sábado, março 17, 2007

Pelo amor de Deus

Vida de blogueiro não é fácil. Acabei de descobrir um blog de uma garota que escreve bem demais (devia ser presa por isso, é covardia). E eu juro que esta menina-mulher ainda vai publicar um livro - ou pelo menos deveria porque já vi muita gente escrevendo pior ter a cara-de-pau de ser publicado (tem gosto pra tudo neste mundo). A diferença entre escrever por escrever, escrever por necessidade e...escrever de verdade (e ponto final). A gente lê, relê, respira fundo e pensa: isso mesmo, exato, era exatamente isso que eu queria dizer (mas não consegui achar as palavras, pobre mortal que sou). Sim, porque as palavras se rebelaram e fizeram greve dentro da minha cabeça. Sem falar que moro há 13 anos no exterior, cidadã do mundo (auto)exilada que sou. Me desculpa, vai.

Eu tenho o maior respeito (inveja também cabe aqui, é feio mas cabe) por pessoas que conseguem traduzir tão magistralmente em palavras sentimentos e dores universais. Pessoas que conseguem expressar o que ninguém mais consegue expressar...e a nós só resta ler e pensar: como alguém pode (ousa) descrever tão bem meus pensamentos (sentimentos, loucuras, devaneios, etc). O que inevitavelmente me obriga a citar minha musa da Literatura Brasileira, a divina e mediúnica Clarice Lispector. Porque quando leio Clarice eu choro, rio e depois choro mais um pouco. E tenho vontade de morrer e nascer de novo. Pronto, podem me internar!

Mas agora chega de enrolação, deixo com vocês as palavras da Giovana:

que meu jardineiro já aprendeu a cultivar dores sem adubar desnecessariamente o solo castigado, querida. ele sabe das estações do ano e de toda a chuva. esperto, desconfia de dias claros e calmos (destes propícios ao mar).
o mundo é atropelo e
devastidão. o inequívoco é galhofa. certeza? só a nenhuma, sabe qual? ainda assim, sorrisos e cabelo ao vento.
ser um (o) humano, vai ver, é fingir amenidades e ocultar precipícios. e sou um deles (o humano e o precipício). somos, não é, meu bem?
amanhã será quinta, depois virá a sexta, o sábado, o domingo e a segunda e a...tanto faz. o mundo continuará girando as 24 horas que tem enquanto vc, eu e outros desavisados sofreremos pungências imediatas e particulares, quiçá egoístas. o alívio é que somos tantos. nosso choro unido, pequena, encheria mares. quem sabe um dia, ainda desenganada, a parte amputada do teu coração (lacerado pela perda, esta que foi ainda tão agora) encontrará outra que tb vaga pelo limbo dos amores perdidos? e quem sabe assim baterá em compasso duplo novamente? só não se esqueça nesse dia, moça, que haverá (pra vc tb) estes espinhos todos que eu tenho marcados, cravados, afixados no peito, alardeando: aqui jaz um amor que me mentiu eterno. e então...não adube, não plante lembranças fundo demais. passa. tem que passar.


Depois disso, perdi até a vontade de escrever...eu disse que vida de blogueiro não era fácil.

4 comentários:

annix disse...

Sim, sim, simmm! Ela escreve muito bem, é divertida! E gosta de gatos. E de Paul Auster.

(é, já li todos os arquivos. Eu faço isso)

Brigada pela dica!

Eu não sei, você sabe? disse...

Viu, só?
Eu também descobri essa menina e fiz também uma "homenagem" a ela. Danada, muito danada.
E tão delicada.
Beijo Beth, pensando bastante em vc, sei lá porque, nesse domingo de manhã.

Anônimo disse...

Ser humano é fingir amenidades e ocultar precipícios. AMEI. Realmente, é TUDO.
Antonio

Anônimo disse...

nao achei essas coisa toda nao

Tecnologia do Blogger.

Pelo amor de Deus

Vida de blogueiro não é fácil. Acabei de descobrir um blog de uma garota que escreve bem demais (devia ser presa por isso, é covardia). E eu juro que esta menina-mulher ainda vai publicar um livro - ou pelo menos deveria porque já vi muita gente escrevendo pior ter a cara-de-pau de ser publicado (tem gosto pra tudo neste mundo). A diferença entre escrever por escrever, escrever por necessidade e...escrever de verdade (e ponto final). A gente lê, relê, respira fundo e pensa: isso mesmo, exato, era exatamente isso que eu queria dizer (mas não consegui achar as palavras, pobre mortal que sou). Sim, porque as palavras se rebelaram e fizeram greve dentro da minha cabeça. Sem falar que moro há 13 anos no exterior, cidadã do mundo (auto)exilada que sou. Me desculpa, vai.

Eu tenho o maior respeito (inveja também cabe aqui, é feio mas cabe) por pessoas que conseguem traduzir tão magistralmente em palavras sentimentos e dores universais. Pessoas que conseguem expressar o que ninguém mais consegue expressar...e a nós só resta ler e pensar: como alguém pode (ousa) descrever tão bem meus pensamentos (sentimentos, loucuras, devaneios, etc). O que inevitavelmente me obriga a citar minha musa da Literatura Brasileira, a divina e mediúnica Clarice Lispector. Porque quando leio Clarice eu choro, rio e depois choro mais um pouco. E tenho vontade de morrer e nascer de novo. Pronto, podem me internar!

Mas agora chega de enrolação, deixo com vocês as palavras da Giovana:

que meu jardineiro já aprendeu a cultivar dores sem adubar desnecessariamente o solo castigado, querida. ele sabe das estações do ano e de toda a chuva. esperto, desconfia de dias claros e calmos (destes propícios ao mar).
o mundo é atropelo e
devastidão. o inequívoco é galhofa. certeza? só a nenhuma, sabe qual? ainda assim, sorrisos e cabelo ao vento.
ser um (o) humano, vai ver, é fingir amenidades e ocultar precipícios. e sou um deles (o humano e o precipício). somos, não é, meu bem?
amanhã será quinta, depois virá a sexta, o sábado, o domingo e a segunda e a...tanto faz. o mundo continuará girando as 24 horas que tem enquanto vc, eu e outros desavisados sofreremos pungências imediatas e particulares, quiçá egoístas. o alívio é que somos tantos. nosso choro unido, pequena, encheria mares. quem sabe um dia, ainda desenganada, a parte amputada do teu coração (lacerado pela perda, esta que foi ainda tão agora) encontrará outra que tb vaga pelo limbo dos amores perdidos? e quem sabe assim baterá em compasso duplo novamente? só não se esqueça nesse dia, moça, que haverá (pra vc tb) estes espinhos todos que eu tenho marcados, cravados, afixados no peito, alardeando: aqui jaz um amor que me mentiu eterno. e então...não adube, não plante lembranças fundo demais. passa. tem que passar.


Depois disso, perdi até a vontade de escrever...eu disse que vida de blogueiro não era fácil.

4 comentários:

annix disse...

Sim, sim, simmm! Ela escreve muito bem, é divertida! E gosta de gatos. E de Paul Auster.

(é, já li todos os arquivos. Eu faço isso)

Brigada pela dica!

Eu não sei, você sabe? disse...

Viu, só?
Eu também descobri essa menina e fiz também uma "homenagem" a ela. Danada, muito danada.
E tão delicada.
Beijo Beth, pensando bastante em vc, sei lá porque, nesse domingo de manhã.

Anônimo disse...

Ser humano é fingir amenidades e ocultar precipícios. AMEI. Realmente, é TUDO.
Antonio

Anônimo disse...

nao achei essas coisa toda nao