domingo, dezembro 12, 2010

Veterana de guerra



Ao ler os blogs de outras expatriadas, me dei conta de algo. É que a maioria delas está vivendo há pouco mais de ano por essas bandas (como a Eve, a Line ou a Liana). E claro, embora todas passem pelas diversas fases de adaptação, essas fases (e a duração de cada uma) variam enormemente de pessoa para pessoa. Porque cada pessoa é um universo à parte. O óbvio olulante.

O que eu queria dizer com isso é que ao ler posts dessas mulheres corajosas  - porque é preciso muita coragem pra morar no exterior e eu sou a primeira a admitir isso - eu me sinto de certa forma uma veterana. Veterana de guerra, porque já vivi (e ainda vivo) muitas batalhas...e sim, venci algumas. Até porque já se vão 17 anos de Europa (e 16 anos e meio de Holanda,  pra ser mais específica). Já passei pela fase inicial de deslumbramento e descobertas, tive a fase (onde muitos ficam estagnados) de achar tudo ruim e comparar Brasil e Holanda (o maior erro que qualquer expatriado em qualquer lugar do mundo pode cometer). E depois de muitas voltas, descobri que o segredo é ser feliz com o que a gente tem - onde a gente estiver! Tão simples e ao mesmo tempo tão difícil.

E confesso que tenho verdadeiro horror de gente que só fala mal do país onde mora (a turma dos revoltados). E também daqueles que só falam mal do Brasil e insistem que aqui tudo é melhor (a turma dos deslumbrados). Gente, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Até porque, o paraíso é uma questão pessoal. E com raras exceções, a maioria está aqui por vontade própria então precisa assumir as consequências dessa escolha.

Não sou melhor do que ninguém, mas aprendi um bocado em todos esses anos. Outra conclusão importante que tirei é que cada um tem suas lições a serem aprendidas. Cada um tem seu tempo, seus desafios, perdas e vitórias. E devemos ter muita cautela ao julgar a experiência do outro,  porque as experiências são semelhantes mas nunca iguais! Ou como diria minha (falecida) mãe: cada um sabe onde lhe dói o calo. Sem falar que existem fatores variáveis como as escolhas feitas por cada um. E sorte. Sim, alguns têm mais sorte do que outros (eu que o diga).

Eu passei por muita coisa boa e ruim nesses anos mas hoje o mais difícil pra mim seria voltar ao Brasil. Como eu costumo dizer, esta é uma viagem sem volta. Principalmente para os que passaram do limite dos dez anos, ainda mais se tiverem tido filhos por aqui...Sem querer assustar ninguém, é isso que vejo à minha volta (o que não é necessariamente bom ou ruim). Nos primeiros anos, você luta pra se adaptar a um novo país, aprender a língua, etc. Aí você se adapta, viaja de férias ao país de origem e para sua surpresa, descobre que se sente uma estrangeira lá também! Eu já passei por isso então falo por experiência própria.  Enfim, a gente acaba vivendo entre dois mundos, em uma espécie de limbo. Não pertencemos a lugar nenhum e ao mesmo tempo, pertencemos a todos os lugares...sabe aquela estória de cidadã do mundo? Quem vive fora há muitos anos, sabe do que estou falando.

Enfim, uma experiência das mais enriquecedoras. Mas quanto mais tempo eu moro fora, mais eu percebo que não é pra todo mundo. Não mesmo!

7 comentários:

Glenda Dimuro disse...

POis é... uma amiga esses dias me falou a Borderline que as vezes nós expatriad@s cruzamos, onde na maoria das vezes não há mais volta! E isso ocorre lá pelos 7, 8 anos fora do Brasil. Já levo 5, ainda não tenho filhos, mas tb vejo que a minha adaptação, caso resolva voltar, seja tão dificil quanto foi (e tem sido) a minha adaptação aqui. Gostei bastante da sua reflexão, penso bastante parecido. Um abração! :)

Liana disse...

não mesmo meeeesmo.
como tu dissestes, eh uma viagem sem volta.
e agora como é que faz? a gente fica por aqui mesmo ne.

Eve disse...

Taí, grandes verdades no seu texto. Eu não canso de dizer isso lá no blog. Todo mundo tem o seu jeito de encarar as coisas, mesmo que as fases sejam iguais. Cada um tem seu tempo e sua forma de ver as coisas.
Ah, e obrigada pelo corajosa. Ainda procuro a melhor definição para essa palavra, quando na verdade, eu estava era sem opção. hahahhaha
Bjs!

Line disse...

Verdade Beth,

Imagino que vc, depois de tantos anos de Holanda, já deva ter vivido muitas fases. Morar fora não é fácil, e como vc mesma disse, não é pra qualquer um!
Meu primeiro ano aqui foi terrível por uma série de fatores, mas depois as coisas começaram a se acertar e hoje já não penso mais em voltar com a mesma frequência que pensava antes.
Queria mesmo é que minha mãe perdesse o medo de voar e viesse me visitar na primavera, mas por enquanto parece pedir demais, rs.

Beijos e ótima semana!
Seu cartão segue essa semana! :)

Anita disse...

Acho que um expatriado so possa ser bem sucedido se ja nao tolerava muitas coisas no seu pais de origem. Nao adianta so querer ir para uma outro pais em busca de vantagens e melhorias. Eu nao gosto de muitos valores brasileiros, e morar na Holanda foi um alivio para mim. Resultado: conheco atualmente o melhor e o pior de dois mundos. Se o Brasil tornar-se um pais mais egualitario e seguro num futuro proximo, pode ser que eu passe ferias mais contantes e longas (quando me aposentar) por la.
Viver fora do proprio pais e' so para qume e' muito flexivel e resiliente.

Gisley Scott disse...

Olá Beth! valeu por ter deixado o link pra eu vir conferir essa edição! Super 10! - uma viagem sem volta mesmo, afinal, deixamos tudo pra trás, trabalhamos, suamos muito para estar onde estamos e eu tb já tenho esse sentimento que vc tem: nasci no Brasil, moro nos EUA,mas não é o meu país.Se amanhã tivesse que me mudar para outro estado ou outro país de mala e cuia, creio que não teria tanto problema com isso, diferente da pessoa que vai sair do seu país de origem para viver uma primeira experiência.

Nada é melhor ou pior, é apenas diferente, é isso o que eu tenho aprendido por aqui.

Grande abraço!

Maria Valéria disse...

E confesso que tenho verdadeiro horror de gente que só fala mal do país onde mora (a turma dos revoltados). E também daqueles que só falam mal do Brasil e insistem que aqui tudo é melhor (a turma dos deslumbrados). Gente, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Até porque, o paraíso é uma questão pessoal. E com raras exceções, a maioria está aqui por vontade própria então precisa assumir as consequências dessa escolha.
ASSINO EMBAIXO

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Veterana de guerra



Ao ler os blogs de outras expatriadas, me dei conta de algo. É que a maioria delas está vivendo há pouco mais de ano por essas bandas (como a Eve, a Line ou a Liana). E claro, embora todas passem pelas diversas fases de adaptação, essas fases (e a duração de cada uma) variam enormemente de pessoa para pessoa. Porque cada pessoa é um universo à parte. O óbvio olulante.

O que eu queria dizer com isso é que ao ler posts dessas mulheres corajosas  - porque é preciso muita coragem pra morar no exterior e eu sou a primeira a admitir isso - eu me sinto de certa forma uma veterana. Veterana de guerra, porque já vivi (e ainda vivo) muitas batalhas...e sim, venci algumas. Até porque já se vão 17 anos de Europa (e 16 anos e meio de Holanda,  pra ser mais específica). Já passei pela fase inicial de deslumbramento e descobertas, tive a fase (onde muitos ficam estagnados) de achar tudo ruim e comparar Brasil e Holanda (o maior erro que qualquer expatriado em qualquer lugar do mundo pode cometer). E depois de muitas voltas, descobri que o segredo é ser feliz com o que a gente tem - onde a gente estiver! Tão simples e ao mesmo tempo tão difícil.

E confesso que tenho verdadeiro horror de gente que só fala mal do país onde mora (a turma dos revoltados). E também daqueles que só falam mal do Brasil e insistem que aqui tudo é melhor (a turma dos deslumbrados). Gente, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Até porque, o paraíso é uma questão pessoal. E com raras exceções, a maioria está aqui por vontade própria então precisa assumir as consequências dessa escolha.

Não sou melhor do que ninguém, mas aprendi um bocado em todos esses anos. Outra conclusão importante que tirei é que cada um tem suas lições a serem aprendidas. Cada um tem seu tempo, seus desafios, perdas e vitórias. E devemos ter muita cautela ao julgar a experiência do outro,  porque as experiências são semelhantes mas nunca iguais! Ou como diria minha (falecida) mãe: cada um sabe onde lhe dói o calo. Sem falar que existem fatores variáveis como as escolhas feitas por cada um. E sorte. Sim, alguns têm mais sorte do que outros (eu que o diga).

Eu passei por muita coisa boa e ruim nesses anos mas hoje o mais difícil pra mim seria voltar ao Brasil. Como eu costumo dizer, esta é uma viagem sem volta. Principalmente para os que passaram do limite dos dez anos, ainda mais se tiverem tido filhos por aqui...Sem querer assustar ninguém, é isso que vejo à minha volta (o que não é necessariamente bom ou ruim). Nos primeiros anos, você luta pra se adaptar a um novo país, aprender a língua, etc. Aí você se adapta, viaja de férias ao país de origem e para sua surpresa, descobre que se sente uma estrangeira lá também! Eu já passei por isso então falo por experiência própria.  Enfim, a gente acaba vivendo entre dois mundos, em uma espécie de limbo. Não pertencemos a lugar nenhum e ao mesmo tempo, pertencemos a todos os lugares...sabe aquela estória de cidadã do mundo? Quem vive fora há muitos anos, sabe do que estou falando.

Enfim, uma experiência das mais enriquecedoras. Mas quanto mais tempo eu moro fora, mais eu percebo que não é pra todo mundo. Não mesmo!

7 comentários:

Glenda Dimuro disse...

POis é... uma amiga esses dias me falou a Borderline que as vezes nós expatriad@s cruzamos, onde na maoria das vezes não há mais volta! E isso ocorre lá pelos 7, 8 anos fora do Brasil. Já levo 5, ainda não tenho filhos, mas tb vejo que a minha adaptação, caso resolva voltar, seja tão dificil quanto foi (e tem sido) a minha adaptação aqui. Gostei bastante da sua reflexão, penso bastante parecido. Um abração! :)

Liana disse...

não mesmo meeeesmo.
como tu dissestes, eh uma viagem sem volta.
e agora como é que faz? a gente fica por aqui mesmo ne.

Eve disse...

Taí, grandes verdades no seu texto. Eu não canso de dizer isso lá no blog. Todo mundo tem o seu jeito de encarar as coisas, mesmo que as fases sejam iguais. Cada um tem seu tempo e sua forma de ver as coisas.
Ah, e obrigada pelo corajosa. Ainda procuro a melhor definição para essa palavra, quando na verdade, eu estava era sem opção. hahahhaha
Bjs!

Line disse...

Verdade Beth,

Imagino que vc, depois de tantos anos de Holanda, já deva ter vivido muitas fases. Morar fora não é fácil, e como vc mesma disse, não é pra qualquer um!
Meu primeiro ano aqui foi terrível por uma série de fatores, mas depois as coisas começaram a se acertar e hoje já não penso mais em voltar com a mesma frequência que pensava antes.
Queria mesmo é que minha mãe perdesse o medo de voar e viesse me visitar na primavera, mas por enquanto parece pedir demais, rs.

Beijos e ótima semana!
Seu cartão segue essa semana! :)

Anita disse...

Acho que um expatriado so possa ser bem sucedido se ja nao tolerava muitas coisas no seu pais de origem. Nao adianta so querer ir para uma outro pais em busca de vantagens e melhorias. Eu nao gosto de muitos valores brasileiros, e morar na Holanda foi um alivio para mim. Resultado: conheco atualmente o melhor e o pior de dois mundos. Se o Brasil tornar-se um pais mais egualitario e seguro num futuro proximo, pode ser que eu passe ferias mais contantes e longas (quando me aposentar) por la.
Viver fora do proprio pais e' so para qume e' muito flexivel e resiliente.

Gisley Scott disse...

Olá Beth! valeu por ter deixado o link pra eu vir conferir essa edição! Super 10! - uma viagem sem volta mesmo, afinal, deixamos tudo pra trás, trabalhamos, suamos muito para estar onde estamos e eu tb já tenho esse sentimento que vc tem: nasci no Brasil, moro nos EUA,mas não é o meu país.Se amanhã tivesse que me mudar para outro estado ou outro país de mala e cuia, creio que não teria tanto problema com isso, diferente da pessoa que vai sair do seu país de origem para viver uma primeira experiência.

Nada é melhor ou pior, é apenas diferente, é isso o que eu tenho aprendido por aqui.

Grande abraço!

Maria Valéria disse...

E confesso que tenho verdadeiro horror de gente que só fala mal do país onde mora (a turma dos revoltados). E também daqueles que só falam mal do Brasil e insistem que aqui tudo é melhor (a turma dos deslumbrados). Gente, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Até porque, o paraíso é uma questão pessoal. E com raras exceções, a maioria está aqui por vontade própria então precisa assumir as consequências dessa escolha.
ASSINO EMBAIXO