sexta-feira, maio 25, 2007

Sobre (bons) vinhos

Volta e meia não resisto e faço uma visita ao blog Caderno de Vidro. Dessa vez gostei tanto de um texto sobre a arte de beber e reconhecer bons vinhos (e outros menos) que decidi colá-lo aqui! Assim compartilho um pouco com vocês essas palavras tão bem escritas (porque convenhamos: não é todo dia que se encontra gente que escreva tão bem).



UVAS AMARGAS
Há quem goste de vinho. E há quem goste de gostar de vinho. Sou do primeiro tipo, graças a Deus.

Não vai aqui nenhum preconceito contra quem olha o vinho na contraluz ou assobia para dentro enquanto toma um pequeno gole. Em lugar de preconceito, talvez seja coisa mais grave. Mas isso veremos adiante, caso o leitor tenha paciência (paciência, hoje em dia, é mais raro que um Romanée-Conti 66).

Quem gosta de vinho, como eu, geralmente não é iniciado. Fica feliz com um chileno de trinta reais, figurinha fácil em qualquer carta. Mas quem gosta de gostar de vinho já viu a luz. E não se contenta com qualquer lamparina. Quando digo isto, logo eles argumentam que o bom vinho não é necessariamente o mais caro. Concordo. Mas, para quem já sabe reconhecer uma Gisele Bundchen em forma de uva, é difícil se contentar com a gostosinha do bairro. Mesmo quando dizem que a gostosinha é — afinal — gostosinha, eles sentem no paladar muito mais o INHA do que o restante do sabor.

Eu, ao contrário, acho que Bordeaux fica no Chile. E, pelo amor de Deus, não me convençam do contrário. Não é preciso: sei que estou errado. Mas sei apenas na teoria. No dia em que eu conhecer a diferença na prática, ai de mim: tomarei meus vinhos baratos sabendo que não passam muito disso. E parte do prazer que sinto hoje será coisa do passado. Deus conserve meu paladar inocente.

Sei que um bom vinho merece os adjetivos floreados (reticente, audacioso, loquaz). Sei que existem uvas com sabor de abacaxi ou suor de cavalo. Sei que vinho tem unha, nariz e corpo. Só não quero muita intimidade com isto. Deixem que meus trinta reais valham mil dólares de Robert Parker.

Se a paciência do leitor o trouxe até aqui, ficou claro que não tenho preconceito. E, por isto mesmo, acho que é algo mais grave. Talvez seja uma grosseira apologia à ignorância, à preguiça, ao animal rude e pobre de espírito. Se for, é uma apologia a mim mesmo.

Eu, que me esforço para cima, devo pertencer de fato ao andar de baixo. O vinho será a única hora em que esta verdade é consciente. No mais das vezes, nem percebo os meus enganos, e confundo meus limites com minha opinião.

O que me resta é apenas a franqueza de confessar. E ouso mesmo dizer que — não fosse certo alarido que me causa a poesia — eu era caso dos mais perdidos.

Ou será tudo o contrário, que não vamos terminar assim tão tristes e derrotistas. Minha única esperança, neste final de coisas, é haver dado o braço a torcer — e saborear o quanto de nós mesmos é possível descobrir simplesmente ao se falar de vinhos. Mesmo que daqueles mais baratos.

by André Laurentino. Publicado no Guia em O Estado de S. Paulo.

3 comentários:

Eu não sei, você sabe? disse...

Bethinha eu também adorei esse texto, mas vc já leu o último que esta postado sbre o amigo dele?
se não corre la!
beijos

Antonio Fontelles disse...

Um bom vinho e uma boa companhia, como a vida pode ser fácil, né?
Já li o seu comentário no meu blog, aquele da política, e já respondi, vai lá e confere... fique fria, minha amiga, he he he...
Beijo, A.

Pedrovsk disse...

Este texto nao está bem escrito, é cansativo de ler e usa do mesmo recurso piadista varias vezes. Acaba por ser redundante, pois se trata de um assunto que poderia ser tratado em menos linhas.

Tecnologia do Blogger.

Sobre (bons) vinhos

Volta e meia não resisto e faço uma visita ao blog Caderno de Vidro. Dessa vez gostei tanto de um texto sobre a arte de beber e reconhecer bons vinhos (e outros menos) que decidi colá-lo aqui! Assim compartilho um pouco com vocês essas palavras tão bem escritas (porque convenhamos: não é todo dia que se encontra gente que escreva tão bem).



UVAS AMARGAS
Há quem goste de vinho. E há quem goste de gostar de vinho. Sou do primeiro tipo, graças a Deus.

Não vai aqui nenhum preconceito contra quem olha o vinho na contraluz ou assobia para dentro enquanto toma um pequeno gole. Em lugar de preconceito, talvez seja coisa mais grave. Mas isso veremos adiante, caso o leitor tenha paciência (paciência, hoje em dia, é mais raro que um Romanée-Conti 66).

Quem gosta de vinho, como eu, geralmente não é iniciado. Fica feliz com um chileno de trinta reais, figurinha fácil em qualquer carta. Mas quem gosta de gostar de vinho já viu a luz. E não se contenta com qualquer lamparina. Quando digo isto, logo eles argumentam que o bom vinho não é necessariamente o mais caro. Concordo. Mas, para quem já sabe reconhecer uma Gisele Bundchen em forma de uva, é difícil se contentar com a gostosinha do bairro. Mesmo quando dizem que a gostosinha é — afinal — gostosinha, eles sentem no paladar muito mais o INHA do que o restante do sabor.

Eu, ao contrário, acho que Bordeaux fica no Chile. E, pelo amor de Deus, não me convençam do contrário. Não é preciso: sei que estou errado. Mas sei apenas na teoria. No dia em que eu conhecer a diferença na prática, ai de mim: tomarei meus vinhos baratos sabendo que não passam muito disso. E parte do prazer que sinto hoje será coisa do passado. Deus conserve meu paladar inocente.

Sei que um bom vinho merece os adjetivos floreados (reticente, audacioso, loquaz). Sei que existem uvas com sabor de abacaxi ou suor de cavalo. Sei que vinho tem unha, nariz e corpo. Só não quero muita intimidade com isto. Deixem que meus trinta reais valham mil dólares de Robert Parker.

Se a paciência do leitor o trouxe até aqui, ficou claro que não tenho preconceito. E, por isto mesmo, acho que é algo mais grave. Talvez seja uma grosseira apologia à ignorância, à preguiça, ao animal rude e pobre de espírito. Se for, é uma apologia a mim mesmo.

Eu, que me esforço para cima, devo pertencer de fato ao andar de baixo. O vinho será a única hora em que esta verdade é consciente. No mais das vezes, nem percebo os meus enganos, e confundo meus limites com minha opinião.

O que me resta é apenas a franqueza de confessar. E ouso mesmo dizer que — não fosse certo alarido que me causa a poesia — eu era caso dos mais perdidos.

Ou será tudo o contrário, que não vamos terminar assim tão tristes e derrotistas. Minha única esperança, neste final de coisas, é haver dado o braço a torcer — e saborear o quanto de nós mesmos é possível descobrir simplesmente ao se falar de vinhos. Mesmo que daqueles mais baratos.

by André Laurentino. Publicado no Guia em O Estado de S. Paulo.

3 comentários:

Eu não sei, você sabe? disse...

Bethinha eu também adorei esse texto, mas vc já leu o último que esta postado sbre o amigo dele?
se não corre la!
beijos

Antonio Fontelles disse...

Um bom vinho e uma boa companhia, como a vida pode ser fácil, né?
Já li o seu comentário no meu blog, aquele da política, e já respondi, vai lá e confere... fique fria, minha amiga, he he he...
Beijo, A.

Pedrovsk disse...

Este texto nao está bem escrito, é cansativo de ler e usa do mesmo recurso piadista varias vezes. Acaba por ser redundante, pois se trata de um assunto que poderia ser tratado em menos linhas.