quinta-feira, março 29, 2007

Dias estranhos

Ando reflexiva, como se uma mudança estivesse prestes a acontecer dentro de mim mesma. Mas ainda não encontrei palavras pra (me) descrever. Perplexa, observo quieta e tento decifrar meus pensamentos e entender para onde eles querem me levar. Acontece quando alguém faz ou diz algo e desencadeia sem querer emoções antigas, de outros relacionamentos e outras ilusões. Quando nos vemos novamente em uma situação de aprendizado (nós que ingenuamente pensávamos já ter aprendido a lição). Quando temos a desagradável sensação de estar andando em círculos. Nessas horas me transformo em uma pergunta. Temporariamente em busca de uma resposta.

São pequenos acontecimentos cotidianos (uma palavra mal-colocada, um ato descuidado, um comentário fora de hora) que passam despercebidos pela maioria e que fazem com que a gente mude - de idéia, de sentimento, de ilusão. Pequenos acontecimentos que mudam o rumo das relações. Que mudam nossa maneira de ver os outros e nós mesmos. Pensando bem: como assim pequenos?

Hoje estou cansada. Cansada das relações humanas. Ou talvez devesse dizer: cansada dos papéis que as pessoas insistem em viver. Das inúmeras máscaras que as pessoas insistem em vestir. O mais surpreendente é que elas acreditam ser mesmo aquilo que criaram. Mas a essência, lá dentro delas, é bem outra. Eu não quero viver papéis - embora isso talvez seja mais uma ilusão que insisto em manter. Porque na vida precisamos de papéis para sobreviver. Quer a gente queira ou não. Sei lá, cansei...

4 comentários:

Arnild disse...

Beth,

O texto de hoje poderia ter sido escrito por mim. Estou pensando exatamente a mesma coisa, há dias. Que sintonia!

Beijo,
Arnild

Eu não sei, você sabe? disse...

Infelizmente precisamos desses papéis, e ao menos eu, enfio os pés pelas mãos tentando adaptar-me a eles. São necessários.

Mas o que dá é isso. Uma saudade que a gente não identifica de quem é, mas que eu fiquei achando que é da gente mesmo, quando não tinha tanta "bagagem", quando viver parecia mais leve...

Enfim bethinha, de certa forma também estou em sintonia com seu sentimento. Seria um inconsciente coletivo?

Besito
tita

Anônimo disse...

Oi Beth,
Infelizmente o que voce falou no final do seu texto e' verdade. Infelizmente, nos todos precisamos de "papeis" para viver neste mundo. Nao tem muito como ser de outra forma, a nao ser que nos tornemos todos uns eremitas, vivendo a distancia e em solidao (o que pra mim esta longe de ser um castigo!). Porque na vida em sociedade que nos vivemos, as pessoas simplesmente nao tem tempo, nem querem, nem podem, nem conseguem, se aprofundar no conhecimento do outro. E nem tem como ser diferente. Se mesmo com os nossos amigos mais intimos, ja leva um trabalho danado ate a gente aprender a se conhecer melhor uns aos outros, se abrir mais e se aceitar mais, imagina como seria se tivessemos que ser 100% nos mesmos, o tempo todo, em relacao a todo mundo. A gente pirava de vez. Nao da. O ser humano e' complexo demais, a gente inventa fantasias, mascaras, e realidades ilusorias, pra suportar a vida em sociedade, da qual tambem nao temos como fugir. "L'enfer, c'est les autres", ja dizia Sartre, mas ate mesmo por isso, l'enfer, c'est nous memes. Ou como a sua amiga Giovana bem falou, nos fingimos amenidades e ocultamos precipicios. Deus me livre de soar arrogante, presuncoso ou pseudo-intellecto, estou longe disso... mas e' bem verdade, que a condicao humana nao nos permite ser nos mesmos. Estamos todos presos, e no final das contas, pro nosso proprio bem.
Antonio

Rose disse...

Tem dias que me sinto bem assim.

Também gostei do seu espaço e com certeza farei muitas visitas por aqui.

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Dias estranhos

Ando reflexiva, como se uma mudança estivesse prestes a acontecer dentro de mim mesma. Mas ainda não encontrei palavras pra (me) descrever. Perplexa, observo quieta e tento decifrar meus pensamentos e entender para onde eles querem me levar. Acontece quando alguém faz ou diz algo e desencadeia sem querer emoções antigas, de outros relacionamentos e outras ilusões. Quando nos vemos novamente em uma situação de aprendizado (nós que ingenuamente pensávamos já ter aprendido a lição). Quando temos a desagradável sensação de estar andando em círculos. Nessas horas me transformo em uma pergunta. Temporariamente em busca de uma resposta.

São pequenos acontecimentos cotidianos (uma palavra mal-colocada, um ato descuidado, um comentário fora de hora) que passam despercebidos pela maioria e que fazem com que a gente mude - de idéia, de sentimento, de ilusão. Pequenos acontecimentos que mudam o rumo das relações. Que mudam nossa maneira de ver os outros e nós mesmos. Pensando bem: como assim pequenos?

Hoje estou cansada. Cansada das relações humanas. Ou talvez devesse dizer: cansada dos papéis que as pessoas insistem em viver. Das inúmeras máscaras que as pessoas insistem em vestir. O mais surpreendente é que elas acreditam ser mesmo aquilo que criaram. Mas a essência, lá dentro delas, é bem outra. Eu não quero viver papéis - embora isso talvez seja mais uma ilusão que insisto em manter. Porque na vida precisamos de papéis para sobreviver. Quer a gente queira ou não. Sei lá, cansei...

4 comentários:

Arnild disse...

Beth,

O texto de hoje poderia ter sido escrito por mim. Estou pensando exatamente a mesma coisa, há dias. Que sintonia!

Beijo,
Arnild

Eu não sei, você sabe? disse...

Infelizmente precisamos desses papéis, e ao menos eu, enfio os pés pelas mãos tentando adaptar-me a eles. São necessários.

Mas o que dá é isso. Uma saudade que a gente não identifica de quem é, mas que eu fiquei achando que é da gente mesmo, quando não tinha tanta "bagagem", quando viver parecia mais leve...

Enfim bethinha, de certa forma também estou em sintonia com seu sentimento. Seria um inconsciente coletivo?

Besito
tita

Anônimo disse...

Oi Beth,
Infelizmente o que voce falou no final do seu texto e' verdade. Infelizmente, nos todos precisamos de "papeis" para viver neste mundo. Nao tem muito como ser de outra forma, a nao ser que nos tornemos todos uns eremitas, vivendo a distancia e em solidao (o que pra mim esta longe de ser um castigo!). Porque na vida em sociedade que nos vivemos, as pessoas simplesmente nao tem tempo, nem querem, nem podem, nem conseguem, se aprofundar no conhecimento do outro. E nem tem como ser diferente. Se mesmo com os nossos amigos mais intimos, ja leva um trabalho danado ate a gente aprender a se conhecer melhor uns aos outros, se abrir mais e se aceitar mais, imagina como seria se tivessemos que ser 100% nos mesmos, o tempo todo, em relacao a todo mundo. A gente pirava de vez. Nao da. O ser humano e' complexo demais, a gente inventa fantasias, mascaras, e realidades ilusorias, pra suportar a vida em sociedade, da qual tambem nao temos como fugir. "L'enfer, c'est les autres", ja dizia Sartre, mas ate mesmo por isso, l'enfer, c'est nous memes. Ou como a sua amiga Giovana bem falou, nos fingimos amenidades e ocultamos precipicios. Deus me livre de soar arrogante, presuncoso ou pseudo-intellecto, estou longe disso... mas e' bem verdade, que a condicao humana nao nos permite ser nos mesmos. Estamos todos presos, e no final das contas, pro nosso proprio bem.
Antonio

Rose disse...

Tem dias que me sinto bem assim.

Também gostei do seu espaço e com certeza farei muitas visitas por aqui.