segunda-feira, março 21, 2011

Daddy cool




Confesso que com tanto tempo sobrando, tenho emendado uma leitura atrás da outra. E nem sempre tenho tempo (ou saco) de postar por aqui. Então resolvi falar logo de um livro bastante interessante, a começar pelo tema central: CINEMA! Como eu sou cinéfila e assisti muitos dos filmes citados no livro, confesso que sou suspeita pra falar. O livro se chama The Film Club, de David Gilmour.

Ele é um relato autobiográfico da turbulenta relação de um pai com seu filho adolescente, durante um período de três anos - e muitos filmes! No início da estória, Jesse tem 16 anos e decide largar os estudos. O pai aceita (era mesmo uma batalha perdida, pelo menos naquele dado momento) mas com uma única condição: assistirem juntos ao menos três filmes por semana. Oss filmes serão escolhidos pelo pai.

A partir daí começa uma maratona de filmes, desde clássicos até cinema de autor, nouvelle vague, Woody Allen, Tarantino, Hitchcock, etc etc etc. São tantos filmes que no final do livro o autor fez o favor de colocar uma lista (que se estende por cinco páginas, para terem uma idéia). Enfim, pra quem adora cinema, já vale a leitura só pelos filmes citados. Mas os filmes são apenas uma desculpa que este pai encontrou para se comunicar com seu filho adolescente...e como funciona! Após assistirem os filmes juntos, eles discutem livremente sobre sexo, drogas e rock'n'roll (entre outras coisas). Jesse compartilha suas primeiras desilusões amorosas, toma porres de tequila e experimenta com cocaína...pra depois contar tudo (ou quase tudo) pro pai. Enfim, um diálogo aberto e sem preconceitos que poucos pais conseguem manter com seus filhos.

E  é justamente aí que entram meus questionamentos de mãe, claro. Porque eu acho maravilhoso - pra não dizer essencial - ter um diálogo tão aberto com um filho...eu mesma converso muito com o meu (que felizmente ainda está na pré-adolescência, Deus me ajude, né?). Mas também acho que pai tem de ser acima de tudo pai, e não apenas um amigo ou companheiro de farra. Ou seja, um adolescente precisa de uma autoridade em sua vida (seja ela masculina ou feminina). Ou pelo menos alguém que vez ou outra coloque um freio nessa loucura toda!

Enfim, as mamães de plantão podem ficar à vontade para dar suas opiniões. E os outros leitores também, claro.

7 comentários:

Anita disse...

Um pai nao e' um psicanalista. Nem uma mae. Alias, maes e pais psicologos costumam falhar como pais. Maes e pais muito piscologizados tambem. Por que ? Por isso que vc falou. Pais tem que ter uma autoridade e nao bancar o amiguinho/confidente/analista e talz. Eu ja explico sobre a diferenca entre vitaminas e drogas para meus filhos. Sobre comida boa e comida ruim (junk food). Declarei que MacDonalds e' ruim, expliquei e ponto final. Eles nao precisam ir la frequentar semanalmente para tirar as proprias conclusoes. Nem experimentar drogas para saber que e' ruim. Nem sair dando por ai para tirar as proprias conclusoes.

Rosa Lopes disse...

Oi Beth, esse livro cairia bem.
Mas se o ponto é discutir sobre função de pais eu parto do princípio que nunca deixam de ser. Ok, depois de uns anos a opinião e a comunicação entre um pai/mãe autoritário com seus filhos é quase inviável, então não é por aí, mas ser legal demais também te tira o "direito" de se meter na vida dele e tem umas coisas que não dá pra esperar que a pessoa pergunte se vale a pena, a gente já vê de cara que vai ser um pinoia. E ninguém gosta de ver a quem ama destroçado, né não?
Então o caminho do meio sempre será a melhor opção.
Bj

Larissa, Lara, Lalá, .... disse...

Eu ja' tinha lido sobre este livro e fiquei bem curiosa com a didatica adotada pelo pai. Nao formei opiniao, quero ler o livro primeiro, mas parece uma manobra bem arriscada!!!Infelizmente, quem nao arrisca, nao petisca!!! Conheco alguns casos de alunos que nao se snetem bem na escola formal apresentando problemas cognitivos e comportamentais e ai' sao levados para outro tipo de escola que foca mais o esporte, ou a leitura ou o que seja para que este aluno se sinta mais integrado. Fica sempre um ponto de ? Beijos

Anônimo disse...

Amei a dica!

beijuuuuuuus,L

Pri Sganzerla disse...

Eu li o livro há um tempo atrás. E sabe o que mais me marcou? O filho, depois, com mais idade, vai procurar a educação formal não por obrigação - mas por uma compreensão maior do seu sentido. E, claro, paga o preço dessa busca "tardia". E o pai não sofre menos que o filho.

Acho que para a maior parte dos casos, insistir, dar limites claros, impor obrigações e ter aquelas discussões clássicas entre pais e filhos acaba sendo suficiente.

Mas tb acho que existem casos que são excessão. Casos que desafiam os "manuais de educação" e o bom senso comum. Casos em que todas as possibilidades são esgotadas e a criança ou o adolescente não responde a qualquer tentativa de contato que o faça sentir-se ameaçado de alguma forma.

Não somos robozinhos, portanto é complicado julgar... Temos mania de achar que a nossa forma de ver as coisas sempre é a melhor. E nem sempre é. FATO. Não vivemos as vidas alheias para conhecer todas as nuances que podem ter levado as pessoas a agir desta ou daquela maneira. Cada um tem seus recursos internos e lida da melhor maneira que pode com eles.

Os extremos (pai autoritário-castrador e pai amiguinho beirando a omissão) são EXTREMOS. Podemos perceber que o leque que se estende entre os extremos é grande o suficiente para abarcar a complexidade humana e pensarmos duas vezes antes de julgar os outros ferrenhamente. ;-)

Bjos!

Bebete Indarte disse...

Engraçado, o mesmo nome do 'bonitão' do Pink Floyd, me deu vontade de ler, menos 'essa lista' ai.
Tenho sempre diálogos abertos e francos com Di, já com a Do, é completamente impossível :-(
Assistimos filmes juntos, e a capacidade de compreensão e alcance pra certos assuntos é impressionante, ele é calmo e me ensina muita coisa também.
Sabe que ele fez hoje? Me agradeceu por falar português com ele. Está falando bem inglês (não por causa da escola, por causa dos games, internet, TV), e disse que será um passo pra aprender latim. Se não fosse esse moleque a minha vida seria vazia.

Lilly disse...

Ai Beth, esses seus posts sobre livros e filmes me dão um siricutico... quero acompanhar mas não consigo! rsrs Pelo menos nunca vou poder dizer que não sei o que ler. Basta olhar no seu blog!

Beijos.

Tecnologia do Blogger.

Daddy cool




Confesso que com tanto tempo sobrando, tenho emendado uma leitura atrás da outra. E nem sempre tenho tempo (ou saco) de postar por aqui. Então resolvi falar logo de um livro bastante interessante, a começar pelo tema central: CINEMA! Como eu sou cinéfila e assisti muitos dos filmes citados no livro, confesso que sou suspeita pra falar. O livro se chama The Film Club, de David Gilmour.

Ele é um relato autobiográfico da turbulenta relação de um pai com seu filho adolescente, durante um período de três anos - e muitos filmes! No início da estória, Jesse tem 16 anos e decide largar os estudos. O pai aceita (era mesmo uma batalha perdida, pelo menos naquele dado momento) mas com uma única condição: assistirem juntos ao menos três filmes por semana. Oss filmes serão escolhidos pelo pai.

A partir daí começa uma maratona de filmes, desde clássicos até cinema de autor, nouvelle vague, Woody Allen, Tarantino, Hitchcock, etc etc etc. São tantos filmes que no final do livro o autor fez o favor de colocar uma lista (que se estende por cinco páginas, para terem uma idéia). Enfim, pra quem adora cinema, já vale a leitura só pelos filmes citados. Mas os filmes são apenas uma desculpa que este pai encontrou para se comunicar com seu filho adolescente...e como funciona! Após assistirem os filmes juntos, eles discutem livremente sobre sexo, drogas e rock'n'roll (entre outras coisas). Jesse compartilha suas primeiras desilusões amorosas, toma porres de tequila e experimenta com cocaína...pra depois contar tudo (ou quase tudo) pro pai. Enfim, um diálogo aberto e sem preconceitos que poucos pais conseguem manter com seus filhos.

E  é justamente aí que entram meus questionamentos de mãe, claro. Porque eu acho maravilhoso - pra não dizer essencial - ter um diálogo tão aberto com um filho...eu mesma converso muito com o meu (que felizmente ainda está na pré-adolescência, Deus me ajude, né?). Mas também acho que pai tem de ser acima de tudo pai, e não apenas um amigo ou companheiro de farra. Ou seja, um adolescente precisa de uma autoridade em sua vida (seja ela masculina ou feminina). Ou pelo menos alguém que vez ou outra coloque um freio nessa loucura toda!

Enfim, as mamães de plantão podem ficar à vontade para dar suas opiniões. E os outros leitores também, claro.

7 comentários:

Anita disse...

Um pai nao e' um psicanalista. Nem uma mae. Alias, maes e pais psicologos costumam falhar como pais. Maes e pais muito piscologizados tambem. Por que ? Por isso que vc falou. Pais tem que ter uma autoridade e nao bancar o amiguinho/confidente/analista e talz. Eu ja explico sobre a diferenca entre vitaminas e drogas para meus filhos. Sobre comida boa e comida ruim (junk food). Declarei que MacDonalds e' ruim, expliquei e ponto final. Eles nao precisam ir la frequentar semanalmente para tirar as proprias conclusoes. Nem experimentar drogas para saber que e' ruim. Nem sair dando por ai para tirar as proprias conclusoes.

Rosa Lopes disse...

Oi Beth, esse livro cairia bem.
Mas se o ponto é discutir sobre função de pais eu parto do princípio que nunca deixam de ser. Ok, depois de uns anos a opinião e a comunicação entre um pai/mãe autoritário com seus filhos é quase inviável, então não é por aí, mas ser legal demais também te tira o "direito" de se meter na vida dele e tem umas coisas que não dá pra esperar que a pessoa pergunte se vale a pena, a gente já vê de cara que vai ser um pinoia. E ninguém gosta de ver a quem ama destroçado, né não?
Então o caminho do meio sempre será a melhor opção.
Bj

Larissa, Lara, Lalá, .... disse...

Eu ja' tinha lido sobre este livro e fiquei bem curiosa com a didatica adotada pelo pai. Nao formei opiniao, quero ler o livro primeiro, mas parece uma manobra bem arriscada!!!Infelizmente, quem nao arrisca, nao petisca!!! Conheco alguns casos de alunos que nao se snetem bem na escola formal apresentando problemas cognitivos e comportamentais e ai' sao levados para outro tipo de escola que foca mais o esporte, ou a leitura ou o que seja para que este aluno se sinta mais integrado. Fica sempre um ponto de ? Beijos

Anônimo disse...

Amei a dica!

beijuuuuuuus,L

Pri Sganzerla disse...

Eu li o livro há um tempo atrás. E sabe o que mais me marcou? O filho, depois, com mais idade, vai procurar a educação formal não por obrigação - mas por uma compreensão maior do seu sentido. E, claro, paga o preço dessa busca "tardia". E o pai não sofre menos que o filho.

Acho que para a maior parte dos casos, insistir, dar limites claros, impor obrigações e ter aquelas discussões clássicas entre pais e filhos acaba sendo suficiente.

Mas tb acho que existem casos que são excessão. Casos que desafiam os "manuais de educação" e o bom senso comum. Casos em que todas as possibilidades são esgotadas e a criança ou o adolescente não responde a qualquer tentativa de contato que o faça sentir-se ameaçado de alguma forma.

Não somos robozinhos, portanto é complicado julgar... Temos mania de achar que a nossa forma de ver as coisas sempre é a melhor. E nem sempre é. FATO. Não vivemos as vidas alheias para conhecer todas as nuances que podem ter levado as pessoas a agir desta ou daquela maneira. Cada um tem seus recursos internos e lida da melhor maneira que pode com eles.

Os extremos (pai autoritário-castrador e pai amiguinho beirando a omissão) são EXTREMOS. Podemos perceber que o leque que se estende entre os extremos é grande o suficiente para abarcar a complexidade humana e pensarmos duas vezes antes de julgar os outros ferrenhamente. ;-)

Bjos!

Bebete Indarte disse...

Engraçado, o mesmo nome do 'bonitão' do Pink Floyd, me deu vontade de ler, menos 'essa lista' ai.
Tenho sempre diálogos abertos e francos com Di, já com a Do, é completamente impossível :-(
Assistimos filmes juntos, e a capacidade de compreensão e alcance pra certos assuntos é impressionante, ele é calmo e me ensina muita coisa também.
Sabe que ele fez hoje? Me agradeceu por falar português com ele. Está falando bem inglês (não por causa da escola, por causa dos games, internet, TV), e disse que será um passo pra aprender latim. Se não fosse esse moleque a minha vida seria vazia.

Lilly disse...

Ai Beth, esses seus posts sobre livros e filmes me dão um siricutico... quero acompanhar mas não consigo! rsrs Pelo menos nunca vou poder dizer que não sei o que ler. Basta olhar no seu blog!

Beijos.