segunda-feira, abril 12, 2010

Falando sobre autismo



Abril é mês de conscientização sobre o autismo, um distúrbio de desenvolvimento que afeta muitas crianças e adultos. E como lido com esta questão diariamente, não podia deixar o tema passar em branco.

No caso específico do meu filho, ele frequentou durante 3 anos uma escola normal até que com 7 anos foi decidido que uma escola especial seria melhor para ele (assunto do próximo post, embora eu já tenha comentado por aqui antes). A decisão foi tomada com base em inúmeros testes e observações em sala de aula (e alguma logoterapia). O diagnóstico foi simples, embora longe de dar uma resposta às várias dúvidas dos pais: PDD-NOS (Pervasive Developmental Disorder - Not Otherwise Specified) com um certo grau de autismo. Lembro que lutei muito na época contra a decisão da escola, discuti com as professoras, a pedagoga e até com a diretora...mas de nada adiantou. Tem coisas que a gente não planeja na vida, esta certamente foi uma delas!

Aparentemente meu filho é uma criança normal - tanto que muitos se recusam a acreditar quando digo que ele tem autismo - mas sempre foi aquela criança esquisita no pátio da escola (e em sala de aula). Por anos ele foi fascinado por objetos com rodas, ônibus e trens foram e continuam sendo sua grande paixão. Prefere mil vezes trem a avião e por isso já viajou de trem pra Paris, Londres, Praga, etc. E os trens LEGO são seus brinquedos favoritos. Sim, todo menino gosta de brincar de carrinho mas no caso de uma criança autista é uma obsessão diária ver aquelas rodas girando, girando (veja o menino no vídeo), colocar todos os ônibus numa fila longa, etc. É uma forma de colocar ordem no caos, de ter algum tipo de controle num mundo estranho. De fato, uma das principais características do autismo é a fascinação por objetos e mecanismos. Há pouco ou nenhum interesse em pessoas ou sentimentos.

Eu até hoje noto que Liam nunca fala de pessoas, se está triste ou alegre, etc. Ele também nunca fez aqueles desenhos típicos de criança pequena: mãe, pai, casa, etc. Mas desenha muito bem dinossauros e bichos em geral. Atualmente começou a desenhar dragões, lobisomens e vampiros, rsrsrsrs. Além de desenhar, Liam é uma enciclopédia ambulante sobre dinossauros - uma de suas especializações, como costumo dizer. Também tem conhecimento enciclopédico de alguns animais como baleias e tubarões. Ele coleciona fatos sobre seus interesses e pode falar horas sobre o assunto, quer você esteja interessado ou não! E é capaz de falar até a exaustão, muito além de uma criança normal. Quem convive diariamente com uma criança assim sabe do que estou falando. Se eu deixar, ele acorda e dorme falando de dinossauros (o F. já entendeu e pede logo pra ele mudar de assunto). E claro que na escola já perceberam isso há tempos! Até porque, tem muitas outras crianças como ele por lá.

Enfim, as crianças autistas são diferentes e muito especiais. Elas vivem em um universo diferente do nosso e é preciso paciência - e acima de tudo amor - para entendê-las. Quem tiver interesse no assunto, sugiro a leitura de meus posts antigos com o marcador autismo.



Artigo recomendado (em inglês): top autism facts.

5 comentários:

Albuq disse...

Beth, costumo dizer que filhos especiais são para pais especiais. Deus sabe a quem enviar seus filhos tão especiais que ao longo do tempo você vai descobrindo seu mundo fantástico, suas histórias e suas especificidades.
Parabéns por ser tão especial e também para Liam que está te mostrando aos poucos outro mundo, um mundo bem diferente e cheio de magia e conhecimento.
bjs e ótima semana!

Maria Valéria disse...

Bem interessante esse post, apesar de eu não ter filhos. Sou médica, e é sempre bom ler a opinião de uma mãe, p/ eu entender e saber como abordar quando chega uma criança assim .( se bem que ultimamente não tenho feito pediatria.) Mas olha, vc tá de parabéns! Seu filho, é uma pessoa muito especial . E engana- se quem diz que autistas não são inteligentes, ao contrario, alguns tem inteligencia até acima da media!( como parece ser o caso do Liam)
Como vc diz ,acima de tudo, vem o AMOR. Adorei ler você hoje. beijão

Silvana Nunes .'. disse...

Boa tarde, Beth.
Eu me interesso muitíssimo pela educaão especial, inclusiva, esses casos. pena que não consegui abrir o vídeo porque estou numa lanhouse.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... deseja uma boa semana para você.
Saudações Educacionais !

LuRussa disse...

Vc sabia que os USA é país record de crianças Autistas ??? lá é muito comum e a porcentagem é enorme. Vc sabe por que? é curioso..

bjos e boa semana querida !!

LuRussa
http://garotinharuiva.wordpress.com

Beth Blue disse...

Boa pergunta, Lu. Eu acho que uma das principais razões é que hoje em dia são feitos muito mais testes e diagnósticos do que antigamente, quando pouco se sabia sobre a doença.

O que eu quero dizer é que autistas sempre existiram mas hoje os casos são logo diagnosticados (recebem o devido rótulo, como tudo nesta sociedade em que vivemos). O mesmo vale para a quantidade cade vez maior de bipolares...acredito que bipolares sempre existiram (os mais excêntricos entre nós, o mundo da arte está cheio deles) mas hoje são rotulados como tal. Entende onde quero chegar?

Diga-se de passagem, os EUA também têm o recorde de crianças hiperativas tomando Ritalin, o que eu acho um tanto assustador...

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Falando sobre autismo



Abril é mês de conscientização sobre o autismo, um distúrbio de desenvolvimento que afeta muitas crianças e adultos. E como lido com esta questão diariamente, não podia deixar o tema passar em branco.

No caso específico do meu filho, ele frequentou durante 3 anos uma escola normal até que com 7 anos foi decidido que uma escola especial seria melhor para ele (assunto do próximo post, embora eu já tenha comentado por aqui antes). A decisão foi tomada com base em inúmeros testes e observações em sala de aula (e alguma logoterapia). O diagnóstico foi simples, embora longe de dar uma resposta às várias dúvidas dos pais: PDD-NOS (Pervasive Developmental Disorder - Not Otherwise Specified) com um certo grau de autismo. Lembro que lutei muito na época contra a decisão da escola, discuti com as professoras, a pedagoga e até com a diretora...mas de nada adiantou. Tem coisas que a gente não planeja na vida, esta certamente foi uma delas!

Aparentemente meu filho é uma criança normal - tanto que muitos se recusam a acreditar quando digo que ele tem autismo - mas sempre foi aquela criança esquisita no pátio da escola (e em sala de aula). Por anos ele foi fascinado por objetos com rodas, ônibus e trens foram e continuam sendo sua grande paixão. Prefere mil vezes trem a avião e por isso já viajou de trem pra Paris, Londres, Praga, etc. E os trens LEGO são seus brinquedos favoritos. Sim, todo menino gosta de brincar de carrinho mas no caso de uma criança autista é uma obsessão diária ver aquelas rodas girando, girando (veja o menino no vídeo), colocar todos os ônibus numa fila longa, etc. É uma forma de colocar ordem no caos, de ter algum tipo de controle num mundo estranho. De fato, uma das principais características do autismo é a fascinação por objetos e mecanismos. Há pouco ou nenhum interesse em pessoas ou sentimentos.

Eu até hoje noto que Liam nunca fala de pessoas, se está triste ou alegre, etc. Ele também nunca fez aqueles desenhos típicos de criança pequena: mãe, pai, casa, etc. Mas desenha muito bem dinossauros e bichos em geral. Atualmente começou a desenhar dragões, lobisomens e vampiros, rsrsrsrs. Além de desenhar, Liam é uma enciclopédia ambulante sobre dinossauros - uma de suas especializações, como costumo dizer. Também tem conhecimento enciclopédico de alguns animais como baleias e tubarões. Ele coleciona fatos sobre seus interesses e pode falar horas sobre o assunto, quer você esteja interessado ou não! E é capaz de falar até a exaustão, muito além de uma criança normal. Quem convive diariamente com uma criança assim sabe do que estou falando. Se eu deixar, ele acorda e dorme falando de dinossauros (o F. já entendeu e pede logo pra ele mudar de assunto). E claro que na escola já perceberam isso há tempos! Até porque, tem muitas outras crianças como ele por lá.

Enfim, as crianças autistas são diferentes e muito especiais. Elas vivem em um universo diferente do nosso e é preciso paciência - e acima de tudo amor - para entendê-las. Quem tiver interesse no assunto, sugiro a leitura de meus posts antigos com o marcador autismo.



Artigo recomendado (em inglês): top autism facts.

5 comentários:

Albuq disse...

Beth, costumo dizer que filhos especiais são para pais especiais. Deus sabe a quem enviar seus filhos tão especiais que ao longo do tempo você vai descobrindo seu mundo fantástico, suas histórias e suas especificidades.
Parabéns por ser tão especial e também para Liam que está te mostrando aos poucos outro mundo, um mundo bem diferente e cheio de magia e conhecimento.
bjs e ótima semana!

Maria Valéria disse...

Bem interessante esse post, apesar de eu não ter filhos. Sou médica, e é sempre bom ler a opinião de uma mãe, p/ eu entender e saber como abordar quando chega uma criança assim .( se bem que ultimamente não tenho feito pediatria.) Mas olha, vc tá de parabéns! Seu filho, é uma pessoa muito especial . E engana- se quem diz que autistas não são inteligentes, ao contrario, alguns tem inteligencia até acima da media!( como parece ser o caso do Liam)
Como vc diz ,acima de tudo, vem o AMOR. Adorei ler você hoje. beijão

Silvana Nunes .'. disse...

Boa tarde, Beth.
Eu me interesso muitíssimo pela educaão especial, inclusiva, esses casos. pena que não consegui abrir o vídeo porque estou numa lanhouse.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... deseja uma boa semana para você.
Saudações Educacionais !

LuRussa disse...

Vc sabia que os USA é país record de crianças Autistas ??? lá é muito comum e a porcentagem é enorme. Vc sabe por que? é curioso..

bjos e boa semana querida !!

LuRussa
http://garotinharuiva.wordpress.com

Beth Blue disse...

Boa pergunta, Lu. Eu acho que uma das principais razões é que hoje em dia são feitos muito mais testes e diagnósticos do que antigamente, quando pouco se sabia sobre a doença.

O que eu quero dizer é que autistas sempre existiram mas hoje os casos são logo diagnosticados (recebem o devido rótulo, como tudo nesta sociedade em que vivemos). O mesmo vale para a quantidade cade vez maior de bipolares...acredito que bipolares sempre existiram (os mais excêntricos entre nós, o mundo da arte está cheio deles) mas hoje são rotulados como tal. Entende onde quero chegar?

Diga-se de passagem, os EUA também têm o recorde de crianças hiperativas tomando Ritalin, o que eu acho um tanto assustador...