigatórios, as escolas decidem ainda se darão francês ou espanhol). Imagina quanto uma escola dessas custaria no Brasil! Uma amiga me disse que no Rio eu teria de "desembolsar" uns 1000 reais de mensalidade para uma boa escola particular! E eles mal aprendem inglês nas escolas...

Moral da estória, a Holanda mudou muito nos últimos 19 anos desde que cheguei aqui, mas ainda está anos luz na frente do Brasil em termos de educação, por exemplo. O ensino pode ser elitista mas ao menos é público! Contraditório mas enfim...


PS: Esqueci de dizer que o VMBO dura 3 ou 4 anos, o HAVO dura 5 anos e o VWO dura 6 anos...Ou seja, o ensino secundário na Holanda dura de 4 a 6 anos, dependendo do tipo de escola.


A dieta: aspecto emocional



A dieta vai bem, obrigada. E espero que eles estejam certos quando dizem que as primeiras duas semanas (eu diria o primeiro mês) são as mais difíceis. Porque estas primeiras duas semanas foram tranquilas e eu perdi os primeiros 3 kgs (quase 4 kgs). Agora convenhamos, não é uma questão de "fechar a boca" como alguns pensam e sim redescobrir (recriar) sua relação com a comida. Especialmente no meu caso, porque há anos adquiri o hábito de comer para me consolar:  comida = conforto. Nos períodos difíceis da minha vida, como nos dois anos antes de (finalmente) me divorciar mas também recentemente, a comida era o meu maior conforto.

E eu não tenho vergonha de admitir que tenho um problema com comida (sou "viciada" mesmo)...e digo mais, acho que a maioria das pessoas que sofre de excesso de peso (certamente aquelas que estão mais de 10, 20 kgs acima do peso) geralmente tem problemas emocionais. E ao invés de lidar com eles (haja terapia, né?), elas tentam "tapar o sol com a peneira" atacando a geladeira! E sofrem com as consequências.

Para alguns, estar ciente deste aspecto emocional já é meio caminho andado...Aprender a lidar com emoções desconfortáveis sem recorrer a uma torta ou barra de chocolate como consolo. Identificar seus "catalizadores": você come quando está triste? ansioso? ou simplesmente entediado? (sem falar que depressão e distúrbios de comida andam de mãos dadas: algumas mulheres emagrecem, muitas engordam). Então é preciso adestrar seus "monstros" antes que eles façam um estrago ainda maior do que já fizeram. Simples e ao mesmo tempo, difícil pra caramba.

O segundo aspecto essencial pra perder peso é a motivação. Sem motivação de verdade, não adianta nem começar. É aquele momento da sua vida em que você diz: chega, eu não quero mais isso. Eu não quero mais ser esta pessoa. Eu mereço uma vida saudável, melhor qualidade de vida. É hora de cuidar de mim mesma! E não se iludam: esta motivação vem de dentro - e não porque seu namorado ou amiga ou mãe disse que você está gorda. E quando ela finalmente chega, você tem de se agarrar a ela com toda força.

Engraçado é que eu ia escrever um post com dicas rápidas pra quem quer começar uma dieta e acabei falando de outro aspecto - na verdade, muito mais importante. Porque quem conhece esta blogueira sabe que eu não fujo de tabus, eu falo quando muitos calam, eu digo o que muitos pensam mas não tem coragem de dizer...enfim, esta sou eu!

As dicas de dieta (que tem funcionado comigo) ficam para o próximo post!


A dieta





Pois então...depois de quase 5 anos sem fazer dieta de espécie alguma (shame on you), chegou o grande momento. Porque existe um momento em que você decide realmente mudar. Um momento em que diz: chega, cansei de ser gorda. Pois este momento chegou. É agora ou nunca (comigo é assim).

Há cinco anos atrás, eu fui a uma dietista e fiz uma reeducação alimentar (porque acreditem: dieta não funciona e dietas milagrosas não existem). Em quatro meses, emagreci cerca de 12 kgs - sem passar fome e comendo refeições saudáveis - e baixei um tamanho de roupas (de 48 para 46). Bem verdade que era apenas o começo de um longo processo...Consegui manter o novo peso por cerca de um ano e tudo estava dando certo, eu nadando 3x por semana, até que tive uma hérnia de disco. Fui obrigada a ficar de repouso ANTES e DEPOIS da operação, foram meses até a (maldita) dor na coluna realmente "sumir".


Desde então, recuperei todo o peso perdido e ainda ganhei uns 5 kgs na viagem ao Brasil em 2011 (que ainda não perdi porque ganhar peso é fácil, perder é que são elas). Enfim, tem muito trabalho pela frente. A boa notícia é que se eu fiz uma vez e deu certo (e deu mesmo), agora vou fazer de novo e vai dar certo também. Estou praticamente revendo a dieta de 2008, usando um caderno para anotar tudo que como e bebo (ótima dica da dietista para se ter controle do consumo, e não necessariamente de calorias mas de alimentos mesmo).

Semana passada tive a primeira consulta com a nova dietista e agora acabei de voltar da segunda consulta. Os primeiros 2kgs já se foram até porque, pra quem está muito acima do peso como eu (preciso perder uns 30 kgs mas até com 20 kgs hoje em dia eu já fico feliz da vida), os primeiros 5 kgs a gente perde sem muito esforço. É a tal retenção de líquidos, né? Claro que só de pensar em 30kgs a gente surta então dividi em metas menores: primeiro 10kgs, depois mais 10kgs e assim vamos seguindo. Tudo com muita calma, porque não é indicado perder peso muito rápido, 1kg por semana (4 kgs por mês) é ideal. Assim sendo, marquei uma data no meu calendário: meu aniversário em dezembro! Até lá pretendo perder no mínimo 10 kgs, talvez até uns 12kgs se eu entrar numa rotina de atividade física.

Então agora é andar mais de bicicleta (e aqui na Holanda as ciclovias são ótimas então esta desculpa eu não tenho) e o mais importante no quesito atividade física: voltar a nadar! Porque nadar é praticamente o único esporte que eu realmente curto...e eu parei há mais de 2 anos!

Enfim, só pra deixar registrado. Torçam por mim porque a estrada é longa mas eu consigo...um dia de cada vez!


(In)feliz por comparação



Engraçado como as coisas funcionam dentro da cabeça da gente e como alguns hábitos são duros de se mudar! O hábito de comparar a nossa felicidade com a dos outros, por exemplo. Provavelmente um dos piores hábitos que existe. Sabem aquela estória de "a grama do vizinho sempre é mais verde"? Pois é.

Em determinadas fases da vida em que as coisas parecem não querer "desandar" e a gente continua esperando aquela virada de maré, é difícil a gente não se comparar com pessoas que parecem ter tudo "sob controle" (nem que seja apenas superficialmente, o que também acontece). Em alguns aspectos da minha vida - certamente no aspecto profissional - eu fico pensando porque tudo pra mim é tão difícil enquanto outras pessoas estão lá acordando cedo, tomando café e indo trabalhar todo dia sem precisar pensar duas vezes no significado de suas vidas. Eu fico pensando porque algumas pessoas tem mais sorte do que as outras - e claro que determinação e esforço próprio também contam (já estou ouvindo até as vozes de algumas pessoas). Mas a verdade é que a sorte também é um fator que muitos ignoram. Geralmente são os mais jovens e inexperientes, que acham que a vida pode ser 100% construída, o que é uma meia verdade e quem acumulou experiências pela vida afora sabe muito bem disso. Porque é possível sim construir nossos destinos até um certo grau - mas muita coisa independe do nosso controle (e como a vida seria mais fácil se pudessemos controlar tudo que acontece com a gente). São fatores externos pelos quais não temos o menor controle. E quem passou ou passa por isso, sabe exatamente do que estou falando. Sem falar que até os trinta e poucos anos, temos um amplo leque de oportunidades, e com o passar dos anos elas vão se tornando mais escassas. É aquela velha estória: ter filhos e fazer carreira a gente faz lá pelos trinta anos. Depois ainda é possível mas fica bem mais difícil. Já vi por exemplo mulheres que decidiram investir na carreira e acabaram tendo filhos depois dos 40 anos. Ou pior, mulheres que chegaram nesta idade e descobriram que não podiam mais engravidar. Enfim, problema todo mundo tem, né?

Mas vamos ao que interessa. Eu fiz uma descoberta nos últimos tempos. Existem duas maneiras bem distintas de encararmos nossas vidas: a gente pode comparar com quem está melhor e se sentir infeliz (e existe muita gente em situação melhor). Ou pode comparar com quem está pior e se sentir feliz (e existe muita gente em situação pior). Escrevendo assim parece tão óbvio (e para algumas pessoas é mesmo) mas este tem sido um exercício árduo nos últimos tempos. Porque ainda existem pedras no meu caminho. Sem falar que alguns problemas parecem insistir em não ir embora (a gente pode até tentar ignorá-los mas eles sempre voltam). Enfim, a luta continua. O que me faz lembrar de outro velho ditado: o que não me mata, me fortalece. Sim, eu adoro um clichê.

Recentemente tive um grande insight ao assistir um documentário sobre jovens prostitutas nas Filipinas, o tal turismo sexual (provavelmente o maior setor da economia local). No programa, duas estudantes universitárias holandesas foram enviadas para passar uma semana convivendo com jovens prostitutas (muitas delas menores de idade). E isso resultou em cenas comoventes, que me levaram às lágrimas. Porque sim, caros leitores, ainda há muita injustiça por este mundo afora e muita gente não tem mesmo sorte. Claro que se trata de uma "situação extrema" mas por outro lado, este problema é comum em vários países pobres, até mesmo no nosso Brasil com seu tão proclamado "booming econômico". O que me lembra outro documentário que vi na tv holandesa alguns anos atrás sobre prostitutas em Recife, muitas delas jovens de 14 anos (ou menos). Dá vontade de chorar mesmo - e de bater nesses homens que se acham no direito de tratar essas mulheres como uma espécie de boneca inflável, sem sentimentos e vontade própria.

Enfim, depois do documentário nas Filipinas, inevitavelmente comparei a minha vida com a dessas jovens mulheres sem perspectiva de futuro (algumas mães solteiras) e de repente todos os meus problemas se tornaram relativos! Sim, meus problemas ainda existem mas a verdade é que poderia ser muito pior.

Pra encurtar a estória, fiz uma promessa a mim mesma: toda vez que eu estiver triste com algumas circunstâncias da minha vida, eu vou me lembrar dessas meninas. Acho que era isso que eu queria dizer hoje.

25 anos de PIXAR!






Tinha escrito um rascunho mas não tive tempo de aparecer por aqui antes então lá vai. Semana passada finalmente fomos na Amsterdam EXPO conferir a exposição internacional da PIXAR, em homenagem aos 25 anos de existência de um dos melhores estúdios de animação do mundo - o concorrente mais próximo é a DreamWorks (dos maravilhosos Ice Age e Madagascar, aqui em casa somos fãs).

Uma das maiores vantagens de se ter filhos é que quando eles são pequenos temos a desculpa "perfeita" para assistirmos sem culpa muitos desenhos e filmes infantis. E foi assim que me apaixonei numa tarde de inverno por Toy Story (até hoje meu PIXAR favorito). Sem falar que Finding Nemo foi literalmente a primeira vez que Liam foi ao cinema! E que experiência inesquecível ver na telona imagens de peixinhos coloridos nadando num oceano de corais. Melhor estréia nas salas de cinema, (quase) impossível, né?




Os anos se passaram, meu filho hoje tem 13 anos e já não quer mais assistir filmes infantis - embora PIXAR atraia crianças e adultos de todas as idades. Mas ele prometeu assistir comigo em breve Monsters University (eu também amo Monters Inc.) e enquanto isso não acontece, fomos prestigiar a exibição na Amsterdam EXPO.

A exposição é para os fãs de animação em geral, e para os fãs da PIXAR em particular! Ela consiste em sketches originais feitos a lápis ou lápis de cera, artwork em vários estágios de produção, storyboards, imagens digitalizadas, além da exibição de curtas e de um documentário sobre o estúdio, etc. Enfim, ali você pode acompanhar todo o processo de criação de um dos estúdios mais inovadores dos últimos 30 anos!

Pra quem não sabe, a Pixar foi fundada em 1979 (!) pelo diretor de cinema George Lucas, e em 1986 obteve uma injeção de capital da Apple Inc., a famosa empresa fundada por Steve Jobs.  O estúdio cresceu tanto que acabou sendo adquirido em 2006 pela Disney Studio (que decidiu literalmente "comprar" a concorrência).

Entre os muitos sucesso de bilheteria e milhões em vendas de DVDs estão títulos como meu grande favorito Toy Story 1 (o primeiro filme da Pixar e também seu primeiro sucesso), as sequências Toy Story 2 e Toy Sotry 3, Monsters Inc., The Incredibles, Cars, Nemo, Up, Ratatouille (outro favorito), Brave (o único que não vi até hoje), e agora o esperado Monsters University. Enfim, muitos clássicos que fizeram e fazem parte da infância de muita gente.

E o seu favorito, qual é?


Liam na saída da exposição


Duas biografias imperdíveis

Tenho lido bastante, mas confesso que ando com uma preguiça danada de escrever aqui no blog (deve ser o calor...). Mas agora resolvi vencer a preguiça de uma vez por todas e escrever um post sobre dois livros que me impressionaram muito este ano. Eu não costumo ler biografias mas estas duas biografias me marcaram tanto que decidi compartilhar com vocês aqui no blog. São duas estórias distintas, de famílias de origens diferentes em países diferentes mas ambas excepcionais. Cada uma à sua maneira. Acima de tudo, dois belos exemplos de sobrevivência.


A primeira delas é The Glass Castle (traduzido no Brasil como O Castelo de Vidro), da jornalista e escritora americana Jeannette Walls. Um relato bigráfico impressionante que fica na memória do leitor por muito tempo (eu que o diga).

Jeannette é filha de um pai alcóolatra e uma mãe artista, ambos pobres e que vivem em uma miséria inacreditável (de passar fome), principalmente considerando-se que moram nos EUA. Jeannette tem um irmão mais velho e duas irmãs, que praticamente são obrigados a cuidar uns dos outros porque nem o pai nem a mãe tem a menor condição de criar seus filhos. Durante a infância, eles chegam a morar como nômades no deserto, depois mudam várias vezes de cidade e de escola, sendo literamente entregues aos seus próprios destinos. Na verdade, ao ler alguns trechos do livro, o simples fato de terem sobrevivido a criação que receberam é (quase) inacreditável! Um pai alcóolatra e uma mãe negligente (mais preocupada com sua "arte" do que com o que está acontecendo à sua volta), uma vida miserável em que não apenas as crianças iam pra escola sem café da manhã como eram literalmente obrigadas a "catar" algo para levar para o lanche escolar! O resto eu não conto pra não estragar a estória mas que é um relato impressionante, isso é - e muito bem escrito!

Então fiquem avisados: o livro é daqueles em que você ri e chora, alternadamente. Um relato humano e comovente de uma mulher que consegue criar para si uma vida, apesar de seu passado desastroso. Depois de completar seus estudos, Jeannette decide tomar o maior risco de sua vida e se mudar sozinha para Nova Iorque. Lá ela começa a trabalhar na editoria de um pequeno jornal até conseguir estabelecer uma carreira de jornalista (e depois escritora) num jornal prestigioso. Tudo sem ajuda de ninguém e com uma coragem e determinação de dar inveja a muita gente. Enfim, leitura obrigatória!


A segunda biografia, que me impressionou tanto quanto a primeira (mas por motivos muito diferentes) é The Three of Us (não encontrei tradução brasileira), da inglesa Julia Blackburn. Julia é criada por um pai poeta e alcóolatra (talvez a única semelhança entre as duas biografias mas, não obstante, um detalhe importante) e por uma mãe pintora, emocionalmente instável e acima de tudo, ninfomaníaca (sem brincadeira). Julia tem uma criação extremamente liberal, principalmente depois que a mãe se separa do pai e decide alugar quartos para rapazes (!). Aí começam os relatos de como Julia sobrevive no dia-a-dia com uma mãe egocêntrica, instável e sempre em busca de novas aventuras amorosas (em vários momentos tive a impressão de que a adolescente da estória era a mãe). Quando Julia entra na adolescência, sua mãe passa a vê-la como rival, o que cria situações desastrosas (e constrangedoras) para a filha. Anos depois, já mais velha, Julia decide entrar no jogo da mãe e "roubar" seu amante favorito (entre tantos outros), um homem quase 30 anos mais velho do que a própria Julia. Considerando-se a forma como Julia é tratada durante anos pela mãe, este "desfecho" é quase inevitável, digamos assim. Enfim, uma relação mãe-filha muito complexa e destrutiva, da qual Julia consegue se desvencilhar depois de muitos anos - e inúmeras sessões de terapia - mas não sem cicatrizes.

Um dos aspectos mais interessantes da biografia é o pano de fundo histórico, mais especificamente a boemia inglesa dos anos 60, com seu idealismo, o movimento hippie, a famosa (e controvertida) liberação sexual das mulheres ("Women's lib") etc. Nos relatos de Julia, você tem a oportunidade de acompanhar de perto como é crescer nesta década conturbada, no seio de uma família artística e boêmia. Enfim, uma criação nada convencional.

Duas leituras altamente recomendadas para quem gosta de uma biografia bem escrita!